Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)

'CEUs e hospitais de São Paulo desperdiçam energia', diz especialista /// Revista Galileo

Diretor da Fundação Clinton diz que automação de prédios e semáforos inteligentes são soluções para conter o desperdício na cidade
por Najia Furlan

CEU Vila Rubi. Especialista diz que unidades são exemplos de prédios que poderiam evitar desperdício (Divulgação)Em São Paulo, escolas CEUs (Centro de Educação Unificados) e hospitais desperdiçam energia com luz ligada e aquecimento de água e sistemas de ar-condicionado antigos gastam mais eletricidade que refrescam. A análise é de Adalberto Maluf, diretor da Fundação Clinton (ligada ao ex-presidente americano Bill Clinton) em São Paulo, que acredita que já existe tecnologia suficiente para fazer com que a nova geração de edifícios brasileiros consuma menos energia.

A primeira medida a adotar seria um sistema de iluminação com novas tecnologias, como a LED (sigla para Ligh Emitting Diode ou, em português, diodo emissor de luz). O sistema, mais caro a princípio, poderia proporcionar de 80% a 95% de economia. A segunda seria a automação dos sistemas de energia, com luzes que acendem somente quando pessoas estão nas salas. O especialista discute estas e outras ideias ele nesta entrevista a Galileu. Confira.


Quais as principais medidas que precisam ser tomadas para reduzir o desperdício de energia na cidade?

A primeira seria adotar um sistema de iluminação mais recente, com novas tecnologias, como LED, por exemplo, que proporciona de 80% a 95% de economia de energia. Reduzir custos de eletricidade também seria uma boa, com uso de aquecedores solares para água. Os chuveiros (elétricos, por resistência ainda) são um dos grandes vilões do consumo de energia – representam de 15% a 20% do uso de energia, no horário de pico. Em alguns hospitais públicos ainda temos sistema elétrico para aquecer as caldeiras, aquecendo água para lavar toalhas, o que é um desperdício incrível. Se em hospitais públicos de São Paulo é assim, imagine no interior... E uma medida excelente seria a automação do sistema em edifícios comerciais e de edifícios públicos – ou seja, as luzes se ligariam apenas com a presença de pessoas nas salas.

Você poderia dar alguns exemplos de edifícios que seriam beneficiados pela automação?

Vamos pensar nas escolas. Os CEUS – assim como as escolas mais antigas da cidade – foram construídos sem interruptor, ou um por andar, ou com interruptor fechado, com cadeado. Um funcionário liga tudo às 5 da manhã e outro desliga às 22h, quando vai embora. A gente fica desperdiçando energia nas escolas durante todo esse tempo. A mesma coisa acontece com os hospitais, com sistemas de ar condicionado antigos, que mais gastam energia do que refrescam. Nas edificações privadas também existe um potencial muito grande de economia. Quase todos os prédios da Avenida Paulista foram construídos nos anos de 70 e 80. Todos esses prédios, eu garanto, teriam uma economia de energia de mais ou menos 20 ou 30% com a automação.

Não apenas em edificações, mas na cidade como um todo, qual você acha que é a principal fonte de desperdício?

O transporte, com certeza. Vamos falar, primeiro, no transporte coletivo: São Paulo iniciou um processo muito interessante de investimento para priorização da operação dos ônibus, com algumas melhorias operacionais. Porém, se tivéssemos menos ônibus, mas maiores, articulados e com mais tecnologia, rodando com maior frequência, você economizaria muito combustível. Hoje há muitas linhas feitas há mais de 20 anos, que mudaram. Então ela vem da periferia, chega ao metrô, e todo mundo desce, mas a linha continua, na Avenida Paulista, onde tem aquela fila enorme de ônibus. São inúmeros casos, pela cidade inteira, de linhas antigas. Seria preciso uma reestruturação de todo sistema de transporte de São Paulo, com o objetivo principal de colocar linhas troncais nos grandes corredores, para que lá só andem ônibus articulados, novos e grandes, com grande capacidade, com pouco tempo de espera.

Qual seria uma alternativa para atrair mais pessoas para o transporte público e economizar combustível?

Se houvesse um bom sistema de informação – formando uma rede, com mapas inteligentes, nos quais a população aprenda, rapidamente, a se locomover , aí quem sabe a gente consiga ter uma redução no número de usuários do transporte individual e gerar eficiência para a cidade. Hoje a cidade de São Paulo desperdiça não só muita energia, como muito tempo do seu cidadão – tempo que poderia gerar produtividade e qualidade de vida. Se a pessoa perde qualidade de vida, afeta o rendimento, a produtividade e a cidade perde competitividade. Aí ocorre o que já vem ocorrendo há mais de 20 anos em São Paulo: perda de empresas e serviços para outras cidades. Quem pode escolher onde quer trabalhar, escolhe viver em uma cidade mais agradável, com calçadas mais largas, com verde, com paisagismo, com parques urbanos.

Além do desperdício e dessa questão da mobilidade, quais seriam outros grandes problemas energéticos de São Paulo?

A iluminação pública é muito antiga. Das 450 mil lâmpadas, mais ou menos, 200 mil são de mercúrio. Se trocássemos a iluminação atual por uma mais eficiente, em aproximadamente oito meses, a economia de energia já pagaria o investimento e, a partir daí, teríamos uma contenção de gastos muito grande.

Os semáforos também utilizam uma tecnologia muito antiga. Não têm sistema sincronizado, o que gera mais confusão no trânsito e também desperdiça muita energia. Se colocássemos um semáforo de LED, por exemplo, ele consumiria 90% menos energia, além de ser mais inteligente (por exemplo, dar prioridade para o horário dos ônibus) e integrado.

A quem cabe a responsabilidade pelo desperdício de energia da cidade?

A sociedade civil organizada poderia estar atuando na organização dos setores, na busca de melhorias dentro de seus próprios setores (das suas empresas, das suas associações). Porém, isso deve ser liderado pelo poder público, dando o exemplo. Fazendo obras de eficiência energética nas suas edificações, combatendo desperdício de água, de luz. Além disso, cada um de nós temos que buscar as melhorias dentro de nossas próprias residências

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