Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Plano de apoio a projetos seleciona 39 empresas



Data: 23/08/2011 12:00
Por: Redação TN / MCT
Foram selecionadas 39 empresas para apresentar o plano de negócios para a segunda etapa do Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (Paiis). O programa vai disponibilizar recursos da ordem de R$ 1 bilhão entre 2011 e 2014 para fomentar projetos que visem ao desenvolvimento, à produção e à comercialização de novas tecnologias industriais destinadas ao processamento da biomassa a partir da cana de açúcar.

Ao todo 57 empresas haviam enviado carta de manifestação de interesse. O Pais abarca três linhas temáticas: bioetanol de segunda geração; novos produtos derivados da cana de açúcar, incluindo o desenvolvimento a partir da biomassa da cana por meio de processos biotecnológicos; e gaseificação, com ênfase em tecnologias, equipamentos, processos e catalisadores. Trata-se de uma iniciativa conjunta do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI).

Leia mais - http://www.finep.gov.br/imprensa/noticia.asp?cod_noticia=2645










FAO cita Brasil como modelo na produção de bioenergia

Meio Ambiente
Danilo Macedo

Repórter da Agência Brasil

Brasília - Após três anos de pesquisas sobre impactos da produção de bioenergia, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou hoje (16) o “Marco analítico da bioenergia e segurança alimentar”. O estudo, segundo a instituição, apresenta uma nova metodologia que pode ajudar governos a avaliar os prós e contras de investimentos no setor. O Brasil é citado como exemplo de como um país pode usar a bioenergia para suprir suas necessidades energéticas.

Segundo a FAO, o estudo consiste em uma série de avaliações e respostas sobre questões importantes relacionadas com a viabilidade de desenvolvimento da bioenergia e seu impacto na oferta de alimentos e segurança alimentar das famílias. Também foram levadas em conta as dimensões social e ambiental.

"Nosso objetivo é ajudar as autoridades a tomar decisões, se o desenvolvimento da bioenergia é uma opção viável e, nesse caso, identificar as políticas que permitem maximizar os benefícios e minimizar os riscos”, afirmou o coordenador do projeto, Heiner Thofern.

Entre os fatores de incentivo que levam ao aumento da produção de bioenergia apresentados pela FAO, destacam-se as altas no preço do petróleo e a preocupação com a segurança energética, além das emissões de gases de efeito estufa dos combustíveis fósseis. A organização ressalta também que o investimento em bioenergia pode trazer melhorias à infraestrutura agrícola e ao transportes nas áreas rurais, criando empregos e aumentando a renda familiar.

A FAO cita o Brasil como exemplo de economia que usa a bioenergia para suprir as necessidades energéticas. “O país é o segundo produtor mundial de bioetanol e tem cerca de 1 milhão de veículos movidos pelo combustível procedente da cana-de-açúcar”, informa a instituição.

De acordo com a FAO, a Europa deve ser um mercado importante para as exportações dos produtos bioenergéticos, oferecendo novas oportunidades aos camponeses dos países em desenvolvimento. A instituição informa ainda que os estudos mostraram que os projetos de bioenergia de pequena escala, não voltados à exportação, também podem melhorar a segurança alimentar e ajudam a impulsionar as economias rurais.

Entre as desvantagens e preocupações sobre o setor estão o risco da expansão dos cultivos energéticos vir às custas de uma diminuição da produção de alimentos e aumento de seus preços, além de possíveis desmatamentos causadas pela conversão de novas terras e o impacto em populações indígenas.

Edição: João Carlos Rodrigues

Bioenergia: vagas em curso da Esalq

Da Agência Ambiente Energia - A Esalq/Usp está com inscrições abertas para a “Prática profissionalizante bioenergia e bioprodutos de base florestal”, que acontecerá de 21 de fevereiro de 2011 a 15 de janeiro de 2012. O prazo de inscrição vai de 13 de dezembro de 2010 a 31 de janeiro de 2011. São oferecidas cinco vagas. O curso tem como público alvo profissional de nível superior, com formação nas áreas de Engenharia Florestal, Engenharia Agronômica, Engenharia Química, Química, Ciências Biológicas, Gestão Ambiental e áreas correlatas.

A iniciativa é do Grupo de Bioenergia e Bioprodutos de Base Florestal do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq. A seleção envolverá análise do currículo, da justificativa – eliminatórias – e entrevista pessoal.

As inscrições podem ser feitas no Laboratórios Integrados de Química, Celulose e Energia – Grupo de Bioenergia e Bioprodutos de Base Florestal do Departamento de Ciências Florestais (LCF) (ESALQ – Av. Pádua Dias, nº. 11, Piracicaba/SP). Os documentos que deverão ser apresentados no ato da inscrição são: currículo; histórico escolar; cópia do diploma de graduação ou comprovantes; cópias do RG e do CPF; justificativa substanciada do interesse pela participação na prática profissionalizante.

Desafios da cana sustentável /// Agencia FAPESP

Agência FAPESP – Como qualquer cultura, a da cana-de-açúcar também apresenta custos ao ambiente que precisam ser avaliados. O consumo de água, o uso de fertilizantes e a participação da cultura da cana na dinâmica dos gases de efeito estufa são os principais desafios ambientais a serem enfrentados no cultivo da matéria-prima do etanol, segundo Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e um dos coordenadores do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Para Cantarella, pesa sobre a cana uma responsabilidade ambiental ainda maior, uma vez que a cultura faz parte da cadeia de um biocombustível importante e do qual se espera uma contribuição para mitigar o efeito estufa no planeta.

Com plantações concentradas em áreas com boa distribuição de chuvas, o cultivo da cana-de-açúcar na maior parte do Brasil não precisa de irrigação, segundo apontou Cantarella durante a convenção latino-americana do projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada em março na sede da FAPESP. Além disso, a planta necessita de menos água em relação a outros vegetais, como soja e café. Trata-se de uma ótima notícia, na opinião do pesquisador, uma vez que a água tem se tornado um recurso escasso.

Mesmo nas regiões em que é necessária, como no Brasil central, a irrigação da cana não precisa ser intensiva. “Em Estados como Goiás, por exemplo, é necessária a chamada irrigação de salvação para provocar a germinação ou a brotação da planta”, explicou.

Mesmo assim, esse procedimento se faz necessário somente na época de inverno, o período de seca. No restante do ano, o Estado mostra índices pluviométricos semelhantes aos de São Paulo.

Por outro lado, a irrigação constante pode aumentar muito a produtividade. Cantarella apontou uma variedade da planta desenvolvida pelo pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell no IAC, em Ribeirão Preto, que alcançou uma produtividade de mais de 300 toneladas por hectare ao ser cultivada sem limite de água ou de nutrientes.

“Esse aumento de produtividade pode reduzir a área plantada e diminuir outros impactos ambientais”, disse o cientista, afirmando ser necessário ponderar sobre o dilema de se utilizar água em locais em que seu suprimento é limitado.

O uso de água pelas usinas também foi considerado. Cantarella conta que, no Estado de São Paulo, esse consumo vem se reduzindo ao longo dos últimos 20 anos, caindo de 5,6 metros cúbicos por tonelada de cana processada para o atual 1,8 metro cúbico. Essa redução, segundo ele, já é um esforço de adequação da indústria diante de um cenário de escassez.

Recentemente, a legislação estadual impôs restrições quanto ao uso da água que variam de acordo com a região no Estado. As novas plantas industriais, por exemplo, podem consumir, no máximo 1 metro cúbico de água por tonelada de cana.

Estudos indicam que a indústria da cana-de-açúcar tem se preocupado com a preservação das águas superficiais e lençóis freáticos. Subprodutos contaminantes, como a vinhaça, não podem ser jogados em rios e são reaproveitados como fertilizantes, que também são submetidos a limites de aplicação a fim de que não haja contaminação por excesso.

Outra preocupação ambiental é a contaminação por fósforo e nitrato, causada pelo excesso de fertilizantes. “Por ser extremamente solúvel, o nitrato penetra no subsolo com muita facilidade e o excesso de fósforo provoca a eutrofização, que é a proliferação de algas na água”, explicou Cantarella. Segundo ele, ambos os problemas têm sido pouco encontrados no Brasil, ao contrário de outros países.


Dependência dos fertilizantes
O pesquisador do IAC destaca que os fertilizantes são uma preocupação de ordem estratégica para o país. “O Brasil importou, em 2008, 83% do fertilizante consumido nas lavouras. A cultura da cana é responsável por cerca de 13% do total utilizado na agricultura no país”, disse.

Segundo Cantarella, essa dependência brasileira de insumos estrangeiros é uma questão que merece muita atenção. Citou um episódio de 2007 em que a China elevou o imposto de exportação para garantir o seu suprimento de fertilizantes e causou a preocupação mundial de que outros produtores de insumos fizessem o mesmo.

Embora não exista nenhum país no mundo autossuficiente na produção dos três principais fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio), uma vez que as reservas estão espalhadas pelo mundo, o Brasil tem alta dependência de todos eles, importando 75% do nitrogênio, 50% do fósforo e 92% do potássio que utiliza.

No entanto, os biocombustíveis utilizam somente 2,4% dos fertilizantes consumidos em toda a agricultura mundial. No caso da cana-de-açúcar, a produtividade por quantidade de fertilizante utilizada é ainda mais vantajosa.

Cantarella conta que, mesmo apresentando produções equivalentes de etanol no ano de 2008, Brasil e Estados Unidos consumiram quantidades muito diferentes de fertilizantes em suas plantações de cana-de-açúcar e milho, respectivamente. A lavoura brasileira gastou 910 mil toneladas desses insumos, praticamente um terço dos 2,8 milhões de toneladas empregadas na produção do milho norte-americano no mesmo período.



Etanol e efeito estufa

A contribuição da cultura da cana nas emissões de gases de efeito estufa é um dos pontos que têm recebido atenção em estudos internacionais. Nesse balanço ambiental, os fertilizantes nitrogenados têm um papel importante, pois liberam óxido nitroso (N2O), considerado 300 vezes mais potente que o carbono na contribuição para o efeito estufa. Cerca de 1% do fertilizante empregado acaba sendo disperso na atmosfera em forma de gás.

No entanto, esse valor é um tema controverso e algumas pesquisas chegaram a dados discrepantes. “Houve até um estudo que apontou a proporção de 4% de gás liberado por nitrogênio aplicado, uma quantidade tão alta que ameaçaria as vantagens do etanol como mitigador do efeito estufa”, disse Cantarella, lembrando que o valor foi considerado exagerado por outras avaliações.

Para melhorar esse aspecto, pesquisas no Brasil procuram desenvolver bactérias fixadoras de nitrogênio. “Ainda não sabemos se os microrganismos vão substituir parte substancial da adubação nitrogenada nem a sua eficiência, mas é um potencial interessante”, disse.

O mais abundante gás estufa, o dióxido de carbono (CO2), também está sendo considerado na avaliação ambiental da cana. Há mais carbono na camada superficial do solo do planeta do que na atmosfera. Isso faz com que qualquer atividade de manejo do solo tenha um potencial de liberação de CO2.

Mais uma vez Cantarella apontou que a cana-de-açúcar apresenta vantagens nessa questão em relação a outras culturas. A estrutura da planta é favorável nesse sentido, pois concentra a parte seca e mais rica em carbono na parte inferior e na raiz do vegetal, o que mantém o CO2 sob o solo.

Além disso, como a cana produz grande quantidade de matéria seca, parte desse material retorna ao solo repondo carbono. A colheita da cana crua, sem a queima, eleva ainda mais a devolução desse elemento ao solo e pode, inclusive, aumentar o teor de carbono na terra e com isso, eventualmente, mitigar o efeito estufa, segundo o cientista.

Os subprodutos como a vinhaça e a torta de filtro retornam ao campo como adubos. Já a colheita da cana crua vem crescendo gradualmente por força de lei. A legislação do Estado de São Paulo prevê a extinção da colheita com fogo até 2031. Além de manter a palha no campo, a cana crua não libera o CO2 inerente à queima.

Outro atestado “verde” da cadeia sucroalcooleira é a sua grande capacidade de reciclar nutrientes, segundo lembrou Cantarella. “Se analisarmos as estruturas moleculares dos dois principais produtos da cana, a sacarose e o etanol, veremos que elas contêm somente carbono, hidrogênio e oxigênio, ou seja, boa parte dos minerais contidos nos fertilizantes pode ser reciclada, permanecendo no campo”, disse.

RENOVÁVEIS TERÃO ATÉ 80% DOS EMPRÉSTIMOS DO BID /// Agencia Ambiente Energia

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) planeja, para os próximos três anos, que até 80% dos futuros empréstimos para a área de energia sejam destinados a projetos de fontes renováveis de energia – biomassa, geotérmica, solar, eólica e hidrelétrica, contra os atuais 30%.

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Segundo o BID, melhorias no processo de regulação e a queda dos custos dos equipamentos impulsionaram a demanda de investimentos em projetos de energias renováveis na América Latina e no Caribe, em particular para empreendimentos de geração eólica.

O BID, em 2009, destinou US$ 1,2 bilhão em financiamentos para projetos do setor privado, sendo que um terço se voltou a financiar projetos de energia renovável e eficiência energética na região. “Vários países da região desejam diversificar suas fontes de energia e estão mudando o seu marco regulatório para atrair mais investimentos em energia limpa”, comentou Hans Schulz, gerente geral do Departamento de Financiamento Estruturado e Corporativo do BID.

A expectativa é que a demanda de energia na América Latina aumente 50% até 2030, exigindo investimentos da ordem de US$ 1,5 trilhão. Projeção da Agência Internacional de Energia mostra que somente na próxima década a região precisará de um incremento de 26% na sua capacidade instalada de geração de energia. Segundo ele, sem financiamento de longo prazo, os projetos de energias renováveis não podem virar realidade. “Por isso, o apoio multilateral tem sido essencial para que muitos projetos de energia verde se tornem realidade”, comenta, descatando os prazos dos financiamentos do BID que chegam a até 15 anos, contra os cinco anos dos bancos comerciais.



Energia eólica - Nos últimos anos, a demanda por financiamento por projetos de geração eólica ganhou mais espaço na carteira do BID, uma vez que os novos materiais e desenhos de turbinas reduziram o custo por MW. Com isso, a eólica passou a ser uma alternativa atraente para governos e empresas da América Latina. Em dezembro do ano passado, por exemplo, a entidade aprovou financiamento de US$ 102 milhões para dois projetos de energia eólica, num total de 318 MW, para o estado de Oaxaca, no México.[1]

O BID também financia projetos de energia limpa e eficiência energética por meio de empréstimos e doações a governos de seus 26 países membros mutuários. No ano passado, o banco mais que duplicou os financiamentos para melhorar o meio ambiente, enfrentar a mudança climática e incentivar as energias renováveis. Foram aprovados 33 novos empréstimos para projetos verdes nos setores privado e público, num total de mais de US$ 3,5 bilhões. Do total de projetos, 15 deles, num total de US$ 2,1 bilhões, foram destinados a mudança climática e as energias renováveis.

Futuro da energia /// Agencia Fapesp

24/3/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – O Projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB) – que reúne cientistas de vários países em um esforço internacional para viabilizar a futura produção de energia sustentável em escala mundial – iniciou nesta terça-feira (23/3), em São Paulo, a terceira das cinco convenções que compõem sua primeira etapa.

A Latin American Convention of The Global Sustainable Bioenergy Project prosseguirá até a próxima quinta-feira (25/3), na sede da FAPESP, com o objetivo de fornecer uma plataforma para oportunidades, desafios e preocupações regionais e transnacionais relacionados à bioenergia. As duas convenções anteriores foram realizadas na Holanda e na África do Sul. As duas últimas estão marcadas para junho, na Malásia, e julho, nos Estados Unidos.

Durante o evento, o presidente do comitê diretor do Projeto GSB, Lee Lynd, professor de biologia do Dartmouth College (Estados Unidos), destacou os rápidos avanços conseguidos pela iniciativa, oficialmente iniciada em junho de 2009.

“Há um ano, todo esse processo era apenas uma ideia. Mas o projeto cresceu e a cada semana temos um círculo maior de participantes. Já nas duas primeiras convenções tivemos indicações de uma possível resposta favorável à questão que colocamos como ponto de partida para o projeto: se é fisicamente possível chegar ao uso de bioenergia em escala global, suprindo ao mesmo tempo as necessidades alimentares e ambientais do planeta”, disse.

Lynd, pioneiro no estudo da utilização da biomassa para a produção de energia, explicou que as convenções têm o objetivo de identificar os obstáculos para a produção de bioenergia em larga escala. No segundo estágio, além de responder se há possibilidade física de uma generalização sustentável da bioenergia, os organizadores vão procurar também responder se esse objetivo é de fato desejável.

“A certeza que temos é que as tendências atuais de consumo de energia não são sustentáveis. A manutenção desses padrões é mais uma fantasia do que uma perspectiva real. Por isso, o primeiro passo para o projeto GSB é tentar mostrar o que é possível, sempre com foco no que é desejável. Sem isso não conseguiremos o apoio dos responsáveis pelas políticas públicas”, disse.

Segundo Lynd, os estudos realizados até o momento deixam claro que a cana-de-açúcar – cuja produção para bioenergia é dominada pelo Brasil – é o melhor dos insumos de primeira geração disponíveis para uso em biocombustíveis.

“A cana-de-açúcar é também claramente competitiva em termos econômicos. O custo do insumo não seria uma limitação. Já o custo da terra configura uma questão importante. Será necessário cultivar variedades com uma composição otimizada para a fotossíntese”, afirmou.

As discussões, segundo Lynd, começam a indicar que há realmente viabilidade física para a produção global de bioenergia sustentável. Com o uso da biomassa, existe até mesmo a possibilidade de se chegar a um ciclo neutro para o carbono. Mas os especialistas ainda não conseguiram um consenso quando se trata de discutir se a adoção da bioenergia como matriz principal é desejável.

“O problema é que existem ainda muitas avaliações negativas disseminadas pelo mundo quanto ao desejo de um futuro com matriz bioenergética. Mesmo aqueles que têm acesso às mesmas informações acabam chegando a conclusões diferentes em relação a isso. Essas divergências refletem as expectativas diferentes em relação à capacidade de inovação e de mudança de hábitos”, disse.



Construir uma visão de futuro
Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e membro do comitê de organização do GSB, o projeto está organizando uma discussão mundial sobre aspectos importantes relativos ao uso de biocombustíveis e bioenergia. Isso está sendo feito na forma de um desafio: será possível substituir 25% da gasolina do mundo por biocombustíveis, preservando o meio ambiente, sem trazer prejuízos à sociedade?

“Trata-se de uma pergunta que sugere uma solução, mas estabelece também obstáculos muito importantes. Muitas vezes, no Brasil, tendemos a supor que a resposta é fácil, já que no país um terço da gasolina foi substituída por etanol. Mas fazer isso em escala mundial é um desafio muito mais complexo – e também um desafio fascinante”, afirmou.

A discussão está mobilizando cientistas de vários países, segundo Brito Cruz. “É preciso que haja essa discussão mundial, para que cada um entenda os pontos de vista dos outros e para que, assim, possamos avançar. É um debate de importância crucial para o Brasil e para o mundo. Essa convenção latino-americana foi organizada para que possamos estabelecer uma linguagem comum sobre a bioenergia, que vai nos permitir uma discussão no cenário mundial.”

Nathanael Greene, diretor de Políticas Energéticas do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, disse que o Projeto GSB se caracteriza por um olhar diferenciado: no lugar de focar nas soluções mais prováveis, o grupo tenta imaginar as respostas mais desejáveis. “Em vez de conformar nossas perspectivas à realidade atual, temos que pensar em construir uma visão de futuro”, afirmou.

De acordo com Greene, sem uma visão de futuro sólida e baseada em ciência, não será possível estabelecer metas ao mesmo tempo viáveis e ambiciosas para o futuro energético do planeta.

“Muitas vezes, em nossas análises, estamos extrapolando para o futuro tendências e práticas atuais, o que nos direciona para um futuro extremamente sombrio. Na nossa visão, temos que mudar essa mentalidade e pensar qual é o futuro desejável. A partir daí, vamos fazer uma interpolação para saber como chegaremos a esse objetivo. Temos que levar em conta que existem muitas alavancas tecnológicas e políticas que podemos usar para atingir essa meta de sustentabilidade – e é isso que o GSB está mostrando”, disse.

Glaucia Mendes de Souza, uma das coordenadoras do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), afirmou que a sustentabilidade, por ser um problema extremamente complexo, requer o trabalho conjunto de cientistas de diferentes áreas de pesquisa. Esse, segundo ela, é um dos objetivos da Convenção.

“O Brasil é um exemplo para a indústria de produção de biocombustíveis. Mas temos percebido que há um problema de percepção pública em relação ao que estamos fazendo no país. É importante que se saiba o que estamos pesquisando e como nossa indústria está operando. Essa experiência deve ser mostrada, ao mesmo tempo em que também devemos aprender com as experiências dos outros países. Com essa união poderemos chegar a uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.

De acordo com Ricardo Silva, secretário-adjunto de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, o governo paulista tem trabalhado no desenvolvimento de políticas públicas para a expansão do uso de energias sustentáveis.

“Segurança energética e fontes de energia renováveis correspondem a um binômio que tem sido central no estabelecimento de políticas públicas. Temos trabalhado na criação de alternativas para o futuro do estado, dando prioridade à inovação e à pesquisa sobre energias sustentáveis. Projetos como o GSB certamente vão nos ajudar nessa missão”, disse.

Para o deputado federal Arnaldo Jardim, o parlamento brasileiro também tem dedicado muita atenção à questão dos biocombustíveis. Segundo ele, o Congresso aprovou, dias antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em dezembro, um fundo de combate às mudanças climáticas, que deverá estimular a produção de bioenergia. “Vemos com muito entusiasmo também a atuação do governo paulista e da FAPESP nessa área”, afirmou.

Jardim contou que o Congresso também está trabalhando em um projeto de macrozoneamento que regulamentará as zonas de plantio de cana-de-açúcar, impedindo que a produção avance sobre os biomas da Amazônia e do Pantanal.

André Corrêa do Lago, ministro do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que, no setor energético, o Brasil está na ponta tanto em termos de pesquisa científica, como em relação à sustentabilidade.

Segundo ele, a posição da política externa do país em relação aos biocombustíveis está relacionada à Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a partir da qual o conceito de sustentabilidade foi mundialmente aceito.

“O problema é que esse conceito sofreu certos desequilíbrios em anos recentes. A Convenção do Projeto GSB é muito importante para restabelecer esse equilíbrio. O Brasil tem defendido, no âmbito internacional, esse legado de 1992, que trata a questão da sustentabilidade em seus aspectos ambientais e sociais, mas também econômicos. Do ponto de vista dos países em desenvolvimento, é fundamental que a dimensão econômica não seja esquecida”, afirmou.

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