Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Stephan Schwartzman: Plano de redução de emissões dos EUA pode impulsionar agenda climática global

 

Cassuça Benevides
 
Steve Schwartzman, como é apresentado no website da ONG Environmental Defense Fund (Fundo de Defesa do Meio Ambiente) - onde é Diretor de Políticas para Florestas Tropicais, está otimista com o Plano de Ação Climática anunciado no final de junho pelo presidente americano Barack Obama. Schwartzman, que também é Vice-Presidente do Conselho Deliberativo do IPAM, acredita que o plano possa injetar ânimo nas negociações da Convenção do Clima na ONU e que quando ficar claro que os cortes nas emissões de carbono não terão impactos tão drásticos para a economia e competitividade americanas vai ser “mais fácil avançar o suficiente para evitar as consequências mais drásticas das mudanças climáticas”.
 
Clima e Floresta - Com o Plano de Ação Climática, o presidente americano, Barack Obama, tenta trazer de volta a questão das mudanças climáticas para o centro da agenda política. A repercussão entre os especialistas em clima foi muito boa, mas quais as chances reais de sucesso, apesar da resistência da oposição Republicada e do lobby da indústria de carvão, que vai ser a mais afetada pelo plano?
 
Stephan Schwartzman - O presidente está sendo bastante consistente na sua forma de lidar com a questão das mudanças climáticas. Ele disse no início do primeiro mandato que achava prioritário um regime nacional de controle das emissões de gases causadores do efeito estufa. E que a preferência dele era ter uma legislação nacional tratando da questão. Em 2010 ele conseguiu passar uma lei federal na Câmara, mas não no Senado. Desde então, o presidente vem dizendo que a preferência dele é a lei, mas que se o Congresso não conseguisse passar uma lei, ele iria utilizar autoridades executivas cabíveis para avançar na questão. Isto é que ele está anunciando mais concretamente agora. Não existe dúvida que a Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental – órgão regulador) tem autoridade para controlar as emissões de CO2. Isto já foi levado ao Supremo Tribunal Federal, a decisão existe e não há dúvida de que a EPA tem este direito. A questão é dos detalhes, dos pormenores: Quanto será o limite para as usinas (de carvão) já existentes e para as novas. E agora há o processo dos reguladores acharem as formas legalmente mais robustas e mais facilmente defensáveis para incluir na regulação final. É de se esperar que possa haver contestações no plano jurídico, mas no final das contas, algum sistema de limites nacionais vai ser criado.
C e F - Os Estados Unidos são hoje o segundo maior emissor de gases que provocam o efeito estufa, atrás da China, mas historicamente são os maiores poluidores do planeta. Mesmo que as metas definidas por Obama de reduzir emissões de dióxido de carbono sejam cumpridas, os especialistas acreditam que isto não será suficientes. O que mais precisa mudar?
SC - Nenhum regime de controle das emissões que existem ou que estão surgindo no mundo, na forma como estão sendo propostos, seriam suficientes para conter as emissões abaixo do limite de dois graus centígrados até o final do século. Acho que todo mundo sabe disto, mas o importante é começar. É estabelecer os limites, começar o processo de redução para poder avançar mais lá na frente. Acho que não tem outra forma. Obviamente precisamos de cortes mais drásticos, mais severos. Politicamente a única forma de se fazer isto é estabelecer um sistema, demonstrar para a indústria e para o público que de fato não é aquilo que os setores mais conservadores da indústria vêm dizendo sempre, principalmente em relação às mudanças climáticas, que este tipo de regulamentação vai alijar a nossa economia, vai destruir a nossa capacidade competitiva no comercio internacional etc. E isto nunca acaba sendo tão drástico como eles dizem. E uma vez constatado isto, acho que vai ser politicamente muito mais fácil de avançar o suficiente para evitar as consequências mais drásticas das mudanças climáticas.
C e F – Obama falou em liderar pelo exemplo e também em reativar as negociações internacionais. Na sua opinião, as negociações internacionais da Convenção do Clima podem começar a progredir um pouco mais rápido?
SC -Da mesma forma que o anúncio de um limite para emissões de desmatamento do Brasil induziu à declaração da China de que vai começar com programas-piloto de cap and trade* de emissões em várias cidades e províncias. Claramente atitudes destas por parte dos Estados Unidos só podem fortalecer o andamento das negociações. Mesmo assim, são 196 países e é muito difícil concordar sobre qualquer coisa neste contexto, mas esta posição tende a facilitar o andamento das discussões.
 
C e F - No discurso em que anunciou o plano, Obama citou parcerias estratégicas com países emergentes, incluindo o Brasil. Como pode ser a evolução desta parceria? O Brasil se queixa de ter reduzido o desmatamento pela metade e não ter tido benefícios com o seu desempenho...
SC - Resta ver o campo que pode haver para colaboração do Brasil com os Estados Unidos nesta área. Historicamente o Brasil tem tido uma posição eu diria, bastante reservada em relação à redução do desmatamento nas negociações de clima. Verdade que o Brasil não conseguiu angariar benefícios significativos com a redução do desmatamento. Mas também, no contexto das negociações de mudanças climáticas não usou o prestígio, a liderança que conquistou com este programa para dinamizar mais o processo. Sempre teve uma posição de não querer discutir mecanismos de mercado para compensação da redução do desmatamento. No contexto Brasil/Estados Unidos vamos esperar para ver as propostas concretas do EPA. De um lado, o EPA não tem autoridade para instituir um sistema de mercado, de cap and trade para emissões no país. Por outro lado, muita gente acha que (o EPA) teria possibilidade de criar certos mecanismos de mercado no sistema de controle de emissões. Sendo assim, talvez haja campo para colaborações maiores além da colaboração existente de biocombustíveis, na área de etanol.
 
C e F - Talvez fosse possível o Brasil aproveitar e tomar uma posição de liderança junto com os Estados Unidos?
SC - Junto com os EUA e com os outros atores. Há muitos anos a União Européia vem dizendo que se compromete a fazer uma redução de 20% em relação a 1990 até 2020, independente do que os outros países forem fazer. Se houver colaboração e esforços a altura por parte de outros países, a UE assume a meta de 30%. Por que o Brasil não coloca suas reduções à disposição para ajudar a União Européia a cumprir esta meta? Topa fazer 30% e a gente vende uma porção da redução que fizemos com o combate ao desmatamento para colaborar? Teria várias posições possíveis de alavancagem deste sucesso do Brasil, mas o Brasil não quis entrar nesta área ainda.
 
C e F - No discurso do presidente americano ficou clara a preocupação com adaptação às mudanças climáticas que já estão acontecendo. Obama citou o furacão Sandy e falou bastante em investimentos em adaptação. E no Brasil? Como o senhor vê os esforços para adaptação no país?
Talvez eu não tenha conhecimento suficiente para avaliar. O Brasil não está só, mas parece que os investimentos em adaptação para mudanças climáticas estão começando meio devagar. Aqui nos Estados Unidos o furacão Sandy, incêndios descontrolado no oeste do país, a seca, estas coisas estão chamando muita atenção e fica cada vez mais difícil ignorar estes impactos que estão ficando cada vez mais concretos. Agora mesmo morreram 19 bombeiros de uma vez combatendo um incêndio florestal no oeste dos EUA. Foi o maior número de bombeiros a morrer desde 2001, no ataque ao World Trade Center. Este tipo de coisa se multiplica, se prolifera cada vez mais e fica premente tomar uma atitude para se prevenir contra as consequências.
Em Nova York tinha gente que vinha falando há anos que iria acontecer exatamente o que ocorreu com o Sandy. Que iria ter enchentes dentro do metrô, em várias partes da cidade e aconteceu exatamente como previsto pelos cientistas que vinham estudando o assunto. E quando isto acontece fica difícil dizer que a gente não vai fazer nada. A questão é: economicamente vamos ter esta capacidade de investimento para fazer um progresso significativo?
No Brasil, eu acho que falta ainda mapear os efeitos. Na Amazônia se sabe que a perspectiva de savanização é real. Pelo menos existem alguns estudos neste sentido. Mas nas regiões costeiras acho que falta um mapeamento mais sério sobre quais serão os efeitos mais previsíveis para poder já começar a investir nas medidas cabíveis.
 
Ce F – Os efeitos nocivos para as florestas, que são importantes na regulação e no equilíbrio do clima, também foram citados pelo presidente americano, mas ele não adiantou nada de concreto. O que se espera aí nos Estados Unidos que possa ser feito em relação à proteção florestal?
SC - O tipo de incêndio florestal que começa a acontecer no oeste do pais é muito difícil de controlar. Há uma série de políticas que será preciso rever. Tem certos ecossistemas em que o fogo era parte constante durante milhares de anos e agora recentemente, por causa das políticas que foram adotadas, começou a ser suprimido. O objetivo era evitar qualquer incêndio florestal, por achar que a floresta era valiosa demais, ou que era perigoso. Hoje em dia, já em certos econssistemas começa-se a reintroduzir o fogo mais controlado, para impedir grandes incêndios. Este tipo de coisa precisa de aprofundamente, de investimento em pesquisa básica para entender o que pode ser feito. Espero que não seja tarde demais, mas precisamos lidar com isto agora.
 
C e F – O senhor acompanha de perto e há muitos anos, a questão do desmatamento no Brasil. Há alguns anos o senhor e outros ambientalistas vêm insistindo para que sejam criados mecanismos de incentivo à valorização da floresta em pé. A regulamentação do novo Código Florestal, em preparação pelo governo federal, pode trazer algum avanço neste sentido?
SC - A gente entende que o Congresso incluiu uma série de possibilidades de criação de incentivos positivos para a proteção florestal, mas que cabe ao Executivo criar os mecanismos financeiros para que elas sejam concretizadas. Eu acho que depende bastante da vontade política do Poder Executivo. Fala-se criação de mercado de carbono brasileiro, incentivos para a redução do desmatamento e para restauro florestal, que é de fundamental importância. As pistas, os caminhos para se criar os incentivos estão aí no novo Código, são caminhos importantes e cabe à Presidência fazer os investimentos necessários, criar os mecanismos necessários para que estes incentivos efetivamente passem a funcionar. Afinal, o Brasil conseguiu um avanço enorme ao reduzir seu desmatamento a nível nacional em 75% de 2005 a 2012, inteiramente com mecanismos de comando e controle, de fiscalização e criação de novas áreas protegidas. Isto é ótimo, mas todo mundo sabe que só com mecanismo de controle neste contexto é difícil de sustentar ao longo do tempo. É preciso primeiro, quem sempre defendeu florestas – os indígenas, as populações tradicionais – precisam de melhores oportunidades econômicas. E o produtor que quer fazer direito, merece um incentivo para faze-lo de forma competitiva.
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*Introdução de limites máximos para emissões com mecanismos de compensação: os que emitem menos do que o limite, ganham créditos ou cotas que podem ser negociados com quem emite mais do que o permitido. Os emissores acima do limite são obrigados a comprar créditos dos que conseguem reduzir mais suas emissões.

1,5 milhão de paulistanos trabalham em casa - Estado de São Paulo

O Estado de SP| O Estado de SP
 

Ateliê. Fernando Velasquéz tem tempo para curtir o filho
Os dados fazem parte de estudo do Ibope em parceria com o Estadão Dados, com base nos questionários detalhados do Censo 2010. O levantamento integra série 96xSP, que traz reportagens sobre temas como migração e deslocamento nos 96 distritos da capital.
 
Os números mostram que há basicamente três perfis de pessoas que trabalham no mesmo local onde vivem. O primeiro são as empregadas domésticas que moram na casa do patrão. Outro são os profissionais liberais, que normalmente têm curso superior e trabalham fazendo serviços esporádicos, como advogados, consultores ou artistas. Além disso, há os proprietários de bares, vendas e restaurantes em bairros de menor renda que moram no mesmo imóvel onde funciona o comércio.
 
Como os perfis são variados, a porcentagem de trabalhadores que não sai de casa é relativamente homogênea pela cidade. Há, porém, um grupo de 11 distritos onde um em cada três paulistanos trabalha no mesmo local onde vive. Mais do que a renda média, eles têm em comum o fato de serem bairros residenciais de ocupação antiga, como Pinheiros, Ipiranga e Penha.
 
Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) Lúcio Gomes Machado, uma das hipóteses para esse fenômeno é que esses locais foram ocupados antes do Plano Diretor de 1972, que proibiu a existência de prédios de uso misto - onde há comércio no térreo e moradias em cima. "Foi uma decisão urbanisticamente equivocada. Imóveis onde a pessoa pode morar em cima e trabalhar embaixo trazem vida 24 horas à cidade", diz.


Deslocamento.Outro benefício desse tipo de ocupação, segundo ele, é diminuir o número de pessoas que têm de atravessar a cidade todos para trabalhar. Algo que o artista plástico Fernando Velasquéz, de 43 anos, já não faz há três anos. Ele largou o escritório coletivo que alugava na região da Paulista para focar no seu ateliê que fica na própria casa, na Vila Mariana.

"Você ganha qualidade de vida. Mas, ao mesmo tempo, tem de se cuidar para sair de casa de vez em quando para conversar com pessoas", diz. Ele aproveita o tempo extra que agora sobra para ficar com os filhos e diz que é preciso foco para administrar melhor seus horários. "Quem trabalha em casa tem de administrar seu próprio tempo, e minha geração não foi educada para isso. Aprendi na marra, de tanto errar."
 
Modelo híbrido é herança histórica em São Paulo
De acordo com o historiador Luís Soares de Camargo, ex-pesquisador do Arquivo Histórico Municipal, unir emprego e moradia em um mesmo local é uma tradição colonial brasileira. "Em São Paulo, não foi diferente. No centro histórico, a maioria dos sobrados reservava a parte térrea para o comércio e o dono morava na parte de cima. Apesar de esses imóveis não existirem mais dessa maneira, o traço cultural se manteve”, afirma. O professor Luís Soares de Camargo, da FAU-USP, afirma que essa mudança começou no início do século XX, quando a cidade passou a adotar um novo tipo de urbanismo, que defendia áreas separadas para moradia, trabalho e lazer. "Isso veio a criar bairros como a Chácara Klabin, onde você tem um monte de prédios, todos residenciais, e nem uma vendinha do lado. São bairros mortos.”

Somos todos netos de Keynes /// Revista 22

por FLAVIA PARDINI* # em 74 Por que faz sentido, tanto do ponto de vista ecológico quanto do econômico, trabalhar menos Entre as medidas para mitigar a mudança climática – todas de implementação complicada –, uma poderia resultar não só em benefícios ambientais, mas em uma revolução econômica, isso sem falar em um salto na qualidade de vida. Em uma época em que todos estão, sempre, atarefados, soa até herético: trabalhar menos. Se decidíssemos coletivamente cortar a quantidade de horas trabalhadas em cerca de 0,5% ao ano até o fim deste século, seria possível neutralizar até a metade dos efeitos da mudança climática – em termos de aquecimento – que ainda não estão determinados por emissões passadas. O cálculo, publicado recentemente pelo economista David Rosnick, do think tank americano Center for Economic and Policy Research, é mais um resultado em uma série de estudos recentes que ilustram a associação entre horas trabalhadas e emissões de gases de efeito estufa (GEE). Em um deles, realizado em 2010, pesquisadores analisaram dados sobre trabalho, tempo de lazer e consumo 
de energia em residências suecas. Concluíram que uma redução de 1% no número de horas trabalhadas pelas famílias suecas resulta em uma queda média de 0,8% no uso de energia – e consequentemente nas emissões de GEE. Ao trabalhar menos, os suecos recebem menos renda e, portanto, consomem menos. Embora os benefícios ambientais pareçam claros, diminuir a jornada de trabalho teria impactos econômicos tão profundos que pouco se ouve falar no assunto. O PROBLEMA ECONÔMICO Em um ensaio sobre “as oportunidades econômicas para nossos netos”, escrito em 1930, o economista John Maynard Keynes previu que em 100 anos a humanidade teria solucionado “o problema econômico”. “Pela primeira vez desde sua criação, o homem enfrentará seu problema real e permanente – como usar sua liberdade das preocupações econômicas, como ocupar o lazer, que a ciência e a taxa de juros composta terão conquistado para ele, para viver bem, com sabedoria e de forma agradável”. A meros 17 anos da data prevista por Keynes, ao contrário, encontramo-nos em uma “armadilha da produtividade”, na descrição dos economistas britânicos Peter Victor e Tim Jackson. A produtividade do trabalho, uma das medidas mais fundamentais de sucesso econômico, é definida pela relação entre a produção, dimensionada pelo PIB, e o tempo dedicado pelos trabalhadores para que tal produção seja realizada. Mais produtividade significa mais produção com menos horas trabalhadas. A busca pelo lucro, a inovação, o desenvolvimento tecnológico e o acesso a recursos materiais baratos são alguns fatores por trás do aumento contínuo 
da produtividade. O fato de que cada trabalhador é capaz de produzir mais a cada ano significa que menos trabalhadores são necessários no ano seguinte para produzir a mesma quantidade. Enquanto a economia cresce – ou seja, produzimos mais –, não há problema. Mas, quando não há crescimento, o resultado é desemprego – vide as economias europeias em crise. Não é à toa que o mantra dos políticos para eleger-se – e manter o status quo – é mais crescimento e empregos. Reduzir a jornada de trabalho é uma das medidas sugeridas por Victor e Jackson para sairmos da armadilha da produtividade. Se cada um trabalhar menos, haverá trabalho para mais gente. A outra é investir no que eles chamam de “economia cinderela”. São atividades em que a produtividade do trabalho é baixa, assim como o potencial para que ela cresça. As sementes para tal economia, dizem os autores, existem em alguns empreendimentos sociais: projetos 
de energia comunitários, mercados de agricultores, cooperativas de alimentos, oficinas de reparos, jardinagem, treinamento, centros comunitários de saúde e exercício físico, entre outros. Ao adotar tais medidas e desarmar a armadilha da produtividade, estaríamos também revolucionando o modelo econômico de crescimento contínuo. Desacelerar os motores da produtividade é a necessidade atual mais premente, diz
o antropólogo e ativista americano David Graeber. “Nossa reação instintiva a todas as crises é assumir que a solução é que todos trabalhem mais, mas claro que essa reação é justamente o problema.” Os nós que nos atam – dívidas insustentáveis nas esferas nacional, corporativa e pessoal e a aguda crise ecológica – são, em última análise, a mesma coisa, argumenta Graeber. “O que é a dívida, no fim das contas, senão a promessa de produtividade futura?” O aumento do endividamento significa que, coletivamente, prometemos uns aos outros produzir cada vez mais bens e serviços no futuro, alimentando as crises que podem afetar drasticamente a humanidade. Não é suficiente atacar a questão do trabalho sem agir em outras frentes para redesenhar o sistema econômico claramente. Mas, se trabalhar menos é parte da solução, nós, indivíduos, só teríamos a ganhar. Finalmente, como previu Keynes, poderíamos nos dedicar ao problema humano. *FLAVIA PARDINI É JORNALISTA FUNDADORA DE PÁGINA22 Leia mais: Edição 71: MENOS: Criamos uma sociedade de excessos. É hora de buscar qualidade em vez de quantidade

China lidera ações de combate à mudança climática, aponta estudo

No entanto, país ainda enfrenta graves problemas como a poluição.
EUA também lideram ações; crise econômica ajudou a baixar emissões.

Do G1, em São Paulo

A Agência espacial americana (Nasa) divulga imagem de satélite que mostram a névoa espessa de poluição que cobre Pequim, capital da China, no início do ano. Estudo aponta que o país se tornou protagonista no combate às mudanças climáticas (Foto: Reuters/Nasa/Terra - Modis)

A China está rapidamente assumindo um papel de liderança global frente às mudanças climáticas, protagonismo que é dividido com os Estados Unidos, revela um estudo publicado nesta segunda-feira (29), o qual alertou que as emissões globais de gases de efeito estufa continuam a crescer com força.
O informe da Comissão do Clima, uma organização independente sediada na Austrália, intitulado "A década crítica: ação internacional contra as mudanças climáticas" oferece um panorama geral das ações empreendidas nos últimos nove meses.

O documento é divulgado ao mesmo tempo em que inicia uma nova rodada de negociações climáticas da Organização das Nações Unidas, em Bonn, sobre como estimular as ações contra esse processo que já dura duas décadas, tem sido marcado por disputas processuais e defesa de interesses nacionais.

Segundo a agência France Presse, o estudo revelou que todas as grandes economias do mundo têm políticas em andamento para abordar a questão, mas que a China assume um papel de liderança ao fortalecer suas respostas, 'dando passos ambiciosos para inserir as energias renováveis à sua matriz'.
'"A China está acelerando as ações", afirmou Tim Flannery, co-autor do estudo e figura chave da Comissão do Clima, que reúne cientistas internacionalmente reconhecidos, assim como líderes políticos e de negócios.

"Depois de anos de um forte crescimento do uso do carvão, ele começou a se estabilizar. Estão começando a colocar em andamento sete esquemas de comércio de emissões, que cobrirão 250 milhões de pessoas", afirmou.
saiba mais

Apesar das ações, desde o começo do ano as grandes cidades do país, como Pequim e Xangai, sofrem constantemente com névoas densas de poluição. O governo precisou intervir e anunciou em janeiro que iria divulgar novas regras sobre como a capital da China deve reagir à perigosa poluição do ar.
As regras vão formalizar medidas pontuais tomadas anteriormente, incluindo o fechamento de fábricas, corte na queima de carvão e a proibição de certas classes de veículos nas estradas nos dias em que a poluição atingir níveis inaceitáveis.

Parceria
O estudo acrescentou que a China, que este mês concordou em trabalhar com os Estados Unidos para fazer frente ao aquecimento global, quer "posicionar os dois países na liderança mundial em energias renováveis". "Qualquer que seja a razão, os resultados falam por si. A China está rapidamente movendo-se rumo ao topo da liderança no que diz respeito às mudanças climáticas", afirmou Flannery.

Segundo o estudo, só em 2012 a China investiu US$ 65,1 bilhões em energias limpas, 20% mais que em 2011, um feito comparação com outros países e que representou 30% de todos os investimentos dos membros do G20 no ano passado.
O informe apontou ainda que a capacidade elétrica chinesa a partir da energia solar se expandiu 75% no ano passado, enquanto o volume de eletricidade gerada a partir do vento em 2012 foi 36% maior do que em 2011.

Os Estados Unidos, que ao lado da China produzem 37% das emissões mundiais de gases estufa, também fortaleceram significativamente sua resposta às mudanças climáticas, investindo US$35,6 bilhões em energias renováveis no ano passado, sendo superados apenas por Pequim.

Crise econômica "ajudou" a frear emissões
O informe destacou que o impacto do declínio econômico e a mudança progressiva do carvão para o gás manteve Washington no caminho de alcançar suas metas de redução de emissões em 17% em 2020 com base nos níveis de 2005.

"Foram estabelecidos importantes alicerces que são propensos a ter um impacto duradouro nas próximas décadas", acrescentou, apontando para a Califórnia, a nona maior economia do mundo, e que inicia um esquema de comércio de emissões em janeiro.
Mais da metade dos Estados americanos agora tem políticas para encorajar o uso das energias renováveis. Além de China e Estados Unidos, atualmente 98 países assumiram compromissos para limitar suas emissões.

"A energia renovável aumenta em todo o mundo, com a capacidade solar crescendo 42% e eólica, 21% em apenas um ano", disse Flannery. "Com tanto dinamismo global, esta é claramente o início da era da energia limpa", emendou. Mas apesar dos avanços, o informe alertou que as ações ainda não são suficientes. "As emissões continuam a crescer.

Matriz Energética do Estado de São Paulo - ANO 2035

 
O estudo Matriz Energética do Estado de São Paulo - 2035, realizado pela Secretaria de Energia do Estado aponta que 85 milhões de toneladas de CO2 serão jogadas na atmosfera por atividades desenvolvidas no Estado em 2020 e até 2035, as emissões devem mais que dobrar.
 
Em 2005 eram cerca de 55 milhões de toneladas – 30 milhões de toneladas a menos, já em 2035 serão mais de 120 milhões de toneladas de CO2, o que representa um aumento de cerca de 120% na comparação com as emissões de 2005.

Os números foram apresentados na primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo, que aconteceu no final de março, e já levam em consideração políticas públicas de redução das emissões de CO2 anunciadas pelo governo, como o Plano Integrado de Transportes Urbanos 2005 a 2025, assim como os ganhos de produtividade da indústria e da agricultura e a redução do uso de combustíveis fósseis.


 
 

Segundo complexo eólico da Bahia será inaugurado em 2013


Depois da inauguração do Complexo Eólico Alto Sertão-I, considerado o maior da América Latina, em julho, a Renova Energia anunciou a construção do .... Foto: Divulgação

Depois da inauguração do Complexo Eólico Alto Sertão-I, considerado o maior da América Latina, em julho, a Renova Energia anunciou a construção do Alto Sertão II, que também ficará localizado no estado da Bahia. O empreendimento deve ser entregue em setembro de 2013 com investimento inicial de R$ 1,4 bilhão
Foto: Divulgação
 
Depois da inauguração em julho do Complexo Eólico Alto Sertão-I, considerado o maior da América Latina, no sudoeste da Bahia, a Renova Energia anunciou a construção do Complexo Eólico Alto Sertão II, que ficará localizado nas cidades baianas de Caetité, Guanambi, Igaporã e Pindaí. O acordo da empresa com o Governo Federal prevê a entrega das obras para setembro de 2013. O investimento inicial será de R$ 1,4 bilhão.

O primeiro Complexo, formado por 14 parques eólicos, gera 294 MW de energia por mês, o suficiente para atender 2,1 milhões de habitantes. A expectativa é que o segundo complexo consiga produzir 386 MW divididos em um conjunto de 15 parques - potencial energético para abastecer uma cidade maior que Manaus.

De acordo com a Renova Energia, o empreendimento faz parte dos planos de expansão da empresa. "O início das obras é mais um marco importante na história do setor e simboliza nosso compromisso de continuar investindo na Bahia e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região", afirma Mathias Becker, diretor-presidente da companhia, que pretende instalar outros empreendimentos no estado até 2016. A construção do Complexo empregará 1,3 mil pessoas

Os 230 aerogeradores do Alto Sertão II serão fornecidos pela GE, em um negócio de R$ 820 milhões. A empresa, que investiu US$ 2 bilhões em tecnologias de energias renováveis nos últimos anos, lançou recentemente uma turbina específica para o mercado brasileiro. "O vento é um recurso global, mas cada região do mundo tem condições e parâmetros específicos. O Brasil tem ventos tão favoráveis que era importante investir no desenvolvimento de um equipamento próprio. Projetamos então o modelo 1,85-82,5", explica Vic Abate, vice-presidente global para energia renovável da GE.

O executivo acredita no potencial eólico da América Latina como um todo. "Estamos trabalhando para expandir nossas operações exigências de conteúdo local são importantes para o crescimento do emprego no país. Temos a cadeia de fornecimento e a base de fornecedores para atender a novas exigências do BNDES e ajudar a indústria de energia eólica a continuar crescendo no Brasil", finaliza Abate.

Economídia
Especial para o Terra

COP18: Fracasso na prorrogação do Protocolo de Kyoto enfraquece busca por novo acordo climático

 

Publicado em novembro 27, 2012 por

COP18

Pessimismo marca abertura de reunião climática da ONU. Apesar do crescente alarme sobre a mudança climática, quase 200 nações reunidas a partir desta segunda-feira, 26, em Doha pouco terão a oferecer além de palavras sobre a necessidade de conter as emissões de gases do efeito estufa. Reportagem de Alister Doyle e Regan Doherty, da Reuters, em O Estado de S.Paulo.

O provável fracasso na definição de uma prorrogação significativa do Protocolo de Kyoto – tratado que obriga nações desenvolvidas a reduzirem suas emissões – deve também enfraquecer a busca por um novo acordo que junte países ricos e pobres na luta contra o aquecimento global a partir de 2020.
“A situação é muito urgente… Não podemos mais dizer que a mudança climática é um problema para amanhã”, disse Andrew Steer, presidente do Instituto dos Recursos Mundiais, de Washington.
Há dois anos, numa conferência semelhante, os países da ONU decidiram limitar o aquecimento global a 2ºC acima dos níveis pré-industriais. Mas as emissões de gases do efeito estufa bateram um novo recorde em 2011, apesar da desaceleração da economia global.

Na semana passada, um estudo divulgado pela ONU mostrou que o mundo se encaminha para um aumento de 3ºC a 5ºC nas suas temperaturas médias, o que pode causar mais inundações, secas, ondas de calor e elevação dos níveis dos mares.
“Uma resposta mais rápida à mudança climática é necessária e possível”, disse Christiana Figueres, diretora do Secretariado de Mudança Climática da ONU, em nota na qual delineou as expectativas para o encontro, que vai até 7 de dezembro.

A reunião acontece num amplo centro de convenções do Catar — primeiro país da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a receber a conferência climática anual, e a nação do mundo com a maior taxa per capita de emissões de gases do efeito estufa, quase o triplo da média norte-americana.

Para manter alguma ação climática em vigor, a maioria dos países é favorável à prorrogação do Protocolo de Kyoto, que foi adotado em 1997 e expira no final de 2012. Esse tratado obrigava as nações desenvolvidas a reduzirem suas emissões num volume médio de 5,2% em relação aos níveis de 1990.

Mas os EUA nunca concluíram sua adesão ao tratado, enquanto Rússia, Japão e Canadá se desvincularam nos últimos anos. Assim, restaram como principais aderentes União Europeia e Austrália, que representam apenas 14 por cento das emissões mundiais.
As nações não-participantes dizem que não faz sentido prorrogar o Protocolo de Kyoto se grandes nações em desenvolvimento, como China, Índia, Brasil e África do Sul, não sofrerem restrições legais ao aumento das suas emissões.

Os países em desenvolvimento e os apoiadores de Kyoto dizem que os países desenvolvidos precisam liderar o movimento rumo a um novo acordo global, a ser negociado até o final de 2015, para entrar em vigor em 2020.
EcoDebate, 27/11/2012

Senado dos EUA aprova isenção para aéreas de regras de carbono da UE

sábado, 22 de setembro de 2012 16:17 BRT

 Por Valerie Volcovici
WASHINGTON, 22 Set (Reuters) - O Senado dos Estados Unidos aprovou de forma unânime um projeto de lei neste sábado que isenta companhias aéreas do país do pagamento de suas emissões de carbono em voos europeus, pressionando a União Europeia a deixar de aplicar sua legislação relativa a emissões a companhias aéreas estrangeiras.
A Comissão Europeia tem feito cumprir desde janeiro uma lei que obriga todas as companhias aéreas a participar do Programa de Negociação de Emissões com o objetivo de combater o aquecimento global, no que resultou em ameaças de um embate comercial.

O Senado norte-americano aprovou o projeto de lei pouco após a meia-noite, enquanto se esforçava para completar suas obrigações antes do recesso que precede as eleições parlamentares e presidenciais de 6 de novembro.
O senador Republicano John Thune, um proponente da medida, disse que ela envia uma "forte mensagem" à UE de que o bloco econômico não pode impor impostos sobre os Estados Unidos.

"As ações do Senado hoje ajudarão a garantir que companhias aéreas e passageiros norte-americanos não serão obrigados a pagar a dívida europeia por meio desse tributo ilegal e possam, em vez disso, investir em criar empregos e estimular nossa própria economia", disse Thune em comunicado.

A senadora Democrata Claire McCaskill, outra proponente da medida, disse: "É revitalizante ver um forte apoio bipartidário à noção de senso comum que diz que norte-americanos não deveriam ser forçados a pagar um imposto europeu".

Mobilidade insustentável: População que usa carro ou motocicleta para se deslocar cresce e atinge 47% em 2009

Publicado em dezembro 17, 2010 by HC O percentual da população que usa automóveis ou motocicletas para se deslocar aumentou de 45,2% em 2008 para 47%, em 2009. Mesmo assim, quase metade da população ainda depende do transporte público, por não ter alternativa de transporte. Os dados foram divulgados, no dia 14/12, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseados em estudos da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de automóveis na área urbana é o dobro do da área rural, onde é maior o número de motocicletas, segundo o estudo. Os veículos de duas rodas estão presentes em cerca de 15% dos lares, com tendência a crescer, levando em conta os preços mais baixos das motocicletas.

Os domicílios da área urbana que têm carro somam 16,5 milhões, motocicletas 4,073 milhões e os lares que têm ambos os veículos são 3,2 milhões. Cerca de 25,9 milhões de residências ainda não têm quaisquer tipos de veículos. Na zona rural, 1,489 milhão de residências têm carro, 1,566 milhão têm motos e 570 mil têm carro e moto. Além disso, 5,123 milhões de lares não dispõem de qualquer tipo de veículo.

O Ipea destaca que a posse de veículos ocorre até mesmo nas camadas mais baixas da população. Na faixa de pobreza extrema, com renda de até um quarto do salário mínimo per capita, 17,7% das famílias têm carro ou motocicleta. Nas casas onde a renda é de até meio salário mínimo per capita cerca de 23% das famílias já têm veículos próprios.

As políticas para aumentar a renda da população mais pobre, segundo avaliação do Ipea, deverão provocar o aumento da aquisição de automóveis nos próximos anos. A posse de veículos é maior no país, proporcionalmente entre a população, em Santa Catarina, no Paraná, no Distrito Federal (DF) e em São Paulo. Em Santa Catarina, cerca de 70% das residências têm algum tipo de veículo. No Paraná 61,7%; no DF, 59,7% e em São Paulo, 59,1%. Em Santa Catarina, 28,5% das residências não dispõem de automóvel ou moto, no Paraná, 38,3%; no DF, 40,3% e em São Paulo, 40,9%.

A maioria dos trabalhadores brasileiros (68%) na área urbana ou rural gasta menos de 30 minutos para ir de casa ao trabalho, independentemente da forma de locomoção. Cerca de 10% da população gasta mais de uma hora nesse percurso. O tempo médio de percurso da residência ao trabalho, segundo o Ipea, mostra que a maior parte dos brasileiros prefere procurar trabalho próximo às suas moradias.

O Ipea considera que a taxa de motorização da população tende a crescer, gerando engarrafamentos e complicações no trânsito. Para o instituto, será necessário que os governos façam investimentos para melhoria da infraestrutura nas próximas décadas para minimizar o problema.

Reportagem de Lourenço Canuto, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 17/12/2010

Os transportes e as mudanças climáticas no Brasil

TN Sustentavel
 Data: 30/08/2010 11:45
Por: Redação TN / Adriana Vargas, Planeta Verde
O trabalho "Diagnóstico da legislação: identificação das normas com incidência em mitigação e adaptação às mudanças climáticas - Transportes", de autoria de Paula Lavratti, Coordenadora Técnica do Projeto Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos, e Vanêsca Buzelato Prestes, Coordenadora-Geral, apresenta dados do Brasil sobre os transportes. Ao relacionarem as mudanças climáticas com o tema, destacam que o setor tem sido apontado como a fonte emissora de gases de efeito estufa com maior e mais rápido crescimento, com cerca de 2,5% ao ano.

"Isso se deve à escalada da mobilidade de bens e pessoas, fruto do processo de globalização. Se de um lado, a intensificação do comércio internacional associada aos hábitos de consumo aumentam as emissões de GEEs, de outro, a expansão urbana provoca uma maior utilização de veículos automotores".

Ainda, segundo o relatório, considerando o quadro de emissões brasileiras, os transportes ostentam 9% do total: "Tal dado é coerente com o atual contexto nacional, no qual a matriz de transporte é majoritariamente rodoviária, com 58% do total da quilometragem existente".

Com relação às normas com incidência em mitigação e/ou adaptação, dividiram a pesquisa em "Padrões de emissões atmosféricas veiculares", "Manutenção de veículos e inspeção veicular obrigatória", "Adição obrigatória de biocombustível à gasolina ou diesel e da qualidade dos combustíveis e incentivo à utilização de biocombustíveis", "Controle do tráfego" e "A importância dos instrumentos de planejamento".

Setor de transportes está lento demais no combate ao aquecimento global

Por Fabiano Ávila, da CarbonoBrasil A indústria dos transportes foi convocada a incrementar seus esforços para reduzir emissões depois que um novo estudo mostrou que a maioria das companhias do setor tem falhado em adotar estratégias para mitigar as mudanças climáticas.

A Reserva Legal no Brasil e o Mercado de Carbono >>> Administradores.com

Para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas globais e aproveitar os benefícios que o mercado de carbono oferece para os produtores rurais, essa revisão do Código Florestal ganha tons de urgência. A exigência da Reserva Legal e de sua reposição pelo Código Florestal implica na inelegibilidade dos projetos de recomposição dessas áreas nos termos do protocolo de Quioto, e,portanto, determina que essa atividade não receba créditos de carbono no Brasil, enquanto já remunera o setor rural, por exemplo, na China.

O VALOR DAS FLORESTAS >>> Editora: Terra das Artes Editora


O VALOR DAS FLORESTAS

Editora: Terra das Artes Editora

Organizadores: Marco Antonio Fujihara, Roberto Cavalcanti, Andre Guimarães, Rubens Garlipp

Livro contribui no debate sobre o futuro das florestas e sua relevância para o planeta, com foco nos desafios da sociedade moderna para lidar com o tema.

Grupo Petrópolis vai plantar um milhão de mudas

Reflorestamento permitirá a retirada de mais de 85 mil toneladas de CO2 da atmosfera

O Grupo Petrópolis – terceiro maior do setor no país, dono das marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal, Black Princess e TNT – vai plantar, nos próximos três anos, cerca de 1,1 milhão de mudas de árvores nativas nas cidades de Petrópolis (RJ), Teresópolis (RJ), Boituva (SP) e Rondonópolis (MT), onde possui fábricas.O plantio faz parte de uma série de ações em prol do meio ambiente, que deram origem ao projeto AMA – Área de Mobilização Ambiental.

Ao final do projeto estima-se que as novas árvores retirarão da atmosfera cerca de 85 mil toneladas de CO2 e terá a retenção de 36 bilhões de litros de água por ano, entre áreas reflorestadas e florestas existentes. As cidades de Teresópolis e Petrópolis, primeiras contempladas com o plantio, já receberam 120 mil e 24 mil mudas, respectivamente. Ainda, nestes dois municípios, estão previstos a construção de centros de educação ambiental e a criação de trilhas ecológicas utilizando-se traçados históricos já existentes.

O projeto, que está orçado em R$10 milhões, faz parte do plano de sustentabilidade da empresa que assume compromissos com a sociedade, as comunidades em que atua e seus colaboradores. “A preservação do meio ambiente é uma questão de responsabilidade e, especialmente, de vida para as gerações futuras”, afirma Agostinho Gomes da Silva, diretor do Grupo Petrópolis.

Sobre o Grupo Petrópolis
Fundado em 1994, o Grupo Petrópolis - que produz as marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal, Black Princess e TNT – é o terceiro maior fabricante de cervejas do país. Nesses anos, a empresa tem ampliado sua participação no mercado, por meio de investimentos na qualidade de seus produtos e em equipamentos com tecnologia de ponta, mão-de-obra especializada, além da implementação de uma eficiente rede de distribuição.

Código Florestal: ‘Não dá mais para tratar a natureza como um modelo de negócio’. Entrevista especial com Carlos Alberto Scaramuzza /// IHU Unisinos

A bancada ruralista na Câmara dos Deputados aposta que a discussão e votação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que modifica o Código Florestal, deva acontecer ainda este mês. Se for aprovado, o novo código também alterará a lei dos crimes ambientais. Para o superintendente da Ong WWF, Carlos Alberto Scaramuzza, o Código Florestal atual, que foi feito em 1965, suscita complementações e até a plena implementação de alguns pontos, mas não necessita de remodelação.


Em entrevista à IHU On-Line, por telefone, ele afirmou que o que está em jogo com a possível mudança no código é a “grande contribuição que o Brasil pode dar para o combate às mudanças climáticas”. Atualmente, segundo Scaramuzza, o Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa mundial. “Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor”, destacou.

O biólogo Carlos Alberto Scaramuzza é superintendente de Conservação de Programas Temáticos da WWF Brasil. Ele se doutorou em Ecologia pela Universidade de São Paulo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O debate sobre mudanças no Código Florestal é hoje um dos temas mais polêmicos no Congresso. Por que a manutenção do atual Código Florestal incomoda tanto os ruralistas?

Carlos Alberto – Penso que temos que diferenciar, para compreender essa questão, o agronegócio: a parte política desse segmento precisa de um palanque político para conseguir apoio para renovação dos seus mandatos. É isso que faz com que eles tenham uma visão extremamente míope do processo, olhando apenas para a próxima eleição, sem ter uma noção sistêmica para resolver o problema. Eles estão interessados apenas em conseguir palanque de uma forma muito estreita.

As lideranças rurais propriamente ditas, não ligadas diretamente à política, estão preocupadas mais com a lei de crimes ambientais. Isso porque eles estão passíveis de serem penalizados de acordo com o Código Florestal. Há lideranças que deixam se envolver por essa ideia de desmantelar o Código Florestal e outras que estão focadas em pontos específicos que precisam ser melhor esclarecidos ou que precisam ser implementados para serem avaliados.

Há também lideranças mais progressistas que veem na implementação do Código Florestal uma vantagem por diferenciar produtos brasileiros de outros, uma vez que os nossos terão informações de origem, certificação, assegurando ao comprador final que o produto foi feito com o menor impacto ambiental, as melhores práticas agrícolas possíveis.


IHU On-Line – Que pontos do Código Florestal precisam ser implementados?

Carlos Alberto – São pontos do Código Florestal que precisam de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) ou de outros setores do Ministério. É preciso fazer ajustes na lei, eventualmente, mas isso não significa que ela necessite de uma mudança do código propriamente dito, e sim de complementos, como, por exemplo, a resolução que limita as Áreas de Preservação Permanente (APPs) de topo de morro. Esse tópico precisa ser melhor esclarecido, porque ele deixa margens para interpretações diferentes. Porém, para fazer isso, não é preciso mudar o código, apenas a resolução.

Para a classe política com visão mais estreita, interessa a mobilização e a reeleição a partir dessa bandeira de luta contra o Código Florestal. Eles deveriam atacar os problemas sistêmicos da agricultura brasileira, como a questão de crédito, do transporte, do armazenamento etc. O que dificulta a agricultura brasileira não é o Código Florestal, não é 20% de APPs ou de reserva legal. Um estudo que fizemos recentemente mostra que as APPs têm pouquíssimo impacto na área de produção dos grandes produtos, como uva, maçã e café.


"Para a classe política com visão mais estreita, interessa a mobilização e a reeleição a partir dessa bandeira de luta contra o Código Florestal"


Os verdadeiros problemas são difíceis de serem resolvidos porque envolvem infraestrutura, estradas, ferrovias, portos. Então, é mais fácil escolher esse tipo de tema para dar ibope junto ao eleitor do que resolver os pontos acerca da modernização agrícola do país. A nossa política agrícola é ainda da década de 1970.

Não temos um financiamento, hoje, orientado para uma propriedade moderna, dividida com diferentes culturas. Não há políticas agrícolas adequadas para a questão da integração. Um estudo lançado recentemente mostra que existe terra para atender essa demanda crescente de agricultura sem a necessidade de desmatar. Para isso, precisamos de uma reforma política que instaure um tipo de representação mais voltado para os interesses da nação como um todo.

IHU On-Line – De quando é este código que ainda vigora? Quais eram os interesses em relação ao meio ambiente na época?

Carlos Alberto – É de 1965. Pouca gente se dá conta de que ele foi criado pelo Ministério da Agricultura que estava preocupado com a agricultura que era desorganizada, com impactos nos principais insumos. Essa política pública foi criada para ordenar o uso do solo, da água e das florestas dentro das propriedades rurais. A visão, quando o código foi criado, era totalmente agronômica.

IHU On-Line – O que está em jogo com essa possível mudança?

Carlos Alberto – Uma das coisas é o grande papel que o Brasil pode ter nas reduções das emissões. Hoje, o Brasil, por conta do desmatamento, é o quarto maior emissor mundial. Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor mundial. Está em jogo, portanto, a grande contribuição que o Brasil pode dar para o combate às mudanças climáticas. Nosso papel em Copenhague foi claramente de liderança nessa questão. Esse protagonismo também é fundamental quando se fala em Código Florestal.

"Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor mundial"

Também está em jogo o papel que o Brasil pode ter na agricultura moderna, onde o consumidor quer saber de onde o produto vem e como foi produzido. Essa exigência já acontece no Brasil, onde a conscientização não é tão grande. Outra questão importante são as possibilidades de desenvolvimento e de conquista de mercados pela agricultura brasileira.

IHU On-Line – A WWF-Brasil publicou um estudo que analisa quatro municípios de alta produção agrícola: Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul (maior produtor de uva do Brasil), Três Pontas, em Minas Gerais (segundo principal produtor de café do estado), Vila Valério (número um no ranking de plantadores de café do Espírito Santo) e Fraiburgo (líder no cultivo de maçã em Santa Catarina). A que conclusões chegou o estudo tendo como referência o Código Florestal?

Carlos Alberto – O estudo mostrou que, nestes municípios, a produção não é impactada pelo código florestal. As Áreas de Preservação Permanente (APPs) de beira de rio ou são florestas ou são usadas como pastagens. Mostramos o contrário do que falavam, ou seja, os estudo apresenta que a implantação de APPs não inviabiliza a agricultura. Ninguém planta em uma pendente de 45º e nem na beira do rio.

Existem pestes que precisam ser corrigidas, obviamente, mas precisamos abandonar essas ideias de inviabilização da agricultura e tentarmos resolver o problema implementando o código. As APPs devem ser recuperadas, pois são fundamentais para a conservação dos recursos hídricos, tanto para a propriedade como para o abastecimento urbano. Inclusive o que não está no código florestal, mas seria fundamental, é a lei de pagamento por serviços ambientais. Florestas na beira do rio contribuem para geração de água para abastecimento urbano, isso deve ser remunerado.

Devemos encarar o problema de maneira positiva. Parte do recurso de abastecimento de água urbana tem que ir para os agricultores que estão conservando a floresta em torno de nascentes. Esse estudo trabalhou para deixar de lado os mitos e tentou se debruçar sobre os problemas de implementação, a importância de encontrar formas para viabilizar a recuperação das florestas ao longo das APPs, além de trabalhar com formas previstas no código de compensação, que permitem que os requisitos da reserva legal possam ser atendidos fora da propriedade.

IHU On-Line – Quais são as principais forças políticas no Congresso contra a mudança do Código?

Carlos Alberto – Tem a Frente Parlamentar Ambientalista, que congrega uma série de deputados de diferentes partidos e tem uma visão de que o meio ambiente não é um obstáculo, e sim um tremendo recurso e vantagem para o desenvolvimento econômico e para a produção agrícola.

Há alguns deputados que são “vigilantes do futuro” e estão preocupados com o futuro da nação. Eles têm consciência de que produção, antigamente, era uma questão de capital financeiro, humano e material. E hoje, se não tivermos o quarto capital, que é o natural, todos os negócios estão falidos, ou por questões de produtividade ou por deixarem os recursos existentes para a produção. Isso se aplica à agricultura e à qualquer outra questão. Não dá mais para tratar a natureza como um modelo de negócio. Há algumas lideranças que já se deram conta disso e estão preocupadas com que a economia brasileira tenha uma participação efetiva no desenvolvimento da economia verde que está surgindo, e que incorpora o capital natural como uma essência da viabilidade e dos avanços.

IHU On-Line – E a favor?

Carlos Alberto – São esses deputados ruralistas, não diria todos, mas a grande maioria tem uma visão muito primária e míope desse processo. Boa parte está preocupada com a próxima eleição, em chegar a sua base eleitoral mostrando que eles enfrentam os ambientalistas. São políticos que procuram um bode expiatório e uma plataforma eleitoral fácil em vez de realmente enfrentar os obstáculos da agricultura brasileira.

IHU On-Line – E qual sua avaliação da posição do governo em relação a esse debate?

Carlos Alberto – Ao longo do tempo, o governo suspendeu um pouco da heterogeneidade de visões. Dentro da agricultura, isso é bem claro na medida em que o governo tem o Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. Um ministério para os grandes agricultores e outro para a grande agricultura. Esses dois grupos têm visões bastante pertinentes sobre o novo código e forma de fazê-lo.

Há também uma terceira polaridade que seria o Ministério do Meio Ambiente. Esta heterogeneidade estava presente no próprio ministério. Tardiamente, esses três grupos procuraram desenvolver uma proposta em comum. E tão tardio foi que isso nem acabou vindo a público, parou na Casa Civil, que não está interessada e colocou o assunto na gaveta.

"Há um pouco de esquizofrenia do governo brasileiro na área ambiental e agrícola"

Podemos dizer que é lamentável que tenha se demorado tanto para colocar essas três visões juntas e produzir uma proposta em comum. Porém, devemos valorizar o fato disso acabar acontecendo. Estamos na expectativa de que um dia essa proposta possa vir a público, possa ser analisada e debatida pela sociedade. É importante ouvir outras partes interessadas neste processo para avaliar esse primeiro esforço feito pelo governo. Há um pouco de esquizofrenia do governo brasileiro na área ambiental e agrícola. Cada ministério anda para um lado, falta uma unidade e um planejamento a longo prazo e que coloque essas forças em uma mesma direção.

Para ler mais:
Mudanças no Código Florestal: ‘Isto é suicídio ecológico’. Entrevista especial com Rubens Nodari

TAM realizará primeiro voo de demonstração com bioquerosene de aviação na América Latina /// Canal Rural-RBS

  

Companhia aérea usará biomassa vegetal brasileira, o pinhão manso

A TAM planeja realizar no segundo semestre de 2010 um voo de demonstração sem passageiros com uma mistura de biocombustível de aviação utilizando óleo de pinhão manso, uma biomassa vegetal brasileira. A aeronave será um Airbus A320 em operação na frota da companhia, equipado com motores CFM56-5B produzidos pela CFM International, uma joint venture entre a GE dos Estados Unidos e a Snecma (Safran Group) da França.

O presidente da TAM, Líbano Barroso, ressalta que a companhia honra seu compromisso social e de sustentabilidade com essa iniciativa.

— Empenhamos nossos melhores esforços para utilizar matéria-prima brasileira na produção desse biocombustível com benefícios econômicos e sociais relevantes. A biomassa, fonte do nosso bioquerosene de aviação, é 100% nacional, oriunda de projetos de agricultura familiar e fazendas de porte significativo do interior do Brasil, que se dedicam à cultura pioneira do pinhão manso — diz Barroso.

A TAM já assegurou a disponibilidade do biocombustível de aviação para o voo de demonstração. A companhia adquiriu, por intermédio da ABPPM – Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão Manso, sementes de produtores de pinhão manso do Norte, Sudeste e Centro-Oeste, providenciou a sua transformação em óleo semirrefinado e exportou-o para os EUA, onde a UOP LLC, empresa do grupo Honeywell, fez o processamento do óleo de pinhão manso em bioquerosene e sua mistura com o querosene convencional de aviação, na proporção de 50% cada.

O voo de demonstração a ser realizado pela TAM será a primeira experiência do gênero na América Latina, com uma inovadora combinação desse tipo de aeronave e motor voando com bioquerosene de aviação produzido a partir do pinhão manso. A realização do voo será alinhada com os órgãos reguladores do setor de aviação.

A TAM estuda sua participação no desenvolvimento da cadeia produtiva desse combustível de biomassa vegetal para a criação de uma plataforma brasileira de bioquerosene sustentável. Conhecido pelo nome científico de “Jatropha Curcas L.”, o pinhão manso é uma planta que não concorre com a cadeia alimentar porque é imprópria para consumo humano e animal, podendo ser consorciada com pastagens e culturas alimentícias.

A companhia tem analisado, em conjunto com a ABPPM, meios de desenvolver a produção sustentável do pinhão manso em escala comercial voltada para a sua transformação em bioquerosene de aviação. Segundo a ABPPM, existem atualmente 60 mil hectares de terra no Brasil com plantações de pinhão manso e, diante dos recursos naturais e das condições climáticas favoráveis, grande volume de pastagens degradadas poderão ser recuperadas com essa planta. Para atingir escala comercial, estima-se que seria necessário expandir a superfície cultivada para cerca de 1 milhão de hectares, suficiente para atender em torno de 20% do consumo nacional.

— A Airbus está explorando diversos tipos de combustíveis alternativos, porque acreditamos que diferentes soluções surgirão para diferentes partes do mundo.

Qualquer solução deve ser comercialmente viável e sustentável, sem impacto sobre as pessoas, a terra, os alimentos e a água. Além disso, essas soluções devem gerar empregos locais para a população local. Chamamos isto de cadeia de valor e essa iniciativa da TAM com a Airbus é mais um passo nessa direção — afirma Paul Nash, chefe do Departamento de Novas Energias da Airbus.

Estudos realizados pela Michigan Technological University em conjunto com a UOP/Honeywell mostram que biocombustíveis de aviação produzidos a partir do pinhão manso permitem uma redução de 65% a 80% na emissão de carbono, em relação ao querosene de aviação derivado de petróleo.

O cultivo e a colheita do pinhão manso, realizados de forma responsável, agregam valor socioeconômico para as comunidades locais e não competem com a produção de alimentos ou fontes de água potável, atendendo a requisitos estipulados pelo SAFUG (Sustainable Aviation Fuel Users Group – Grupo dos Usuários de Combustível Sustentável de Aviação), grupo ao qual a TAM se integrou formalmente no dia 11 de novembro de 2009. O SAFUG é formado por grandes companhias aéreas internacionais com a finalidade de acelerar o desenvolvimento e a comercialização de novos combustíveis sustentáveis para a aviação.

Além dos requisitos do SAFUG, em seus projetos a TAM seguirá também princípios e critérios estabelecidos pela RSB (sigla do inglês Roundtable on Sustainable Biofuels – Mesa Redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis, organização internacional de reconhecido prestígio técnico-científico) sobre as melhores práticas para produção, uso e transporte de biocombustíveis em relação às responsabilidades social, ambiental e econômica no setor de transportes

As conclusões e os objetivos ambiciosos da Cúpula de Cochabamba /// Planet Green - Discovery Channel

Nesta quinta, 22 de abril, terminou a Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra (CMPCC), um evento organizado pelo governo boliviano em resposta ao fracasso da cúpula de Copenhague do ano passado
O resultado foi um documento denominado “Acordo dos Povos”, que apoia o Protocolo de Kyoto e convoca os países desenvolvidos a restaurar a saúde da Terra e reduzir as emissões de carbono em cerca de 50% até 2020. Também defende a criação de um fundo de adaptação para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar a mudança climática, que seria financiado com a realocação de 6% de seus orçamentos anuais.

Segundo La Razón, a Cúpula concluiu que o aquecimento global está relacionado aos "paradigmas e padrões de conhecimento hegemônico", já que não se trata apenas de uma luta contra as formas de produção, mas também de certas imposições sócio-culturais (por exemplo, não respeitar os conhecimentos ancestrais e impor padrões de consumo).

Diante disso, os países em desenvolvimento deveriam não só assumir sua responsabilidade, mas também mudar seus padrões de consumo por hábitos mais benéficos à “Mãe Terra”.

As discussões também destacaram importância de respeitar técnicas de agricultura campesinas e indígenas, as raízes e conhecimentos ancestrais, além da necessidade de se estabelecer um tribunal climático para punir aqueles que não cumprirem os acordos, informa a BBC Mundo.

As conclusões da cúpula refletem – talvez de forma mais pronunciada – as mesmas preocupações expressadas pela maioria dos países em desenvolvimento durante Copenhague e que não foram refletidas no acordo final da reunião de dezembro.

Resta a pergunta: a cúpula de Cochabamba pode ter algum resultado ou influência concreta sobre o rumo das negociações? Apesar de ter um peso mais simbólico que político, os organizadores anunciaram que levarão suas conclusões para a COP16 de Cancun e convocaram os diferentes movimentos sociais para participar e fazer com que sua vozes sejam ouvidas.

Se os demais países em desenvolvimento se alinhassem aos pedidos mais exigentes de Cochabamba, isso também poderia significar um endurecimento das negociações durante as reuniões prévidas para a COP16. A Bolívia conseguirá firmar sua liderança entre os países emergentes? Potências como Estados Unidos e China voltarão a costurar um próprio acordo próprio? Ainda resta um longo caminho até a COP16.

Eleições podem provocar aumento das Emissões de GEE

por Laércio Bruno Filho
Caros leitores;


Em ano de eleição os políticos vem á publico, mais do que nunca, para apresentar suas fantásticas propostas e maravilhosas performances.

O tema socioambiental recentemente adicionado à pauta da discussão pela Senadora Marina Silva trouxe à corrida presidencial um perfil mais esverdeado. E alguns candidatos se tornarão mais e mais verdes ao longo deste processo.

Mas qual foi o candidato que mencionou até agora que vai compensar suas emissões? Qual deles disse que usará menos avião ou carro em prol de conter suas emissões de CO2, contribuindo assim para o controle do Aquecimento Global?

Ao encontrarem a resposta percebam a importância dada ao tema.

Ouvi recentemente de um competente técnico do MMA que dizia ” ...todos falam muito dos impactos gerados pelo desmatamento na Amazônia, no Cerrado, Aquecimento Global..., enfim grandes questões. Mas e as pequenas questões? Aquelas que podem ser feitas pelas parcelas da população? Estariam relegadas ao segundo plano, como se fossem menos importantes?”.

E é verdade.
Vamos acompanhar para ver qual dos candidatos mencionará sobre a redução ou gestão de suas emissões de GEE geradas durante a campanha.
Será que farão inventarios e plantarão arvores? Ou adotarão ações de mitigação ao longo do processo?

Vamos ver até onde os candidatos trabalharão sobre o tema da Sustentabilidade para amealhar votos.
E o que isso trará de beneficio concreto!

Projeto auxilia a mapear emissões de GEE

Por Neuza Árbocz (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves

Tradicionalmente, preço e qualidade definiam uma decisão de compra. Hoje, contudo, pressionadas por novas regulamentações, por investidores e por uma parcela mais consciente de executivos e consumidores, muitas corporações também investem em conhecer e reduzir sua “pegada de carbono”, ação que já expandem também para seus fornecedores.

“No Reino Unido, esse dado já é tão importante [para a efetivação de um negócio] quanto o valor cobrado”, esclareceu Simone Oliveira Zahran, diretora no Brasil do Carbon Disclosure Project (CDP), uma iniciativa que auxilia empresas de todo o mundo a mapear as emissões de gases de efeito estufa (GEE) decorrentes de suas atividades.

Isso significa que não basta uma companhia oferecer a melhor qualidade pelo melhor preço, pois os compradores também avaliam, cada vez mais, quais impactos ambientais ela causou durante seu processo de produção e se ela tem uma postura responsável de redução e compensação dos mesmos.

“Os fornecedores de transporte para o Walmart, por exemplo, ao serem convidados a levantar e divulgar os dados de suas emissões por meio do questionário do CDP, perceberam oportunidades para reduzir suas emissões e foram os primeiros a fazê-lo. Com isso, abarcaram mais mercado de forma pioneira”, exemplificou a diretora, durante encontro com empresas realizado no dia 11 de fevereiro, na sede do Instituto Ethos, em São Paulo, para esclarecer como o CDP funciona.

“Ter uma gestão sustentável é cada vez mais estratégico”, comentou na ocasião Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos. Itacarambi vem conduzindo a estruturação do plano de ação da instituição para os próximos 10 anos e explicou que o Ethos priorizará trabalhar com as empresas em suas cadeias de valor. “Queremos que as mudanças climáticas, a redução de emissões e a produção sustentável se desenvolvam na cadeia inteira, num processo igual ao que ocorreu com o controle de qualidade”, acrescentou.

De fato, para conhecer, mitigar e compensar suas emissões diretas e indiretas, uma empresa precisa também saber quanto de emissões realizaram seus fornecedores ao atender seus pedidos. Essa medição só se torna efetiva com uma metodologia unificada, possibilitando comparar os dados e eliminar contagem duplicada. “Hoje, o CDP, em oito anos de trabalho contínuo, é a maior base de dados sobre as emissões de gases de efeito estufa pelo setor produtivo, no mundo todo”, salientou Simone Zahran.

As vantagens para as empresas participantes são conhecer seus dados por meio de metodologias consagradas e integrá-los nessa base comum, ampliando sua possibilidade de interação, troca de informação e divulgação de compromissos e conquistas em adequação e melhorias. Um fator essencial tanto para manter como para atrair novos investidores.

Muito além do carbono
Emitir carbono é um ato natural de toda a vida orgânica no planeta. Na realidade, essa emissão é que forma as condições atmosféricas para a existência de plantas e animais na Terra, inclusive do bicho homem. A expressão “emitir carbono” é uma simplificação da emissão de gases como o CO2 (produzido pela respiração vegetal e animal), o metano (produzido pela decomposição de qualquer material orgânico, desde frutas e verduras até árvores e os próprios corpos humanos) e o óxido nitroso (produzido pelos mares e florestas), entre outros. Esses gases retêm os raios infravermelhos e se aquecem, gerando o chamado “efeito estufa”. Sem ele, a temperatura média na Terra seria em torno de –15° C e não existiria água na forma líquida nem vida.

Esse processo natural, contudo, recebeu um reforço inesperado das atividades humanas, desde a revolução industrial, com a extensa queima de florestas e de combustíveis fósseis, e com a produção de elementos estranhos à natureza, como os clorofluorcarbonos (CFCs), entre outros poluentes. O planeta procura se adaptar como pode. Árvores, plantas e plânctons absorvem mais e mais CO2 tentando compensar sua hiperemissão. Mas, dado o ritmo crescente, intenso e acelerado das intervenções humanas, os ciclos naturais não conseguem se reequilibrar, a ponto de impedir mudanças de alto impacto, como temperaturas extremas, tempestades e derretimento de calotas polares.

Depois de alguma polêmica quanto ao papel humano nessas mudanças, cerca de 2.500 cientistas reunidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para análises aprofundadas no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concordaram que estamos mesmo afetando o refinado balanço de trocas responsável pela vida nesta pequena parte do universo que nos serve de casa.

As mudanças climáticas já estão tão aceleradas que nem é mais preciso se debruçar sobre números, tabelas e dados para concluir que a poluição gerada está, de fato, voltando-se contra nós mesmos. Todos somos responsáveis por entender e alterar os efeitos daquilo que produzimos, consumimos e descartamos. E fazê-lo abertamente, utilizando uma plataforma comum, pode nos economizar um tempo precioso, que se refletirá em melhor eficácia para lidarmos com os desafios à frente.

Transparência recompensada
“Os investidores querem contemplar empresas ativas nesse processo”, testemunhou Simone Zahran, com a segurança de quem representa 534 dos maiores compradores mundiais de ações. Este é o número de bancos, seguradoras e fundos de investimentos signatários do Carbon Disclosure Project, que, como o nome diz, trabalha para o registro e a divulgação pública das emissões de cada setor e de cada corporação.

Em nome de seus signatários, o CDP convida empresas a preencher questionários sobre suas emissões, informando-as que este é um pedido dos seus próprios acionistas. Ao receber a solicitação, as empresas podem declinar, responder de forma restrita (acessível apenas aos solicitantes) ou responder de forma aberta a todos. Sua resposta é divulgada no relatório anual do CDP, conforme sua opção. Os dados de quem responde em privado também são computados nos documentos gerados, estabelecendo o quadro geral das emissões no mundo e o planejamento de sua mitigação.

Ainda há receio quanto ao relato público por se tratar de uma questão pouco compreendida. Contudo, as empresas que abraçaram esse compromisso têm colhido bons frutos. Lincoln C. Fernandes, da área de Responsabilidade Socioambiental do Bradesco, por exemplo, explicou que, com a adesão ao CDP e a divulgação em aberto, a empresa tem avançado no engajamento pela sustentabilidade, tanto interno quanto externo. O banco está obtendo informações mais precisas e melhor compreensão entre seus funcionários e fornecedores do que são emissões, suas origens e que riscos socioambientais suas atividades envolvem, o que resulta em melhores resultados na aplicação de soluções construídas de forma participativa.

Além disso, o banco se beneficia de treinamentos oferecidos pelo CDP e de uma útil troca de práticas com outras empresas e com seus próprios fornecedores. Outro ponto positivo é o ganho em imagem e reputação, sobretudo no mercado externo. “Integramos o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, e iniciativas como o preenchimento dos questionários do CDP são valorizadas na avaliação internacional”, comentou Fernandes.

O Bradesco aderiu ao CDP desde o início de das atividades do projeto no Brasil, em 2006.



Brasil na liderança
As empresas brasileiras surpreendem positivamente na adesão ao projeto. O Brasil é o segundo país em número de participantes, ficando atrás apenas do Reino Unido, onde a inciativa começou. Em 2009, 77,5% das empresas brasileiras convidadas responderam à solicitação do CDP.

Graças à recepção positiva no Brasil, o CDP estendeu sua atuação para Argentina, Chile, México e Peru, e planeja alcançar o Uruguai, a Colômbia e a Bolívia em 2011. “Fomos pioneiros. Agora, temos a chance de sermos líderes nesse processo, pois, além de termos melhores informações antes, nossa matriz energética é mais limpa e podemos sair à frente na adoção e difusão de melhores práticas e soluções”, analisou João Gilberto Azevedo, da área de Desenvolvimento e Orientação do Instituto Ethos.

Outros relatórios estão sendo elaborados, como o Water Disclosure – no Brasil, a Vale e a Petrobrás já foram convidadas a integrá-lo – e o Forest Disclosure. “O objetivo final é proteger a vida no planeta”, salientou Simone Zahran, lembrando que o prazo para inscrever-se no CDP Supply Chain vai até 15 de março, com fornecimento das respostas até 31 de julho.

Para saber mais:
• Carbon Disclosure Project;
• Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC);
• IPCC – Efeito Estufa;
• GHG Protocol (o protocolo mais utilizado para a medição das emissões);
• O Que É Efeito Estufa (Química Ambiental da USP).

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