Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
Mostrando postagens com marcador India. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador India. Mostrar todas as postagens

A população da China em 2100, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

 

Publicado em novembro 23, 2012 por

 população da China em 2100

[EcoDebate] A China tem a maior população nacional entre todos os países do mundo, desde o início dos registros históricos das civilizações. O “Império do Meio” foi também a maior economia do mundo até o século XVIII. Agora, no século XXI, a China volta, em um patamar mais elevado, a disputar a hegemonia econômica mundial.

A população da China era de 550,8 milhões de habitantes em 1950 e chegou a 1,34 bilhão em 2010. Mas não deve ultrapassar 1,4 bilhão de habitantes e, provavelmente, será ultrapassada pela Índia a partir do ano 2025. A divisão de população da ONU estima, para o ano de 2050, uma população de quase 1,5 bilhão de habitantes na hipótese alta, de 1,29 bilhão na hipótese média e de 1,13 bilhão na hipótese baixa. Para o final do século as hipóteses são: 1,59 bilhões de habitantes, na alta, de 941 milhões, na média, e somente 506 milhões na hipótese baixa.

Ou seja, a população da China pode variar entre 506 milhões e 1,59 bilhão de habitantes em 2100, dependendo fundamentalmente do comportamento das taxas de fecundidade e um pouco menos da migração. No caso da hipótese baixa, a China pode chegar em 2100 com uma população menor do que a que tinha em 1950.

A China tem uma área de 9.596.960 km2, maior do que a área territorial do Brasil. A densidade demográfica em 2010 era de 140 habitantes por km2, bem superior do que a densidade brasileira de 23 hab/km2, mas bem abaixo da densidade demográfica da Índia que estava em 373 hab/km2 em 2010.
Depois de um longo período de declínio econômico, de invasão estrangeira e de guerra civil que empobreceu o país, o Partido Comunista tomou o poder na China continental em 1º de outubro de 1949, enquanto o partido Kuomintang (KMT), que estava no poder desde a instauração da República, migrou para a ilha de Formosa (Taiwan).

No quinquênio 1950-55 a taxa de fecundidade total (TFT) estava em 6,1 filhos por mulher e caiu para 5,4 filhos por mulher no quinquênio seguinte. Porém, com a desorganização econômica e política da Revolução Cultural a TFT voltou a crescer e ficou em 6 filhos por mulher no quinquênio 1965-70. O timoneiro Mao Tsé-Tung chegou a dar várias declarações favoráveis ao crescimento demográfico e à utilização da população como uma arma do poderio do país.

Porém, o alto crescimento populacional se tornou insustentável. Como dizem os chineses: “Ren tai duo!” (demasiada gente!). No iníco dos anos 70 – ainda na época de Mao Tsé-Tung – o governo adotou uma política para incentivar a a redução do número de nascimentos por meio de três objetivos: a) uma fecundidade menor, b) retardar o nascimento do primeiro filho e c) aumentar o espaçamento entre os nascimentos. Esta política ficou conhecida como: “fecundidade menor, mais tardia e com maior espaçamento entre os filhos” (fewer, later, longer). Com isto, a TFT caiu para 4,8 filhos por mulher em 1970-75 e para 2,9 filhos por mulher em 1975-80.

Mas a despeito da grande queda da fecundidade nos anos 70, o governo comunista adotou a política de controle da natalidade mais draconia já adotada no mundo. A política do filho único, começou em 1979, e a taxa de fecundidade caiu para 2 filhos por mulher em 1990-95 e chegou a 1,6 filhos em 2005-10. O resultado é que a população continuou aumentando apenas porque a estrutura etária era jovem (crescimento pela inércia demográfica), mas o ritmo de incremento tem se desacelerado rapidamente e a população deve começar a diminuir antes de 2030. Segundo a Agencia official Xinhua, o 18o Congresso do PCC, de novembro de 2012, dicutiu um relatório propondo mudanças na política populacional, pois os dirigentes estão preocupados com o rápido processo de envelhecimento do país.

A divisão de população da ONU estima, na hipótese média, que a TFT vai ficar em 1,8 filhos por mulher em 2050 e em 2 filhos em 2100. Na hipótese alta se acrescenta 0,5 filho para cima e na hipótese baixa se reduz 0,5 filho. Ou seja, se a TFT chinesa ficar em torno de 1,5 ou 1,6 filho por mulher nas próximas décadas, a população da China pode seguir a hipótese baixa e ficar com um montante na casa dos 500 milhões de habitantes em 2100.

A redução da fecundidade na china possibilitou uma mudança na estrutura etária gerando um bônus demográfico que foi bem aproveitado e criou as condições para se retirar cerca de 600 milhões de chineses da situação de pobreza extrema. Porém, a política de filho desrespeita os direitos reprodutivos e gerou um grande desequilíbrio na razão de sexo, pois como a população tem preferência por filhos do sexo masculino, exite muito fetocídio feminino (e femicídio), tendo como resultado um superávit de 52 milhões de homens a mais do que mulheres. Na idade de casar, o excesso de homens (ou a falta de mulheres) torna inviável todos encontrarem uma parceira para casamento. Não é raro homens comprarem ou sequestrarem uma esposa, reforçando as desigualdades de gênero no país.

A China tem sido o país que apresentou o maior crescimento econômico da história, com uma taxa anual de variação do PIB em torno de 10% entre 1980 e 2011. A taxa de mortalidade infantil caiu de 122 mortes por mil nascimentos em 1950-55 para 22 por mil em 2005-10 e a esperança de vida subiu de 44,6 anos para 73 anos no mesmo período. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) subiu de 0,4 em 1980 para 0,68 em 2010. Mas a China, que já disputa o título de primeira potencia econômica mundial, ainda tem muito que avançar na área social.

Em termos ambientais os desafios são ainda maiores, pois o país sofre com a desertificação, a poluição dos rios e lagos, a falta de saneamento básico e a poluição do ar nas cidades. Segundo o relatório Planeta Vivo 2012, da WWF, a China possui uma pegada ecológica per capita de 2,13 hectares globais (gha), mas possui uma biocapacidade per capita muito menor, de somente 0,87 gha. Portanto, o déficit ambiental do país era superior a 200%, em 2008.

Ou seja, a pegada ecológica era mais de 3 vezes a biocapacidade do país. A pegada ecológica total da China (2,13 gha per capita vezes 1,359 bilhão de habitantes) é de 2,89 bilhões de hectares globais (gha), enquanto a pegada ecológica total dos Estados Unidos (7,19 gha per capita vezes 305 milhões de habitantes) é de 2,19 bilhões de gha. A China era responsável pela emissão de 2,4 bilhões de toneladas de CO2 em 1990, passou para 8,3 bilhões em 2010 e 8,9 bilhões em 2011, sendo o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo.

Por isto, a China é atualmente o país que mais impacta o meio ambiente global e tem investido no mercado de commodities e comprado alimentos e matérias-primas de outros países do mundo com maior biocapacidade e com superávits ambientais. Portanto, o país mais populoso do mundo afeta não só o seu próprio meio ambiente, mas tem um impacto negativo no resto do mundo.
O decrescimento da população da China nas próximas décadas vai aliviar um pouco a pressão ambiental, mesmo porque os níveis de poluição tornam impossível manter o crescimento dos últimos anos. Mas o país terá que fazer um esforço muito maior para mudar o padrão de produção e consumo no sentido de fazer a pegada ecológica caber dentro da disponibilidade de sua biocapacidade, respeitando as fronteiras planetárias da China e da Terra.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
EcoDebate, 23/11/2012

REDD+: Índia pode ter seu primeiro projeto de REDD aprovado

Publicado em 19 19UTC maio 19UTC 2011 por Ben Hazrael

REDD+.
A Índia está perto de ter seu primeiro projeto piloto reconhecido pelo mecanismo para redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD) das Nações Unidas. O plano foi iniciado em 2005 por uma comunidade tribal no estado de Meghalaya, na região norte do país, e tem como objetivo verificar e evitar o desmatamento do bosque de Umiam, que cobre cerca de 75 hectares.

O esquema tem grandes chances de ser o primeiro da Índia, pois atende a vários critérios do REDD. Um deles é que a comunidade desmatava e degradava a floresta antes da aplicação do projeto. Para se ter uma ideia, os bosques perderam cerca de 5,6% de sua vegetação entre 2001 e 2005. Depois do plano, houve um aumento na área de cobertura verde.

Outro motivo que pode levar ao reconhecimento é que a comunidade tribal local conseguiu ganhar os direitos de propriedade dos recursos da floresta. Esse critério é muito controverso porém muito importante, pois muitos países emergentes não tem seus direitos de propriedade sobre os recursos dos ecossistemas reconhecidos, e isso pode dificultar que as comunidades locais se beneficiem dos esquemas de REDD.

No entanto, os mecanismos de REDD, em si, só consideram a conservação dos estoques de carbono em árvores, o que pode ser considerado uma lacuna na defesa dos ecossistemas. Outros fatores importantes na preservação e manutenção das florestas, como os serviços proporcionados pelos bosques – madeira e outros produtos – e a proteção de espécies ameaçadas não são abrangidos pelo REDD.

Mark Poffenberg, da Comunidade Florestal Internacional (CFI), salientou que esse tipo de esquema não deve se centrar apenas no carbono, e que os outros aspectos poderão ser compreendidos pelos projetos assim que indicadores de biodiversidade, por exemplo, forem desenvolvidos. “Até lá nós precisamos do carbono como o indicador que vai impulsionar os planos”.

Agora, a comunidade procura pelo financiamento de entidades como a Parceria para o Carbono Florestal, do Banco Mundial, para que o esquema seja reconhecido pelos mecanismos de REDD. “Esse tipo de projeto piloto ajuda a entender o papel desempenhado pelas comunidades em influenciar os estoques de carbono em níveis populares”, declarou Jagdish Kishwan, diretor geral adicional de florestas do Ministério do Meio Ambiente e Florestas.

Para Poffenberg, “as comunidades precisam de suporte financeiro para se engajar em práticas sustentáveis. Os países desenvolvidos preferem mais projetos em níveis populares que evitem estruturas burocráticas, alcancem as metas e reduzam a exploração de fundos”.

Mas mesmo com a iminência da aprovação, alguns se mostram céticos em relação ao financiamento do plano. Madhu Sarin, ativista de direitos florestais, questiona: “em projetos como esse, quanto controle as comunidades terão quando entrarem em um mecanismo essencialmente complexo com investidores internacionais?”. Sarin lembra que transferir o comando do plano para órgãos internacionais é contra o princípio de capacitação local.
Fonte: Instituto Carbono Brasil

Países em desenvolvimento formalizam compromissos para reduzir emissões

A China afirmou que vai diminuir a emissão de carbono por unidade de produção entre 40% e 45% até 2020. A Índia usou medida similar, prometendo cortar emissões entre 20% e 25% no mesmo período. Já o Brasil quer mitigar a emissão de seus GEEs (gases do efeito estufa) em mais de um terço em relação aos níveis projetados para 2020, e o México, em 30%.

Mais um passo foi dado para combater as alterações climáticas, que já afetam tantos países ao redor do mundo. Nas últimas semanas, dezenas de nações em desenvolvimento submeteram seus projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEEs) a um inventário da ONU, decidido na Conferência de Cancún, no México, em dezembro de 2010.

Após a Conferência, os países subdesenvolvidos decidiram se juntar para criar seus próprios planos de mitigação das emissões de carbono. A lista dessas ações segue um inventário com os planos de redução das nações industrializadas, que já vinham sendo reunidos desde o dia 10 de março. Até poucas semanas atrás, essa relação continha os planos dos 27 países da União Europeia e mais 15 de outras nações desenvolvidas, como os Estados Unidos o Japão, o Canadá e a Austrália.

Agora, unem-se a estas propostas os planos dos países em desenvolvimento. Essas promessas de redução são voluntárias, e a maioria das nações subdesenvolvidas vai precisar do auxílio dos países industrializados para colocar em prática seus projetos.

Muitas dessas propostas já haviam sido anunciadas antes, mas a listagem formaliza o compromisso dos países com a redução de emissões de dióxido de carbono. Esse documento é base para um sistema de “responsabilidade mútua”, mecanismo que permitirá aos países saber o que as outras partes do acordo estão fazendo para mitigar as mudanças climáticas.

Alguns países criaram propostas vagas e curtas. A China, por exemplo, afirmou apenas que vai diminuir a emissão de carbono por unidade de produção entre 40% e 45% até 2020. A Índia usou medida similar, prometendo cortar emissões entre 20% e 25% no mesmo período. Já o Brasil quer mitigar a emissão de seus GEEs em mais de um terço em relação aos níveis projetados para 2020, e o México, em 30%.

Outras propostas são detalhadas ao extremo. A Etiópia, por exemplo, listou 75 projetos, incluindo cada nova linha de trem que utilizará energia renovável. Já a Argentina, que baniu o uso de lâmpadas incandescentes, especificou subsídios para a energia eólica e solar. A Costa do Marfim listou um plano para mais hidrelétricas, energia renovável e administração florestal.

A Mongólia, além de instalar usinas solares no deserto, quer dar a criadores e agricultores nômades turbinas eólias portáteis. O país afirmou que ainda precisará utilizar carvão para sistemas de aquecimento doméstico, mas quer instalar boilers mais eficientes. A República Centro-Africana quer expandir suas florestas para cobrir um quarto de seu território.

O Himalaia e o Butão prometeram não emitir mais carbono do que suas florestas possam absorver. A Costa Rica e as Maldivas pretendem neutralizar suas emissões de carbono, e até o Afeganistão promete implementar planos contra as mudanças climáticas.

Além do inventário, 194 países concordaram, em Cancún, em criar o “Fundo Verde do Clima”, que reunirá cerca de US$10 bilhões dos países industrializados a serem investidos nos países em desenvolvimento, com objetivo de ajudar essas nações a se adaptarem às alterações climáticas e reduzirem suas emissões.

No entanto, as ações para definir mais detalhes do fundo foram adiadas, pois os países da América Latina e Ásia ainda não tinham definido quais seriam os seus representantes do comitê transitório, que ficará responsável por administrar o fundo.

O próximo fórum para discutir ações contra as mudanças climáticas se reunirá em Bancoc, na Tailândia, entre 3 e 8 de abril. Em seguida, Bonn, na Alemanha, sediará uma reunião, entre 6 e 17 de junho, e outro encontro acontecerá em Durban, na África do Sul, entre 9 e 28 de novembro. Neste último, espera-se que o comitê transitório apresente um plano completo para o “Fundo Verde do Clima”. (Instituto CarbonoBrasil)

O problema de saber quantos já somos

WASHINGTON NOVAES -

Um dos temas mais discutidos na reunião da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) em Nagoya foi o do aumento da população mundial e consequente pressão por mais recursos e serviços naturais, quando vários relatórios já acusam a insustentabilidade do panorama - alguns chegam a situar em 50% o excesso de consumo, comparado com a capacidade de reposição do planeta, e em 30% a perda da biodiversidade global registrada em 40 anos. Soluções propostas não escaparam dos caminhos que até aqui têm ficado no terreno das boas intenções - reduzir o consumo global, baixar o consumo nos países industrializados (os maiores consumidores), baixar as taxas de crescimento da população.

Os números sobre população ali discutidos são, de fato, inquietantes: dos quase 7 bilhões de pessoas que já somos no mundo, chegaremos a 7,67 bilhões em 2020, a 8,3 bilhões uma década mais tarde, a 8,8 bilhões em 2040 e a 9,15 bilhões na metade do século - e tudo isso com as taxas de fertilidade (número de filhos por mulher em idade fértil) em declínio no mundo todo, já abaixo da taxa de reposição, de dois filhos (que substituem pai e mãe, sem aumentar a população). Embora essa taxa de fertilidade continue em declínio, o "estoque" de mulheres em idade fértil ainda é alto, por causa da alta natalidade nas últimas décadas do século 20 e início deste.

Mas quando se entra no terreno das propostas a discussão é complicada. Há quase 20 anos o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) vem mostrando que os países industrializados, com menos de 20% da população mundial, consomem quase 80% dos recursos, com sua produção e as importações. Se todos os países consumissem como eles, diz o Pnud, seriam desnecessários mais dois ou três planetas. Por isso, quando se discute, como em Nagoya, a necessidade de países como a China e a Índia reduzirem a pressão sobre os recursos naturais, ambos respondem que sua taxa média de consumo de recursos ou de energia por habitante (a China tem perto de 1,4 bilhão de pessoas; a Índia, cerca de 1,1 bilhão) é muitas vezes menor que a da Europa, dos Estados Unidos e do Japão. Na média, o que se mostrou na CDB no Japão é que os 33 países mais desenvolvidos têm uma "pegada de carbono" cinco vezes mais alta que a dos países mais pobres.

Nesse quadro, suscita curiosidade a notícia deste jornal (4/11) de que 6 milhões de pesquisadores (mais que a população de muitos países) começaram a visitar 400 milhões de residências para realizar em dez dias o censo demográfico na China, que tem cerca de 20% da população mundial. E um dos obstáculos será a população flutuante, perto de 200 milhões de "migrantes rurais" (mais que toda a população brasileira), que vagam pelo país, sem residência fixa, em busca de emprego. Mas não é só. Ninguém sabe quantas são as crianças "clandestinas", não registradas para não violar a lei do filho único (perde o equivalente a um ano de rendimentos e outros benefícios sociais quem tenha mais de um filho e não o registre; funcionários públicos podem perder o emprego; agora as penalidades estão sendo reduzidas, até para facilitar o censo).

Por aqui, o primeiro levantamento divulgado pelo IBGE sobre nosso censo aponta 185 milhões de pessoas. Mas ainda faltam números (o autor destas linhas, em mais de 70 anos de vida, só em um censo teve sua residência visitada - e não foi neste). De qualquer forma, há dados relevantes. A taxa de fertilidade continua em baixa, inferior à taxa de reposição. Também caiu a média de pessoas por domicílio (de 3,79 para 3,37). E a projeção é de que cheguemos a 216,4 milhões de pessoas em 2030, quando a população começará a declinar, para chegar a 215,3 milhões em 2050. Números um pouco mais altos que os da análise feita pelo Ipea em outubro, de estatísticas da Pnad e do IBGE (Agência Brasil, 14/10), que apontou 206,8 milhões para 2030 e 204,7 milhões para 2040.

Relacionada com esses números, há uma interpretação curiosa do ex-ministro Pedro Malan, que atribui a elevação da produtividade e da renda no País à redução do número de dependentes por pessoa produtiva, que em uma década caiu de oito para cinco (Correio Braziliense, 22/8).

Sempre que o tema demográfico entra em discussão, emerge a questão dos custos previdenciários, já que tende a crescer a proporção de pessoas idosas (mais de 60 anos) na população. Elas eram 9,1% em 1999 e chegaram a 11,3% em 2009. As pessoas com mais de 70 anos eram 6,4 milhões (3,9%) e passaram a 9,7 milhões (5,1%). A esperança média de vida subiu para 73,1 anos. As análises pessimistas têm enfatizado que haverá um número cada vez maior de pessoas que dependerão, em suas aposentadorias, de uma quantidade menor de contribuintes. E sugerem revisões imediatas nos critérios de rendimentos de aposentados, para não agravar o "déficit da Previdência" - esquecendo-se de vários fatores, como o de que a maior parte do déficit da Previdência se deve ao pagamento de aposentadorias no setor público, muito mais altas, e não ao custo da aposentadoria no setor privado, em que os pagamentos de valor acima do salário mínimo têm declinado (em termos reais), por serem os reajustes inferiores aos índices do salário mínimo, que reajustam as aposentadorias até o valor máximo destes. É preciso lembrar ainda que os aposentados do setor privado contribuíram durante parte de sua vida sobre o máximo de 20 salários mínimos (para terem direito a aposentadorias de até 18 salários mínimos) e, do dia para a noite, viram o teto cair para 10 salários mínimos. Além de a aposentadoria inicial ser calculada sobre a média das contribuições nos últimos 36 meses, sem correção monetária - o que levou o valor a cair brutalmente nos tempos de inflação acentuada.

O censo é muito útil, revela muitas coisas. Mas é preciso que seja interpretado corretamente por quem legisla e/ou administra. E gere consequências justas.

Deloitte aponta 7 desafios para Turismo até 2015 >>> OpcaoTurismo/Portugal

 Mercados emergentes, população, marca, talento, tecnologia, sustentabilidade e gestão de crises. São estes os sete desafios a que o Turismo mundial terá de responder, nos próximos cinco anos, para inverter a recente tendência de queda e atingir o crescimento no futuro.

A conclusão resulta do relatório Hospitality 2015, da Deloitte, que determina que a China e a Índia como os mercados emergentes, que alcançarão um crescimento anual superior ao Reino Unido, França e Japão num prazo de cinco anos.

O envelhecimento da geração “baby boomer” e o aparecimento de classes médias na China e na Índia vão ser determinantes na mudança do sector turístico mundial. Estes dois factores demográficos vão criar novos padrões de viagem, acentuar a procura pelo Ocidente e gerar uma importante fonte de rendimento para os mercados do Oriente.

As classes médias da China e da Índia vão gerar ciclos de mudança com impactos futuros e duradouros, com incidência a nível da evolução dos padrões de viagem no sentido de domésticos para regionais para, finalmente, internacionais. Em 2020, só a Índia deverá ter cerca de 50 milhões de turistas.

Com o crescimento e aposta em redes sociais, que permitiram uma maior aproximação com o consumidor quer na divulgação de informação, podem, inversamente expor as inconsistências de serviço das marcas. As marcas mais bem sucedidas serão aquelas que adoptem e utilizem as novas formas de comunicação sem subestimar ou lutar contra a sua influência.

Apesar de o sector ter uma elevada rotatividade de funcionários (31%), um empresário da hotelaria gasta, em média, 33 por cento das suas receitas com a área dos recursos humanos. Este factor vai continuar a ter uma incidência preponderante e os operadores vão ter de criar planos estratégicos que acautelem a manutenção de recursos humanos essenciais e a gestão eficiente do volume de negócios.

O investimento em tecnologia poderá ser um factor crítico para o sucesso das empresas do sector do turismo em 2015. A batalha entre as unidades hoteleiras e os operadores pelas marcações online vai continuar. Os operadores já estão a trabalhar na resposta às necessidades dos consumidores através da criação de novas aplicações e páginas para os dispositivos móveis.

Devido ao crescente aumento da população e à escassez de recursos naturais, a sustentabilidade será um factor determinante até 2015.

Esta conjugação vai gerar um ambiente de negócio muito desafiante e a necessidade de incorporar a questão da sustentabilidade em todas as facetas da indústria do turismo.

O estudo, conclui que a única forma da indústria do turismo sobreviver a choques imprevisíveis e minimizar o seu impacto é ter uma resposta organizada e adequada, através da criação de protocolos e programas de gestão de risco. Os operadores terão de rentabilizar as alturas mais difíceis e aproveitar possíveis novas oportunidades.

Developing Countries Lead Recovery, But High-Income Country Debt Clouds /// UN World Bank

 Available in: Français, Español, русский, Português
Press Release No:2010/466/GEP
Contacts:
In Washington: Merrell Tuck +1 (202) 473-9516, mtuckprimdahl@worldbank.org
Rebecca Ong +1 (202) 458-0434, rong@worldbank.org

TV/Broadcast: Cynthia Case, +1 (202) 473-6287, ccase@worldbank.org

Washington, DC, June 9, 2010—The global economic recovery continues to advance, but Europe’s debt crisis has created new hurdles on the road to sustainable medium term growth, cautions the World Bank’s latest Global Economic Prospects 2010, released today online.

The World Bank projects global GDP to expand between 2.9 and 3.3 percent in 2010 and 2011, strengthening to between 3.2 and 3.5 percent in 2012, reversing the 2.1 percent decline in 2009. Developing economies are expected to grow between 5.7 and 6.2 percent each year from 2010-2012. High-income countries, however, are projected to grow by between 2.1 and 2.3 percent in 2010—not enough to undo the 3.3 percent contraction in 2009—followed by between 1.9 and 2.4 percent growth in 2011.

“The better performance of developing countries in today’s world of multipolar growth is reassuring,” said Justin Yifu Lin, the World Bank’s Chief Economist and Senior Vice President, Development Economics. “But, for the rebound to endure, high-income countries need to seize opportunities offered by stronger growth in developing countries.”

The recovery faces several important headwinds over the medium term, including reduced international capital flows, high unemployment, and spare capacity exceeding 10 percent in many countries. According to the report, while the impact of the European debt crisis has so far been contained, prolonged rising sovereign debt could make credit more expensive and curtail investment and growth in developing countries.

On the upside, world merchandise trade has rebounded sharply and is expected to increase by about 21 percent this year, before growth rates taper down to around 8 percent in 2011-2012. Almost half of the rise in global demand in 2010-2012 will come from developing countries.

The World Bank’s projections assume that efforts by the IMF and European institutions will stave off a default or major European sovereign debt restructuring. But even so, developing countries and regions with close trade and financial connections to highly-indebted high-income countries may feel serious ripple effects.

“Demand stimulus in high-income countries is increasingly part of the problem instead of the solution,” said Hans Timmer, director of the Prospects Group at the World Bank. “A more rapid reining in of spending could reduce borrowing costs and boost growth in both high-income and developing countries in the longer run.”

Regardless of how the debt situation in high-income Europe evolves, a second round financial crisis cannot be ruled out in certain countries of developing Europe and Central Asia, where rising non-performing loans, due to slow recovery and significant levels of short-term debt, may threaten banking-sector solvency.

“Developing countries are not immune to the effects of a high-income sovereign debt crisis,” said Andrew Burns, manager of global macroeconomics at the World Bank. “But we expect many economies to continue to do well if they focus on growth strategies, make it easier to do business, or make spending more efficient. Their goal will be to ensure that investors continue to distinguish between their risks and those of these high-income countries.”

Many developing countries will continue to face serious financing gaps. Private capital flows to developing countries are forecast to recover only modestly from $454 billion (2.7 percent of the developing world’s GDP) in 2009 to $771 billion (3.2 percent of GDP) by 2012, still far below the $1.2 trillion (8.5 percent of GDP) in 2007. Overall, the financing gap of developing countries is projected to be $210 billion in 2010, declining to $180 billion in 2011—down from an estimated $352 billion in 2009.

Over the next 20 years, the fight against poverty could be hampered if countries are forced to cut productive and human capital investments because of lower development aid and reduced tax revenues, the report says. If bilateral aid flows decline, as they have in the past, this could affect long-term growth rates in developing countries—potentially increasing the number of extremely poor in 2020 by as much as 26 million.

Note to journalists:
The World Bank will now update its short-term growth forecasts twice a year via Global Economic Prospects.

For the full report and data on global outlook, inflation, financial flows and commodity markets, visit:

www.worldbank.org/globaloutlook


Journalists can access the report under embargo through the World Bank Online Media Briefing Center at: http://media.worldbank.org/secure. Accredited journalists who do not have a password may request one by completing the registration form at: http://media.worldbank.org/

Fact Sheet: Global Economic Prospects 2010 (June) Regional Outlook:

The East Asia and Pacific region is expected to grow by 8.7 percent in 2010 and 7.8 percent in 2011. The region has benefitted from close links with China, which led the recovery. However, the earlier strong momentum in regional exports and production is waning and output gaps are closing rapidly, and supply constraints are becoming an increasingly binding constraint on growth. Coupled with strong capital inflows and rising liquidity, this may put pressure on both goods and asset inflation. Reflecting these factors, regional and Chinese growth are forecast to slow to an average 7.8 and 8.4 percent respectively over the next two years.

The recovery in Europe and Central Asia is projected at 4.1 percent in 2010, 3.0 percentage points slower than the region’s pre-crisis five-year average. The rebound reflects strong growth in the region’s two largest economies (Russia and Turkey), which account for three-fourths of regional GDP. Growth in most other regional economies is expected to be relatively weak or remains negative, continuing to be constrained by the pronounced adjustments that some countries have had to undergo as a consequence of large pre-crisis current account deficits. Heightened uncertainty tied to the sovereign-debt crisis in some of high-income European countries (Greece, Ireland, Italy, Portugal, and Spain) has created additional headwinds for the region.

The recovery in Latin America and the Caribbean region—dominated by middle-income countries and commodity exporters—has benefitted from a limited revival in commodity prices, strong export demand, and a rebound in the inventory cycle. After contracting by an estimated 2.3 percent in 2009, output in the region is forecast to expand by around 4.3 percent each year over 2010-2012, just somewhat slower than during the boom period. Strong trade and financial ties to Europe make the region especially sensitive to developments in highly-indebted European economies.


The outlook for the Middle East and North Africa region will continue to be driven by oil prices and economic activity in the European Union (the region’s main trade partner). The oil price collapse at the onset of the financial crisis together with OPEC production restraints significantly reduced oil revenues, cutting into intra-regional foreign direct investment flows, remittances, and tourism receipts. However, export volumes and values are forecast to rebound, rising by 2.0 and 13.5 percent respectively in 2010. Moreover, the regional recovery is projected to strengthen, with growth firming from 4.0 percent in 2010 to 4.3 and 4.5 percent in 2011 and 2012, respectively.

GDP in South Asia has benefitted from stimulus measures (notably in India, and to a lesser extent in Bangladesh and Sri Lanka), relatively robust remittance inflows, which continued to expand (in contrast to declines elsewhere), and the recovery in global demand. The region also benefitted from relatively resilient capital inflows, which rose in level terms and as a share of GDP—from 3.6 percent in 2008 to 3.9 percent in 2009—and was supported by long-standing capital account restrictions. A combination of slower global growth, tighter financial conditions, and a consolidation of fiscal policy in some countries in the region is expected to cause growth to average 7.7 percent over 2010-2012, compared with the pre-crisis rate of 9.2 percent in 2007 (calendar year basis).

The outlook for the Sub-Saharan Africa region—dominated by low-income and commodity-exporting countries—is expected to continue to strengthen slowly, driven by historically high commodity prices and stronger external demand. Overall the region is forecast to grow by 4.5, 5.1, and 5.4 percent respectively over 2010–2012, up from an estimated 1.6 percent in 2009. The recent depreciation of the Euro should help the competitiveness of countries whose currencies are tied to the Euro

A chave do clima nas mãos do Brasil, artigo de Washington Novaes /// Estadão-Ecodebate

[O Estado de S.Paulo] Por mais que se queira deixar de lado o tema, não se consegue. O agravamento quase diário dos “eventos climáticos extremos” e o impasse na área das negociações internacionais exigem que se volte à questão.
Vive-se um momento crítico, às vésperas de mais uma reunião preparatória (começo de abril, em Bonn, na Alemanha) da próxima assembleia da Convenção do Clima, esta programada para dezembro, no México. Cientistas de 27 países, que durante 15 meses se revezaram em expedições ao Ártico, informam que as previsões pessimistas para degelo até 2100 podem acontecer entre 2013 e 2030. A Organização Meteorológica Mundial avalia que os furacões, até o fim do século, serão menos frequentes, porém mais intensos (O Globo, 23/2). E o Sul-Sudeste e o Centro-Oeste brasileiros continuam às voltas com inundações frequentes, deslizamentos e mortes.

Mesmo com tudo isso, não se consegue avançar nas negociações. As comunicações feitas até o fim de janeiro à convenção pelos países, sobre suas metas (não compromissos) de redução de emissões, deixam claro que não se chegará à redução global mínima para impedir que a temperatura planetária suba mais do que 2 graus, o que terá consequências muito graves. O embaixador chinês na convenção, Yu Qingtai, já deixou claro (Reuters, 25/2) que não será possível superar, este ano, as divergências entre os países industrializados, a China e os demais membros do bloco de emergentes (Índia, Brasil, África do Sul), juntando-se à opinião do secretário-geral da convenção, Yvo de Bôer, que, para complicar ainda mais as coisas, anunciou que em julho renunciará ao cargo e que não vê possibilidade de acordo antes de dois anos.

Quando se olha para os EUA, vê-se que o presidente Obama, para conseguir apoio do Congresso à sua política do clima, contraditoriamente assegura que permitirá mais explorações de petróleo e de gás no fundo do mar. E a Agência de Proteção Ambiental garante que ali só grandes fontes de emissões sofrerão limitações antes de 2013. As fontes menores, só em 2016. Enquanto isso, avançam os prejuízos. As 3 mil maiores empresas do mundo geram custo de US$ 2,2 bilhões anuais com problemas ambientais, diz o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). E o renomado consultor britânico para a área do clima Sir Nicholas Stern revê de novo seus cálculos e diz que enfrentar os problemas na área terá um custo anual de 2% do produto bruto mundial (US$ 1,2 trilhão), e não de 1%, como calculara.

Já a Agência Internacional de Energia (AIE) adverte que, sem acordo, as emissões de carbono tenderão a se elevar em 40% até 2030, porque a demanda por energia crescerá muito com a Índia tentando prover 400 milhões de pessoas que não têm energia – e fará isso recorrendo ao carvão -, enquanto a China urbanizará mais de 100 milhões de pessoas e ainda utilizará muito carvão. Com tudo isso, diz a AIE, a demanda mundial por petróleo continuará a subir (para 100 milhões de barris/dia) e o carvão passará de 42% para 44% do total.

Nessas condições, reacende-se a discussão que vem desde a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável, em 2002, em Johannesburgo: como superar o problema, se a Convenção do Clima exige consenso para qualquer decisão e este parece inalcançável, com as divergências entre países industrializados, emergentes, G-77, países insulares e nações mais pobres? Naquele momento, chegou-se a pensar na criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente, mas concluiu-se que ela enfrentaria os mesmos problemas da ONU. Agora, numa reunião em Bali, ministros de meio ambiente de 135 países decidiram (Reuters, 26/2) retomar esse tema e promover novos estudos, tomando como base o formato da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Há quem pense que “só o mercado resolverá”. Mas com que regras, que ninguém consegue explicitar, pois as divergências entre empresas não serão diferentes das que opõem países? Há quem creia num caminho baseado em acordos bilaterais ou multilaterais entre governos, mas o que se fará com as emissões dos que ficarem de fora? E ainda que se consigam acordos, como estendê-los a cada empresa e a cada pessoa? Se o caminho for a criação de uma taxa sobre as emissões de carbono, ela será paga no país da produção ou do consumo (os EUA consomem 35% da produção industrial chinesa e os países ricos detêm 80% do consumo total no mundo)?

Talvez a chave possa estar nas mãos do Brasil. Em 1997, quando se negociou o Protocolo de Kyoto, o Brasil apresentou proposta de que a contribuição de cada país para a redução de emissões deveria tomar por base suas emissões históricas e as emissões atuais. Considerados os dois números, verifica-se a que porcentagem dos gases poluentes acumulados na atmosfera (onde permanecem séculos) essas cifras correspondem. Em seguida calcula-se em quanto essas emissões totais de um país respondem pelo aumento da temperatura planetária. Obtido esse número, ele deve ser transformado na porcentagem das emissões globais que caberá a cada país reduzir. Essa proposta brasileira foi aprovada, em princípio, com a recomendação de ser submetida a estudos mais aprofundados. Mas nada aconteceu desde então.

Mas pode ser o único caminho justo que leve todos os países a um acordo, porque cada um responderá pelo que fez e faz, proporcionalmente ao todo. E se poderá escapar ao poço sem fundo da discussão entre países industrializados e os demais, em que um lado argumenta com a responsabilidade de quem emitiu mais ao longo do tempo (industrializados) ou emite mais hoje (emergentes, principalmente). Mas, para avançar por esse caminho, o Brasil precisará superar a limitação que tem no âmbito da política externa, de manter em qualquer circunstância uma posição conjunta com o G-77 ou os outros emergentes.

Mas é uma oportunidade histórica e decisiva. Não se deve nem se pode perdê-la.

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes{at}uol.com.br
Artigo originalmente publicado no O Estado de S.Paulo.
EcoDebate

China’s CDM market: Will Shanghai say goodbye to CERs? /// Energy Risk

Author: Lianna Brinded
Source: Energy Risk
03 Mar 2010

With China widely blamed for the failure of Copenhagen, some experts believe CDM investors could now shun the country in favour of India and Brazil, or that the EU may even take action again Chinese CDM certificates, creating a two-tier market. Lianna Brinded reports

The Climate Change conference in Copenhagen (COP15) rounded off 2009 on a sour note, following a lack of collective will to determine a binding agreement. Although, none of the 140 countries signed a much-talked about agreement, the blame for the de-railing of the Copenhagen talks was put mainly at the door of China.

Some analysts believe China may suffer a backlash as a result, with Clean Development Mechanism (CDM) project investors choosing to put their money into projects in countries that have a better green track record. The European Union may also take punitive measures intended to dilute China’s top slot in the CDM market in favour of other players such as India and Brazil, some analysts say. There is even talk that the EU could decide not to recognise certain Chinese CDM certificates (Certified Emissions Reductions – CERs) which would create a two-tier CDM market.

“China is no doubt the largest issuer of CERs on the market and some of its largest projects may be objected to by the EU in the future,” says Emmanuel Fages, head of market analysis at French emissions trading house Orbeo, when asked about whether the EU will be taking punitive measures on China following COP15. “Also, people may find that their portfolios are loaded with these kind of CERs and will be forced to diversify.”

Phase III (2012–2020) of the EU Emissions Trading Scheme (EU ETS) starts in less than two years and already analysts and law firms say this could be the turning point for the Chinese CDM market.

“CERs generated in Phase II can be carried over in Phase III up to 2020,” says Fages. “However, the issue now is what type of CERs will be eligible for the carry-over. The EU may force only CERs from certain countries to be eligible for compliance use in Phase III.”

If this were to happen, there would be glut of CERs left over that could not be used in the EU ETS system. This has caused a wave of concerns that a two-tier system may be implemented, leaving China out in the cold.

People are certainly upset with what has been seen as China’s lack of commitment at the Copenhagen talks.

“China behaved appallingly throughout the duration of COP15,” says William de Lucy, director at financial instrument trading house Amplify Trading. “Wen Jiabao, the Chinese premier representative at the conference, acted on two agendas. First, to limit the impact of any international agreement on China’s growth and second to make the point that they are to be respected and will not be coerced into deals under other nations agendas, especially that of the US and EU.”

If action, whether direct or indirect, were to be taken against China’s CDM market, it would certainly hurt the country and upset the existing balance in the CDM market. China is the largest supplier of CERs in the world, issuing 47.67% of all CERs, according to the United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). Analysts say China will make $8 billion by 2012 from the sale of all CERs it issues.

In addition, the latest data from the China’s National Development and Reform Commission shows the Chinese government has approved 42 new CDM projects, estimated to generate more than 3.7 million CERs, with 67% purchased by Western buyers from December 24 to January 19 alone.

Some people believe that drastic action against China is very unlikely. “Excluding China as a whole would have negative effects on the markets, the cost containment functions of the mechanism and the ultimate objective of the CDM – fostering technology transfer and reducing global emissions,” says Alexander Sarac, General Counsel – Carbon Transactions Associate Director EcoSecurities. “In terms of the climate change debate, it would make little sense to ban China CDM generated CERs from the EU ETS market.”

Alternatively, analysts say that indirect ways for the EU to curb China’s hold over the CERs market is by allowing only CERs generated from new CDM projects, in the least developed countries, which would of course exclude China.

Analysts say this could be the key. While a complete ban on Chinese CERs seems very unlikely, despite market rumours, it appears that the EU could take this more indirect approach to “throttling back” CERs from the major developing economies, says Vitelli. “I can fully understand why the EU now feels that the Chinese do not deserve the rewards from the EU ETS, but I do not see a change in the rules as likely, as member states still need the CERs from China to commit to their targets,” says De Lucy.

Diluting China’s presence in the CDM markets is another focal point. According to the UNFCCC, China is still expected to provide the largest amount of CERs in the market, with an average annual forecast of CERs from registered projects by host party at nearly 60%. India comes in second with nearly 12% (see figure 1).

However analysts say that the EU may start concentrating on other participants, such as Brazil, which currently has over 6% of the market and is in third place, by developing its technology transfer and investments into CDMs, in order to cool off the Chinese stronghold.


The COP15 cop-out
China was an easy target to blame for the failure of the Copenhagen talks, but many believe the US is equally culpable. US President Barack Obama took the opportunity late last year to openly criticise China in a speech on the country’s lack of commitment. But here lies the problem.

“It is like the chicken and the egg situation. The US won’t do any more, if China doesn’t do any more and vice versa. Under the UNFCCC, the US is a developed country and China is not, so therefore they are not ‘equals’,” says Alessandro Vitelli, director at independent advisory and strategy for carbon finance group IDEAcarbon.

“But this is an advantage for China, as it does not need to participate in mandatory emissions cuts. So why would China want to agree to this if nothing is happening from the US, who is under obligation to cut emissions [due to the US being a major emitter and a developed country].”

The US is an Annex 1 country and China is a non-Annex 1 country under the UNFCCC definition. Annex 1 countries mainly refer to developed nations and carbon emission limitations are only placed on these parties. However, non-Annex 1 refers to developing countries and these nations only participate in the Kyoto Protocol by investing in CDMs or Joint Implementation (JI) projects that earn them CERs. These CERs are subsequently sold onto Annex 1 countries, in order for them to fulfil their compliance obligations.

“If we look at the large political picture, what was clear was that the EU and UN were marginalised in Copenhagen,” says Bjarne Schieldrop, head commodities analyst at SEB Bank. “The US concentrated on large emitters like China and Brazil rather than a broad UN agreement.”

While many UNFCCC-defined ‘developed countries’ continue to focus on China to agree on a deal, analysts say its economic backdrop stops it from inking an agreement.

“The living standards for the majority of China’s population are below the world average and the per capita GDP is lagging behind that of other nations,” says Armand Cao, consulting analyst and Chinese CDM specialist at research consultancy Frost & Sullivan. “So for European countries to try to compel China to bear more obligation than its capability is unreasonable. The Chinese government and people can not afford it. Therefore, there is nothing wrong in China’s position.”

Analysts say combined with this and its awareness of how the EU ETS depends largely on its CER input, China holds political clout and is ‘confident’ it will not be left out of the EU ETS system.

One analyst who did not want to be named says: “China knows it’s the largest supplier in the market. However because of this, it knows it has an inseparable position in the CER market and the EU ETS will really lose out if it excludes them.”

China’s economy expanded 10.7% in the fourth quarter of 2009 from a year earlier, picking up from 9.1% growth in the third quarter and bringing full-year growth to 8.7%. Some analysts argue its exponential growth should allow it to be considered as an Annex 1 country.

And despite the argument that China is staying within its means as a developing country, analysts say that China could prevent the EU limiting, removing or cooling down its CDM development and market stronghold and therefore CERs, by agreeing to a deal.

“If the Chinese sign a legally binding agreement, it is likely that most of their CERs will be eligible post-2012,” says Fages. “However, if there is no bilateral agreement, certain CERs and certain CDM projects may be banned.”


Investment digression
While the lack of clarity over Phase III of the EU ETS is enough to make investors wary, China, which is the cornerstone of the CER market and depends heavily on Western money to develop projects, could see the fear of uncertainty suppress developing the market further.

“The wider issuer is not just the Chinese CDM market but CDM projects in general,” says Vitelli. “It will all depend on whether investment into new projects will still be flowing and whether CERs generated from these will be used as a compliance tool.”

Project specialists and analysts say that the fate of the Chinese CDM project will be more determined by the flow of investment, rather than by fears that the EU ETS will disallow a large number of China-generated CERs.

“We are going to see a major shift. I do see investments moving away from CDM projects and being diversified elsewhere, such as in renewable and sustainable energy with no reliance on carbon credit-based revenue,” says Richard Burrett, partner at environmental investment advisors Earth Capital Partners. “Financial capital is relatively fungible and can be earmarked to wherever delivers the best return.”

Burrett sees investors looking beyond the CDM and eyeing up forestry and renewable energy sectors for a more “sustainable” return.

According to a report by Bank of America Merrill Lynch, after years of sustained growth, 2009 saw companies cut back aggressively on spending to reduce carbon emissions, which means the offsets from CDM or JI offsets stalled last year. So to tackle this, some analysts say that China will find a way of seeking revenue elsewhere in the green sector.

“If China’s revenue from CERs is impacted in the long term, they will no doubt find others ways to broaden their emissions securities, like more development in renewable energy and finding other routes for technology transfers,” says Fages.

The future of the Chinese CDM still hangs in the balance.

If China does leave the CDM sphere, as the EU tries to promote CDM development in other countries, analysts predict project investments will flow into other countries and therefore other CDM projects, which would further dilute China’s market presence.

“If China leaves the market, other countries such as India, South Africa, will look to take up the market,” says Cao. “India is one of the biggest CER suppliers now, so it will take up the proportion where China leaves off. Without a mature market of their own, technology and adequate funding, emerging markets are a good helper for many countries developing CDMs to solve the problem of emission reduction.”

“Also, the governments of these countries encourage their companies to apply for CDM projects,” he adds.

The CER futures market price currently does not inspire much confidence in the long term.

CER future prices have taken a hit following COP15. The December 2010 CER futures contract, the most liquid on the market at the moment, traded at €11.78 per tonne of carbon dioxide equivalent (/tCO2e) at the time of going to press, and between €10.98 and €13.27/tCO2e during the month before Copenhagen.

The United Nations (UN) agency UNEP Risoe also cut by 5% its forecast for the total volume of CERs likely to be available up until the end of 2012 for the sixth time. The UN issued 123.4 million CERs in 2009, 11% less than the 137.9 million distributed in 2008 (see figure 2).

While China may have another fight on its hands to maintain its relative freedom in the CDM and therefore CER market placement, the country may be forced into a corner for a legally binding deal under the Kyoto Protocol. Although, a two-tier system has been discussed in the markets, this seems unlikely in the end.

The uncertainty of Phase III has only exacerbated the situation, but it could be the ticket for China to diversify its revenue base in the environmental arena and see it broaden into different sectors to maintain its rapid economic growth. And if China does take a step back from its CDM participation, it could pave the way for many other countries to develop and heavily contribute to the EU ETS system.

Goldman Sachs vê crescimento de 6,4% do Brasil em 2010 /// Reuters

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Goldman Sachs elevou a projeção de crescimento do Brasil para 6,4 por cento em 2010 ante previsão anterior de 5,8 por cento, de acordo com o economista-chefe da instituição, Jim O'Neill.

"Na sexta-feira, recebi um texto do Paulo Leme (economista do Goldman para mercados emergentes) e ele disse que queria revisar a nossa previsão para 6,4 por cento. Essa é a segunda mudança de projeção. Ele já me deve três jantares. No último outono, eu já falava em 7 por cento", afirmou O'Neill, no seminário "Uma agenda para os Brics".

O economista foi quem cunhou a sigla Bric, formada por Brasil, Rússia, Índia e China.

Na visão de O'Neill, o mundo hoje tem dois pilares: os Estados Unidos e os países do Bric. E, para, ele, o bloco, principalmente a China, tem um papel importante de compensar a perda de capacidade norte-americana de consumo e produção provocada pela crise.

De acordo com o economista, o Goldman estima crescimento de 11,4 por cento para a China, expansão de 8,2 por cento para a Índia e avanço de 4,5 por cento para a Rússia em 2010.

No mesmo evento, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou que não dúvidas de que o Brasil se encontra numa forte recuperação econômica, mas colocou dúvidas sobre a sustentabilidade do patamar de expansão.

"Fiquei satisfeito em ouvir essa projeção e tendo a achar que é possível que se chegue lá", disse a jornalistas. "Se isso é sustentável são outros quinhentos. Ano passado foi de crescimento nulo e é natural que este ano seja mais alto."

Fraga defendeu uma elevação na taxa de investimento e de poupança para que o país possa crescer a níveis mais elevados. "Precisamos investir a 23, 25 por cento do PIB. Isso vai exigir poupança, financiamento e capital de risco. É razoável esperar por isso daqui a cinco anos", afirmou.
O ex-presidente do BC acha que investimentos mais fortes em educação também poderiam ajudar o Brasil a alcançar um novo patamar de crescimento.


CÂMBIO CHINÊS
O'Neill e Fraga minimizaram as preocupações das economias desenvolvidas com o câmbio chinês e afirmaram que o iuan vai se valorizar naturalmente nos próximos anos. O'Neil relatou que passou alguns dias na China para conhecer melhor a economia local e concluiu que a moeda chinesa, depois de uma valorização de 20 por cento nos últimos cinco anos, chegou perto do valor justo.

"Não ajuda nada quando Bruxelas ou Washington fazem tanto ruído sobre a taxa de câmbio da China. Ela deve ser vista como boa para o povo chinês e não para ajudar Obama ou Bruxelas", alfinetou na palestra.

Fraga destacou que a China deve buscar ao longo do tempo fortalecer sua moeda e deixar de ter apenas como referência o dólar. "Em algum momento vai ser interesse deles deixar a moeda se fortalecer", disse.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

A Decada da Infraestrutura/// Revista Rodovias & Vias-Edição 42

Por que os próximos anos serão de grande crescimento da economia brasileira, e o período 2010-2019 será marcado como a Década da Infraestrutura?

Assim como China e Índia, o Brasil surpreendeu o mundo desenvolvido com sua capacidade de enfrentar a crise econômica mundial sem grandes solavancos. Para conseguir esse feito, foram preponderantes no Brasil o tamanho e a força de seu mercado interno e a solidez e regulação do sistema bancário.Esta recuperação surpreendente transformou o Brasil na coqueluche do mercado financeiro mundial. O país está sendo inundado com dólares de investidores internacionais, que estão de olho no potencial de crescimento do consumo dos brasileiros e no conseqüente crescimento da nossa economia. O fluxo é tão impressionante que exigiu medidas fiscais do governo federal para evitar que a valorização cambial dificulte nossas exportações e estimule exageradamente as importações, inviabilizando as empresas nacionais.
Em resumo, o período é tão virtuoso que pode colocar em risco nossa economia. Ironicamente, depois de décadas de escassez, temos agora problemas para administrar a abundância.

Maturidade

O Brasil vai atingir sua maturidade econômica na próxima década. É uma previsão com unanimidade nacional. Esse ciclo virtuoso iniciado timidamente em 1994 com o Plano Real, ampliado nesta primeira década dos anos 2000, e turbinado pela crise financeira internacional, dá ao país as condições objetivas ideais para um crescimento acelerado e sustentável.

Não faltam previsões otimistas sobre o futuro da nação brasileira, ancoradas em uma realidade que salta aos olhos. Ocupamos lugar de destaque como produtores mundiais de alimentos. Nossa matriz energética é a mais limpa dentre todas as nações populosas do planeta. Duas edições atrás, Rodovias&Vias tratou desse tema em matéria de capa (O Brasil sustentável – R&V nº 40), mostrando que 80% da energia elétrica gerada no país são de origem hídrica, ou seja, limpa e renovável. Somos auto-suficientes em petróleo, com grandes jazidas a serem exploradas, caso do pré-sal. Além de tudo isso, o Brasil é, entre os emergentes, o país mais confiável, estável politicamente e com marcos regulatórios bastante razoáveis.

Quem lê regularmente Rodovias&Vias sabe que em 2017 o Brasil poderá se tornar o maior produtor agrícola do mundo, superando a poderosa máquina de produzir grãos, os Estados Unidos. A previsão é da CNA, a Confederação Nacional da Agricultura (edição nº 38 – “O tamanho do agronegócio no Brasil”).

Somos hoje a oitava maior economia do mundo, e podemos chegar à quinta posição já em 2016.

O fato é que desde que Cabral ancorou sua Caravela em Porto Seguro no longínquo ano de 1500, estamos sendo finalmente descobertos pelo mundo desenvolvido. O país do futebol, do carnaval do Rio de Janeiro, da floresta amazônica, das Cataratas do Iguaçu, é agora cortejado como porto seguro para investimentos, o que nos dá perspectivas inimagináveis de desenvolvimento econômico e social.

Paradoxo

O mais interessante nesta perspectiva da próxima década é que esta Nação, que avança para a quinta posição entre as maiores economias do globo, temmuitos problemas estruturais para resolver. Alguns anos atrás isso seria apontado como um grande problema. Hoje, paradoxalmente, é solução e garantia de rápido crescimento em período de estagnação daqueles que não tem mais problemas estruturais a resolver.

No Brasil faltam rodovias e ferrovias para escoar nossa imensa produção agrícola. Portos e aeroportos estão no limite, clamando por reformas e ampliações.

Nossos rios não são navegados porque faltam dragagens e eclusas.

Nas cidades, ruas congestionadas e transporte coletivo à beira do caos exigem soluções modernas de transporte de massa como bondes, trens urbanos e metrôs. Há déficit na coleta e no tratamento de esgoto, falta drenagem urbana. Os escassos programas habitacionais nas duas últimas décadas geraram um monumental déficit por moradias. Sem falar que praticamente tudo o que existe na infraestrutura nacional precisa ser melhorado, ampliado e modernizado.

Dificuldades nunca faltaram. Havia falta de dinheiro e de políticas públicas. O país pobre foi acumulando problemas durante séculos, mas está agora no limiar de uma grande mudança que dará início a um círculo virtuoso, que vai impulsionar o desenvolvimento. O crescimento da economia faz a roda girar, gerando recursos para serem aplicados na infraestrutura. Surgem empregos e oportunidades e a economia se dinamiza, fica mais competitiva e gera mais excedentes que são canalizados para novas obras estruturantes. A economia se fortalece, gera mais empregos e renda, que voltam a engordar os cofres públicos. Instala-se um ciclo virtuoso que não tem mais fim, e que neste período pós-crise somente é possível em economias onde os investimentos públicos resultam em aumento da competitividade das empresas, gerando benefícios econômicos para toda a população. Um ciclo que os países desenvolvidos viveram há 80, 100 anos atrás.
Copa e Olimpíadas

Para coroar essa previsão temos ainda dois megaeventos programados para o Brasil, com grande visibilidade na mídia mundial, e que exigem pesados investimentos, a maior parte deles em infraestrutura.

A lista de exigências da FIFA para o mundial de futebol de 2014 é bastante extensa. Os estádios que abrigarão as partidas devem apresentar as mesmas condições de conforto e segurança dos seus equivalentes nos países desenvolvidos, inclusive com estacionamento e hospital nas imediações. Todos os assentos devem ser individuais e numerados, com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura. Banheiros limpos e em número suficiente, corredores de entrada e saída largos, além de tribunas de imprensa bem equipadas. As cidades-sedes terão que se preparar para a grande logística de hospedar 32 equipes e suas comitivas ao longo de um mês, mais o grande fluxo de torcedores desses países, que dependerão de transporte coletivo eficiente e rápido. A expectativa é de que num único mês venham ao país 500.000 turistas, além de 15.000 jornalistas.

Cálculos preliminares e bastante conservadores dão conta de um gasto de US$ 5 bilhões para organizar a Copa do Mundo no Brasil.

Para os jogos olímpicos de 2016, a previsão de investimentos é de 17 bilhões de dólares, concentrados em uma única cidade, o Rio de Janeiro.

Rótulos

Há uma tradição mundial e também de países, de rotular as décadas que ficam para trás. Os anos 80, por exemplo, foram registrados na história brasileira como “a década perdida”, porque o país cresceu muito pouco tanto do ponto de vista econômico como social. Relatório do BIRD, o Banco Mundial, aponta os anos 90 como “a década da pobreza” no mundo, denunciando que um bilhão e meio de pessoas em todo o planeta sobreviviam no início dos anos 2000 com renda de, no máximo, um dólar por dia. Estamos no fim da primeira década dos anos 2000, que não foi ainda rotulada, mas foi marcada por grande crescimento econômico na primeira metade, e por uma crise financeira que mudou o mundo, na segunda metade. Alguns falam na “década da sustentabilidade”, em razão das preocupações ambientais geradas pelo aquecimento global e o início das preocupações mundiais com a sustentabilidade do planeta. O que é certo, entretanto, é que a próxima década será, para os brasileiros, dedicada à infraestrutura.

PAC

Tudo isso dá a certeza de que a próxima década será a da infraestrutura. Os três últimos anos já prenunciam o que teremos pela frente. Rodovias&Vias vem registrando em todas as suas edições o que de mais importante ocorre com a infraestrutura nacional. E não faltam boas notícias. O PAC, apesar de ser uma espécie de grife do atual governo, é mesmo um assombroso repositório de investimentos públicos sem precedentes na história brasileira. Hidrovias, rodovias, aeroportos, refinarias, gasodutos, ferrovias, moradias, saneamento, linhas de distribuição de energia, transportes urbanos, e toda sorte de obras de infraestrutura estão contempladas no programa. Pela primeira vez no Brasil um plano plurianual de investimentos chega à cifra do “trilhão”, ainda que possa ser questionável e demasiadamente elástico.

O último balanço do PAC apresentado pela ministra Dilma Rousseff revelou que o programa já totaliza 33,3% de ações concluídas e 58% delas caminham em ritmo adequado. Menos de 9% das ações estão paradas ou com problemas de execução. Segundo a ministra, no período 2007-2010, os investimentos do PAC foram ampliados de R$ 504 bilhões para R$ 646 bilhões.

Situação ou oposição, o próximo governo a ser eleito em 2010 não poderá culpar o governo Lula de não ter um programa federal de investimentos em infraestrutura, com prioridades e valores.

Veja por que o Brasil precisa urgentemente investir em infraestrutura

Custos Logísticos – A fragilidade da infraestrutura brasileira faz com que os custos logísticos no país sejam praticamente o dobro dos Estados Unidos, por exemplo. O economista Luiz Antonio Fayet, consultor da CNA e especialista em logística diz que este é um grande dilema para o país, porque não se sabe até quando nossa economia poderá bancar os altos custos de logística, que variam bastante conforme a região do país. Esses custos estão na falta de ferrovias e hidrovias, nas rodovias esburacadas, nos portos públicos ineficientes e caros, na falta de integração dos modais. A última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes – CNT mostrou que 70% das rodovias brasileiras estão em estado irregular ou péssimo, de conservação.

Uma das virtudes do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento é alinhar estas necessidades, conferindo-lhes certa ordem de prioridade.

O objetivo é um só – reduzir o chamado “custo Brasil”, que um dia poderá inviabilizar nossa produção, especialmente a do campo, onde é muito pequena a diferença entre os custos de produção somados aos de logística, e o preço final de venda no mercado. Fayet cita como exemplo o valor pago pelo frete em relação ao que o agricultor recebe pelo produto. “Em 2007, um produtor de soja do município de Sorriso, Mato Grosso, recebia R$ 23 pela saca e gastava R$ 12 para levá-la até o porto, onde a carga é embarcada para o mercado internacional. Ou seja, o gasto com o escoamento representava mais de 50% do valor recebido pelo produtor, o que é um exagero”, afirma. Para ele, se a infraestrutura for melhorada, este custo logístico até o porto pode cair pela metade. “A diferença vai direto para o bolso do produtor rural”, diz o consultor da CNA. Fayet assegura que há deficiências em toda cadeia logística. “Problemas na infraestrutura portuária, rodoviária e hidroviária, são alguns dos obstáculos que prejudicam o escoamento da produção brasileira. A falta de terminais portuários encarece a cadeia logística. Fatores como as altas multas de navios em espera nos portos, o aumento do tempo nas estradas em função das más condições de conservação das rodovias, os fretes inflacionados, pesam na balança comercial brasileira e no bolso do produtor rural”, informa Fayet.

Problemas

Estudos da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), indicam que o país precisa de R$ 160,9 bilhões por ano em investimentos nos próximos cinco anos. O estudo mostra que o Brasil deveria investir anualmente R$ 28,3 bilhões em energia elétrica, R$ 75,3 bilhões em petróleo e gás natural, R$ 24,1 bilhões em transporte e logística, R$ 13,5 bilhões em saneamento básico e R$ 19,7 bilhões em telecomunicações. “Com o País crescendo a 4%, 5% ao ano, teremos problemas se esses investimentos não forem feitos”, diz Paulo Godói, superintendente da Abdib.
Para alertar sobre a situação dos portos brasileiros o empresário Eike Batista, dono da MMX Mineração recorre às comunicações. “Os portos brasileiros de hoje se parecem com a telefonia na época dos telefones de disco. Só que o mundo está muito à frente, trabalhando com a banda larga”, disse o megaempresário. Não é sem razão que Eike Batista faz essa crítica. Os portos brasileiros são, em sua maioria, públicos, obsoletos, mal administrados, dominados por sindicatos que em muitos casos se assemelham à máfia de Chicago do início do século passado, o que torna as operações lentas, complicadas e caras. O Porto de Santos, por exemplo, o maior do país, continua com as mesmas instalações de 30 anos atrás.

Gargalo

Por estas razões, o presidente do Banco Central Henrique Meirelles diz que os dois grandes desafios do Brasil são o gargalo em infraestrutura e falta de especialização da mão-de-obra para atender rapidamente o crescimento que se avizinha em todas as áreas da economia. O ministro da fazenda Guido Mantega vem afirmando que o investimento no Brasil deve crescer de 13 a 15% já em 2010. Ele reconhece que para o PIB do país crescer a taxas superiores a 5% ao ano é preciso investir pesado em infraestrutura e logística. Para ele, “essa nova fase de crescimento mais intenso da economia vai depender do mercado interno, mas dependerá, sobretudo, do dinamismo dos investimentos, que começam com as obras de infraestrutura do PAC, a exploração do pré-sal, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, e dos investimentos para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos”. Isto nos dá um horizonte de investimentos muito forte e que vai dinamizar a economia, garante o ministro.

link:
http://www2.rodoviasevias.com.br/revista/materias.php?edicao=Nacional 42&id=439&codigo=973037b012/2009

EMISSÃO DE NOVOS CERs PELA UNFCCC///Brasil mantém o terceiro lugar

As Nações Unidas registraram quatro novos projetos emitindo por volta de 800 mil créditos de carbono, no âmbito do MDL.

Os quatro projetos receberam seus certificados na semana de 22-29 dezembro, de acordo com os dados fornecidos pelo site do UNFCCC.
Três destes projetos são do tipo desenvolvidos para Hidroelétricas e localizados na China;o quarto Projeto é brasileiro e refere-se á manejo de dejetos de suínos, contemplando o corte de emissões do gás Metano e de Oxido Nitroso.

O maior dos quatro projetos pertence á empresa chinesa Hunan Zhongfang Tongwan Water Resources & Hydropower Development Co e recebeu a emissão de 450.000 CERs.
A empresa de origem sueca Sweden´s Carbon Asset Management é tida como a compradora dos créditos dos três projetos de Hidro .

No período compreendido entre o dia 30 de dezembro até hoje, 04 de janeiro, foram emitidos CERs referentes a mais 24 projetos, alguns deles já registrados no passado, mas com período de emissão de CERs nesta data.

Por exemplo o projeto gigante da Rhodia, que reduz No2, apenas neste exercício recebeu a emissão de 855.346 CERs ( também já comercializados no passado).
Neste perfil seguem outros projetos menores da Ag Cert na linha da redução de gás metano pelo manuseio adequado de dejetos suínos.

Desta forma neste período de 30/dez-09 até 04 /jan -2010 o resumo de emissões de CERs pela UNFCCC é a seguinte:
China: 1.430.212 CERs
Índia : 1.230.518 CERs
Brasil: 1.071.695 CERs

Hoje, 04 de janeiro, já são 365.516.758 CERs emitidos em 1445 operações
















Maiores informações no link: http://cdm.unfccc.int/Issuance/cers_iss.html?s=20

Fonte: UNFCCC ; PointCarbon

Informação & Conhecimento