Publicado em fevereiro 14, 2011 por HC
[EcoDebate] As grandes crises comportam grandes decisões. Há decisões que significam vida ou morte para certas sociedades, para uma instituição ou para uma pessoa.
A situação atual é a de um doente ao qual o médico diz: ou você controla suas altas taxas de colesterol e sua pressão ou vai enfrentar o pior. Você escolhe.
A humanidade como um todo está com febre e doente e deve decidir: ou continuar com seu ritmo alucinado de produção e consumo, sempre garantindo a subida do PIB nacional e mundial, ritmo altamente hostil à vida, ou enfrentar dentro de pouco as reações do sistema-Terra que já deu sinais claros de estresse global. Não tememos um cataclisma nuclear, não impossível mas improvável, o que significaria o fim da espécie humana. Receamos isto sim, como muitos cientistas advertem, por uma mudança repentina, abrupta e dramática do clima que, rapidamente, dizimaria muitíssimas espécies e colocaria sob grande risco a nossa civilização.
Isso não é uma fantasia sinistra. Já o relatório do IPPC de 2001 acenava para esta eventualidade. O relatório da U.S. National Academy of Sciences de 2002 afirmava “que recentes evidências científicas apontam para a presença de uma acelerada e vasta mudança climática; o novo paradigma de uma abrupta mudança no sistema climático está bem estabelecida pela pesquisa já há 10 anos, no entanto, este conhecimento é pouco difundido e parcamente tomado em conta pelos analistas sociais”. Richard Alley, presidente da U.S. National Academy of Sciences Committee on Abrupt Climate Change com seu grupo comprovou que, ao sair da última idade do gelo, há 11 mil anos, o clima da Terra subiu 9 graus em apenas 10 anos (dados em R.W.Miller, Global Climate Disruption and Social Justice, N.Y 2010). Se isso ocorrer consosco estaríamos enfrentando uma hecatombe ambiental e social de conseqüências dramáticas.
O que está, finalmente, em jogo com a questão climática? Estão em jogo duas práticas em relação à Terra e a seus recursos limitados. Elas fundam duas eras de nossa história: a tecnozóica e a ecozóica.
Na tecnozóica se utiliza um potente instrumental, inventado nos últimos séculos, a tecno-ciência, com a qual se explora de forma sistemática e com cada vez mais rapidez todos os recursos, especialmente em benefício para as minorias mundiais, deixando à margem grande parte da humanidade. Praticamente toda a Terra foi ocupada e explorada. Ela ficou saturada de toxinas, elementos químicos e gases de efeito estufa a ponto de perder sua capacidade de metabolizá-los. O sintoma mais claro desta sua incapacidade é a febre que tomou conta do Planeta.
Na ecozóica se considera a Terra dentro da evolução. Por mais de 13,7 bilhões de anos o universo existe e está em expansão, empurrado pela insondável energia de fundo e pelas quatro interações que sustentam e alimentam cada coisa. Ele constitui um processo unitário, diverso e complexo que produziu as grandes estrelas vermelhas, as galáxias, o nosso Sol, os planetas e nossa Terra. Gerou também as primeiras células vivas, os organismos multicelulares, a proliferação da fauna e da flora, a autoconsciência humana pela qual nos sentimos parte do Todo e responsáveis pelo Planeta. Todo este processo envolve a Terra até o momento atual. Respeitado em sua dinâmica, ele permite a Terra manter sua vitalidade e seu equilíbriio.
O futuro se joga entre aqueles comprometidos com a era tecnozóica com os riscos que encerra e aqueles que assumiram a ecozóica, lutam para manter os ritmos da Terra, produzem e consomem dentro de seus limites e que colocam a perpetuidade e o bem-estar humano e da comunidade terrestre como seu principal interesse.
Se não fizermos esta passagem dificilmente escaparemos do abismo, já cavado lá na frente.
Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Consumo Colaborativo
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Unknown
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9/13/2010 03:59:00 PM
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consumo
Martin Lindstrom detalha o neuromarketing /// HSM Management
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Unknown
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4/01/2010 07:53:00 PM
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marketing
Nada parece mais complexo no ser humano do que sua mente. Abrigo de recordações, usina de ideias e caldeirão de emoções, seu funcionamento é enigmático e realizam-se cada vez mais pesquisas para decifrar seus segredos com o objetivo de aumentar o prazer, diminuir a dor ou, até, alterar a memória.
É isso que acontece, por exemplo, no filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Os personagens protagonizados por Kate Winslet e Jim Carrey vivem uma paixão intensa e, quando esta acaba, querem limpar todo o rastro dos momentos compartilhados. Primeiro ela e logo em seguida ele contratam os serviços de um especialista em apagar memórias. Carrey se deita em uma cama e, a seu lado, o ajudante do especialista observa, na tela do computador, os dados que chegam do cérebro do personagem e vai eliminando, uma a uma, as imagens da ex-namorada.
A cena pertence à ficção, mas o uso de avançados equipamentos tecnológicos com o objetivo de traçar um mapa da mente já é realidade em laboratórios de diferentes partes do mundo. Uma experiência que durou três anos, envolveu cerca de 200 pesquisadores e mais de 2 mil voluntários e custou aproximadamente US$ 7 milhões foi comandada pelo especialista de marketing Martin Lindstrom. A maioria dos participantes era proveniente dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão e China.
O objetivo foi entender como o inconsciente influencia o comportamento do consumidor e o resultado da pesquisa foi o livro Buyology, algo como “compralogia”, lançado no Brasil como A Lógica do Consumo – Verdades e Mentiras sobre Por que Compramos (ed. Nova Fronteira). Na entrevista a seguir, concedida com exclusividade a HSM Management (e publicada agora pelo Mundo do Marketing), Lindstrom descreve os resultados do estudo e explica porque o neuromarketing pode ajudar a reverter o índice de 80% de fracasso nos lançamentos.
Alguns falam que está havendo uma transformação profunda na maneira de pensar dos consumidores nos
últimos anos. O sr. concorda com isso?
Sim, os consumidores de minha geração, ou seja, os que têm por volta de 40 anos, incorporaram um novo “marcador somático”. O que é isso? É como um sinalizador no cérebro, que serve para conectar uma experiência ou emoção a uma reação específica. Ocorre algo similar ao que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Quem sofreu com a escassez de alimentos e aprendeu a armazená-los durante o conflito manteve, mesmo depois de assinado o armistício, o hábito de fazer provisões – para o caso de estourar uma nova guerra. Minha geração nos Estados Unidos não foi afetada por tal experiência e não tinha esse marcador somático.
No entanto, no último ano e meio, a derrocada de ícones considerados estáveis, como o banco Lehman Brothers, produziu nessa geração um forte choque, que não será esquecido, e modificou seu comportamento de compra. Tais pessoas já não gastarão tanto dinheiro como o faziam no final de 2007. Talvez aconteça algo semelhante com quem viveu tempos turbulentos em economias emergentes. E, na prática, isso significa que, antes de comprar um produto, é provável que as pessoas procurem ofertas especiais e descontos. Como padrão, além disso, os consumidores buscarão retorno funcional e conexão emocional com a marca.
Mas como ficaram as emoções dos consumidores nessa história? Aumentou o sentimento de culpa? O medo?
O medo. É lamentável, mas o medo está se transformando no impulsionador primário de muitas marcas e vem sendo incluído de várias formas nas campanhas publicitárias nos mercados norte-americanos e europeus. Por exemplo, anúncios que dizem “Se você não comprar esta marca, terá problemas” ou “Se não usar este produto, perderá popularidade”. Muitos setores de atividade, entre eles o farmacêutico, o de brinquedos e o de seguros, recorrem ao medo de maneira estratégica. E ainda há o medo de perder o emprego ou de falir, no caso dos empreendedores. O problema não é falta de dinheiro para comprar, mas o medo.
O que as empresas têm de fazer é adotar estratégias que revertam essa situação. Por exemplo, nos Estados Unidos, algumas montadoras vêm garantindo aos clientes que seu dinheiro será devolvido se eles perderem o emprego. É o que fez a coreana Hyundai, cujas vendas aumentaram mais de 10% em 2009, indo totalmente contra a corrente do mercado automobilístico. E, diferentemente do que alguns acreditavam, até esta nossa conversa, nenhum automóvel foi devolvido.
Imagino que as marcas de luxo fiquem mais vulneráveis nessa situação, ao menos nas economias maduras. Mas algumas marcas de luxo parecem não sentir o impacto, como Hermès. Por quê?
No caso de Hermès, as carteiras, por exemplo, contam com grandes listas de espera de clientes. Eles esperam entre dois e três anos para receber uma carteira da grife. Quem já esperou todo esse tempo não vai cancelar o pedido. A Louis Vuitton, por sua vez, fez várias coisas inteligentes. Em primeiro lugar, empreendeu uma grande aposta no mercado chinês, país que não sofreu tanto quanto outros, na linha do que aconteceu com vocês no Brasil, e onde ainda há um gap de consumo a satisfazer. Em segundo, uma publicidade muito sagaz, no mundo inteiro, promovendo valores do passado, que remetem, justamente, à segurança. Em momentos instáveis, as pessoas não querem ouvir falar do futuro; preferem o passado, quando tudo parecia seguro.
Então, os anúncios da Louis Vuitton são protagonizados por celebridades que já não estão na moda, como o ator Sean Connery, cuja época de esplendor foi a década de 1960. A empresa passou a seguinte mensagem: “A Louis Vuitton pode ser uma marca muito cara, mas estará com você para sempre, de modo que é um investimento para os próximos 20 anos; qualquer outra marca poderá desaparecer ou sair de moda”. O mesmo tipo de publicidade adotou a Boots, marca de botas inglesa, que vem aumentando suas vendas direto.
Seu último livro, Buyology no original em inglês, foi baseado em um extenso experimento de neuromarketing. Em que consiste esse tipo de pesquisa?
Enquanto as pesquisas tradicionais se caracterizam por perguntas a consumidores e participantes de focus groups, o neuromarketing se propõe analisar a parte não consciente do cérebro. Como já se provou que pelo menos 85% de nossas decisões são tomadas na zona inconsciente do cérebro, as pesquisas tradicionais não captam suas razões de ser. As pessoas costumam ter dificuldades para explicar por que compraram uma camisa de determinada marca ou o último modelo de telefone da Nokia, porque suas decisões são impulsionadas por emoções, que elas nem percebem – ou, quando percebem, acham que é bobagem falar delas.
E como o neuromarketing capta a atividade cerebral?
Principalmente por meio de um aparelho de ressonância magnética, uma espécie de scanner do cérebro, normalmente usado para detectar tumores. Com esse equipamento é possível examinar o cérebro de uma amostra de consumidores, identificar as regiões associadas a certos comportamentos e detectar o que sentem quando pensam em determinadas marcas e produtos. Em outras palavras, o neuromarketing representa uma nova geração de pesquisas, em que a ciência cruza com o marketing.
Mas como exatamente se descobrem no cérebro quais são as emoções associadas a uma marca?
Por uma série de estudos anteriores. Já sabemos, por exemplo, que o medo e a amígdala cerebral estão estreitamente associados. Então, pense o seguinte: algumas pessoas veem um anúncio publicitário e dizem que gostam dele, mas não sabem por quê. Aí vamos escanear seu cérebro, detectamos que nessas pessoas se ativa –ou há maior fluxo sanguíneo– a região da amígdala quando veem o anúncio, o que significa que o anúncio as perturba. Graças ao maior conhecimento do cérebro e das regiões associadas a alguns tipos de pensamento, captamos emoções que as pessoas não conseguem expressar verbalmente.
Que resultados dessa pesquisa de neuromarketing mais o surpreenderam?
Eu citaria três resultados particularmente. Fiquei muito surpreso em ver que as advertências nos maços de cigarros não funcionam. Algumas dizem, de maneira drástica e direta, que fumar é prejudicial à saúde e causa essa ou aquela doença, mas não conseguem o efeito desejado nas pessoas. Vou além. Essas advertências, ao contrário, incentivam as pessoas a fumar. Também me surpreendeu comprovar que o sentido mais importante para criar marcas e comunicar não é a visão, e sim a audição. E outra grande surpresa foi a forte conexão que há entre religião e marcas.
Como foi detectada a relação entre religião e marcas?
As zonas do cérebro que são ativadas nas pessoas religiosas quando recordam suas experiências nessa área são as mesmas que se ativam no cérebro dos consumidores quando pensam em suas marcas preferidas. Para detalhar as características desse vínculo entre religião e marcas, entrevistei líderes de várias religiões, especialmente a católica, a protestante, a budista e a islâmica. Queria entender os pilares sobre os quais se baseiam, e descobri que são os mesmos em todas: rituais, visão forte e poderosa, um inimigo claro, apelo aos sentidos e narração de histórias estupendas. Cada vez mais, as marcas são desenvolvidas a partir desses elementos também.
Pense no seguinte: a maioria das religiões tem uma missão bem definida, como alcançar o estado de graça ou certo objetivo espiritual. A maior parte das empresas também tem uma missão bem definida, como a de Steve Jobs para a Apple em meados da década de 1980, quando ele disse “O homem é o criador da mudança no mundo. Como tal, deveria sobrepor-se aos sistemas e estruturas, e não estar subordinado a eles”. Cerca de 20 anos e alguns milhões de iPods mais tarde, a empresa ainda persegue essa missão, é ou não é?
Outra comparação: as religiões se concentram em exercer o poder sobre o inimigo, o que contribui para reunir os fiéis em torno do combate a ele. O mesmo fazem as marcas quando promovem a rivalidade: Coca-Cola versus Pepsi, Visa versus MasterCard. A estratégia do “nós versus eles” incentiva a lealdade, desperta a controvérsia e o debate e, dessa forma, estimula a compra.
Em um mundo em que predominam as imagens e os estímulos visuais, é difícil aceitar que o sentido mais importante para criar uma marca seja a audição...
Aí há outra lição importante do neuromarketing. Quando olhamos algo, somente a parte visual do cérebro é ativada; quando escutamos algo, ativam-se as regiões relacionadas com os cinco sentidos: visão, olfato, tato, paladar e audição. É por isso que, quando ouvimos uma música de nossa infância, voltam-nos à mente tantas recordações visuais.
Que marcas já entenderam isso? Quer dizer, que marcas aproveitam o som para ser inesquecíveis?
A Harley-Davidson criou um som distinto dos demais para o arranque do motor, por exemplo. Outras, como Apple, Microsoft e Intel, compuseram melodias que tocam ao ligar o computador ou iniciar o sistema; trata-se de melodias muito simples, mas que acabam se tornando inesquecíveis. Eu, quando as ouço, imediatamente as reconheço e penso na marca associada. Sempre. Algumas montadoras, entre elas Mercedes-Benz, BMW e Porsche, também criaram sons para o abrir e fechar das portas. Outra é a Disney, que conseguiu excelente comprometimento emocional dos consumidores com suas melodias.
O sr. também pesquisou a eficácia da menção de produtos em programas de televisão e em filmes. O que descobriu a esse respeito? Esse merchandising no momento em que o consumidor presta atenção funciona mais que a publicidade convencional?
É uma técnica que só dá resultado quando os produtos mencionados estão em consonância com o mote do programa ou do filme. O problema é que em 95% dos casos os produtos estão fora de contexto, e, quando isso acontece, eles não são registrados pelo cérebro. A menção da marca precisa estar relacionada com a trama; aí as pessoas lembram. No filme E.T., por exemplo, a inclusão da marca de chocolates Reese tinha sentido dentro da história: o menino atraía o E.T. com o chocolate. O oposto aconteceu no último filme de James Bond, em que ele aparece bebendo Coca-Cola Light, quando as pessoas associam James Bond com Martini, não com Coca-Cola.
O sr. estudou a eficácia da polêmica publicidade subliminar, partindo daquele mítico experimento da Coca-Cola nos anos 50, não foi? É bom caminho?
Esse experimento virou uma espécie de lenda urbana e eu falo dele em meu livro. O pesquisador James Vicary divulgou que pôs um projetor de slides em uma sala do cinema e, com ele, lançou na tela os dizeres “Beba Coca-Cola” e “Coma pipoca” durante 1/3.000 de segundo a cada 5 segundos durante todas as sessões do filme, tão rápido que as pessoas nem se davam conta. Vicary disse que a venda de Coca-Cola aumentou 18% e a de pipoca, quase 60%. Mas, cinco anos depois, a experiência foi repetida com a supervisão de psicólogos e não houve nenhum impacto nas vendas. Foi quando Vicary confessou à revista AdvertisingAge que inventara toda a história. Desde então houve, e ainda há, grande paranoia em relação ao poder manipulador disso.
Até músicos como os do Led Zeppelin foram acusados de fazer mensagem subliminar –chegaram a dizer que a música Stairway to Heaven tocada ao contrário fazia menção a satanás. Um fato é que mensagens subliminares, que são as mensagens visuais, auditivas e sensoriais um pouco abaixo de nosso nível de percepção consciente, permeiam toda nossa cultura. Outro fato é que várias pesquisas válidas, incluindo uma de Harvard em 1999, mediram seu efeito e confirmaram que afetam o comportamento das pessoas. Estou convencido de que as mensagens subliminares são mais poderosas que outras. Muitos países a proibiram, mas ela ainda é usada.
Vocês também fizeram experimento com elas?
Sim, mas em versão light. Pusemos dois outdoors de falsas publicidades nas proximidades de uma estrada de Los Angeles. Em um deles, via-se um cowboy fumando um cigarro; no outro, mostrava-se uma foto parecida, mas com o logotipo e o slogan de uma famosa fábrica de cigarros. Comprovamos que o outdoor sem o logotipo tinha o dobro de eficácia na hora de gerar o desejo de fumar no cérebro dos consumidores. Aprendemos que, em geral, incluir o logo da marca produz o efeito contrário ao desejado, porque o consumidor percebe a intenção e reage com rejeição. A mensagem indireta é sempre mais sedutora; os consumidores sentem que tomaram a decisão por si, sem “obedecer” ao anunciante.
Que empresas usam técnicas de neuromarketing hoje?
Microsoft, Google, Mercedes-Benz, McDonald’s e FTV, entre outras. Das cem marcas mais importantes no mundo, 23 já as utilizam.
Mantendo a chama do polêmico, seu livro fala sobre o uso de sexo e beleza como apelo. E então?
Previ que, em uma década, a maioria de nós estará tão dessensibilizada em relação a sexo nas mensagens que nem o notará mais. E os anunciantes vão retroceder, e voltar a mostrar menos e insinuar mais, deixando boa parte do negócio para a imaginação das pessoas. Algumas pesquisas mostraram que anúncios com conteúdo sexual eram lembrados por cerca de 10% das pessoas apenas, no que se chamou de “Efeito Vampiro”, porque o conteúdo excitante vampirizava o interesse pelo produto. Outro estudo mostrou que as mulheres, grandes compradoras, rejeitam publicidade com modelos muito atraentes e sensuais. O sucesso da marca Calvin Klein com campanhas sugestivas sexualmente nem é atribuível ao erotismo em si, mas à tática do “livro proibido”, de deixar os consumidores tensos com os anúncios e retirá-los de repente.
Embora ferramenta valiosa, o neuromarketing tem detratores…
Estou certo de que o neuromarketing se tornará a principal ferramenta de pesquisa das empresas, ajudando a entender bem as necessidades do consumidor e antecipando o futuro como nenhuma outra técnica jamais o fez –possibilitando que elaboremos produtos e mensagens mais relevantes e de maior conexão emocional com as pessoas e evitando fracassos. A informação que o consumidor não consegue expressar verbalmente, mas que a neurociência revela, é que contribuirá para isso.
Por exemplo, 200 voluntários dos Estados Unidos assistiram ao programa piloto de um game show na TV chamado “Quizmania” e declararam propensão zero a vê-lo caso emplacasse. Aí, com a ressonância magnética, seus cérebros nos disseram o oposto: com 99% de certeza estatística, o show faria sucesso. E, de fato, o programa, da Fremantle-Media, tem êxito em outros países.
Agora, é natural que critiquem a ferramenta: assim como há muitas vantagens no neuromarketing, ele possui desvantagens também. Com meu livro, eu quis alertar os consumidores em relação ao que está acontecendo e despertar o debate. Quão longe podem avançar essas pesquisas? Até onde devem chegar? É importante que as pessoas estejam atentas ao que ocorre e opinem sobre o que as deixa tranquilas e sobre o que as incomoda.
* Esta entrevista foi publicada pela Revista HSM Management (Janeiro/Fevereiro de 2010 br.hsmglobal.com) e agora no Mundo do Marketing por meio de parceria que os dois veículos mantêm.
Postado por HSM Management - 02/02/10 - 08:00
Classe D é a bola da vez /// Mundo do Marketing
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Postado por
Unknown
em
4/01/2010 07:53:00 PM
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consumo
Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing 16/03/2010 sylvia@mundodomarketing.com.br
Depois de todas as atenções voltadas para a classe C, chega a hora da classe D. Com R$ 381 bilhões para gastar em 2010 e expectativa de que a massa de renda ultrapasse a da classe B ainda este ano, é na D que o mercado encontra novos consumidores. Com o perfil de consumo diferente de todas as outras classes sociais, já que não pode arriscar e precisa fazer o orçamento render, as famílias da base da pirâmide aparecem como um desafio para o mercado, mas podem ser uma grande oportunidade para as empresas que conseguirem entendê-las.
Com uma cesta de produtos ainda reduzida, se comparada ao consumo das outras classes, esses consumidores estão em ascensão. O número de categorias consumidas passou de 21, em 2002, para 34, em 2009, segundo o estudo Tendências da Maioria, realizado pelo Datafolha/Data Popular e obtida com exclusividade pelo Mundo do Marketing. Entre os produtos que entraram para a lista de compras recentemente estão suco pronto, massa instantânea, detergente líquido, molho de tomate, creme de cabelo e amaciante de roupa. Esse número tende a crescer e não se limita ao consumo de massa.
Em 2010, estes consumidores pretendem adquirir computador, geladeira, moto, carro e viagens de avião. O segredo para vender para eles está em desvendar as diferenças e características desta classe, que muitas vezes se assemelham às da classe C. Saem na frente as marcas que apoiarem este consumidor no momento em que ele ingressa no mercado de consumo.
“O consumidor de classe D está sendo apresentado agora ao universo das marcas. Aquelas que souberem ensiná-lo que marca não é apenas status, mas que funciona como avalista de qualidade de um produto, tendem a ter a fidelidade desse público”, aponta Renato Meirelles, Sócio-diretor do Data Popular, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Venda deve ser assistida
Marcas que usem embalagem ou material de comunicação para orientar estes consumidores estão no caminho certo. A venda deve ser assistida, o que faz com que o papel do autoserviço seja menor na classe D, que prefere comprar em feira livre, no varejo tradicional ou com um vendedor porta a porta, para que receba explicações sobre a melhor maneira de usar o produto.
As categorias que pretendem conquistar o consumidor da base da pirâmide devem investir em embalagens e quantidades de menor desembolso, que deixem o consumidor seguro para arriscar e experimentar novos produtos. Já aquelas que estão consolidadas e são de presença contínua no dia a dia podem apostar em embalagens tamanho família, que tendem a ser mais econômicas.
Para as marcas de consumo de massa, a classe D é o segmento em que as chances de faturamento são maiores. “É um mercado muito grande, o que para os bens de consumo de massa é fundamental. Tem muito mais gente na classe D do que na A e na B”, conta Meirelles (foto). Atualmente, são 71,3 milhões de pessoas que recebem até três salários mínimos. Até novembro de 2009, 30% da classe D havia migrado para a C, enquanto 55% mantiveram a mesma posição e apenas 15% caiu para a E. “O que a classe C for crescer virá da classe D, eles são os emergentes dos emergentes”, explica Meirelles.
Mulheres respondem por 43% do orçamento
Programas como o Bolsa Família são algum dos responsáveis por impulsionar o consumo entre essas famílias. Outro fator importante é o aumento do salário mínimo. O último reajuste, por exemplo, colocou R$ 27 bilhões na economia. Serviços educacionais, produtos de higiene e beleza e itens de informática são interesses que se destacam por serem vistos como um meio para aumentar o orçamento familiar.
De acordo com a pesquisa do Datafolha/ Data Popular, 25% dos entrevistados pretendem matricular seus filhos em escolas particulares. Atualmente, das 5,5 milhões de crianças de até 14 anos que estudam em colégios privados, 19,1% pertencem à classe D. Já o computador aparece como um dos principais bens a serem consumidos este ano, com 33% das intenções de compras. A beleza também é vista como um investimento para se destacar no mercado de trabalho.
Isso inclui as mulheres, que já chefiam 32% das famílias de classe D e respondem por 43% do total de rendimento. “A beleza é importante, pois elas tendem a ganhar mais dinheiro quando se apresentam melhor. A busca pela vaidade está relacionada ao resgate da autoestima, mas também é um investimento para se dar melhor no mercado de trabalho”, explica o Sócio-diretor do Data Popular.
Investir na classe D pensando no futuro
Na hora de se comunicar com este consumidor, a televisão ainda é o principal canal, mas não se pode negar o crescimento da penetração da internet neste grupo. “Este consumidor ainda é medroso para a compra on-line e o cartão de crédito é algo recente, mas a internet como fonte de pesquisa de preço já é um fato”, acredita Meirelles.
Com a consolidação da classe C e a ascensão da D, encontrar a forma ideal para se comunicar com este consumidor é o caminho para o sucesso das marcas que toparem o desafio. “Quem foi pioneiro olhando para a classe C olhe para a classe D. Eles são mais jovens e farão parte do mercado consumidor por mais tempo. Investir no futuro é investir na classe D, seja porque ela migrará para a classe C, ou porque tem mais a conquistar, já que a cesta de produtos é menor. As marcas que entenderem essa oportunidade têm grande chance de serem líderes de mercado no futuro”, aconselha do Sócio-diretor do Data Popular.
* com reportagem de Bruno Mello.
* atualizada às 11h56 do dia 17
Postado por Sylvia de Sá - 16/16/10 - 10:02
Cientistas querem colaborar com agricultores na busca de sustentabilidade /// Deutsche Welle
Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Crise climática requer novas soluções para a agricultura no mundo
Não é de hoje que os cientistas são acusados de se isolarem numa torre de marfim, longe das realidades sociais. Uma conferência bienal sobre o futuro da agricultura tenta aproximar pesquisa e prática rural.
Durante a primeira conferência global sobre pesquisa agrícola para o desenvolvimento, realizada na cidade francesa de Montpellier, cientistas de todo o mundo se reuniram com políticos, organizações não-governamentais e doadores, a fim de refletir sobre o futuro da agricultura. Afinal, diante das crises ambientais que se tornaram nítidas no início do século 21 – como a mudança climática, a crescente escassez de água e os descompassos demográficos –, repensar a agricultura significa refletir sobre o futuro da humanidade.
Até 2050, o planeta atingirá uma população de 9 bilhões de pessoas, a ser alimentada sob condições cada vez mais difíceis. A crescente escassez de recursos naturais que se nota hoje já provoca apelos veementes pela sustentabilidade. Além disso, a falta de alimentos vem gerando instabilidades em diversos países e os recursos originariamente destinados ao desenvolvimento rural foram em parte cortados após a crise financeira global.
Lenta mudança de mentalidade
O resultado concreto da conferência de Montpellier foi um plano de ação que conclama institutos de pesquisa, doadores, governos, organizações de agricultores e a sociedade civil a trabalharem em conjunto, a fim de promover o desenvolvimento rural e a segurança alimentar.
Mounty Jones, diretor do Fórum de Pesquisa Agrícola para a África, é da opinião de que as investigações científicas devem se aproximar mais da prática no futuro. Seria importante não pesquisar ao largo dos agricultores, mas sim junto com eles. "Essas são as pessoas para as quais trabalhamos, são as pessoas que podem nos dizer como ajudá-las. Foi-se o tempo em que os outros é que tomavam decisões para os agricultores. Chegou a hora de decidirmos juntamente com eles e fazer algo a partir disso", declarou Jones.
Apesar dessa urgência, não é de uma hora para a outra que se pode mudar a mentalidade dos cientistas. Benedikt Haerlin, da Fundação Alemã para o Futuro da Agricultura, sediada em Berlim, não tem certeza se a nova conferência bienal lançada em Montpellier poderá prestar uma contribuição essencial no sentido de aproximar a pesquisa da sociedade.
"Vejo que a retórica é outra, mas ao mesmo tempo percebo o quão pouco a mentalidade dos pesquisadores mudou. No fundo, acaba sendo o mesmo clube de senhores que se reúne aqui", descreve ele com ceticismo.
Mobilizar a juventude
Esse clube de senhores também desagrada ao jovem pesquisador indiano Balasubramian Ramani, do departamento de Agricultura da Universidade de Hannover. A maioria dos agricultores de todo o mundo são mulheres e quem deverá resolver os problemas rurais são os jovens; no entanto, esses são os grupos menos representados na conferência, lamenta ele.
"Há cinco anos, estamos tentando integrar os jovens nos processos de decisão. Fala-se de reestruturação e do futuro da agricultura mundial, mas no fundo todos precisam entender que nós, jovens, é que somos o futuro. É por isso que não queremos permitir que homens e mulheres de terno cinza decidam sobre o nosso futuro", adverte o cientista indiano.
Ainda seria cedo demais para avaliar as perspectivas de êxito ou fracasso do plano de ação de Montpellier. De qualquer forma, não deixa de ser um passo certo no sentido de reduzir o abismo que separa a ciência da prática.
Benedikt Haerlin constata que "toda mudança no mundo acadêmico começa com muitas palavras". "Não estou dizendo que isso não leva a nada, mas até agora se conquistou muito pouco", aponta ele.
Até que ponto a conferência sobre o futuro da agricultura tem futuro é o que se mostrará na próxima edição do evento, a ser realizada daqui a dois anos.
Autor: Helle Jeppesen (sl)
Revisão: Augusto Valente
Não é de hoje que os cientistas são acusados de se isolarem numa torre de marfim, longe das realidades sociais. Uma conferência bienal sobre o futuro da agricultura tenta aproximar pesquisa e prática rural.
Durante a primeira conferência global sobre pesquisa agrícola para o desenvolvimento, realizada na cidade francesa de Montpellier, cientistas de todo o mundo se reuniram com políticos, organizações não-governamentais e doadores, a fim de refletir sobre o futuro da agricultura. Afinal, diante das crises ambientais que se tornaram nítidas no início do século 21 – como a mudança climática, a crescente escassez de água e os descompassos demográficos –, repensar a agricultura significa refletir sobre o futuro da humanidade.
Até 2050, o planeta atingirá uma população de 9 bilhões de pessoas, a ser alimentada sob condições cada vez mais difíceis. A crescente escassez de recursos naturais que se nota hoje já provoca apelos veementes pela sustentabilidade. Além disso, a falta de alimentos vem gerando instabilidades em diversos países e os recursos originariamente destinados ao desenvolvimento rural foram em parte cortados após a crise financeira global.
Lenta mudança de mentalidade
O resultado concreto da conferência de Montpellier foi um plano de ação que conclama institutos de pesquisa, doadores, governos, organizações de agricultores e a sociedade civil a trabalharem em conjunto, a fim de promover o desenvolvimento rural e a segurança alimentar.
Mounty Jones, diretor do Fórum de Pesquisa Agrícola para a África, é da opinião de que as investigações científicas devem se aproximar mais da prática no futuro. Seria importante não pesquisar ao largo dos agricultores, mas sim junto com eles. "Essas são as pessoas para as quais trabalhamos, são as pessoas que podem nos dizer como ajudá-las. Foi-se o tempo em que os outros é que tomavam decisões para os agricultores. Chegou a hora de decidirmos juntamente com eles e fazer algo a partir disso", declarou Jones.
Apesar dessa urgência, não é de uma hora para a outra que se pode mudar a mentalidade dos cientistas. Benedikt Haerlin, da Fundação Alemã para o Futuro da Agricultura, sediada em Berlim, não tem certeza se a nova conferência bienal lançada em Montpellier poderá prestar uma contribuição essencial no sentido de aproximar a pesquisa da sociedade.
"Vejo que a retórica é outra, mas ao mesmo tempo percebo o quão pouco a mentalidade dos pesquisadores mudou. No fundo, acaba sendo o mesmo clube de senhores que se reúne aqui", descreve ele com ceticismo.
Mobilizar a juventude
Esse clube de senhores também desagrada ao jovem pesquisador indiano Balasubramian Ramani, do departamento de Agricultura da Universidade de Hannover. A maioria dos agricultores de todo o mundo são mulheres e quem deverá resolver os problemas rurais são os jovens; no entanto, esses são os grupos menos representados na conferência, lamenta ele.
"Há cinco anos, estamos tentando integrar os jovens nos processos de decisão. Fala-se de reestruturação e do futuro da agricultura mundial, mas no fundo todos precisam entender que nós, jovens, é que somos o futuro. É por isso que não queremos permitir que homens e mulheres de terno cinza decidam sobre o nosso futuro", adverte o cientista indiano.
Ainda seria cedo demais para avaliar as perspectivas de êxito ou fracasso do plano de ação de Montpellier. De qualquer forma, não deixa de ser um passo certo no sentido de reduzir o abismo que separa a ciência da prática.
Benedikt Haerlin constata que "toda mudança no mundo acadêmico começa com muitas palavras". "Não estou dizendo que isso não leva a nada, mas até agora se conquistou muito pouco", aponta ele.
Até que ponto a conferência sobre o futuro da agricultura tem futuro é o que se mostrará na próxima edição do evento, a ser realizada daqui a dois anos.
Autor: Helle Jeppesen (sl)
Revisão: Augusto Valente
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