Publicado em maio 27, 2011 por HC
[EcoDebate] A civilização é um caminho sem volta para a humanidade. Poderia se discutir longamente a caminhada da humanidade desde o inicío da epopéia civilizatória até os contratualistas que começam com o exemplo mais evidenciado de Thomas Hobbes no seu “Leviatã” e praticamente não mais terminam.
A sociedade moderna está sempre discutindo aprimoramentos contratualísticos e ninguém em sã consciência pensa em alterar esta fase do ciclo civilizatório, senão se pensa apenas em aperfeiçoar os mecanismos da civilização.
Hans Jonas abre uma discussão ética sobre a relação do homem com a natureza. Ao se deparar com a exacerbação do antropocentrismo e com a vulnerabilidade da natureza se dá conta de que para evoluir é necessário trabalhar com uma nova dimensão de responsabilidade. Assim, a natureza como responsabilidade humana é sem dúvida um novum apresentado por Hans Jonas sobre uma nova teoria ética muito além do interesse na manutenção da natureza.
O saber previdente torna-se um dever prioritário. Para Hans Jonas, nenhuma ética anterior viu-se obrigada a considerar a condição global da natureza, da vida humana e das questões intergeracionais. Esse novo agir humano exige ir além do antropocentrismo e dos interesses de uma geração. O princípio responsabilidade se estende para mais além. Devemos ouvir a natureza e reconhecer sua exigência como obrigatória, para além da doutrina do agir, ou seja, da ética, até a doutrina do existir das presentes e futuras gerações.
Os direitos ambientais e difusos são incluídos por Norberto Bobbio e aceitos por todos como direitos fundamentais de terceira geração. Não cabe aqui ficar discutindo a natureza jurídica das afirmações e para isto existem pessoas de muito mais habilitada formação e informação, capazes de desenvolver a temática com pleno domínio e inegável brilhantismo.
Para nós que trabalhamos profissionalmente com questões ambientais e que de uma maneira ou outra somos sujeitos de alguma forma de ambientalismo ideológico, o consumo consciente levanta hipóteses de uma nova fase civilizatória, de um novo tipo de contratualismo onde o cidadão esclarecido e engajado pratica uma seleção natural de agentes civilizatórios através do seu gesto consciente de consumo.
Quando “os consumidores ultrapassam os critérios de preço e fazem do seu gesto de consumo uma atitude que consideram ou percebem como engajada, escolhendo comprar de uma empresa que possui mais práticas sustentáveis ou quando levam em conta a cadeia produtiva de tudo que consomem, considerando os impactos ambientais identificados nas diversas fases do processo, enfim estes consumidores estão exercendo um contratualismo informal que vai manter no mercado a todos os agentes percebidos como responsáveis e que favorecem a vida e vai excluir do mesmo mercado todos os agentes que considera nocivos e que não favorecem a vida.
Estes consumidores que estão atentos a práticas mais sustentáveis são os consumidores do futuro. Este exército desarmado, esta polícia não coercitiva não é constituída por poucos oníricos ou lunáticos. Este exército tem crescido cada vez mais, e representa o número de pessoas preocupadas com a qualidade de vida. Em um mundo globalizado, um mundo cada vez mais complexo e veloz, onde as redes sociais tem um papel cada vez mais destacados, tanto as organizações, como as pessoas, só evoluem com práticas inspiradas no que se convenciona denominar sustentabilidade. O que há em comum nestas práticas pode ser resumida em três conceitos trabalhados por Hans Jonas: totalidade, continuidade e futuro.
Será cada vez menos provável, desenhar cenários econômicos que ignorem as questões socioambientais. Assim as culturas empresariais estão cada vez mais ecléticas e abrangentes, observando o mundo em uma visão holística que determina o estabelecimento de concessões que antes eram inimagináveis.
Os mercados estão revendo suas lógicas de retorno sobre investimento, assumindo os custos dos serviços da natureza em suas operações. E os governos estão sendo cada vez mais cobrados a regular a atividade empresarial em contornos de contratualismo civilizatório, antes só imaginado em termos de direitos civis e políticos. Este é o cenário que vem se desenhando.
E neste contexto a força dos indivíduos que exercem uma ação contratualística informal mas muito eficiente, eliminando os agentes que percebem como nocivos e estimulando os agentes identificados como socioambientalmente responsáveis, com inestimável auxílio das redes sociais, representa uma realidade jamais antes imaginada. Esse contratualismo pode ser percebido no Princípio Responsabilidade defendido por Hans Jonas. É a responsabilidade perante o dever de existir. E a primeira de todas as responsabilidades é garantir a possibilidade de que haja responsabilidade.
No cotidiano atual, a maioria das corporações está ciente de que, além de oferecer produtos e serviços de qualidade deve contribuir para o desenvolvimento sustentável pois esta é uma concepção fundamental até mesmo para garantir sua sobrevivência e seu espaço no mercado de hoje e do futuro como se fosse um acordo constitucional não redigido mas muito eficaz e respeitado por todos.
Hans Jonas não traz uma receita para o Princípio Responsabilidade. Ele mostra que a natureza do agir humano transformou-se. O consumo consciente comporta um conteúdo inteiramente novo cuja dimensão de significado ainda está longe de ser a ideal, exigindo um fazer político e, consequentemente, uma nova ética ambiental.
Dr. Roberto Naime, colunista do Ecodebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Consumo consciente de alimentos ajuda o bolso e evita desperdício
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SÃO PAULO – Na última semana, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) divulgou que cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo para consumo humano é perdido ou desperdiçado a cada ano. Esse número representa 1,3 bilhão de toneladas de comida.
Entre outras informações, o relatório do estudo encomendado pelo órgão ao Instituto Sueco de Alimentos e Biotecnologia destaca o impacto negativo do desperdício no meio ambiente.
“Isso invariavelmente significa que grande parte dos recursos empregados na produção de alimentos é usada em vão, e que os gases que provocam o efeito estufa causados pela produção de alimentos que é perdido ou desperdiçado também são emissões em vão”, alerta o relatório.
Consumir de forma consciente e evitar perdas
O Instituto Akatu, órgão que trabalha em prol do consumo consciente, ensina os consumidores algumas dicas para evitar que mais alimentos vão para o lixo:
•Lista de compras: em média, um terço do que compramos em alimentos vai direto para a lata do lixo, porque compramos em excesso e os produtos estragam. Em um ano, cada família acumula desperdício de 255,5 kg de comida que, se fosse poupado, representaria R$ 1 milhão ao longo da vida.
•Aparência: não escolha alimentos apenas porque são bonitos. Os legumes com um pouco de terra duram mais e devem ser lavados apenas na hora do consumo.
•Mesa farta?: adquira a quantidade de produtos que realmente será consumida! E exija produtos que respeitem as leis ambientais e a legislação trabalhista e que sejam feitos com métodos menos impactantes.
Além disso, prefira aqueles itens cultivados na sua região – especialmente a produção familiar e associada –, pois isso reduz o custo de transporte e o desperdício. Se possível, evite as garrafas plásticas. Caso contrário, separe tudo para a reciclagem.
Informe-se ainda sobre a importância da agricultura sustentável e seus benefícios para a produção de alimentos, inclusive em relação à saúde dos indivíduos e ambientes
Desperdício pelos consumidores
Ainda segundo o estudo da FAO, a quantidade de alimentos desperdiçada no mundo equivale a mais da metade de toda a colheita de grãos mundial. Tanto os países industrializados como os que estão em desenvolvimento “dilapidam mais ou menos a mesma quantidade de alimentos: 670 e 630 milhões de toneladas, respectivamente”.
No entanto, eles seguem padrões diferentes de desperdício. Nas nações mais pobres ou em desenvolvimento, a maior parte dos alimentos é perdida durante o processo de produção e transporte.
Já nos países mais ricos, o desperdício acontece quando os alimentos já foram comprados pelos consumidores. Para se ter uma ideia, a quantia total desperdiçada pelo consumidor de nação endinheirada (222 milhões de toneladas) é quase equivalente ao total produzido na África Subsaariana (230 milhões de toneladas).
Aparência do alimento
Outros dados divulgados pelo estudo apontam que muitos alimentos vão para o lixo nos países ricos, mesmo antes de expirar a data de validade. As normas de qualidade são apontadas como a principal causa do desperdício, já que “dão excessiva importância à aparência dos produtos”.
“Reduzir as perdas pode significar um impacto imediato e significativo nos meios de subsistência e na segurança alimentar”, indica o relatório.
SÃO PAULO – Na última semana, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) divulgou que cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo para consumo humano é perdido ou desperdiçado a cada ano. Esse número representa 1,3 bilhão de toneladas de comida.
Entre outras informações, o relatório do estudo encomendado pelo órgão ao Instituto Sueco de Alimentos e Biotecnologia destaca o impacto negativo do desperdício no meio ambiente.
“Isso invariavelmente significa que grande parte dos recursos empregados na produção de alimentos é usada em vão, e que os gases que provocam o efeito estufa causados pela produção de alimentos que é perdido ou desperdiçado também são emissões em vão”, alerta o relatório.
Consumir de forma consciente e evitar perdas
O Instituto Akatu, órgão que trabalha em prol do consumo consciente, ensina os consumidores algumas dicas para evitar que mais alimentos vão para o lixo:
•Lista de compras: em média, um terço do que compramos em alimentos vai direto para a lata do lixo, porque compramos em excesso e os produtos estragam. Em um ano, cada família acumula desperdício de 255,5 kg de comida que, se fosse poupado, representaria R$ 1 milhão ao longo da vida.
•Aparência: não escolha alimentos apenas porque são bonitos. Os legumes com um pouco de terra duram mais e devem ser lavados apenas na hora do consumo.
•Mesa farta?: adquira a quantidade de produtos que realmente será consumida! E exija produtos que respeitem as leis ambientais e a legislação trabalhista e que sejam feitos com métodos menos impactantes.
Além disso, prefira aqueles itens cultivados na sua região – especialmente a produção familiar e associada –, pois isso reduz o custo de transporte e o desperdício. Se possível, evite as garrafas plásticas. Caso contrário, separe tudo para a reciclagem.
Informe-se ainda sobre a importância da agricultura sustentável e seus benefícios para a produção de alimentos, inclusive em relação à saúde dos indivíduos e ambientes
Desperdício pelos consumidores
Ainda segundo o estudo da FAO, a quantidade de alimentos desperdiçada no mundo equivale a mais da metade de toda a colheita de grãos mundial. Tanto os países industrializados como os que estão em desenvolvimento “dilapidam mais ou menos a mesma quantidade de alimentos: 670 e 630 milhões de toneladas, respectivamente”.
No entanto, eles seguem padrões diferentes de desperdício. Nas nações mais pobres ou em desenvolvimento, a maior parte dos alimentos é perdida durante o processo de produção e transporte.
Já nos países mais ricos, o desperdício acontece quando os alimentos já foram comprados pelos consumidores. Para se ter uma ideia, a quantia total desperdiçada pelo consumidor de nação endinheirada (222 milhões de toneladas) é quase equivalente ao total produzido na África Subsaariana (230 milhões de toneladas).
Aparência do alimento
Outros dados divulgados pelo estudo apontam que muitos alimentos vão para o lixo nos países ricos, mesmo antes de expirar a data de validade. As normas de qualidade são apontadas como a principal causa do desperdício, já que “dão excessiva importância à aparência dos produtos”.
“Reduzir as perdas pode significar um impacto imediato e significativo nos meios de subsistência e na segurança alimentar”, indica o relatório.
Pais trocam material escolar para promover consumo consciente
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1/08/2011 07:01:00 AM
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consumo consciente
Data : janeiro 8th, 2011Categoria : Geral Autor : Último Segundo - iG –
Notícias de economia, política e culturaComentários desativados
Marina Morena Costa, iG São Paulo
Associações em escolas particulares de São Paulo promovem feiras de livros usados para discutir o consumo e, de quebra, economizar
Para evitar gastos, desperdício e ensinar o consumo consciente aos filhos, pais de alunos de escolas particulares de São Paulo têm organizado feiras para trocar livros, material escolar e até uniformes. Na Vila Madalena, zona oeste da capital, a Organização de Pais Solidários da escola Vera Cruz prepara para os dias 26, 27 e 28 de janeiro uma feira de distribuição dos materiais coletados ao longo de 2010. São livros didáticos, paradidáticos, pastas coloridas com o logo do colégio e uniformes.
A ideia, batizada de Troca Solidária, começou no ano passado com poucos participantes. O projeto ganhou força em 2010 e arrecadou cerca de 200 livros didáticos, 100 pastas além de uniformes infantis. Denise Durand Kremer, mãe dos alunos Rafael, de 6 anos, e Sofia, 9, é uma das organizadoras da Troca e conta que o projeto foi motivado “pelo momento que o planeta vive” e para recuperar o sentido do coletivo. “Todo ano compramos toda a lista de material e livros, muitas vezes sem necessidade. Há um glamour em ter todo o material novo que é pura falta de consciência”, avalia.
Com o apoio da escola, a Organização de Pais Solidários enviou e-mails, distribuiu cartazes e pontos de coleta de material nas unidades do Vera Cruz. Os pais também promoveram palestras e discussões com a preocupação de estimular em seus filhos uma visão mais econômica e sustentável do mundo.
Glayds Atchabahian soube da iniciativa ao buscar na escola o filho Caio, de 6 anos. “Reciclagem é comigo mesma. Sinto que as coisas não se perdem. O que não serve mais pra gente serve para outras pessoas ou pode ser reciclado”, lembra. Daniela Padilha, mãe de Maria Clara, de 8 anos, participa da Troca Solidária e conta que a prática é uma rotina em sua casa: “Minha filha entende e é super atuante. Não só com o material escolar, mas com roupas e brinquedos também. Se não usa mais, ela passa adiante”.
Para Fernanda Salles, membro da Organização de Pais Solidários e uma das responsáveis pelo plantão de arrecadação dos materiais, a família e a escola devem trabalhar o consumismo. “Consumir com consciência precisa ser ensinado. O que se ensina na porta da escola é tão importante quanto o que é passado dentro de sala de aula”, aponta.
Perdidos valiosos
Casacos de grife, aparelhos eletrônicos, estojos repletos de canetas novas, livros didáticos abandonados. Um achados e perdidos extremamente rico e cada vez mais encorpado. Diante do pequeno cômodo embaixo de uma escada, repleto de materiais valiosos, Vilma Martins percebeu que havia algo fora da ordem na Escola Nossa Senhora das Graças, no Itaim Bibi, onde seu filho estuda. “Não acho normal um livro de R$ 100 ficar largado, esquecido o ano inteiro. Levei essa reflexão para os pais, para que eles se conscientizassem e discutissem com os filhos sobre o valor dos pertences”, conta.
Da indignação diante do abarrotado achados e perdidos, surgiu o LivroLivre. A Organização dos Pais do Gracinha (como a escola é chamada) criou o projeto de arrecadação de livros didáticos e paradidáticos. “O foco é o consumo consciente e a economia que os pais farão é um acréscimo. O mais importante é a reflexão sobre a utilização do material”, completa Maria Cecília Cesar Schiesari, membro da associação.
A escolha do nome e do logo do projeto foram feitas pelos alunos do Gracinha. O projeto arrecadou 2.300 livros ao longo de 2010, que serão distribuídos gratuitamente em uma feira no próximo dia 11 de janeiro. Cerca de 800 livros que não estão na lista de material foram doados para uma biblioteca mantida pela escola no Jardim Angela, na periferia de São Paulo.
Parte do material arrecadado não poderá ser reutilizada, pois se trata de edições consumíveis, nas quais o estudante escreve diretamente no livro. Vilma conta que a Organização dos Pais do Gracinha pretende sensibilizar os professores para o problema. Para que deem preferência para livros não-consumíveis ou que apresentem alternativas para não inutilizar o livro, como escrever as resposta no caderno. As obras que farão parte do projeto receberão um selo e devem ser devolvidas ao final do ano letivo. “Os livros não têm dono. São livres”, explica Vilma.
Nesta primeira edição do LivroLivre cada aluno terá direito a retirar até três livros e terão prioridade na escolha os estudantes que tiverem contribuído com doações. Como os livros didáticos custam em média R$ 100, trata-se de uma economia de pelo menos R$ 300. “Precisamos quebrar essa cadeia do abandono dos pertences. Queremos despertar nas crianças a questão da solidariedade, da responsabilidade, de cuidar de um bem para o próximo”, resume Vilma.
Maria Cecília lembra que muitas crianças gostam de seguir a risca a lista da escola e começar o ano com o material totalmente novo. Suas duas filhas, que estão no 5º e no 8º ano, por exemplo, não têm o costume de usar cadernos do ano anterior, ao contrário das primas, que estudam em outro colégio. “Se a própria escola tiver um trabalho voltado para o coletivo e estimular a reutilização do material, acredito que os alunos vão começar a pensar diferente.”
Notícias de economia, política e culturaComentários desativados
Marina Morena Costa, iG São Paulo
Associações em escolas particulares de São Paulo promovem feiras de livros usados para discutir o consumo e, de quebra, economizar
Para evitar gastos, desperdício e ensinar o consumo consciente aos filhos, pais de alunos de escolas particulares de São Paulo têm organizado feiras para trocar livros, material escolar e até uniformes. Na Vila Madalena, zona oeste da capital, a Organização de Pais Solidários da escola Vera Cruz prepara para os dias 26, 27 e 28 de janeiro uma feira de distribuição dos materiais coletados ao longo de 2010. São livros didáticos, paradidáticos, pastas coloridas com o logo do colégio e uniformes.
A ideia, batizada de Troca Solidária, começou no ano passado com poucos participantes. O projeto ganhou força em 2010 e arrecadou cerca de 200 livros didáticos, 100 pastas além de uniformes infantis. Denise Durand Kremer, mãe dos alunos Rafael, de 6 anos, e Sofia, 9, é uma das organizadoras da Troca e conta que o projeto foi motivado “pelo momento que o planeta vive” e para recuperar o sentido do coletivo. “Todo ano compramos toda a lista de material e livros, muitas vezes sem necessidade. Há um glamour em ter todo o material novo que é pura falta de consciência”, avalia.
Com o apoio da escola, a Organização de Pais Solidários enviou e-mails, distribuiu cartazes e pontos de coleta de material nas unidades do Vera Cruz. Os pais também promoveram palestras e discussões com a preocupação de estimular em seus filhos uma visão mais econômica e sustentável do mundo.
Glayds Atchabahian soube da iniciativa ao buscar na escola o filho Caio, de 6 anos. “Reciclagem é comigo mesma. Sinto que as coisas não se perdem. O que não serve mais pra gente serve para outras pessoas ou pode ser reciclado”, lembra. Daniela Padilha, mãe de Maria Clara, de 8 anos, participa da Troca Solidária e conta que a prática é uma rotina em sua casa: “Minha filha entende e é super atuante. Não só com o material escolar, mas com roupas e brinquedos também. Se não usa mais, ela passa adiante”.
Para Fernanda Salles, membro da Organização de Pais Solidários e uma das responsáveis pelo plantão de arrecadação dos materiais, a família e a escola devem trabalhar o consumismo. “Consumir com consciência precisa ser ensinado. O que se ensina na porta da escola é tão importante quanto o que é passado dentro de sala de aula”, aponta.
Perdidos valiosos
Casacos de grife, aparelhos eletrônicos, estojos repletos de canetas novas, livros didáticos abandonados. Um achados e perdidos extremamente rico e cada vez mais encorpado. Diante do pequeno cômodo embaixo de uma escada, repleto de materiais valiosos, Vilma Martins percebeu que havia algo fora da ordem na Escola Nossa Senhora das Graças, no Itaim Bibi, onde seu filho estuda. “Não acho normal um livro de R$ 100 ficar largado, esquecido o ano inteiro. Levei essa reflexão para os pais, para que eles se conscientizassem e discutissem com os filhos sobre o valor dos pertences”, conta.
Da indignação diante do abarrotado achados e perdidos, surgiu o LivroLivre. A Organização dos Pais do Gracinha (como a escola é chamada) criou o projeto de arrecadação de livros didáticos e paradidáticos. “O foco é o consumo consciente e a economia que os pais farão é um acréscimo. O mais importante é a reflexão sobre a utilização do material”, completa Maria Cecília Cesar Schiesari, membro da associação.
A escolha do nome e do logo do projeto foram feitas pelos alunos do Gracinha. O projeto arrecadou 2.300 livros ao longo de 2010, que serão distribuídos gratuitamente em uma feira no próximo dia 11 de janeiro. Cerca de 800 livros que não estão na lista de material foram doados para uma biblioteca mantida pela escola no Jardim Angela, na periferia de São Paulo.
Parte do material arrecadado não poderá ser reutilizada, pois se trata de edições consumíveis, nas quais o estudante escreve diretamente no livro. Vilma conta que a Organização dos Pais do Gracinha pretende sensibilizar os professores para o problema. Para que deem preferência para livros não-consumíveis ou que apresentem alternativas para não inutilizar o livro, como escrever as resposta no caderno. As obras que farão parte do projeto receberão um selo e devem ser devolvidas ao final do ano letivo. “Os livros não têm dono. São livres”, explica Vilma.
Nesta primeira edição do LivroLivre cada aluno terá direito a retirar até três livros e terão prioridade na escolha os estudantes que tiverem contribuído com doações. Como os livros didáticos custam em média R$ 100, trata-se de uma economia de pelo menos R$ 300. “Precisamos quebrar essa cadeia do abandono dos pertences. Queremos despertar nas crianças a questão da solidariedade, da responsabilidade, de cuidar de um bem para o próximo”, resume Vilma.
Maria Cecília lembra que muitas crianças gostam de seguir a risca a lista da escola e começar o ano com o material totalmente novo. Suas duas filhas, que estão no 5º e no 8º ano, por exemplo, não têm o costume de usar cadernos do ano anterior, ao contrário das primas, que estudam em outro colégio. “Se a própria escola tiver um trabalho voltado para o coletivo e estimular a reutilização do material, acredito que os alunos vão começar a pensar diferente.”
Pesquisa revela índice e perfil do consumo consciente no Brasil
O estudo mapeou o perfil dos consumidores e a preocupação destes com a Responsabilidade Social
Empresarial (RSE), em 12 capitais e regiões metropolitanas...
16/12/2010 - 10h48m
Fonte: Tatiana Félix - Adital
Os Institutos Ethos e Akatu divulgaram dia (14), em São Paulo, a pesquisa "O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente o Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial. Pesquisa 2010".
O estudo mapeou o perfil dos consumidores e a preocupação destes com a Responsabilidade Social Empresarial (RSE), em 12 capitais e regiões metropolitanas do Brasil. Foram ouvidas 800 pessoas maiores de 16 anos.
A pesquisa revelou que o índice de consumidores conscientes no país permanece em 5%. Apesar de parecer um número baixo, os institutos comemoram a permanência da taxa, já que considerando o crescimento da população, a permanência do índice significa que houve, na verdade, um aumento de aproximadamente 500 mil consumidores conscientes.
Consumidor consciente é aquele que busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal, a preservação do meio ambiente e o bem-estar da sociedade, refletindo sobre o que consome e prestigiando empresas comprometidas com a responsabilidade social.
No entanto, a mesma pesquisa verificou um aumento de 25 para 37% no volume total de consumidores considerados "indiferentes", ou seja, aqueles que estão no oposto do comportamento sustentável. O aumento na massa destes consumidores se deve, segundo a pesquisa, ao maior poder aquisitivo de pessoas que chegaram à classe C. Estima-se que entre 2003 e 2009, 29 milhões de pessoas, em média, passaram a fazer parte deste grupo que é chamado de "a nova classe média brasileira".
A pesquisa constatou que o termo Sustentabilidade ainda desperta pouco interesse na população, talvez pela dificuldade de ser compreendido e praticado. De acordo com a análise, 56% dos consumidores nunca ouviram falar em Sustentabilidade. E entre aqueles que dizem conhecer o termo, 21% não conseguem dar uma definição para ele. Outros 19% têm uma compreensão incorreta do assunto.
Apenas 16% dos entrevistados disseram se interessar por Responsabilidade Social Empresarial e buscar informações sobre o assunto. Neste quesito, destacam-se consumidores universitários e os pertencentes às classes A e B. A pesquisa mostrou que os consumidores estão atentos às empresas mais responsáveis e que também repudiam a propaganda enganosa.
Com base nesta questão, a pesquisa apontou a necessidade de se desenvolver legislações e políticas públicas que induzam nos consumidores e nas empresas, comportamentos que gerem práticas mais sustentáveis. A diminuição da pobreza e o consequentemente aumento no número de pessoas com maior poder de consumo exigirão o desenvolvimento de medidas que estimulem práticas conscientes de consumo, de maneira a formar uma sociedade sustentável.
Neste sentido, a pesquisa questionou quais medidas as empresas estariam adotando, no momento de divulgar seus produtos e serviços, para gerar comportamentos de consumo mais conscientes. E concluiu ressaltando a necessidade de se separar a idéia de que ‘o aumento do consumo gera maior felicidade’, já que "o crescimento da sociedade de consumo, é incompatível com o duplo objetivo de "inclusão social com sustentabilidade".
O estudo finaliza recomendando que a Sustentabilidade, o Consumo Consciente e a RSE precisam ser traduzidas de forma prática e com propostas concretas, e ressaltaram que tais medidas devem ser percebidas pelo público como uma boa alternativa ao consumismo vazio e insustentável.
Mais informações, acesse: http://www.akatu.org.br/
Empresarial (RSE), em 12 capitais e regiões metropolitanas...
16/12/2010 - 10h48m
Fonte: Tatiana Félix - Adital
Os Institutos Ethos e Akatu divulgaram dia (14), em São Paulo, a pesquisa "O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente o Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial. Pesquisa 2010".
O estudo mapeou o perfil dos consumidores e a preocupação destes com a Responsabilidade Social Empresarial (RSE), em 12 capitais e regiões metropolitanas do Brasil. Foram ouvidas 800 pessoas maiores de 16 anos.
A pesquisa revelou que o índice de consumidores conscientes no país permanece em 5%. Apesar de parecer um número baixo, os institutos comemoram a permanência da taxa, já que considerando o crescimento da população, a permanência do índice significa que houve, na verdade, um aumento de aproximadamente 500 mil consumidores conscientes.
Consumidor consciente é aquele que busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal, a preservação do meio ambiente e o bem-estar da sociedade, refletindo sobre o que consome e prestigiando empresas comprometidas com a responsabilidade social.
No entanto, a mesma pesquisa verificou um aumento de 25 para 37% no volume total de consumidores considerados "indiferentes", ou seja, aqueles que estão no oposto do comportamento sustentável. O aumento na massa destes consumidores se deve, segundo a pesquisa, ao maior poder aquisitivo de pessoas que chegaram à classe C. Estima-se que entre 2003 e 2009, 29 milhões de pessoas, em média, passaram a fazer parte deste grupo que é chamado de "a nova classe média brasileira".
A pesquisa constatou que o termo Sustentabilidade ainda desperta pouco interesse na população, talvez pela dificuldade de ser compreendido e praticado. De acordo com a análise, 56% dos consumidores nunca ouviram falar em Sustentabilidade. E entre aqueles que dizem conhecer o termo, 21% não conseguem dar uma definição para ele. Outros 19% têm uma compreensão incorreta do assunto.
Apenas 16% dos entrevistados disseram se interessar por Responsabilidade Social Empresarial e buscar informações sobre o assunto. Neste quesito, destacam-se consumidores universitários e os pertencentes às classes A e B. A pesquisa mostrou que os consumidores estão atentos às empresas mais responsáveis e que também repudiam a propaganda enganosa.
Com base nesta questão, a pesquisa apontou a necessidade de se desenvolver legislações e políticas públicas que induzam nos consumidores e nas empresas, comportamentos que gerem práticas mais sustentáveis. A diminuição da pobreza e o consequentemente aumento no número de pessoas com maior poder de consumo exigirão o desenvolvimento de medidas que estimulem práticas conscientes de consumo, de maneira a formar uma sociedade sustentável.
Neste sentido, a pesquisa questionou quais medidas as empresas estariam adotando, no momento de divulgar seus produtos e serviços, para gerar comportamentos de consumo mais conscientes. E concluiu ressaltando a necessidade de se separar a idéia de que ‘o aumento do consumo gera maior felicidade’, já que "o crescimento da sociedade de consumo, é incompatível com o duplo objetivo de "inclusão social com sustentabilidade".
O estudo finaliza recomendando que a Sustentabilidade, o Consumo Consciente e a RSE precisam ser traduzidas de forma prática e com propostas concretas, e ressaltaram que tais medidas devem ser percebidas pelo público como uma boa alternativa ao consumismo vazio e insustentável.
Mais informações, acesse: http://www.akatu.org.br/
MMA cria plano para estimular novos hábitos
Data: 04/11/2010 13:37
“A vida das pessoas vai ser afetada diretamente, por isso pedimos que elas participem, por meio de suas organizações da sociedade civil, empresas e órgãos públicos”, solicita Samyra Crespo, Secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.
Por: Redação TN / Fabiano Ávila, CarbonoBrasil / MMA
O Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) prevê parcerias entre a iniciativa privada, o governo e a sociedade para repensar os modelos de produção e consumo brasileiros. A idéia é tornar o país mais eficiente e consciente de que os recursos naturais não são infinitos. O PPCS será uma espécie de “guarda-chuva” de programas e ações, servindo assim como uma ferramenta de articulação entre essas iniciativas. No momento, o novo plano está disponível para consulta pública, que vai até o dia 11 de novembro, no site www.mma.gov.br/ppcs. “A vida das pessoas vai ser afetada diretamente, por isso pedimos que elas participem, por meio de suas organizações da sociedade civil, empresas e órgãos públicos”, solicita Samyra Crespo, Secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.
Bancos estimulam clientes ao consumo consciente >>> Zero Hora
Iniciativa visa a evitar aumento da inadimplência
Com a forte expansão do crédito nos últimos anos, instituições financeiras e outras entidades ligadas ao setor começam a fazer movimentos para estimular o consumo consciente dos empréstimos. Os motivos para a ampliação dessas iniciativas são basicamente dois: educar o cliente e, consequentemente, evitar a explosão da inadimplência.
As iniciativas dos bancos são, em geral, muito semelhantes. Cartilhas, sites específicos e prospectos mais curtos são repetidos no Itaú Unibanco, Santander, HSBC, Banco do Brasil e Bradesco.
Rogério Estevão, diretor de empréstimos pessoais do Santander, diz que o projeto do banco também tem a ver com o intuito de fidelizar o cliente:
— Nós queremos ficar com o cliente por muito tempo e, se não há crédito consciente, há inadimplência e podemos perdê-lo.
No Itaú Unibanco, a principal aposta, além das cartilhas, é estreitar o relacionamento com o cliente. Saber se o correntista está “no vermelho ou no azul” é o primeiro passo, conta Denise Hills, superintendente de sustentabilidade. Os dois executivos admitem que a preocupação se dá principalmente porque o crédito no Brasil é usado, sobretudo, para o consumo e não para empreender, por exemplo.
— É perceptível que há muita gente que não sabe o que é cheque especial, cartão de crédito e crédito — afirma Estevão.
O HSBC aposta nas informações online. No site do banco, há uma página bem elaborada e interativa para que o cliente pesquise antes de adquirir o crédito. Dicas de como elaborar um orçamento, ferramentas que calculam quanto de juro a pessoa pagará com determinado financiamento e explicações didáticas sobre cada uma das linhas de crédito são algumas das opções disponibilizadas.
Para Angela Menezes, professora de Finanças do Insper, o interesse dos bancos pelo crédito consciente se dá sobretudo por causa da forte entrada das classes C e D no setor bancário.
— Estamos falando de uma fatia da população que nunca teve conta em banco e quer comprar uma porção de coisas — diz Angela.
ZERO HORA
Com a forte expansão do crédito nos últimos anos, instituições financeiras e outras entidades ligadas ao setor começam a fazer movimentos para estimular o consumo consciente dos empréstimos. Os motivos para a ampliação dessas iniciativas são basicamente dois: educar o cliente e, consequentemente, evitar a explosão da inadimplência.
As iniciativas dos bancos são, em geral, muito semelhantes. Cartilhas, sites específicos e prospectos mais curtos são repetidos no Itaú Unibanco, Santander, HSBC, Banco do Brasil e Bradesco.
Rogério Estevão, diretor de empréstimos pessoais do Santander, diz que o projeto do banco também tem a ver com o intuito de fidelizar o cliente:
— Nós queremos ficar com o cliente por muito tempo e, se não há crédito consciente, há inadimplência e podemos perdê-lo.
No Itaú Unibanco, a principal aposta, além das cartilhas, é estreitar o relacionamento com o cliente. Saber se o correntista está “no vermelho ou no azul” é o primeiro passo, conta Denise Hills, superintendente de sustentabilidade. Os dois executivos admitem que a preocupação se dá principalmente porque o crédito no Brasil é usado, sobretudo, para o consumo e não para empreender, por exemplo.
— É perceptível que há muita gente que não sabe o que é cheque especial, cartão de crédito e crédito — afirma Estevão.
O HSBC aposta nas informações online. No site do banco, há uma página bem elaborada e interativa para que o cliente pesquise antes de adquirir o crédito. Dicas de como elaborar um orçamento, ferramentas que calculam quanto de juro a pessoa pagará com determinado financiamento e explicações didáticas sobre cada uma das linhas de crédito são algumas das opções disponibilizadas.
Para Angela Menezes, professora de Finanças do Insper, o interesse dos bancos pelo crédito consciente se dá sobretudo por causa da forte entrada das classes C e D no setor bancário.
— Estamos falando de uma fatia da população que nunca teve conta em banco e quer comprar uma porção de coisas — diz Angela.
ZERO HORA
Carne com Origem Controlada; Carne legal >>> MPF
O documentário "Virando o Jogo", produzido pelo Ministério Público Federal, conta a história do desmatamento da Amazônia e mostra que é possível a criação de gado de forma sustentável, ou seja, é possível produzir sem destruir ou burlar a legislação. Para isso, é feito um resgate da exploração dos recursos naturais na região, que resultaram, na década de 90, em recordes de desmatamento.
O filme retrata ainda o trabalho do MPF no Pará para a proteção e preservação do meio ambiente. A partir de 2009, várias ações foram ingressadas contra frigoríficos e propriedades rurais suspeitos de desmatamento da Floresta Amazônica e de desrespeitarem a legislação trabalhista. O documentário mostra o resultado da atuação do MPF na fiscalização das leis, na defesa e no zelo do patrimônio público.
Os conceitos de sustentabilidade e de preservação ambiental, cada vez mais, estão presentes entre os brasileiros, o que inclui os produtores agropecuários. "Virando o Jogo" mostra que existem produtores preocupados com a questão e que mudaram suas práticas em prol do meio ambiente e da responsabilidade social.
O documentário faz parte da campanha Carne Legal, que tem como objetivo engajar os consumidores na luta contra o desmatamento, o trabalho escravo e a lavagem de dinheiro -- problemas provenientes do consumo de carne ilegal. Mais informações no site http://www.carnelegal.mpf.gov.br/
Falta combinar com o consumidor /// Revista Epoca
As empresas estão fazendo produtos que agridem menos o meio ambiente, sem aumentar o preço. Parece ótimo. Então por que tão pouca gente compra?
COMPRA SELETIVA
Marcela diz que prefere produtos com certificados ecológicos. Mas se queixa da falta de informaçãoFazia todo o sentido. Quando a Unilever lançou a versão concentrada de seu principal amaciante, em maio de 2008, parecia ter escutado a demanda dos consumidores, que diziam querer comprar produtos mais ecológicos. Com meio litro, o novo produto rende tanto quanto 2 litros da versão convencional. Como a embalagem é menor, economiza 58% de plástico e, consequentemente, usa menos petróleo. Seu processo de produção consome 79% a menos de água. As caixas que o transportam acomodam mais unidades num mesmo espaço, reduzindo em 67% as viagens de caminhões para chegar aos pontos de venda. Mais: o amaciante concentrado é 20% mais barato. Com um belo esforço de comunicação – uma campanha de R$ 32 milhões em dois anos –, era de esperar que a essa altura o novo amaciante já tivesse desbancado o velho. Não foi o que aconteceu. A Unilever não divulga dados sobre vendas, mas um levantamento feito na rede de varejo Walmart mostra que o amaciante tradicional ainda vende 50% a mais que o concentrado. O amaciante da Unilever é apenas um dos casos de produtos criados para explorar o consumo ambientalmente correto. Há empresas que investiram em mudar sabão em pó, chá orgânico, papel higiênico. Sem contar as mudanças de embalagem. Em todos os casos, porém, o resultado tem sido dúbio. Por quê?
Há pouca dúvida de que o mundo enfrenta problemas ambientais sérios. Muitas empresas têm investido em ações responsáveis, seja como forma de economia (usando os recursos de modo mais eficiente), seja pelo apelo de marketing (projetando a imagem de empresa amiga da Terra). Mas a resposta a essas ações é fraca. “A sustentabilidade ainda é algo distante do que vivemos”, afirma Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu para o Consumo Consciente. Uma pesquisa do Akatu revela que 80% das pessoas dizem valorizar os produtos verdes. Mas só 30% delas concretizam suas intenções no ato da compra. Há uma longa distância entre propósito e ação.
Por um lado, alguns desses produtos ecologicamente melhores exigem mudanças de hábitos de consumo – e isso é um obstáculo. Em outros casos, como o do sabão em pó ecológico da Procter & Gamble, as pessoas resistem porque acham que suas empregadas domésticas não saberão usar o produto da forma correta. O detergente usa 30% menos água que um comum. Sua fórmula faz menos espuma e, assim, dispensa o último enxágue. Mas ele não fez o sucesso esperado. “As empregadas não leem rótulos”, diz a aposentada Cláudia de Vasconcellos Lameiro da Costa. “Não adianta explicar. Elas vão continuar achando que só com espuma se lava direito.”
Um amaciante mais ecológico custa 20% menos.
Mas ainda perde em vendas para o convencional
Em alguns casos, as empresas deixam de apostar em inovações que fariam sentido ecológico. Há dois anos a Natura estuda a criação de uma linha completa (com xampu, condicionador, creme hidratante…) em pó. A solução economizaria água na produção, plástico da embalagem e emissões de gases poluentes no transporte. Os produtos viriam em pequenos sachês para ser diluídos em casa. “O novo produto teria, em média, 10% do peso do original”, diz Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da Natura. Mas o destino do xampu em pó é incerto. A companhia ainda não está segura de que haja público para a invenção. “Precisamos chegar a um mix completo: fórmula testada, marca correta, embalagem e o aval do consumidor.”
Esse aval, de acordo com um levantamento feito no Walmart (leia o quadro) , é tímido. “Ainda estamos no começo de um processo de mudança de hábitos na decisão de compra”, diz Christiane Urioste, diretora de sustentabilidade do Walmart. Um papel higiênico da Kimberly Clark dá uma dimensão do problema. Feito com fibras de papel reciclado obtidas a partir de aparas selecionadas, tem os rolos compactados para caber em uma embalagem menor. Custa em torno de 25% menos que o papel tradicional. Mesmo assim, tem só um quarto das vendas.
Para vencer o apego ao costume, seria necessário um investimento eficiente em marketing. Um estudo feito pela agência de publicidade Euro RSCG mostra que as empresas abusam dos clichês. O levantamento encontrou ursos-polares em anúncios do HSBC, da Philips e dos sorvetes Ben & Jerry. “As imagens usadas confundem as pessoas”, diz Russ Lidstone, presidente da agência. “São projetadas para chamar nossa atenção, mas acabam nos distanciando do problema e nos tornando céticos.”
Aline Ribeiro
COMPRA SELETIVA
Marcela diz que prefere produtos com certificados ecológicos. Mas se queixa da falta de informaçãoFazia todo o sentido. Quando a Unilever lançou a versão concentrada de seu principal amaciante, em maio de 2008, parecia ter escutado a demanda dos consumidores, que diziam querer comprar produtos mais ecológicos. Com meio litro, o novo produto rende tanto quanto 2 litros da versão convencional. Como a embalagem é menor, economiza 58% de plástico e, consequentemente, usa menos petróleo. Seu processo de produção consome 79% a menos de água. As caixas que o transportam acomodam mais unidades num mesmo espaço, reduzindo em 67% as viagens de caminhões para chegar aos pontos de venda. Mais: o amaciante concentrado é 20% mais barato. Com um belo esforço de comunicação – uma campanha de R$ 32 milhões em dois anos –, era de esperar que a essa altura o novo amaciante já tivesse desbancado o velho. Não foi o que aconteceu. A Unilever não divulga dados sobre vendas, mas um levantamento feito na rede de varejo Walmart mostra que o amaciante tradicional ainda vende 50% a mais que o concentrado. O amaciante da Unilever é apenas um dos casos de produtos criados para explorar o consumo ambientalmente correto. Há empresas que investiram em mudar sabão em pó, chá orgânico, papel higiênico. Sem contar as mudanças de embalagem. Em todos os casos, porém, o resultado tem sido dúbio. Por quê?
Há pouca dúvida de que o mundo enfrenta problemas ambientais sérios. Muitas empresas têm investido em ações responsáveis, seja como forma de economia (usando os recursos de modo mais eficiente), seja pelo apelo de marketing (projetando a imagem de empresa amiga da Terra). Mas a resposta a essas ações é fraca. “A sustentabilidade ainda é algo distante do que vivemos”, afirma Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu para o Consumo Consciente. Uma pesquisa do Akatu revela que 80% das pessoas dizem valorizar os produtos verdes. Mas só 30% delas concretizam suas intenções no ato da compra. Há uma longa distância entre propósito e ação.
Por um lado, alguns desses produtos ecologicamente melhores exigem mudanças de hábitos de consumo – e isso é um obstáculo. Em outros casos, como o do sabão em pó ecológico da Procter & Gamble, as pessoas resistem porque acham que suas empregadas domésticas não saberão usar o produto da forma correta. O detergente usa 30% menos água que um comum. Sua fórmula faz menos espuma e, assim, dispensa o último enxágue. Mas ele não fez o sucesso esperado. “As empregadas não leem rótulos”, diz a aposentada Cláudia de Vasconcellos Lameiro da Costa. “Não adianta explicar. Elas vão continuar achando que só com espuma se lava direito.”
Um amaciante mais ecológico custa 20% menos.
Mas ainda perde em vendas para o convencional
Em alguns casos, as empresas deixam de apostar em inovações que fariam sentido ecológico. Há dois anos a Natura estuda a criação de uma linha completa (com xampu, condicionador, creme hidratante…) em pó. A solução economizaria água na produção, plástico da embalagem e emissões de gases poluentes no transporte. Os produtos viriam em pequenos sachês para ser diluídos em casa. “O novo produto teria, em média, 10% do peso do original”, diz Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da Natura. Mas o destino do xampu em pó é incerto. A companhia ainda não está segura de que haja público para a invenção. “Precisamos chegar a um mix completo: fórmula testada, marca correta, embalagem e o aval do consumidor.”
Esse aval, de acordo com um levantamento feito no Walmart (leia o quadro) , é tímido. “Ainda estamos no começo de um processo de mudança de hábitos na decisão de compra”, diz Christiane Urioste, diretora de sustentabilidade do Walmart. Um papel higiênico da Kimberly Clark dá uma dimensão do problema. Feito com fibras de papel reciclado obtidas a partir de aparas selecionadas, tem os rolos compactados para caber em uma embalagem menor. Custa em torno de 25% menos que o papel tradicional. Mesmo assim, tem só um quarto das vendas.
Para vencer o apego ao costume, seria necessário um investimento eficiente em marketing. Um estudo feito pela agência de publicidade Euro RSCG mostra que as empresas abusam dos clichês. O levantamento encontrou ursos-polares em anúncios do HSBC, da Philips e dos sorvetes Ben & Jerry. “As imagens usadas confundem as pessoas”, diz Russ Lidstone, presidente da agência. “São projetadas para chamar nossa atenção, mas acabam nos distanciando do problema e nos tornando céticos.”
Sustentabilidade e Marketing - Água e óleo? /// Envolverde
Por Ricardo Voltolini*, da Revista Ideia Socioambienltal
A sustentabilidade, quem diria, virou assunto dos gurus do management. Primeiro foi Michael Porter, célebre mestre da competitividade. Em artigo publicado, no ano de 2008, na (HBR) Harvard Business Review, ele tratou como ineficaz o investimento em responsabilidade social dissociado da estratégia central do negócio, despertando a ira dos que enxergam no tema um imperativo ético mais do que um tema de business.
Depois, vieram outros dois gênios da raça. Em 2009, Peter Senge, um importante especialista da gestão de conhecimento, escreveu Revolução Decisiva no qual apresenta os casos de empresas que estão mudando modelos de negócio na direção de uma economia de baixo carbono. No final do ano passado, o indiano C.K. Prahlad, idealizador do conceito de negócios na base da pirâmide, produziu importante artigo (também para a HBR) relacionando sustentabilidade e inovação. Falecido em maio último, esta foi a sua derradeira contribuição intelectual para o mundo da administração
Agora é a vez do não menos estelar Philip Kotler, cujo nome está definitivamente associado ao pensamento do marketing contemporâneo. Tudo o que Kotler produz tende a fazer barulho. Deve ser também o caso de seu novo livro, Marketing 3.0 (Campus Elsevier, 256 páginas) escrito com Hermawan Kartajava e Iwan Setiawan.
Nele, o papa do marketing aborda uma questão que certamente provocará urticária entre os que crêem–e não são poucos— que sustentabilidade e marketing são como água e óleo. Para entender o título, é preciso recorrer à teoria do autor, uma espécie de decodificador da doutrina—seu livro Administração de Marketing equivale a uma bíblia á qual recorrem, com reverência, os estudantes de marketing de todo o planeta.
O Marketing 1.0, segundo ele, focou-se em produtos e na venda massificada. A versão 2.0 enfatizou a satisfação do consumidor via estratégia de segmentação de mercado. E a 3.0 reconhece no consumidor, mais do que um comprador, um sujeito inquieto, pleno de valores, preocupado com a sociedade, o meio ambiente e um mundo melhor.
Quem atua na área de sustentabilidade já sabe disso há bastante tempo. A novidade é a inserção do tema, com grande ênfase, no repertório de um pensador do marketing, um campo de conhecimento excessivamente pragmático, visto com reservas –muitas, diga-se – pelos protagonistas da responsabilidade social e sustentabilidade.
Na opinião de Kotler, companhias que praticam o Marketing 3.0 possuem uma visão que excede o simples ganhar dinheiro. Mais do que isso: ganham dinheiro porque compreendem a existência de um consumidor mais cidadão, engajado e participativo. Entre os exemplos citados, o autor destaca a Body Shop (cosméticos), a Timberland (calçados) e a Home Depot como empresas “com valores”, que promovem as questões socioambientais na relação com seus consumidores – ou, como sugere o subtítulo da obra, descobriram “as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano.“
Para defender sua tese, Kotler se apoia em dados conhecidos sobre a expansão do consumo consciente no mundo, a maior valorização das ações de empresas sustentáveis e a ascensão das empresas sociais, como as criadas por Muhamad Yunus em Bangladesh. Já antevendo possíveis reações de uma parte do público que costuma questionar os exageros de marketing verde, o chamado greenwashing, Kotler afirma que para ganhar a confiança deste novo consumidor, muito mais atento e exigente, a empresa terá que transformar intenções em evidências.
É certo que o pragmatismo do autor não vai agradar a todos os leitores. Mas as boas ideias contidas no livro – e a defesa técnica madura do autor - valem pelo menos a leitura.
Conversas inspiradoras
“Conversas com os Mestres da Sustentabilidade” (Editora Gente, 298 páginas) de Laura Mazur e Louella Miles, é um desses livros que se pode ler de uma tacada só como quem lê uma série de entrevistas de um jornal, ou aos pedaços, capítulo a capítulo, procurando degustar o melhor de seus 15 personagens.
Fiz as duas coisas. Primeiro, devorei-o ao longo de duas viagens de avião, empolgado com o brilho de livres pensadores como o cineasta ativista James “Avatar” Cameron e o físico Amory Lovins. Depois, retornei a algumas páginas, escolhendo trechos de conversas com experts já perfilados na revista Ideia Socioambiental como Ray Anderson (IterfaceFlor), Paul Dickinson (CDP) e John Elkington (Volans).
Na releitura seletiva, facilitada pelo formato de entrevistas do tipo ping-pong, os detalhes ganham nova textura. Este é, sobretudo, um livro cujo interesse se encontra justamente nos detalhes biográficos— erros, aprendizados e caminhos escolhidos
Sobre “Conversas” pode-se questionar os critérios de seleção de um ou outro entrevistado, o rigor esquemático de algumas perguntas que se repetem e até mesmo a menor inspiração de uma ou mais respostas. O que não se discute é que o fato de que os mestres têm mesmo muito a ensinar. E o fazem, de coração aberto, respondendo a perguntas de quem sabe entrevistar. Aprende-se em três horas de leitura o equivalente a 15 vidas.
*Ricardo Voltolini é publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade.
(Envolverde/Idéia Socioambiental)
Publicidad y consumo consciente /// El Cambio Climático
La formación de una población infanto-juvenil menos consumista y con más consciencia ambiental conlleva una cuestión básica: la reducción del principal estímulo a los patrones de consumo exacerbado. Por lo tanto, envuelve el mercado de la publicidad.
Países como Suecia, Noruega, Italia, Irlanda, Grecia, Dinamarca y Bélgica ya prohíben la publicidad dirigida a los niños. Según los expertos, los niños como un grupo objetivo de la publicidad deben ser vistos desde una perspectiva ética y moral, como un aspecto que tiene que ver con la visión de los niños y niñas y sus necesidades en nuestra sociedad.
En Brasil, algunas iniciativas para regular la publicidad para los niños están en marcha. El proyecto de ley 5921/01, del diputado Luiz Fernando Corrêa, es un ejemplo. El proyecto prohíbe toda forma de publicidad y marketing dirigido a la niñez en cualquier horario y por cualquier soporte o medio de comunicación, sean de productos o servicios relacionados con la infancia o relacionados con adolescentes y adultos. Según el texto, comunicación de marketing incluye, entre otros, la propia publicidad, anuncios impresos, comerciales de televisión, “spots” de radio, “banners” y “sites” de internet, empaques, promociones y comercialización y distribución de productos en puntos de venta.
Países como Suecia, Noruega, Italia, Irlanda, Grecia, Dinamarca y Bélgica ya prohíben la publicidad dirigida a los niños. Según los expertos, los niños como un grupo objetivo de la publicidad deben ser vistos desde una perspectiva ética y moral, como un aspecto que tiene que ver con la visión de los niños y niñas y sus necesidades en nuestra sociedad.
En Brasil, algunas iniciativas para regular la publicidad para los niños están en marcha. El proyecto de ley 5921/01, del diputado Luiz Fernando Corrêa, es un ejemplo. El proyecto prohíbe toda forma de publicidad y marketing dirigido a la niñez en cualquier horario y por cualquier soporte o medio de comunicación, sean de productos o servicios relacionados con la infancia o relacionados con adolescentes y adultos. Según el texto, comunicación de marketing incluye, entre otros, la propia publicidad, anuncios impresos, comerciales de televisión, “spots” de radio, “banners” y “sites” de internet, empaques, promociones y comercialización y distribución de productos en puntos de venta.
Consumo: por que a gente é assim? /// Livia Barbosa /// CPFL - Café Filosófico
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Unknown
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4/18/2010 07:08:00 PM
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climate change;massas populacionais;alimento;água;calor intenso;consumo exarcebado;falta de água,
consumismo,
consumo consciente,
sustentabilidade
Outra excelente palestra sobre a relação Sustentabilidade e Consumo.Não deixe de ver até o final. As perguntas formuladas pelo publico também são muito boas.
http://www.cpflcultura.com.br/video/consumo-por-que-gente-e-assim
Livia Barbosa
É doutora em Antropologia Social pela UFRJ, com pós-doutorado na Universidade de Tóquio. É diretora de pesquisa do Centro de Altos Estudos da Escola Superior de Propaganda e Marketing e foi professora visitante na York University (Inglaterra) e na Notre Dame University (EUA). É autora e co-autora de vários livros, entre os quais Cultura, Consumo e Identidade, O Brasil não é para Principantes e Consumo: Cosmologias e Sociabilidade.
http://www.cpflcultura.com.br/video/consumo-por-que-gente-e-assim
Livia Barbosa
É doutora em Antropologia Social pela UFRJ, com pós-doutorado na Universidade de Tóquio. É diretora de pesquisa do Centro de Altos Estudos da Escola Superior de Propaganda e Marketing e foi professora visitante na York University (Inglaterra) e na Notre Dame University (EUA). É autora e co-autora de vários livros, entre os quais Cultura, Consumo e Identidade, O Brasil não é para Principantes e Consumo: Cosmologias e Sociabilidade.
Escolas públicas discutem consumo consciente /// Mercado Ético
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Unknown
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4/10/2010 09:40:00 PM
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consumo consciente
Rogério Ferro, do Instituto Akatu
Desde o mês passado, cerca de 2 mil alunos de 14 escolas públicas distribuídas por cinco Estados do Brasil – Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Roraima – estão discutindo e refletindo sobre conceitos de consumo consciente e sustentabilidade em sala de aula. A ação constitui a segunda fase do projeto piloto Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental que, em 2009, capacitou 206 professores para a temática. O projeto é desenvolvido pelo Akatu em parceria com secretarias estaduais de Educação e patrocinado pela HP Brasil, parceira pioneira do Akatu.
Na primeira etapa do projeto, os professores participaram de uma formação sobre consumo consciente e sustentabilidade com carga horária de 30 horas. Ao final dessa etapa, cada professor que participou da formação elaborou um projeto temático contendo atividades a serem trabalhadas com os alunos durante o primeiro semestre de 2010.
“Demos liberdade aos professores para que, ao elaborarem seus projetos temáticos pudessem levar em conta a realidade da escola e da comunidade do entorno, buscando atividades que despertem nos alunos a preocupação com a sustentabilidade da vida no Planeta por meio do consumo consciente”, explica Camila Melo, coordenadora do projeto.
Gestão de resíduos, consumo consciente, água, economia solidária e consumo e desigualdade social são os temas mais reincidentes entre os projetos elaborados pelos professores e que estão sendo transmitidos aos alunos neste semestre.
“A participação dos alunos é animadora. Eles gostam do que é diferente, por isso a recepção deles é excelente, demonstrando muito interesse”, relata Vilma Rosane Arrial, professora da Escola Estadual Sylvio Torres, no Rio Grande do Sul, que trabalha o tema Consumo Consciente e Economia Solidária. A professora revela também que, apesar do apoio da diretora da escola e dos alunos, desenvolver a questão ambiental vinha sendo “desgastante” por falta do envolvimento e comprometimento da comunidade. Entretanto “a partir da parceria com o Akatu, isso mudou. O posto de saúde nos propôs um projeto conjunto, um grupo de ‘amigos da escola’ iniciou um trabalho conosco e cada vez mais professores se juntam ao projeto. O sonho tem chances reais de se concretizar”, festeja.
Para Heloisa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, “o projeto responde de forma direta a intenção do Akatu de atuar em escala e velocidade maiores, para ampliar os impactos das ações do instituto”.
“A escola é um espaço fundamental para a formação do cidadão; com projetos como este, portanto, o Akatu contribuirá de forma mais sólida e eficaz para que professores e alunos se tornem potenciais agentes transformadores da sociedade em busca da sustentabilidade”, diz Heloisa.
“Colocamos nossos esforços nas escolas garantindo que consumidores de hoje e amanhã possam ter essa educação que lhes permita escolher melhores práticas, hábitos e até produtos que vão utilizar hoje e no futuro”, declara Kami Saidi, diretor de operações da HP Brasil, que financia o projeto.
O projeto
A primeira fase do projeto foi implantada em 2009 e foram testados três modelos de formação de professores: presencial, semipresencial e à distância. “Esperávamos formar uma média de 120 educadores e, para a nossa surpresa, alcançamos 206. E esse número nos revela o interesse dos professores pela temática, tão urgente em nosso tempo, e nos motiva a continuar disseminando o consumo consciente para esse público”, afirma Camila Melo.
A avaliação dos processos, conteúdos, materiais e resultados das formações e do trabalho com alunos será feita no início do segundo semestre de 2010. Ao final deste trabalho, o Akatu estima que, além dos mais de 2 mil alunos do ensino fundamental 2 que já vêm discutindo conceitos e práticas de consumo consciente, terá atingido um público indireto estimado em mais de 7.000 pessoas, entre familiares, comunidade escolar e entorno. Outro resultado importante será a identificação de um modelo de formação para o consumo consciente e a sustentabilidade ambiental que será adotado para a continuidade do projeto pelas escolas públicas no Brasil.
Para dar apoio aos professores na realização de seu Projeto Temático, foram enviados 120 livros para cada escola, contendo o material paradidático “Trilha do Consumo Consciente: suas escolhas transformam o mundo”, elaborado pelo Instituto Akatu e voltado aos alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Estes livros poderão ficar na biblioteca da escola à disposição dos alunos.
Como complemento ao livro, o Akatu desenvolveu uma plataforma de ensino à distância que, na primeira etapa do projeto, serviu apenas aos professores participantes do modelo à distância e do modelo semipresencial. A partir de agora, a plataforma poderá ser utilizada por todos os professores participantes do projeto, servindo como uma comunidade virtual de aprendizagem em que, além de visualizar os módulos de formação, os professores poderão ter acesso a conteúdos complementares, disponibilizados na biblioteca virtual, tais como vídeos, textos e links.
Na plataforma, os professores também poderão conhecer todos os projetos temáticos criados pelas escolas dos cinco Estados, além de trocar informações e sugestões com todos os professores envolvidos e com a equipe do Akatu. Dessa forma, todos serão beneficiados com as diferentes oportunidades de disseminação do tema.
(Instituto Akatu)
Dossie sobre Consumo Consciente ///
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Unknown
em
4/10/2010 03:56:00 PM
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consumo consciente
(trecho extraído do estudo " Tendencias para o Consumo Consciente"
Acesse aqui o estudo na integra.
"Segundo o Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2009, os consumidores brasileiros distribuem‑se em cinco ngrupos estabelecidos com base no grau com que premiam e/ou punem companhias segundo suas práticas de responsabilidade social e ambiental.
O maior deles, com 59,3%, é o de consumidores indiferentes às questões socioambientais.
Compõe‑se de gente que, ao comprar produtos, não demonstra nenhuma preocupação ou interesse por punir ou premiar empresas conforme sua conduta sustentável. Olham exclusivamente preço, disponibilidade e afinidade com marca.
No segundo grupo, estão os consumidores de recompensa, com 15,2%.
Constitui‑se de indivíduos que preferemn premiar as mais sustentáveis a punir as menos, exercendo, de modo propositivo, seu papel de indução de mudanças entre as empresas fabricantes.
O terceiro grupo, com 10,2%, reúne a turma “que fica em cima do muro”, aquela que só pensou mas não tomou atitude de preferir ou retaliar produtos a partir da percepção sobre compromissos com a sociedade e o planeta.
No quarto grupo, com 8,2%, encontram‑se os retaliadores, que deixam de comprar produtos e ainda criticam a empresa para terceiros, disseminando informações negativas. E o quinto grupo, uma espécie de elite do engajamento, congrega 7,1% de consumidores éticos que usam o seu poder de premiar e punir com a consciência de que estão contribuindo para estimular mudanças positivas de comportamento entre as empresas."
Acesse aqui o estudo na integra.
"Segundo o Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2009, os consumidores brasileiros distribuem‑se em cinco ngrupos estabelecidos com base no grau com que premiam e/ou punem companhias segundo suas práticas de responsabilidade social e ambiental.
O maior deles, com 59,3%, é o de consumidores indiferentes às questões socioambientais.
Compõe‑se de gente que, ao comprar produtos, não demonstra nenhuma preocupação ou interesse por punir ou premiar empresas conforme sua conduta sustentável. Olham exclusivamente preço, disponibilidade e afinidade com marca.
No segundo grupo, estão os consumidores de recompensa, com 15,2%.
Constitui‑se de indivíduos que preferemn premiar as mais sustentáveis a punir as menos, exercendo, de modo propositivo, seu papel de indução de mudanças entre as empresas fabricantes.
O terceiro grupo, com 10,2%, reúne a turma “que fica em cima do muro”, aquela que só pensou mas não tomou atitude de preferir ou retaliar produtos a partir da percepção sobre compromissos com a sociedade e o planeta.
No quarto grupo, com 8,2%, encontram‑se os retaliadores, que deixam de comprar produtos e ainda criticam a empresa para terceiros, disseminando informações negativas. E o quinto grupo, uma espécie de elite do engajamento, congrega 7,1% de consumidores éticos que usam o seu poder de premiar e punir com a consciência de que estão contribuindo para estimular mudanças positivas de comportamento entre as empresas."
Consumo Consciente /// Instituto Akatú
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Unknown
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4/10/2010 03:41:00 PM
Marcadores:
consumo consciente
- O que é consumo consciente?
Conceito que inclui o atendimento das necessidades de bens e serviços das atuais e futuras gerações de maneira sustentável econômica, social e ambientalmente, isto é, um consumo com consciência de seu impacto e voltado à sustentabilidade. Consumir de forma consciente é buscar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade, maximizando as conseqüências positivas deste ato não só para si mesmo, mas também para as relações sociais, a economia e a natureza. O consumidor consciente busca disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações. Consumir consciente é uma maneira de contribuir de forma voluntária, cotidiana e solidária para continuidade da vida no planeta.
(Fonte: Instituto Akatu)
- Como usar conscientemente os produtos e serviços?
1. Planeje suas compras. Compre menos e melhor;
2. Avalie os impactos de seu consumo no meio ambiente e na sociedade;
3. Consuma só o necessário. Reflita sobre suas reais necessidades e tente viver com menos;
4. Reutilize produtos. Não compre outra vez o que você pode consertar e transformar;
5. Separe seu lixo. Reciclar ajuda a economizar recursos naturais e a gerar empregos;
6. Use crédito com responsabilidade. Pense bem se você poderá pagar as prestações;
7. Informe-se e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas;
8. Não compre produtos piratas. Assim você contribui para gerar empregos e combater o crime organizado;
9. Contribua para a melhoria dos produtos e serviços. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas;
10. Divulgue o consumo consciente. Levante essa bandeira para amigos e familiares;
11. Cobre dos políticos. Exija ações que viabilizem a prática do consumo consciente;
12. Reflita sobre seus valores. Avalie os princípios que guiam suas escolhas e hábitos de consumo.
(Fonte: Instituto Akatu)
Conceito que inclui o atendimento das necessidades de bens e serviços das atuais e futuras gerações de maneira sustentável econômica, social e ambientalmente, isto é, um consumo com consciência de seu impacto e voltado à sustentabilidade. Consumir de forma consciente é buscar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade, maximizando as conseqüências positivas deste ato não só para si mesmo, mas também para as relações sociais, a economia e a natureza. O consumidor consciente busca disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações. Consumir consciente é uma maneira de contribuir de forma voluntária, cotidiana e solidária para continuidade da vida no planeta.
(Fonte: Instituto Akatu)
- Como usar conscientemente os produtos e serviços?
1. Planeje suas compras. Compre menos e melhor;
2. Avalie os impactos de seu consumo no meio ambiente e na sociedade;
3. Consuma só o necessário. Reflita sobre suas reais necessidades e tente viver com menos;
4. Reutilize produtos. Não compre outra vez o que você pode consertar e transformar;
5. Separe seu lixo. Reciclar ajuda a economizar recursos naturais e a gerar empregos;
6. Use crédito com responsabilidade. Pense bem se você poderá pagar as prestações;
7. Informe-se e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas;
8. Não compre produtos piratas. Assim você contribui para gerar empregos e combater o crime organizado;
9. Contribua para a melhoria dos produtos e serviços. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas;
10. Divulgue o consumo consciente. Levante essa bandeira para amigos e familiares;
11. Cobre dos políticos. Exija ações que viabilizem a prática do consumo consciente;
12. Reflita sobre seus valores. Avalie os princípios que guiam suas escolhas e hábitos de consumo.
(Fonte: Instituto Akatu)
O Papel do Consumidor /// Mercado Ético-Planeta Sustentavel
O papel do consumidor
Mercado Ético
Christina Carvalho Pinto, do Mercado Ético, apresenta o programa sobre o consumo consciente. Para responder às perguntas, Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, deu o seu depoimento tendo com base a pesquisa "Responsabilidade Social das Empresas - a percepção do consumidor brasileiro", lançada em 2005.
Mercado Ético
Christina Carvalho Pinto, do Mercado Ético, apresenta o programa sobre o consumo consciente. Para responder às perguntas, Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, deu o seu depoimento tendo com base a pesquisa "Responsabilidade Social das Empresas - a percepção do consumidor brasileiro", lançada em 2005.
Consumo consciente desafia a comodidade, diz ministro /// Tecnologia e Ciência-R7 Noticias
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Postado por
Unknown
em
3/15/2010 04:55:00 AM
Marcadores:
Amazonia;mudanças climáticas,
consumo consciente,
fontes renováveis de energia,
processos produtivos,
produção de carne,
sociedade de consumo
Em entrevista ao R7, ministro do meio ambiente defende urgência de campanhas
Cláudia Pinho, do R7.
Em entrevista exclusiva ao R7, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, explicou a urgência em criar campanhas como Saco é um saco e iniciativas como a do Carrefour, e diz porque a educação ambiental é a chave para o sucesso da preservação dos ecossistemas.
R7 - Muito tem se falado sobre sustentabilidade nos últimos tempos. Na opinião do senhor, qual é o caminho ideal para que a sociedade possa entender e colocar em prática esse conceito? .
Carlos Minc - Aqui no MMA temos buscado estimular diversas ações de desenvolvimento sustentável, como o programa de troca de geladeiras, que vai beneficiar milhares de brasileiros e garantir que a nossa camada de ozônio seja preservada dos gases de efeito estufa. Também defendemos o boicote que a sociedade tem feito aos frigoríficos que não têm controle sobre a origem da carne que compram e que estimulam o desmatamento na Amazônia. Temos atuado na defesa da sustentabilidade, do uso racional dos recursos, e do estabelecimento de um novo modelo de desenvolvimento econômico que seja compatível com a preservação do meio ambiente em prol do bem estar de todos nós, de nossos filhos, netos, bisnetos. A educação ambiental permeia todos esses esforços e é o caminho para que a sociedade possa consumir com consciência, de forma que permita às futuras gerações usufruir dos recursos naturais do nosso planeta..
.R7 - De que maneira o senhor acredita que campanhas como Saco é um saco e ações como a do Carrefour podem contribuir para diminuir o impacto negativo da sociedade no meio ambiente?.
Minc - A discussão sobre sacolas plásticas se insere em uma discussão maior sobre sustentabilidade, uso de recursos naturais, consumo sustentável e racionalização de embalagens. O debate sobre sacolas plásticas foi o primeiro sinal de uma conscientização internacional acerca do impacto do consumo no ambiente. No momento em que se começou a discutir a quantidade de sacolas plásticas consumidas por cada pessoa e o impacto ambiental coletivo disso, passou-se a observar com mais atenção a importância da atitude individual para mudar as coisas como estão..
.R7 - Que outras medidas o MMA está tomando para conscientizar a população da importância em preservar o meio ambiente?.
Minc - O sucesso da preservação dos ecossistemas depende da consciência e da mudança de comportamentos. A educação ambiental profunda supõe uma ampla disponibilidade de informações, exercícios de análise, práticas de monitoramento, centrais de reciclagem, trabalho com as famílias, com as escolas, interação com as unidades de conservação e conhecimento dos problemas e soluções ambientais para indústrias, ecossistemas e comunidades da região. No caso das escolas, o ideal é tirarmos os alunos das salas de aula, levando-os para conhecer de perto os problemas locais, o desmatamento de uma encosta, a poluição de um rio. Trabalhamos com cinco metas prioritárias: agilizar e destravar o licenciamento ambiental; adotar métodos modernos e eficazes de fiscalização, de investigação e de combate à impunidade ambiental; ampliar o uso de tecnologias e energias limpas; generalizar a educação ambiental e formar uma rede de apoio político e social que sustente o desenvolvimento solidário e não predatório; e aumentar a conectividade do setor ambiental com os setores produtivo, científico e governamental, adotando estratégias de responsabilidade socioeconômica..
.R7 - O que falta para as pessoas tornarem-se consumidores conscientes?.
Minc - Não podemos mais dizer que nos falta informação: o meio ambiente e a preocupação com o impacto da sociedade humana no planeta está nos jornais todos os dias. Hoje não é possível alegar que não se conhece o impacto na Amazônia da compra de carne sem declaração de origem, ou deixar a água correr enquanto se escova os dentes sem ter a clara noção de que se está desperdiçando um recurso precioso. O consumo consciente desafia o conforto, a comodidade e questiona hábitos arraigados. Não é fácil convencer as pessoas a mudar sua rotina, no entanto, é absolutamente necessário que cada um se dê conta da importância de sua ação para a construção de uma sociedade mais sustentável. Somos 6,2 bilhões de habitantes no planeta, caminhando para 9 bilhões até 2050. A compreensão sobre a finitude dos recursos naturais, dos limites físicos da Terra é o que falta para uma real mudança de atitude individual, a efetiva prática do consumo consciente no dia a dia..
.R7 – Qual a posição atual do Brasil nesta questão ambiental?.
Minc - A mudança climática é o problema mais grave que a humanidade deverá enfrentar neste século. Precisamos reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa para evitar o aumento do nível dos mares e também a ocorrência de eventos extremos como furacões, enchentes e secas. Ao contrário da China, que possui uma matriz energética altamente poluente à base de carvão, o Brasil prioriza fontes renováveis mais limpas fundadas na hidroeletricidade, além de sermos vanguarda no etanol e nos biocombustíveis, que emitem menos carbono. O nosso desafio é outro: o desmatamento..
.R7 - O que mais podemos fazer para contribuir com a sobrevivência do planeta?.
Minc - A mudança dos padrões de produção e consumo é fundamental. Cada cidadão deve contribuir economizando energia, plantando árvores, reciclando lixo e regulando o motor de seus carros. O consumidor precisa compreender sua força geradora de mudança. Quando o consumidor exige produtos mais sustentáveis, responsabilidade socioambiental das empresas, respeito ao meio ambiente e à saúde humana, ele força a mudança dos padrões de produção. Nossas ações diárias precisam ter este foco, assim como nossas escolhas sobre o que e de quem comprar....
Sustentabilidade no carrinho de mercado /// Gazeta do Povo-Curitiba
Consumo
O Viver Bem aposta: depois de ler esta matéria, sua visita ao supermercado nunca mais será a mesma. Confira as dicas de como se pode contribuir com o meio ambiente da forma mais simples: consumindo corretamente
Publicado em 07/03/2010
Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br . Fonte: Walmart Brasil.
Você pode separar o lixo, economizar luz e água e usar os dois lados da folha de papel. Agora o convidamos para dar um passo além, dentro do supermercado. Como consumidores, temos uma ferramenta poderosa em favor do meio ambiente: o direito de escolha. Em meio às gôndolas abarrotadas de marcas, o consumidor é quem dita as regras e pode optar por um produto qualquer, ou outro que tenha destaque por sua responsabilidade sócio-ambiental. Sim, eles existem em quase todos os segmentos. As grandes redes de supermercados já estão cientes de que há um público crescente que sabe diferenciar produtos e empresas que realmente contribuem com o bem-estar do planeta.
“No início todos os produtos vão parecer iguais”, afirma Ricardo Oliani, coordenador de mobilização comunitária do Instituo Akatu (organização que divulga o consumo consciente).
Produtos que incorporaram iniciativas de sustentabilidade em seus procsessos
Amaciante Confort Concentrado - Resultados: redução de 63% no consumo de papel na caixa de papelão utilizada no transporte e distribuição; 37% de redução do consumo de plástico na embalagem; redução no consumo de energia para produção e transporte de produto; redução no uso de água na formulação do produto; e 37% de redução da quantidade de resíduo sólido no pós-consumo
Toddy Orgânico - Resultados: utilização de 100% de cacau e açúcar orgânicos certificados; uso de material 100% reciclado para a produção de rótulos, uso de matéria-prima certificada pelo FSC (Conselho Brasileiro de Manejo Florestal), para produção do rótulo do produto; menor emissão de gases de efeito estufa.
(Veja mais baixo a materia sobre o projeto Sustentabilidade de ponta a ponta , do Walmart.)
Veja algumas dicas de consumo sustentávelConfira características que devem ser buscadas nos produtos compradosEntão, para fazer a escolha certa, o jeito é investir alguns minutos na observação de rótulos e embalagens. “Quando compramos um remédio lemos a bula toda, as contraindicações, se vai fazer mal... Essa investigação também é importante quando se compra um produto”, compara. Data de validade, componentes, certificações, cumprimento da legislação e participação em programas ambientais e sociais são informações decisivas na hora do produto deixar, ou não, a prateleira. Mesmo que nem todas essas informações acompanhem o produto, Oliani afirma que o consumidor deve buscá-las. “Toda empresa tem um SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e as informações também são disseminadas por meios eletrônicos. Cada vez mais as empresas vão divulgar as características sustentáveis de seus produtos, então vai ficando mais fácil para o consumidor optar”, diz.
Ecológico? Por quê?
Diversas pesquisas confirmam que as pessoas estão dispostas a pagar mais caro por um produto se souberem que ele foi produzido de forma ambientalmente responsável. De fato, para se chegar a um produto com essa característica é necessário investimento em tecnologia e adaptações na cadeia de produção. Mas é preciso cautela: nem tudo que se diz ecológico pode realmente ser chamado assim.
“A sustentabilidade já entrou para o dicionário das pessoas, agora vivemos um segundo momento, e todos querem dizer que são ecológicos. Para sair dessa armadilha, o consumidor precisa mudar seu comportamento e se interessar pelo que compra. Por outro lado, as empresas precisam se comunicar melhor e os parâmetros também precisam ser mais claros para que não haja confusão na cabeça do consumidor”, diz Oliani.
Entre o fabricante e o consumidor
Nosso principal cenário de consumo é o supermercado. Ele se tornou imprescindível para quem quer ter uma vida mais sustentável se imaginarmos que podemos ficar meses sem adquirir uma camiseta, mas dificilmente ficamos sem comprar leite, feijão, arroz, produtos de higiene...
Uma das ações de redes como Pão de Açúcar e Festval é a instalação do caixa verde ou caixa ecológico. Visitamos uma das lojas mas, infelizmente, não são todos os clientes que estão familiarizados com a “novidade”, que já tem quatro anos.
“É pela cor?”, nos perguntou um. “Deve ser só marketing!”, desconfiou outro. E você, sabe o que é um caixa ecológico? Vamos deixar a funcionária pública Regina Maria Fontoura Oliveira, 41 anos, explicar: “Todas as embalagens que não precisamos levar para casa descartamos em lixeiras, e elas são doadas. Podem ser caixinha de pasta de dente, caixa que embala junto o xampu e o condicionador e embalagens de bolacha que vêm no plástico e na caixa de papelão.” Regina não se surpreende por saber que, antes dela, dez clientes passaram pelo caixa ser saber do serviço de coleta de embalagens. “Eu conheço porque sou curiosa. Fora isso, se eu não fizer, meus filhos me cobram. Vale a pena usar esse caixa, com isso diminuímos o lixo em casa. Eles deveriam colocar o serviço em todos os caixas, assim as pessoas iam se acostumar”, diz Regina.
Mas, para haver expansão, é preciso adesão, como explica o professor de mestrado de Gestão Ambiental da Universidade Positivo Klaus Dieter Sautter. “As pessoas precisam dar ênfase e preferência a pontos de venda que têm ações e produtos sustentáveis, por isso diminui o impacto global do consumo. O consumidor tem tudo nas mãos, se disser: ‘A partir de amanhã tal produto tem de ser assim ou não compramos mais’. As empresas terão de ouvir”, afirma.
Alguns supermercados também estão atentos ao pós-consumo. Redes como Angeloni, Walmart e o próprio Pão de Açúcar encaminham para a reciclagem o lixo deixado pelos clientes, além de contarem com diversas ações para reduzir o consumo de energia elétrica, valorizar programas sociais ou ambientais – próprios ou de fornecedores –, ou aproveitar inteiramente a água da chuva, por exemplo.
Você conhece as ações promovidas pelo supermercado que frequenta? Consulte, cobre e usufrua, e mostre que o consumo sustentável é algo pelo qual vale a pena lutar.
Novidade na prateleira
A união entre a rede Walmart Brasil e nove de seus principais fornecedores resultou no projeto “Sustentabilidade de Ponta a Ponta”, com produtos mais sustentáveis à venda, primeiro na Rede Walmart (Walmart, Big, Sam’s Club e Mercadorama) e em outros supermercados a partir do mês que vem.
A ideia é agregar à produção de um produto de marca conhecida pelo público conceitos sustentáveis, que vão da redução ou alteração do tipo de embalagem e matéria-prima empregada, à redução do consumo de energia, de água e dos resíduos sólidos gerados. Além do suporte e consultoria técnica, o Walmart oferece aos parceiros a garantia de compra, visibilidade e exposição diferenciada dos produtos.
* * * * * *
Sustentabilidade de Ponta a PontaPelo programa “Sustentabilidade de Ponta a Ponta” do Walmart Brasil, nove produtos chegaram às prateleiras depiis e um banho de sustentabilidade. Confira as mudanças em cada um:
Esponja de banho Curauá –Este projeto teve como base o desenvolvimento de um produto novo focando o uso de fontes renováveis (fibras naturais) e fibra sintética (fonte fóssil) reciclada, bem como a redução de massa do sistema de embalagem e a otimização no uso de energia. Em comparação a uma espoja de banho regular, a de curauá apresentou as seguintes vantagens:
- 44% menos matéria-prima consumida na produção das embalagens do produto e das caixas de transporte;
- 32% de redução na geração de resíduos sólidos, devido ao desenho inovador da esponja que permite um melhor aproveitamento da manta de fibra;
- 52% de redução no consumo de energia elétrica no processo industrial;
- Simplificação do material de embalagem para facilitar o processo de reciclagem;
- 42% de incorporação de matéria-prima de fonte renovável (fibra de curauá e cordão de algodão);
- 198% de aumento no uso de material reciclado com adição de fibras PET e caixa de papelão, ambas 100% recicladas;
- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para produção das caixas de papelão para transporte dos produtos.
Óleo Liza - Este projeto teve como base melhorias nos processos produtivos com destaque para a redução de peso na embalagem primária de PET e os benefícios oriundos da implantação de uma nova planta industrial mais eficiente. Os ganhos ambientais alcançados pelo projeto foram:
- Redução de 26% no consumo de água;
- 18% de redução no consumo de energia elétrica na produção das garrafas plásticas;
- 35% de redução na quilometragem rodada por caminhões para o transporte de produtos até os centros de distribuição do Walmart Brasil por meio da otimização de viagens;
- Redução de 56% no consumo de combustíveis fósseis por meio da troca de parte da matriz energética de petróleo para biomassa de origem controlada;
- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC -Conselho Brasileiro de Manejo Florestal e Cerflor - Programa Brasileiro de Certificação Florestal, na produção das caixas de papelão dos produtos finais;
- Redução de 10% na quantidade de matéria-prima plástica necessária para a produção das embalagens do produto;
- Redução total de 40% nas emissões de gases de efeito estufa.
Pinho Sol - A linha Pinho Sol foi revista em relação aos impactos de sua produção dentro das unidades industriais da Colgate e fora de seus portões, com melhor conhecimento dos processos que garantem as matérias primas necessárias aos produtos. Os benefícios alcançados foram:
- redução de 17% do consumo de material plástico na embalagem do produto;
- embalagens com material PET 100% reciclado, sendo 90% pós-consumo e 10% pré-consumo;
- Redução de 15% da gramatura da tampa com a retirada do selo de vedação, facilitando também o processo de reciclagem;
- utilização de 45% de papelão reciclado pós-consumo para a produção das caixas de transporte resultando em uma economia 416 toneladas de matéria-prima virgem por ano;
- reuso de 3% de água no processo produtivo;
- redução de 6% no consumo de energia para o processo produtivo;
- 100% de utilização de papel certificado pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para a produção dos rótulos do produto;
- utilização de essências de fornecedores certificados de acordo com a norma NBR ISO 14.001.
Matte Leão Orgânico-Este projeto teve como base o desenvolvimento de um produto orgânico certificado, bem como a implantação de uma fábrica verde, uso de material reciclado e redução da quantidade de tinta de impressão na embalagem. Resultados:
-uso de 100% de erva mate orgânica certificada pela Ecocert e pelo IBD - Instituto Biodinâmico, atestando a não utilização de fertilizantes químicos ou pesticidas no seu cultivo;
-uso de material 100% reciclado na embalagem do produto, sendo 30% reciclado pós-consumo;
-redução da emissão de CO2 no transporte da erva mate pelo uso de 10% de biodiesel;
-redução de 90% na quantidade de tinta de impressão na embalagem do produto;
-93% de redução na emissão de compostos orgânicos voláteis com o uso de tinta de impressão de baixo COV;
-comunicação na embalagem sobre o aproveitamento do resíduo do chá como adubo orgânico;
-comunicação na embalagem sobre o ciclo de vida do produto, desde a sua produção até chegar ao consumidor final;
-redução de 23% no consumo de energia no processo de produção;
-redução de 36% no consumo de água no processo produtivo;
-utilização de caixas de transportes feitas com matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal.
Band-Aid - Este projeto de melhoria teve como princípio o desenvolvimento de uma embalagem primária de menor volume para acondicionar a mesma quantidade de band-aids com benefícios como redução na quantidade de material de embalagem, otimização do processo produtivo e do transporte do produto.
- redução de 18% no uso de matérias-primas para a embalagem;
- utilização de 30% de matéria-prima reciclada pós-consumo na embalagem do produto, representando uma economia de mais de 32 milhões de embalagens que utilizariam matéria-prima virgem para sua produção;
- utilização de 40% de matéria-prima reciclada pós-consumo na caixa de transporte do produto, representando um ganho equivalente a 1,8 milhões de caixas de papelão para transporte;
- redução de 2.038 toneladas por ano de material em perdas no processo de produção;
- redução de 1.192.000 kWh por ano de energia no processo de produção;
- reciclagem de 50 toneladas por ano de resíduos de papel siliconado que deixaram de ser encaminhados para aterros industriais;
- redução de 11.600 km em transporte de containers de produtos no Brasil e América Latina devido a redução da embalagem;
- redução do transporte de 3.228 paletes e de 72 contêineres por ano para o transporte de produtos para os Estados Unidos e Canadá devido a redução da embalagem;
- redução das emissões de CO2 devido ao menor uso de energia no processo e transporte;
- redução das emissões de CO2 devido à menor quantidade de resíduo de celulose no pós-consumo pela degradando nos aterros.
Amaciante Confort Concentrado- Este projeto de melhoria teve como foco as campanhas de educação ambiental para comunicação aos consumidores do conceito de produto concentrado e as melhorias ambientais decorrentes da concentração do produto como a utilização de menor quantidade de recursos naturais e conseqüentemente, a redução das emissões de gases de efeito estufa e da geração de resíduos. O projeto desenvolvido pela Unilever alcançou os seguintes resultados:
- 63% de redução do consumo de papel na caixa de papelão utilizada no transporte e distribuição do produto;
- 37% de redução do consumo de plástico para a produção da embalagem;
- redução no consumo de energia para produção e transporte de produto;
- redução no uso de água na formulação do produto;
- 37% de redução da quantidade de resíduo sólido no pós-consumo.
Água Pureza Vital –O projeto teve como objetivo melhorias nos processos produtivos com foco na redução de massa nas embalagens primárias e secundárias, com benefícios como redução na quantidade de material da embalagem e otimização no uso de água e energia nos processos produtivos. Foram alcançados os seguintes resultados durante o projeto:
- Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água sem gás sendo: 36% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300ml, 3% nas garrafas de 510 ml e 1,5 litros;
- Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água com gás, sendo 25% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300 ml; 22% de redução nas garrafas de 510 ml; e 19% na redução das garrafas de 1,5 litros;
- Eliminação de pigmentos das tampas, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia do pós-consumo;
- Redução no consumo de água, de 26% em São Lourenço e 51% em Petrópolis;
- Redução de consumo de energia, de 9% em São Lourenço;
- Garrafas de Pureza Vital e Petrópolis sem pigmento, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia pós-consumo;
- Redução de 18% no consumo de material plástico shrink na embalagem;
-Redução de 25% na massa de papelão utilizada na paletização;
-Redução no filme plástico (stretch filme) que envolve os paletes em 31%;
- Rótulo mais fácil de ser removido no pós-consumo, facilitando sua reciclagem;
- Uso do braile nas garrafas para que possam ser identificadas por consumidores com necessidades especiais;
- Capacitação de 70 educadores da rede escolar de São Lourenço que multiplicaram conceitos de educação ambiental.
Toddy Orgânico- O desenvolvimento do Toddy orgânico demandou um amplo estudo da cadeia de valor do produto, que resultou em benefícios que foram além do próprio dele próprio, gerando impactos positivos desde sua produção até o descarte final da embalagem. Os resultados alcançados pelo projeto foram:
- Utilização de 100% de cacau e açúcar orgânicos certificados;
- Uso de material 100% reciclado para a produção de rótulos (75% a 80% pré-consumo e 25% a 30% pós-consumo);
- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para produção do rótulo do produto;
- Menor emissão de gases de efeito estufa;
- Eliminação do uso de queimadas para colheita da cana-de-açúcar utilizada para produção de Toddy Orgânico;
Pampers Total Confort -Este projeto de melhoria teve como base o desenvolvimento de uma fralda com maior capacidade de absorção que utiliza menor quantidade de celulose e que também permite a maior compactação das fraldas nos pacotes com benefícios como redução na quantidade de material de embalagem e otimização do transporte do produto. O projeto alcançou os seguintes resultados:
- Redução de 30% no uso de polpa de celulose;
- Redução de 7,5% no volume pela compactação da embalagem e do produto;
- Redução de 7% no peso total da fralda resultando em menor geração de resíduos pós-consumo;
- Aumento de 25% na eficiência do transporte do produto por sua compactação;
- Redução de 09% no consumo de energia utilizada na produção do produto;
- 10% de redução das emissões de CO2 (devido ao menor uso de energia no processo e transporte).
INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE///Planeta Sustentável///ABRIL
Para o climatologista Carlos Nobre, as novas tecnologias e matrizes energéticas mais limpas deverão nortear os caminhos da sustentabilidade nos próximos anos. Entretanto, adverte que nada disso adiantará se a humanidade não rever imediatamente seus hábitos de consumo. Para ele é possível ter qualidade de vida sem consumir vorazmente.
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