Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Riscos das Mudanças Climáticas no Brasil // INPE




Elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Met Office Hadley Centre (MOHC), o estudo conclui que o aumento na temperatura e o descréscimo das chuvas na Amazônia acima da variação global são fatores críticos para a região. O documento é resultado de três anos de trabalho de pesquisadores do Reino Unido e do Brasil, com financiamento da Embaixada Britânica.
Os estudos mostram a importância da Amazônia para o clima global e como provedora de serviços ambientais para o Brasil. O objetivo do projeto é subsidiar os formuladores de políticas com evidências científicas das mudanças climáticas e de seus possíveis impactos no Brasil, na América do Sul e em nível global.

O documento está dividido em duas seções: a primeira fornece o contexto para o trabalho; a segunda detalha a nova ciência levada a cabo e antecipa avanços científicos importantes para o planejamento e a política.
Fonte: http://www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/relatorioport.pdf

Projeto REDD-PAC é lançado no INPE

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) promoveu o lançamento do projeto REDD-PAC (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), uma parceria internacional com IIASA (Instituto Internacional para Análises de Sistemas Aplicados, Áustria), COMIFAC (Comissão de Florestas da África Central), UNEP-WCMC (Programa das Nações Unidas para Ambiente - Centro Mundial de Monitoramento da Conservação) e IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

O projeto, que tem o apoio do escritório internacional do Global Land Project (GLP), sediado no INPE, foi lançado durante workshop realizado de 22 a 24 de maio.

O REDD-PAC visa o desenvolvimento de know-how técnico e capacidade na concepção eficiente, eficaz e ambientalmente relevante de estratégias de REDD+ (veja abaixo). Além disso, o projeto funcionará como um fórum global para compartilhar e melhorar os dados globais sobre as florestas e as forçantes do desmatamento, e desenvolver metodologias de referência para modelagem de REDD+, bem como de ordenamento do território.

O projeto irá se beneficiar da experiência já existente nas organizações parceiras. O IIASA contribuirá com sua capacidade de modelagem global. INPE e COMIFAC irão contribuir fornecendo dados de alta resolução sobre o Brasil e países da Bacia do Congo, respectivamente. O INPE também contribuirá com resultados espaciais complementares, a partir de seus modelos de alta resolução de desmatamento. O WCMC oferecerá sua experiência na área de indicadores de biodiversidade.

A parte de modelagem do projeto incidirá sobre as florestas tropicais da África Central e do Brasil. A análise será desenvolvida em três fases: descrição espacial das forçantes de desmatamento, recursos florestais, os estoques de carbono, biodiversidade e áreas prioritárias para a conservação das áreas em estudo; descrição quantitativa de um conjunto de REDD+ e cenários de biodiversidade; avaliação dos impactos de cada cenário sobre a economia, usos da terra, reduções de emissão e outros indicadores ambientais.

O site do workshop está disponível em: http://www.inpe.br/redd/index.php

Saiba mais sobre REDD

O conceito de REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) parte da ideia de incluir na contabilidade das emissões de gases de efeito estufa aquelas que são evitadas pela redução do desmatamento e a degradação florestal. Segundo este conceito, os países em desenvolvimento detentores de florestas tropicais, que conseguissem promover reduções das suas emissões nacionais oriundas de desmatamento, receberiam compensação financeira internacional correspondente às emissões evitadas. O conceito de redução compensada tornou-se a base da discussão de REDD.

REDD+

Hoje o conceito foi ampliado e é conhecido como REDD+, que se refere à construção de um mecanismo, ou uma política, que deverá contemplar formas de prover incentivos positivos aos países em desenvolvimento que tomarem uma ou mais das seguintes ações para a mitigação das mudanças climáticas:

1. Redução das emissões derivadas de desmatamento e degradação das florestas;
2. Aumento das reservas florestais de carbono;
3. Gestão sustentável das florestas;
4. Conservação florestal.

Fonte: Inpe

Inpe recebe supercomputador climático >>> FAPESP

Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – Caminhões climatizados, com temperatura média de 10º C, entregaram 84 volumes na cidade de Cachoeira Paulista (SP) nesta terça-feira (5/10). A carga foi transportada pela Rodovia Presidente Dutra desde São José dos Campos, onde desembarcou no dia anterior, em um DC-10 que veio dos Estados Unidos.

Nas embalagens estão as partes do novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), adquirido por cerca de R$ 50 milhões por meio de apoio da FAPESP e do Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

“A parceria com o MCT permitiu a viablilização de forma rápida e efetiva e o Inpe garante excelente apoio institucional, inclusive na adaptação de programas feitos para modelos anteriores", disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Inpe registra mais de mil focos de incêndio no Brasil nas últimas 24 horas

Da Agência Brasil
Brasília - Da meia-noite de ontem até o fim da manhã de hoje (27) foram registrados 1.391 focos de incêndios. Mato Grosso foi o estado com maior incidência de queimadas, com 729 focos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Só neste mês de agosto, já são 22.730 pontos de queimadas registrados no país.

PD no Inpe com Bolsa da FAPESP >> Agencia Fapesp

30/8/2010
Agência FAPESP – O Projeto Temático “Land use change in Amazônia: Institutional analysis and modelling at multiple temporal and spatial scales”, financiado pela FAPESP, dispõe de uma Bolsa de Pós-Doutorado, por um período de um ano, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O objetivo da bolsa é desenvolver o subprojeto "Detection and description of occupation patterns and trajectories in multitemporal satellite data".

O projeto consiste no desenvolvimento de novas metodologias para identificar e caracterizar os padrões e as trajetórias de ocupação na Amazônia usando técnicas de mineração de dados, ecologia da paisagem e análise multitemporal de dados.

O resultado final é o desenvolvimento de um framework que permita, de forma fácil e eficiente, a análise dos padrões de desflorestamento associados com os diferentes processos e estágios de ocupação humana na Floresta Amazônica.

O candidato deve ter graduação e título de doutor (recente) em ciência da computação, publicações em inglês em revista indexada, experiência em programação C++ e Java, conhecimento em técnicas de processamento digital de imagens (segmentação) e teoria de grafos. É esperado, também, que o candidato tenha motivação e habilidade para organizar tarefas de pesquisa com independência e apresente desenvoltura na redação de relatórios e artigos científicos, em inglês.

Os interessados devem enviar os seguintes documentos até 1º de setembro: carta de apresentação indicando a razão de interesse na bolsa com um breve relato de sua experiência, curriculum vitae completo e três cartas de recomendação.

Outras informações podem ser obtidas por e-mail endereçado à Dra. Leila Fonseca: leila@dpi.inpe.br.

Enviar documentos para:
•Dra. Leila Fonseca
Divisão de Processamento de Imagens - DPI
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja
12227-010 – São José dos Campos – SP

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP, no valor de R$ 5.028,90 mensais.
Outras vagas de bolsas de pós-doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em www.oportunidades.fapesp.br.

Inpe: desertificação no Semiárido é inevitável >>> Ecodesenvolvimento

10 de agosto de 2010 • 16h05 • atualizado às 16h11
As mudanças climáticas potencializarão a vulnerabilidade do processo de desertificação do Semiárido nordestino, afirmou na segunda-feira, 9 de agosto, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara. Ele não acredita que a transposição de águas do Rio São Francisco e os açudes conseguirão amenizar o problema da desertificação, uma das consequências do aquecimento global.

"Há uma tragédia anunciada no mundo e estamos todos perplexos ante a incapacidade de mudar o clima, enquanto os países mais desenvolvidos, que são os mais poluidores da atmosfera, como é o caso dos Estados Unidos, não assumem abertamente compromissos para reduzir os efeitos, mesmo em longo prazo", criticou Câmara. Segundo o diretor do Inpe, as regiões polares e tropicais são as que mais sofrerão as consequências nos próximos anos.

Florestas tropicais são maiores "máquinas" de absorver CO2 >>> Folha SP

Bioma responde por um terço da fotossíntese feita no planeta

As florestas tropicais, como a Amazônia, são as máquinas de fotossíntese mais eficientes do planeta. Um novo estudo internacional mostra que elas absorvem um terço de todo o gás carbônico que é retirado da atmosfera pelas plantas a cada ano.

Pela primeira vez, cientistas calcularam a absorção global de CO2 pela vegetação terrestre: são 123 bilhões de toneladas do gás por ano.

"É o dobro da quantidade de CO2 que os oceanos absorvem", diz Christian Beer, do Instituto Max Planck para Bioquímica, na Alemanha. Ele é coautor do estudo, publicado na revista "Science".

Selvas tropicais respondem por 34% da captura. As savanas, por 26%, apesar de ocuparem o dobro da área.

Um outro estudo, publicado na mesma edição da "Science", mostrou que a temperatura influencia pouco na quantidade de carbono exalado pelas plantas quando elas respiram.

Havia temores de que o aquecimento global pudesse acelerar as taxas de respiração, fazendo com que florestas se convertessem de "ralos" em fontes do gás -agravando mais o problema.

Juntos, esses dados devem ajudar a melhorar os modelos climáticos, que dependem do conhecimento preciso do fluxo de carbono entre plantas, atmosfera, oceanos e fontes humanas do gás.

O trabalho de Beer também ressalta a importância das florestas secundárias na Amazônia como "ralos" para o CO2 em excesso despejado no ar por seres humanos.

Isso porque, apesar de absorverem muito carbono por fotossíntese, as florestas tropicais devolvem outro tanto ao ar quando respiram.

Florestas em regeneração, por outro lado, fixam muito mais carbono do que exalam.

O estudo usou dados de uma rede internacional, a Fluxnet, que reúne centenas de torres que servem como postos de observação pelo mundo, analisando os fluxos de CO2 na vegetação ao redor.

No Brasil há quase uma dezena de torres de fluxo, a maior parte delas instaladas na Amazônia.

"Mas ainda sabemos pouco, por exemplo, sobre pontos de transição abrupta ligados ao clima, como florestas em savanização", diz o biólogo Antonio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. "E ainda existem ambientes pouco mapeados, como pântanos e brejos."
(Folha de SP, 9/7)

Inpe abre centro na Amazônia >>> Agencia Fapesp

2/7/2010
Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou nesta quinta-feira (1º/7) as instalações de seu Centro Regional da Amazônia (CRA), que fará parte do Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá, em Belém (PA).

O CRA-Inpe, que vinha operando desde 2009 nas instalações da unidade Amazônia Oriental da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), capacitará técnicos de outros países no monitoramento de florestas tropicais por satélite, trabalho que o instituto realiza há 20 anos na região.

A capacitação internacional será possível graças a um acordo entre o Inpe, a Agência Brasileira de Cooperação, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e a Agência de Cooperação Internacional do Japão.

Além da formalização do acordo, a cerimônia de inauguração da sede do CRA contou com o lançamento da parceria entre o Inpe e o Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD, na sigla em francês), da França, que permitirá a distribuição de imagens do satélite SPOT (Satélite para observação da terra, na sigla em francês) para pesquisas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil

Mais informações: http://www.inpe.br/

Procuram-se climatologistas >>> Agencia Fapesp

28/6/2010
Por Fabio Reynol

Agência FAPESP – O Brasil precisa aumentar o número de pesquisadores que atuam em modelagem climática. Essa é a opinião de Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), que considera esse o maior desafio para que o país continue crescendo na área.

Nobre, que também é coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas, falou sobre os desafios e obstáculos para o desenvolvimento de modelos climáticos no país no Faculty Summit 2010 América Latina, evento promovido pela FAPESP e pela Microsoft Research em maio, no Guarujá (SP).

Ele destacou a complexidade das pesquisas climáticas, que envolvem variadas áreas do conhecimento – como física, química, biologia e hidrologia –, além de detalhes como influências do solo, da vegetação, dos oceanos e da própria atmosfera, entre outros.

“Desenvolver um modelo computacional para simulações climáticas que considere cenários futuros e projeções para vários anos é uma tarefa muito complexa. Envolve uma imensa quantidade de variáveis e depende de capacidade de processamento igualmente grande”, disse à Agência FAPESP.

Diante desses desafios, por que o Brasil decidiu desenvolver um modelo próprio, quando há muitos já prontos em outros países? “O primeiro motivo é que precisamos desenvolver a capacidade do país nessa área”, disse.

Segundo Nobre, formar novas gerações de pesquisadores em clima e ter autonomia nessa área é estratégico para um país que baseia boa parte de sua economia em agricultura e lidera a produção de bioenergia, com destaque para o etanol da cana-de-açúcar.

Outro motivo é se manter na vanguarda da modelização do clima. “Precisamos desenvolver também as novas gerações de modelos climáticos”, apontou.

A autonomia brasileira na área também beneficia outros países, especialmente os latino-americanos vizinhos, que partilham de sistemas climáticos próximos. A troca de informações seria útil também para nações africanas. Esses fatos justificariam a defesa de um aumento na colaboração entre pesquisadores do “Sul”, incluindo a Índia.

No entanto, o desenvolvimento brasileiro na modelagem climática está limitado ao número de pesquisadores que se dedicam à área. Atualmente, o país conta com pouco mais de meia centena de profissionais especializados na construção de modelos climáticos.

“O que temos hoje é uma massa crítica mínima. Queremos triplicar esse número dentro de dez anos”, disse Nobre. O pesquisador indica que deveremos dobrar esse número dentro dos próximos cinco anos. Outros centros avançados de modelagem climática de países desenvolvidos em pesquisa em clima contam com um mínimo de 150 especialistas, número que esse esforço nacional em modelagem climática pretende alcançar por volta do ano de 2020.

Supercomputador climático
Com exceção do número de pesquisadores, o Brasil já conta com fatores que o colocam em um lugar privilegiado na pesquisa climática. “Temos quase 20 anos de experiência no assunto, nossos modelos produzem previsões de tempo e da tendência climática sazonal com bons índices de acerto, e agora temos também infraestrutura computacional”, disse Nobre.

O pesquisador se refere ao supercomputador recém-adquirido pelo Inpe com apoio da FAPESP, que tem velocidade efetiva de 15 teraflops na aplicação de modelagem e que deverá entrar em operação até o fim do ano.

Nobre explica que a modelagem climática envolve milhares de variáveis – simulações repetidas que podem chegar, cumulativamente, a centenas de milhares de anos –, considera diferentes cenários e ainda deve apresentar boa resolução. Todos esses fatores exigem uma alta capacidade de processamento, um trabalho que só é possível para os supercomputadores.

O novo sistema de supercomputação custou R$ 50 milhões, sendo R$ 15 milhões da FAPESP e R$ 35 milhões do Ministério da Ciência e da Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Esse computador está entre os cinco maiores do mundo voltados à modelagem climática”, disse Nobre.

Com a infraestrutura adequada, o Inpe pretende desenvolver nos próximos anos modelos climáticos de quinta geração, que integram ainda mais processos relevantes ao clima e que são, por conta disso, muito mais complexos.

Vulnerabilidades na mira >>> FAPESP


16/6/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Caso siga o padrão de expansão apresentado na última década, a mancha urbana da Região Metropolitana de São Paulo terá o dobro do tamanho em 2030, com aumento dos riscos de enchentes e deslizamentos. A maior parte da expansão urbana deverá ocorrer exatamente nas áreas mais vulneráveis às consequências das mudanças climáticas e a maior parte dos impactos será sofrida pelos mais pobres.

Essas são algumas das conclusões do relatório Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo, apresentado nesta terça-feira (15/6) na capital paulista em um debate promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo jornal Folha de S. Paulo.

O estudo, que faz projeções climáticas para os próximos 20 anos e cenários futuros entre 2070 e 2100, formou a primeira base para a produção de mapas qualitativos de riscos de deslizamentos, enchentes e riscos sobre a saúde na região, indicando espacialmente as vulnerabilidades frente aos efeitos do aquecimento global.

Os dados do relatório mostram que uma elevação média na temperatura da região metropolitana de 2 ºC a 3 ºC poderá dobrar o número de dias com chuvas intensas na capital paulista. Segundo a projeção, o número de dias e noites quentes deverá aumentar, com diminuição no número de dias e noites frios. Mais de 20% da área total da expansão urbana da região metropolitana estará vulnerável em 2030. Cerca de 11% das novas ocupações poderão ser feitas em áreas de risco de deslizamento.

Participaram do estudo pesquisadores do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Inpe, do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O relatório foi apresentado por Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe, que participou, em seguida, de debate sobre o estudo com o vereador Gilberto Natalini, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, e o ex-secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade, Fábio Feldmann.

De acordo com Nobre, o estudo é o primeiro resultado de uma linha de projetos interdisciplinares que tem apoio do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), do qual é coordenador, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas e da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede-Clima).

O estudo seguiu um formato inovador. Depois de uma primeira consulta com especialistas e gestores sobre o conceito de vulnerabilidade, foram realizados em 2009 dois painéis que reuniram equipe técnica, gestores e especialistas do Brasil e do exterior para discutir as vulnerabilidade das duas principais megacidades brasileiras – São Paulo e Rio de Janeiro – às mudanças climáticas globais. O painel paulista foi realizado na FAPESP.

“A cidade de São Paulo já está apresentando mudanças climáticas gigantescas nos últimos 50 anos. Além dos impactos da mudança climática global, a cidade também tem uma modificação suplementar “, disse Nobre.

Medições no bairro da Saúde, por exemplo, mostraram aumento de 2,1 ºC desde a década de 1930. As chuvas aumentaram em mais de 20%, chegando a 295 milímetros, e a diminuição da umidade relativa do ar chegou a 7%. O fenômeno das ilhas de calor também foi marcante na capital paulista: foram registradas diferenças de até 7 ºC entre áreas do centro e da periferia.

“Se em 1930 as chuvas muito intensas, de 50 milímetros, eram eventos que ocorriam anualmente, agora elas acontecem quatro vezes por ano em média”, disse Nobre.

Para construir os cenários, os pesquisadores aplicaram um modelo de projeção de mancha urbana associado ao modelo conhecido como Hand, que permitiu identificar as possíveis áreas que teriam ocupação urbana no futuro e qual o risco potencial, caso o padrão de uso e ocupação do solo atual se perpetue sem nenhuma alteração e controle.

“A vulnerabilidade tem três componentes principais: chuva, declividade e uso do solo. Se uma região de média declividade for coberta por vegetação, o risco é pequeno. Mas se essa mesma região é ocupada por uma favela, ou um lixão, com drenagem muito precária, o risco pode ser altíssimo”, disse Nobre.

Segundo o relatório, hoje cerca de 30% da população da região metropolitana de São Paulo, ou aproximadamente 2,7 milhões de pessoas, vive em comunidades, cortiços e habitações precárias, muitas vezes ilegais.

Concentrações significativas de áreas de risco de escorregamentos estão presentes na Zona Sul da capital paulista (Jabaquara, Cidade Ademar, Pedreira, Cidade Dutra, Jardim Ângela, Capão Redondo e Campo Limpo). Nessa região, estão concentradas mais de 50% das favelas em São Paulo.

Nas demais regiões, as áreas de risco localizam-se na Zona Oeste (Butantã e Jaguaré), na Zona Norte (Perus, Pirituba, Jaraguá, Brasilândia, Freguesia do Ó e Tremembé) e na Zona Leste (Sapopemba, São Mateus, Aricanduva, Vila Formosa, Vila Prudente e Itaquera).



Não repetir erros

O estudo dividiu as vulnerabilidades em diversas categorias, definindo os principais cenários de risco, como enchentes e inundações, enxurradas com alto potencial de arraste, alagamentos em diferentes pontos, lixo lançado nos cursos d’água, escorregamentos de massa em encostas e eventos pluviométricos mais severos. O trabalho avaliou também os diversos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana.

“Os impactos das enchentes e inundações, por exemplo, deverão atingir habitações, atividades industriais, comerciais e o sistema de transporte urbano e rodoviário, com contribuição da expansão das vias em áreas de várzea para atender ao crescimento da demanda de tráfego”, disse Nobre.

Os impactos sobre a saúde incluem aumento de incidência de alergias – como rinite e asma – e da intensidade e duração dos sintomas por causa da poluição atmosférica. “Utilizando modelos com dois parâmetros – poluição e temperatura –, observou-se que esses fatores explicam 80% dos casos dos picos de internações por doenças das vias respiratórias inferiores”, afirmou.

Segundo Nobre, embora não tenha sido seu objetivo principal, o relatório também aponta medidas de adaptação que as cidades da região metropolitana terão que buscar.

"Uma das recomendações mais importantes é não repetir os erros do passado quanto aos padrões de expansão urbana", disse Nobre. De acordo com o estudo, será preciso aumentar os investimentos em pesquisas voltadas para modelagem do clima, assim como na elaboração de modelos hidrológicos que permitam ações preventivas. Haverá ainda necessidade de investir em transportes coletivos e de criar áreas de proteção ambiental nas áreas de várzeas de rios.

Segundo Natalini, a votação da Lei de Mudanças Climáticas de São Paulo demonstra que a Câmara Municipal da cidade está empenhada em discutir o tema e em contribuir para as adaptações necessárias na cidade. “O problema é muito grave e o desafio de São Paulo é imenso, porque a cidade, em geral, não teve qualquer planejamento durante sua fase de maior expansão”, disse.

Jorge afirmou que, embora o tema das mudanças climáticas venha sendo mais comentado atualmente, é necessário agora encarar de frente o tema das adaptações. “A cidade de São Paulo está descobrindo que essa não é apenas uma questão ambiental, mas também econômica e social. Estamos começando a perceber agora que as mudanças climáticas precisam ser tratadas como um tema transversal, em todas as esferas de governo, e horizontal, em todas as secretarias”, disse.

Feldmann destacou a qualidade científica do trabalho e a capacidade de articulação institucional demonstrada na realização do estudo. “Um dos principais méritos do estudo é sinalizar para o cidadão com a noção de que ele é um protagonista do processo. A emissão de gases de efeito estufa, por exemplo, depende do seu comportamento”, afirmou.

•O sumário executivo do estudo Vulnerabilidades das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo pode ser lido em: www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/megacidades.pdf

Pesquisadores do Inpe são premiados /// Fapesp

13/5/2010
Agência FAPESP – Os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) José Antonio Marengo e Carlos Nobre , ambos do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe, foram agraciados com prêmio internacional.

José Marengo recebeu o prêmio Internacional Journal of Climatology Prize for 2009 pela relevância do conjunto dos trabalhos publicados nos últimos cinco anos. A publicação é editada pela Royal Meteorological Society, entidade criada no século 19.

Marengo é membro do conselho editorial do Internacional Journal of Climatology, considerada uma das mais importantes publicações do mundo na área. Publicou cerca de 10 artigos na revista, como autor principal e coautor que enfocam, principalmente, estudos sobre o clima e o tempo na região tropical da América do Sul.

O pesquisador receberá um certificado e um prêmio em dinheiro, a serem entregues no dia 19 de maio, em Londres, durante evento organizado pela sociedade.

Já Carlos Nobre, que é chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe e também é coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, foi agraciado com a Medalha Alexander von Humboldt, concedida pela European Geosciences Union (EGU).

A medalha, que foi entregue no dia 5 maio durante a Assembleia Geral da EGU realizada em Viena, na Áustria, foi concedida em reconhecimento aos trabalhos do pesquisador sobre as florestas da Amazônia e seu papel no sistema climático da Terra. O EGU publica vários periódicos importantes como Journal Earth System Dynamics e Journal Solid Earth.

Mais informações: http://www.inpe.br/

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