Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Uso da terra em questão /// Agencia Fapesp

25/3/2010
Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A substituição de 25% da gasolina utilizada no planeta por biocombustíveis – dos quais o mais cotado é o etanol de cana-de-açúcar – poderá se tornar uma realidade, satisfazendo boa parte da demanda energética no futuro. Mas muita pesquisa ainda é necessária para calcular com exatidão o impacto desse novo cenário nas mudanças de uso da terra e, consequentemente, na economia.

Essas foram algumas das conclusões apresentadas nesta quarta-feira (24/3) por especialistas em bioenergia na Convenção Latino-Americana do projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada na sede da FAPESP, em São Paulo.

O principal desafio proposto pelo GSB consiste em responder, de forma consistente, se é possível substituir 25% do petróleo utilizado no setor de transportes por biocombustíveis, sem comprometer a produção de alimentos e os habitats naturais.

Para Roldolfo Quintero, professor da Universidade Autônoma Metropolitana (México), um grande número de estudos, levando em conta diferentes cenários, indica que é possível realizar a substituição de 25% de biocombustíveis em todo o mundo.

“Acredito ser mesmo possível atingir essa marca com um esforço científico que aumente a produtividade dos insumos utilizados para fazer o biocombustível. É necessário, no entanto, que nos afastemos das culturas empregadas na alimentação. Entre os biocombustíveis, o etanol é a melhor opção, mas o etanol feito de milho não é, definitivamente, uma boa resposta para o problema”, disse.

Segundo Quintero, há um consenso geral em relação à capacidade dos biocombustíveis para contribuir com a segurança energética, com a mitigação das mudanças climáticas e com o desenvolvimento social e rural.

“Na minha opinião, o foco deve ser o etanol, que hoje corresponde a 77% da produção de biocombustíveis. Essa produção é liderada pelos Estados Unidos e pelo Brasil, que, juntos, dominam 81% dos biocombustíveis e 91% do etanol. No entanto, precisamos observar que a porcentagem de redução de gases de efeito estufa obtida com o etanol de cana-de-açúcar é expressivamente maior do que a obtida com o etanol de milho”, disse.

Os questionamentos relacionados às mudanças no uso da terra provocadas pelo etanol – cuja produção poderia substituir o uso da terra para agricultura – são decorrentes unicamente do uso de milho para fabricação do biocombustível, na opinião do mexicano. “Só o etanol de milho ameaça a agricultura e a segurança alimentar”, afirmou.

Segundo ele, os Estados Unidos são os maiores exportadores do mundo de milho, vendendo o produto para mais de 90 países. “Esses países importadores podem sofrer as consequências se a produção de etanol de milho tentar suprir a demanda mundial de etanol”, disse.

O México, segundo Quintero, importa dos Estados Unidos 10 milhões de toneladas anuais de milho – o equivalente a um terço do consumo mexicano do cereal. “Em 2009, os Estados Unidos produziram 10,6 bilhões de galões de etanol, o que necessitou de 18 milhões de acres de plantio de milho, ou cerca de 21% da área total dedicada à cultura”, afirmou.

Quintero acrescentou que o desenvolvimento tecnológico terá um papel crucial no futuro dos biocombustíveis. “A tecnologia tem muito potencial nesse campo. Se a segunda geração de biocombustíveis entrar em cena nos próximos anos, o cenário será consideravelmente alterado. Há grande progresso nesse sentido. O número de patentes relacionadas a biocombustíveis cresceu de 147, em 2002, para 1.045 em 2007. Já existem mais de 60 plantas piloto para testes com etanol celulósico em países como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Japão”, destacou.

Relevância da economia
Para André Meloni Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), a utilização de modelos econômicos é absolutamente necessária para avaliar de forma eficiente as mudanças de uso da terra que serão causadas pela futura produção em larga escala de biocombustíveis.

“A análise econômica é imprescindível para a análise da mudança do uso da terra, porque não é possível explicar as causas e efeitos dessas mudanças sem considerar as alterações dos preços dos produtos em questão. Por outro lado, é preciso dispor de dados locais para alimentar os modelos econométricos. Se usarmos dados genéricos de organizações internacionais, teremos um número tão grande de hipóteses que dificilmente será possível estimar as mudanças no uso da terra”, afirmou.

Sob coordenação de Nassar, o Icone desenvolveu um novo modelo econométrico que, ao contrário dos utilizados anteriormente, leva em conta a realidade brasileira no que diz respeito à modificação do uso da terra pelo aumento da demanda de produção de etanol.



O modelo demonstrou que o etanol brasileiro reduz as emissões de gases de efeito estufa em 61% – e não em 26%, como estabeleciam os cálculos anteriores –, convencendo a Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) a reconsiderar sua avaliação sobre o etanol de cana-de-açúcar, classificando o produto brasileiro como “biocombustível avançado”.



A questão dos preços, segundo Nassar, é crucial. “No caso do Brasil, a discussão sobre o impacto do aumento de produção de biocombustíveis sobre a disponibilidade de alimentos, em longo prazo, não é tão importante como parece, porque mesmo que haja substituição do uso da terra há ainda disponibilidade de terras agricultáveis e a produção de alimentos pode ser transferida. O verdadeiro problema nessa questão são os efeitos de curto prazo dessa dinâmica, decorrentes dos preços.”

De acordo com Nassar, para que os modelos sejam bem-sucedidos, é preciso combinar a análise econômica a dados geoespaciais. “Construir um modelo não é tão difícil – com uma equipe de quatro pessoas conseguimos fazer em apenas dois anos um modelo bem-sucedido”, disse.

“O mais difícil é conseguir os dados para explicar os padrões de mudanças do uso da terra. O principal desafio é que não se pode usar dados globais. E fazer isso em nível nacional exige grande esforço, com uso de imagens de satélite e informações georreferenciadas”, afirmou.

Sustentabilidade energética começará nos transportes /// Agencia Fapesp

24/3/2010
Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – As pesquisas voltadas ao aprimoramento de veículos automotores deverão comandar as mudanças das matrizes energéticas de outros setores rumo à utilização de fontes renováveis. A afirmação, de José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), foi feita na Convenção Latino-Americana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), realizada de 23 a 25 de março na sede da FAPESP.

O físico Goldemberg, ex-reitor da USP e ex-ministro da Educação, ministrou a palestra “Como os biocombustíveis podem ajudar o mundo a cumprir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa?”.

Com dados de participação de fontes primárias de energia do ano de 2008, Goldemberg destacou que petróleo, gás natural e carvão – combustíveis emissores de gases de efeito estufa – respondem por cerca de 80% da energia consumida no planeta. “Cada ser humano consome o equivalente a 1,5 tonelada de carvão por ano”, disse.

Segundo ele, para substituir esses combustíveis é fundamental saber em que áreas são empregados atualmente. “A destinação da energia mundial está basicamente dividida entre três setores: transportes, indústria e edifícios. E cada uma delas responde por cerca de um terço do consumo”, disse.

A renovação de indústrias e edifícios seria muito mais demorada e onerosa. “Um prédio tem uma vida útil entre 50 e 100 anos. Por isso, renovar edifícios é trabalho para dezenas de anos”, afirmou.

Por conta disso, para Goldemberg as mudanças das matrizes energéticas devem começar pelos veículos, que têm vida curta e podem ser transformados com uma rapidez muito maior. “Por esse motivo, se preocupar com transporte é um dos caminhos mais seguros para investir na sustentabilidade”, destacou.

Nesse sentido, segundo ele, a substituição da gasolina e de derivados de petróleo por biocombustíveis seria o primeiro passo para que os países comecem a reduzir emissões do principal gás de efeito estufa, o dióxido de carbono.

Goldemberg apontou que o petróleo move 30% dos veículos nos Estados Unidos. No restante do planeta, essa fonte é empregada em cerca de 13% dos sistemas de transporte e, no Brasil, sua participação é ainda maior. “Isso é porque o transporte aqui é basicamente rodoviário”, disse.

Por meio de gráficos sobre o aumento de emissões de gases estufa em vários lugares, Goldemberg mostrou que os países em desenvolvimento têm aumentado a sua participação. Isso se deve, segundo ele, à industrialização acelerada de países como Índia e China.


Híbridos e elétricos
De acordo com Goldemberg, os países têm mostrado um crescimento exponencial na frota de seus veículos, o que pode culminar com números semelhantes à da frota norte-americana, a maior do planeta, com quase um veículo por habitante.

“O automóvel ocupou um lugar na população do século 20 sem precedentes na história. E é algo de que elas dificilmente vão abrir mão”, disse. O que torna, segundo ele, ainda mais necessárias as pesquisas em biocombustíveis.

Para Goldemberg, somente a biomassa e a eletricidade se mostraram ser fontes viáveis de substituição de petróleo em um futuro próximo. E só a biomassa teria a capacidade de substituir integralmente o combustível fóssil.

A eletricidade, segundo apontou o professor, tem sido empregada com êxito para melhorar o desempenho de automóveis a gasolina. Alguns exemplos de veículos híbridos bem-sucedidos nos Estados Unidos conseguem aumentar a autonomia de um carro em até dez vezes, mas ainda são modelos muito caros para competir com os convencionais a gasolina.

Por outro lado, Goldemberg não vê viabilidade na aplicação a curto prazo de veículos 100% movidos a eletricidade. “Essa tecnologia ainda está na infância. Estudos norte-americanos mostram que o carro elétrico assumirá um papel importante por volta de 2030, isso porque as nossas baterias atuais não são muito mais eficientes do que aquelas que nossos avós usavam no século 19”, provocou.

O hidrogênio, uma das esperanças atuais para combustíveis limpos, também foi descartado por Goldemberg para a utilização no curto prazo. “O hidrogênio obtido hoje deriva principalmente do metano, um combustível fóssil”, disse.

Ao encerrar, o professor mostrou um gráfico das emissões de dióxido de carbono registradas no Estado de São Paulo que têm apresentado uma ligeira queda desde 1998. Goldemberg atribuiu esse resultado a uma recuperação da área verde do Estado e, principalmente, ao aumento gradual da utilização de etanol pela frota paulista. Estima-se que hoje metade dos veículos em São Paulo esteja rodando com etanol.

“Os biocombustíveis são a verdadeira energia solar encapsulada, convertida em líquido que substitui a gasolina. Portanto, a biomassa é uma área em que vale a pena investir em pesquisas para que seja sustentável e não uma fonte de destruição de ecossistemas”, disse.

Futuro da energia /// Agencia Fapesp

24/3/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – O Projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB) – que reúne cientistas de vários países em um esforço internacional para viabilizar a futura produção de energia sustentável em escala mundial – iniciou nesta terça-feira (23/3), em São Paulo, a terceira das cinco convenções que compõem sua primeira etapa.

A Latin American Convention of The Global Sustainable Bioenergy Project prosseguirá até a próxima quinta-feira (25/3), na sede da FAPESP, com o objetivo de fornecer uma plataforma para oportunidades, desafios e preocupações regionais e transnacionais relacionados à bioenergia. As duas convenções anteriores foram realizadas na Holanda e na África do Sul. As duas últimas estão marcadas para junho, na Malásia, e julho, nos Estados Unidos.

Durante o evento, o presidente do comitê diretor do Projeto GSB, Lee Lynd, professor de biologia do Dartmouth College (Estados Unidos), destacou os rápidos avanços conseguidos pela iniciativa, oficialmente iniciada em junho de 2009.

“Há um ano, todo esse processo era apenas uma ideia. Mas o projeto cresceu e a cada semana temos um círculo maior de participantes. Já nas duas primeiras convenções tivemos indicações de uma possível resposta favorável à questão que colocamos como ponto de partida para o projeto: se é fisicamente possível chegar ao uso de bioenergia em escala global, suprindo ao mesmo tempo as necessidades alimentares e ambientais do planeta”, disse.

Lynd, pioneiro no estudo da utilização da biomassa para a produção de energia, explicou que as convenções têm o objetivo de identificar os obstáculos para a produção de bioenergia em larga escala. No segundo estágio, além de responder se há possibilidade física de uma generalização sustentável da bioenergia, os organizadores vão procurar também responder se esse objetivo é de fato desejável.

“A certeza que temos é que as tendências atuais de consumo de energia não são sustentáveis. A manutenção desses padrões é mais uma fantasia do que uma perspectiva real. Por isso, o primeiro passo para o projeto GSB é tentar mostrar o que é possível, sempre com foco no que é desejável. Sem isso não conseguiremos o apoio dos responsáveis pelas políticas públicas”, disse.

Segundo Lynd, os estudos realizados até o momento deixam claro que a cana-de-açúcar – cuja produção para bioenergia é dominada pelo Brasil – é o melhor dos insumos de primeira geração disponíveis para uso em biocombustíveis.

“A cana-de-açúcar é também claramente competitiva em termos econômicos. O custo do insumo não seria uma limitação. Já o custo da terra configura uma questão importante. Será necessário cultivar variedades com uma composição otimizada para a fotossíntese”, afirmou.

As discussões, segundo Lynd, começam a indicar que há realmente viabilidade física para a produção global de bioenergia sustentável. Com o uso da biomassa, existe até mesmo a possibilidade de se chegar a um ciclo neutro para o carbono. Mas os especialistas ainda não conseguiram um consenso quando se trata de discutir se a adoção da bioenergia como matriz principal é desejável.

“O problema é que existem ainda muitas avaliações negativas disseminadas pelo mundo quanto ao desejo de um futuro com matriz bioenergética. Mesmo aqueles que têm acesso às mesmas informações acabam chegando a conclusões diferentes em relação a isso. Essas divergências refletem as expectativas diferentes em relação à capacidade de inovação e de mudança de hábitos”, disse.



Construir uma visão de futuro
Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e membro do comitê de organização do GSB, o projeto está organizando uma discussão mundial sobre aspectos importantes relativos ao uso de biocombustíveis e bioenergia. Isso está sendo feito na forma de um desafio: será possível substituir 25% da gasolina do mundo por biocombustíveis, preservando o meio ambiente, sem trazer prejuízos à sociedade?

“Trata-se de uma pergunta que sugere uma solução, mas estabelece também obstáculos muito importantes. Muitas vezes, no Brasil, tendemos a supor que a resposta é fácil, já que no país um terço da gasolina foi substituída por etanol. Mas fazer isso em escala mundial é um desafio muito mais complexo – e também um desafio fascinante”, afirmou.

A discussão está mobilizando cientistas de vários países, segundo Brito Cruz. “É preciso que haja essa discussão mundial, para que cada um entenda os pontos de vista dos outros e para que, assim, possamos avançar. É um debate de importância crucial para o Brasil e para o mundo. Essa convenção latino-americana foi organizada para que possamos estabelecer uma linguagem comum sobre a bioenergia, que vai nos permitir uma discussão no cenário mundial.”

Nathanael Greene, diretor de Políticas Energéticas do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, disse que o Projeto GSB se caracteriza por um olhar diferenciado: no lugar de focar nas soluções mais prováveis, o grupo tenta imaginar as respostas mais desejáveis. “Em vez de conformar nossas perspectivas à realidade atual, temos que pensar em construir uma visão de futuro”, afirmou.

De acordo com Greene, sem uma visão de futuro sólida e baseada em ciência, não será possível estabelecer metas ao mesmo tempo viáveis e ambiciosas para o futuro energético do planeta.

“Muitas vezes, em nossas análises, estamos extrapolando para o futuro tendências e práticas atuais, o que nos direciona para um futuro extremamente sombrio. Na nossa visão, temos que mudar essa mentalidade e pensar qual é o futuro desejável. A partir daí, vamos fazer uma interpolação para saber como chegaremos a esse objetivo. Temos que levar em conta que existem muitas alavancas tecnológicas e políticas que podemos usar para atingir essa meta de sustentabilidade – e é isso que o GSB está mostrando”, disse.

Glaucia Mendes de Souza, uma das coordenadoras do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), afirmou que a sustentabilidade, por ser um problema extremamente complexo, requer o trabalho conjunto de cientistas de diferentes áreas de pesquisa. Esse, segundo ela, é um dos objetivos da Convenção.

“O Brasil é um exemplo para a indústria de produção de biocombustíveis. Mas temos percebido que há um problema de percepção pública em relação ao que estamos fazendo no país. É importante que se saiba o que estamos pesquisando e como nossa indústria está operando. Essa experiência deve ser mostrada, ao mesmo tempo em que também devemos aprender com as experiências dos outros países. Com essa união poderemos chegar a uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.

De acordo com Ricardo Silva, secretário-adjunto de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, o governo paulista tem trabalhado no desenvolvimento de políticas públicas para a expansão do uso de energias sustentáveis.

“Segurança energética e fontes de energia renováveis correspondem a um binômio que tem sido central no estabelecimento de políticas públicas. Temos trabalhado na criação de alternativas para o futuro do estado, dando prioridade à inovação e à pesquisa sobre energias sustentáveis. Projetos como o GSB certamente vão nos ajudar nessa missão”, disse.

Para o deputado federal Arnaldo Jardim, o parlamento brasileiro também tem dedicado muita atenção à questão dos biocombustíveis. Segundo ele, o Congresso aprovou, dias antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em dezembro, um fundo de combate às mudanças climáticas, que deverá estimular a produção de bioenergia. “Vemos com muito entusiasmo também a atuação do governo paulista e da FAPESP nessa área”, afirmou.

Jardim contou que o Congresso também está trabalhando em um projeto de macrozoneamento que regulamentará as zonas de plantio de cana-de-açúcar, impedindo que a produção avance sobre os biomas da Amazônia e do Pantanal.

André Corrêa do Lago, ministro do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que, no setor energético, o Brasil está na ponta tanto em termos de pesquisa científica, como em relação à sustentabilidade.

Segundo ele, a posição da política externa do país em relação aos biocombustíveis está relacionada à Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a partir da qual o conceito de sustentabilidade foi mundialmente aceito.

“O problema é que esse conceito sofreu certos desequilíbrios em anos recentes. A Convenção do Projeto GSB é muito importante para restabelecer esse equilíbrio. O Brasil tem defendido, no âmbito internacional, esse legado de 1992, que trata a questão da sustentabilidade em seus aspectos ambientais e sociais, mas também econômicos. Do ponto de vista dos países em desenvolvimento, é fundamental que a dimensão econômica não seja esquecida”, afirmou.

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