Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Vida longa aos “fifties”, os novos cinquentões

 

Perspectiva de uma vida longeva muda perfil do consumidor na faixa dos 50 anos. Veja os perfis traçados em estudo da agência Rino

Jonas Furtado| » ENVIAR E-MAIL »
Na quinta-feira da semana passada, 1º de novembro, o vocalista do Red Hot Chilli Peppers, Anthony Kiedis, celebrou 50 anos. Antes dele, já haviam entrado para o clube, em 2012, os atores Tom Cruise e Marcello Novaes e a cantora Paula Toller. Ao lado de outras celebridades, como Maddona, George Clooney, Fátima Bernardes, Maitê Proença e Bono Vox, são a face famosa de uma geração que vem redefinindo padrões de comportamento para quem já viveu meio século de vida – ou “o primeiro meio século”, como gostam de ressaltar.

Mas a tendência de postergar a aproximação com a Terceira Idade não é algo restrito ao universo dos artistas e aparece como uma consequência natural do aumento da expectativa de vida e a perspectiva de uma vida mais longeva. “Há uma readequação favorável da linha do tempo, e isso tem despertado nas pessoas em torno dos 50 anos de saber se reconhecer de uma forma bacana e também ser reconhecido por isso”, afirma Fernando Piccinini Jr, vice-presidente de Criação da Rino Com.

A agência, que completou cinco décadas em 2012, realizou um estudo para entender os anseios e as perspectivas dos novos cinquentões – alcunha a qual, sem surpresa, descobriu-se não ser muito cara aos participantes, que a Rino Com preferiu chamar de “fifties”. A pesquisa foi feita pelo Club de Pesquisa, instituto dirigido por Regina Sales e Emira Nicolas Kezh.

Foram 230 entrevistas com homens (44%) e mulheres (56%) de 47 a 53 anos, das classes A, B e C. Uma pesquisa mais detalhada foi aplicada em trinta destes. Fecham a conta as 927 intervenções recebidas via Internet e as entrevistas online com 50 profissionais da área de comunicação.

Quase metade dos entrevistados (43%) pela Rino Com declarou estar vivendo a melhor época de sua vida. Como contraponto, apenas 5% disseram que os cinquenta anos representam o começo da velhice.

Os números batem com os registrados por pesquisa feita no Reino Unido. Com a participação de mil adultos britânicos com idade superior a 50 anos, a idade média apontada para o começo da meia-idade ficou em 55 anos, enquanto os 69 anos foram apontados como o limite para a terceira idade.

Estudos similares realizados na década passada indicavam que a meia-idade de um ser humano em nossa sociedade começava a partir dos 36 anos. Mais: um em cada cinco britânicos foi além ao afirmar que sentir-se na meia-idade é um conceito muito mais ligado ao estado de espírito do que com os anos de vida de uma pessoa.

Viver mais tem sido uma consequência de uma combinação de fatores, nos quais destaca-se o avanço da medicina no tratamento de doenças severas. A expectativa de vida do brasileiro nascido em 2010 chegou aos 73,4 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O próprio cenário socioeconômico também exerce grande influência, especialmente no campo profissional. No Brasil, a falta de mão de obra qualificada e a maior demora dos jovens em entrar no mercado de trabalho ajudam a valorizar a experiência dos mais velhos. Já nos Estados Unidos, de acordo com pesquisa encomendada pelo banco Wells Fargo, o impacto da recessão e a consequente queda no poder de compra faz com que 30% dos americanos planejem trabalhar até quando tiverem 80 anos – ou mais.

“Cria-se, assim, um espaço adicional na linha do tempo da vida para um novo conceito, o da 4ª idade, que seriam aquelas pessoas com mais de 80 anos, mas ainda produtivas, criativas e com muita lenha para queimar”, diz Piccinini, citando como exemplo a atriz Fernanda Montenegro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o apresentador e empresário Sílvio Santos. “Os 50 anos são, de certa forma, os novos 30”, afirma o VP de Criação, da Rino Com.

Diferente dos cinquentões, tradicionalmente identificados como profissionais rumo à aposentadoria e uma vida social restrita aos círculos mais próximos, osfFifties são segmentados demais para terem uma definição única. Veja abaixo como o estudo da Rino Com definiu-os em três grandes arquétipos – fica fácil perceber que, se a vida não começa aos 50, são cada vez melhores as perspectivas de estar apenas na metade, após meio século.

Leia a matéria sobre os “fifties” na íntegra na edição 1534 impressa do Meio & Mensagem (de 5 de novembro de 2012).
Os
+ Os "cinquentees" pensam em viver cada minuto intensamente e acham que essa é a melhor fase da vida Crédito: Chicuta
• Espírito jovem, até exagerado em alguns
• Postura otimista
• Não sentem (ou negam) a idade que têm
• Sentem que têm muito que realizar
• Envolvidos com atividades físicas
• Entretenimento típico de mais jovens: agitação, vida fora de casa, balada, perfis
nas redes sociais
• Ampla abertura para tecnologia
• Sentimento de vitória / competição
• Vivenciam um sexo mais liberado
• Não se importam tanto com o que os outros pensam
• Frame de referência: os filhos, seja na condição de companheirismo ou disputa
Os
+ Os "cinquentrinques" têm postura realista e madura. São sensatos, equilibrados e voltados para o presente Crédito: Chicuta
• Valorizam a boa condição física e de saúde
• Desfrutam bons momentos e pequenos gestos
• Comemoram os ganhos da idade: maturidade, discernimento, liberdade
• Não se imaginam parados nem aposentados
• Planejam viajar mais
• Desenvoltura com tecnologia, sabem usar/ tirar proveito
• As redes sociais ampliam oportunidades
• Sentem-se mais seguros, donos de si
• Veem o futuro com mais perspectiva e qualidade de vida
• Veem-se atingindo um patamar de equilíbrio e segurança financeira
• Frame de referência: eles mesmos
Os
+ Os "cinquentios" valorizam mais as pequenas coisas e buscam uma vida mais simples. São apegados à família Crédito: Chicuta
• Sentem mais necessidade de acreditar em Deus
• Perfill mais conservador
• Mais focados nos próximos anos ou década
• Pensam no legado para outras gerações
• Cogitam aposentadoria ou desaceleração
• Recolhimento gradual à vida doméstica
• Sonho de morar na praia (ou no campo)
• Resistentes a novidades em tecnologia, têm medo de não acompanhar
• Veem redes sociais como ameaça aos relacionamentos afetivos (isolamento,distanciamento da família)
• Frame de referência: idosos ativos, saudáveis


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Cinco gerações contemporâneas. Uma descrição >> Revista IHU on line

Acesse a revista aqui

Em menos de 70 anos, cinco gerações deixaram suas marcas na sociedade contemporânea, ditaram tendências, costumes, mudaram comportamentos, sempre tentando definir uma identidade. Hoje, elas convivem e se “reinventam” a partir de um novo paradigma: a tecnologia. Conhecidas como Y e Z, as gerações do momento são multitarefas, nasceram com o boom tecnológico e não concebem a vida sem a internet. Tais comportamentos causam “estranhamento” aos antecessores, geram conflitos e aproximações. Buscando uma melhor compreensão de como esssas gerações se relacionam e lidam com as novidades tecnológicas, a IHU On-Line conversou com especialistas atentos ao comportamento da juventude.

Por: IHU On-Line

Autor do livro Geração Y – O nascimento de uma nova versão de lí­deres, o consultor Sidnei Oliveira acredita que o “convívio destas cinco gerações já é, em si, um fato novo”. Para ele, a explosão tecnológica terá maior impacto na maneira como os jovens se relacionam com o trabalho. “As pessoas irão mesclar o trabalho com a vida pessoal e buscarão exercer um pouco mais da vida pessoal no ambiente profissional. Essa talvez seja a grande transformação que veremos nos próximos anos”, prevê.

Na mesma perspectiva, a psicóloga e professora de Gestão da Unisinos, Patrícia Fagundes, salienta que o atual conceito de liderança também será alterado em função do comportamento dos jovens. “A tendência é de que tenhamos líderes que compreendam a liderança menos como uma posição, e mais como um processo”.

Na avaliação do psicanalista Mário Corso, a principal diferença desta juventude é a condução do saber. Eles estabelecem uma relação de igual com seus superiores e o fato de não respeitarem hierarquias, explica, não deve ser compreendido como um desrespeito, e, sim, como “outra maneira de se portar”.

Zilda Knoploch, antropóloga e consultora de marketing, enfatiza que o acesso ao mundo virtual exige dos jovens teenagers “uma necessidade maior de adaptação” à vida real. Apesar de serem multitarefas, eles “ainda não aprenderam como transformar esta hiperexposição embriagante em conhecimento”.

Já Daniel Portillo Serrano, professor das Faculdades Integradas de Bauru – FIB, acredita que a fixação dos jovens pelas tecnologias se justificava muito mais pela novidade do que pela necessidade.

O jornalista Juremir Machado salienta que a internet trouxe muitas facilidades, mas ressalta que “o mundo continua praticamente o mesmo porque a organização da vida vai muito além da tecnologia.

Em outra perspectiva, o psiquiatra José Outeiral argumenta que as tecnologias criam uma “falsa sensação” de relacionamento afetivo entre a juventude e os sites de relacionamentos são utilizados como “uma fuga para as relações periféricas e fugazes.

Por sua vez, a socióloga Solange Rodrigues, do Iser Assessoria, analisa o interesse dos jovens pelas religiões e comenta como as redes se tornam um meio para buscar o sagrado.

Tendo em vista o fechamento da planta industrial da Azaleia na última semana, no município de Parobé, RS, o ex-professor da Unisinos e da UFRGS, Astor Hexsel, analisa o dilema da internacionalização de empresas nacionais e a responsabilidade social.

O sociólogo José Rogério Lopes, ministrante da palestra A imagética da devoção, que ocorre na próxima quinta-feira, 19-05-2011, no IHU, antecipa alguns aspectos de sua apresentação e a analisa as imagens religiosas como suporte ritual de demarcação social.

“Quase tudo como dantes no quartel televisivo do futebol brasileiro”, é o tema do artigo de Anderson David G. dos Santos, mestrando do PPG em Comunicação da Unisinos. Segundo ele, “o poderio da Rede Globo é reafirmado com imbróglio dos direitos de transmissão mesmo com limites estabelecidos pelo Cade”.

A revista IHU On-Line estará disponível nesta página, na segunda-feira, a partir das 16h, em html, pdf e na “versão para folhear“.
A edição impressa da revista circulará amanhã, terça-feira, no câmpus da Unisinos, a partir das 8h.

A todas e todos, uma ótima semana e excelente leitura!

Um quarto dos jovens adultos vivem com os pais /// Agencia Estado


Karina Toledo - Agência Estado (AE)

Tiago Queiróz / Agência Estado

Um em quatro jovens adultos brasileiros entre 25 e 34 anos ainda vive com os pais. O crescimento desta tendência nas últimas duas décadas não chega a ser novidade, pois o fenômeno é mundial. O que surpreende é o salto entre os homens, que praticamente dobrou no período - de 13,7%, em 1986, para 24,2% em 2008, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Se antes a dificuldade financeira era o principal motivo que impedia os jovens de iniciar uma vida longe dos pais, o cenário mudou: com comida, roupa lavada e privacidade no próprio quarto, os jovens adultos não têm motivos para abrir mão da comodidade. Como não há mais o conflito de gerações que seus pais tiveram de enfrentar, eles aproveitam para investir nos estudos e guardar dinheiro.

Entre as mulheres, o avanço foi menor: de 13,7% (1986) para 18,3% (2008). O levantamento foi feito pela demógrafa Regiane de Carvalho, em sua tese de mestrado.

A assessora de comunicação Thaís Noronha, de 30 anos, faz parte da chamada geração canguru. Ela divide um apartamento com a mãe e um irmão mais novo. Por causa da boa convivência, diz, só pensa em sair quando casar. "Nunca quis morar sozinha. Sinto necessidade de ter alguém para comentar como foi o dia, discutir o cabelo da atriz da novela e para isso eles são ótimas companhias."

Na casa, cada um tem seu quarto, seu computador e sua TV A maior parte dos afazeres domésticos ficam a cargo da "mãe-canguru’ Shirlei Noronha.

A presença materna no domicílio foi o fator que mostrou mais influência na proliferação dos jovens cangurus, segundo a pesquisa de Regiane. "Aqueles que não tinham mãe viva apresentaram três vezes mais chance de sair de casa, pois é ela, normalmente, quem proporciona casa, comida e roupa lavada", analisa.


A queda na fecundidade, com redução no número de pessoas na casa, foi outro fator importante. Além de permitir aos pais investir nos filhos, proporcionou aos jovens mais espaço e privacidade. "Isso faz com que não tenham tantos incentivos para sair. Muitas vezes já estão trabalhando, mas preferem acumular uma certa renda para manter, quando saírem, o mesmo nível de bem-estar que tinham com os pais", diz Regiane.

É exatamente assim que pensa o advogado Daniel Mendes, de 27 anos. "Até poderia me sustentar, mas passaria apertado. Não vejo sentido em sair a não ser para casar." E isso não está em seus planos imediatos, embora namore há três anos. Ele já concluiu duas graduações e uma especialização, mas diz que as despesas e obrigações de morar sozinho o impediriam de continuar estudando para obter um trabalho melhor.

Com um mercado de trabalho mais restrito e exigente, a educação continuada é a saída para o jovem se tornar competitivo, diz a psicóloga Yvete Lehman, que coordena o serviço de orientação profissional da USP. "Mas nesse meio-tempo é preciso submeter-se a um semi-salário e o jeito é adiar a independência."

O ideal de autonomia, diz a professora de psicologia da PUC-SP Ana Merces Bock, encontra-se enfraquecido pelas mudanças nas relações familiares. "Com as conquistas do feminismo, a casa deixou de ser o domínio de um pai autoritário e passou a ser um lugar de encontro de pessoas que se gostam e se apoiam."


Sem conflito

A terapeuta familiar Célia Regina Henriques ressalta que esses pais são da geração que viveu o movimento hippie e a luta pela democracia. "Essa liberdade pela qual lutaram tentam reproduzir dentro de casa."

Para ela, o fenômeno também está relacionado ao individualismo contemporâneo e à dificuldade de estabelecer vínculos afetivos. "É como se pais e filhos estivessem dentro de uma bolha. Já que as relações afetivas estão difíceis, o trabalho está difícil e a convivência familiar está boa, vamos viver esse momento e esperar pelo que vai acontecer", diz. Se por um lado cria-se essa rede de apoio entre pais e filhos, diz, o lado ruim é que ocorre uma cristalização. "Para sair da bolha é preciso um grande esforço."

Mais investimento em formação

A fuga do compromisso afeta não apenas a dinâmica familiar e amorosa, mas também a profissional, afirma a psicóloga Célia Regina Henriques. "Por isso o trabalho freelancer se torna tão frequente entre os jovens. A ideia de fazer carreira em uma grande empresa, típica da geração anterior, não existe mais", diz.


A troca frequente de emprego, por necessidade ou desejo, exige múltiplos conhecimentos. E a segurança financeira que a casa materna oferece permite ao jovem correr atrás da capacitação.

Formada em Jornalismo e Gastronomia, Gabriela Sampaio, de 32 anos, morou com a mãe até os 29 para custear a segunda faculdade. Nesse meio tempo, ela trabalhou em assessoria de imprensa, cozinha de restaurante e hoje desenvolve conteúdos para sites de internet.

Marion Hesser, de 26 anos, iniciou três graduações. Ciências Sociais, ela abandonou; Relações Internacionais, concluiu; e hoje cursa Filosofia. Passou pelo mercado financeiro, fez trabalhos como atriz e escreveu para revistas. Agora trabalha com relações internacionais, mas revela o desejo de ser produtora cultural.

"Hoje deixei de sofrer por não ter um foco e passei a valorizar o fato de que eu tenho múltiplos interesses. A médio prazo isso me capacita." Enquanto isso, a casa, a comida e a roupa lavada estão garantidas.

Informação & Conhecimento