Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Política Nacional de Resíduos Sólidos: obrigações para governo, empresários e cidadãos

 

Publicado em julho 16, 2013 por

Abrangência da coleta de lixo no Brasil

Aprovada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) foi discutida por quase 20 anos no Congresso Nacional. Embora seja considerada por especialistas como uma boa lei, existe uma preocupação se a lei vai pegar, já que envolve uma participação ampla da sociedade. A lei traz obrigações para ministros, governadores, prefeitos e também para empresários e consumidores.
A lei considera resíduo sólido o lixo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado. Já o chamado rejeito é o lixo que não pode ser reciclado ou reutilizado.

A diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, acredita que, para a lei pegar, será necessária uma mudança cultural:
“Ela é uma lei de mudança de postura. Nós estamos rompendo com uma cultura milenar de enterramento de resíduo no solo. Tratar o lixo era enterrá-lo. A lei diz: só o que pode ser enterrado é rejeito. Então, nós temos aí um ciclo para romper”.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública, a Abrelpe, mais de 90% dos resíduos sólidos urbanos do Brasil hoje já são coletados. Mas em alguns municípios, a prática ainda é queimar ou enterrar o lixo, especialmente no Nordeste, onde apenas 77% do lixo é coletado. No Sudeste, esse índice chega a 97%.

Os principais problemas hoje no Brasil se dão na exposição do lixo e no tratamento. De acordo com a Abrelpe, só existe algum tipo de iniciativa de coleta seletiva em 60% dos municípios brasileiros. No Centro-Oeste, apenas 32% dos municípios têm coleta seletiva, enquanto no Sudeste o índice chega a 80%. A coleta seletiva possibilita que o material seja reciclado e pode gerar renda para a população.
O deputado Arnaldo Jardim, do PPS de São Paulo, ressalta que a partir da lei a coleta seletiva passou a ser obrigatória:
“Você aí, cada um em seu município, pode exigir do prefeito. Tem que implantar a coleta seletiva. Se não implantar, não vai mais receber recursos do governo federal. Então, são coisas como esta que começam a mudar a postura”.

Conforme o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, primeiro, o município deverá estabelecer a separação de resíduos secos e úmidos. Depois, progressivamente, deverá separar os resíduos secos em tipos específicos, como vidro, plástico e papel.

Especialistas ressaltam que a coleta seletiva é essencial para que seja implementada a logística reversa, também prevista na lei. A logística reversa é o retorno para as fábricas dos resíduos daquela indústria, para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada.
A diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, explica quais são os setores empresariais com boas práticas com o lixo, e o que a lei prevê:
“Nós temos experiências exitosas com embalagens de agrotóxicos, com pneus, com óleos lubrificantes usados, com pilhas e baterias. E nós estamos construindo agora cinco acordos setoriais. Um já foi assinado, que é o de embalagens plásticas de óleos lubrificantes, complementando um pouco a resolução do Conama que trata do recolhimento”.

Segundo Zilda, o governo também vai fechar acordo sobre o retorno de resíduos com os setores de embalagem, de lâmpadas, de eletroeletrônicos e de medicamentos. Os acordos devem ser fechados ainda este ano e implementados até agosto do ano que vem.
Por enquanto, o presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, avalia que a maioria das empresas brasileiras ainda não adotou a sustentabilidade em seus planos de negócio.

“A maioria das empresas não assumiu esta agenda. Por outro lado, há empresas que estão liderando este processo e que, logo, nós acreditamos, que vão ser reconhecidas por isso. A questão da reputação e da imagem das empresas é chave e as empresas que estão envolvendo em questões que impactam na sociedade e a sociedade tem essa percepção, elas vão ser as empresas do futuro”.
Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o cidadão também passa a ter o dever de colocar o lixo no recipiente adequado. A lei prevê penalidade por infração ambiental para o cidadão que não fizer a coleta seletiva após o município a ter implementado ou após as empresas terem implementado o sistema de logística reversa. Primeiro ele será advertido e, se houver reincidência, será multado. As multas previstas vão de R$ 50 a R$ 500.

O deputado Arnaldo Jardim resume como funciona a responsabilidade compartilhada prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos:
“Primeiro, para você, nós temos função e tarefa para você. Nós queremos que você separe o lixo em casa. Se não puder ser tão detalhadamente, hoje tem uma separação básica, que é o molhado do seco, que já faz uma grande diferença para caminhar para a coleta seletiva, para aquilo lá. Segundo, reduzir formas de consumo, cuidado de como processar as coisas, a capacidade de reutilização. Para os governos, para todos, vale para os municípios, vale para os estados e vale para o governo federal, que são campanhas de esclarecimento, instrumento de formação das pessoas, para dar informação. Para as empresas, que têm que cuidar dos seus resíduos, no processo de produção, e têm que cuidar da logística reversa”.

Pela lei, a empresa que não cumprir a determinação de fazer a logística reversa incorrerá em crime ambiental e estará sujeito a multas que vão de R$ 5 mil a R$ 50 milhões.

Reportagem: Lara Haje
Edição: Mauro Ceccherini
Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 16/07/2013

Metra lança programa de Coleta Seletiva nos terminais do corredor ABD


Serão instalas lixeiras de lixo reciclável e não-reciclável nos terminais e nas paradas e ônibus
A partir do dia 26 de agosto, a Metra - empresa que opera o Corredor Metropolitano de
Ônibus ABD – dará início a um programa de coleta seletiva em seus nove terminais e nas 110
paradas de ônibus. Os resíduos serão separados em duas categorias: “Lixo Reciclável” e “Não -
Reciclável”. A iniciativa deve incentivar as cooperativas da região que trabalham com
reciclagem.

O programa será iniciado nos terminais Santo André Oeste, São Bernardo e Jabaquara. Até
dezembro deste ano, a empresa prevê finalizar a instalação dos coletores nos demais terminais
e paradas de ônibus.

O lançamento da coleta seletiva marcará a participação da empresa no “Dia de Fazer a
Diferença”, evento que reúne colaboradores da empresa, do Grupo ABC, familiares e
voluntários das comunidades em ações de sustentabilidade e responsabilidade social. Nos
últimos quatro anos, a Metra promoveu o plantio de mudas de árvores nos corredores de
ônibus, no projeto “Corredor Verde”, cujo objetivo é deixar o trajeto mais arborizado,
enriquecendo a paisagem urbana, e reduzir o impacto causado pela emissão de gás carbônico
(CO²) na atmosfera. Já foram plantadas mais de cinco mil árvores desde o lançamento do
programa.

São Paulo recicla apenas 1,2% dos resíduos produzidos


Os índices de reciclagem em São Paulo ainda são muito baixos. O bairro da Vila Mariana é o que mais recicla em toda a cidade, mesmo assim os números não chegam a 5% de todo o lixo que é produzido. Enquanto isso, diversos bairros da periferia paulista permanecem sem acesso à coleta seletiva.

Conforme informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a média de reciclagem na cidade é de apenas 1,2%, considerada muito baixa. Os outros três bairros com os melhores índices de reciclagem são: Santo Amaro, com 4%, Pinheiros, que recicla 3,5% e Lapa, com 2,4%.
Segundo os moradores locais o bom desempenho da Vila Mariana não se deve ao incentivo governamental. Pelo contrário, os próprios moradores têm ido atrás de informações sobre a rotina do caminhão da coleta seletiva, pois não foram distribuídos informativos com os direcionamentos para promover de fato a ação pela cidade.
Vila Mariana é o bairro que mais recicla. Imagem | Mayra Rosa - CicloVivoVila Mariana é o bairro que mais recicla. Imagem | Mayra Rosa - CicloVivoJá nos bairros afastados do centro, como Parelheiros, M’Boi Mirim, Perus, São Miguel, entre outros, a coleta seletiva existe apenas por consequência do trabalho dos catadores informais. Mas, as ações governamentais não cheguem até os extremos da capital.
Outro problema é a falta de garantia de que os resíduos recicláveis coletados realmente terão a destinação correta. Isto acontece porque, mesmo com a baixa demanda, a estrutura física da cidade não suporta todo o material. Em São Paulo existem 21 centrais de triagem, enquanto o ideal seria ter, pelo menos, 70, conforme informado por Roberto Laureano Rocha, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.
Segundo o diretor de Coleta Seletiva da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana, Valdecir Papazissis, existe a previsão de que sejam criadas mais 11 centrais de triagem. Porém, ainda não existe prazo definido para isso.
* Com informações do CicloVivo

Coleta seletiva, responsabilidade dos geradores de resíduos, poder público e consumidores, artigo de Antonio Silvio Hendges

Publicado em abril 19, 2011 por HC
[EcoDebate] O Decreto 7.404/2010 que regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) estabelece que a implantação da coleta seletiva é instrumento essencial para a disposição ambientalmente adequada dos rejeitos. A coleta seletiva deve ser implantada pelos titulares dos serviços públicos de limpeza e manejo dos resíduos sólidos e estabelecer, no mínimo, a separação prévia dos resíduos secos e úmidos. Progressivamente os resíduos secos devem ser separados em parcelas específicas de acordo com as metas estabelecidas nos planos de gestão e conforme sua constituição ou composição. Os consumidores são obrigados a acondicionar adequadamente e de modo diferenciado os resíduos, disponibilizando os recicláveis/reutilizáveis para coleta ou devolução.

A responsabilidade compartilhada será organizada de forma individualizada e encadeada, sendo os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e órgãos públicos responsáveis pelos ciclos de vida dos produtos, ou seja, os setores empresariais, poderes públicos e coletividade são responsáveis pela efetividade das ações direcionadas à observância das determinações e diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Os titulares dos serviços de limpeza urbana devem estabelecer em suas áreas de abrangência as formas adequadas de acondicionamento, segregação e disponibilização para a coleta seletiva dos resíduos, sendo os geradores responsáveis pelo cumprimento das normas.

A coleta seletiva tem como prioridade a participação de cooperativas e associações de trabalhadores com materiais recicláveis e reutilizáveis, possibilitando a inserção social e produtiva de pessoas físicas com baixa renda. A participação destes grupos deve estar prevista através de programas e ações nos planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos. Os planos de gerenciamento dos setores relacionados no Artigo 20 da Lei 12.305/2010 (saneamento básico, resíduos industriais, saúde, mineração, comércio, resíduos perigosos, construção civil, transportes) também devem descrever as atividades desenvolvidas pelas cooperativas em suas áreas específicas.

REFERÊNCIAS: – Decreto 7.404 de 23 de dezembro de 2010. Artigos 5 a 12 e 40 a 42.
Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de Biologia e Agente Educacional no RS. Email: as.hendges{at}gmail.com

A sustentabilidade urbana /// Estadão

sexta-feira, 14 de maio de 2010


 (Editorial Estadão)

O juiz Luiz Fernando Camargo de Barros Vidal, da 3.ª Vara da Fazenda Pública, determinou que a Prefeitura de São Paulo instale a coleta seletiva de lixo em toda a cidade até abril de 2011. A organização do serviço deve ser conduzida por um conselho gestor, formado por catadores de papel e representantes do governo municipal.

Conforme a sentença ? cujos termos muitos dirão que ultrapassam a competência de um juiz e invadem terreno privativo de um chefe de Executivo, eleito pelo voto direto ?, a administração municipal deverá assegurar assessoria jurídica, administrativa e operacional para a constituição de novas associações de catadores, que deverão ser contratadas pelo governo na execução do programa. A Prefeitura deve, ainda, ceder bens e equipamentos para a instalação e o funcionamento de centrais de triagem. Enfim, o prefeito Gilberto Kassab terá de fazer em um ano o que não foi feito em 20.

A maior e mais rica cidade brasileira consegue reciclar menos de 1% das 15 mil toneladas de lixo doméstico produzidas diariamente pelos seus 11 milhões de habitantes. A ampliação da coleta seletiva deveria, de fato, ser prioridade, considerando que os dois aterros da capital estão esgotados, o que obriga à "exportação" de 80% do lixo produzido pelos paulistanos para cidades vizinhas, como Caieiras e Guarulhos.

Apesar de a Prefeitura afirmar que há coleta seletiva em 74 dos 96 distritos da cidade, apenas 20 dos 292 caminhões contratados para recolher o lixo da capital se destinam à coleta dos detritos recicláveis. Dessa forma, o serviço atende apenas 6 milhões dos 11 milhões de habitantes da metrópole ? a maioria concentrada nos bairros nobres.

Quando assumiu a Prefeitura, em 2006, Gilberto Kassab aplicou 1,21% da verba empenhada para a coleta seletiva; no ano passado, usou 1,14%. É quase nada no orçamento anual de R$ 760 milhões destinados pela Secretaria Municipal de Serviços para o lixo. E, no entanto, estudos mostram que 30% do lixo poderia ser reciclado, o que representaria economia anual de aproximadamente R$ 10 milhões para a Prefeitura.

Longe de ser prioridade da administração municipal, a coleta seletiva arrasta-se em caráter experimental, que mina a boa vontade da população: de que adianta separar o lixo, se esse material reciclável acaba sendo levado para os aterros?

A política municipal de limpeza urbana, criada por lei em 2003, determinou a construção de 31 centrais de triagem em todas as subprefeituras de São Paulo até 2007. Em 2005, quando a cidade tinha 14 centrais de triagem, essas obras foram incluídas nos contratos firmados entre a Prefeitura e as concessionárias. Passados seis anos, São Paulo tem 16.

A Prefeitura afirmou que vai recorrer da sentença do juiz da 13.ª Vara e que a meta só será alcançada em 2012. Por sua vez, as concessionárias afirmam que não cumprirão a exigência antes de 2015.

Para o secretário de Serviços, Alexandre de Moraes, entre 2004 e 2010 o volume de coleta de lixo reciclável aumentou oito vezes. Só que, quando se compara São Paulo com outras cidades onde a instalação da coleta seletiva começou a ser discutida na mesma época em que a ex-prefeita Luiza Erundina dava os primeiros passos para a instalação do serviço, o resultado é pobre. Em cidades como Curitiba e Porto Alegre, 100% da população já é atendida pela coleta seletiva.

Nelas, as centrais de triagem não são instrumentos de assistencialismo, mas parte de uma estrutura profissional de coleta de lixo, capaz de reduzir drasticamente o volume de resíduos que vai para os aterros: seus funcionários têm salários fixos, os equipamentos são das prefeituras e a gestão central fica a cargo de uma organização não-governamental (ONG).

São, enfim, base de um projeto sério, amplo, realizado com determinação.

Informação & Conhecimento