Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Conference Press//Brasil na COP 15

Conference Press; Embaixador Luiz Figueiredo, do Itamaraty, responde perguntas ao publico presente, ontem 18:30 hs em Copenhagen

BIOSFERA Entrevista Especial COP 15 - Marina Silva

A Questão Climática e o Brasil na COP 15

por Laércio Bruno Filho

Restam apenas algumas horas que nos separam da Conferencia Climática, em Copenhagen.
O Brasil deveria se posicionar como líder na questão climática. Por conta de suas fortes vantagens comparativas: extensão territorial continental, crescente importância geopolítica e econômica e as gigantescas (e ameaçadas) reservas de recursos naturais.

Este posicionamento significa liderar o grupo dos países em desenvolvimento, encabeçando as discussões sobre as exigências e pleitos feitas pelos países e as respectivas negociações necessárias. Assumir agressivas metas próprias de redução das suas emissões (que em sua maior parte são de desmatamento) servindo como exemplo às demais nações, principalmente as grandes emissoras.

A sustentação desta posição se daria por conta de uma coalizão internacional bem articulada com todos os países em desenvolvimento, BRIC inclusive. Formação de um bloco único, mesmo considerando-se suas enormes diferenças, com o poder de pressionar e barganhar em favor da contenção do aquecimento global ao mesmo tempo em que preservando crescimento sustentável.

Os mais pobres são os que mais sofrerão com os impactos causados pelo aumento da temperatura: escassez de alimentos, epidemias, desaparecimento gradual de água potável e para agricultar, êxodo de populações; aliados á dificuldade de acesso à tecnologias,conhecimento e analfabetismo, culminando com a relutância na transferência de recursos financeiros para adaptação ao novo clima por parte dos países ricos, o que só agrava o estado de pobreza. Indicadores já amplamente divulgados pelos estudos científicos do IPCC, OMS e ONU.

No cenário global, climático, não existe um líder definido.
Dúvidas pairam sobre esta questão. Todos esperam pelo posicionamento dos EUA, que sabidamente “sofre” muita pressão interna quando se trata do controle interno de suas emissões de GEE. Existe um fortíssimo lobby que é contra reduções de emissões maiores que 20%, ano base 2005, alegando alto impacto negativo na economia americana.
Os demais países europeus não estabelecem um consenso sobre metas e no Japão o segmento industrial duvida do atingimento às metas anunciadas.

“Momentum”
As recentes posições declaradas por entidades brasileiras como a Manifestação publica do Agronegócio e da Industria Paulista (Fiesp); a lei aprovada pela Assembléia Legislativa Paulista estabelecendo metas de redução e controle dos gases efeito estufa em nível estadual, o posicionamento da industria da carne em controlar o desmatamento, do Estado do Amazonas , do Mato Grosso e do Pará em reduzir e punir o desmatamento e incentivar a conservação da floresta em pé, dos gestores públicos se reunirem para discutir metas de controle de emissões,representam todos, sinais concretos que são muito bem vistos e interpretados pela comunidade internacional.
O país inteiro aguarda apenas um sinal verde, apontando quais as medidas pragmáticas a serem seguidas e metas factíveis realizáveis, para abraçar a questão climática.
E este sinal deve partir do governo e sociedade, simultaneamente e em comum acordo.

Cabe ao Brasil, uma vez que possui os pré-requisitos originais reconhecidos e respeitados em nível mundial, se posicionar e trabalhar de forma habilidosa o contexto diplomático afim de modelar o papel de líder climático e incorporá-lo.

O país assumindo esta posição formal perante a comunidade internacional, evoluiria para um estágio socioambiental muito mais avançado em relação às outras potencias em desenvolvimento, como China, Índia e Rússia.
E,para se tornar uma nação desenvolvida este posicionamento é muito significante.

Os eventos programados para os próximos anos representam passos edificantes na grande jornada que deve culminar com o Brasil tornando-se a próxima nação desenvolvida,ainda na primeira metade deste século, ocupando o lugar que lhe cabe no contexto mundial.
Assim, a liderança climática é um fator de vital importância.

NÃO HAVERÁ UM ACORDO GLOBAL SOBRE O CLIMA EM COPENHAGEN

LIDERES MUNDIAIS DECIDEM POSTERGAR ACORDO GLOBAL SOBRE O CLIMA
NY Times,November 15, 2009
By HELENE COOPER
tradução LBF


Os presidentes das nações reunidas na APEC – Ásia –Pacific Economic Cooperation Summit, decidiram hoje em Cingapura que vão adiar a difícil tarefa de consolidar um acordo global sobre a questão climática. Tema central e desejado pelo mundo todo para que viesse a acontecer na Conferencia das Partes, COP 15 , em dezembro próximo em Copenhagen.

A noticia foi anunciada, por Obama e diversos outros líderes,inclusive por Lokke Lars Rasmussen, primeiro-ministro da Dinamarca e presidente da conferência sobre o clima, que complementou afirmando que além da postergação o tema seria possivelmente retomado na próxima reunião de cúpula que acontecerá na Cidade do México. Com isto não se perderia todo o esforço realizado até agora e principalmente tudo aquilo que se abordará e se discutirá em Copenhagen.

“Houve um consenso por parte dos líderes e concluiu-se que o período de 22 dias compreendido entre hoje e a COP 15 é impossível para que se estabeleça qualquer acordo internacional sobre esta questão”,disse Michael Froman, o assessor de segurança nacional (EUA) para assuntos econômicos internacionais.
Complementou ainda: "Eu não acredito que as negociações até hoje tenham decorrido de forma a insinuar que qualquer um dos líderes acreditasse que fosse possível alcançar um acordo final em Copenhaguen, e ainda penso que Copenhagen será um importante passo dado á frente, representando desdobramentos já operacionais "

Principais Causas
Incapacidade do congresso dos EUA em promulgar uma legislação climática que estabeleça metas obrigatórias de redução dos gases que provocam o efeito estufa.
Sem este compromisso por parte dos EUA, as outras nações estão relutantes em apresentar suas promessas de redução.

Pior ainda
Funcionários do governo norte-americano apontam que isto talvez ocorra apenas no segundo semestre de 2010.

Leia o artigo na íntegra:
http://www.nytimes.com/2009/11/15/world/asia/15prexy.html?_r=1&th&emc=th



THE GUARDIAN///UK
ESPERANÇAS POR UM ACORDO CLIMÁTICO EM COPENHAGEN DESAPARECEM APÓS DECLARAÇÃO DE OBAMA

Jonathan Watts, Asia environment correspondent, and agencies guardian.co.uk, Sunday 15 November 2009 12.05 GMT
Tradução:LBF


Obama admite que o tempo é escasso e opta por um processo de 2 estágios,atrasando o pacto global do clima até 2010, no minimo.

Obama apóia o plano dinamarquês para salvar alguma coisa do encontro de Copenhagen. O plano indica para o consenso de um grande acordo político que prepare o terreno visando estabelecimento uma nova data para que os países apresentem suas metas de redução, níveis de financiamento e verificação de seus compromissos. Recomenda: “...não deixem que o ótimo seja o inimigo do bom”, no sentido de que deseja realismo para a abordagem nas próximas reuniões.

O fato de postergar a decisão sobre o acordo global daria fôlego á Obama para que buscasse aprovação da legislação junto ao congresso dos EUA.

Decididamente as questões sobre metas de redução, financiamento e transferência de tecnologia não serão temas concluídos na Dinamarca, segundo o informe.

O posicionamento da China em relação à postergação, ainda não é claro até o momento. Mas líderes de outras nações dizem que não há outra escolha.

A continuidade do processo de discussão já era algo esperado por conta do posicionamento de diversos líderes de nações, que apontavam desentendimento sobre a questão das metas de redução.

Mas a demora em uma definição traz grande frustração àqueles que sentem que o tempo está esgotando-se para evitar níveis calamitosos das alterações climáticas.

Leia o artigo na íntegra:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/nov/15/obama-copenhagen-emissions-targets-climate-change/print



LE MONDE
A PESPECTIVA DE UM ACORDO SOBRE O CLIMA SE DISTANCIA

LEMONDE.FR à AFP 15.11.09 11:33
Tradução LBF


Não seria "irreal" acreditar que um "acordo político em nível internacional possa ser negociado entre agora e Copenhagen, que acontecerá em 22 dias". A mensagem do assessor especial de Barack Obama para Assuntos Internacionais, Michael Froman, não foi nada otimista, domingo, no final da cúpula Ásia-Pacífico, em Cingapura.

Cingapura foi a última grande reunião internacional antes da cúpula sobre o aquecimento global em Copenhague, que ocorre de 7 a 18 de dezembro.
Neste cenário foi apresentado por países da zona Ásia-Pacifico um projeto que previa inicialmente reduções de 50% das emissões de GEE, mas ao final do encontro o projeto foi removido da carta- comunicado final.

Os chefes de Estado presentes em Cingapura - incluindo a Barack Obama - também concordam que a reunião de Copenhagen não resultará em um novo tratado global contra o aquecimento global.

A diplomacia norte-americana, no entanto, sugere que deseja alcançar progressos em Copenhagen, optando por uma de estratégia em que contempla duas fases.

1- No início de dezembro, desejam chegar a um acordo politico entre os 191 países em um quadro de negociação, o que inclui uma seção sobre o financiamento da luta contra o aquecimento global.

2- A discussão de um acordo vinculativo para reduzir as emissões de carbono seria adiada indefinidamente

Leia o artigo na íntegra:
http://www.lemonde.fr/planete/article/2009/11/15/la-perspective-d-un-accord-sur-le-climat-s-eloigne_1267420_3244.html#ens_id=1234881


EL PAÍS
EE UU y CHINA HACEN FRACASAR COPENHAGUE

Los dos países más contaminantes no logran sellar un acuerdo para la cumbre del cambio climático.

ANTONIO CAÑO Singapur - (ENVIADO ESPECIAL) - 15/11/2009

Estados Unidos y China, los mayores contaminantes del mundo, han hecho oficial el fracaso de la conferencia del clima que se celebrará el mes próximo en Copenhague. Los líderes de ambos países, apoyados por algunas de las principales naciones emergentes del mundo, han comunicado este domingo en Singapur al Gobierno de Dinamarca que no será posible conseguir en esa ocasión un acuerdo vinculante que permita la reducción de emisiones de dióxido de carbono.

En su lugar, se intentará lo que se ha llamado retóricamente acuerdo en dos etapas, y que, en realidad, consiste en hacer en Copenhague una mera declaración de intenciones, pero se postergarán los compromisos obligatorios para un momento posterior, quizá para otra conferencia que debe de celebrarse el próximo año en México(...)

Leia o artigo na íntegra:
http://www.elpais.com/articulo/internacional/EE/UU/China/hacen/fracasar/Copenhague/elpepuint/20091115elpepuint_8/Tes?print=1

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