Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)

Bacia Amazônica é responsável por 4 a 5% das emissões de metano no mundo

A bacia amazônica é responsável por 4% a 5% das emissões de metano (CH4) — um dos gases do efeito estufa — em todo o mundo. O dado faz parte de pesquisa do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), entidade associada à USP, que determinou a emissão de metano entre os anos de 2010 e 2013, a partir da coleta de amostras de ar em quatro pontos da região, feita em aviões de pequeno porte. O trabalho da bióloga Luana Santamaria Basso aponta também que o manejo de rebanhos é responsável por 19%, em média, das emissões estimadas para cada um dos locais de estudo, enquanto a queima de biomassa contribui com 8% a 10% da emissão estimada para a área da amazônia brasileira.
O estudo, descrito em tese de doutorado apresentada no Ipen, fez parte de um grande projeto de pesquisa que tem como objetivo entender e determinar as emissões dos principais gases do efeito estufa da Amazônia. “Foram realizadas coletas em quatro localidades distribuídas na Amazônia Brasileira, formando um grande quadrante representando toda a Bacia, próximos às cidades de Santarém (Pará), Alta Floresta (Mato Grosso), Rio Branco (Acre) e Tabatinga (Amazonas)”, conta Luana. “Os estudos procuram observar como a amazônia contribui e quais são os processos que interferem nestas emissões, de modo a compreender como a região pode responder às futuras alterações climáticas”. O trabalho foi orientado pela professora Luciana Vanni Gatti, coordenadora do projeto no Laboratório de Química Atmosférica (LQA) do Ipen.
Na pesquisa foram realizados perfis verticais para as coletas de ar, utilizando aviões de pequeno porte, desde aproximadamente 300 metros (m) da superficie até 4,4 quilômetros (km), nos quatro locais de estudo na amazônia. “Foram realizados quatro anos de medidas continuas em escala regional, quinzenalmente, totalizando 293 perfis verticais realizados”, conta a pesquisadora. “Os perfis verticais são realizados tendo como base um plano de voo, preparado previamente, que indica para o piloto a localização e em quais altitudes devem ser feitas as coletas”.
A coleta tem inicio no ponto mais alto e desce em uma trajetória helicoidal de aproximadamente 5 km de diâmetro. “Os quatro anos de estudo mostraram que a Amazônia atua como uma importante fonte de metano, com uma emissão de 25,4 Teragramas (Tg) por ano”, aponta Luana. “Isso representa de 4% a 5% da emissão global, considerando a área da amazônia brasileira, que é de 4,2 milhões de quilômetros quadrados”.
Origem Antrópica
“Atualmente existem poucos estudos realizados sobre a emissão de metano na Amazônia”, diz a pesquisadora. Para estimar algumas contribuições de atividades humanas nas emissões observadas na pesquisa, realizou-se alguns estudos complementares. “Hoje, cerca de 60% das emissões globais de metano são de origem antrópica, ou seja, relacionada com atividades humanas, como por exemplo a criação de rebanhos de animais que emitem metano a partir da fermentação entérica, as queimadas, o cultivo de arroz, entre outras”.
O monóxido de carbono (CO), que foi quantificado na mesma amostra de ar coletada nos locais estudados, foi usado para estimar qual a contribuição da queima de biomassa nas emissões de metano. “Os resultados mostraram que a queima representara entre 8% e 10% da emissão total estimada para a amazônia brasileira”, ressalta Luana. Também foi realizada uma estimativa das emissões provenientes da fermentação entérica e do manejo dos dejetos dos rebanhos de animais ruminantes. “Elas representam em média 19% da emissão de metano estimada para cada local estudado”.
Durante os quatro anos do estudo, foi possível observar uma variação anual das emissões, indicando uma relação com as variações climáticas, como por exemplo a variação da precipitação e de temperatura. “Os resultados obtidos ressaltam a importância da realização de estudos de longa duração, durante períodos de dez anos, por exemplo”, afirma a pesquisadora. “A comparação destes resultados com dados de temperatura, precipitação, número de focos de queimada, dentre outros, ajudarão a obter um melhor entendimento das fontes de metano e também da variabilidade em suas emissões ao longo dos anos, que atualmente não é completamente compreendida”.
Segundo Luana, os perfis de avião mostram a resultante de todos os processos que ocorreram desde a costa brasileira até o local da coleta, mostrando a região Amazônica como um todo, mas não permitem entender exatamente todas as fontes, sumidouros e os fatores que influenciam nestes processos. “Para isto são necessários estudos complementares que mostrem mais detalhadamente o funcionamento de cada compartimento da floresta, por exemplo das áreas alagáveis, dos rios, etc”, aponta. “Os resultados mostraram variações anuais nas emissões, porém é necessário mais tempo de estudo, em torno de dez anos, para poder considerar estas variações e observar uma tendência de aumento ao longo dos anos”.
* Publicado originalmente no site Agência USP.

THE CRASH OF A TITAN - THE ECONOMIST

IT IS easy for a visitor to Rio to feel that nothing is amiss in Brazil. The middle classes certainly know how to live: with Copacabana and Ipanema just minutes from the main business districts a game of volleyball or a surf starts the day. Hedge-fund offices look out over botanical gardens and up to verdant mountains. But stray from comfortable districts and the sheen fades quickly. Favelas plagued by poverty and violence cling to the foothills. So it is with Brazil’s economy: the harder you stare, the worse it looks.   

Brazil has seen sharp ups and downs in the past 25 years. In the early 1990s inflation rose above 2,000%; it was only banished when a new currency was introduced in 1994. By the turn of the century Brazil’s deficits had mired it in debt, forcing an IMF rescue in 2002. But then the woes vanished. Brazil became a titan of growth, expanding at 4% a year between 2002 and 2008 as exports of iron, oil and sugar boomed and domestic consumption gave an additional kick. Now Brazil is back in trouble. Growth has averaged just 1.3% over the past four years. A poll of 100 economists conducted by the Central Bank of Brazil suggests a 0.5% contraction this year followed by 1.5% growth in 2016.


full article here:
://www.economist.com/news/finance-and-economics/21645248-brazils-fiscal-and-monetary-levers-are-jammed-result-it-risks-getting-stuck

B-School Lessons: The Power of Humility

 

Posted by: on July 31, 2013
 
Why is it we often have to lose someone in order to appreciate that person’s contribution to society? A family friend recently passed away. As I reflect on the loss to his family and to those of us who had the pleasure of knowing him, I was thinking of what it was that made him such a special person. I’d like to share a few of these thoughts with you as many of you begin your careers or start business school.

One of the things I have learned through my career is that if you treat others well, they will respect you and perform well for the organization. Treating people with dignity and respect is a no-brainer, yet so many people have a hard time doing this. As they head out into the world, business school graduates should model the best behaviors they’ve experienced. Being a “gentleman” (like my friend) is perceived today as being old fashioned, but these are words that we shouldn’t lose from our vocabulary. You will be respected and remembered if you behave with class and in a way that makes each individual you work with feel important and valued. With my friend, I always felt as if I were the only one in the room speaking with him.

As accomplished as my friend was, he was an incredibly humble individual. He always seemed to be more interested in what you had accomplished than in sharing his own achievements. Although he had earned a very senior level in a major corporation, I had to dig to find that out. I am sure he wasn’t aware that he came across as such a humble man, but he did.

There are a lot of things you will accomplish and accolades you will receive both in business school and in your career. It is easy to let those words and the emotion go to your head. My advice is to enjoy the moment, but do not lose sight of the fact that you are an individual who has accomplished much among a very elite group of other individuals who are equally accomplished.
In life, we are each just one member of the team. In the sport of crew, every person on the shell must work equally hard in order to win as a team. Coxswains motivate the team, but each person in that shell must work in sync in order for the team to do well. My friend taught me that during our career, we move between coxswain and rower. The most successful rowing teams are filled with people who recognize the value of each person.

As you start business school or your first job post-MBA, remember: You’re part of the team. Treat others well and remember who you are. If so, you will go far.
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Mitigation or Adaptation? Lessons from Abolition in the Battle Over Climate Policy // MIT Sloan Management Review

Both mitigation and adaptation are needed to address climate change risks, says MIT professor John Sterman. We have the ingenuity to successfully tackle this complex issue, and lessons from the past to guide us.

Prof. John Sterman

What’s the best way to address the risks of climate change? Mitigation or adaptation? Should the world cut greenhouse gas emissions to lower the risks of harm from climate change (mitigation), or should we just get used to it (adaptation), spending to build seawalls, move populations inland, and figure out how to grow food for more than 9 billion people in a world of higher temperatures, droughts, and extreme weather?

Many people, including some I greatly respect, have lately argued that advocacy for mitigation isn’t working, so we should shift to advocacy for adaptation. They say that’s where the interest is after Superstorm Sandy, that’s how to get people engaged, and that’s where the money is. The frustration of climate activists around mitigation is understandable. The failure of the 2009 Copenhagen climate conference was deeply discouraging, and since then the international negotiations have stalled. Total pledges for emissions reductions under the UNFCCC’s (United Nations Framework Convention on Climate Change) voluntary system, even if fully implemented, are nowhere near enough. With gridlock in the U.S. Congress and the erosion of climate commitments in other nations, more and more people are giving up on mitigation.

Of course, adaptation is necessary. We’ve already warmed the climate about 1.4 °F (0.8 °C) over preindustrial levels. Global CO₂ emissions have reached new records every year since 2009. In May, atmospheric CO₂ hit 400 ppm for the first time in human history. We are dumping CO₂ into the atmosphere about twice as fast as nature can remove it. Even with the best imaginable policies, the climate will keep changing for decades, and sea level will keep rising for centuries. Adaptation is necessary.

However, adaptation without mitigation is futile. Since Sandy, the focus has been on updating flood maps and building sea walls. But sea walls are the Maginot line of climate change. Sea walls won’t help with ocean acidification, water shortage, drought, more frequent and more dangerous wildfires, declines in agricultural output, and the many other impacts of climate change, not to mention the climate refugees and risks of war those impacts create. However, when we point out that there’s no adapting to the changes in the climate we are facing if we don’t cut emissions dramatically, some adaptation advocates say, “yes, but if we can convene people around adaptation, they’ll soon see its limitations and will end up strongly advocating mitigation as part of their local adaptation plan.”

I’m deeply skeptical. It is more likely that the current push for adaptation will consume all the resources, energy and attention around climate change, so mitigation won’t be considered, or will become an afterthought. New York City just released its $20 billion climate resilience plan. The plan focuses on adaptation, and pays no attention to reducing the greenhouse gas emissions that create the need for adaptation in the first place.

 Nearly 50 mayors and other local leaders just signed on to the new Resilient Communities for America Agreement (RC4A), pledging to invest in adaptation and urging “state and federal leaders to support our local resilience initiatives and to take meaningful steps to build resilience and security throughout the nation.” There are potential synergies between adaptation and mitigation, and these should be exploited. For example, the RC4A recognizes that investments in emissions reductions can “avoid the costs of adapting to more severe climate impacts.” But the focus is on hardening local infrastructure and preparing for more extreme events, not mitigation, especially not at the level of national policy or international agreements.

Unfortunately, spending on sea walls, beach nourishment, hardening infrastructure, and other adaptation measures consumes resources that could be spent on mitigation. And adaptation doesn’t do anything to capture the harmful externalities of greenhouse gas emissions by, for example, pricing carbon at its true cost. Without mitigation, incentives to invest in efficiency and renewable, low-carbon energy are weak. Worse, adaptation measures are likely to ease the pressure people feel to price greenhouse gas emissions or cut emissions through moral hazard and moral licensing effects. When people have subsidized flood insurance or believe the government will bail them out after a disaster, they are more likely to build in the danger zone and less willing to reduce their risk. Similarly, if people believe adaptation protects them from the risks of rising seas or more severe storms, they may be less willing to cut their personal carbon footprint or work for policies that would reduce emissions.

But can we do it? Can we cut emissions? Can we create an energy system and economy that works, sustainably, for everyone? Technologically, the answer is yes. Those who say we don’t have the technology, that clean, renewable energy is too expensive, that building a sustainable economy isn’t possible. Efficiency, wind, solar and other renewable, low-carbon technologies are getting cheaper every day. Many actions to reduce emissions are profitable today, with ready-to-go, off-the-shelf technologies. If fossil fuel prices reflected the true costs of the emissions they create, then even more technologies for mitigation would be cost effective today.

But can we build the public support for policies, from individual communities to the nation to the world as a whole, that will create incentives for innovation, speed the scale up of new technologies, and realize the potential for emissions reductions? I’m constantly told it’s naïve to keep working for mitigation, that there’s no chance for national or international policy to cut emissions, that we will never get anything through the Congress — and forget about agreements with China, India, and other developing nations.

I say stranger and more amazing things have happened, and in my lifetime. During the Cold War, few people on either side believed they would live to see the Berlin Wall come down. And yet it fell. Few believed they would live to see the end of apartheid in South Africa. And yet it ended, peacefully. Few believed they would live to see an end to the violence in Northern Ireland. And yet there is calm in that troubled land today. I am sure you can think of other transformations that have made the world a better place, changes that were once considered impossible.

We should take heart from those who worked to end slavery and the slave trade. Some scholars estimate that as recently as the late 18th century, three-quarters of all the people in the world were held in some form of bondage, from those taken as outright slaves to indentured servants, debt slaves, serfs, or women sold into prostitution or arranged marriages against their will.
Slavery was normal. Slavery was routine. There was slavery in Europe. There was slavery in Asia. Native Americans had slaves. Africans had slaves. The Bible, both Old and New Testaments, condones slavery. The Greeks had slaves even as they created democracy. Slavery had always existed, and few doubted that it always would.

In Great Britain, the slave trade thrived. Millions of Africans were taken as slaves to the New World; many toiled and died in the cane fields of the West Indies producing sugar, molasses and rum. The profits from slave labor were used to pay for the goods shipped to West Africa, which were exchanged for still more slaves in Africa via the infamous triangle trade.
Just as with our dependence on fossil fuels, an odious and noxious industry was a linchpin of the economy. Many believed prosperity depended on it, a sentiment captured by slave merchant, James Houston, who wrote “What a glorious and advantageous trade this is…. It is the hinge on which all the trade of this globe moves.”

At the beginning, only a few seriously worked to end slavery and the slave trade. The Quakers had long opposed it. Other joined the movement, including Thomas Clarkson, who abandoned a promising career to devote his life to abolition, John Newton, the slaver-turned-minister who wrote “Amazing Grace,” the ex-slave Olaudah Equiano, the politician William Wilberforce, and many others.

They faced years of indifference, yet worked tirelessly to raise public awareness and build support for their cause. It took years to gather enough support to bring a bill banning the slave trade before Parliament. Slavers and planters greenwashed, lobbied and bribed. The abolitionists lost. A year later they lost a second vote. Did they say, “Slavery has always existed and it always will. Parliament will never pass this law”? Did they say, “We must turn to adaptation. Let us work to improve the conditions on slave ships. Let us work to keep slave owners from beating and raping their slaves.”?
They did not. They did not erode their goals. They kept their eyes on the prize. They redoubled their efforts. And they prevailed. An institution that had always existed, that people believed would always exist, that was believed to be essential to prosperity, ceased to exist. The British economy did not collapse. Abolition spread to other nations.

Of course the struggle for human rights continues. We have much yet to do. But the lesson for climate activists is clear. We can do it.
We can do it. But will we?
Change is not inevitable. The policies needed to stimulate innovation, cut emissions, and build a sustainable, prosperous economy will not just happen.

The Obama administration just announced its new climate policy plan. With gridlock in the Congress, the program centers on administrative actions such as rules governing greenhouse emissions from new power plants. But just because the administration has the authority, affirmed by the Supreme Court in 2007, to regulate CO₂ as a pollutant, don’t imagine that this announcement of new policies constitutes victory. Those with vested interests in fossil fuels will oppose these policies with every tactic at their disposal. The policies could be tied up in litigation, overridden by Congress, or weakened by the administration itself, delaying or preventing implementation.

The road to victory will be long. It requires that we work to overcome the counter-reaction so that the administration’s forthcoming proposals are implemented. It requires that we work for adaptation and mitigation, without falling for the lie that adaptation is enough. It requires that we build on these initial steps to implement even stronger policies, in the United States and around the world. Victory will come only if we get involved. Join any of the hundreds of groups, left, right, and center, working for rational policy to cut emissions, create jobs, and build a sustainable economy, from 350.org to the Citizens Climate Lobby, to ConservAmerica (formerly Republicans for Environmental Protection), to Environmental Entrepreneurs, to Mothers Out Front, among many others.

We must create the change we need by cutting our personal carbon footprints. We must create the change we need by demanding that our elected representatives put a price on carbon, so that we pay the true costs of the fossil fuels we use. If our leaders don’t act, we must create the change we need by electing new leaders who will. We can do it. We’ve done harder things before. But we have to act, now.

Programa reduz em 20% consumo de álcool entre adolescentes

 

04/07/2013
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Pesquisadores australianos conseguiram reduzir em 20% o consumo de álcool entre adolescentes por meio de um programa que busca conscientizar os jovens, de forma lúdica e sintonizada com a sua realidade, sobre os riscos associados ao excesso de bebida. A metodologia está sendo adaptada para as escolas brasileiras por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo Ana Regina Noto, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Saúde e Uso de Substâncias (Nepsis) do Departamento de Psicobiologia da Unifesp, a ideia de desenvolver a versão brasileira do School Health and Alcohol Harm Reduction Project (SHAHRP), implantado com sucesso na Austrália, surgiu após a conclusão de uma pesquisa de seu grupo, divulgada em 2010, que revelou índices alarmantes de consumo de álcool entre alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental.

De acordo com o levantamento, 40% dos 5.226 entrevistados de escolas privadas paulistanas haviam bebido no mês anterior ao questionário – sendo que 33% em um padrão considerado nocivo e conhecido como binge – quatro ou mais unidades de álcool para mulheres e cinco ou mais para homens em uma única ocasião.

“O que esse projeto tem de diferente é o fato de apostar na capacidade do adolescente de fazer escolhas mais seguras quando estimulado a isso. O programa incentiva o estudante a tirar suas próprias conclusões em vez de simplesmente tentar ensiná-lo a dizer ‘não’ como uma opção predefinida. Talvez por esse motivo, o SHAHRP apresenta melhores resultados quando comparado a muitos outros do gênero”, disse Noto.

Com base em evidências científicas, acrescentou Noto, o programa parte do pressuposto de que situações de uso de álcool entre adolescente ocorrem – muitas vezes com a anuência da família –, embora a venda de bebida para menores de 18 anos seja proibida por lei. “Por esse motivo, é preciso abrir espaço de conversa sobre essas situações”, disse.

“Pesquisas anteriores mostraram que as abordagens baseadas simplesmente em convencer o jovem a não beber eram falhas. Muitas vezes tinham até impacto negativo, causando aumento do consumo em vez de redução. Decidimos tentar algo diferente”, contou Nyanda McBride, pesquisadora do National Drug Research Institute, da Austrália, e uma das idealizadoras do SHAHRP.
Antes de desenvolver a metodologia, McBride entrevistou professores e especialistas em prevenção e conversou com os estudantes. O objetivo era conhecer onde, como e com quem eles costumavam ingerir álcool, bem como as situações de risco às quais estavam expostos.
“Se vocês nos disserem para não beber vamos simplesmente desligar nossos ouvidos, pois não é assim que queremos viver nossa vida, nos avisaram os jovens”, disse a pesquisadora australiana à Agência FAPESP.

McBride então desenvolveu uma estratégia de intervenção para ser aplicada nas escolas dividida em duas fases. Na primeira, voltada para estudantes de 12 a 13 anos que começam a ter contato com álcool, eram realizadas oito sessões de uma hora cada. A segunda fase, aplicada um ano depois, contava com quatro sessões de uma hora.
Além de passar informações, a missão dos professores era ajudar os jovens, por meio de jogos e atividades interativas, a desenvolver suas próprias estratégias para reduzir os riscos associados ao consumo de álcool. A metodologia foi aplicada num grupo de aproximadamente 2,5 mil estudantes. Metade fazia parte do grupo controle e foi submetida a um programa regular de prevenção de drogas.
Posteriormente, os jovens foram acompanhados por 32 meses e foram avaliados seus conhecimentos e atitudes relacionados ao álcool, a quantidade total de bebida ingerida, o padrão de consumo e os danos que eles haviam sofrido.

O consumo total de álcool no grupo que recebeu a intervenção foi 20% menor quando comparado ao controle. Além disso, o consumo no padrão binge nesse grupo foi 19,5% menor. Os jovens apresentaram um conhecimento relacionado ao álcool 10% maior e vivenciaram 33% menos danos relacionados a questões sexuais, violência, problemas com a lei, a família ou a escola.
“Continuamos medindo um ano após o término do programa e observamos que o impacto comportamental havia se mantido. A metodologia foi replicada em escolas na Irlanda do Norte com resultados muito semelhantes. Uma das chaves principais é a inclusão das experiências reais dos jovens participantes. Nosso objetivo é tornar essas experiências mais seguras”, contou McBride.

Processo de adaptação
A adaptação do SHAHRP para a realidade brasileira está sendo feita durante o doutorado de Tatiana de Castro Amato, com Bolsa da FAPESP, e sob a orientação de Noto, que também conta com um Auxílio à Pesquisa – Regular.
“Temos feito entrevistas com adolescentes desde 2012 e também com professores e coordenadores pedagógicos para conhecer a percepção que tinham sobre o consumo de álcool, os problemas associados e também para tentar definir qual seria a carga horária ideal e o professor mais indicado para realizar as atividades em sala”, contou Noto.

Uma primeira versão brasileira do programa – dividida em oito sessões de uma hora cada – foi elaborada e está sendo aplicada de forma piloto em quatro escolas particulares, sendo três na capital e uma no interior. Outras quatro escolas estão participando como grupo controle.
“Nas primeiras sessões são oferecidas informações, mas com muito convite à reflexão. Da metade do programa em diante são apresentadas situações de risco e os adolescentes têm de elaborar estratégias para lidar com os problemas”, disse Noto.

A faixa etária de 12 a 13 anos foi escolhida porque estudos epidemiológicos brasileiros indicam que é nessa idade que ocorre o primeiro contato com o álcool. “O consumo nessa faixa ainda é baixo, mas há uma tendência natural de aumento com o avanço da idade. Esperamos que o grupo que recebe a intervenção apresente menor consumo após seis e 12 meses, quando comparado ao grupo de controle”, disse Noto.
De acordo com a pesquisadora, foram inicialmente selecionadas escolas particulares porque, de acordo com as evidências científicas, quanto maior é o poder aquisitivo do jovem, maior é o consumo de álcool.

“O programa tem sido bem recebido pelos estudantes e algumas escolas já pensam em incorporá-lo ao currículo definitivamente. Também temos um convite para fazer uma adaptação para as escolas públicas de Minas Gerais e, no futuro, vamos tentar aplicar em São Paulo para jovens de outros contextos”, contou.

Introduction: An Opportunity on the Immediate Horizon // MIT Sloan Mgmt Review

Introduction: An Opportunity on the Immediate Horizon

This is part 1 of 6 from the 2013 Social Business Global Executive Study and Research Project.
In an interview for this year’s social business report, Gerald Kane, professor at the Carroll School of Management at Boston College, succinctly characterized where social business stands today: “Any new technology experiences a faddish hype cycle where people adopt it because they feel they have to,” he says. “With social, we are passing the peak of faddishness. Companies are starting to crack social’s code and turning to it for business advantage, intelligence and insight.”

In this second annual report from the MIT Sloan Management Review and Deloitte Social Business Study,1 we probed executives’ views of the social business opportunity and how companies are harnessing its value. The study included 2,545 respondents from 25 industries and 99 countries. It also incorporated interviews with nearly three dozen executives and social business thought leaders.
Echoing Kane’s observation, a key finding of the research is the rapid growth in importance of social to business. In 2011’s survey, 18% of respondents said it was “important today.” One year later, the number doubled to 36%. The time horizon of its importance is also shrinking. In last year’s report, 40% of respondents agreed that social would be important one year from now. In 2012, the number jumped to 54% (see Figure 1).

More Industries Are Getting On Board

The immediacy of the social business opportunity is growing across industries, another indicator of its move from faddish hype to business value. Between last year’s study and this year’s, respondents from all industry sectors increased the value they place on social business. None remained at the same level. None reversed course (see Figure 2).

While Media (entertainment, media and publishing) and Tech (IT and technology) continue to lead all industry sectors in the importance they assign to social business, other sectors demonstrated a marked increase in the value of social business. Of particular note is the Energy and Utilities sector.

The number of managers in this sector who feel social is important surged from 7.1% to 29% from last year. Of the multiple factors driving the growth, this sector’s increasing efforts to engage with customers is the most significant. Pike Research estimates 57 million customers worldwide used social media to engage with utilities in 2011. Pike projects that number will jump more than 10-fold to 624 million by the end of 2017.2 While utilities currently use social media to resolve billing issues and provide information on services, they are expanding social media use to include crisis/outage communication, customer education (for example, information on recycling, renewable energy and energy efficiency), customer service, green energy promotion, branding and recruitment. Utilities are beginning to see the value of social listening to keep abreast of consumers’ interests. This is especially the case as new types of competitors enter the market, including solar power and energy management providers.

Market Drivers

Business leaders are keenly aware that social is becoming a primary tool that people use to share information and create knowledge. The consumerization of technology is making everything from tablets to smart phones as popular inside the enterprise as they are outside its walls. In addition, companies want their brands to be where their customers are — and where competitors already might be.

Social business is capturing significant business attention. McKinsey, for example, reported that social can create as much as $1.3 trillion in value in the four business sectors it examined (consumer package goods, consumer financial services, professional services and advanced manufacturing).3 Suppliers are covering all bases from marketing to social enterprise networking. In the social marketing software market, which includes a wide range of vendors from established players like Adobe, Lithium and Salesforce.com to a multitude of startups, Forrester predicts that the landscape “will look dramatically different in two years.” Leading vendors will partner and merge, and stragglers will be “swallowed or trampled by larger players from outside the social space.”4 In the enterprise collaboration software market, Gartner recently announced its revenue projection for team collaboration platforms and enterprise social software — $2 billion by 2016, with a notable five-year compound annual growth rate of 16.1%.5

But perhaps the strongest harbinger of social’s growth is the closing generation gap. “It’s not just young people or Millennials,” says Bill Ingram, vice president of analytics and social at Adobe. “It’s everyone, including grandparents who want to follow how their children and grandchildren are growing up.” Deloitte’s seventh annual State of the Media Democracy survey put hard numbers to the closing gap. The survey found that both Generation X and Baby Boomers see increasing value in social media: 81% of Generation X respondents and 70% of Baby Boomers see it as a powerful tool to interact with friends. And both generations have jumped on the texting bandwagon: nearly 80% of Generation Xers and nearly 60% of Baby Boomers see social networking sites, instant messaging and texting as an effective means to stay in touch.6 As the generation gap closes, businesses will find all age groups prepared to embrace social technologies.

Struggles With Social Business

Although the recognition of social’s importance is mounting, progress towards becoming a social business isn’t. The majority of companies we surveyed appear to be stuck in first gear. Our study found three major culprits holding back progress: lack of an overall strategy (28% of respondents), too many competing priorities (26%), and lack of a proven business case or strong value proposition (21%). Left unaddressed, these barriers can lead to daunting odds. Gartner estimates that 80% of social business projects between now and 2015 will yield disappointing results because of a lack of leadership support and a narrow view of social as a technology rather than a business driver.7
Nonetheless, some companies are poised to beat the odds. But they aren’t likely to beat them with one-size-fits-all enterprise transformations. Instead, businesses that assess themselves as more socially mature are building momentum by applying social tools and technologies to specific business challenges and assessing the impact. “Social is not an app nor a layer,” says J.P. Rangaswami, chief scientist at Salesforce.com. “Social is a philosophy and way of life that empowers customers and users.”
In this report, we delve into how some companies are bringing that philosophy to ground level — and what is holding others back.

Contabilidade Ambiental Nacional, artigo de Antonio Silvio Hendges // ECODEBATE

gestão ambiental

[EcoDebate] A contabilidade é essencial às instituições e empreendimentos econômicos: demonstra as transformações e necessidades pelas quais passam ao exercerem suas atividades. O objetivo básico da contabilidade é fornecer aos seus usuários internos e/ou externos um sistema ordenado de informações e avaliações econômicas e financeiras que facilitem as decisões administrativas e os investimentos necessários à continuidade das atividades. As ciências contábeis têm diversos postulados, princípios e convenções que garantem uma estrutura adequada e confiável dos lançamentos e da escrituração necessária e/ou legal exigida.
Contabilidade ambiental são as informações econômicas e financeiras sobre as ações de gestão ambiental de uma determinada entidade que modificam o seu patrimônio, constituindo-se em uma especialização das ciências contábeis. Os problemas relacionados à gestão ambiental e responsabilidades legais das empresas, principalmente a partir do início dos anos 1990, passaram a requerer informações ordenadas e mensuráveis dos custos, despesas, investimentos realizados e resultados econômicos decorrentes da boa ou má gestão ambiental. Neste sentido, diversos procedimentos da metodologia contábil foram aprimorados para apresentarem os relatórios de forma que possam contribuir para as necessidades de informações, análises e decisões dos gestores quanto aos aspectos econômicos e financeiros das relações das entidades com o meio ambiente.

A contabilidade ambiental pode ser dividida em três tipologias básicas, dependendo dos usos pretendidos: contabilidade ambiental nacional, contabilidade ambiental gerencial e contabilidade ambiental financeira. Neste artigo será abordada a contabilidade ambiental nacional que está relacionada com todas as atividades que impactam o meio ambiente no país. No quadro abaixo estão resumidos os enfoques e os usuários internos e externos das informações:
TIPOLOGIAENFOQUEUSUÁRIOS (Público alvo)
Contabilidade Ambiental NacionalTodas as atividades realizadas no país que causam impactos ambientais que precisam ser considerados no planejamento de ações e na elaboração de legislação adequada, não há especificidade.As informações são direcionadas principalmente aos usuários externos (órgãos internacionais, bancos, investidores, ONU, etc).
Contabilidade Ambiental GerencialEmpresas, departamentos, sistemas ou linhas de produção.As informações são dirigidas principalmente aos usuários internos (diretores, gerentes, chefias de produção, etc).
Contabilidade Ambiental FinanceiraConjunto de atividades da empresa ou empreendimento.As informações são dirigidas principalmente aos usuários externos (partes interessadas: acionistas, investidores, consumidores, sociedade civil organizada, órgãos governamentais).
Tabela 1 – Tipologias, enfoques e usuários da contabilidade ambiental.
A contabilidade ambiental nacional é utilizada para subsidiar os indicadores utilizados na avaliação e acompanhamento das políticas ambientais macroeconômicas relacionadas, tais como controle e utilização dos recursos hídricos, do solo, das florestas e dos minérios entre outras atividades. As variáveis ambientais contábeis de um país não são utilizadas somente para apresentar resultados econômicos, é principalmente um instrumento indispensável de planejamento e gestão dos recursos naturais disponíveis.

Os relatórios relacionados à contabilidade ambiental nacional permitem o planejamento de decisões políticas e técnicas estratégicas com relação ao meio ambiente: concessões de explorações minerais, percentuais de desmatamentos permitidos, instalação de usinas para geração de energia, gasodutos, construção de estradas, ferrovias, portos, aeroportos e terminais de carga/descarga e todas as obras de infra estrutura indispensáveis ao desenvolvimento que deve ser sustentado e com os menores impactos possíveis sobre as áreas e suas populações. As seguradoras também estimam os riscos ambientais para estabelecerem os valores relacionados, assim como as auditorias ambientais que estimam os custos, gastos e despesas dos ativos e passivos ambientais.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA – Environmental Protection Agency (EPA), considera a contabilidade ambiental como uma das referências para o contexto econômico dos países, possibilitando a avaliação do consumo dos recursos naturais renováveis ou não renováveis. A prestação de contas dos países aos organismos internacionais em que estão associados considera a contabilidade ambiental em seus relatórios, principalmente ao analisarem compromissos assumidos como as reduções de gases de efeito estufa, metas da Agenda 21, incentivos à geração de energias limpas, recuperação de áreas degradadas, emissões de resíduos e investimentos em tecnologias. Os empréstimos e fundos internacionais de organismos como Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD, Banco Mundial e outros também estão condicionados a apresentação de garantias relacionadas à preservação e recuperação ambiental.

Antonio Silvio Hendges, Articulista do Portal EcoDebate, é Professor de Biologia, consultor em educação ambiental, gestão sustentável de resíduos sólidos e auditorias ambientais. Email: as.hendges@gmail.com

EcoDebate, 16/07/2013

A violência contra os indígenas no Brasil, por Elaine Tavares

 

Publicado em julho 16, 2013 por
relatório da violência contra os povos indígenas no Brasil

[Palavras Insurgentes] Quem passa pelas ruas do centro de Florianópolis já naturalizou a cena de famílias indígenas sentadas nas esquinas principais, com seus cestos, bichinhos de madeira e crianças. Poucos são os que percebem a presença humana. Alguns, ao notar, fazem aquela cara típica de quem está incomodado. Aquelas caras morenas, aqueles pés descalços e aquelas crianças ranhentas significam exatamente isso: um incômodo. No máximo, conseguem alguma comiseração. Nada mais que isso.

Os índios Guarani, que vivem nas proximidades de Florianópolis, seja em Biguaçu ou no Morro dos Cavalos, vivem a mesma triste realidade dos irmãos de outras etnias no Brasil. Sem terras boas, perdidos de sua cultura num mundo que nem os integra nem os aceita, precisam sair das aldeias para trocar as belezas que fabricam por dinheiro. Muita vezes, são esses minguados trocados garantidos pelas mulheres que permitem a sobrevivência. Tutelados pelo estado, mas sem uma assistência digna, as mais de 240 etnias brasileiras vivem em constante combate com o poder público bem como com o agronegócio, disposto a roubar tudo o que resta de terra indígena para o monopólio da soja, da cana ou do gado. E, nessa batalha, o índio acaba sendo sempre a parte mais fraca. Roubado, assassinado, destruído, apagado da história.

O relatório da violência contra os povos indígenas no Brasil produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) é a prova mais concreta dessa realidade. O trabalho levanta todos os enfrentamentos e retrocessos vividos pelos indígenas no ano de 2012, espaço de tempo em que se percebe uma brutal intensificação da violência, seja ela física ou institucional.

Foi em 2012 que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a Emenda Constitucional 215, um tremendo retrocesso legal articulado pelas bancadas dos ruralistas e dos evangélicos. Com essa emenda fica na mão dos deputados a decisão sobre a titulação das terras não só dos indígenas, mas também dos quilombolas. Ora, essas bancadas são as representações do capital internacional concretizados em empresas como a Monsanto, Bayer, Syngenta, Cargill e outras, todas ligadas ao agronegócio, que vem abrindo novas fronteiras agrícolas em estados como o Mato Grosso do Sul e Amazônia, espaços onde ainda têm muito índio. Daí a necessidade de ter o controle das demarcações. Muitas têm sido as manifestações contrárias por parte dos indígenas, mas a coisa avança. Até porque, as demais entidades de movimentos populares e sindicais não conseguem assumir essa causa como sua. São pautas que ficam na periferia dos movimentos enquanto os índios resistem em quase completa solidão.

Também no ano de 2012 a Advocacia Geral da União publicou uma portaria, a 303, na qual apresenta uma interpretação sobre as condicionantes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no que diz respeito à terra indígena Raposa Serra do Sol (Pará), estendendo as mesmas para todas as áreas e retroativamente, o que significa que qualquer demarcação já realizada pode ser revista a qualquer momento. De novo aí estão agindo as grandes empresas internacionais do agronegócio em parceria com a oligarquia rural local. Desde aí, tem havia momentos importantes de levantamentos indígenas, de luta, protesto, manifestação. Tudo isso enfrentado com violência estatal e empresarial, ocasionando mortes e desaparições.

A situação chegou a tal ponto que, no Mato Grosso do Sul, onde estão centenas de indígenas esperando demarcação de terras, vivendo na beira de estradas, um grupo de Guarani-Kaiowá precisou lançar um manifesto anunciando a decisão de morrer coletivamente se preciso fosse para que o governo acordasse um mínimo diante da tragédia das gentes. A reação internacional, bem mais que nacional, reacendeu o problema da demarcação de terras, mas ainda que a comoção tomasse conta do país por algum tempo, logo essa pauta deu lugar a outros temas, e tudo seguiu como antes. Nada resolvido, apenas a fria e decisiva violência contra as populações.

No relatório do CIMI, os números falam alto. Os governos de Lula e Dilma Roussef foram os que menos homologações de terra fizeram desde o primeiro governo civil, na década de 80. Sarney homologou 67 áreas e Lula 79. Dilma realizou apenas 7 homologações, embora existam hoje 339 terras indígenas já identificadas sem que qualquer providência tenha sido tomada. Isso sem falar das outras 293 áreas em processo de estudo. Fica clara, portanto, a completa omissão do governo federal diante da tragédia vivida pelas famílias indígenas. Também no ano de 2012 aumentaram os casos de conflitos e mortes envolvendo indígenas, fruto das invasões efetuadas por fazendeiros para a exploração ilegal de recursos naturais. Foram 62 ocorrências contra 42 em 2011.

O caso mais dramático de violência estatal foi o ataque à aldeia do povo Munduruku, no Pará, onde a polícia federal invadiu a comunidade, destruiu moradias, escola, o posto de saúde, os barcos, o sistema de comunicação e todos os instrumentos de trabalho dos indígenas. O pretexto para isso foi o de que os indígenas estavam praticando garimpo ilegal. Na ação, que foi pródiga em espancamentos, acabou assassinado um jovem índio, Adenilson, praticamente executado com um tiro na cabeça. Na verdade, o povo Munduruku tem sido uma pedra no sapato do governo e do agronegócio na medida em que trava uma feroz batalha contra as hidrelétricas planejadas para o rio Tapajós. A ação violenta da PF foi uma intimidação e mesmo que tenha sido brutal, resultando num morto, nada aconteceu. Fora isso ainda foram registrados mais 60 casos de indígenas mortos em conflitos provocados por fazendeiros ou estado, sendo que só o Mato Grosso do Sul é responsável por 32 assassinatos.

O fato é que os indígenas brasileiros estão colocados no meio de um processo que alguns economistas chamam de neo-desenvolvimentismo e que a mídia chama de progresso. Nesse universo estão as hidrelétricas, são 40 só na região amazônica, o alargamento da fronteira agrícola, a opção pela monocultura predatória, os interesses do agronegócio, a exploração de matéria primária como o minério. Tudo isso tem exigido a desocupação das terras onde vivem os indígenas. O argumento para isso é que eles estão entravando o processo de crescimento e que é preciso que eles se sacrifiquem pela nação. Nada poderia ser mais cínico. E, nessa guerra de interesses o estado já provou que está ajoelhado diante dos grileiros de terra.

Enfim, o relatório cuidadosamente elaborado pelo CIMI é um relato de horrores que merece ser conhecido pelo povo brasileiro. Há que se tomar posição diante da nova onda explícita de destruição da vida e da cultura dos povos originários. Nunca é demais lembrar que essa gente já ocupava esse território bem antes de que chegassem aqui os portugueses e espanhóis, portanto, não é possível que se tente empurrar para baixo do tapete da história essa realidade. Hoje são quase um milhão de pessoas que se autodeclaram indígenas e eles têm todo o direito de ocupar suas terras originais, bem como viver sua cultura e definir como querem organizar a vida. Esse é um direito assegurado pela Constituição e deveria ser um imperativo ético. A esfarrapada desculpa do progresso não se sustenta, uma vez que as benesses desse “progresso” são dirigidas a um pequeno e específico grupo: o do agronegócio. Ou seja, uma gente que sequer produz comida para a mesa das gentes.

As grandes mobilizações que acontecem hoje no Brasil carregam as mais variadas bandeiras, mas poucas são as que expõem a tragédia vivida pelos povos indígenas. Há que montar uma grande rede de solidariedade, caminhando para uma articulação concreta das lutas. A batalha dos indígenas por seu território é também a batalha da gente por harmonia e equilíbrio. Não há como separar o drama da destruição da Amazônia da nossa vida cotidiana, pois cada folha que cai no norte provoca algo no sul. É a lei da natureza. Tudo está ligado. O relato da violência contra os povos indígenas no Brasil é, como sempre, um grito lancinante. O que se espera é que ele não fique no vazio.
Artigo publicado no blogue Palavras Insurgentes, da jornalista Elaine Tavares e reproduzido pelo EcoDebate, 16/07/2013

Política Nacional de Resíduos Sólidos: obrigações para governo, empresários e cidadãos

 

Publicado em julho 16, 2013 por

Abrangência da coleta de lixo no Brasil

Aprovada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) foi discutida por quase 20 anos no Congresso Nacional. Embora seja considerada por especialistas como uma boa lei, existe uma preocupação se a lei vai pegar, já que envolve uma participação ampla da sociedade. A lei traz obrigações para ministros, governadores, prefeitos e também para empresários e consumidores.
A lei considera resíduo sólido o lixo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado. Já o chamado rejeito é o lixo que não pode ser reciclado ou reutilizado.

A diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, acredita que, para a lei pegar, será necessária uma mudança cultural:
“Ela é uma lei de mudança de postura. Nós estamos rompendo com uma cultura milenar de enterramento de resíduo no solo. Tratar o lixo era enterrá-lo. A lei diz: só o que pode ser enterrado é rejeito. Então, nós temos aí um ciclo para romper”.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública, a Abrelpe, mais de 90% dos resíduos sólidos urbanos do Brasil hoje já são coletados. Mas em alguns municípios, a prática ainda é queimar ou enterrar o lixo, especialmente no Nordeste, onde apenas 77% do lixo é coletado. No Sudeste, esse índice chega a 97%.

Os principais problemas hoje no Brasil se dão na exposição do lixo e no tratamento. De acordo com a Abrelpe, só existe algum tipo de iniciativa de coleta seletiva em 60% dos municípios brasileiros. No Centro-Oeste, apenas 32% dos municípios têm coleta seletiva, enquanto no Sudeste o índice chega a 80%. A coleta seletiva possibilita que o material seja reciclado e pode gerar renda para a população.
O deputado Arnaldo Jardim, do PPS de São Paulo, ressalta que a partir da lei a coleta seletiva passou a ser obrigatória:
“Você aí, cada um em seu município, pode exigir do prefeito. Tem que implantar a coleta seletiva. Se não implantar, não vai mais receber recursos do governo federal. Então, são coisas como esta que começam a mudar a postura”.

Conforme o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, primeiro, o município deverá estabelecer a separação de resíduos secos e úmidos. Depois, progressivamente, deverá separar os resíduos secos em tipos específicos, como vidro, plástico e papel.

Especialistas ressaltam que a coleta seletiva é essencial para que seja implementada a logística reversa, também prevista na lei. A logística reversa é o retorno para as fábricas dos resíduos daquela indústria, para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada.
A diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, explica quais são os setores empresariais com boas práticas com o lixo, e o que a lei prevê:
“Nós temos experiências exitosas com embalagens de agrotóxicos, com pneus, com óleos lubrificantes usados, com pilhas e baterias. E nós estamos construindo agora cinco acordos setoriais. Um já foi assinado, que é o de embalagens plásticas de óleos lubrificantes, complementando um pouco a resolução do Conama que trata do recolhimento”.

Segundo Zilda, o governo também vai fechar acordo sobre o retorno de resíduos com os setores de embalagem, de lâmpadas, de eletroeletrônicos e de medicamentos. Os acordos devem ser fechados ainda este ano e implementados até agosto do ano que vem.
Por enquanto, o presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, avalia que a maioria das empresas brasileiras ainda não adotou a sustentabilidade em seus planos de negócio.

“A maioria das empresas não assumiu esta agenda. Por outro lado, há empresas que estão liderando este processo e que, logo, nós acreditamos, que vão ser reconhecidas por isso. A questão da reputação e da imagem das empresas é chave e as empresas que estão envolvendo em questões que impactam na sociedade e a sociedade tem essa percepção, elas vão ser as empresas do futuro”.
Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o cidadão também passa a ter o dever de colocar o lixo no recipiente adequado. A lei prevê penalidade por infração ambiental para o cidadão que não fizer a coleta seletiva após o município a ter implementado ou após as empresas terem implementado o sistema de logística reversa. Primeiro ele será advertido e, se houver reincidência, será multado. As multas previstas vão de R$ 50 a R$ 500.

O deputado Arnaldo Jardim resume como funciona a responsabilidade compartilhada prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos:
“Primeiro, para você, nós temos função e tarefa para você. Nós queremos que você separe o lixo em casa. Se não puder ser tão detalhadamente, hoje tem uma separação básica, que é o molhado do seco, que já faz uma grande diferença para caminhar para a coleta seletiva, para aquilo lá. Segundo, reduzir formas de consumo, cuidado de como processar as coisas, a capacidade de reutilização. Para os governos, para todos, vale para os municípios, vale para os estados e vale para o governo federal, que são campanhas de esclarecimento, instrumento de formação das pessoas, para dar informação. Para as empresas, que têm que cuidar dos seus resíduos, no processo de produção, e têm que cuidar da logística reversa”.

Pela lei, a empresa que não cumprir a determinação de fazer a logística reversa incorrerá em crime ambiental e estará sujeito a multas que vão de R$ 5 mil a R$ 50 milhões.

Reportagem: Lara Haje
Edição: Mauro Ceccherini
Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 16/07/2013

Is CSR Dead? Or Just Mismanaged? FORBES MAGAZINE

 

Guest post by Kasper Nielsen, Executive Partner, Reputation Institute…
Companies spend millions of dollars every year on Corporate Social Responsibility. They invest in programs to support local communities. They give away products to support people in need. They invest in clean technology to lower their environmental footprint. They do cause marketing and donate money from sales.

They engage their employees in non-profit work. Why? Because being part of the solution and taking on responsibility in society builds trust with key stakeholders. And trust is what is needed to create support from these stakeholders in the reputation economy. And CSR drives this trust. 42% of reputation is driven by perceptions of Citizenship, Governance, and Workplace. Dimensions which fall into the CSR category. So CSR is not dead. It’s well alive as a business driver. But companies are not getting the return on investment they should.

Results from the 2012 CSR RepTrak™ 100 study show that only 35% of consumers across the 15 largest economies in the world say that companies are “good corporate citizens that supports good causes and protects the environment.” And this is even a rating of the 100 best reputed companies in the world. Each of these RepTrak™ 100 companies spend millions every year on CSR activities. Yet 4% of consumers say that they are absolutely not to be trusted as good corporate citizens, and 60% are not sure. Only 6 of the RepTrak 100 companies are seen as strong and good corporate citizens.
Governance is another key element of CSR. Being perceived as open, honest and fair in the way they do business is a key contributor to trust and support. And here companies are also struggling. On the question of whether or not each one of the RepTrak™ 100 companies is “a responsibly-run company that behaves ethically and is open and transparent in its business dealings” only 40% say absolutely. No company is seen as excellent on this critical dimension and 78 out of 100 are seen as average.
And when it comes being seen as a company that is “an appealing place to work that treats its employees well” we see the same average results. Only 14 of the 100 companies has a strong position on Workplace and a full 61% say that they are not certain that these 100 companies delivers on expectations when it comes to treating their employees well.

Pretty depressing results when you spend millions of dollars a year on CSR programs and large scale campaigns telling how much you care and can be trusted as a friend of the family. So what is the problem?
According to Phil Mirvis a global expert on CSR companies still do not fully understand the real value from CSR. “Companies need to be more open and transparent about their citizenship, governance, and workplace activities. Smarter communication and reputation management are needed if they want to capitalize on their investments.
Some of the largest companies still reply on a marketing approach. The last few Super Bowls, as an example, featured a new version of the Coke versus Pepsi challenge where they squared off about who could do a better job in raising funds for charity. Naturally, the adverts didn’t mention sugar, obesity, or environmental impact. It would only leave a bad taste. But that’s exactly the problem. Companies do not take on the core issues. And that leaves the impression of “green washing” which has left many to say that CSR is dead. I don’t think it is but companies need to step up and make CSR a strategic driver of business to make it work.”

Companies are mismanaging their CSR investments. It’s that simple. They do not apply the same rigor on these investments as they do on other core business priorities. They do not link it to their business strategy. But treat it like a separate initiative and investment. Companies need to reassess how to spend their money if they want to improve their return on investment. You don’t do CSR for the sake of CSR. You do CSR as part of your reputation management strategy to drive business growth, customer loyalty, and employee alignment. Only a few companies get it right. But those who do see the results.

Microsoft has the best perception for CSR in the world according to the 2012 CSR RepTrak™ 100 published by Forbes. It’s the company in the world that consumers across the 15 largest markers in the world see as best delivering within Citizenship, Workplace, and Governance. A remarkable result for a company that in the early 2000 was under attack for using its large market share to increase prices on consumes, pressuring out new competitors through unfair business practices. So how did Microsoft turn this perception around?

Dan Bross, Senior Director of Corporate Citizenship, Microsoft explains; “We recognize that public trust in corporations depends in large part on the basic aspects of business character: integrity, accountability, values, responsibility and transparency. A strong and steady core is the bedrock of both right action and good business. Over the past 15 years we have increased our engagement in public policy discussions that relate to our business, and now publish our public policy agenda every year to let everyone see what issues we are working on and how they impact our business. We regularly file reports that detail our advocacy activities in compliance with regulations and our commitment to transparency. Public disclosures on our political engagement are easily accessible on our Citizenship website, and include details on consultant fees, lobbying expenses and trade-association dues related to advocacy. Bottom line – we enhanced our commitment to accountability, strong corporate governance and transparency.”

So the conclusion is clear. CSR is not dead. It’s a valuable component in building trust and support from stakeholders. But companies need to take this more serious if they don’t want to waste their shareholders money. What are you doing to capitalize on your CSR investments?

Choosing the Right Eco-Label for Your Product // MIT SLOAN

The number of new eco-label programs aimed at environmentally conscious consumers has grown rapidly — with little quality control. By applying a three-part framework, managers can avoid betting on the wrong label.
 
The number of eco-label programs has grown from a mere dozen worldwide in the 1990s to more than 435 today in 197 countries and 25 industry sectors, according to the Ecolabel Index directory. But this growth has been accompanied by a high degree of consumer confusion and organizational skepticism. For example, consumers have admitted to difficulties recognizing the differences among the six-plus eco-labels for coffee. And in 2009, Ecover, a Belgium-based manufacturer of cleaning products, boycotted the European Union Eco-label, claiming lax standards allowed entry to subpar performers and harmed the company’s superior environmental credentials. In early 2012, the British supermarket chain Tesco PLC dropped the United Kingdom’s Carbon Trust label, citing prohibitively high costs and minimal consumer recognition.

However, there is no denying that the value of eco-products — and the recognition of certain eco-labels — is growing. For example, in the United States, retail sales of organic foods increased from $3.8 billion in 1997 to $29.2 billion in 2011. Moreover, nearly four of five U.S. households recognize the Energy Star label, which is a joint eco-label from the U.S. Environmental Protection Agency and the Department of Energy. In fact, American consumers have purchased more than one billion Energy Star-labeled products.

What might explain such variations in value and recognition? Why are consumers drawn to certain eco-labels over others? In this article, we attempt to answer these questions using a framework that evaluates eco-labels along three dimensions: consumer understanding and awareness, consumer confidence and willingness to pay. By applying this framework, managers can avoid betting on the wrong label.

Consumer Awareness and Understanding

Choose eco-labels with simple and clear messages to consumers. Based on research about consumers’ perceptions of the Energy Star label, the label was modified to increase its clarity. The update included adding the words “Energy Star” to each label and consistently using a strong, clear blue color. Clear messaging also allows organizations to avoid the greenwashing sin of vagueness. For example, an ad for Clorox Green Works claims that the product is made with ‘natural’ ingredients, without ever naming the ingredients used.

Choose labels that allocate resources to the communication of their label. A product’s environmentally friendly virtues will be overlooked or unappreciated if they are poorly communicated. The Energy Star eco-label measured the effect of its active regional publicity. As a measure of success, 64% of households surveyed associated the Energy Star label with the “energy efficiency or energy savings” message. The second most common response (13%) was “environmental benefit.”

Favor multiproduct labels. The increased recognition of the organic coffee eco-label issued by the U.S. Department of Agriculture — as compared with the Rainforest and Bird Friendly labels — can in part be attributed to the fact that the organic label is available for a multitude of products. By contrast, Rainforest and Bird Friendly are only devoted to coffee products. The organic label benefits from an increased visibility to consumers.

Favor labels with endorsements from the government and large retailers. Not only is the Energy Star eco-label widely recognized and understood by U.S. consumers, but it is also perceived as a credible standard because it is supported by the U.S. Environmental Protection Agency and the Department of Energy.

Consumer Confidence

Prefer eco-label organizations with multiple partners. Multiple partners help to balance the various opinions and perspectives that attend environmental issues. This balance ensures broad consumer appeal and prevents backlash from consumer segments that may feel left out. The Sierra Club Green Home GreenCheck is an eco-label that is awarded based on Sierra Club Green Home’s review of a prospective company’s self-declared home product description and its sustainability credentials. Gaining the GreenCheck indicates that “the business makes a legitimate and meaningful effort to offer a product or service that is more sustainable than what is commonly sold.” The Sierra Club Green Home partners with a broad range of organizations represented by nongovernmental organizations (such as the Rainforest Alliance), businesses (such as Earth-Solar Technologies Corp.), education (for example, The Marshall Goldsmith School of Management) and publications (for example, The Daily Green website).

Check the credibility of the partners. The Marine Stewardship Council label was founded through a partnership between the World Wide Fund for Nature and Unilever, the largest seller of fish sticks in the world. The reputation of WWF conferred credibility to the MSC label, the success of which gave Unilever a strong tool to protect market share and long-term viability.

Avoid conflicts of interest. One challenge to the credibility of the MSC, however, was the development of a conflict of interest in the certification process. For a fishery to receive MSC certification, it had to be assessed by an accredited for-profit consultancy. By leniently applying the MSC criteria, assessors could potentially gain more business. There has been criticism of the MSC label; an article published in 2010 in Nature noted the certification of markedly poor-performing fisheries by MSC.
Choose transparent eco-label organizations. Managers should ensure that their eco-label partner organizations are not reticent about revealing relevant information. Organizations with cultures of secrecy foster consumer skepticism about greenwashing and overall credibility. By contrast, the Leadership in Energy and Environmental Design program from the U.S. Green Building Council provides online access to a directory with all LEED-certified projects, including detailed information on how the projects earned points toward certification. The USGBC is working toward improving access to energy performance data and claims that the ability to benchmark project performance allows the identification of opportunities to slash energy consumption and bills. These efforts at transparency help to prevent consumers from becoming skeptical about how organizations get their LEED labels.
 
Conduct your own product environmental evaluation. When partnering with stakeholders that have expertise in environmental assessment, make sure to stay involved in the assessment and labeling process — and run your own, independent analysis to ensure coherent results and compliant suppliers. Otherwise, even a mistake can erode consumer confidence. This occurred, for example, when Lululemon Athletica Inc., a popular athletic apparel brand based in Vancouver, Canada, launched a product line claiming to be made from a seaweed fiber with myriad health benefits. An independent investigation, however, revealed no difference between the apparel and regular cotton; the material contained no evidence of seaweed. Lululemon’s executives admitted to not testing the materials themselves, and instead, relying on information provided by their suppliers. The day this information was made public in The New York Times, Lululemon’s stock price declined 8% and continued declining for several weeks.
Ensure supply-chain availability. Eco-labeled products often come from novel materials and processes. Consumer confidence can easily be lost when a green product is intermittently available or when growing demand cannot be met. For example, many companies have found it difficult to rely primarily on eco-labeled seafood because of limited supply.

Willingness to Pay

Emphasize increased quality. Few consumers are willing to pay an eco-premium for a product without gaining some measure of private benefit. Similarly, with certain goods, such as cleaning products, consumers may confuse or associate eco-labeling with poor product quality. It is therefore important to find an eco-label that emphasizes product quality alongside environmental virtue. For example, The Clorox Co. promotes the view that natural cleaners are at least as good as their conventional counterparts by boasting that products with the Green Works label “clean[s] with the power you expect.”

Emphasize health benefits. For example, the website for the Blue Angel eco-label highlights health benefits in this statement: “Blue Angel also sets the standard in health and safety because Blue Angel-labeled products have been tested with respect to health [and] safety and proper user information.”
Leverage peer pressure. Managers of eco-labels should consider increasing the visibility of label adoption so that consumers can easily and clearly indicate the virtue of their purchases to peers. For instance, LEED buildings display a plaque with the LEED stamp on each certified building, therefore increasing the visibility of the certified building to the public. Because the LEED eco-label has several tiers, it is used to distinguish the effort of the adopters.

Eco-label organizations wishing to increase the visibility of their eco-label can partner with other organizations to publicize and rate adopters of the label. For example, LEED is used in several university sustainability ratings: the Green Honor Roll, the Green Report Card and Campus Environment. These ratings rank university campuses based on their LEED adoption.

An Important Decision

Eco-labels are widely used as a policy tool to provide consumers with information on a product’s sustainability characteristics. From a managerial perspective, eco-labels can be used for strategic ends, such as differentiating a product, assuaging regulatory pressure or gaining access to green procurement policies. While some labels achieve widespread recognition, credibility and demand, others are associated with greenwashing, confusion and compromised quality. Choosing an eco-label thus courts risk. For this reason, we hope that our framework for helping managers evaluate eco-labels proves invaluable to companies facing decisions about such labels

Informação & Conhecimento