Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Na rota dos biocombustíveis para aviões

14/03/2012Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Representantes da FAPESP, Boeing e Embraer participaram nos dias 29 de fevereiro e 1º de março na sede da Fundação, em São Paulo, de uma reunião preparativa para a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis para aviação comercial envolvendo as três instituições.

O acordo entre as instituições, assinado em outubro de 2011, prevê a construção no Estado de São Paulo de um centro de pesquisa focado no desenvolvimento de biocombustível sustentável para aviação, que será baseado no modelo dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), da FAPESP, voltados para desenvolver pesquisas na fronteira do conhecimento.

TERRAMÉRICA – Os agrocombustíveis não são a solução

por Nnimmo Bassey*
Não é novidade que os agrocombustíveis desataram uma nova febre pela África. Foram monopolizados milhões de hectares sem que ninguém se preocupasse com os pobres que vivem nelas, afirma o presidente da Amigos da Terra Internacional, Nnimmo Bassey.

Durban, África do Sul, 5 de dezembro de 2011 (Terramérica).- A ciência nos diz que caminhamos direto para uma crise climática, e está em nossas mãos mudar de rumo. Porém, algumas soluções preocupantemente falsas estão na mesa de conversações da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, por exemplo, a promoção os biocombustíveis disponíveis no mercado, como o etanol.

O termo biocombustíveis é enganoso. Estes combustíveis elaborados com base em vegetais se ajustam melhor à descrição de agrocombustíveis, porque estão longe de serem verdes. Os que ainda afirmam que os agrocombustíveis emitem muito menos gases-estufa do que os combustíveis fósseis ignoram que suas emissões são liberadas na etapa de produção, devido à mudança no uso da terra e à aplicação de fertilizantes, e no processamento.

Entretanto, muitos governos, instituições financeiras internacionais com o Banco Mundial, e empresas multinacionais dedicadas ao agronegócio, ao petróleo e ao transporte promovem os agrocombustíveis como uma solução para as necessidades energéticas mundiais. Passar dos combustíveis fósseis para os agrocombustívies não faz com que os pobres tenham maior acesso à energia, e agrava problemas existentes, como a monopolização de terras.

Também cria desafios específicos para a previsão alimentar, pois cultivos antes dedicados a produzir alimentos, como milho e açúcar, agora se destinam ao etanol. E, o que é crucial, os agrocombustíveis podem desviar recursos destinados a energias limpas e renováveis como a eólica e a solar. A agricultura em grande escala para obter agrocombustíveis, ao contrário da pequena, costuma estar acompanhada de atividades negativas como uso intensivo de água, fertilizantes e pesticidas.

Comumente, assim se causa contaminação e degradação e se esgota os recursos hídricos disponíveis, abrindo passagem para o perigo da fome. No planeta não há terra agrícola suficiente para que os cultivos destinados aos agrocombustíveis atendam as enormes necessidades energéticas de nosso insustentável modo de vida, afirmam vários analistas. Um informe deste ano sobre o Índice Global da Fome diz que a mudança climática, a crescente demanda de biocombustíveis e o aumento do comércio mundial de matérias-primas a futuro são as principais causas da carestia dos alimentos, que exacerbou a fome que afeta o Chifre da África.

Os agrocombustíveis simplesmente não solucionam a crise climática e energética, apesar das evidências de que os biocombustíveis em pequena escala, de produção e capitais locais, podem ser parte da solução quando ajudam a atender as necessidades locais. Em quase todos os 36 Estados do meu país, a Nigéria, a Corporação Nacional Nigeriana do Petróleo (NNPC) e seus sócios estrangeiros adquiriram grandes extensões de terra para produzir etanol a partir de mandioca, sorgo e cana-de-açúcar.

Algumas plantações e centrais de produção de agrocombustíveis ficam em lugares que já sofriam falta de água, deixando as comunidades quase sem meios de vida. Pesquisadores do capítulo nigeriano da Amigos da Terra concluíram que o governo nem mesmo consultou, a população local antes da compra das terras comunitárias.

A África ocupa um lugar importante no radar dos promotores dos agrocombustíveis, e os governos africanos veem neles benefícios financeiros de enorme potencial para as elites políticas e financeiras. Contudo, cada vez mais pesquisas científicas mostram que os agrocombustíveis estimulam o desmatamento, a perda de biodiversidade e a degradação de solos, bem como a contaminação e o esgotamento da água, e inclusive a mudança climática.

Os que tomam as decisões devem reconhecer esta realidade e o fato de que os agrocombustíveis fomentam a carestia alimentar, a fome, as violações de direitos agrários, os conflitos, deslocamentos e abusos. Que os agrocombustíveis desataram uma nova febre pela África já não é novidade. Foram monopolizados milhões de hectares sem que ninguém se preocupasse muito com os pobres que provavelmente enfrentam deslocamentos e com o impacto na agricultura familiar e outros pequenos estabelecimentos rurais.

A agricultura contribui com mais de um quarto das emissões mundiais de gases-estufa. Lamentavelmente, o texto da convenção sobre a mudança climática não esclarece que o principal culpado é o agronegócio industrial, que depende de fertilizantes químicos e monoculturas, inclusive os que se destinam aos agrocombustíveis. Os pequenos agricultores aplicam principalmente técnicas agroecológicas que esfriam o planeta.

Muitos governos, empurrados pelas empresas, pressionam para que as negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) apoiem soluções falsas para a crise climática, como a adoção dos agrocombustíveis e o comércio das contaminantes emissões de carbono, em lugar de sua redução. Por isso, nosso planeta caminha para um aumento da temperatura média superior a dois graus e para os efeitos catastróficos que –a ciência nos indica – trará consigo.

Enfrentar a crise climática exige objetivos obrigatórios de redução de emissões, aplicados sem o mecanismo de compensação de carbono, que não passa de uma cortina de fumaça para ocultar a contaminação de sempre. Os objetivos voluntários de redução de emissões, como os incluídos nos acordos de Copenhague e Cancún, não são eficazes.

Deixemos de soluções falsas. Vamos investir com urgência em soluções reais, como reduzir o consumo, melhorar a eficiência energética, mudar para as energias renováveis e limpas e para uma produção alimentar local e sustentável. Enquanto as negociações da ONU caminham a passo de tartaruga, a Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra, realizada em abril de 2010 em Cochabamba, na Bolívia, lançou um avançado Acordo dos Povos propondo e exigindo verdadeiras respostas.

* Nnimmo Bassey é presidente da Amigos da Terra Internacional, e fundador e diretor-executivo da Environmental Rights Action.

Processo integra a obtenção de etanol de cana-de-açúcar e biodiesel de dendê

Pesquisadores da USP dizem que produção conjunta de etanol e biodiesel pode reduzir emissões
Proposta para região do Cerrado permitiria produzir mais combustível com menor utilização de insumos

A produção conjunta de etanol e biodiesel, proposta por pesquisadores da USP, tem potencial para reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) e melhorar o balanço energético, produzindo mais combustível a partir de uma quantidade menor de insumos. O modelo sugerido combina a produção de álcool de cana e biocombustível de óleo de dendê na região do Cerrado brasileiro.

Sustentabilidade em pauta: Brasil e Holanda

16/9/2010 Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Representantes da academia, da sociedade civil e dos governos do Brasil e da Holanda participaram, no dia 14 de setembro, na sede da FAPESP, em São Paulo, do Workshop Brasil-Holanda sobre Biocombustíveis Sustentáveis.

O evento encerrou o 3º Encontro Bilateral no âmbito do Memorando de Entendimento para a Cooperação em Bioenergia, assinado pelos governos dos dois países. O workshop foi coordenado pelo ministro André Aranha Corrêa do Lago, diretor do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, e por Jan-Meinte Postma, enviado especial para o tema da Energia do Ministério da Economia da Holanda. A abertura teve a participação do diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Foram discutidos os temas “Prognóstico futuro para os biocombustíveis sustentáveis brasileiros”, “Demanda e fornecimento de biocombustíveis na Europa e sua sustentabilidade”, “Aspectos ambientais dos biocombustíveis”, “Aspectos sociais e econômicos dos biocombustíveis” e “Aspectos regulatórios dos biocombustíveis na Holanda e na Europa”.

Óxido nitroso não prejudica sustentabilidade do etanol

Apesar do uso de fertilizantes nitrogenados no plantio de cana, o biocombustível ainda é uma energia limpa

Uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP confrontou a produção do etanol com a produção de gasolina, para saber se a primeira é, de fato, menos prejudicial para o planeta do que a segunda. A partir da análise do solo onde é feito o plantio de cana na cidade de Piracicaba, a pesquisadora Diana Signor constatou que para cada 90 quilos de nitrogênio por hectare de plantação, apenas 3,5 gramas do nitrogênio são perdidos como óxido nitroso. “Isso equivale a apenas 0,39% de perda, o que mostra que estamos emitindo menos óxido nitroso na produção de cana do que seria esperado pelas contas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas [IPCC]”, aponta.

Fapesp realiza evento sobre pesquisa e sustentabilidade em biocombustíveis /// Canal Rural

Participarão pesquisadores como José Goldemberg, Lee Lynd e Howard Alper
O Workshop Scientific Issues on Biofuels será realizado neste sábado, dia 24, e neste domingo, 25, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), reunindo pesquisadores de diversos países em debates sobre a ciência da produção de biocombustíveis e sua sustentabilidade.

O evento tem realização da Fapesp, do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e do InterAcademy Panel (IAP), rede que reúne academias de ciências de diversos países. O workshop é isento de taxa de inscrição e as palestras proferidas em inglês serão traduzidas para o português.

As palestras programadas são: “Bioenergy in Brazil”, com José Goldemberg (Universidade de São Paulo), “Gracefully Reconciling Large-Scale Bioenergy Production With Competing Demands”, com Lee Lynd (Dartmouth College, Estados Unidos), e “Academies, Advisory Councils and Governments-Roles and Responsibilities in Building Successful Societies Through Science, Technology and Innovation”, com Howard Alper (IAP e Universidade de Ottawa, Canadá).

Serão realizadas sessões de debates com os temas “The Science of Sustainable Bioenergy Production”, “The Science of Bioenergy and the Environment” e “Sustainability of Biofuels”.

Unesp e instituto cubano preparam cooperação em bioenergia /// Agencia Fapesp

12/5/2010
Agência FAPESP – A Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Instituto Cubano de Pesquisa dos Derivados da Cana-de-açúcar (ICIDCA) estão preparando um acordo de cooperação técnica que abrange pesquisas voltadas à produção de energias renováveis.

O anúncio foi feito no dia 10 de maio pela pró-reitora de Pesquisa da universidade, Maria José Soares Mendes Giannini. Segundo ela, o acordo pretende reunir especialistas das duas instituições e estará voltado especialmente a trabalhos com resíduos visando uma produção sustentável.

A cooperação deverá abranger cinco eixos: biomassa para bioenergia; produção de bioenergia; aplicação de biocombustíveis em motores; biorrefinaria, alcoolquímica e oleoquímica; impactos ambientais, sócio-econômicos e sustentabilidade.

“Os eixos correspondem às divisões do Centro de Pesquisa de Bioenergia da Unesp, o que nos permite ter a troca de saberes em toda a cadeia produtiva", disse Nelson Ramos Stradiotto, do Instituto de Química, campus de Araraquara, e coordenador do centro que reúne pesquisadores de oito unidades da universidade.

O ICIDCA é vinculado ao Ministério do Açúcar de Cuba e ao pólo científico do Oeste de Havana, que reúne 53 instituições. A instituição também promove cursos de capacitação para a indústria sucroalcooleira de outros países, como México e Venezuela.

Vinicultores de Oregon finalizam a primeira etapa de redução de carbono /// Adega

28/Abril/2010

Quatorze vinícolas de Oregon anunciaram na última terça-feira, 27 de abril, a finalização de um rigoroso processo para medir e reduzir a emissão de carbono na atmosfera como parte do programa "Carbon Neutral Challenge", que estimula ações sustentáveis do estado.

Os biocombustíveis foram a primeira etapa do processo de redução de emissões

As vinícolas participantes instituíram uma série de mudanças, como a instalação de painéis solares, o emprego de biocombustíveis no lugar da gasolina e o corte na utilização de pesticidas.

Um dos produtores, Jim Bernau, afirmou que já vinha se focando no desenvolvimento sustentável há muitos anos, mas não imaginava que exigisse tantas etapas. "Por exemplo, eu não tinha idéia que o uso refrigeração tinha tanto impacto no meio-ambiente. Estes aspectos bastante detalhados abriram meus olhos".

Além disso, Bernau comentou que está olhando na direção de embalagens de vinho alternativas. Para restaurantes que vendem por taças, disse ele, "faria mais sentido se enviássemos o vinho em uma espécie de container ao invés de garrafas individuais".

Greg Jones, professor da Southern Oregon University, que já realizou dezenas de pesquisas sobre o impacto das mudanças climáticas na vinicultura, afirmou que o programa "Carbon Neutral Challenge" é bastante significante, já que envolve esforços concretos das companhias para salvar a indústria. "Isso vai deixar a indústria de Oregon mais forte", explicou.

TAM realizará primeiro voo de demonstração com bioquerosene de aviação na América Latina /// Canal Rural-RBS

  

Companhia aérea usará biomassa vegetal brasileira, o pinhão manso

A TAM planeja realizar no segundo semestre de 2010 um voo de demonstração sem passageiros com uma mistura de biocombustível de aviação utilizando óleo de pinhão manso, uma biomassa vegetal brasileira. A aeronave será um Airbus A320 em operação na frota da companhia, equipado com motores CFM56-5B produzidos pela CFM International, uma joint venture entre a GE dos Estados Unidos e a Snecma (Safran Group) da França.

O presidente da TAM, Líbano Barroso, ressalta que a companhia honra seu compromisso social e de sustentabilidade com essa iniciativa.

— Empenhamos nossos melhores esforços para utilizar matéria-prima brasileira na produção desse biocombustível com benefícios econômicos e sociais relevantes. A biomassa, fonte do nosso bioquerosene de aviação, é 100% nacional, oriunda de projetos de agricultura familiar e fazendas de porte significativo do interior do Brasil, que se dedicam à cultura pioneira do pinhão manso — diz Barroso.

A TAM já assegurou a disponibilidade do biocombustível de aviação para o voo de demonstração. A companhia adquiriu, por intermédio da ABPPM – Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão Manso, sementes de produtores de pinhão manso do Norte, Sudeste e Centro-Oeste, providenciou a sua transformação em óleo semirrefinado e exportou-o para os EUA, onde a UOP LLC, empresa do grupo Honeywell, fez o processamento do óleo de pinhão manso em bioquerosene e sua mistura com o querosene convencional de aviação, na proporção de 50% cada.

O voo de demonstração a ser realizado pela TAM será a primeira experiência do gênero na América Latina, com uma inovadora combinação desse tipo de aeronave e motor voando com bioquerosene de aviação produzido a partir do pinhão manso. A realização do voo será alinhada com os órgãos reguladores do setor de aviação.

A TAM estuda sua participação no desenvolvimento da cadeia produtiva desse combustível de biomassa vegetal para a criação de uma plataforma brasileira de bioquerosene sustentável. Conhecido pelo nome científico de “Jatropha Curcas L.”, o pinhão manso é uma planta que não concorre com a cadeia alimentar porque é imprópria para consumo humano e animal, podendo ser consorciada com pastagens e culturas alimentícias.

A companhia tem analisado, em conjunto com a ABPPM, meios de desenvolver a produção sustentável do pinhão manso em escala comercial voltada para a sua transformação em bioquerosene de aviação. Segundo a ABPPM, existem atualmente 60 mil hectares de terra no Brasil com plantações de pinhão manso e, diante dos recursos naturais e das condições climáticas favoráveis, grande volume de pastagens degradadas poderão ser recuperadas com essa planta. Para atingir escala comercial, estima-se que seria necessário expandir a superfície cultivada para cerca de 1 milhão de hectares, suficiente para atender em torno de 20% do consumo nacional.

— A Airbus está explorando diversos tipos de combustíveis alternativos, porque acreditamos que diferentes soluções surgirão para diferentes partes do mundo.

Qualquer solução deve ser comercialmente viável e sustentável, sem impacto sobre as pessoas, a terra, os alimentos e a água. Além disso, essas soluções devem gerar empregos locais para a população local. Chamamos isto de cadeia de valor e essa iniciativa da TAM com a Airbus é mais um passo nessa direção — afirma Paul Nash, chefe do Departamento de Novas Energias da Airbus.

Estudos realizados pela Michigan Technological University em conjunto com a UOP/Honeywell mostram que biocombustíveis de aviação produzidos a partir do pinhão manso permitem uma redução de 65% a 80% na emissão de carbono, em relação ao querosene de aviação derivado de petróleo.

O cultivo e a colheita do pinhão manso, realizados de forma responsável, agregam valor socioeconômico para as comunidades locais e não competem com a produção de alimentos ou fontes de água potável, atendendo a requisitos estipulados pelo SAFUG (Sustainable Aviation Fuel Users Group – Grupo dos Usuários de Combustível Sustentável de Aviação), grupo ao qual a TAM se integrou formalmente no dia 11 de novembro de 2009. O SAFUG é formado por grandes companhias aéreas internacionais com a finalidade de acelerar o desenvolvimento e a comercialização de novos combustíveis sustentáveis para a aviação.

Além dos requisitos do SAFUG, em seus projetos a TAM seguirá também princípios e critérios estabelecidos pela RSB (sigla do inglês Roundtable on Sustainable Biofuels – Mesa Redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis, organização internacional de reconhecido prestígio técnico-científico) sobre as melhores práticas para produção, uso e transporte de biocombustíveis em relação às responsabilidades social, ambiental e econômica no setor de transportes

Importar biocombustíveis pode ser mais sustentável para países desenvolvidos /// UNICA

Conclusão surgiu de um estudo feito por pesquisadores da Holanda 30/04/2010 - 10:08
UNICA
Importar biocombustíveis de países como o Brasil pode ser mais sustentável e econômico para nações do Hemisfério Norte do que investir na melhoria de uma produção própria. É o que aponta um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Wageningen, da Holanda, que será divulgado na próxima edição da revista científica “Biomass and Bioenergy”. O artigo conclui que os biocombustíveis produzidos em regiões de clima tropical são atualmente os mais sustentáveis.

“A sustentabilidade dos bicombustíveis produzidos no hemisfério norte poderia ser melhorada. Contudo, isso não é necessariamente desejável já que pode ser mais sustentável e econômico para esses países importarem biocombustível do Brasil ou do sudeste da Ásia, onde os custos com transporte, de emissões de gases de efeito estufa e a necessidade de energia são geralmente menores,” afirma o trabalho.

O estudo, cujo título é “Resource use efficiency and environmental performance of nine major biofuel crops, processed by first-generation conversion techniques” (“Eficiência na utilização de recursos e desempenho ambiental das nove principais matérias-primas de biocombustíveis processadas por técnicas de conversão de primeira geração”, em tradução livre), compara a eficiência na utilização de recursos naturais e o desempenho ambiental de nove biocombustíveis de primeira geração - etanol de milho, trigo, mandioca, sorgo doce, cana-de-açúcar, beterraba e biodiesel de óleo de palma, canola e soja.

Para a assessora sênior do presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para assuntos internacionais, Géraldine Kutas, este tipo de trabalho comparativo é fundamental para mostrar as vantagens ambientais do etanol de cana-de-açúcar. “A pesquisa holandesa confirma a sustentabilidade do etanol brasileiro, focando principalmente nas boas práticas agrícolas do setor que permitem um manejo sustentável das plantações e uma maior redução de gases de efeito estufa em comparação a outros biocombustíveis.”


Desempenho
A pesquisa utiliza como base para comparação indicadores de sustentabilidade que focam na qualidade do solo, produção de energia e emissão de gases de efeito estufa. Os biocombustíveis produzidos de óleo de palma (localizados no sudeste da Ásia), cana-de-açúcar (do Brasil) e sorgo doce (da China) foram considerados os mais sustentáveis, pois estas matérias-primas fazem uso mais eficiente da terra, água, nitrogênio e outros recursos naturais e de energia, além do uso de pesticida ser baixo.

“Considerando-se que os cálculos não levaram em conta as emissões ligadas a Efeitos Indiretos do Uso da Terra (Indirect Land Use Changes – ILUC), as emissões de gases de efeito estufa destes três biocombustíveis são amplamente reduzidas em comparação aos combustíveis fósseis,” salienta o artigo.

O milho (utilizado nos EUA) e o trigo (do noroeste da Europa), também usados como matéria-prima para a produção de etanol, tiveram fraco desempenho em quase todos os indicadores. Isto porque não conseguem alcançar seu objetivo primordial, que é a redução do uso de energia fóssil e das emissões de gases de efeito estufa. A beterraba (noroeste da Europa), mandioca (Tailândia), canola (noroeste da Europa) e a soja (Estados Unidos) apresentaram desempenho médio.

Desafios da cana sustentável /// Agencia FAPESP

Agência FAPESP – Como qualquer cultura, a da cana-de-açúcar também apresenta custos ao ambiente que precisam ser avaliados. O consumo de água, o uso de fertilizantes e a participação da cultura da cana na dinâmica dos gases de efeito estufa são os principais desafios ambientais a serem enfrentados no cultivo da matéria-prima do etanol, segundo Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e um dos coordenadores do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Para Cantarella, pesa sobre a cana uma responsabilidade ambiental ainda maior, uma vez que a cultura faz parte da cadeia de um biocombustível importante e do qual se espera uma contribuição para mitigar o efeito estufa no planeta.

Com plantações concentradas em áreas com boa distribuição de chuvas, o cultivo da cana-de-açúcar na maior parte do Brasil não precisa de irrigação, segundo apontou Cantarella durante a convenção latino-americana do projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada em março na sede da FAPESP. Além disso, a planta necessita de menos água em relação a outros vegetais, como soja e café. Trata-se de uma ótima notícia, na opinião do pesquisador, uma vez que a água tem se tornado um recurso escasso.

Mesmo nas regiões em que é necessária, como no Brasil central, a irrigação da cana não precisa ser intensiva. “Em Estados como Goiás, por exemplo, é necessária a chamada irrigação de salvação para provocar a germinação ou a brotação da planta”, explicou.

Mesmo assim, esse procedimento se faz necessário somente na época de inverno, o período de seca. No restante do ano, o Estado mostra índices pluviométricos semelhantes aos de São Paulo.

Por outro lado, a irrigação constante pode aumentar muito a produtividade. Cantarella apontou uma variedade da planta desenvolvida pelo pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell no IAC, em Ribeirão Preto, que alcançou uma produtividade de mais de 300 toneladas por hectare ao ser cultivada sem limite de água ou de nutrientes.

“Esse aumento de produtividade pode reduzir a área plantada e diminuir outros impactos ambientais”, disse o cientista, afirmando ser necessário ponderar sobre o dilema de se utilizar água em locais em que seu suprimento é limitado.

O uso de água pelas usinas também foi considerado. Cantarella conta que, no Estado de São Paulo, esse consumo vem se reduzindo ao longo dos últimos 20 anos, caindo de 5,6 metros cúbicos por tonelada de cana processada para o atual 1,8 metro cúbico. Essa redução, segundo ele, já é um esforço de adequação da indústria diante de um cenário de escassez.

Recentemente, a legislação estadual impôs restrições quanto ao uso da água que variam de acordo com a região no Estado. As novas plantas industriais, por exemplo, podem consumir, no máximo 1 metro cúbico de água por tonelada de cana.

Estudos indicam que a indústria da cana-de-açúcar tem se preocupado com a preservação das águas superficiais e lençóis freáticos. Subprodutos contaminantes, como a vinhaça, não podem ser jogados em rios e são reaproveitados como fertilizantes, que também são submetidos a limites de aplicação a fim de que não haja contaminação por excesso.

Outra preocupação ambiental é a contaminação por fósforo e nitrato, causada pelo excesso de fertilizantes. “Por ser extremamente solúvel, o nitrato penetra no subsolo com muita facilidade e o excesso de fósforo provoca a eutrofização, que é a proliferação de algas na água”, explicou Cantarella. Segundo ele, ambos os problemas têm sido pouco encontrados no Brasil, ao contrário de outros países.


Dependência dos fertilizantes
O pesquisador do IAC destaca que os fertilizantes são uma preocupação de ordem estratégica para o país. “O Brasil importou, em 2008, 83% do fertilizante consumido nas lavouras. A cultura da cana é responsável por cerca de 13% do total utilizado na agricultura no país”, disse.

Segundo Cantarella, essa dependência brasileira de insumos estrangeiros é uma questão que merece muita atenção. Citou um episódio de 2007 em que a China elevou o imposto de exportação para garantir o seu suprimento de fertilizantes e causou a preocupação mundial de que outros produtores de insumos fizessem o mesmo.

Embora não exista nenhum país no mundo autossuficiente na produção dos três principais fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio), uma vez que as reservas estão espalhadas pelo mundo, o Brasil tem alta dependência de todos eles, importando 75% do nitrogênio, 50% do fósforo e 92% do potássio que utiliza.

No entanto, os biocombustíveis utilizam somente 2,4% dos fertilizantes consumidos em toda a agricultura mundial. No caso da cana-de-açúcar, a produtividade por quantidade de fertilizante utilizada é ainda mais vantajosa.

Cantarella conta que, mesmo apresentando produções equivalentes de etanol no ano de 2008, Brasil e Estados Unidos consumiram quantidades muito diferentes de fertilizantes em suas plantações de cana-de-açúcar e milho, respectivamente. A lavoura brasileira gastou 910 mil toneladas desses insumos, praticamente um terço dos 2,8 milhões de toneladas empregadas na produção do milho norte-americano no mesmo período.



Etanol e efeito estufa

A contribuição da cultura da cana nas emissões de gases de efeito estufa é um dos pontos que têm recebido atenção em estudos internacionais. Nesse balanço ambiental, os fertilizantes nitrogenados têm um papel importante, pois liberam óxido nitroso (N2O), considerado 300 vezes mais potente que o carbono na contribuição para o efeito estufa. Cerca de 1% do fertilizante empregado acaba sendo disperso na atmosfera em forma de gás.

No entanto, esse valor é um tema controverso e algumas pesquisas chegaram a dados discrepantes. “Houve até um estudo que apontou a proporção de 4% de gás liberado por nitrogênio aplicado, uma quantidade tão alta que ameaçaria as vantagens do etanol como mitigador do efeito estufa”, disse Cantarella, lembrando que o valor foi considerado exagerado por outras avaliações.

Para melhorar esse aspecto, pesquisas no Brasil procuram desenvolver bactérias fixadoras de nitrogênio. “Ainda não sabemos se os microrganismos vão substituir parte substancial da adubação nitrogenada nem a sua eficiência, mas é um potencial interessante”, disse.

O mais abundante gás estufa, o dióxido de carbono (CO2), também está sendo considerado na avaliação ambiental da cana. Há mais carbono na camada superficial do solo do planeta do que na atmosfera. Isso faz com que qualquer atividade de manejo do solo tenha um potencial de liberação de CO2.

Mais uma vez Cantarella apontou que a cana-de-açúcar apresenta vantagens nessa questão em relação a outras culturas. A estrutura da planta é favorável nesse sentido, pois concentra a parte seca e mais rica em carbono na parte inferior e na raiz do vegetal, o que mantém o CO2 sob o solo.

Além disso, como a cana produz grande quantidade de matéria seca, parte desse material retorna ao solo repondo carbono. A colheita da cana crua, sem a queima, eleva ainda mais a devolução desse elemento ao solo e pode, inclusive, aumentar o teor de carbono na terra e com isso, eventualmente, mitigar o efeito estufa, segundo o cientista.

Os subprodutos como a vinhaça e a torta de filtro retornam ao campo como adubos. Já a colheita da cana crua vem crescendo gradualmente por força de lei. A legislação do Estado de São Paulo prevê a extinção da colheita com fogo até 2031. Além de manter a palha no campo, a cana crua não libera o CO2 inerente à queima.

Outro atestado “verde” da cadeia sucroalcooleira é a sua grande capacidade de reciclar nutrientes, segundo lembrou Cantarella. “Se analisarmos as estruturas moleculares dos dois principais produtos da cana, a sacarose e o etanol, veremos que elas contêm somente carbono, hidrogênio e oxigênio, ou seja, boa parte dos minerais contidos nos fertilizantes pode ser reciclada, permanecendo no campo”, disse.

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