Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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A transição demográfica e o crescimento populacional no mundo, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

 

Publicado em maio 18, 2012 por
A transição demográfica e o crescimento populacional no mundo, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
 
[EcoDebate] A história da humanidade é a história da luta contra as altas taxas de mortalidade precoce. Desde o surgimento do homo sapiens, há cerca de 200 mil anos, a mortalidade sempre foi alta e exigia que as taxas de natalidade também fossem altas, para evitar o declínio de uma população que era relativamente pequena.
A literatura demográfica mostra que a população mundial estava em torno de 5 milhões de habitantes no ano 8000 antes de Cristo, chegou a cerca de 300 milhões no ano 1 da era Cristã e atingiu 1 bilhão de habitantes por volta do ano 1800. A taxa de crescimento demográfico foi de apenas 0,05% ao ano, em um periodo de aproximadamente 10 mil anos, pois a mortalidade ceifava vidas imaturas.

O crescimento econômico também era pequeno e se destacava apenas em algumas populações isoladas como na Babilônia, no Egito, na Grécia, em Roma, etc. e por pouco tempo. Segundo cálculos do economista Angus Maddison, o Produto Interno do Bruto (PIB) do mundo cresceu 6 vezes entre o ano 1 e 1800, representando um aumento anual de 0,09%. A renda per capita mundial aumentou somente 1,4 vezes (40%), em 1800 anos.
Porém, tudo mudou quando o novo modelo de produção e consumo começou a apresentar resultados práticos e os avanços científicos e tecnológicos permitiram o avanço da manufatura movida a energia não animal. Na primeira Revolução Industrial, no final do século XVIII, James Hargreaves e Richard Arkwright revolucionaram as máquinas de fiar e James Watt aumentou a eficiência do motor a vapor. As locomotivas e os navios a vapor revolucionaram os transportes de passageiros e de carga, expandindo as fronteiras e as migrações humanas.

Na segunda Revolução Industrial, na virada do século XIX para o século XX, os avanços foram ainda maiores com a introdução da iluminação elétrica, o aço, o motor de combustão interna, o petróleo, o telefone, o automóvel, o avião, etc. Nos últimos dois séculos, os avanços da população e da economia superaram tudo que foi feito nos últimos 200 mil anos.
Ainda segundo estimativas de Maddison, o Produto Interno Bruto (PIB) do mundo cresceu 90 vezes entre 1800 e 2011, enquanto a população mundial aumentou sete vezes, passando de 1 bilhão para 7 bilhões de habitantes. Ou seja, paralelamente ao crescimento demográfico que chegou a 1% ao ano, na média do período, houve uma aceleração do incremento da renda per capita, pois um trabalhador médio do mundo em 2011 recebia por mês aquilo que um habitante pré-revolução industrial teria que juntar em 13 meses de salário.

Porém, o sucesso humano dos últimos dois séculos teve um alto preço, representado pela agressão generalizada à natureza. Por exemplo, nos últimos 20 anos houve um acréscimo de 1,6 bilhão de habitantes no mundo, pois quando a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio/92) foi declarada aberta, em meados de 1992, a população mundial estava na casa de 5,5 bilhões de habitantes. Em meados de 2012, durante os dias da Rio + 20, a população mundial estará na casa de 7,1 bilhões de habitantes.
Para as próximas décadas a ONU estima 9 bilhões de habitantes em 2043. Portanto, o mundo continua gerando mais gente e mais consumo. Para 2100, a projeção média da ONU indica uma população em torno de 10 bilhões de habitantes.
Nos últimos 200 anos, o desenvolvimento econômico possibilitou que ocorresse uma das maiores transformações sociais da história da humanidade que é a transição demográfica. Na medida em que o mundo ia se urbanizando e melhorando as condições de educação, alimentação e moradia as taxas de mortalidade começaram a cair – especialmente a mortalidade infantil – aumentando a esperança de vida ao nascer.

Quanto maior o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior é a esperança de vida. Esta corelação positiva mostra que o aumento do tempo de vida médio das pessoas, possibilita que os investimentos em educação apresentem retornos econômicos para os indivíduos e para a sociedade. A lição é a seguinte: não existe país desenvolvido com baixa esperança de vida ao nascer.
No estágio seguinte, a teoria da transição demográfica mostra que, universalmente, a queda nas taxas de natalidade acontecem com um certo lapso de tempo após o início da queda da mortalidade. Diversos autores resaltam que a transição da fecundidade é um dos mais importantes fenômenos sociais de todos os tempos. A taxa média de fecundidade no mundo era de 5 filhos por mulher em 1950 e caiu para 2,5 filhos em 2010.

Mas como houve um lapso entre a queda da mortalidade e da natalidade, o crescimento populacional foi muito alto e os 250 anos, entre 1800 e 2050, serão absolutamente diferentes de tudo que aconteceu no passado e do que vai acontecer no futuro. Mas para que a transição demográfica apresente ganhos duradouros no longo prazo é preciso que as taxas de natalidade caiam para um nível proximo das taxas de mortalidade. Taxas elevadas de crescimento demográfico não se sustentam indefinidamente. Atingir a estabilidade da população mundial é um imperativo que não pode ser adiado por muito tempo.

Na segunda metade do século XXI, pode ser que a população mundial venha a se estabilizar ou até mesmo a iniciar um declínio. Mas o crescimento de 1 bilhão de habitantes em 1800 para 7 bilhões em 2011 já se constitui em um recorde absoluto. O impacto ambiental deste crescimento foi enorme, pois além do crescimento da população houve crescimento da renda per capita mundial. Quanto maior é a economia maior é o uso de matérias-primas e recursos naturais e maior é o volume de lixo e resíduos descartados no ambiente.

Mas a possibilidade de colapso ambiental estabelece a necessidade de interromper o crescimento exponencial da curva de crescimento demográfico (e do crescimento ainda maior da economia). Isto deveria ser feito com respeito aos direitos de cidadania, num ambiente onde predomine as regras do Estado Democrático de Direito. O atual modelo de crescimento populacional e econômico é impossível de ser mantido em um Planeta finito.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
EcoDebate, 18/05/2012

Quantas pessoas podem viver na terra/BBC >>> Parte 6 final

O meio ambiente não pode esperar a inércia demográfica

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
Ecodebate

A “inércia demográfica” é um conceito utilizado pela demografia para explicar o fato da população continuar crescendo, mesmo depois que as pessoas e os casais passam a ter um número menor de filhos. A taxa de fecundidade mede o número médio de filhos por mulher e a quantia de 2,1 filhos por mulher é considerada taxa de reposição. Se a fecundidade ficar neste nível, no longo prazo, a população não cresce e nem diminui, ou seja, fica estável. Fecundidade acima de 2,1 filhos por mulher significa que a população vai crescer. Fecundidade abaixo de 2,1 filhos, no longo prazo, significa que a população vai diminuir.

ENTREVISTA COM LESTER BROWN///RODA VIVA

Veja entrevista com o ambientalista Lester Brown, do World Watch Insitute, no programa Roda Viva, ano passado.
São 9 videos no total, postaremos apenas 3 deles, sendo que os outros 6 restantes estão disponíveis no Youtube.

Entre outros pontos, L. Brown defende que:

Poluidores:
"...deveriam haver tributos e pesados impostos para aqueles que destroem os recursos naturais do planeta, comprometendo assim as futuras gerações...";


Produção de Alimentos:
"...O atual modo de produção dos alimentos levará ao esgotamento dos recursos naturais do planeta o que invibiliazará o futro da humanidade...";

"...Hoje mais de um bilhão de pessoas não podem alimentar-se devido aos elevados preços dos alimentos produzidos...";


Água:
"...Metade da população mundial vive em locias onde os lençóis freáticos estão em processo de acentuada exaustão, por conta da superutilização..."


Parte 1:



Parte 2:


Parte 3:

Com quase 7 bi, população mundial preocupa

da New Scientist

Pense na maior multidão com a qual você já esteve --talvez 50 mil pessoas em um estádio. Em apenas 6 horas a partir de agora, haverá mais este número de pessoas no mundo, e outras 50 mil nas próximas 6 horas, e assim por diante. Não é de admirar que o aumento da população humana é visto, muitas vezes, como um dos maiores problemas do nosso mundo.
Há quase 7 bilhões de seres humanos atualmente, o dobro do que havia em 1965, com a adição média de 75 milhões de pessoas por ano. Projeções da ONU dizem que pode haver um adicional entre 2 e 4 bilhões até 2050. O planeta jamais passou por algo semelhante.
O mundo consegue sustentar este crescimento populacional? É uma questão controversa. Embora esteja claro que a população não possa aumentar para sempre, a história está repleta com terríveis, mas falhas, previsões de fome e morte resultantes da superpopulação. A mais famosa delas é a de Thomas Malthus, que alertou, há mais de dois séculos, que a população seria mantida "sob controle" pela elevação da mortalidade. O que ele não previu foi a capacidade das sociedades recém-industrializadas para suportar um grande número de pessoas.
Hoje, o "problema populacional" está de volta à agenda. No começo deste ano, o conselheiro científico do governo britânico John Beddington projetou uma população sob crise global em 2030.
Mais: um grupo de bilionários influentes, incluindo Bill Gates e George Soros, identificou a superpopulação como a maior ameaça que a humanidade enfrenta. Toda a vez que a "New Scientist" publica um texto detalhando mais uma das desgraças ambientais do planeta, leitores respondem argumentando que o problema real é a superpopulação.
As estatísticas populacionais são, de fato, impressionantes. Números brutos, contudo, escondem uma infinidade de complexidades. Olhando atentamente, fica claro que a suposição, baseada no senso-comum de que a população é a raiz de todos os males, é simplista.
Por exemplo, enquanto a população está crescendo em números absolutos, a taxa de crescimento (média) está reduzindo a velocidade --de um máximo de 2% nos anos 1960 para 1% hoje. No Japão, Rússia e muitos dos países europeus, mulheres estão tendo poucos filhos, o que está diminuindo a população, ou vai diminuir, em breve. Ao mesmo tempo, as populações de muitas das nações menos desenvolvidas estão explodindo, com mulheres em alguns países dando origem a mais de cinco filhos, em média.
Algumas dessas complexidades são desfeitas por especialistas. O demógrafo Paul Ehrlich, que reacendeu o debate há uma geração com seu best-seller "A Bomba Populacional", endossa a afirmação de que é preciso agir para conter a fecundidade (leia o artigo, em inglês, aqui).
Por outro lado, o escritor de ambiente Fred Pearce insiste que enfocar na população traz uma distração perigosa da questão real: o consumo. Depois, há o "admirável mundo novo" do encolhimento populacional que está em curso na Europa, como explica o demógrafo Reiner Klingholz.
"Estamos muito pesados para o mundo, os recursos são escassos para nós. A natureza já não nos sustenta". Assim escreveu Tertuliano, um dos primeiros cristãos, no século 3. Naquela época, a população mundial era de cerca de 200 milhões. Dezoito séculos depois, e com 34 vezes mais pessoas no planeta, o debate continua.

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