Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Conheça homens e mulheres que optaram por uma vida mais simples

 

Postado em: 16 abr 2013 às 10:51

Na contramão da sociedade contemporânea, homens e mulheres optam por uma vida mais simples. Eles garantem que são mais felizes. Conheça as histórias

Você pode ter passado a vida inteira, ou parte dela, ouvindo a expressão: tempo é dinheiro. Conhecido de perto um universo em que ter do “bom e do melhor” é sinônimo de uma vida sossegada. Também deve ter escutado, e acreditado, que comprar roupas, sapatos e supérfluos alivia o estresse, principalmente, das mulheres durante a tensão pré-menstrual (TPM). Que shopping é e será um dos melhores lazeres desta vida moderna. Agora, suponha que tudo isso virasse de cabeça para baixo. Em nome da simplicidade do ser, homens e mulheres, de idades diferentes, chacoalharam esses velhos conceitos cada vez mais impostos à sociedade e optaram, sem culpa e com leveza, por uma vida simples. Acreditam que precisam de pouco para se satisfazer e asseguram que o lucro com tudo isso não se vende nem se troca, e tem nome: felicidade.

Não se trata de um movimento, mas um fenômeno sem causa única e nenhuma regra. Essas pessoas estão, aos poucos, caminhando por conta própria em busca da simplicidade, sem fazer publicidade disso. Alguns mudaram de cidade, outros conseguiram isso morando em uma capital como Belo Horizonte. E não estão sós. A tal simplicidade já chama a atenção do mundo, já que grandes homens, que poderiam esbanjar mordomias, disseram “não” a elas e a tudo que elas remetem. O ex-guerrilheiro José Mujica, atual presidente do Uruguai, por exemplo, mora em uma casa deteriorada na periferia de Montevidéu, sem empregado nenhum. Seu aparato de segurança: dois policiais à paisana estacionados em uma rua de terra.

Outro que recebeu os olhares do planeta é o papa argentino Francisco, que despertou a simpatia dos católicos e até mesmo de quem não segue a religião, por quebrar protocolos da Igreja. Sabe-se que antes de chegar ao cargo mais alto da instituição, no dia 13, quando foi escolhido como papa, ele andava de metrô e ônibus por Buenos Aires e cozinhava a própria comida. Já como líder do catolicismo, ele dispensou o carro oficial ao celebrar uma missa e caminhou pelas ruas, aproximando-se mais do povo.

BONS EXEMPLOS

Mas não é preciso ir a Roma ou ao Uruguai para conhecer pessoas que apostam nesse modo de vida. O Bem Viver conheceu bons exemplos dessa vida simples. São guerreiros que nadam contra a maré em uma sociedade que, cada vez mais, valoriza o supérfluo como a garantia para ser feliz. “Hoje, o que predomina é o consumismo mais exacerbado, mas se há grupos buscando essa simplicidade é um sintoma de que essa exaustão das buscas frenéticas acaba não levando a lugar nenhum”, comenta o psicólogo, psicanalista e doutor em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Roberto Drawin.
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Advogada Débora Paglioni, de 23 anos, acredita que ser simples é uma postura que tem a ver com bem-estar e consciência (Foto:Estado de Minas)

Certos de que há muito mais quando se tem menos, os entrevistados para esta reportagem servem como verdadeiras lições de vida. Maria Madalena Aguiar, de 66 anos, diz ser “feliz demais” em levar uma vida baseada na simplicidade e acredita, por exemplo, que está mais perto de Deus. Já Guilherme Moreira da Silva, de 56, mora em um sítio em Macacos, na Grande BH, e garante que “ser simples” traz a ele conforto, alegria, prazer e felicidade. A mesma sensação tem Priscila Maria Caliziorne Cruz, de 23, que ao optar por esse estilo de vida diz ter ampliado sua consciência, ficando mais inteira e presente na vida. “A simplicidade nos obriga a olhar para nós mesmos”, comenta o frei Jonas Nogueira da Costa, que desde menino se encantou pela vida de São Francisco de Assis e adotou a espiritualidade franciscana. Para a advogada Débora Paglioni, de 23 anos, ser simples vai muito além de ter dinheiro. “Tem a ver com bem-estar e consciência”, afirma.

SOMENTE O NECESSÁRIO

Carro, só ser for para locomoção. Telefone é para se comunicar, não precisa de touch screen nem aplicativos mirabolantes. Roupas ou sapatos novos somente quando forem de extrema necessidade, afinal, para quê mais? Comer bem não é ir a restaurante refinado, mas aquilo que é feito em casa. Ter uma vida simples passa por muitas dessas posturas, que não são regras.
Mas quem decide viver com o que é necessário nega o que hoje é tão valorizado, como a corrida disparada pelos melhores celulares, casa, carros e as mais belas joias. E acaba consciente de que o tempo e a energia investidos para a aquisição de coisas podem minguar as oportunidades de conviver com o outro, de buscar a espiritualidade, autoconhecimento e senso de comunidade. É como se essas pessoas se abrissem mais para o mundo ao seu redor e dissessem: “Desapeguei”. Talvez por isso, elas são serenas, sorridentes e leves, vivendo somente com o necessário, aquilo que para elas é essencial.
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Esse desapego e vontade de viver somente com o que precisa não é algo que a humanidade conheceu hoje. O psicólogo, psicanalista e doutor em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Roberto Drawin destaca que esse comportamento é antigo e vem desde antes do cristianismo. “Vem de uma sabedoria grega. Não é só no sentido de não ter bens materiais, mas não transformá-los em uma tirania.” Ele conta que existia uma corrente da filosofia grega, o chamado estoicismo, que mostrava que o homem só atinge a felicidade se ele for livre, ao se livrar das dependências dos bens materiais. “Isso foi seguido tanto por um escravo quanto pelo imperador.”
De tanto desapegar desses bens, Guilherme Moreira da Silva, de 56 anos, é chamado de Mazzaropi pelos amigos, em alusão ao cineasta, ator de rádio, TV, de circo, cantor e diretor Amácio Mazzaropi, que, mesmo rico, foi conhecido como o gênio da simplicidade. Ele marcou a história do cinema nacional ao mostrar personagens simples e uma linguagem bem próxima do povo. Guilherme não optou pela arte. Desde menino, sofria de bronquite e a medicina não lhe dava esperança de cura. Por meio de uma vida que ele mesmo chama de alternativa, conseguiu se livrar da doença, desafiando até o diagnóstico médico.

Nascido e criado em Belo Horizonte, há 30 anos Guilherme se mudou para São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, na Grande BH. Formado em arquitetura e especializado em paisagismo, ele morou na Espanha por um ano. Mas foi em Macacos, em um sítio em meio à natureza, que se encontrou. Por 15 anos, morou ali sem energia elétrica. Ele diz até hoje não comprar roupas e só usar aquelas que seus irmãos lhe dão. “Não atribuo grandes valores ao materialismo. Tenho uma caminhonete porque preciso dela para trabalhar.”

Guilherme hoje mexe com produtos naturais, vende pães integrais e come tudo o que planta. Onde mora não há internet. “A minha bronquite que me incomodava muito. Queria uma vida saudável. Esse modelo que adotei tem raízes profundas em querer sobreviver e gostar da vida. Chegou o momento em que o mais importante era a qualidade do ar que respirava , o contato com a terra e a comida que comia.”

Em uma casa de alvenaria sem luxos nem precariedade, Guilherme tem uma televisão, que de vez em quando é ligada. “A vida pode ser muito mais simples. A busca por ter tudo, trocar o velho pelo novo, traz desconforto. A sociedade nunca está satisfeita.” Para ele, a vida no campo traz essa simplicidade, alegria, conforto e prazer.

ESFORÇO

Professor do curso de ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas), Ricardo Ferreira Ribeiro diz que hoje as pessoas fazem um esforço danado para ter renda e, por outro lado, geram um estresse, acúmulo de trabalho e problemas de saúde. “A opção pela vida simples tem sido mais singela, há menos requinte, mas exige menos esforços.” Ele lembra que os hippies chegaram a optar por esse modo de vida, como crítica ao consumismo. “Esse modo de viver aproxima mais as pessoas, cria-se uma empatia.”

Para o frei Jonas Nogueira da Costa, de 37, viver com pouco se aprende ao estar perto daqueles que têm poucas condições financeiras. De família simples e católica, ele sempre participou das atividades da igreja de Três Rios, sua cidade natal, no interior do Rio de Janeiro, o que despertou sua vontade de ser padre. Em 1995, entrou para a Ordem dos Frades Menores, motivado pelo exemplo de São Francisco de Assis, que dedicou a vida à simplicidade e aos pobres. “A proposta de simplicidade, de viver como irmão e ter uma vida de oração são pilares que me encantaram”, diz. A simplicidade para Jonas é entendida como partilha. “Você não pode chegar a Deus com títulos acadêmicos, roupas e outros. Deus é simples.”

O frei conta que a principal mudança que sentiu na sua opção devida foi no conceito de posse. “As coisas que eram da minha família pertenciam a eles e a mim. Hoje, tenho o conceito do nosso.” Suas posses, segundo ele, são os livros. Não se importa com roupas e compra só o necessário. “A simplicidade tem o campo prático e político. No primeiro, é o contato com as pessoas mais simples e afetos com as plantas e animais. No segundo, é a denúncia do consumismo que gera frustrações.”
Ele ensina que a vida simples permite o contato consigo mesmo. “Nos obriga a olhar para nós mesmos e ao nos depararmos com o ser humano que somos nos libertamos das grandes tentações do consumismo.” O grande ganho para o frei é a felicidade como comunhão, prazer nas pequenas coisas , estar bem consigo mesmo. “Temos que fazer o que gostamos. A minha opção me faz bem, humano e feliz.”

Para o frei, quem segue a vida baseada na simplicidade, independentemente da religião, tem que aprender a escutar os pobres materialmente e socialmente. “Eles são os nossos mestres. Há muita coisa que dissemos que são fundamentais para nós, e vemos que outras pessoas conseguem viver sem aquilo. Às vezes temos tudo e não abrimos mão de nada, e esse pobre consegue sorrir e falar de Deus. Por trás disso, há uma sabedoria. Não há uma receita pronta para essa vida simples. Cada um tem que fazer a própria síntese”, aconselha.

Estilo de vidas

Existe um movimento chamado simplicidade voluntária, que é um estilo de vida no qual os indivíduos conscientemente escolhem minimizar a preocupação com o “quanto mais melhor”, em termos de riqueza e consumo. Seus adeptos escolhem uma vida simples por diferentes razões, que podem estar ligadas a espiritualidade, saúde, qualidade de vida e do tempo passado com família e amigos, redução do estresse, preservação do meio ambiente, justiça social ou anticonsumismo. Algumas pessoas agem conscientemente para reduzir as suas necessidades de comprar serviços e bens, e, por extensão, reduzir também a necessidade de vender o seu tempo. Alguns usarão as horas a mais para ajudar os seus familiares ou a sociedade, ou sendo voluntário em alguma atividade.

Compra consciente

Mudar os hábitos de consumo e só adquirir produtos de que realmente precisa é uma opção de vida de quem busca ser mais saudável
Não é preciso sair da capital ou se dedicar integralmente ao sacerdócio para ter uma vida simples. Essa opção de vida, apesar de a luta ser ainda maior, é bem possível na cidade grande, mesmo com as tentações do consumo e seus exageros bem próximos. A simplicidade, muitas vezes, está na essência da alma e em atitudes conscientes, e não é preciso radicalismo para chegar até ela. O professor do curso de ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas) Ricardo Ferreira Ribeiro diz que essa opção de vida pode ser uma certa crítica aos valores ligados à ostentação e ao padrão de vida de pessoas que não conseguem abrir mão dos bens materiais. “A gente acaba consumindo muitas coisas, para quê? Qual a finalidade desse bem que se adquire?”, provoca.

Foram essas as perguntas que motivaram a psicóloga Marina Paula Silva Viana, de 28 anos, a enfrentar um desafio: um ano sem compras. De junho de 2011 até junho de 2012, ela não comprou nada de supérfluo e criou um blog na internet relatando sua experiência durante esse período. A página levou o nome do desafio, Um Ano sem Compras. Mineira de Belo Horizonte, a jovem mora desde 2008 em Curitiba e achava que a proposta seria difícil. “O mais complicado é conter o primeiro impulso. Mas vi que isso é bem possível.” O dinheiro que usava para comprar roupas, bolsas, calçados e cosméticos foi gasto em lazer. “Sempre gostei dessa opção de vida, e queria fazer essa experiência. Você percebe que tem outras prioridades na vida. Passei a fazer mais programas ao ar livre, a aproveitar atividades intelectualizadas. Quando estamos imersos no consumo, deixamos o que nos dá prazer em segundo plano. Passada essa experiência, hoje compro bem menos e me foquei no que é essencial para mim.”

Como psicóloga, Marina conta que muitos pacientes trazem para o consultório frustrações vindas do consumo. “As pessoas estão consumindo mais. E isso acaba tendo uma função psicológica. Ela acabam acreditando que a personalidade está ligada ao que consomem.” Formada em teatro, produtora do curso de educação gaia em BH e estudante de letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Priscila Maria Caliziorne Cruz, de 23, diz que a vida simples vem dos pilares que recebeu em casa e das suas buscas e anseios. “São escolhas diárias. Encontrei em BH, no meio urbano, uma alternativa mais simples para viver.”

Ela conta que o segredo dessa opção está na consciência do que se busca. “Sabemos que ter um telefone é importante para atender a necessidade. Mas nem sempre essa necessidade por um produto acompanha moda e o que está no mercado.” Há 10 anos, a jovem não entra em shopping, pois, segundo ela, é um ambiente que a incomoda, principalmente pelo objetivo daqueles que estão ali e os tipos de relações estabelecidas. “Participo de um encontro anual de trocas de roupas. Para a minha alimentação, participo de redes de agricultura urbana, que são alimentos produzidos na cidade. Compramos diretamente dos produtores, sai mais barato e não acumula tanto valores.”

A maior preocupação de Priscila é com o meio ambiente. Ela procura ter atitudes sustentáveis, como reciclagem de lixo, usar carona ou transporte público. “Essa opção de vida me faz sentir em harmonia comigo mesma. Quando fiz essa escolha, é como se tivesse responsabilidade com as pessoas ao meu redor.” Ela diz que o encontro com esse modo de vida foi motivado por uma busca de vida saudável, da saúde do corpo e da mente . “Nunca fiz escolhas motivada pelo financeiro.”

BENS MATERIAIS

Por mais que as quatro filhas insistam, Maria Madalena Aguiar, de 66 anos, fica bons anos sem comprar roupas. Prefere consertar as que tem e não se importa com a idade delas. Um vestido e um tamanco já estão de bom tamanho. Mesmo morando na capital, a essência, adquirida na infância, na roça e durante os três anos que morou em um convento em São Paulo, ela mantém intacta e com orgulho. Diz já ter conhecido muitas pessoas que ostentam bens materiais. “É de dar dó”, comenta.

Certo dia, uma de suas filhas a chamou para sair. Ela logo pegou a bolsa de pano e disse estar pronta para acompanhá-la. A filha sugeriu que mudasse de roupa. “Você quer o que visto ou a minha companhia?”, respondeu Madalena. Apaixonada pelas poesias que cria, ela conta que prefere andar de ônibus ou a pé a ir de carro. “Temos pernas é para andar.” Compras com ela, só o essencial. O seu lazer é mexer na terra, com as plantas e aprender com elas. “A vida simples é uma sabedoria”, avisa. Para ela, ajudar o outro a ter um coração bom são as grandes riquezas do ser humano.

Madalena conta a lenda que lhe serve de inspiração. “Uma vez, um turista viajou para conhecer um grande sábio. Quando chegou, disse a ele que queria conhecer seus móveis. O sábio, muito tranquilo, mostrou que só tinha uma cama e uma cadeira e o convidou a entrar. O homem não aceitou, disse estar só de passagem. O sábio respondeu: ‘Eu também’.” Para essa senhora, a história aponta o que devemos pensar antes dos bens materiais serem nossos donos. “Caixão não tem gaveta. Estamos aqui só de passagem.” (LE)

Viver com o essencial

Este mês, o New York Times publicou um artigo sobre a vida de Graham Hill, que vive em um estúdio de 420 pés. Ele tem seis camisas, 10 tigelas rasas que usa para saladas e pratos principais. Não tem um único CD ou DVD. Era rico, tinha uma casa gigantesca e cheia de coisas – eletrônicos , carros e eletrodomésticos. “De uma certa forma, essas coisas acabaram me consumindo”, disse na entrevista. Em 1998, em Seattle, vendeu sua empresa de consultoria de internet, Sitewerks, por muito dinheiro e passou a comprar muito. Entre as compras, um Volvo preto turbinado. Mas tudo isso passou a incomodá-lo e a ficar sem graça. E ele decidiu viver somente com o essencial.
Luciane Evans, Estado de Minas

Mobilidade urbana brasileira é uma das piores do mundo


Classe mais pobre da população leva até 20% mais tempo se deslocando de casa para o trabalho, avalia estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
                                 
Autor: Simone Talarico | Postado em: 25 de março de 2013 | Fonte: Business Review Brasil
Brasil enfrenta crise de mobilidade urbana
Brasil enfrenta crise de mobilidade urbana
créditos: Divulgação

O deslocamento de casa para o trabalho, em qualquer lugar do mundo, é sempre um grande tormento. Quer seja dirigindo o próprio carro ou usando meios coletivos de transporte, esses trajetos são geralmente cansativos e muitas vezes estressantes.

No Brasil, essas características não são diferentes, e muitas mudanças vêm acontecendo nos últimos 20 anos, em consequência de motivos que vão do crescimento populacional ao aumento no consumo de automóveis.

Para buscar identificar quais as principais tendências desse problema presentes no país, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) fez um estudo de análise de dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o tempo de deslocamento entre casa e o trabalho dos brasileiros de 1992 a 2009. Os resultados acabam de ser divulgados.

Sem muita surpresa para paulistanos, São Paulo foi identificada como a cidade brasileira onde os moradores levam mais tempo para se deslocar para o trabalho: 43 minutos, em média. O tempo é o segundo mais longo do mundo, perdendo apenas para Xangai, na China, como mostra o gráfico abaixo.

Tempo gasto até o trabalho no Brasil e no mundo (em minutos).

O estudo aponta que tem havido piora nas condições de transporte urbano das principais áreas metropolitanas do país desde 1992, com aumento nos tempos de viagem casa-trabalho.
As cidades de Curitiba e Porto Alegre são as únicas duas exceções, com os tempos de viagem mantidos relativamente estáveis desde então. A proporção de trabalhadores que fazem trajetos casa-trabalho muito longos – com mais de uma hora de duração – também aumentou consideravelmente, chegando a quase um quarto de todas essas viagens em algumas áreas metropolitanas.
Os dados da pesquisa também mostram diferenças expressivas no tempo de viagem casa-trabalho entre os diferentes níveis de renda. Em média, das nove maiores regiões metropolitanas e no Distrito Federal, osegmento mais pobre dos trabalhadores gasta em média 20% mais tempo no trânsito do que o segmentomais rico.
Já é fato que o país está passando por uma crise de mobilidade urbana, e cada vez mais estudos como estes reiteram o que a população vive no seu dia a dia. A opção pelo transporte individual é uma das grandes causas, sem dúvida, mas também contribuem a falta de um planejamento urbano eficaz e opções reais de transporte coletivo que atualmente são insuficientes e ineficazes. A resposta atual é que devemos esperar pelas obras de infraestrutura que estão sendo feitas para a realização da Copa do Mundo de 2014.
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Vida longa aos “fifties”, os novos cinquentões

 

Perspectiva de uma vida longeva muda perfil do consumidor na faixa dos 50 anos. Veja os perfis traçados em estudo da agência Rino

Jonas Furtado| » ENVIAR E-MAIL »
Na quinta-feira da semana passada, 1º de novembro, o vocalista do Red Hot Chilli Peppers, Anthony Kiedis, celebrou 50 anos. Antes dele, já haviam entrado para o clube, em 2012, os atores Tom Cruise e Marcello Novaes e a cantora Paula Toller. Ao lado de outras celebridades, como Maddona, George Clooney, Fátima Bernardes, Maitê Proença e Bono Vox, são a face famosa de uma geração que vem redefinindo padrões de comportamento para quem já viveu meio século de vida – ou “o primeiro meio século”, como gostam de ressaltar.

Mas a tendência de postergar a aproximação com a Terceira Idade não é algo restrito ao universo dos artistas e aparece como uma consequência natural do aumento da expectativa de vida e a perspectiva de uma vida mais longeva. “Há uma readequação favorável da linha do tempo, e isso tem despertado nas pessoas em torno dos 50 anos de saber se reconhecer de uma forma bacana e também ser reconhecido por isso”, afirma Fernando Piccinini Jr, vice-presidente de Criação da Rino Com.

A agência, que completou cinco décadas em 2012, realizou um estudo para entender os anseios e as perspectivas dos novos cinquentões – alcunha a qual, sem surpresa, descobriu-se não ser muito cara aos participantes, que a Rino Com preferiu chamar de “fifties”. A pesquisa foi feita pelo Club de Pesquisa, instituto dirigido por Regina Sales e Emira Nicolas Kezh.

Foram 230 entrevistas com homens (44%) e mulheres (56%) de 47 a 53 anos, das classes A, B e C. Uma pesquisa mais detalhada foi aplicada em trinta destes. Fecham a conta as 927 intervenções recebidas via Internet e as entrevistas online com 50 profissionais da área de comunicação.

Quase metade dos entrevistados (43%) pela Rino Com declarou estar vivendo a melhor época de sua vida. Como contraponto, apenas 5% disseram que os cinquenta anos representam o começo da velhice.

Os números batem com os registrados por pesquisa feita no Reino Unido. Com a participação de mil adultos britânicos com idade superior a 50 anos, a idade média apontada para o começo da meia-idade ficou em 55 anos, enquanto os 69 anos foram apontados como o limite para a terceira idade.

Estudos similares realizados na década passada indicavam que a meia-idade de um ser humano em nossa sociedade começava a partir dos 36 anos. Mais: um em cada cinco britânicos foi além ao afirmar que sentir-se na meia-idade é um conceito muito mais ligado ao estado de espírito do que com os anos de vida de uma pessoa.

Viver mais tem sido uma consequência de uma combinação de fatores, nos quais destaca-se o avanço da medicina no tratamento de doenças severas. A expectativa de vida do brasileiro nascido em 2010 chegou aos 73,4 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O próprio cenário socioeconômico também exerce grande influência, especialmente no campo profissional. No Brasil, a falta de mão de obra qualificada e a maior demora dos jovens em entrar no mercado de trabalho ajudam a valorizar a experiência dos mais velhos. Já nos Estados Unidos, de acordo com pesquisa encomendada pelo banco Wells Fargo, o impacto da recessão e a consequente queda no poder de compra faz com que 30% dos americanos planejem trabalhar até quando tiverem 80 anos – ou mais.

“Cria-se, assim, um espaço adicional na linha do tempo da vida para um novo conceito, o da 4ª idade, que seriam aquelas pessoas com mais de 80 anos, mas ainda produtivas, criativas e com muita lenha para queimar”, diz Piccinini, citando como exemplo a atriz Fernanda Montenegro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o apresentador e empresário Sílvio Santos. “Os 50 anos são, de certa forma, os novos 30”, afirma o VP de Criação, da Rino Com.

Diferente dos cinquentões, tradicionalmente identificados como profissionais rumo à aposentadoria e uma vida social restrita aos círculos mais próximos, osfFifties são segmentados demais para terem uma definição única. Veja abaixo como o estudo da Rino Com definiu-os em três grandes arquétipos – fica fácil perceber que, se a vida não começa aos 50, são cada vez melhores as perspectivas de estar apenas na metade, após meio século.

Leia a matéria sobre os “fifties” na íntegra na edição 1534 impressa do Meio & Mensagem (de 5 de novembro de 2012).
Os
+ Os "cinquentees" pensam em viver cada minuto intensamente e acham que essa é a melhor fase da vida Crédito: Chicuta
• Espírito jovem, até exagerado em alguns
• Postura otimista
• Não sentem (ou negam) a idade que têm
• Sentem que têm muito que realizar
• Envolvidos com atividades físicas
• Entretenimento típico de mais jovens: agitação, vida fora de casa, balada, perfis
nas redes sociais
• Ampla abertura para tecnologia
• Sentimento de vitória / competição
• Vivenciam um sexo mais liberado
• Não se importam tanto com o que os outros pensam
• Frame de referência: os filhos, seja na condição de companheirismo ou disputa
Os
+ Os "cinquentrinques" têm postura realista e madura. São sensatos, equilibrados e voltados para o presente Crédito: Chicuta
• Valorizam a boa condição física e de saúde
• Desfrutam bons momentos e pequenos gestos
• Comemoram os ganhos da idade: maturidade, discernimento, liberdade
• Não se imaginam parados nem aposentados
• Planejam viajar mais
• Desenvoltura com tecnologia, sabem usar/ tirar proveito
• As redes sociais ampliam oportunidades
• Sentem-se mais seguros, donos de si
• Veem o futuro com mais perspectiva e qualidade de vida
• Veem-se atingindo um patamar de equilíbrio e segurança financeira
• Frame de referência: eles mesmos
Os
+ Os "cinquentios" valorizam mais as pequenas coisas e buscam uma vida mais simples. São apegados à família Crédito: Chicuta
• Sentem mais necessidade de acreditar em Deus
• Perfill mais conservador
• Mais focados nos próximos anos ou década
• Pensam no legado para outras gerações
• Cogitam aposentadoria ou desaceleração
• Recolhimento gradual à vida doméstica
• Sonho de morar na praia (ou no campo)
• Resistentes a novidades em tecnologia, têm medo de não acompanhar
• Veem redes sociais como ameaça aos relacionamentos afetivos (isolamento,distanciamento da família)
• Frame de referência: idosos ativos, saudáveis


Read more: http://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/noticias/2012/11/05/Vida-longa-aos-fifties-os-novos-cinquentoes.html?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mmbymail-geral&utm_content=Vida longa aos ?fifties?,
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Longevidade nas pessoas centenárias

A evolução da expectativa de vida que se verifica desde o princípio do século XX permitiu que as pessoas que chegam a ser centenárias cresçam a taxas muito significativas. Para confirmar este feito, um relatório recente do departamento britânico de Trabalho e Pensões nos indica a probabilidade de alcançarmos os 100 anos de idade.
                                     
     Vemos que um menino nascido hoje tem uma probabilidade de ser centenário oito vezes maior que oitenta anos atrás. As estimativas das autoridades britânicas predizem que em 2066 a população centenária no Reino Unido alcançará os 500.000 habitantes.
 
Estes números são ainda maiores se tomarmos como referência o estudo dirigido pelo professor Kaare Christensen, do Centro Danes de Pesquisa do Envelhecimento, publicado na revista The Lancet. No estudo, que analisa o que aconteceu no passado e quais foram as tendências, “observou-se um padrão extraordinário e constante, que mostra que nos últimos 150 anos tem havido um aumento muito estável nas perspectivas de vida nos países ricos”. O estudo conclui que, “se projetarmos as tendências atuais para o futuro, podemos dizer que os bebês que nascem hoje viverão 100 anos numa proporção superior a 50% nos países desenvolvidos”.
 
Acesse o link da revista e va para a pag. nº 26 : http://www.fundacionmapfre.com.br/Portal/Fundacao/Arquivos/Download/Upload/821.pdf

 

Transmilenio - Bogota/Colombia

Mobilidade Urbana é uma das questões mais criticas quando se fala em Desenvolvimento Sustentavel.
A inexorável urbanização pela qual o planeta passa tende a se acentuar nas proximas decadas.
Como solucionar a questão do transporte de pessoas de um ponto para outro?
O deslocamneto das pessoas ainda é fundamental para a produção de bens e serviços, assim como o acesso aos mesmos.

Assista o filme abaixo e observe a solução inteligente que Bogotá implementou.
Um deslocamento urbano que antes tomava  2h:15m do cidadão, hoje toma apenas 45 minutos.
São 1, 3 milhões de pessoas transportadas por dia e forte incentivo ao uso da bicicleta.
Calcule quantas horas produtivas esta população ganhou!
Menos poluentes e menos emissões de gases efeito estufa = mais Saúde para a população.
Velocidade média em torno dos 30 km/h, alguns até atingem 40m Km/h.

.Bicicletas, Transporte Urbano e Sustentabilidade

Sérgio Moraes
Hoje o debate urbanístico age sobre críticas à cidade modernista. Os planejadores urbanos contemporâneos inserem o discurso da “sustentabilidade” no debate do desenvolvimento e planejamento das cidades na busca de novos paradigmas dentro dos aspectos de uma economia sustentável para o planejamento urbano, ideia que lida basicamente com a necessidade de uma mudança de hábitos (de consumo) das populações, a necessidade de um controle do crescimento demográfico, a perspectiva temporal (para as gerações presentes e futuras) e uma reavaliação de escalas (pensar global, agir local).

Dentro desta perspectiva, fatores como a melhoria da qualidade do ar, a conservação de energia, a diminuição dos impactos gerados pelo trânsito, entre outros tópicos, são hoje enfrentados por diversos urbanistas em diferentes países numa tentativa de desenvolver programas urbanísticos de baixo nível de agressão ambiental.

Deve-se notar também que o conceito de sustentabilidade urbana implica em tópicos mais abrangentes que aqueles considerados dentro do conceito de sustentabilidade ambiental, uma vez que o meio ambiente das cidades deve desenvolver-se em âmbitos sociais, econômicos e políticos, além dos ambientais e ecológicos. Desse modo, o conceito vai buscar definir um desenvolvimento social e/ou econômico que melhore e não destrua o meio ambiente natural e construído.

IEA inicia ciclo sobre os problemas dos idosos no Brasil

"Demografia e Referência Legal" é o tema da mesa-redonda que acontece segunda-feira, 18 de outubro, às 14h30, na abertura do ciclo "Idosos do Brasil: Estado da Arte e Desafios". Os objetivos do ciclo são organizar uma agenda dedicada aos idosos, estudar um modelo para sua atenção integral e identificar ações que contribuam com as diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, aprovada pela Portaria 2.528/06 do Ministério da Saúde.

Os debatedores dessa primeira atividade do ciclo serão: Salete Maccalóz, desembargadora federal do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e professora da UFRJ e da Uerj, com experiência na área de direito privado; e Marília Louvison, mestre em saúde pública e médica da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, com experiência em saúde coletiva, com ênfase em gestão, planejamento e epidemiologia de serviços de saúde e em regulação, controle, avaliação e auditoria.

A coordenação do ciclo e da mesa estará a cargo de David Braga Jr., do Centro de Estudos e Pesquisa do Projeto Mais (Modelo de Atenção Integral à Saúde) do Hospital Premier — instituição apoiadora do ciclo —, ex-secretário da Saúde de Campinas e ex-diretor do Hospital dos Servidores Públicos.

Os temas das outras 12 mesas-redondas serão:
políticas públicas relacionadas;

fisiologia e fisiopatologia do envelhecimento;

modelos de atenção e de organização das redes de serviços e linhas de cuidados, financiamento, estrutura, processos e impactos;

formação e capacitação profissional;

sistema de informação;

trabalho, renda, previdência e assistência social;

empreendedorismo, lazer, entretenimento, cultura e arte;

aspectos urbanos e habitacionais;

hospitais, casas de repouso, asilos, residências protegidas;

questões jurídicas, custódia, interdição, tutela, herança, testamento;

questões relacionadas à bioética, a biologia x a biografia;

o direito relacionado à imagem, à linguagem e à memória; de decisão sobre a terminalidade da vida.

A partir desses debates, pretende-se constituir uma agenda voltada à melhoria da qualidade de vida dos idosos e vinculada aos seguintes aspectos:

promoção do envelhecimento ativo e saudável;

atenção integral, integrada à saúde da pessoa idosa;

estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção;

provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa;

estímulo à participação e fortalecimento do controle social;

formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa;

divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS;

promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção à saúde da pessoa idosa;

apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas.

LOCAL
Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA, Rua da Reitoria, 374, térreo, Cidade Universitária, São Paulo.
WEB
O evento terá transmissão ao vivo pela internet em www.iea.usp.br/aovivo.
INFORMAÇÕES
Com Sandra Sedini (sedini@usp.br), tel. (11) 3091-1678.

Cerca de 40% das pessoas entre 16 e 32 anos que moram e trabalham no campo são analfabetas >>> Agencia Brasil //Ecodebate

O analfabetismo atinge 3 milhões dos quase 8 milhões de trabalhadores rurais do país nesta faixa etária, de acordo com a secretária de Jovens Trabalhadores Rurais da Conferência Nacional dos Trabalhadores na Agricultura(Contag), Maria Elenice Anastácio. Se forem considerados os habitantes de pequenas cidades que sobrevivem da economia rural, os números podem ser ainda mais preocupantes.

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