Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Riscos das Mudanças Climáticas no Brasil // INPE




Elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Met Office Hadley Centre (MOHC), o estudo conclui que o aumento na temperatura e o descréscimo das chuvas na Amazônia acima da variação global são fatores críticos para a região. O documento é resultado de três anos de trabalho de pesquisadores do Reino Unido e do Brasil, com financiamento da Embaixada Britânica.
Os estudos mostram a importância da Amazônia para o clima global e como provedora de serviços ambientais para o Brasil. O objetivo do projeto é subsidiar os formuladores de políticas com evidências científicas das mudanças climáticas e de seus possíveis impactos no Brasil, na América do Sul e em nível global.

O documento está dividido em duas seções: a primeira fornece o contexto para o trabalho; a segunda detalha a nova ciência levada a cabo e antecipa avanços científicos importantes para o planejamento e a política.
Fonte: http://www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/relatorioport.pdf

Mobilidade urbana brasileira é uma das piores do mundo


Classe mais pobre da população leva até 20% mais tempo se deslocando de casa para o trabalho, avalia estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
                                 
Autor: Simone Talarico | Postado em: 25 de março de 2013 | Fonte: Business Review Brasil
Brasil enfrenta crise de mobilidade urbana
Brasil enfrenta crise de mobilidade urbana
créditos: Divulgação

O deslocamento de casa para o trabalho, em qualquer lugar do mundo, é sempre um grande tormento. Quer seja dirigindo o próprio carro ou usando meios coletivos de transporte, esses trajetos são geralmente cansativos e muitas vezes estressantes.

No Brasil, essas características não são diferentes, e muitas mudanças vêm acontecendo nos últimos 20 anos, em consequência de motivos que vão do crescimento populacional ao aumento no consumo de automóveis.

Para buscar identificar quais as principais tendências desse problema presentes no país, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) fez um estudo de análise de dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o tempo de deslocamento entre casa e o trabalho dos brasileiros de 1992 a 2009. Os resultados acabam de ser divulgados.

Sem muita surpresa para paulistanos, São Paulo foi identificada como a cidade brasileira onde os moradores levam mais tempo para se deslocar para o trabalho: 43 minutos, em média. O tempo é o segundo mais longo do mundo, perdendo apenas para Xangai, na China, como mostra o gráfico abaixo.

Tempo gasto até o trabalho no Brasil e no mundo (em minutos).

O estudo aponta que tem havido piora nas condições de transporte urbano das principais áreas metropolitanas do país desde 1992, com aumento nos tempos de viagem casa-trabalho.
As cidades de Curitiba e Porto Alegre são as únicas duas exceções, com os tempos de viagem mantidos relativamente estáveis desde então. A proporção de trabalhadores que fazem trajetos casa-trabalho muito longos – com mais de uma hora de duração – também aumentou consideravelmente, chegando a quase um quarto de todas essas viagens em algumas áreas metropolitanas.
Os dados da pesquisa também mostram diferenças expressivas no tempo de viagem casa-trabalho entre os diferentes níveis de renda. Em média, das nove maiores regiões metropolitanas e no Distrito Federal, osegmento mais pobre dos trabalhadores gasta em média 20% mais tempo no trânsito do que o segmentomais rico.
Já é fato que o país está passando por uma crise de mobilidade urbana, e cada vez mais estudos como estes reiteram o que a população vive no seu dia a dia. A opção pelo transporte individual é uma das grandes causas, sem dúvida, mas também contribuem a falta de um planejamento urbano eficaz e opções reais de transporte coletivo que atualmente são insuficientes e ineficazes. A resposta atual é que devemos esperar pelas obras de infraestrutura que estão sendo feitas para a realização da Copa do Mundo de 2014.
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Indústria com menos emissões

 A Confederação Nacional da Indústria (CNI) fechou, na semana passada, parceria inédita com o governo federal para a implantação de um plano que visa reduzir as emissões de carbono do setor.


O Acordo de Cooperação Técnica prevê a realização de estudos setoriais e a discussão de contrapartidas econômicas para as açõesde mitigação. Com o documento, assinado na CNI pelo presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, e pelosministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, e de Meio Ambiente (MMA), Izabella Teixeira, a CNI vai apresentar as oportunidades e desafios da indústria para tornar viável o cumprimento de metas.

“A indústria está engajada no desafio da mudança climática, e esse cenário deve ter como pano de fundo a manutenção da competitividade do setor e atendimento das necessidades básicas da população”, destacou Andrade. Segundo ele, a meta definida no plano do governo federal, de redução de 5% das emissões em relação ao previsto para 2020, vai impactar de forma diferenciada os setores da indústria e, por isso, existe a necessidade de se realizar estudos e analisar cenários. “Precisamos verificar os custos, gerar novas tecnologias e observar, principalmente, as oportunidades de negócios que vão surgir para cada uma das áreas envolvidas”, disse o presidente da CNI.

Para Pimentel, o acordo entre a CNI e os dois ministérios inaugura um novo modelo de gestão na área de meio ambiente, em que governo e indústria vão trabalhar juntos para a construção de políticas efetivas. “As questões de meio ambiente viraram uma peça fundamental na agenda econômica do país. É importante deixar claro que a indústria brasileira está construindo sua competitividade em outro patamar e um dos pilares é a sustentabilidade”, afirmou o ministro do Desenvolvimento.

Contrapartida – Ciente de que o processo de adaptação das empresas para se tornarem menos poluentes requer investimentos, Izabella Teixeira, ressaltou ser fundamental que questões ambientais não sejam um entrave ao crescimento do país. “Queremos criar condições para um bom resultado em termos climáticos e também para geração de emprego e competitividade”, disse. Em relação a apoio para a indústria, a ministra do Meio Ambiente lembrou que o Fundo Clima, que vem do lucro de petróleo, deve chegar a R$ 1 bilhão em 2014. Hoje, esse valor é de R$ 560 milhões.

A parceria entre a CNI, MDIC e MMA tem vigência até o fim de 2015. Os três trabalharão juntos na implantação e ajustes necessários do Plano Indústria – Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas do Setor Industrial, cujas diretrizes foram elaboradas pelo governo federal. O Plano prevê a meta de 5% para sete setores da indústria – alumínio, cimento, papel e celulose, químico, cal, vidro e ferro-gusa (aço). Pelo acordo, a CNI será o interlocutor com o governo federal e já está prevista a realização de inventários de emissões e estudos sobre o impacto das mudanças necessárias.

Segundo a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, o setor produtivo avançou muito em sustentabilidade nos últimos anos. “O empresário moderno já enxerga a sustentabilidade como um fator fundamental para o futuro de sua empresa e está ciente de que qualquer adaptação requer investimentos. Precisamos discutir junto ao governo federal contrapartidas ao setor que viabilizem as mudanças sem que a indústria nacional perca competitividade”, destaca Mônica.

Comissão – Na cerimônia de assinatura do acordo, o ministro do Desenvolvimento anunciou a criação da Comissão Técnica do Plano Indústria, que contará com a participação da CNI e associações setoriais envolvidas no processo. Esta comissão será um fórum de debate e articulação para o cumprimento das metas.

O Plano Indústria é uma iniciativa do governo federal dentro da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e foi colocado em consulta pública até o último dia 15 de agosto. Além deste plano, que contempla sete setores da indústria, outros setores foram eleitos para cumprirem planos próprios, como energia e siderurgia. Está em elaboração também o de mineração.

fonte: Ambiente Energia

 

Energia bovina para datacenters >>> Agenda Sustentavel / HSM Brasil

A HP liderou e publicou um estudo que identifica a viabilidade econômica e ambiental do uso de esterco bovino para a geração de energia destinada a datacenters A Hewlett Packard (HP) publicou recentemente uma pesquisa que mostra como os operadores de datacenters poderiam colocar as cargas de lixo oriundas de fazendas leiteiras para atuar na alimentação de instalações de computação. O estudo, "Design de Farm Waste-Driven Supply Side Infra-estrutura de Data Centers", foi apresentado na semana passada na ASME Conferência Internacional sobre Energia em Phoenix. Ao transformar esterco em energia, o trabalho de pesquisa mostra como uma fazenda de tamanho médio, com cerca de 10 mil vacas, pode gerar um megawatt de energia, o que seria suficiente para abastecer um datacenter de médio porte, poupando energia e gás, reduzindo a emissão de gases estufa em 6 mil toneladas equivalente a CO2.
A energia vinda do esterco não é uma nova tecnologia, que foi usada em um grande número de áreas, incluindo uma usina chinesa e uma fábrica de cosméticos belga. E isso é parte do benefício da proposta da HP. “Todos os componentes necessários para aplicar a tecnologia já estão disponíveis", explica Cullen Bash, membro de TI da HP e um dos cinco autores do relatório, em parceria com Ratnesh Silva, Christian Tom, Arlitt Martin e Chandrakant Patel. "Isso pode ser feito hoje", acrescentou Bash.

Apesar da tecnologia não ser nova, a HP está prevendo a utilização em novas áreas e para uma nova aplicação: os datacenters. Resíduos são uma fonte confiável e constante de energia de uma forma que a energia solar e a eólica não são capazes de conseguir, e com 21 vezes o potencial de captura de dióxido de carbono.

O estrume da vaca vai para um digestor anaeróbico para gerar eletricidade e calor. A energia será usada em servidores, armazenamento e sistemas de climatização do centro de dados e o calor pode ser aproveitado no aquecimento da turbina do refrigerador de ar para o sistema HVAC.

O calor dos servidores e do armazenamento pode ser enviado de volta para o digestor anaeróbico, que deve ser mantido a uma temperatura constante. E toda a energia adicional gerada pelo biodigestor pode ser utilizada para uso geral. Segundo a empresa, o sistema permitiria poupar cerca de US$ 2 milhões por ano em custos de energia e reduzir os volumes e taxas de gestão de resíduos.

Bash explicou que a Hewlett-Packard não está analisando onde colocar esta tecnologia, porém ela não é tão difícil e há muitas áreas ao redor do mundo que beneficiariam-se quase imediatamente a partir desses sistemas. Na Índia, há uma combinação de alta demanda computacional e confiabilidade da rede de baixa. Como resultado, os datacenters locais são frequentemente ineficientes e poluentes, pois usam geradores a diesel para garantir energia. Mas com a energia vinda das fazendas nas proximidades, as duas necessidades podem ser satisfeitas e com baixo impacto.

"A idéia de usar dejetos animais para gerar energia existe a séculos", afirmou Chandrakant Patel, diretor do Laboratório de IT Sustentável da HP, em um comunicado sobre a divulgação do relatório. "O estrume é utilizado todos os dias em vilas remotas para gerar o calor para cozinhar. A nova idéia que estamos apresentando neste trabalho é a criação de uma relação simbiótica entre fazendas e TI, que pode beneficiar ambos."

As empresas estão tomando decisões cada vez mais baseadas em seus planos ambientais de localização de instalações, juntamente com o desejo de energia barata e abundante. O noroeste do Pacífico é o lar de uma série de datacenters que pertencem a grandes players de TI, a maioria dos que pretendem tirar partido da abundante e barata energia hidrelétrica, incluindo o Google, o Amazon e o Facebook. Da mesma forma, o Green Grid tem vindo a promover os benefícios do resfriamento do ar livre, uma característica cada vez mais comum no projeto de novas instalações pelo Yahoo, Intel e HP.

Fonte: (Matthew Wheeland - Agenda Sustentável (www.agendasustentavel.com.br)

23/06/2010

Especialistas alertam que falta responsabilidade dos governos no trato das questões climáticas /// Agencia Brasil-Ecodebate

Falta responsabilidade aos três níveis de governo – federal, estadual e municipal – no sentido de promover o desenvolvimento econômico sem agressões ao meio ambiente. Este sentimento foi consensual entre os especialistas que participaram ontem (6) do 1° Encontro Cidades e Mudanças Climáticas, no Rio de Janeiro.

O encontro teve como objetivo reafirmar a necessidade de conscientização política e cidadã sobre a causa ambiental, levando em conta o papel da comunidade acadêmica e das empresas na busca por soluções que garantam o bem estar social, diminuindo às agressões à atmosfera.

A pesquisadora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) Suzana Kahn destacou que “os aspectos fundamentais para a sustentabilidade são as políticas públicas e a cooperação das empresas no sentido de otimizar os recursos usados nas linhas de produção. A redução dos impactos ambientais, como a poluição e a emissão de carbono na atmosfera, estão diretamente ligados ao consumo e à tecnologia. E como o Brasil está se desenvolvendo, fica claro que as emissões tendem a aumentar, sobretudo por conta do setor de transportes, que tem níveis de emissão muito próximos aos da indústria”.

A pesquisadora observa que o setor terá que aprender a lidar com restrições cada vez mais severas em relação às emissões de poluentes na atmosfera, à eficiência de combustíveis e ao modelo tecnológico utilizado na mobilidade das pessoas nos centros urbanos.

No encontro, o assessor especial da prefeitura do Rio de Janeiro e membro do conselho diretor da WWF-Brasil, Sérgio Besserman Vianna, disse que o mundo está demorando para agir: “Todos no mundo estamos muito atrasados em termos de planejamento, mobilidade e adaptação [às mudanças climáticas]“.

Vianna acredita que só o conhecimento poderá dar respostas às questões do futuro. Ele enfatizou que é preciso apoiar os centros de produção de conhecimento, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), para que se produza um mapeamento e um planejamento para as cidades com políticas de defesa do meio ambiente.

A secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Branca Americano, reconheceu que são papéis do governo criar e incentivar políticas públicas que priorizem a questão da sustentabilidade. De acordo com a secretária, o ministério trabalha para que as empresas ofereçam alternativas ambientalmente responsáveis e que a maior parte dos estudos feitos na secretaria conta com a colaboração das universidades. “O Brasil tem papel importante (de responsabilidade sustentável). Podemos ser referência para o mundo.”

Reportagem da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 07/05/2010

A chave do clima nas mãos do Brasil, artigo de Washington Novaes /// Estadão-Ecodebate

[O Estado de S.Paulo] Por mais que se queira deixar de lado o tema, não se consegue. O agravamento quase diário dos “eventos climáticos extremos” e o impasse na área das negociações internacionais exigem que se volte à questão.
Vive-se um momento crítico, às vésperas de mais uma reunião preparatória (começo de abril, em Bonn, na Alemanha) da próxima assembleia da Convenção do Clima, esta programada para dezembro, no México. Cientistas de 27 países, que durante 15 meses se revezaram em expedições ao Ártico, informam que as previsões pessimistas para degelo até 2100 podem acontecer entre 2013 e 2030. A Organização Meteorológica Mundial avalia que os furacões, até o fim do século, serão menos frequentes, porém mais intensos (O Globo, 23/2). E o Sul-Sudeste e o Centro-Oeste brasileiros continuam às voltas com inundações frequentes, deslizamentos e mortes.

Mesmo com tudo isso, não se consegue avançar nas negociações. As comunicações feitas até o fim de janeiro à convenção pelos países, sobre suas metas (não compromissos) de redução de emissões, deixam claro que não se chegará à redução global mínima para impedir que a temperatura planetária suba mais do que 2 graus, o que terá consequências muito graves. O embaixador chinês na convenção, Yu Qingtai, já deixou claro (Reuters, 25/2) que não será possível superar, este ano, as divergências entre os países industrializados, a China e os demais membros do bloco de emergentes (Índia, Brasil, África do Sul), juntando-se à opinião do secretário-geral da convenção, Yvo de Bôer, que, para complicar ainda mais as coisas, anunciou que em julho renunciará ao cargo e que não vê possibilidade de acordo antes de dois anos.

Quando se olha para os EUA, vê-se que o presidente Obama, para conseguir apoio do Congresso à sua política do clima, contraditoriamente assegura que permitirá mais explorações de petróleo e de gás no fundo do mar. E a Agência de Proteção Ambiental garante que ali só grandes fontes de emissões sofrerão limitações antes de 2013. As fontes menores, só em 2016. Enquanto isso, avançam os prejuízos. As 3 mil maiores empresas do mundo geram custo de US$ 2,2 bilhões anuais com problemas ambientais, diz o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). E o renomado consultor britânico para a área do clima Sir Nicholas Stern revê de novo seus cálculos e diz que enfrentar os problemas na área terá um custo anual de 2% do produto bruto mundial (US$ 1,2 trilhão), e não de 1%, como calculara.

Já a Agência Internacional de Energia (AIE) adverte que, sem acordo, as emissões de carbono tenderão a se elevar em 40% até 2030, porque a demanda por energia crescerá muito com a Índia tentando prover 400 milhões de pessoas que não têm energia – e fará isso recorrendo ao carvão -, enquanto a China urbanizará mais de 100 milhões de pessoas e ainda utilizará muito carvão. Com tudo isso, diz a AIE, a demanda mundial por petróleo continuará a subir (para 100 milhões de barris/dia) e o carvão passará de 42% para 44% do total.

Nessas condições, reacende-se a discussão que vem desde a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável, em 2002, em Johannesburgo: como superar o problema, se a Convenção do Clima exige consenso para qualquer decisão e este parece inalcançável, com as divergências entre países industrializados, emergentes, G-77, países insulares e nações mais pobres? Naquele momento, chegou-se a pensar na criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente, mas concluiu-se que ela enfrentaria os mesmos problemas da ONU. Agora, numa reunião em Bali, ministros de meio ambiente de 135 países decidiram (Reuters, 26/2) retomar esse tema e promover novos estudos, tomando como base o formato da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Há quem pense que “só o mercado resolverá”. Mas com que regras, que ninguém consegue explicitar, pois as divergências entre empresas não serão diferentes das que opõem países? Há quem creia num caminho baseado em acordos bilaterais ou multilaterais entre governos, mas o que se fará com as emissões dos que ficarem de fora? E ainda que se consigam acordos, como estendê-los a cada empresa e a cada pessoa? Se o caminho for a criação de uma taxa sobre as emissões de carbono, ela será paga no país da produção ou do consumo (os EUA consomem 35% da produção industrial chinesa e os países ricos detêm 80% do consumo total no mundo)?

Talvez a chave possa estar nas mãos do Brasil. Em 1997, quando se negociou o Protocolo de Kyoto, o Brasil apresentou proposta de que a contribuição de cada país para a redução de emissões deveria tomar por base suas emissões históricas e as emissões atuais. Considerados os dois números, verifica-se a que porcentagem dos gases poluentes acumulados na atmosfera (onde permanecem séculos) essas cifras correspondem. Em seguida calcula-se em quanto essas emissões totais de um país respondem pelo aumento da temperatura planetária. Obtido esse número, ele deve ser transformado na porcentagem das emissões globais que caberá a cada país reduzir. Essa proposta brasileira foi aprovada, em princípio, com a recomendação de ser submetida a estudos mais aprofundados. Mas nada aconteceu desde então.

Mas pode ser o único caminho justo que leve todos os países a um acordo, porque cada um responderá pelo que fez e faz, proporcionalmente ao todo. E se poderá escapar ao poço sem fundo da discussão entre países industrializados e os demais, em que um lado argumenta com a responsabilidade de quem emitiu mais ao longo do tempo (industrializados) ou emite mais hoje (emergentes, principalmente). Mas, para avançar por esse caminho, o Brasil precisará superar a limitação que tem no âmbito da política externa, de manter em qualquer circunstância uma posição conjunta com o G-77 ou os outros emergentes.

Mas é uma oportunidade histórica e decisiva. Não se deve nem se pode perdê-la.

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes{at}uol.com.br
Artigo originalmente publicado no O Estado de S.Paulo.
EcoDebate

WWF lança programa de redução de gases de efeito estufa no Brasil /// O Globo

Publicada em 09/04/2010 às 14h01m
Marcelle Ribeiro
SÃO PAULO - Para engrossar o time de 21 empresas que devem deixar de lançar, juntas, até o fim do ano, 14 milhões de toneladas de gases de efeito estufa para a atmosfera, a WWF-Brasil lançou oficialmente nesta sexta-feira no Brasil o programa Defensores do Clima. A quantia equivale às emissões da Bolívia e também de São Paulo.

A organização não-governamental quer que as empresas brasileiras se comprometam a assumir metas de redução de emissões de carbono em seus processos produtivos. O programa já existe em outros países do mundo desde 1999, e conta com participantes como Coca-Cola, IBM e Sony.

No Brasil, a companhia de cosméticos Natura foi a primeira (e por enquanto única) a aderir, e se comprometeu a reduzir em 10% o lançamento de gases causadores do efeito estufa em seu processo produtivo até 2012, com base em 2008. Para isso, pretende substituir o combustível fóssil (principais responsáveis pelo aquecimento global) em seus fornos por biomassa e etanol. Além disso, fará com que toda sua frota de veículos seja movida a etanol.

Mas a própria WWF sabe que atrair empresas interessadas em participar pode não ser fácil. Isso porque as metas a serem atingidas não são relativas, que utilizam um parâmetro variável como a receita da companhia, mas sim absolutas, que estabelecem reduções a partir de um parâmetro fixo como um ano. Na prática, metas absolutas de redução de gases significa que as empresas terão que aceitar restrições ao seu crescimento, mas ao mesmo tempo vão contribuir mais para o meio ambiente.

- A nossa meta é difícil, mas é plenamente possível. Você tem o dilema de crescer, mas reduzindo as emissões - disse o diretor de Sustentabilidade da Natura, Marcos Vaz.

O superintendente de Conservação da WWF-Brasil, Carlos Alberto Mattos Scaramuzza, disse que a ong quer atrair principalmente grandes emissoras brasileiras de gases, mas qualquer tipo de empresa pode aderir.

- Tem setores que têm muita emissão no Brasil, como de cimento, floresta plantada, papel, construção e agrobusiness - explica.

Scaramuzza acredita que o mais provável é que empresas que já têm um histórico de atividades de preservação do meio ambiente participem do programa.

Pelo projeto, a empresa estabelece a sua meta e tem que cumpri-la em até sete anos. Segundo Scaramuzza, há vários motivos para as companhias brasileiras aderirem.

- As motivações são diversas. Passam pela pressão do consumidor, pois as empresas que têm muita exposição, que exportam muito, vão ser cada vez mais cobradas por isso. Quem tomar a liderança vai ter a vantagem competitiva de consolidar a sua marca, a imagem da sustentabilidade e oferecer um produto atendendo a demanda do cliente.

O superintendente de Conservação da WWF-Brasil explicou que as empresas podem escolher entre várias maneiras de diminuir a emissão de gases, e citou a Nokia, que fez isso ao conseguir maior eficiência nos seus carregadores de celulares e a Tetrapak, que aumentou o número de teleconferências feitas por seus executivos, evitando viagens.

Marfrig planeja segundo sistema de biodigestores no MT /// Suinocultura Industrial

Após inaugurar o maior sistema de biodigestores para tratamento de dejetos suínos do Brasil, em Diamantino (MT), o Grupo Marfrig, que controla a Seara Alimentos, dá andamento aos estudos para a unidade "Granja Petrovina", localizada no município de Pedra Preta (MT). Segundo Marcio de Lara Pinto, consultor de Modernização Tecnológica e Meio Ambiente da "Unidade Diamantino", um investimento desta magnitude representa uma ação de amadurecimento da Marfrig para as questões ambientais, como fator preponderante. "Além disso, o retorno financeiro com a geração de energia trás um reflexo de ganho imediato na equação de custos de produção nas unidades do grupo", destaca Pinto. "Há também o retorno com a comercialização dos créditos de carbono resultante do seqüestro do gás metano oriundos do sistema de tratamento dos efluentes através dos biodigestores, isto posiciona o grupo em destaque na responsabilidade social e empresarial".

Para Pinto, o sistema de biodigestores trazem apenas benefícios para o grupo. Segundo ele, nos aspectos ambientais só existem ganhos se considerar a forma de concepção onde ocorre o seqüestro do gás metano, que é 21 vezes mais poluente que o dióxido de carbono (CO2). Ele explica que os os biodigestores são tanques revestidos e cobertos com mantas plásticas de alta resistência, propiciando segurança na retenção dos efluentes sólidos e líquidos (dejetos) e do gás metano, resultante da fermentação destes. "Outra vantagem assegurada neste sistema é a sequência de fases de tratamento dos efluentes, quando 80% dos elementos nocivos já saem tratados dos biodigestores, e atingem eficiência de 98,6%, posteriormente, nas lagoas aeradas e nos filtros finais, propiciando desta forma o reaproveitamento dos líquidos efluentes gerados".

Além disso, a diminuição do impacto ambiental, da emissão de gases de efeito estufa, da contaminação de água e solo, o reuso de águas residuárias, a auto-suficiência em energia elétrica, a melhor condição sanitária para animais e trabalhadores, a redução de maus odores, vetores e patógenos, a geração de receitas e empregos, os créditos de carbono e a economia e venda de energia elétrica são outros fatores positivos enumerados pelo consultor da Marfrig. "Talvez o custo de manutenção poderia ser considerado como desvantagem, uma vez que ela está programada para ocorrer a cada seis meses em função do tamanho dos reatores", explica. "Porém, neste caso trata-se de procedimentos de rotina com despesas previstas tendo em vista que o sistema é auto-sustentável".

Diamantino- O Grupo Marfrig investiu R$ 8 milhões para instalar o sistema de biodigestores para tratamento de dejetos suínos na "Unidade Diamantino". De acordo com Pinto, além dos benefícios ambientais, o sistema de biodigestores proporcionará uma economia anual de R$ 2,5 milhões em energia elétrica, além das receitas obtidas com a comercialização de créditos de carbono no âmbito do MDL. "Com isto o retorno será em menos de cinco anos", afirma.

A empresa ainda pretende exportar a energia gerada pelo equipamento, mas depende da finalização dos protocolos de parceria com a concessionária local de energia elétrica, responsável pela logística de interligação. "A previsão para conclusão da documentação e execução é até o final de 2011".

Histórico- Segundo Pinto, o projeto de biodigestores já estava em andamento antes da Seara integrar ao Marfrig. "Quando houve a aquisição da granja de Diamantino pela Marfrig Alimentos, os relatórios ambientais identificaram a existência de um pré-projeto apontando para a possibilidade de uma modernização tecnológica no sistema de tratamento de efluentes", explica o consultor. "A nova diretoria que assumiu a gestão da granja priorizou o desenvolvimento do projeto de MDL para redução do GEE a partir da implantação de um novo sistema de tratamento de dejetos".

Antes da construção dos esquipamentos, a Marfrig fez a limpeza das lagoas existentes, a preparação das primeiras lagoas para transformação em biodigestores fechados, a execução e detalhes de transformação, a conclusão dos biodigestores a partir do fechamento das lagoas e a instalação do queimador e dos equipamentos de energia.

Compromisso para reduçõa de GEE /// Agencia Brasil

Por Renata Giraldi, da Agência Brasil -
O Secretariado de Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou na quarta-feira, 31 de março, que 75 países firmaram o compromisso de que tentarão reduzir ou limitar a emissão de gases de efeito estufa no planeta. Apenas esses países são responsáveis por 80% das emissões globais de uso de energia. Detalhes do acordo foram revelados nesta quarta-feira, no documento divulgado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC).


No acordo, 41 países industrializados informaram oficialmente que pretendem reduzir a emissão de gases. Outros 35 comunicaram as ações que estão em execução, mas informaram necessitar de apoio financeiro e tecnológico. “As promessas que estão sobre a mesa são um passo importante para o objetivo de limitar o crescimento das emissões”, disse o secretário executivo da UNFCCC, Yvo de Boer, segundo o documento divulgado. Ele lembrou que de 29 de novembro a 10 de dezembro será realizada a Conferência do Clima, no México, quando o assunto vai ser retomado.

Antes, de 9 a 11 de abril, haverá uma rodada de negociações da UNFCCC que está programada para ser realizada em Bonn, na Alemanha. O objetivo é discutir o acordo sobre a organização e os métodos de trabalho que serão implementado ao longo deste ano.

O documento divulgado reúne os relatórios oficiais sobre os resultados da conferência promovida em dezembro do ano passado pelas Nações Unidas sobre as alterações climáticas, em Copenhague, na Dinamarca. Cada relatório é dividido em duas partes: uma relativa a um processo formal e a outra sobre as decisões tomadas pelo órgão competente.

Em Copenhague, presidentes da República e primeiros-ministros firmaram um acordo que define como meta limitar a 2 graus Celsius o aumento da temperatura média do planeta. Porém, o acordo não determina os meios para alcançar a meta. A conferência na Dinamarca foi criticada por cientistas e ambientalistas que afirmaram que houve frustração de expectativa

Sustentabilidade energética começará nos transportes /// Agencia Fapesp

24/3/2010
Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – As pesquisas voltadas ao aprimoramento de veículos automotores deverão comandar as mudanças das matrizes energéticas de outros setores rumo à utilização de fontes renováveis. A afirmação, de José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), foi feita na Convenção Latino-Americana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), realizada de 23 a 25 de março na sede da FAPESP.

O físico Goldemberg, ex-reitor da USP e ex-ministro da Educação, ministrou a palestra “Como os biocombustíveis podem ajudar o mundo a cumprir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa?”.

Com dados de participação de fontes primárias de energia do ano de 2008, Goldemberg destacou que petróleo, gás natural e carvão – combustíveis emissores de gases de efeito estufa – respondem por cerca de 80% da energia consumida no planeta. “Cada ser humano consome o equivalente a 1,5 tonelada de carvão por ano”, disse.

Segundo ele, para substituir esses combustíveis é fundamental saber em que áreas são empregados atualmente. “A destinação da energia mundial está basicamente dividida entre três setores: transportes, indústria e edifícios. E cada uma delas responde por cerca de um terço do consumo”, disse.

A renovação de indústrias e edifícios seria muito mais demorada e onerosa. “Um prédio tem uma vida útil entre 50 e 100 anos. Por isso, renovar edifícios é trabalho para dezenas de anos”, afirmou.

Por conta disso, para Goldemberg as mudanças das matrizes energéticas devem começar pelos veículos, que têm vida curta e podem ser transformados com uma rapidez muito maior. “Por esse motivo, se preocupar com transporte é um dos caminhos mais seguros para investir na sustentabilidade”, destacou.

Nesse sentido, segundo ele, a substituição da gasolina e de derivados de petróleo por biocombustíveis seria o primeiro passo para que os países comecem a reduzir emissões do principal gás de efeito estufa, o dióxido de carbono.

Goldemberg apontou que o petróleo move 30% dos veículos nos Estados Unidos. No restante do planeta, essa fonte é empregada em cerca de 13% dos sistemas de transporte e, no Brasil, sua participação é ainda maior. “Isso é porque o transporte aqui é basicamente rodoviário”, disse.

Por meio de gráficos sobre o aumento de emissões de gases estufa em vários lugares, Goldemberg mostrou que os países em desenvolvimento têm aumentado a sua participação. Isso se deve, segundo ele, à industrialização acelerada de países como Índia e China.


Híbridos e elétricos
De acordo com Goldemberg, os países têm mostrado um crescimento exponencial na frota de seus veículos, o que pode culminar com números semelhantes à da frota norte-americana, a maior do planeta, com quase um veículo por habitante.

“O automóvel ocupou um lugar na população do século 20 sem precedentes na história. E é algo de que elas dificilmente vão abrir mão”, disse. O que torna, segundo ele, ainda mais necessárias as pesquisas em biocombustíveis.

Para Goldemberg, somente a biomassa e a eletricidade se mostraram ser fontes viáveis de substituição de petróleo em um futuro próximo. E só a biomassa teria a capacidade de substituir integralmente o combustível fóssil.

A eletricidade, segundo apontou o professor, tem sido empregada com êxito para melhorar o desempenho de automóveis a gasolina. Alguns exemplos de veículos híbridos bem-sucedidos nos Estados Unidos conseguem aumentar a autonomia de um carro em até dez vezes, mas ainda são modelos muito caros para competir com os convencionais a gasolina.

Por outro lado, Goldemberg não vê viabilidade na aplicação a curto prazo de veículos 100% movidos a eletricidade. “Essa tecnologia ainda está na infância. Estudos norte-americanos mostram que o carro elétrico assumirá um papel importante por volta de 2030, isso porque as nossas baterias atuais não são muito mais eficientes do que aquelas que nossos avós usavam no século 19”, provocou.

O hidrogênio, uma das esperanças atuais para combustíveis limpos, também foi descartado por Goldemberg para a utilização no curto prazo. “O hidrogênio obtido hoje deriva principalmente do metano, um combustível fóssil”, disse.

Ao encerrar, o professor mostrou um gráfico das emissões de dióxido de carbono registradas no Estado de São Paulo que têm apresentado uma ligeira queda desde 1998. Goldemberg atribuiu esse resultado a uma recuperação da área verde do Estado e, principalmente, ao aumento gradual da utilização de etanol pela frota paulista. Estima-se que hoje metade dos veículos em São Paulo esteja rodando com etanol.

“Os biocombustíveis são a verdadeira energia solar encapsulada, convertida em líquido que substitui a gasolina. Portanto, a biomassa é uma área em que vale a pena investir em pesquisas para que seja sustentável e não uma fonte de destruição de ecossistemas”, disse.

A Decada da Infraestrutura/// Revista Rodovias & Vias-Edição 42

Por que os próximos anos serão de grande crescimento da economia brasileira, e o período 2010-2019 será marcado como a Década da Infraestrutura?

Assim como China e Índia, o Brasil surpreendeu o mundo desenvolvido com sua capacidade de enfrentar a crise econômica mundial sem grandes solavancos. Para conseguir esse feito, foram preponderantes no Brasil o tamanho e a força de seu mercado interno e a solidez e regulação do sistema bancário.Esta recuperação surpreendente transformou o Brasil na coqueluche do mercado financeiro mundial. O país está sendo inundado com dólares de investidores internacionais, que estão de olho no potencial de crescimento do consumo dos brasileiros e no conseqüente crescimento da nossa economia. O fluxo é tão impressionante que exigiu medidas fiscais do governo federal para evitar que a valorização cambial dificulte nossas exportações e estimule exageradamente as importações, inviabilizando as empresas nacionais.
Em resumo, o período é tão virtuoso que pode colocar em risco nossa economia. Ironicamente, depois de décadas de escassez, temos agora problemas para administrar a abundância.

Maturidade

O Brasil vai atingir sua maturidade econômica na próxima década. É uma previsão com unanimidade nacional. Esse ciclo virtuoso iniciado timidamente em 1994 com o Plano Real, ampliado nesta primeira década dos anos 2000, e turbinado pela crise financeira internacional, dá ao país as condições objetivas ideais para um crescimento acelerado e sustentável.

Não faltam previsões otimistas sobre o futuro da nação brasileira, ancoradas em uma realidade que salta aos olhos. Ocupamos lugar de destaque como produtores mundiais de alimentos. Nossa matriz energética é a mais limpa dentre todas as nações populosas do planeta. Duas edições atrás, Rodovias&Vias tratou desse tema em matéria de capa (O Brasil sustentável – R&V nº 40), mostrando que 80% da energia elétrica gerada no país são de origem hídrica, ou seja, limpa e renovável. Somos auto-suficientes em petróleo, com grandes jazidas a serem exploradas, caso do pré-sal. Além de tudo isso, o Brasil é, entre os emergentes, o país mais confiável, estável politicamente e com marcos regulatórios bastante razoáveis.

Quem lê regularmente Rodovias&Vias sabe que em 2017 o Brasil poderá se tornar o maior produtor agrícola do mundo, superando a poderosa máquina de produzir grãos, os Estados Unidos. A previsão é da CNA, a Confederação Nacional da Agricultura (edição nº 38 – “O tamanho do agronegócio no Brasil”).

Somos hoje a oitava maior economia do mundo, e podemos chegar à quinta posição já em 2016.

O fato é que desde que Cabral ancorou sua Caravela em Porto Seguro no longínquo ano de 1500, estamos sendo finalmente descobertos pelo mundo desenvolvido. O país do futebol, do carnaval do Rio de Janeiro, da floresta amazônica, das Cataratas do Iguaçu, é agora cortejado como porto seguro para investimentos, o que nos dá perspectivas inimagináveis de desenvolvimento econômico e social.

Paradoxo

O mais interessante nesta perspectiva da próxima década é que esta Nação, que avança para a quinta posição entre as maiores economias do globo, temmuitos problemas estruturais para resolver. Alguns anos atrás isso seria apontado como um grande problema. Hoje, paradoxalmente, é solução e garantia de rápido crescimento em período de estagnação daqueles que não tem mais problemas estruturais a resolver.

No Brasil faltam rodovias e ferrovias para escoar nossa imensa produção agrícola. Portos e aeroportos estão no limite, clamando por reformas e ampliações.

Nossos rios não são navegados porque faltam dragagens e eclusas.

Nas cidades, ruas congestionadas e transporte coletivo à beira do caos exigem soluções modernas de transporte de massa como bondes, trens urbanos e metrôs. Há déficit na coleta e no tratamento de esgoto, falta drenagem urbana. Os escassos programas habitacionais nas duas últimas décadas geraram um monumental déficit por moradias. Sem falar que praticamente tudo o que existe na infraestrutura nacional precisa ser melhorado, ampliado e modernizado.

Dificuldades nunca faltaram. Havia falta de dinheiro e de políticas públicas. O país pobre foi acumulando problemas durante séculos, mas está agora no limiar de uma grande mudança que dará início a um círculo virtuoso, que vai impulsionar o desenvolvimento. O crescimento da economia faz a roda girar, gerando recursos para serem aplicados na infraestrutura. Surgem empregos e oportunidades e a economia se dinamiza, fica mais competitiva e gera mais excedentes que são canalizados para novas obras estruturantes. A economia se fortalece, gera mais empregos e renda, que voltam a engordar os cofres públicos. Instala-se um ciclo virtuoso que não tem mais fim, e que neste período pós-crise somente é possível em economias onde os investimentos públicos resultam em aumento da competitividade das empresas, gerando benefícios econômicos para toda a população. Um ciclo que os países desenvolvidos viveram há 80, 100 anos atrás.
Copa e Olimpíadas

Para coroar essa previsão temos ainda dois megaeventos programados para o Brasil, com grande visibilidade na mídia mundial, e que exigem pesados investimentos, a maior parte deles em infraestrutura.

A lista de exigências da FIFA para o mundial de futebol de 2014 é bastante extensa. Os estádios que abrigarão as partidas devem apresentar as mesmas condições de conforto e segurança dos seus equivalentes nos países desenvolvidos, inclusive com estacionamento e hospital nas imediações. Todos os assentos devem ser individuais e numerados, com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura. Banheiros limpos e em número suficiente, corredores de entrada e saída largos, além de tribunas de imprensa bem equipadas. As cidades-sedes terão que se preparar para a grande logística de hospedar 32 equipes e suas comitivas ao longo de um mês, mais o grande fluxo de torcedores desses países, que dependerão de transporte coletivo eficiente e rápido. A expectativa é de que num único mês venham ao país 500.000 turistas, além de 15.000 jornalistas.

Cálculos preliminares e bastante conservadores dão conta de um gasto de US$ 5 bilhões para organizar a Copa do Mundo no Brasil.

Para os jogos olímpicos de 2016, a previsão de investimentos é de 17 bilhões de dólares, concentrados em uma única cidade, o Rio de Janeiro.

Rótulos

Há uma tradição mundial e também de países, de rotular as décadas que ficam para trás. Os anos 80, por exemplo, foram registrados na história brasileira como “a década perdida”, porque o país cresceu muito pouco tanto do ponto de vista econômico como social. Relatório do BIRD, o Banco Mundial, aponta os anos 90 como “a década da pobreza” no mundo, denunciando que um bilhão e meio de pessoas em todo o planeta sobreviviam no início dos anos 2000 com renda de, no máximo, um dólar por dia. Estamos no fim da primeira década dos anos 2000, que não foi ainda rotulada, mas foi marcada por grande crescimento econômico na primeira metade, e por uma crise financeira que mudou o mundo, na segunda metade. Alguns falam na “década da sustentabilidade”, em razão das preocupações ambientais geradas pelo aquecimento global e o início das preocupações mundiais com a sustentabilidade do planeta. O que é certo, entretanto, é que a próxima década será, para os brasileiros, dedicada à infraestrutura.

PAC

Tudo isso dá a certeza de que a próxima década será a da infraestrutura. Os três últimos anos já prenunciam o que teremos pela frente. Rodovias&Vias vem registrando em todas as suas edições o que de mais importante ocorre com a infraestrutura nacional. E não faltam boas notícias. O PAC, apesar de ser uma espécie de grife do atual governo, é mesmo um assombroso repositório de investimentos públicos sem precedentes na história brasileira. Hidrovias, rodovias, aeroportos, refinarias, gasodutos, ferrovias, moradias, saneamento, linhas de distribuição de energia, transportes urbanos, e toda sorte de obras de infraestrutura estão contempladas no programa. Pela primeira vez no Brasil um plano plurianual de investimentos chega à cifra do “trilhão”, ainda que possa ser questionável e demasiadamente elástico.

O último balanço do PAC apresentado pela ministra Dilma Rousseff revelou que o programa já totaliza 33,3% de ações concluídas e 58% delas caminham em ritmo adequado. Menos de 9% das ações estão paradas ou com problemas de execução. Segundo a ministra, no período 2007-2010, os investimentos do PAC foram ampliados de R$ 504 bilhões para R$ 646 bilhões.

Situação ou oposição, o próximo governo a ser eleito em 2010 não poderá culpar o governo Lula de não ter um programa federal de investimentos em infraestrutura, com prioridades e valores.

Veja por que o Brasil precisa urgentemente investir em infraestrutura

Custos Logísticos – A fragilidade da infraestrutura brasileira faz com que os custos logísticos no país sejam praticamente o dobro dos Estados Unidos, por exemplo. O economista Luiz Antonio Fayet, consultor da CNA e especialista em logística diz que este é um grande dilema para o país, porque não se sabe até quando nossa economia poderá bancar os altos custos de logística, que variam bastante conforme a região do país. Esses custos estão na falta de ferrovias e hidrovias, nas rodovias esburacadas, nos portos públicos ineficientes e caros, na falta de integração dos modais. A última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes – CNT mostrou que 70% das rodovias brasileiras estão em estado irregular ou péssimo, de conservação.

Uma das virtudes do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento é alinhar estas necessidades, conferindo-lhes certa ordem de prioridade.

O objetivo é um só – reduzir o chamado “custo Brasil”, que um dia poderá inviabilizar nossa produção, especialmente a do campo, onde é muito pequena a diferença entre os custos de produção somados aos de logística, e o preço final de venda no mercado. Fayet cita como exemplo o valor pago pelo frete em relação ao que o agricultor recebe pelo produto. “Em 2007, um produtor de soja do município de Sorriso, Mato Grosso, recebia R$ 23 pela saca e gastava R$ 12 para levá-la até o porto, onde a carga é embarcada para o mercado internacional. Ou seja, o gasto com o escoamento representava mais de 50% do valor recebido pelo produtor, o que é um exagero”, afirma. Para ele, se a infraestrutura for melhorada, este custo logístico até o porto pode cair pela metade. “A diferença vai direto para o bolso do produtor rural”, diz o consultor da CNA. Fayet assegura que há deficiências em toda cadeia logística. “Problemas na infraestrutura portuária, rodoviária e hidroviária, são alguns dos obstáculos que prejudicam o escoamento da produção brasileira. A falta de terminais portuários encarece a cadeia logística. Fatores como as altas multas de navios em espera nos portos, o aumento do tempo nas estradas em função das más condições de conservação das rodovias, os fretes inflacionados, pesam na balança comercial brasileira e no bolso do produtor rural”, informa Fayet.

Problemas

Estudos da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), indicam que o país precisa de R$ 160,9 bilhões por ano em investimentos nos próximos cinco anos. O estudo mostra que o Brasil deveria investir anualmente R$ 28,3 bilhões em energia elétrica, R$ 75,3 bilhões em petróleo e gás natural, R$ 24,1 bilhões em transporte e logística, R$ 13,5 bilhões em saneamento básico e R$ 19,7 bilhões em telecomunicações. “Com o País crescendo a 4%, 5% ao ano, teremos problemas se esses investimentos não forem feitos”, diz Paulo Godói, superintendente da Abdib.
Para alertar sobre a situação dos portos brasileiros o empresário Eike Batista, dono da MMX Mineração recorre às comunicações. “Os portos brasileiros de hoje se parecem com a telefonia na época dos telefones de disco. Só que o mundo está muito à frente, trabalhando com a banda larga”, disse o megaempresário. Não é sem razão que Eike Batista faz essa crítica. Os portos brasileiros são, em sua maioria, públicos, obsoletos, mal administrados, dominados por sindicatos que em muitos casos se assemelham à máfia de Chicago do início do século passado, o que torna as operações lentas, complicadas e caras. O Porto de Santos, por exemplo, o maior do país, continua com as mesmas instalações de 30 anos atrás.

Gargalo

Por estas razões, o presidente do Banco Central Henrique Meirelles diz que os dois grandes desafios do Brasil são o gargalo em infraestrutura e falta de especialização da mão-de-obra para atender rapidamente o crescimento que se avizinha em todas as áreas da economia. O ministro da fazenda Guido Mantega vem afirmando que o investimento no Brasil deve crescer de 13 a 15% já em 2010. Ele reconhece que para o PIB do país crescer a taxas superiores a 5% ao ano é preciso investir pesado em infraestrutura e logística. Para ele, “essa nova fase de crescimento mais intenso da economia vai depender do mercado interno, mas dependerá, sobretudo, do dinamismo dos investimentos, que começam com as obras de infraestrutura do PAC, a exploração do pré-sal, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, e dos investimentos para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos”. Isto nos dá um horizonte de investimentos muito forte e que vai dinamizar a economia, garante o ministro.

link:
http://www2.rodoviasevias.com.br/revista/materias.php?edicao=Nacional 42&id=439&codigo=973037b012/2009

Cultura consumista dos EUA é uma ameaça ambiental para o planeta/// Relatório Worldwatch Institute

Suzanne Goldenberg US environment correspondent ///The Guardian

Um norte americano consome por dia em média uma quantidade de produtos que somados é maior mais que o seu próprio peso. Isto alimenta uma cultura que está se tornando globalizada e cada vez mais ameaçadora ao planeta, divulgado por um relatório em 13/jan ultimo,

No seu relatório anual o Instituto Worldwatch vai adiante e afirma que o consumismo e a ganância podem juntos devastar os ganhos resultantes da iniciativas governamentais relacionadas às mudanças climáticas ou até mesmo os esforços relacionados á mudança para uma economia mais limpa que utilizasse energia renovável.

O diretor do projeto, Erik Assadourian,disse que “até que reconheçamos que nossos problemas ambientais, desde as mudanças climáticas até desmatamento com perdas da biodiversidade, são conseqüências de hábitos insustentáveis, nós não seremos capazes de solucionar a atual crise ecológica que ameaça a civilização.

A população mundial está exaurindo os recursos do planeta numa velocidade imprudente,complementou. Na ultima década o consumo de bens e serviços cresceu por volta de 28%, 30,5 trilhões de dólares.

A cultura do consumo não é mais um hábito restrito aos norte-americanos. Está se espalhando por todo o planeta. Ao longo dos últimos 50 anos, o excesso foi adotado como símbolo de sucesso em países em desenvolvimento, desde o Brasil até Índia e China, cita o relatório. A China esta semana ultrapassou os EUA como sendo maior o mercado de automóveis do globo. A mesma China que hoje já e maior emissora de gases que provocam o efeito estufa, aponta o estudo.

Tais tendências não foram apenas conseqüências naturais do crescimento econômico, mas resultado do massivo esforço de empresas em criar e conquistar cada vez mais consumidores. Produtos como o hambúrguer, um produto rejeitado e tido como não saudável era um alimento para os pobres no início do século 20 e as garrafas (pet) de água, agora são lugar-comum.
Uma família padrão médio no ocidente, gasta mais com o seu animal de estimação do que é gasto por um ser humano em Bangladesh.

O relatório alerta para sinais encorajadores no sentido de que esta cultura de gastos excessivos apresenta sinais de mudanças. Menciona os programas de merenda escolar como sendo um dos grandes esforços para incentivar hábitos alimentares mais saudáveis entre as crianças. O relatório também indica que a geração mais jovem está mais consciente do seu impacto sobre o meio ambiente.

O estudo menciona “ tem que haver uma mudança radical de valores e atitudes”.Nas atuais taxas de consumo, o mundo precisa erguer 24 turbinas eólicas por hora para produzir energia suficiente para repor o combustível fóssil utilizado.

Assadourian afirma “ temos visto esforços encorajadores para combater a crise global do clima nestes últimos anos, mas trabalhar a política e a tecnologia enquanto a cultura se mantém centrada no consumismo não será o suficiente”.
“ Se não mudarmos nossa cultura teremos ainda que enfrentar muitas novas crises. O consumismo não será mais viável por conta do crescimento populacional,em torno dos 2 bilhões, e também porque mais países estão economicamente emergindo”.

No prefácio do relatório, o presidente do instituto, Christopher Flavin, escreve ““ Enquanto o mundo luta para recuperar-se da mais grave crise econômica desde a Grande Depressão, temos uma oportunidade sem precedentes para enfrentar e descartar o consumismo. No final, o instinto humano de sobrevivência deve triunfar sobre o desejo de consumir a qualquer custo".

Tradução de Laércio Bruno Filho

Read the article:
http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jan/12/climate-change-greed-environment-threat

Saiba mais sobre O Relatório "State of the World 2010: Transforming Cultures" do Worldwatch Institute:
http://www.worldwatch.org/sow10

Informação & Conhecimento