O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) estimou em 2007 que a degradação e o desmatamento são responsáveis pela emissão de 5,8 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, aproximadamente 17% do total de emissões globais. Diante disso, as Nações Unidas classificaram a preservação das florestas como uma das principais ferramentas para frear as mudanças climáticas. Segundo dados da própria ONU, seriam precisos entre US$ 22 bilhões a US$ 38 bilhões nos próximos cinco anos para reduzir as emissões anuais por desmatamento em 25%.
O preço é relativamente baixo se for comparado com o que seria preciso para alcançar a mesma redução em setores industriais. Sem falar em todos os ganhos para a biodiversidade e qualidade de vida.
Buscando dar apoio a iniciativas de conservação, o Programa de REDD da ONU divulgou sua estratégia até 2015. O plano de ações promete aumentar o número de países envolvidos, estabelecer o mecanismo como uma nova forma de financiamento para a economia sustentável e incentivar a formação de parcerias estratégicas.
As iniciativas de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) começaram a ganhar destaque a partir da Conferência do Clima de Copenhague em 2009 (COP-15). Mais recentemente, foi consolidada uma nova postura do REDD que leva em conta a importância de proteger o modo de vida dos povos das florestas, chamada de REDD +. Em Cancún, durante a COP 16, muitos avanços foram conquistados e o mecanismo saiu como o grande ponto positivo da conferência.
Atualmente, existem projetos de REDD+ em 29 países, movimentando mais de US$ 4 bilhões.
Traçando o Caminho
O Plano Estratégico apresentado pela ONU prevê ações para o período entre 2011 a 2015 e está focado em ajudar os países a desenvolverem as iniciativas de REDD+ de maneira eficiente e que realmente ajudem na conservação das florestas. O plano define seis áreas vitais: monitoramento, verificação e relato (MRV); governança; engajamento das partes interessadas; benefícios múltiplos das florestas e REDD+; gerenciamento dos pagamentos; REDD+ como um catalisador para a economia verde.
Veja o que a ONU promete resumidamente para cada uma delas:
Monitoramento, verificação e relato (MRV) - Aumento do número de pessoal e de países com capacidade de realizar as medições. Projetos e pesquisas nesse sentido irão receber linhas de crédito facilitadas.
Governança Nacional de REDD+ - Adoção de medidas anticorrupção, como códigos de conduta, proibições de envolvimento de participantes com claros conflitos de interesse, padrões de segurança e transparência.
Engajamento das partes interessadas - Povos indígenas, sociedade civil e outros acionistas irão participar mais ativamente das decisões do REDD+ com o aumento de sua representatividade nas reuniões. Além disso, os países precisarão consultar as populações nativas antes de se candidatarem para o REDD+.
Benefícios Múltiplos - Todas as possibilidades do REDD+ serão exploradas de forma que sejam garantidos benefícios para todos os envolvidos; países, povos tradicionais e ecossistemas. Padrões de qualidade deverão ser adotados.
Gerenciamento dos pagamentos - Sistemas de distribuição e administração de fundos serão aprimorados para evitar desvio e fiscalizar a utilização dos recursos. Indicadores devem ser criados para acompanhar a parte financeira do REDD+.
REDD+ como um catalisador para a economia verde – Fortalecimento do mecanismo para que se torne uma ferramenta para motivar os investimentos sustentáveis. Aumento do número dos projetos deve levar ao maior interesse da iniciativa privada e como consequência a importância do REDD+ crescerá nas políticas nacionais de preservação. Para acompanhar os avanços dessas medidas, relatórios independentes serão realizados. Além disso, a cada dois ou três anos, todo o Programa ONU-REDD será avaliado por entidades externas.
O programa de REDD das Nações Unidas foi lançado em 2008 para o desenvolvimento de políticas que incentivem o mecanismo como uma forma de frear as mudanças climáticas, preservar as florestas e manter o estilo de vida dos povos nativos. O ONU-REDD utiliza os conhecimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Crise ecológica >>> IHU Unisinos
O planeta Terra dá sinais cada vez mais reiterados e evidentes de esgotamento. Os sistemas físicos e biológicos alteram-se rapidamente como nunca antes aconteceu na história da civilização humana. Desde o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de fevereiro de 2007, já não há mais contestação de que o responsável pela evolução acelerada da tragédia ambiental é a ação antropogênica sobre a Terra. À época, o informe dos pesquisadores e cientistas foi categórico e não deixou espaço para dúvidas ao afirmar de forma contundente – o relatório utilizou a expressão “inequívoca” – que o aquecimento global se deve à intervenção humana sobre o planeta.
Procuram-se climatologistas >>> Agencia Fapesp
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6/29/2010 03:22:00 AM
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28/6/2010
Agência FAPESP – O Brasil precisa aumentar o número de pesquisadores que atuam em modelagem climática. Essa é a opinião de Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), que considera esse o maior desafio para que o país continue crescendo na área.
Nobre, que também é coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas, falou sobre os desafios e obstáculos para o desenvolvimento de modelos climáticos no país no Faculty Summit 2010 América Latina, evento promovido pela FAPESP e pela Microsoft Research em maio, no Guarujá (SP).
Ele destacou a complexidade das pesquisas climáticas, que envolvem variadas áreas do conhecimento – como física, química, biologia e hidrologia –, além de detalhes como influências do solo, da vegetação, dos oceanos e da própria atmosfera, entre outros.
“Desenvolver um modelo computacional para simulações climáticas que considere cenários futuros e projeções para vários anos é uma tarefa muito complexa. Envolve uma imensa quantidade de variáveis e depende de capacidade de processamento igualmente grande”, disse à Agência FAPESP.
Diante desses desafios, por que o Brasil decidiu desenvolver um modelo próprio, quando há muitos já prontos em outros países? “O primeiro motivo é que precisamos desenvolver a capacidade do país nessa área”, disse.
Segundo Nobre, formar novas gerações de pesquisadores em clima e ter autonomia nessa área é estratégico para um país que baseia boa parte de sua economia em agricultura e lidera a produção de bioenergia, com destaque para o etanol da cana-de-açúcar.
Outro motivo é se manter na vanguarda da modelização do clima. “Precisamos desenvolver também as novas gerações de modelos climáticos”, apontou.
A autonomia brasileira na área também beneficia outros países, especialmente os latino-americanos vizinhos, que partilham de sistemas climáticos próximos. A troca de informações seria útil também para nações africanas. Esses fatos justificariam a defesa de um aumento na colaboração entre pesquisadores do “Sul”, incluindo a Índia.
No entanto, o desenvolvimento brasileiro na modelagem climática está limitado ao número de pesquisadores que se dedicam à área. Atualmente, o país conta com pouco mais de meia centena de profissionais especializados na construção de modelos climáticos.
“O que temos hoje é uma massa crítica mínima. Queremos triplicar esse número dentro de dez anos”, disse Nobre. O pesquisador indica que deveremos dobrar esse número dentro dos próximos cinco anos. Outros centros avançados de modelagem climática de países desenvolvidos em pesquisa em clima contam com um mínimo de 150 especialistas, número que esse esforço nacional em modelagem climática pretende alcançar por volta do ano de 2020.
Supercomputador climático
Com exceção do número de pesquisadores, o Brasil já conta com fatores que o colocam em um lugar privilegiado na pesquisa climática. “Temos quase 20 anos de experiência no assunto, nossos modelos produzem previsões de tempo e da tendência climática sazonal com bons índices de acerto, e agora temos também infraestrutura computacional”, disse Nobre.
O pesquisador se refere ao supercomputador recém-adquirido pelo Inpe com apoio da FAPESP, que tem velocidade efetiva de 15 teraflops na aplicação de modelagem e que deverá entrar em operação até o fim do ano.
Nobre explica que a modelagem climática envolve milhares de variáveis – simulações repetidas que podem chegar, cumulativamente, a centenas de milhares de anos –, considera diferentes cenários e ainda deve apresentar boa resolução. Todos esses fatores exigem uma alta capacidade de processamento, um trabalho que só é possível para os supercomputadores.
O novo sistema de supercomputação custou R$ 50 milhões, sendo R$ 15 milhões da FAPESP e R$ 35 milhões do Ministério da Ciência e da Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Esse computador está entre os cinco maiores do mundo voltados à modelagem climática”, disse Nobre.
Com a infraestrutura adequada, o Inpe pretende desenvolver nos próximos anos modelos climáticos de quinta geração, que integram ainda mais processos relevantes ao clima e que são, por conta disso, muito mais complexos.
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – O Brasil precisa aumentar o número de pesquisadores que atuam em modelagem climática. Essa é a opinião de Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), que considera esse o maior desafio para que o país continue crescendo na área.
Nobre, que também é coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas, falou sobre os desafios e obstáculos para o desenvolvimento de modelos climáticos no país no Faculty Summit 2010 América Latina, evento promovido pela FAPESP e pela Microsoft Research em maio, no Guarujá (SP).
Ele destacou a complexidade das pesquisas climáticas, que envolvem variadas áreas do conhecimento – como física, química, biologia e hidrologia –, além de detalhes como influências do solo, da vegetação, dos oceanos e da própria atmosfera, entre outros.
“Desenvolver um modelo computacional para simulações climáticas que considere cenários futuros e projeções para vários anos é uma tarefa muito complexa. Envolve uma imensa quantidade de variáveis e depende de capacidade de processamento igualmente grande”, disse à Agência FAPESP.
Diante desses desafios, por que o Brasil decidiu desenvolver um modelo próprio, quando há muitos já prontos em outros países? “O primeiro motivo é que precisamos desenvolver a capacidade do país nessa área”, disse.
Segundo Nobre, formar novas gerações de pesquisadores em clima e ter autonomia nessa área é estratégico para um país que baseia boa parte de sua economia em agricultura e lidera a produção de bioenergia, com destaque para o etanol da cana-de-açúcar.
Outro motivo é se manter na vanguarda da modelização do clima. “Precisamos desenvolver também as novas gerações de modelos climáticos”, apontou.
A autonomia brasileira na área também beneficia outros países, especialmente os latino-americanos vizinhos, que partilham de sistemas climáticos próximos. A troca de informações seria útil também para nações africanas. Esses fatos justificariam a defesa de um aumento na colaboração entre pesquisadores do “Sul”, incluindo a Índia.
No entanto, o desenvolvimento brasileiro na modelagem climática está limitado ao número de pesquisadores que se dedicam à área. Atualmente, o país conta com pouco mais de meia centena de profissionais especializados na construção de modelos climáticos.
“O que temos hoje é uma massa crítica mínima. Queremos triplicar esse número dentro de dez anos”, disse Nobre. O pesquisador indica que deveremos dobrar esse número dentro dos próximos cinco anos. Outros centros avançados de modelagem climática de países desenvolvidos em pesquisa em clima contam com um mínimo de 150 especialistas, número que esse esforço nacional em modelagem climática pretende alcançar por volta do ano de 2020.
Supercomputador climático
Com exceção do número de pesquisadores, o Brasil já conta com fatores que o colocam em um lugar privilegiado na pesquisa climática. “Temos quase 20 anos de experiência no assunto, nossos modelos produzem previsões de tempo e da tendência climática sazonal com bons índices de acerto, e agora temos também infraestrutura computacional”, disse Nobre.
O pesquisador se refere ao supercomputador recém-adquirido pelo Inpe com apoio da FAPESP, que tem velocidade efetiva de 15 teraflops na aplicação de modelagem e que deverá entrar em operação até o fim do ano.
Nobre explica que a modelagem climática envolve milhares de variáveis – simulações repetidas que podem chegar, cumulativamente, a centenas de milhares de anos –, considera diferentes cenários e ainda deve apresentar boa resolução. Todos esses fatores exigem uma alta capacidade de processamento, um trabalho que só é possível para os supercomputadores.
O novo sistema de supercomputação custou R$ 50 milhões, sendo R$ 15 milhões da FAPESP e R$ 35 milhões do Ministério da Ciência e da Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Esse computador está entre os cinco maiores do mundo voltados à modelagem climática”, disse Nobre.
Com a infraestrutura adequada, o Inpe pretende desenvolver nos próximos anos modelos climáticos de quinta geração, que integram ainda mais processos relevantes ao clima e que são, por conta disso, muito mais complexos.
Brasileiros no IPCC >>> Agencia FAPESP
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6/25/2010 03:15:00 AM
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25/6/2010
Agência FAPESP – O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgou, no dia 23 de junho, a lista de 831 especialistas que vão elaborar o seu quinto Relatório de Avaliação (AR5), que será publicado em 2014. Entre eles estão 25 brasileiros.
Os selecionados estão divididos em três grupos de trabalho (WGs, na sigla em inglês). O WG1 reúne estudos físicos e terá 258 integrantes. O WG2, com 302, avaliará impactos, vulnerabilidades e estratégias de adaptação relacionados às mudanças climáticas. O WG3 enfocará pesquisas sobre estratégias de resposta à mitigação em um cenário de risco e incerteza, com 271 profissionais convocados.
Segundo o IPCC, nesse quinto relatório haverá uma participação maior de especialistas vindos de países em desenvolvimento (30% do total) e também de mulheres (25%). No entanto, a maior prioridade foi dada a jovens pesquisadores que ainda não haviam participado do IPCC e somam 60% do total.
Entre esses está Chou Sin Chan, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec-Inpe), escolhida pela primeira vez para participar como autora de um relatório do IPCC.
“Eu me sinto muito honrada com a escolha”, disse à Agência FAPESP a pesquisadora que coordena o Projeto Temático “Estudos da previsibilidade de eventos meteorológicos extremos na Serra do Mar”, apoiado pela FAPESP.
Chou, que fará parte do WG1, acredita que sua seleção esteja relacionada ao trabalho de elaboração de modelos de cenários climáticos regionais. “Até agora, o IPCC vem utilizando modelos globais com resolução de 200 ou 300 quilômetros, que resultam em estudos de impacto mais grosseiros”, disse. Segundo ela, os modelos regionais permitem melhor qualidade de dados e de detalhes importantes com relação à topografia, vegetação e até ao recorte litorâneo.
Ao divulgar a lista de autores, o IPCC afirmou que procura construir uma ampla visão científica do clima. Por isso, os profissionais selecionados são oriundos de diferentes áreas do conhecimento, como meteorologia, física, oceanografia, estatística, engenharias, ecologia, ciências sociais e economia.
Essa multidisciplinaridade é positiva, segundo Ilana Elazari Klein Coaracy Wainer, livre-docente do Departamento de Oceanografia Física da Universidade de São Paulo (USP). Ela e Edmo José Dias Campos, professor titular da mesma unidade, participarão pela primeira vez como autores do relatório do IPCC no WG1.
“A escolha dos nossos nomes representa o reconhecimento do papel dos oceanos nas mudanças climáticas”, disse Ilana. Segundo ela, os oceanos estão deixando de ser considerados elementos passivos do clima para ser encarados como agentes importantes das mudanças climáticas.
Ilana frisou que entender o comportamento dos oceanos é fundamental para explicar vários eventos climáticos, como os furacões, por exemplo. “Nossa participação no IPCC também é um reconhecimento da qualidade da pesquisa brasileira em oceanografia física”, afirmou.
Com cerca de 3 mil inscrições de candidatos recebidas, 50% maior que a convocação para o relatório anterior (AR4), a equipe do quinto Relatório de Avaliação do clima é vista pelo IPCC como um sinal de prestígio da instituição.
A equipe que elaborou o AR4 também foi menor: 559 autores, selecionados entre cerca de 2 mil inscritos. “Este aumento reflete o grande reconhecimento do trabalho do IPCC dentro da comunidade científica”, disse Rajendra Kumar Pachauri, presidente do Painel.
Os brasileiros que participarão da redação do AR5 são:
WG1 – Bases físicas:
•José Marengo (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe)
•Edmo Campos (Universidade de São Paulo – USP)
•Ilana Wainer (USP)
•Iracema Cavalcanti (Inpe)
•Paulo Artaxo (USP)
•Chou Sin Chan (Inpe)
WG2 – Impactos, adaptação e vulnerabilidade:
•Carlos Nobre (Inpe)
•Carolina Dubeux (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ)
•Fabio Scarano (Conservação Internacional)
•Jean Ometto (Inpe)
•Marcos Buckeridge (USP)
•Maria Assunção Silva Dias (USP)
•Ulisses Confalonieri (Fundação Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz)
WG3 – Mitigação das mudanças climáticas:
•Luiz Pinguelli Rosa (UFRJ)
•Marcos Gomes (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ)
•Mercedes Maria da Cunha Bustamante (Universidade de Brasília – UnB)
•Emílio La Rovere (UFRJ)
•Haroldo de Oliveira Machado Filho (Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT)
•Marcio de Almeida D’Agosto (UFRJ)
•Maria Silvia Muylaert de Araújo (UFRJ)
•Oswaldo dos Santos Lucon (USP)
•Roberto Schaeffer (UFRJ)
•Ronaldo Seroa da Motta (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea)
•Suzana Kahn Ribeiro (UFRJ)
•Thelma Krug (Inpe)
A lista completa dos autores do AR5 e mais informações sobre o relatório e o IPCC estão em: www.ipcc.ch
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgou, no dia 23 de junho, a lista de 831 especialistas que vão elaborar o seu quinto Relatório de Avaliação (AR5), que será publicado em 2014. Entre eles estão 25 brasileiros.
Os selecionados estão divididos em três grupos de trabalho (WGs, na sigla em inglês). O WG1 reúne estudos físicos e terá 258 integrantes. O WG2, com 302, avaliará impactos, vulnerabilidades e estratégias de adaptação relacionados às mudanças climáticas. O WG3 enfocará pesquisas sobre estratégias de resposta à mitigação em um cenário de risco e incerteza, com 271 profissionais convocados.
Segundo o IPCC, nesse quinto relatório haverá uma participação maior de especialistas vindos de países em desenvolvimento (30% do total) e também de mulheres (25%). No entanto, a maior prioridade foi dada a jovens pesquisadores que ainda não haviam participado do IPCC e somam 60% do total.
Entre esses está Chou Sin Chan, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec-Inpe), escolhida pela primeira vez para participar como autora de um relatório do IPCC.
“Eu me sinto muito honrada com a escolha”, disse à Agência FAPESP a pesquisadora que coordena o Projeto Temático “Estudos da previsibilidade de eventos meteorológicos extremos na Serra do Mar”, apoiado pela FAPESP.
Chou, que fará parte do WG1, acredita que sua seleção esteja relacionada ao trabalho de elaboração de modelos de cenários climáticos regionais. “Até agora, o IPCC vem utilizando modelos globais com resolução de 200 ou 300 quilômetros, que resultam em estudos de impacto mais grosseiros”, disse. Segundo ela, os modelos regionais permitem melhor qualidade de dados e de detalhes importantes com relação à topografia, vegetação e até ao recorte litorâneo.
Ao divulgar a lista de autores, o IPCC afirmou que procura construir uma ampla visão científica do clima. Por isso, os profissionais selecionados são oriundos de diferentes áreas do conhecimento, como meteorologia, física, oceanografia, estatística, engenharias, ecologia, ciências sociais e economia.
Essa multidisciplinaridade é positiva, segundo Ilana Elazari Klein Coaracy Wainer, livre-docente do Departamento de Oceanografia Física da Universidade de São Paulo (USP). Ela e Edmo José Dias Campos, professor titular da mesma unidade, participarão pela primeira vez como autores do relatório do IPCC no WG1.
“A escolha dos nossos nomes representa o reconhecimento do papel dos oceanos nas mudanças climáticas”, disse Ilana. Segundo ela, os oceanos estão deixando de ser considerados elementos passivos do clima para ser encarados como agentes importantes das mudanças climáticas.
Ilana frisou que entender o comportamento dos oceanos é fundamental para explicar vários eventos climáticos, como os furacões, por exemplo. “Nossa participação no IPCC também é um reconhecimento da qualidade da pesquisa brasileira em oceanografia física”, afirmou.
Com cerca de 3 mil inscrições de candidatos recebidas, 50% maior que a convocação para o relatório anterior (AR4), a equipe do quinto Relatório de Avaliação do clima é vista pelo IPCC como um sinal de prestígio da instituição.
A equipe que elaborou o AR4 também foi menor: 559 autores, selecionados entre cerca de 2 mil inscritos. “Este aumento reflete o grande reconhecimento do trabalho do IPCC dentro da comunidade científica”, disse Rajendra Kumar Pachauri, presidente do Painel.
Os brasileiros que participarão da redação do AR5 são:
WG1 – Bases físicas:
•José Marengo (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe)
•Edmo Campos (Universidade de São Paulo – USP)
•Ilana Wainer (USP)
•Iracema Cavalcanti (Inpe)
•Paulo Artaxo (USP)
•Chou Sin Chan (Inpe)
WG2 – Impactos, adaptação e vulnerabilidade:
•Carlos Nobre (Inpe)
•Carolina Dubeux (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ)
•Fabio Scarano (Conservação Internacional)
•Jean Ometto (Inpe)
•Marcos Buckeridge (USP)
•Maria Assunção Silva Dias (USP)
•Ulisses Confalonieri (Fundação Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz)
WG3 – Mitigação das mudanças climáticas:
•Luiz Pinguelli Rosa (UFRJ)
•Marcos Gomes (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ)
•Mercedes Maria da Cunha Bustamante (Universidade de Brasília – UnB)
•Emílio La Rovere (UFRJ)
•Haroldo de Oliveira Machado Filho (Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT)
•Marcio de Almeida D’Agosto (UFRJ)
•Maria Silvia Muylaert de Araújo (UFRJ)
•Oswaldo dos Santos Lucon (USP)
•Roberto Schaeffer (UFRJ)
•Ronaldo Seroa da Motta (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea)
•Suzana Kahn Ribeiro (UFRJ)
•Thelma Krug (Inpe)
A lista completa dos autores do AR5 e mais informações sobre o relatório e o IPCC estão em: www.ipcc.ch
Biólogo no IPCC >>> Agencia Fapesp
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6/23/2010 03:15:00 AM
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Bioen,
CTBE,
ETANOL,
ipcc,
USP
23/6/2010
Agência FAPESP * – Nos próximos dias será anunciada a lista de autores principais do quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que será publicado em 2014. Cerca de 300 cientistas de todo o mundo foram escolhidos, entre mais de 1,2 mil candidatos, para reunir e avaliar informações técnicas disponíveis sobre o estado atual das mudanças do clima na Terra. Em meio a inúmeros meteorologistas e climatologistas está um biólogo brasileiro.
Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), atuará no Grupo de Trabalho II do IPCC, responsável por abordar impactos, adaptação e vulnerabilidade das mudanças climáticas. Ele será um dos redatores do capítulo que tratará desta temática na América do Sul e Central.
O professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e editor do livro Biologia e Mudanças Climáticas no Brasil explica de que forma o seu trabalho pode colaborar para uma análise climática mais ampla.
“Sempre achei que o IPCC deveria contemplar melhor o ‘olhar do biólogo’. Quais são os eventos que ocorrem em escala micro, dentro da célula de uma planta por exemplo, que podem interferir nos acontecimentos da atmosfera terrestre? Biólogos podem ajudar a modelar ambientes como o interior da célula de um vegetal e identificar quais fatores ali são determinantes para as mudanças climáticas globais”, disse.
Segundo Buckeridge, dois trabalhos podem ter contribuído para a sua indicação ao IPCC. Um deles foi o estudo da bioenergética de plântulas, iniciado em 1999, que visa a compreender os processos metabólicos que tornam possível a vida celular de uma planta (do ponto de vista energético) nos seus primeiros dias de vida. Tal conhecimento permite melhorar as estratégias atuais de recuperação de florestas. Essa pesquisa foi essencial à especialização do pesquisador em parede celular de plantas, tema relevante à bioenergia.
O outro trabalho foca na resposta de plantas como a cana-de-açúcar a climas com alto teor de gás carbônico. A equipe de Buckeridge descobriu que a cana é beneficiada com as mudanças climáticas, pois aumenta consideravelmente sua taxa de fotossíntese e produção de biomassa.
Em 2007, 12 cientistas brasileiros participaram diretamente da elaboração do relatório do IPCC, oito deles como autores principais.
O Primeiro Relatório de Avaliação (AR1, na sigla em inglês) do IPCC foi publicado em 1990. Sua última versão (AR4), divulgada em 2007, teve grande repercussão mundial. É que os cientistas que o preparam foram taxativos ao afirmar que indícios substanciais apontam o ser humano como o principal causador de mudanças no clima, com sérias consequências ao planeta.
O próximo relatório do IPCC está em fase de preparação inicial. Países afiliados à ONU indicaram pesquisadores para compor o quadro de autores principais do relatório.
Três esboços gerais serão produzidos e revisados tecnicamente até que o relatório seja submetido à revisão e avaliação de especialistas dos governos participantes do IPCC. Buckeridge participou desta etapa no último relatório publicado. Após acertos finais, o documento oficial será divulgado em 2014.
Com Luiz Paulo Juttel, do CTBE
Agência FAPESP * – Nos próximos dias será anunciada a lista de autores principais do quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que será publicado em 2014. Cerca de 300 cientistas de todo o mundo foram escolhidos, entre mais de 1,2 mil candidatos, para reunir e avaliar informações técnicas disponíveis sobre o estado atual das mudanças do clima na Terra. Em meio a inúmeros meteorologistas e climatologistas está um biólogo brasileiro.
Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), atuará no Grupo de Trabalho II do IPCC, responsável por abordar impactos, adaptação e vulnerabilidade das mudanças climáticas. Ele será um dos redatores do capítulo que tratará desta temática na América do Sul e Central.
O professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e editor do livro Biologia e Mudanças Climáticas no Brasil explica de que forma o seu trabalho pode colaborar para uma análise climática mais ampla.
“Sempre achei que o IPCC deveria contemplar melhor o ‘olhar do biólogo’. Quais são os eventos que ocorrem em escala micro, dentro da célula de uma planta por exemplo, que podem interferir nos acontecimentos da atmosfera terrestre? Biólogos podem ajudar a modelar ambientes como o interior da célula de um vegetal e identificar quais fatores ali são determinantes para as mudanças climáticas globais”, disse.
Segundo Buckeridge, dois trabalhos podem ter contribuído para a sua indicação ao IPCC. Um deles foi o estudo da bioenergética de plântulas, iniciado em 1999, que visa a compreender os processos metabólicos que tornam possível a vida celular de uma planta (do ponto de vista energético) nos seus primeiros dias de vida. Tal conhecimento permite melhorar as estratégias atuais de recuperação de florestas. Essa pesquisa foi essencial à especialização do pesquisador em parede celular de plantas, tema relevante à bioenergia.
O outro trabalho foca na resposta de plantas como a cana-de-açúcar a climas com alto teor de gás carbônico. A equipe de Buckeridge descobriu que a cana é beneficiada com as mudanças climáticas, pois aumenta consideravelmente sua taxa de fotossíntese e produção de biomassa.
Em 2007, 12 cientistas brasileiros participaram diretamente da elaboração do relatório do IPCC, oito deles como autores principais.
O Primeiro Relatório de Avaliação (AR1, na sigla em inglês) do IPCC foi publicado em 1990. Sua última versão (AR4), divulgada em 2007, teve grande repercussão mundial. É que os cientistas que o preparam foram taxativos ao afirmar que indícios substanciais apontam o ser humano como o principal causador de mudanças no clima, com sérias consequências ao planeta.
O próximo relatório do IPCC está em fase de preparação inicial. Países afiliados à ONU indicaram pesquisadores para compor o quadro de autores principais do relatório.
Três esboços gerais serão produzidos e revisados tecnicamente até que o relatório seja submetido à revisão e avaliação de especialistas dos governos participantes do IPCC. Buckeridge participou desta etapa no último relatório publicado. Após acertos finais, o documento oficial será divulgado em 2014.
Com Luiz Paulo Juttel, do CTBE
Recessão europeia reduz consumo de energia e custo para conter emissões //// Tn sustentavel-IPS
Data: 31/05/2010 08:33
A depressão econômica que afeta a União Europeia (UE) reduziu o consumo de energia e, portanto, o custo que implicaria elevar a meta de redução das emissões de gases-estufa, segundo novas análises. A UE se comprometeu oficialmente, em 2007, a reduzir em 20%, até 2020, e tomando por base os indicadores de 1990, a quantidade de dióxido de carbono e de outros elementos contaminantes que é liberada na atmosfera, que provocam o aquecimento global, com a consequente mudança climática.
Contudo, um documento divulgado, no dia 26, pela Comissão Europeia – órgão executivo da UE – diz que elevar essa meta para 30% no mesmo período não implicaria uma carga excessiva para as economias europeias. A queda no consumo de energia causada pela recessão e a alta dos preços dos combustíveis modificou o custo previsto para cumprir a meta de 20%, de 70 bilhões de euros para 48 bilhões de euros ao ano até 2020. Se a meta de redução das emissões subir para 30%, o custo seria de 81 bilhões de euros anuais, 11 bilhões de euros mais do que o previsto originalmente para a redução de 20%.
Embora os cientistas do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) preveja que a meta de 20% não bastará para impedir um aumento catastrófico da temperatura terrestre, a UE se nega a aceitar uma meta maior de redução das emissões.
Um dos principais motivos para isso é que os representantes da indústria, que faz uso intensivo da energia – cimento, alumínio, aço e produtos químicos –, alertam que abandonariam a UE e se instalariam em outros países com normas ambientais mais flexíveis ( no terceiro mundo, por exemplo!!!). Mas as advertências não correspondem aos fatos. Em 2008, o Climate Strategies, instituto de pesquisa climática com sede na Grã-Bretanha, disse que é mais provável que fatores como taxa de câmbio, acesso às matérias-primas, educação da mão-de-obra e infraestrutura do transporte influenciem na localização de uma empresa em um país do que a política climática.
A IPS perguntou a Connie Hedegaard, comissária europeia de Ação pelo Clima, se considera isso um exagero das empresas. “Entendo que o presidente de uma indústria tem algo em mente neste instante: de onde vem o dinheiro? Creio que a Europa também deve considerar o risco da perda de empregos se formos muito ambiciosos. Por outro lado, também há um preço se ficarmos quietos”, respondeu. Hedegaard, uma política dinamarquesa que presidiu várias negociações internacionais sobre Mudança Climática em Copenhague, no ano passado, lamentou que a Europa esteja atrasada no incentivo a tecnologias projetadas para reduzir a dependência de carvão, petróleo e gás.
Embora mais de 60% da nova capacidade geradora de eletricidade na EU, no ano passado, tivesse origem em fontes renováveis, Hedegaard afirma que “a liderança europeia está em dúvida”, sobretudo diante da Ásia. Empresas da China e da Índia estão entre as dez principais produtoras de turbinas eólicas. E a maioria dos paineis voltaicos utilizados para aproveitar a energia solar é fabricada na China e em Taiwan.
Christian Kjaer, da Associação Europeia de Energia Eólica, disse que as fontes renováveis apresentam enormes possibilidades de trabalho. Mais de 190 mil pessoas já estão empregadas na área de geração de energia eólica na Europa, informou a entidade. A falta de vontade demonstrada pelos governantes do mundo no ano passado, em Copenhague para negociar um acordo sólido sobre a mudança climática, não deve impedir que a UE redobre seus esforços para reduzir as emissões, disse Kjaer. “A Europa é líder mundial em energia eólica, mas enfrenta uma competição séria diante de China, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Índia”, acrescentou.
A organização Amigos da Terra exortou a UE que fixe uma meta de redução de 40% de suas emissões até 2020, para impedir que a temperatura da Terra aumente dois graus acima dos níveis pré-industriais. O grupo reclama que essa meta seja legalmente vinculante e que os países que não cumprirem suas obrigações sofram sanções.
"A meta de redução de 40% não só é possível, como necessária", sustentou David Heller, especialista em Clima da Amigos da Terra. “Os governos da UE devem enfrentar os interesses criados e cobrar inequivocamente um aumento das metas”, acrescentou o ativista. A alta de dois graus na temperatura terrestre deixaria na rua 250 milhões de pessoas no Sul em desenvolvimento, levaria mais 30 milhões para a indigência e privaria três bilhões de pessoas do acesso adequado à água, afirmam especialistas. “Se continuarmos dependendo dos combustíveis fósseis, reduziremos a capacidade de desenvolvimento das nações pobres”, afirmou Rob van Drimmelen, da Aprodev, uma organização com sede em Bruxelas vinculada às igrejas protestantes. “A adoção de medidas para desvincular a economia europeia do consumo de carbono não é apenas algo inteligente, mas uma obrigação moral”, afirmou.
Por: Redação TN / David Cronin, IPS
A depressão econômica que afeta a União Europeia (UE) reduziu o consumo de energia e, portanto, o custo que implicaria elevar a meta de redução das emissões de gases-estufa, segundo novas análises. A UE se comprometeu oficialmente, em 2007, a reduzir em 20%, até 2020, e tomando por base os indicadores de 1990, a quantidade de dióxido de carbono e de outros elementos contaminantes que é liberada na atmosfera, que provocam o aquecimento global, com a consequente mudança climática.
Contudo, um documento divulgado, no dia 26, pela Comissão Europeia – órgão executivo da UE – diz que elevar essa meta para 30% no mesmo período não implicaria uma carga excessiva para as economias europeias. A queda no consumo de energia causada pela recessão e a alta dos preços dos combustíveis modificou o custo previsto para cumprir a meta de 20%, de 70 bilhões de euros para 48 bilhões de euros ao ano até 2020. Se a meta de redução das emissões subir para 30%, o custo seria de 81 bilhões de euros anuais, 11 bilhões de euros mais do que o previsto originalmente para a redução de 20%.
Embora os cientistas do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) preveja que a meta de 20% não bastará para impedir um aumento catastrófico da temperatura terrestre, a UE se nega a aceitar uma meta maior de redução das emissões.
Um dos principais motivos para isso é que os representantes da indústria, que faz uso intensivo da energia – cimento, alumínio, aço e produtos químicos –, alertam que abandonariam a UE e se instalariam em outros países com normas ambientais mais flexíveis ( no terceiro mundo, por exemplo!!!). Mas as advertências não correspondem aos fatos. Em 2008, o Climate Strategies, instituto de pesquisa climática com sede na Grã-Bretanha, disse que é mais provável que fatores como taxa de câmbio, acesso às matérias-primas, educação da mão-de-obra e infraestrutura do transporte influenciem na localização de uma empresa em um país do que a política climática.
A IPS perguntou a Connie Hedegaard, comissária europeia de Ação pelo Clima, se considera isso um exagero das empresas. “Entendo que o presidente de uma indústria tem algo em mente neste instante: de onde vem o dinheiro? Creio que a Europa também deve considerar o risco da perda de empregos se formos muito ambiciosos. Por outro lado, também há um preço se ficarmos quietos”, respondeu. Hedegaard, uma política dinamarquesa que presidiu várias negociações internacionais sobre Mudança Climática em Copenhague, no ano passado, lamentou que a Europa esteja atrasada no incentivo a tecnologias projetadas para reduzir a dependência de carvão, petróleo e gás.
Embora mais de 60% da nova capacidade geradora de eletricidade na EU, no ano passado, tivesse origem em fontes renováveis, Hedegaard afirma que “a liderança europeia está em dúvida”, sobretudo diante da Ásia. Empresas da China e da Índia estão entre as dez principais produtoras de turbinas eólicas. E a maioria dos paineis voltaicos utilizados para aproveitar a energia solar é fabricada na China e em Taiwan.
Christian Kjaer, da Associação Europeia de Energia Eólica, disse que as fontes renováveis apresentam enormes possibilidades de trabalho. Mais de 190 mil pessoas já estão empregadas na área de geração de energia eólica na Europa, informou a entidade. A falta de vontade demonstrada pelos governantes do mundo no ano passado, em Copenhague para negociar um acordo sólido sobre a mudança climática, não deve impedir que a UE redobre seus esforços para reduzir as emissões, disse Kjaer. “A Europa é líder mundial em energia eólica, mas enfrenta uma competição séria diante de China, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Índia”, acrescentou.
A organização Amigos da Terra exortou a UE que fixe uma meta de redução de 40% de suas emissões até 2020, para impedir que a temperatura da Terra aumente dois graus acima dos níveis pré-industriais. O grupo reclama que essa meta seja legalmente vinculante e que os países que não cumprirem suas obrigações sofram sanções.
"A meta de redução de 40% não só é possível, como necessária", sustentou David Heller, especialista em Clima da Amigos da Terra. “Os governos da UE devem enfrentar os interesses criados e cobrar inequivocamente um aumento das metas”, acrescentou o ativista. A alta de dois graus na temperatura terrestre deixaria na rua 250 milhões de pessoas no Sul em desenvolvimento, levaria mais 30 milhões para a indigência e privaria três bilhões de pessoas do acesso adequado à água, afirmam especialistas. “Se continuarmos dependendo dos combustíveis fósseis, reduziremos a capacidade de desenvolvimento das nações pobres”, afirmou Rob van Drimmelen, da Aprodev, uma organização com sede em Bruxelas vinculada às igrejas protestantes. “A adoção de medidas para desvincular a economia europeia do consumo de carbono não é apenas algo inteligente, mas uma obrigação moral”, afirmou.
Comitê fará revisão do IPCC /// Agencia Fapesp
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5/04/2010 01:14:00 AM
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fapesp. etanol,
ipcc,
ONU
4/5/2010
Agência FAPESP – O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas terá seus procedimentos e processos revisados por um comitê independente de especialistas. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (3/5), na Holanda, pelo InterAcademy Council (IAC), organização que reúne academias de ciências de diversos países, entre os quais o Brasil.
O economista Harold T. Shapiro, ex-reitor das universidades Princeton e de Michigan, nos Estados Unidos, conduzirá o comitê de 12 especialistas. O Brasil estará representado por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.
A revisão do IPCC foi solicitada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no mês passado a partir de erros identificados em relatórios do painel divulgados em 2007. O comitê revisará os procedimentos empregados pelo IPCC na preparação de seus relatórios. Entre os assuntos que serão analisados estão o controle e a qualidade dos dados utilizados, a forma como os relatórios lidaram com diferentes pontos de vista científicos e a correção de erros identificados após a divulgação dos documentos.
O comitê também revisará os processos gerais do IPCC, entre os quais as funções gerenciais e estratégias de comunicação. O objetivo do IAC é que o comitê tenha um relatório pronto, com observações e recomendações, até 30 de agosto.
“Vamos abordar esse processo de revisão com a mente aberta. Estamos confiantes de que temos os especialistas necessários, nesse comitê, para entregar à ONU um processo sólido que ofereça aos tomadores de decisão a melhor avaliação possível sobre as mudanças climáticas”, disse Shapiro.
“O que o IAC espera do comitê é uma contribuição especial para que os trabalhos do IPCC tenham a base científica mais sólida possível, o que é fundamental para que as conclusões e projeções tenham cada vez maior legitimidade junto a governos e ao público em geral", disse Brito Cruz.
Entre os integrantes do comitê de revisão estão Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial, Mario Molina, ganhador do Nobel de Química em 1995, e Peter Williams, vice-presidente da Royal Society.
Roseanne Diab, diretora da Academia de Ciências da África do Sul, será a vice-presidente do comitê, que teve seus integrantes indicados pelas academias de ciência que fazem parte da IAC.
Mais informações: www.interacademycouncil.net/ipccreview
Agência FAPESP – O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas terá seus procedimentos e processos revisados por um comitê independente de especialistas. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (3/5), na Holanda, pelo InterAcademy Council (IAC), organização que reúne academias de ciências de diversos países, entre os quais o Brasil.
O economista Harold T. Shapiro, ex-reitor das universidades Princeton e de Michigan, nos Estados Unidos, conduzirá o comitê de 12 especialistas. O Brasil estará representado por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.
A revisão do IPCC foi solicitada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no mês passado a partir de erros identificados em relatórios do painel divulgados em 2007. O comitê revisará os procedimentos empregados pelo IPCC na preparação de seus relatórios. Entre os assuntos que serão analisados estão o controle e a qualidade dos dados utilizados, a forma como os relatórios lidaram com diferentes pontos de vista científicos e a correção de erros identificados após a divulgação dos documentos.
O comitê também revisará os processos gerais do IPCC, entre os quais as funções gerenciais e estratégias de comunicação. O objetivo do IAC é que o comitê tenha um relatório pronto, com observações e recomendações, até 30 de agosto.
“Vamos abordar esse processo de revisão com a mente aberta. Estamos confiantes de que temos os especialistas necessários, nesse comitê, para entregar à ONU um processo sólido que ofereça aos tomadores de decisão a melhor avaliação possível sobre as mudanças climáticas”, disse Shapiro.
“O que o IAC espera do comitê é uma contribuição especial para que os trabalhos do IPCC tenham a base científica mais sólida possível, o que é fundamental para que as conclusões e projeções tenham cada vez maior legitimidade junto a governos e ao público em geral", disse Brito Cruz.
Entre os integrantes do comitê de revisão estão Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial, Mario Molina, ganhador do Nobel de Química em 1995, e Peter Williams, vice-presidente da Royal Society.
Roseanne Diab, diretora da Academia de Ciências da África do Sul, será a vice-presidente do comitê, que teve seus integrantes indicados pelas academias de ciência que fazem parte da IAC.
Mais informações: www.interacademycouncil.net/ipccreview
Ex-reitor da Universidade Princeton vai liderar revisão de painel climático /// G1 Ciencia e Saúde
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5/03/2010 01:43:00 PM
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Relatório de 2007, diretriz no combate ao aquecimento global, tinha erros.
Economista Harold Shapiro vai chefiar comitê de 12 especialistas.
Da Reuters
Abordamos essa revisãocom a mente aberta"Harold ShapiroUm ex-reitor da Universidade Princeton, nos EUA, vai comandar uma revisão do painel de cientistas climáticos da ONU, depois de erros em um relatório de 2007 usado como diretriz no combate ao aquecimento global, anunciaram academias de ciências nesta segunda-feira (3).
O economista Harold Shapiro, de 74 anos, vai chefiar o comitê de 12 integrantes que até 30 de agosto deve apresentar um relatório sobre o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas.
Em janeiro, o IPCC reconheceu que seu último relatório de 2007 tinha exagerado o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia, dizendo que poderiam todas desaparecer até 2035O IPCC dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore.
"Abordamos essa revisão com a mente aberta", disse Shapiro em comunicado do comitê nomeado pelo Conselho InterAcadêmico (IAC), sediado em Amsterdã, que agrupa academias nacionais de ciências.
Canadense de nascimento, Shapiro é ex-reitor das Universidades Princeton e de Michigan. Outros membros do comitê incluem Mario Molina, ganhador do Prêmio Nobel de Química, e Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial.
Em janeiro, o IPCC reconheceu que seu último relatório de 2007 tinha exagerado o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia, dizendo que poderiam todas desaparecer até 2035. Em fevereiro o painel disse que também tinha exagerado a parcela da Holanda que fica abaixo do nível do mar.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou a revisão em março, depois de a polêmica em torno dos erros do IPCC ter erodido a confiança no colegiado. Pessoas que põem em dúvida a ideia de que sejam as atividades humanas que estão aquecendo o planeta dizem que os relatórios foram enviesados de maneira a excluir pontos de vista alternativos.
Ban reafirmou as conclusões chaves do IPCC de que o painel tem pelo menos 90% de certeza de que as atividades humanas são a principal causa de mudanças climáticas ocorridas nas últimas décadas e que vão levar a mais ondas de calor, enchentes, secas e à alta dos níveis do mar.
O comitê de revisão fará sua primeira reunião em Amsterdã em 14 e 15 de maio. Roseanne Diab, executiva da Acadêmcia de Ciência da África do Sul, será sua vice-presidente. Outros membros virão de países como China, Índia, Brasil, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda e Malásia.
As questões a serem revistas incluem "garantias e controle de qualidade de informações; o tipo de literatura que pode ser citado em relatórios do IPCC; revisão especializada e governamental de materiais do IPCC; a inclusão de uma gama completa de visões científicas, e a correção de erros", disse o comitê.
O comitê também vai rever "outros processos, incluindo funções de direção e estratégias de comunicação".
Economista Harold Shapiro vai chefiar comitê de 12 especialistas.
Da Reuters
Abordamos essa revisãocom a mente aberta"Harold ShapiroUm ex-reitor da Universidade Princeton, nos EUA, vai comandar uma revisão do painel de cientistas climáticos da ONU, depois de erros em um relatório de 2007 usado como diretriz no combate ao aquecimento global, anunciaram academias de ciências nesta segunda-feira (3).
O economista Harold Shapiro, de 74 anos, vai chefiar o comitê de 12 integrantes que até 30 de agosto deve apresentar um relatório sobre o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas.
Em janeiro, o IPCC reconheceu que seu último relatório de 2007 tinha exagerado o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia, dizendo que poderiam todas desaparecer até 2035O IPCC dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore.
"Abordamos essa revisão com a mente aberta", disse Shapiro em comunicado do comitê nomeado pelo Conselho InterAcadêmico (IAC), sediado em Amsterdã, que agrupa academias nacionais de ciências.
Canadense de nascimento, Shapiro é ex-reitor das Universidades Princeton e de Michigan. Outros membros do comitê incluem Mario Molina, ganhador do Prêmio Nobel de Química, e Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial.
Em janeiro, o IPCC reconheceu que seu último relatório de 2007 tinha exagerado o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia, dizendo que poderiam todas desaparecer até 2035. Em fevereiro o painel disse que também tinha exagerado a parcela da Holanda que fica abaixo do nível do mar.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou a revisão em março, depois de a polêmica em torno dos erros do IPCC ter erodido a confiança no colegiado. Pessoas que põem em dúvida a ideia de que sejam as atividades humanas que estão aquecendo o planeta dizem que os relatórios foram enviesados de maneira a excluir pontos de vista alternativos.
Ban reafirmou as conclusões chaves do IPCC de que o painel tem pelo menos 90% de certeza de que as atividades humanas são a principal causa de mudanças climáticas ocorridas nas últimas décadas e que vão levar a mais ondas de calor, enchentes, secas e à alta dos níveis do mar.
O comitê de revisão fará sua primeira reunião em Amsterdã em 14 e 15 de maio. Roseanne Diab, executiva da Acadêmcia de Ciência da África do Sul, será sua vice-presidente. Outros membros virão de países como China, Índia, Brasil, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda e Malásia.
As questões a serem revistas incluem "garantias e controle de qualidade de informações; o tipo de literatura que pode ser citado em relatórios do IPCC; revisão especializada e governamental de materiais do IPCC; a inclusão de uma gama completa de visões científicas, e a correção de erros", disse o comitê.
O comitê também vai rever "outros processos, incluindo funções de direção e estratégias de comunicação".
Nobre crê que o Brasil pode ser um modelo de sustentabilidade /// Jornal do Comercio
Pesquisador do Inpe alerta que sistema de desenvolvimento econômico está levando o planeta ao colapso
O modelo de desenvolvimento econômico mundial vem fazendo com que o planeta se encaminhe para um colapso. O alerta foi reforçado ontem por Carlos Nobre, doutor em Meteorologia, em visita à Capital.
A perspectiva trágica se deve às alterações enfrentadas pelo clima que vêm gerando elevação na temperatura da Terra, o chamado aquecimento global. As mudanças climáticas foram o tema da aula magna proferida pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
Apresentando projeções traçadas pelo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU - do qual é um dos autores -, Nobre falou sobre a interferência no clima causada pela humanidade, ação sem precedentes na história recente. "Esta era geológica de influência humana já foi batizada de Antropoceno", informa.
O especialista destaca que a conjunção do crescimento populacional, do desmatamento e do excessivo volume de gases despejados na atmosfera tem causado um impacto de proporções globais. "É preciso refletir sobre o que disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon: estamos com o pé no acelerador rumo ao precipício."
Deixando de lado o pessimismo, Nobre ressaltou que o Brasil tem a chance de se tornar protagonista de um novo modelo de desenvolvimento sustentável. "É uma oportunidade única de liderarmos uma trajetória de sustentabilidade. Sendo assim, poderemos ser o primeiro país tropical desenvolvido do mundo", salienta.
Ele comemorou a mudança radical na posição do governo brasileiro com relação às questões climáticas.
"Deixamos para trás a postura terceiro-mundista de quem não tem nada a ver com isso. Alguns analistas chamam isso de efeito Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente)", disse, arrancando risos da plateia.
Lembrou que as metas de redução das emissões de gases transformadas em lei no Brasil - 25% até 2030 - são mais ambiciosas do que as dos Estados Unidos. Depois disso, ressaltou "nosso potencial ambiental". "Somos o país com a maior biodiversidade da Terra. Temos 46% da nossa matriz energética em fontes renováveis. O maior potencial do planeta em energia eólica, obtida através da força do vento."
Segundo ele, a questão é: como aproveitar tudo isso na construção de um processo de industrialização diferenciado? "Nosso projeto atual se baseia em modelos implantados por outros países em séculos anteriores, algo que está ultrapassado", avalia.
Nobre ainda lançou um desafio ao público que lotou o Salão de Atos da Ufrgs. "Vocês têm todas as condições de buscar um novo paradigma de desenvolvimento através do uso racional dos abundantes recursos naturais de que dispomos. Só os jovens têm essa condição de se libertar desse modelo que é nocivo ao planeta", conclamou.
Por fim, aproveitou para reforçar o alerta. "Se os filhos de vocês chegarem a enfrentar o mesmo grau de degradação que temos hoje, podem ter certeza de que não teremos mais alternativas. Precisaremos partir para um plano B."
Maurício Macedo
Nobre desafiou os jovens da Ufrgs a romper com o padrão atual. O modelo de desenvolvimento econômico mundial vem fazendo com que o planeta se encaminhe para um colapso. O alerta foi reforçado ontem por Carlos Nobre, doutor em Meteorologia, em visita à Capital.
A perspectiva trágica se deve às alterações enfrentadas pelo clima que vêm gerando elevação na temperatura da Terra, o chamado aquecimento global. As mudanças climáticas foram o tema da aula magna proferida pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
Apresentando projeções traçadas pelo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU - do qual é um dos autores -, Nobre falou sobre a interferência no clima causada pela humanidade, ação sem precedentes na história recente. "Esta era geológica de influência humana já foi batizada de Antropoceno", informa.
O especialista destaca que a conjunção do crescimento populacional, do desmatamento e do excessivo volume de gases despejados na atmosfera tem causado um impacto de proporções globais. "É preciso refletir sobre o que disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon: estamos com o pé no acelerador rumo ao precipício."
Deixando de lado o pessimismo, Nobre ressaltou que o Brasil tem a chance de se tornar protagonista de um novo modelo de desenvolvimento sustentável. "É uma oportunidade única de liderarmos uma trajetória de sustentabilidade. Sendo assim, poderemos ser o primeiro país tropical desenvolvido do mundo", salienta.
Ele comemorou a mudança radical na posição do governo brasileiro com relação às questões climáticas.
"Deixamos para trás a postura terceiro-mundista de quem não tem nada a ver com isso. Alguns analistas chamam isso de efeito Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente)", disse, arrancando risos da plateia.
Lembrou que as metas de redução das emissões de gases transformadas em lei no Brasil - 25% até 2030 - são mais ambiciosas do que as dos Estados Unidos. Depois disso, ressaltou "nosso potencial ambiental". "Somos o país com a maior biodiversidade da Terra. Temos 46% da nossa matriz energética em fontes renováveis. O maior potencial do planeta em energia eólica, obtida através da força do vento."
Segundo ele, a questão é: como aproveitar tudo isso na construção de um processo de industrialização diferenciado? "Nosso projeto atual se baseia em modelos implantados por outros países em séculos anteriores, algo que está ultrapassado", avalia.
Nobre ainda lançou um desafio ao público que lotou o Salão de Atos da Ufrgs. "Vocês têm todas as condições de buscar um novo paradigma de desenvolvimento através do uso racional dos abundantes recursos naturais de que dispomos. Só os jovens têm essa condição de se libertar desse modelo que é nocivo ao planeta", conclamou.
Por fim, aproveitou para reforçar o alerta. "Se os filhos de vocês chegarem a enfrentar o mesmo grau de degradação que temos hoje, podem ter certeza de que não teremos mais alternativas. Precisaremos partir para um plano B."
A responsabilidade da liderança climática_ /// HSM online
A ausência de um líder legítimo para a questão climática é amplamente percebida no contexto político mundial. Veja a razão.
Visto no cenário mundial como nação que em médio prazo atingirá o patamar de economia desenvolvida, o Brasil atravessou a recente crise financeira global praticamente incólume. Soube utilizar oportunamente suas reservas financeiras, reduziu a carga tributária para estimular o consumo interno e redirecionou suas exportações. Mesmo com as graves distorções estruturais na economia como, por exemplo, o altíssimo custo do dinheiro, o consumo de bens cresceu aquecendo e movimentando o mercado.
Conseguiu assim contornar bem a crise e retomou o crescimento de forma promissora. Surpreendente quando comparado aos países ricos e desenvolvidos. Para o ano de 2010 as previsões de crescimento mais conservadoras situam-se ao redor dos 5%. O governo aponta para 5,6% e alguns bancos estrangeiros em 6,4% e isto em pleno ano eleitoral. Sinal de uma inequívoca estabilidade econômica reconhecida pela comunidade financeira internacional.
A Questão Climática
A ausência de um líder legítimo para a questão climática é amplamente percebida no contexto político mundial. Há um enorme hiato diplomático entre os países ricos, em desenvolvimento e pobres que aumentou ainda mais a partir da última Conferência do Clima.
Neste cenário de ausência, existe a necessidade de uma nação expoente que reconhecida pela maioria dos países assuma os objetivos plurais de negociar de forma eficaz a complexa questão do clima global e ao mesmo tempo nivelar os diferentes interesses em beneficio do todo.
É neste cenário complexo que o Brasil deveria buscar a articulação política e se posicionar como líder nesta questão. A tarefa é desafiante, mas o beneficio pode ser ainda muito maior. Vantagens comparativas como a crescente importância geopolítica e econômica, robustas reservas de recursos naturais, biodiversidade ainda preservada e extensão territorial já lhe garantiria um bom posicionamento.
Mesmo dotados de uma matriz energética limpa (hidréletrica, cogeração, etanol) assumimos metas agressivas para reduzir emissões até 2020 e o grande vetor-vilão, o desmatamento, agora está endereçado. Isto nos situa em uma posição diferenciada favorável frente à comunidade internacional.
Ser o líder na questão climática significa encabeçar discussões e negociações com mais de 190 países e com foco naquilo que é realmente primordial - "A criação de mecanismos para controlar e reduzir o aquecimento global e como mitigar os impactos gerados pela mudança do clima especialmente nos países mais pobres."
Estes países sofrerão com maior intensidade os impactos causados pelo aumento da temperatura: escassez de alimentos, epidemias, desaparecimento gradual da água e êxodo de populações. Tudo isso agravado pelo pouco acesso às tecnologias, altos índices de analfabetismo e relutância das nações ricas em transferir recursos financeiros para adaptação das economias destes países às mudanças do clima.
Consumo, Humanidade e Desconforto
Mas isso não é tudo. O padrão de vida cada vez mais consumista da humanidade tornou-se uma grande preocupação. Os recursos naturais hoje disponíveis podem se exaurir ao tentar suportar uma pegada ambiental tão pesada. Conforme os países em geral melhoram seus padrões socioeconômicos a demanda ambiental aumenta em muitas vezes acelerando sua depleção.
Como continuar a viver daqui em diante é uma das questões mais críticas a ser discutida. Alguns caminhos são apontados, mas quase todos são iniciativas isoladas, sem apoio homogêneo das populações. Redução do uso de energia, uso racional da água, consumir menos carne, madeira, viajar menos de avião, revisão dos processos produtivos, menos embalagens, produção mais limpa etc.
Há uma grande diversidade de programas coerentes, porém definir e estruturar políticas públicas e programas integrados juntos às sociedades ainda não aconteceu de forma homogênea. A complexidade destas ações e suas interfaces incluem importantes impactos sociais, ambientais e econômicos exigindo amplas e profundas discussões com as populações.
Sendo uma questão recente e também muito complexa, poucos países a abordaram de forma abrangente, mesmo porque a maioria deles ainda encontra-se no estágio básico da sobrevivência. Mas como já mencionado, isto é uma demanda reprimida que ao primeiro sinal de acumulo de capital, eclodirá uma violenta onda por bens de consumo.
Em vista deste contexto este é o momento de trazer o tema do consumismo e os seus impactos desfavoráveis para a agenda da discussão econômica-socioambiental internacional. Tais questões poderiam ser colocadas para a discussão de forma mais ampla e incisiva pelo líder climático. A mensagem sobre catástrofes anunciadas não é suficiente, virou lugar-comum tornando-se repetitiva e não sensibiliza. É necessário apontar saídas viáveis principalmente para garantir padrões de vida satisfatórios para todos no futuro.
“Momentum” sustentável
Em dezembro, na Dinamarca, todos esperavam por um posicionamento de liderança pelos EUA. Mas não aconteceu. Sabidamente o país “sofre” uma fortíssima pressão interna quando se trata do controle interno de suas emissões de GEE. Existe um potente e ativo lobby contrário ao estabelecimento de metas de redução das emissões, alegando um alto e negativo impacto na economia americana.
Os demais países europeus não estabelecem um consenso claro sobre as reduções das emissões e no Japão o segmento industrial duvida do atingimento às metas anunciadas.
No Brasil posições defendidas publicamente como: a manifestação da indústria da carne e de grãos em controlar a origem de sua produção; a lei aprovada pela Assembléia Legislativa Paulista que estabelece metas de redução de emissões em nível estadual; o Estado do Amazonas, Mato Grosso e Pará em reduzir e punir o desmatamento incentivando a conservação da floresta em pé; representam sinais concretos de uma sociedade que cada vez mais se envolve e se compromete com a questão da preservação do planeta.
Para complementar, a ex-ministra do meio-ambiente Marina Silva trouxe para a disputa eleitoral a questão climática. Isto fez com que todos os candidatos adotassem o tema como pauta relevante no seu futuro programa de governo. Estes sinais são interpretados como positivos pela comunidade internacional.
Além disso, parte da nossa população aguarda apenas o sinal verde, indicando quais são os instrumentos e objetivos para aderir de vez à questão do desenvolvimento sustentável. E esta parcela tende a crescer cada vez mais.
Esta iniciativa deveria partir do governo aos cidadãos, na figura de uma política educacional competente e articulada em nível nacional mobilizando os diferentes agentes sociais para agilizar a conscientização e a interlocução entre as comunidades, levando-as às ações práticas com resultados concretos.
Assumindo esta posição o país evoluiria para um estágio de desenvolvimento e crescimento muito mais equilibrado podendo gerar resultados positivos para si e para o planeta. E para nos tornarmos uma nação desenvolvida e sustentável este posicionamento é fundamental. Portanto, a liderança climática por si é um fator de vital importância.
Laércio Bruno Filho (Desenvolve Novos Negócios Socioambientais e coordena a Gestão Técnica de Programas de Sustentabilidade Empresarial e de Desenvolvimento Sustentável para Comunidades)
HSM Online
31/03/2010
Visto no cenário mundial como nação que em médio prazo atingirá o patamar de economia desenvolvida, o Brasil atravessou a recente crise financeira global praticamente incólume. Soube utilizar oportunamente suas reservas financeiras, reduziu a carga tributária para estimular o consumo interno e redirecionou suas exportações. Mesmo com as graves distorções estruturais na economia como, por exemplo, o altíssimo custo do dinheiro, o consumo de bens cresceu aquecendo e movimentando o mercado.
Conseguiu assim contornar bem a crise e retomou o crescimento de forma promissora. Surpreendente quando comparado aos países ricos e desenvolvidos. Para o ano de 2010 as previsões de crescimento mais conservadoras situam-se ao redor dos 5%. O governo aponta para 5,6% e alguns bancos estrangeiros em 6,4% e isto em pleno ano eleitoral. Sinal de uma inequívoca estabilidade econômica reconhecida pela comunidade financeira internacional.
A Questão Climática
A ausência de um líder legítimo para a questão climática é amplamente percebida no contexto político mundial. Há um enorme hiato diplomático entre os países ricos, em desenvolvimento e pobres que aumentou ainda mais a partir da última Conferência do Clima.
Neste cenário de ausência, existe a necessidade de uma nação expoente que reconhecida pela maioria dos países assuma os objetivos plurais de negociar de forma eficaz a complexa questão do clima global e ao mesmo tempo nivelar os diferentes interesses em beneficio do todo.
É neste cenário complexo que o Brasil deveria buscar a articulação política e se posicionar como líder nesta questão. A tarefa é desafiante, mas o beneficio pode ser ainda muito maior. Vantagens comparativas como a crescente importância geopolítica e econômica, robustas reservas de recursos naturais, biodiversidade ainda preservada e extensão territorial já lhe garantiria um bom posicionamento.
Mesmo dotados de uma matriz energética limpa (hidréletrica, cogeração, etanol) assumimos metas agressivas para reduzir emissões até 2020 e o grande vetor-vilão, o desmatamento, agora está endereçado. Isto nos situa em uma posição diferenciada favorável frente à comunidade internacional.
Ser o líder na questão climática significa encabeçar discussões e negociações com mais de 190 países e com foco naquilo que é realmente primordial - "A criação de mecanismos para controlar e reduzir o aquecimento global e como mitigar os impactos gerados pela mudança do clima especialmente nos países mais pobres."
Estes países sofrerão com maior intensidade os impactos causados pelo aumento da temperatura: escassez de alimentos, epidemias, desaparecimento gradual da água e êxodo de populações. Tudo isso agravado pelo pouco acesso às tecnologias, altos índices de analfabetismo e relutância das nações ricas em transferir recursos financeiros para adaptação das economias destes países às mudanças do clima.
Consumo, Humanidade e Desconforto
Mas isso não é tudo. O padrão de vida cada vez mais consumista da humanidade tornou-se uma grande preocupação. Os recursos naturais hoje disponíveis podem se exaurir ao tentar suportar uma pegada ambiental tão pesada. Conforme os países em geral melhoram seus padrões socioeconômicos a demanda ambiental aumenta em muitas vezes acelerando sua depleção.
Como continuar a viver daqui em diante é uma das questões mais críticas a ser discutida. Alguns caminhos são apontados, mas quase todos são iniciativas isoladas, sem apoio homogêneo das populações. Redução do uso de energia, uso racional da água, consumir menos carne, madeira, viajar menos de avião, revisão dos processos produtivos, menos embalagens, produção mais limpa etc.
Há uma grande diversidade de programas coerentes, porém definir e estruturar políticas públicas e programas integrados juntos às sociedades ainda não aconteceu de forma homogênea. A complexidade destas ações e suas interfaces incluem importantes impactos sociais, ambientais e econômicos exigindo amplas e profundas discussões com as populações.
Sendo uma questão recente e também muito complexa, poucos países a abordaram de forma abrangente, mesmo porque a maioria deles ainda encontra-se no estágio básico da sobrevivência. Mas como já mencionado, isto é uma demanda reprimida que ao primeiro sinal de acumulo de capital, eclodirá uma violenta onda por bens de consumo.
Em vista deste contexto este é o momento de trazer o tema do consumismo e os seus impactos desfavoráveis para a agenda da discussão econômica-socioambiental internacional. Tais questões poderiam ser colocadas para a discussão de forma mais ampla e incisiva pelo líder climático. A mensagem sobre catástrofes anunciadas não é suficiente, virou lugar-comum tornando-se repetitiva e não sensibiliza. É necessário apontar saídas viáveis principalmente para garantir padrões de vida satisfatórios para todos no futuro.
“Momentum” sustentável
Em dezembro, na Dinamarca, todos esperavam por um posicionamento de liderança pelos EUA. Mas não aconteceu. Sabidamente o país “sofre” uma fortíssima pressão interna quando se trata do controle interno de suas emissões de GEE. Existe um potente e ativo lobby contrário ao estabelecimento de metas de redução das emissões, alegando um alto e negativo impacto na economia americana.
Os demais países europeus não estabelecem um consenso claro sobre as reduções das emissões e no Japão o segmento industrial duvida do atingimento às metas anunciadas.
No Brasil posições defendidas publicamente como: a manifestação da indústria da carne e de grãos em controlar a origem de sua produção; a lei aprovada pela Assembléia Legislativa Paulista que estabelece metas de redução de emissões em nível estadual; o Estado do Amazonas, Mato Grosso e Pará em reduzir e punir o desmatamento incentivando a conservação da floresta em pé; representam sinais concretos de uma sociedade que cada vez mais se envolve e se compromete com a questão da preservação do planeta.
Para complementar, a ex-ministra do meio-ambiente Marina Silva trouxe para a disputa eleitoral a questão climática. Isto fez com que todos os candidatos adotassem o tema como pauta relevante no seu futuro programa de governo. Estes sinais são interpretados como positivos pela comunidade internacional.
Além disso, parte da nossa população aguarda apenas o sinal verde, indicando quais são os instrumentos e objetivos para aderir de vez à questão do desenvolvimento sustentável. E esta parcela tende a crescer cada vez mais.
Esta iniciativa deveria partir do governo aos cidadãos, na figura de uma política educacional competente e articulada em nível nacional mobilizando os diferentes agentes sociais para agilizar a conscientização e a interlocução entre as comunidades, levando-as às ações práticas com resultados concretos.
Assumindo esta posição o país evoluiria para um estágio de desenvolvimento e crescimento muito mais equilibrado podendo gerar resultados positivos para si e para o planeta. E para nos tornarmos uma nação desenvolvida e sustentável este posicionamento é fundamental. Portanto, a liderança climática por si é um fator de vital importância.
Laércio Bruno Filho (Desenvolve Novos Negócios Socioambientais e coordena a Gestão Técnica de Programas de Sustentabilidade Empresarial e de Desenvolvimento Sustentável para Comunidades)
HSM Online
31/03/2010
A questão de hum trilhão de dólares: Quem será agora o líder da batalha climática? /// The Guardian-UK
Paul Harris in New York, John Vidal and Robin McKie
The Observer, Sunday 28 March 2010
Alguns dos mais poderosos do planeta se reunirão em Londres na quarta-feira para discutir um irritante problema financeiro: como levantar um trilhão de dólares para o mundo em desenvolvimento. Os encarregados de conseguir este objetivo são entre outros, Gordon Brown, diretores de vários bancos centrais, o bilionário George Soros, o economista Lord (Nicholas) Stern e Larry Summers, assessor e economista-chefe do presidente Obama. Como conjunto de competências é formidável, por isso a tarefa lhe foi confiada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Estes financistas têm sido aconselhados a trabalhar em como levantar pelo menos US $ 100 bilhões por ano pelo resto da década, dinheiro que será usado para ajudar os países mais pobres do mundo em seu percurso de adaptação às mudanças climáticas.
"Os preços que pagamos por nossos produtos não refletem um custo fundamental: o dano que sua produção causa ao sistema climático do planeta", disse Bob Ward, do Instituto de Pesquisa Grantham sobre Mudança do Clima na LSE.
"Precisamos encontrar maneiras de sobretaxar aqueles que causam danos ao clima e, em seguida, usar esse dinheiro para financiar as nações em desenvolvimento para que eles possam proteger-se dos efeitos devastadores do aquecimento global."
E para levantar os fundos o Grupo Consultivo de Financiamento para Mudança do Clima deixou claro que sua ação será abrangente - desde a possibilidade da adoção de taxas sobre a aviação internacional e transporte marítimo, como forma de ampliação dos mercados de carbono; á introdução de impostos sobre as transações financeiras e até mesmo a utilização das reservas financeiras do Fundo Monetário Internacional.
“Basta dar um nome ao plano e ele será executado” - o sucesso no estabelecimento de um plano de financiamento para o mundo em desenvolvimento hoje é considerado crucial para o sucesso da reunião de dezembro próximo a mudança climática da ONU no México.
"O financiamento significa um requisito prévio para o acordo climático", disse Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental para Mudamnças Climáticas da ONU, na última sexta-feira. "Os países em desenvolvimento estão muito sensíveis a esse respeito. As conversações entrarão em colapso caso não haja uma visão mais firme sobre a questão do financiamento"
Estas novas discussões representam uma renovação nas negociações sobre o clima, que terminara apenas há três meses, em Copenhagen e que não conseguiram estabelecer um acordo para controlar as emissões de dióxido de carbono em nível global.
Os políticos e os negociadores estão preparando outra abordagem sobre esta questão, embora desta vez as negociações prometam ser muito diferentes.
Recentemente a ciência do clima sofreu alguns reveses prejudiciais. Houve o vazamento de informações sobre o clima na unidade de investigação da Universidade de East Anglia,as trocas de emails entre alguns meteorologistas que se tornaram publicas e para complementar a descoberta de que um relatório de avaliação preparado pelas Nações Unidas que exagerava na taxa de derretimento das geleiras do Himalaia.
Os mais céticos alegaram que alguns pesquisadores estavam envolvidos e mascarando a verdade, enquanto outros apontavam para discrepâncias expostas nos estudos realizados pelo IPCC.
O resultado foi o prejuízo à credibilidade de um grande número de cientistas preocupados em que o planeta enfrente uma catástrofe climática. Assim as tentativas para reiniciar as negociações que foram paralisadas ainda estão sendo muito complicadas.
No entanto, o aumento deste ceticismo é apenas parte do problema para os negociadores. Desde dezembro novos grupamentos políticos têm surgido. China, Índia, África do Sul e do Brasil, conhecida como a "basics", são nações que assumiram papéis de liderança do clima, enquanto a União Européia recuou de linha de frente. Nada é o que era antes.
Nos EUA,o presidente Obama após as recentes e bem sucedidas negociações sobre a questão da saúde e das armas nucleares com a Rússia, declarou estar voltando sua atenção para as alterações climáticas.
Em uma longa reunião na semana passada, seu conselheiro para Clima e Energia,Carol Browner e o diretor de Assuntos Legislativos da Casa Branca Phil Schiliro discutiram sobre as perspectivas de uma lei de mudança climática com o líder do Senado Harry Reid com influentes democratas do Capitólio. Outros três senadores - o democrata John Kerry,o independente Joe Lieberman e Lindsey Graham, republicano – também participaram das discussões para elaboração da legislação. Tudo indica que no próximo mês serão apresentados detalhes mais concretos sobre a lei do carbono nos EUA.
Para os ativistas estes movimentos parecem animadores, enquanto que para os críticos de Obama ocorre o inverso. "O governo mostrou-se disposto a elaborar um projeto partidário e forçá-lo à aprovação. Se for esse o seu modelo de governar, então não há limite para o que eles vão fazer", disse Ken Green, pesquisador do American Enterprise Institute , um pensador mais conservador.
A lei sobre o clima dos EUA estará destinada principalmente a reduzir as emissões de gases efeito de estufa. Mas os problemas, como sempre, estão nos detalhes,é provável que no projeto de lei sejam incluídas várias disposições contrárias aos ‘lobbistas verdes”.
Graham quer incluir medidas que permitam aumentar a exploração de petróleo no mar, na plataforma continental da América, enquanto informações vazadas recentemente sugerem que mais recursos podem ser direcionados às usinas de geração de energia conhecidas por "carvão limpo". Além disso, é provável que haja incentivo à energia nuclear. Todas as três idéias são vilipendiadas pelos ambientalistas.
A movimentação de Barack Obama sobre a mudança climática é portanto, muito menos radical do que parece, pelo simples fato de há pouco apetite político. Os traumas recentemente sofridos para aprovação da reforma da saúde foram, sobretudo marcantes
A nova legislação, portanto, deverá possuir um prefil tênue a fim de garantir o apoio do grupo republicano. "Não vai ser consenso geral. Estou certo de poder obter 60 votos para o suporte necessário", disse Tad Segal, um porta-voz da US Climate Action Partnership, uma coalizão de grupos ambientalistas e de negócios em favor de novas leis que limitem as emissões.
Como os membros de Washington sabem muito bem, essa é a maneira dos EUA aprovarem esta lei, não importando quais são as preocupações do resto do planeta. "Na América, mesmo com a mudança climática, toda a política é local", afirma Segal.
A perspectiva de uma fraca movimentação dos EUA em matéria de alterações climáticas não caiu bem. "Os países estão perdendo a paciência com os norte-americanos. Pode haver simpatia por Obama, o qual claramente enfrenta uma difícil situação interna, mas também está claro que os EUA desejam trilhar um outro caminho em matéria de alterações climáticas e está exigindo que todos sigam com ele", informou fonte de uma embaixada européia, semana passada.
Liz Gallagher do Cafod da agência de desenvolvimento da Igreja Católica diz: "As negociações não podem retornar para onde estavam. O resto do mundo já percebeu que os EUA não mudarão e que a única forma de progredir nesta questão poderá ser deixar os EUA para trás e mostrando-lhes que vão perder a corrida verde. "
Esta atitude é susceptível de gerar um confronto, em Bonn, no próximo mês durante a preparação do texto de negociação que será utilizado para as futuras discussões. Os EUA querem adotar o acordo inócuo efetivado em Copenhagen, enquanto a maioria dos países em desenvolvimento - incluindo a China, Índia e Brasil - dizem que o mesmo não tem legitimidade jurídica e, além disso, as negociações devem buscar posições mais ousadas do que aquelas acordadas em Quioto, uma década antes.
Significativamente, este último grupo é apoiado pelo secretário geral do clima da ONU, Yvo de Boer. "Eu acho que nós vamos continuar na dupla abordagem. Para os países em desenvolvimento, a presença do protocolo de Quioto é muito importante", disse ele. Idéia também é corroborada por mais de 200 dos maiores grupos ambientalistas e desenvolvimentistas do mundo incluindo os Amigos da Terra Internacional, Christian Aid, Rede do Terceiro Mundo, do Jubileu Sul e do World Development Movement. Estes grupos apelaram para a rejeição integral do acordo de Copenhague e exortou os países a retomarem as negociações em duas vertentes.
No entanto, outros observadores acreditam que os EUA têm na realidade é forçado a sua opinião sobre o resto do mundo, porque nenhum país rico se dispôs a assumir qualquer posição concreta.
"Estamos em um mundo de desordenado. Os EUA estão confortáveis e não há nenhuma evidência de que outros países ricos apresentem qualquer disposição para abandonar os norte-americanos e seguir sozinho. É uma bagunça", disse Martin Khor, diretor do Centro Sul, um centro de pesquisa inter-governamental especializado em desenvolvimento, com sede em Genebra.
É um cenário nefasto para as negociações de quarta-feira em Londres, mas isso não significa que tudo está perdido.
"Caso os EUA concordarem em limitar as suas emissões mesmo que seja de uma forma modesta, isto já seria uma enorme melhoria na postura anterior da América", disse Ward à Grantham Research Institute. "E embora possa parecer assustador falar sobre o levantamento de um trilhão de dólares para nações em desenvolvimento lidarem com o impacto do aquecimento global, devemos notar que isto representa um investimento muito inferior ao que foi necessário para salvar o sistema financeiro do mundo em 2008.
"Se tudo tivesse ido por água baixo, as conseqüências teriam sido muito piores. Mas se não enfrentarmos o aquecimento global, então o impacto será ainda muito mais devastador.
Este ponto não está perdido para o Grupo Consultivo de Financiamento sobre Mudança do Clima e eu acredito que vamos começar uma ação robusta em nível global para combater o aquecimento do clima. “Não devemos nos desanimar ainda”.
Tradução de Laércio Bruno Filho
link artigo original em lingua inglesa: aqui
Crise no IPCC. 'Eu não acho que esse ceticismo vá durar muito''. Entrevista com Carlos Nobre /// IHU Agencia Envolverde
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Unknown
em
3/12/2010 07:05:00 PM
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Carlos Nobre, cientista brasileiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), comenta os ataques que o órgão internacional vem sofrendo e discorre sobre a posição dos cientistas céticos em relação às mudanças climáticas.
A reportagem e a entrevista é da ANDI Mudanças Climáticas e publicada pela Agência Envolverde, 12-03-2010.
Eis a entrevista.
Desde o segundo semestre do ano passado, o IPCC vem recebendo ataques em decorrência do suposto vazamento de e-mails e do erro em dados sobre o derretimento do Himalaia. Ao mesmo tempo, estamos tendo um inverno rigoroso na Europa. Somados, esses fatores trouxeram de volta a debate os questionamentos sobre a existência do aquecimento global, uma discussão que já estava praticamente encerrada. Na sua opinião, quais as causas desse retorno?
Esses acontecimentos servem de impulso para os céticos porque eles não conseguem trazer qualquer fato científico novo, surpreendente, que coloque realmente em dúvida a ciência robusta e sólida do aquecimento global. Assim, se apegam a qualquer coisa – por exemplo, o inverno rigoroso no hemisfério norte – para contestar o aquecimento do planeta. Como não têm condições de debater no nível da ciência, por isso querem jogar o debate em um nível político. Existem aí enormes interesses econômicos afetados pela mudança do paradigma da geração de energia, pela troca de todo o sistema de produção que a partir do qual construímos o bem estar moderno.
Eu não acho que esse ceticismo vá durar muito, pois a ciência não para de avançar. Não há uma semana em que não seja publicado pelo menos um paper da mais alta qualidade sobre o assunto nas melhores revistas científicas.
Todo esse alvoroço e os questionamentos sobre a legitimidade do órgão são mais uma jogada política de quem é contra a agenda climática. Mas essas coisas duram muito pouco, porque a força da ciência é tremenda. Os pseudo-cientistas que defendiam o tabaco na década de 1970, contratados a peso de ouro pelas companhias de cigarro, por exemplo, desapareceram. Isso porque a ciência explica como os fenômenos ocorrem. E tabaco, câncer e doenças cardíacas estão relacionados. Ninguém mais questiona isso. Da mesma forma, ninguém irá se lembrar dos pseudo-cientistas que se prestam a esse trabalho contra a ciência do clima.
Como a crise no IPCC pode afetar a credibilidade da ciência do clima?
Quem faz avançar a ciência do clima não é o IPCC. Quem faz avançar a ciência do clima é a ciência. O IPCC só sumariza resultados. E ao fazer esse sumário, o IPCC não é infalível, como nenhuma instituição científica é infalível. Semana passada, inclusive, a revista Nature Geoscience retirou de circulação um paper que havia publicado. E essa publicação científica tem um dos mais rigorosos sistemas de revisões do mundo.
Por isso, repito: nenhuma instituição científica é infalível. Nenhum cientista é infalível. E o método científico tem essa característica: a ciência está sempre se auto-corrigindo. É lógico que o que aconteceu com o IPCC é um alerta importante, apesar do problema ter sido relativamente pequeno. Nenhum dos erros apontados, vale destacar, chegou ao sumário enviado para os tomadores de decisão.
Por isso creio que essa ênfase exagerada que está sendo colocada no órgão é muito mais uma questão política do que científica.
Diante de suas afirmações de que este é um debate político e econômico, é possível apontar setores por trás dos céticos em relação às mudanças climáticas?
Antes de tudo, é preciso deixar claro que não sou especialista nesse tópico. Mas recentemente tive contato com a resenha do livro Climate Coverup: the cruzade to deny global warming (A dissimulação do clima: a cruzada para negar o aquecimento global), do advogado e ambientalista canadense James Hoggan, que mapeia como foi montada a estratégia do lobby anti-aquecimento global. Na resenha, feita pelo economista Ladislaw Dowbor, encontramos mais ou menos o seguinte: “A articulação envolve instituições conservadoras e poderosas. Sempre empresas petróleo, carvão e produtores de carro, muitos dos republicanos e a direita religiosa. A maioria desses movimentos [contra o aquecimento global] é originária dos EUA e é mantida por esse lobby”. Vale destacar o papel preponderante da indústria do carvão. Na área do petróleo a Exxon Mobil é uma das poucas companhias que insistem em apoiar esse tipo de pesquisa. A maioria já está mudando o foco e investindo em energias renováveis.
Como avalia as reportagens sobre a crise do IPCC?
A imprensa ocidental moderna é regida pelo pluralismo. Por isso, ela sempre procura dar espaço para quem tem uma visão diferente. O problema é que a dissidência acaba recebendo um peso muito grande. Foi demonstrado nos EUA que os céticos tinham um espaço na imprensa quase idêntico ao destinado aos cientistas que falavam de aquecimento global. O problema é que 0,1% dos cientistas que entendem de clima são céticos.
Isso significa que menos de 1% da ciência tinha 50% do espaço no debate sobre existência ou não das mudanças climáticas que chega ao público por meio da grande imprensa. É lógico que dessa forma os leitores vão ter uma idéia de que são duas teorias científicas equivalentes. Isso reflete muito mais a pluralidade da mídia, que às vezes é usada em excesso, do que necessariamente a força das teorias de vários cientistas.
Quais as perspectivas para o IPCC, após a questão do erro nos dados sobre o Himalaia?
Como disse anteriormente, esse foi um alerta importante e o IPCC já chamou um corpo de pesquisadores independentes, que irá divulgar em três meses um relatório revisando os dados. E não se surpreenda, eu prevejo que outros erros serão encontrados. É inevitável. São 3 mil paginas e tudo é realizado por meio de trabalho voluntário. Eu, por exemplo, eu já trabalhei e trabalho em vários relatórios, e posso afirmar que existe uma pressão enorme de tempo para a conclusão. Além disso, é necessária uma lógica complexa para que tudo seja levado em consideração. É impossível não encontrar algum erro.
Assim, para evitar esse tipo de problema, acredito que o IPCC deva contar com uma errata contínua, como os jornais apresentam todo dia, por exemplo. Se forem apontados erros após a publicação de um relatório, o órgão deve imediatamente divulgar uma errata. Não se pode esperar cinco anos para que o relatório seguinte cubra o assunto e divulgue erros encontrados.
A reportagem e a entrevista é da ANDI Mudanças Climáticas e publicada pela Agência Envolverde, 12-03-2010.
Eis a entrevista.
Desde o segundo semestre do ano passado, o IPCC vem recebendo ataques em decorrência do suposto vazamento de e-mails e do erro em dados sobre o derretimento do Himalaia. Ao mesmo tempo, estamos tendo um inverno rigoroso na Europa. Somados, esses fatores trouxeram de volta a debate os questionamentos sobre a existência do aquecimento global, uma discussão que já estava praticamente encerrada. Na sua opinião, quais as causas desse retorno?
Esses acontecimentos servem de impulso para os céticos porque eles não conseguem trazer qualquer fato científico novo, surpreendente, que coloque realmente em dúvida a ciência robusta e sólida do aquecimento global. Assim, se apegam a qualquer coisa – por exemplo, o inverno rigoroso no hemisfério norte – para contestar o aquecimento do planeta. Como não têm condições de debater no nível da ciência, por isso querem jogar o debate em um nível político. Existem aí enormes interesses econômicos afetados pela mudança do paradigma da geração de energia, pela troca de todo o sistema de produção que a partir do qual construímos o bem estar moderno.
Eu não acho que esse ceticismo vá durar muito, pois a ciência não para de avançar. Não há uma semana em que não seja publicado pelo menos um paper da mais alta qualidade sobre o assunto nas melhores revistas científicas.
Todo esse alvoroço e os questionamentos sobre a legitimidade do órgão são mais uma jogada política de quem é contra a agenda climática. Mas essas coisas duram muito pouco, porque a força da ciência é tremenda. Os pseudo-cientistas que defendiam o tabaco na década de 1970, contratados a peso de ouro pelas companhias de cigarro, por exemplo, desapareceram. Isso porque a ciência explica como os fenômenos ocorrem. E tabaco, câncer e doenças cardíacas estão relacionados. Ninguém mais questiona isso. Da mesma forma, ninguém irá se lembrar dos pseudo-cientistas que se prestam a esse trabalho contra a ciência do clima.
Como a crise no IPCC pode afetar a credibilidade da ciência do clima?
Quem faz avançar a ciência do clima não é o IPCC. Quem faz avançar a ciência do clima é a ciência. O IPCC só sumariza resultados. E ao fazer esse sumário, o IPCC não é infalível, como nenhuma instituição científica é infalível. Semana passada, inclusive, a revista Nature Geoscience retirou de circulação um paper que havia publicado. E essa publicação científica tem um dos mais rigorosos sistemas de revisões do mundo.
Por isso, repito: nenhuma instituição científica é infalível. Nenhum cientista é infalível. E o método científico tem essa característica: a ciência está sempre se auto-corrigindo. É lógico que o que aconteceu com o IPCC é um alerta importante, apesar do problema ter sido relativamente pequeno. Nenhum dos erros apontados, vale destacar, chegou ao sumário enviado para os tomadores de decisão.
Por isso creio que essa ênfase exagerada que está sendo colocada no órgão é muito mais uma questão política do que científica.
Diante de suas afirmações de que este é um debate político e econômico, é possível apontar setores por trás dos céticos em relação às mudanças climáticas?
Antes de tudo, é preciso deixar claro que não sou especialista nesse tópico. Mas recentemente tive contato com a resenha do livro Climate Coverup: the cruzade to deny global warming (A dissimulação do clima: a cruzada para negar o aquecimento global), do advogado e ambientalista canadense James Hoggan, que mapeia como foi montada a estratégia do lobby anti-aquecimento global. Na resenha, feita pelo economista Ladislaw Dowbor, encontramos mais ou menos o seguinte: “A articulação envolve instituições conservadoras e poderosas. Sempre empresas petróleo, carvão e produtores de carro, muitos dos republicanos e a direita religiosa. A maioria desses movimentos [contra o aquecimento global] é originária dos EUA e é mantida por esse lobby”. Vale destacar o papel preponderante da indústria do carvão. Na área do petróleo a Exxon Mobil é uma das poucas companhias que insistem em apoiar esse tipo de pesquisa. A maioria já está mudando o foco e investindo em energias renováveis.
Como avalia as reportagens sobre a crise do IPCC?
A imprensa ocidental moderna é regida pelo pluralismo. Por isso, ela sempre procura dar espaço para quem tem uma visão diferente. O problema é que a dissidência acaba recebendo um peso muito grande. Foi demonstrado nos EUA que os céticos tinham um espaço na imprensa quase idêntico ao destinado aos cientistas que falavam de aquecimento global. O problema é que 0,1% dos cientistas que entendem de clima são céticos.
Isso significa que menos de 1% da ciência tinha 50% do espaço no debate sobre existência ou não das mudanças climáticas que chega ao público por meio da grande imprensa. É lógico que dessa forma os leitores vão ter uma idéia de que são duas teorias científicas equivalentes. Isso reflete muito mais a pluralidade da mídia, que às vezes é usada em excesso, do que necessariamente a força das teorias de vários cientistas.
Quais as perspectivas para o IPCC, após a questão do erro nos dados sobre o Himalaia?
Como disse anteriormente, esse foi um alerta importante e o IPCC já chamou um corpo de pesquisadores independentes, que irá divulgar em três meses um relatório revisando os dados. E não se surpreenda, eu prevejo que outros erros serão encontrados. É inevitável. São 3 mil paginas e tudo é realizado por meio de trabalho voluntário. Eu, por exemplo, eu já trabalhei e trabalho em vários relatórios, e posso afirmar que existe uma pressão enorme de tempo para a conclusão. Além disso, é necessária uma lógica complexa para que tudo seja levado em consideração. É impossível não encontrar algum erro.
Assim, para evitar esse tipo de problema, acredito que o IPCC deva contar com uma errata contínua, como os jornais apresentam todo dia, por exemplo. Se forem apontados erros após a publicação de um relatório, o órgão deve imediatamente divulgar uma errata. Não se pode esperar cinco anos para que o relatório seguinte cubra o assunto e divulgue erros encontrados.
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