Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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A difícil passagem do tecnozóico ao ecozóico, artigo de Leonardo Boff

Publicado em fevereiro 14, 2011 por HC
[EcoDebate] As grandes crises comportam grandes decisões. Há decisões que significam vida ou morte para certas sociedades, para uma instituição ou para uma pessoa.

A situação atual é a de um doente ao qual o médico diz: ou você controla suas altas taxas de colesterol e sua pressão ou vai enfrentar o pior. Você escolhe.

A humanidade como um todo está com febre e doente e deve decidir: ou continuar com seu ritmo alucinado de produção e consumo, sempre garantindo a subida do PIB nacional e mundial, ritmo altamente hostil à vida, ou enfrentar dentro de pouco as reações do sistema-Terra que já deu sinais claros de estresse global. Não tememos um cataclisma nuclear, não impossível mas improvável, o que significaria o fim da espécie humana. Receamos isto sim, como muitos cientistas advertem, por uma mudança repentina, abrupta e dramática do clima que, rapidamente, dizimaria muitíssimas espécies e colocaria sob grande risco a nossa civilização.

Isso não é uma fantasia sinistra. Já o relatório do IPPC de 2001 acenava para esta eventualidade. O relatório da U.S. National Academy of Sciences de 2002 afirmava “que recentes evidências científicas apontam para a presença de uma acelerada e vasta mudança climática; o novo paradigma de uma abrupta mudança no sistema climático está bem estabelecida pela pesquisa já há 10 anos, no entanto, este conhecimento é pouco difundido e parcamente tomado em conta pelos analistas sociais”. Richard Alley, presidente da U.S. National Academy of Sciences Committee on Abrupt Climate Change com seu grupo comprovou que, ao sair da última idade do gelo, há 11 mil anos, o clima da Terra subiu 9 graus em apenas 10 anos (dados em R.W.Miller, Global Climate Disruption and Social Justice, N.Y 2010). Se isso ocorrer consosco estaríamos enfrentando uma hecatombe ambiental e social de conseqüências dramáticas.

O que está, finalmente, em jogo com a questão climática? Estão em jogo duas práticas em relação à Terra e a seus recursos limitados. Elas fundam duas eras de nossa história: a tecnozóica e a ecozóica.

Na tecnozóica se utiliza um potente instrumental, inventado nos últimos séculos, a tecno-ciência, com a qual se explora de forma sistemática e com cada vez mais rapidez todos os recursos, especialmente em benefício para as minorias mundiais, deixando à margem grande parte da humanidade. Praticamente toda a Terra foi ocupada e explorada. Ela ficou saturada de toxinas, elementos químicos e gases de efeito estufa a ponto de perder sua capacidade de metabolizá-los. O sintoma mais claro desta sua incapacidade é a febre que tomou conta do Planeta.

Na ecozóica se considera a Terra dentro da evolução. Por mais de 13,7 bilhões de anos o universo existe e está em expansão, empurrado pela insondável energia de fundo e pelas quatro interações que sustentam e alimentam cada coisa. Ele constitui um processo unitário, diverso e complexo que produziu as grandes estrelas vermelhas, as galáxias, o nosso Sol, os planetas e nossa Terra. Gerou também as primeiras células vivas, os organismos multicelulares, a proliferação da fauna e da flora, a autoconsciência humana pela qual nos sentimos parte do Todo e responsáveis pelo Planeta. Todo este processo envolve a Terra até o momento atual. Respeitado em sua dinâmica, ele permite a Terra manter sua vitalidade e seu equilíbriio.

O futuro se joga entre aqueles comprometidos com a era tecnozóica com os riscos que encerra e aqueles que assumiram a ecozóica, lutam para manter os ritmos da Terra, produzem e consomem dentro de seus limites e que colocam a perpetuidade e o bem-estar humano e da comunidade terrestre como seu principal interesse.

Se não fizermos esta passagem dificilmente escaparemos do abismo, já cavado lá na frente.
Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor

Hidropirataria na Amazônia, um delírio >>> Estadão

10 de julho de 2010  Antonio Felix Domingues - O Estado de S.Paulo

Há anos o fantasma da hidropirataria ronda cabeças no Brasil. Embora seja contada como uma história quase policial, a hidropirataria é um delírio que, em vez de contribuir para maior valorização da água, acaba desviando a atenção de problemas reais, como a insuficiente cobertura da rede de água tratada para as populações amazônicas, o índice mais baixo do Brasil.

A história, tema recorrente na mídia, conta que grandes navios-tanque vêm até o Rio Amazonas, ora próximo a Manaus, ora na sua foz, para roubar água do território brasileiro e levá-la para países sedentos. À primeira vista, a hidropirataria nos revoltaria e teríamos, evidentemente, de tomar providências contra a atividade. Entretanto, essa história não encontra fundamento, posto que as leis da economia, de forma indistinta, regem os interesses de todas as atividades comerciais.

Em valores atuais, 1 m3, ou 1 tonelada de água, custa entre US$ 0,25 e US$ 0,50 por dia para ser transportado em navios de grande porte para granéis líquidos. Qualquer viagem para um dos chamados "países com sede", localizados no Caribe ou no Oriente Médio, por exemplo, demoraria vários dias, ao que se impõe uma realidade importantíssima: o custo da água atingiria valores superiores a US$ 3 por m3 para uma viagem de 10 dias a 13 dias, mais os custos de tratamento para torná-la potável, ao redor de US$ 0,40/m3. Esses valores nos mostram a impossibilidade do comércio mundial de água bruta para abastecimento público utilizando-se o transporte marítimo, porque os custos do frete de granéis líquidos tornam a atividade inviável em distâncias superiores a 500 km.

A realidade que está resolvendo a sede dos países é a dessalinização e o reúso, que, com tecnologia e escala, operam a custos cada vez menores. Em Israel, três plantas dessalinizadoras (Ashkelon, Hadera e Sorek), no modelo de parcerias público-privadas (PPPs), fornecem água potável a 3,5 milhões de pessoas a um custo médio de US$ 0,60/m3. Dessa maneira, Israel, dentro de alguns anos, não vai mais comprar água da Turquia, o único caso conhecido de transporte de água em navios-tanque e que, apesar da distância de apenas 600 km, está perdendo toda viabilidade econômica.

Existem hoje cerca de 380 plantas de dessalinização em todo o mundo. No Brasil há apenas uma pequena unidade, funcionando na Ilha de Fernando de Noronha, que opera ao custo de US$ 1/m3. É interessante ressaltar que nem para Fernando de Noronha compensaria levar água em navios-tanque.

Existe, sim, um comércio de água entre países, de características muito limitadas, que ocorre por aquedutos, como, por exemplo, entre Lesoto e África do Sul, Malásia e Cingapura, Turquia e Chipre.

Por outro lado, o Brasil, o país mais rico do mundo em água doce, começa a se beneficiar com a exportação de água, mas não na sua forma líquida, e sim da maneira que se convencionou chamar de água virtual, aquela que é exigida para a produção de bens agrícolas ou industriais. Alguns produtos, como grãos, frutas, carnes, aço, papel, açúcar e álcool, demandam grandes quantidades de água para serem produzidos e muitos países já encontram dificuldades ambientais para a produção desses produtos e, por isso, precisam importá-los de países com água e solo em abundância, como o Brasil, por exemplo.

Provavelmente a história da hidropirataria nasceu de uma confusão que se faz com a prática do uso da água como lastro para os navios. Sem o lastro o navio não tem segurança, navegabilidade nem equilíbrio para a viagem, operações e manobras necessárias. A água de lastro é bombeada para dentro e para fora dos navios, de acordo com a necessidade operacional. Essa prática rotineira tem trazido ao mundo problemas expressivos por causa da introdução de organismos invasores que passam pelos filtros da rede e das bombas de lastro. Atualmente, cerca de 5 bilhões de toneladas de água são movimentadas por ano entre diferentes regiões do globo.

Estimam-se em US$ 100 bilhões por ano os prejuízos globais causados por espécies invasoras na água doce levadas de um continente a outro. Os Estados Unidos gastam por ano cerca de US$ 10 bilhões, principalmente por causa do mexilhão zebra (Dreissena polymorpha).

No Brasil, há cerca de dez anos, foi introduzido o mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), trazido por navios do Sudeste Asiático à Bacia do Prata. Para tentar prevenir o flagelo mundial provocado pela introdução de espécies exóticas a Organização Marítima Internacional (IMO), a agência das Nações Unidas responsável pela segurança da navegação e prevenção da poluição marinha, adotou, desde 2004, uma nova Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimento de Navios.

Ainda que o transporte de água doce por navio fosse economicamente viável, quem o fizesse estaria contrariando o principal pressuposto dessa convenção, que é despejar no mar a água doce de lastro trazida de qualquer país, antes de retornar, para evitar a contaminação.

Esforços têm sido intensificados para fiscalizar a água de lastro em costas e portos brasileiros. Esperamos que o Brasil possa, num futuro breve, ser citado como um bom exemplo para os demais países, signatários ou não, da referida convenção.

Portanto, problemas reais de água na Amazônia existem, sim, embora não despertem tanta atenção. Como, por exemplo, o fato de que na área mais rica de água doce do planeta cerca de 40% da população ainda não tem acesso a água tratada, o índice mais baixo no País, cuja média é de cerca de 10%. Esse é, sem dúvida, um fato incômodo e real, que deveria ser objeto de nossa preocupação.

COORDENADOR DE ARTICULAÇÃO E COMUNICAÇÃO DA AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA)

China negocia terras para soja e milho no Brasil /// Estadão

Prezados,

No Brasil a discussão sobre preservação dos recursos naturais, biodiversidade, florestas, fronteira agrícola, tem espaço cada vez maior. Com muita razão. é bom enfatizar.

Neste momento a China se articula para adquirir glebas de terras em nosso território. Se fazem isso é porque seu país está comprometido com questões de solo e água.
Quantidade e qualidade de terra agricultavel adequada devem ser fatores criticos para os chineses.

No entanto, hoje, recursos abundantes aqui no Brasil.

Pergunta 1:
caso sejam comercializadas estas terras, o custo da depleção do solo e do aquifero subterraneo será computado no preço final de venda da terra?E como valorar esta exaustão?

Pergunta 2:
quem fiscalizará o grau de  contaminação destes recursos pelos chineses os quais sabidamente não cuidam de seus própios recursos naturais, sacrificados em nome de um progresso 12% a.a.?

Constatação 1:
na materia abaixo voce poderá ler :".... Os chineses insistem que não estão apenas desembarcando para ocupar e que estão desenvolvendo projetos de doação de alimentos, construção de escolas e centros de saúde, como na Zâmbia." Respeitamos as leis locais e garantimos benefícios mútuos", diz o chinês. "Nossos investimentos promovem o desenvolvimento do país onde estamos aplicando", afirmou. "

Ora, quem tem que definir os beneficios é o Brasil. Não eles. Em primeira instancia não podem ser beneficios pontuais com os apontados. Há que se estabelecer uma Politica de Beneficios em curto, médio e longo prazos.Via organismo competetente, estabelecendo um Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentavel para a região, não nos padrões da Zambia; com o devido respeito; mas nos padrões de  Brasil que pensa no futuro sustentavel , um país que está entre as maiores economias do mundo e que possui a maior reserva de biodiversidade do planeta.

Pergunta 4:
quem fiscalizaria? politicos locais?órgãos publicos?





27/04/2010

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Presidente da maior estatal chinesa do setor agrícola admite interesse em cultivar grãos no País e já investe em 40 países com atividades de produção

Jamil Chade
A China quer garantir seu abastecimento de soja e milho comprando terras diretamente no Brasil. A maior estatal chinesa do setor agrícola negocia a compra de terras no Brasil para produzir soja e milho, em um investimento que promete ser de "centenas de milhões de dólares". A informação é do presidente da China National Agricultural Development Group Corporation, Zheng Qingzhi.

"Estamos em negociações", disse Qingzhi, que controla recursos de mais de US$ 2 bilhões por ano para investir na agricultura em todo o mundo. O presidente da Apex, Alessandro Teixeira, também confirmou o interesse chinês, dizendo que não via problemas diante do volume de investimentos. "São conversas preliminares. Mas eles estão de olho no Centro-Oeste, principalmente Goiás", disse Teixeira.

Com a chegada ao Brasil, a China amplia sua busca por terras para garantir o abastecimento à população. A constatação é de que, para alimentar 9 bilhões de pessoas em 2050 anos, os investimentos em agricultura terão de dobrar no mundo, o que já está fazendo vários países irem em busca de terras.

Mas o fenômeno da compra de terras no exterior vem causando polêmica, e entidades como a ONU começam a debater a criação de um código de princípios que países devem seguir. A preocupação é que a compra de terras crie obstáculos a populações locais e falta de acesso a terras.

No caso da China, a estatal que debate investimentos no Brasil está diretamente ligada ao Conselho de Estado. Com cinco anos, a estatal tem ativos de US$ 2 bilhões e 80 mil funcionários para promover a segurança alimentar da China. Dez mil funcionários da empresa já atuam no exterior, em pelo menos três continentes. "No Brasil, nosso interesse é investir em soja e milho", diz Qingzhi. Ele prefere não falar nem onde será o investimento nem o valor, por enquanto.

Global. A estatal está presente em 40 países com atividades de produção. Na Tanzânia, já detém 6 mil hectares, e Qingzhi garante que o governo local quer a expansão do projeto. Os chineses ainda investem no cultivo de frango e produção de ovos na Zâmbia e arroz em Guiné, Benin, Argentina e Peru.

No Senegal, os chineses investiram na pesca e têm a maior empresa estrangeira do país, com 2 mil empregados. "Não estamos apenas explorando, mas também treinando funcionários locais", diz o presidente da estatal, lembrando que também garante a transferência de tecnologia nas cidades de Benin.

Os chineses insistem que não estão apenas desembarcando para ocupar e que estão desenvolvendo projetos de doação de alimentos, construção de escolas e centros de saúde, como na Zâmbia." Respeitamos as leis locais e garantimos benefícios mútuos", diz o chinês. "Nossos investimentos promovem o desenvolvimento do país onde estamos aplicando", afirmou.

A estatal admite que a compra de terras tem uma dimensão política. Mas insiste que esses acordos "estabilizam relações diplomáticas".

Especialistas reunidos nessa segunda-feira (26) na ONU indicaram que, de fato, o avanço de países em busca de terras tem a China como um dos principais atores. O safári produzido por Pequim na África chegou a assustar a FAO. Seu diretor, Jacques Diouf, alertou há poucos meses os governos africanos para o risco de um "neocolonialismo", desta vez pelos chineses. O que ele teme é que a produção seja inteiramente destinadas aos países que adquiriram as terras, sem levar em conta os interesses das populações locais, ou mesmo a adaptabilidade das terras. A China já comprou ou negocia terras no Congo, Zâmbia e Sudão.



PARA ENTENDER

Hoje, limite é de 3,8 mil hectares
A legislação atual permite que estrangeiros comprem terras na Amazônia Legal no limite de até 3.800 hectares, desde que tenham empresa constituída no Brasil.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou em outubro substitutivo do deputado José Genoino (PT-SP), pelo qual estrangeiros que adquirissem área superior a 1.140 hectares antes da aprovação do projeto poderiam manter as propriedades, desde que produtivas.

A matéria foi analisada em caráter definitivo pela Comissão de Constituição e Justiça, que o aprovou por unanimidade. Falta agora a votação do Senado

Recalculando o PIB: precificar e valorizar a natureza, artigo de José Eustáquio Diniz Alves /// ECODEBATE

Durante muito tempo (e ainda hoje) o mundo buscou o crescimento econômico a qualquer custo. A idéia do desenvolvimentismo virou programa eleitoral de políticos que sempre ressaltam os benefícios, mas não contabilizam adequadamente os seus malefícios. Tradicionalmente, o grau de desenvolvimento se mede pela estrutura e o valor do Produto Interno Bruto (PIB). A contabilidade nacional calcula o PIB pela soma do preço de todos os bens e serviços (em termos de valor agregado) produzidos em um determinado território.


Todo o alumínio ou o cimento produzido no país entra no cálculo do PIB, porém a poluição gerada por estas atividades industriais não são contabilizadas. Bens superfluos como os diversos tipos de bebidas alcoólicas, assim como suas propagandas machistas, entram com valor positivo no PIB, embora estas bebidas sejam responsáveis por grande parte das mortes em decorrência da violência interpessoal ou em choques de veículos no país. Em geral, governos em nível local, estadual e nacional comemoram os empregos e impostos gerados por uma fábrica de cerveja ou aguardente, mas não contabilizam nas contas nacionais as vidas subtraídas decorrentes da cirrose, das brigas de bar, da violência sexual e doméstica e dos acidentes de trânsito.

Por exemplo, entra no PIB como investimento os recursos gastos por uma firma ou pessoa física quando desmata (e queima) uma grande área de Cerrado, Mata Atlântica ou Floresta Amazônica para plantar pasto e criar gado. Também entra e faz crescer o PIB os bens produzidos na atividade pecuária como o leite, a carne, o couro, etc. Contudo, a perda da cobertura vegetal e da capacidade de retenção de CO2, a redução da biodiversidade e a poluição gerada pela emissão de diversos gases de efeito estufa, como o metano, não são contabilizados no PIB. A contabilidade macroeconômica permite a indesejada equação: mais economia = menos natureza.

Todos os exemplos acima servem para mostrar que o PIB – tal como ele é contabilizado oficialmente no mundo todo – não é uma boa medida de desenvolvimento, especialmente quando se considera o desenvolvimento humano e sustentável. Por isto, cresce o movimento para se criar um sistema de preços para defender a natureza e eliminar a poluição, o acumulo de gases de efeito estufa e a degradação ambiental. É possível se criar um sistema de preços que aponte para a redução do consumo surpefluo e do uso insustentável dos recursos naturais.

Transformações culturais são sempre necessárias. Mas as mudanças acontecem de forma mais rápida quando se mexe no bolso das pessoas. Taxar a carne bovina pelo desmatamento provocado pela pecuária, pelo gas metano liberado pelo gado e seus efeitos sobre o aquecimento global, em geral, tem resultados mais efetivos do que uma campanha em favor do vegetarianismo. Taxar a gasolina e os derivados do petróleo, direcionando os recursos para energias alternativas, apresenta resultados mais diretos do que campanhas educacionais, embora estas sejam inquestionavelmente necessárias.

O atual sistema de preços que serve de base para o cálculo do PIB não registra adequadamente o impacto ambiental das ações econômicas. O custo de quilowatt/hora de uma usina termoelétrica que queima carvão ou petróleo é menor que o custo do quilowatt/hora da energia eólica, quando não se contabiliza a poluição. Assim, pela lógica do mercado, o aproveitamento da força dos ventos – que é uma alternativa renovável e limpa – será deixado de lado e os investimentos serão feitos na energia fóssil que é não-renovável, suja e poluidora.

Mas se o custo da tonelada de gás carbônico emitido for precificado e incorporado no valor final dos bens e serviços as decisões de investimento serão reconsideradas. Se o custo da poluição dos gases de fonte fóssil queimada pelos automóveis forem precificados haverá estimulo para o uso de fontes alternativas e limpas de energia e desincentivo para comprar carros, especialmente aqueles caros, pesados e de alto consumo. Quando se compra um produto se paga um valor monetário pelos fatores de produção embutidos, mas não se paga o custo não monetário das emissões de CO2 equivalente geradas pelo mesmo.

Precificar e valorizar a natureza, taxando a poluição e a degradação ambiental, pode até ter algum efeito negativo no PIB, mas, sem dúvida, teria um efeito muito positivo para o meio ambiente. Neste sentido, não faria mal se registrar nas Contas Nacionais que uma floresta nativa (isto é, com toda a sua biodiversidade) tem mais valor que uma mesma área de pastagem ou uma floresta replandada uniformemente. No curto prazo, precificar a natureza significa reduzir o ritmo de crescimento econômico das atividades poluidoras e estimular as atividades verdes e limpas para evitar um desastre ambiental incontrolável que pode acontecer em um futuro próximo se nada for feito.

José Eustáquio Diniz Alves, colaborador e articulista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

FAO: taxação à pecuária pode reduzir impacto ambiental /// MNP

A pecuária deveria ser taxada para reduzir os estragos ao ambiente causados pela produção de carnes.

Polêmica, a proposta da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afeta grandes exportadores de carnes como o Brasil e pode ser considerada o "contrapeso" do cenário de crescimento contínuo da demanda internacional sinalizado em amplo estudo divulgado na quinta-feira (18).

A agência da ONU estima que a produção mundial de carnes dobrará até 2050 para atender a uma demanda que cresce de maneira vertiginosa. E alerta que a elevação constante da produção animal "se traduzirá em enormes pressões sobre a saúde dos ecossistemas, a biodiversidade, os recursos em terras e florestas e na qualidade da água, além de contribuir de maneira significativa para o aquecimento do planeta".

Nesse cenário, a FAO sugere que os governos adotem medidas para reduzir o custo ambiental da expansão da pecuária, e uma dessa medidas poderia ser a imposição de "taxas ou direito de utilização de recursos naturais" pelos pecuaristas, para levá-los a "internalizar os custos dos estragos ambientais causados pela produção animal". Segundo a agência, impor taxações é necessário sobretudo porque "os preços atuais das terras, da água e dos alimentos usados na produção dos rebanhos frequentemente não refletem o verdadeiro valor desses recursos, o que provoca seu excesso de consumo".

A FAO sugere, também, políticas que favoreçam o consumo de carnes suína ou de frango em vez de carne bovina - isso porque são necessárias menos calorias vegetais para produzir uma caloria animal. A FAO, na prática, incorpora uma posição de vários países desenvolvidos nos últimos tempos, que visa a frear a produção de carne bovina. A instituição igualmente defende que os governos estimulem os pecuaristas a melhorarem a alimentação dos rebanhos para reduzir as emissões de metano. Isso poderia ser feito, por exemplo, com mais aditivos.

Para a FAO, todo o custo "externo" deve ser incorporado nas políticas pecuárias "para levar em conta o custo integral da poluição e outros aspectos ambientais negativos". Com isso, acredita o braço da ONU, os produtores serão impelidos "a fazer escolhas de gestões menos custosas para o meio ambiente e para a sociedade como um todo". Por sua vez, os pecuaristas que protegem o ambiente devem ser indenizados através de "benefício imediato" - como ajuda para melhorar a quantidade e qualidade da água, por exemplo.

Se a proposta de taxação avançar junto aos governos, o impacto sobre o Brasil será evidente. O país é o maior exportador mundial de carne bovina, e é brasileira a maior empresa de proteínas do mundo, a JBS.

The Story Of Cap And Trade///Annie Leonard

Neste filme, Annie Leonard traz á tona a questão do mecanismo de comercialização de permissões para emissão de Gases que provocam o Efeito Estufa, conhecido por "CAP And TRADE";"captura e comercialização".

Critica ferrenha desta argumentação, Annie aponta entre outros pontos, que o mesmo "Sistema" que polui o mundo e que o truxe às atuais inadequadas condições socioambientais , não possui as condições necessárias para oferecer uma solução plausivel para os problemas que nos assolam, como por exemplo as ameaças decorrentes do Aquecimento Global.

O filme argumenta que após inumeros insucessos tais como, "a explosão da bolha da web em 2002";a recente crise dos sub-prime dos EUA que contaminou todo o mundo, agora a "bola da vez" são os direitos de poluir, ou os créditos de carbono e os mecanismos de captura e controle, além do crescente e fortissimo esquema economico-financeiro de comercialização que os cercam.

Ainda na linha da argumentação critica, Leonard alveja fortemente o consumismo exagerado,centrando suas forças no "american way of life", e o coloca como o responsável pela exaustão dos recursos naturais do seu pais e do planeta.
Não deixe de ver, embora esta versão ainda esteja em ingles, a linguagem é perfeitamente clara.


Sustentabilidade! Afinal, o que isto significa?

 por Laércio Bruno Filho

Mais do que nunca a mídia está nos trazendo a todo o momento informações sobre aquecimento global, gases que provocam o efeito estufa, esgotamento dos recursos naturais do planeta, vazamentos de óleo, desmatamento das florestas; cenas de um futuro nada animador


Questões como preservação do planeta são de abrangência coletiva e envolve o nosso futuro e o das próximas gerações.E por serem mais recentes e complexas não estamos habituados ainda a refletir e discutir em nossas conversas rotineiras.


Assim, com o intuito de provocar a discussão e levar à reflexão vou sugerir um tema o qual vejo como um dos mais críticos e impactantes quando tratamos de preservação da vida no planeta e garantia de que existam recursos naturais para que as futuras gerações, nossos filhos e netos, possam viver com dignidade,qualidade e segurança.


Trata-se do Consumo Sustentável ou Consumo Consciente.


Alguns estudos recentes elaborados por instituições acreditadas apontam que já hoje a humanidade demanda 2,5 planetas Terra para que continue a se alimentar,beber e consumir produtos como no atual modelo.


Para termos uma boa noção destes números gosto de exemplificar assim : levamos 300 mil anos para chegarmos á uma população de 2,,5 bilhões de pessoas em 1950. E de lá para os dias de hoje, nos tornamos mais de 6,7 bilhões de seres humanos, todos consumindo. Portanto em apenas 60 anos a população mundial mais que dobrou. Não é á toa que o planeta aqueceu.


Estamos falando de Pegada Ecológica...assim é conhecido este índice que aponta o desgaste do planeta para sustentar o modo de vida da atual civilização(para saber mais você pode procurar na web por Footprint ou no site www.wwf.org.br/pegadaecologica)


Para exercício de raciocínio e reflexão vamos considerar que apenas uma considerável porção da população do mundo chamado de “economicamente emergente”, formada pelos chineses e os indianos desejem todos, por exemplo, possuir um automóvel, uma geladeira, um forno de microondas, ou viajar de avião, ou ainda comer carne. Anseios, originais e meritórios, que representam apenas alguns itens ordinários de consumo e conforto no mundo contemporâneo de poder aquisitivo mediano.


Vamos discorrer de uma forma bastante simples sobre os impactos ambientais que seriam gerados para atender esta demanda:


1-Aumento da necessidade de combustível fóssil. Desde a extração e refino para produzir gasolina, óleo diesel ou querosene de aviação para operação dos automóveis e aeronaves. Impacto: aumento das emissões de gases efeito estufa (gee) e por conseqüência do aquecimento global.


2- Crescimento da extração do minério para fabricação do aço necessário para a manufatura dos bens. Impacto: aumento da degradação do solo,rios e lagos, desmatamento, crescimento do consumo de energia e maior emissão de gee além de outros poluentes na atmosfera e nos rios e oceanos.


3- Incremento na demanda de energia para operação dos equipamentos de produção de bens duráveis e de consumo. Impacto: crescimento das emissões de gee por conta da maior utilização do combustível fóssil pelo alagamento de novas áreas, hoje florestadas, para produção de mais energia hidrológica; aumento de resíduos tóxico e nucleares utilizados para geração.


4- Aumento da demanda em toda a cadeia da matéria -prima e insumos primários e secundários para a manufatura, logística de entrega e emprego de componentes agregados como papel, plástico,aço. Impacto: superexploração dos recursos naturais e maior exposição dos biomas ao risco de exaustão e extinção


5- Aumento na demanda por alimentos. Impacto: crescimento do desmatamento para atividade agropecuária, exaustão dos aqüíferos com métodos inadequados de irrigação.


Existem muitos outros mais, apenas citamos alguns...


Preservar o planeta, e quem vive nele , de forma digna garantindo recursos naturais,culturais,econômicos e sociais para assegurar a continuidade de vida para gerações futuras,passa sobretudo por uma profunda e extensa reavaliação de como nós da geração atual vivemos e consumimos aquilo que precisamos para o ” hoje” e como pretendemos que o façam no futuro.


Já mapeamos boa parte dos limites fronteiriços à sobrevivência da humanidade. Já sabemos quais são e onde estão.


Resta saber como nós iremos viver com eles e como vamos educar nossos filhos para que possam conviver de forma harmoniosa dentro destes limites.


Em tempo... a definição formal de sustentabilidade, adotada pela ONU, e de acordo com o Relatório de Brundtland (1987), diz que Sustentabilidade é: "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas".










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