Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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COP-16: É preciso mudar o sistema e não o clima

Data: 16/12/2010

Por: Redação TN / IHU On-Line
Presente na 16º Conferência do Clima, que ocorreu em Cancún, Ivo Poletto conversou com a IHU On-Line assim que chegou ao Brasil. Ele fala sobre os bastidores da COP-16, das principais reivindicações e diz que, de certa forma, este encontro foi melhor do que o ocorrido no ano passado em Copenhague. Ivo Poletto é assessor de pastorais e movimentos sociais. Trabalhou durante os dois primeiros anos do governo Lula como assessor do Programa Fome Zero e foi o primeiro secretário-executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Autor, entre outros, do livro Brasil, oportunidades perdidas: Meus dois anos no governo Lula (Rio de Janeiro: Garamond, 2005), é cientista social e educador popular.

“No evento em que se tratou da miséria, escutamos os companheiros dos vários países. Estes narraram os eventos extremos das mudanças climáticas em seus países. Eles trouxeram o testemunho sobre enchentes enormes, grandes quantidades de chuva em pouco tempo, períodos de seca intensos. São situações que causam um desastre social e da biodiversidade imenso, causando muito sofrimento. Por isso mesmo há um sentimento crescente de que temos que chegar a acordos o mais urgentemente possível”, analisou.

Confira a entrevista.
– O senhor esteve em Cancún acompanhando a COP-16 a convite de quem e com que propósito?

Ivo Poletto – Nós estávamos participando de um evento organizado por uma entidade da Igreja Católica alemã de solidariedade internacional. Ela apoia, há muito tempo, iniciativas sociais ligadas às pastorais e movimentos sociais, aqui no Brasil, da América Latina, na África, na Ásia. Junto a outras unidades de solidariedade, ela resolveu chamar algumas pessoas ligadas da América Latina para realizarmos, em Cancún, um seminário durante a COP-16. Desta forma, conseguimos, ao mesmo tempo, participar de vários espaços que existiram durante a realização da COP-16.

– Como se deu a dinâmica das conferências paralelas à COP-16?
Ivo Poletto – Pelo lado mais institucional, nós tínhamos a Conferência do Clima que é a 16ª e ela aconteceu num grande hotel de Cancún. Participaram deste evento representantes dos governos, negociadores das entidades da ONU e também representantes de ONG’s. Antes de chegar nesse espaço oficial da COP-16, havia um outro espaço localizado num grande salão de eventos. Ali que se faziam as inscrições para o encontro e também era o local onde havia material disponível de tudo quanto é iniciativa ligada ao clima, tais como: iniciativas de países, de ONG’s, de empresas, inclusive brasileiras.

Países fecham acordo e cúpula do clima surpreende

Reunião termina com a criação de Fundo Verde e de mecanismo de compensação financeira para quem preservar suas florestas
12 de dezembro de 2010
0h 00
 Afra Balazina - O Estado de S.Paulo

Com protestos da Bolívia, os quase 200 países reunidos na Conferência do Clima da ONU (COP-16), em Cancún, no México, aprovaram no encerramento da reunião, na madrugada de ontem, um pacote para combater o aquecimento global no mundo.

Entre as decisões está a criação de um Fundo Verde para permitir que os países em desenvolvimento recebam recursos das nações industrializadas para poderem reduzir suas emissões de CO2. Também foi estabelecido o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), relevante para países com florestas, como o Brasil. Por meio dele, pode haver a compensação financeira para quem mantiver suas matas.

As medidas não têm a ambição considerada necessária para resolver o problema. O resultado, porém, foi visto como importante para a manutenção das negociações multilaterais e como um passo fundamental em direção ao fechamento de um acordo com valor jurídico no futuro.

Para a Bolívia, porém, as decisões do chamado Acordo de Cancún representam um recuo em vez de um avanço. O embaixador Pablo Solón, representante boliviano, declarou que as medidas permitirão um aumento da temperatura de até 4º C - os cientistas avaliam que para evitar os perigos das mudanças climáticas é necessário limitar a elevação a 2ºC. Solón tentou bloquear a adoção do acordo ao alegar falta de consenso.

"Consenso não significa unanimidade", respondeu Patrícia Espinosa, presidente da COP-16 e ministra das Relações Exteriores do México. E bateu o martelo, anunciando a decisão de adotar o acordo.

Fantasma. As expectativas para a reunião no México estavam baixas depois do fracasso em 2009, em Copenhague. Há tempos que se falava em obter um pacote de decisões e não se esperava que houvesse um acordo legalmente vinculante em Cancún - o que deveria ter ocorrido na COP-15. Ainda não se sabe se será possível alcançar o tratado com valor jurídico na COP-17, em Durban, África do Sul.

A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, deu 7,5 de nota para a conclusão alcançada e classificou o documento como "equilibrado, embora não seja perfeito". Ela gostaria que tivesse sido definido o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, o que não ocorreu. O primeiro período se encerra em 2012. "Mas temos de entender que tudo tem um momento", disse.

Os países concordaram, porém, em evitar uma interrupção das metas de corte de emissões de gases-estufa. Ou seja, as nações precisam definir antes de 2012 a adoção de novas metas.

O ambiente no hotel Moon Palace, sede da COP-16, era muito menos tenso que o do Bella Center, em Copenhague, em 2009. Houve poucos protestos e a presidente da COP-16 foi ovacionada algumas vezes na última madrugada de negociações.

Além de ter sido aplaudida de pé pelos representantes dos países, foi elogiada insistentemente pela forma como conduziu o processo. Ela tomou extremo cuidado para que a negociação acontecesse da forma mais transparente possível, para evitar a falta de confiança entre os países observada no ano passado, quando vários textos secretos circulavam e reuniões fechadas entre poucas nações irritavam as que não haviam sido convidadas.

"Graças à boa vontade de vocês, a confiança voltou, a esperança voltou", afirmou o presidente do México, Felipe Calderón, que chegou à reunião às 3h30 e fez um discurso.

Estados Unidos. Geralmente o vilão das negociações climáticas - por não ter ratificado o Protocolo de Kyoto e ser o maior emissor histórico de gases-estufa do mundo -, os Estados Unidos foram aplaudidos ontem quando Todd Stern, enviado especial do país para a mudança climática, afirmou na plenária: "Vamos fazer esse acordo". A China, que é a maior emissora atual de CO2, também apoiou o documento e disse que continuará o esforço para o desenvolvimento limpo.

Connie Hedegaard, comissária da União Europeia para clima, contou que tinha medo de que nada fosse feito. "Podemos ter orgulho do que conseguimos, mas temos muitos desafios no caminho para a África do Sul", disse Connie.

NEGOCIADORES

Pessoas que se destacaram durante a conferência:

Patricia Espinosa
Presidente da COP-16, é ministra das Relações Exteriores do México. Ovacionada pelos representantes dos países três vezes na sexta, foi chamada "transparente". A forma como conduziu a reunião foi muito elogiada.

Christiana Figueres
A costa-riquenha é a secretária executiva da convenção. Teve participação discreta, se comparada ao antecessor, Yvo de Boer. Chamou menos a atenção e falou pouco com a imprensa.

Pablo Solón
Embaixador da Bolívia, é figura polêmica. Foi vaiado em uma plenária, bloqueou as negociações. É adepto do tudo ou nada.

Jairam Ramesh
O ministro indiano do Meio Ambiente parecia um astro pop, sempre cercado de jornalistas. Ganhou a simpatia dos EUA, Japão e Europa por sua liderança entre os países emergentes.

PARA ENTENDER
1.Limite de temperatura
O documento assinado na COP-16 reconhece a necessidade de cortar as emissões para limitar a elevação da temperatura a 2° C. Também diz que deve ser feita uma revisão desse objetivo para que o limite seja reduzido a 1,5° C. A análise deve começar em 2013 e ser concluída em 2015.

2.Fundo Verde
O texto cria o Fundo Verde, que será administrado pela Organização das Nações Unidas. O tesoureiro interino será o Banco Mundial, por um período de pelo menos três anos.

3.Financiamento de curto prazo
No chamado Fast Start Finance, os países desenvolvidos deverão desembolsar US$ 30 bilhões até 2012. Os recursos serão divididos em mitigação (corte de emissões) e adaptação (para os países se prepararem para as alterações climáticas). A prioridade dos recursos será para países mais vulneráveis, como as nações-ilhas e a África.

4.Financiamento de longo prazo
O documento reconhece que os países industrializados têm de mobilizar US$ 100 bilhões ao ano até 2020 para atender as necessidades dos países em desenvolvimento.

5.Desmatamento
Estabelece o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), que visa compensar os países emergentes que preservam suas florestas.

Acre apresenta propostas para Incentivos a Serviços Ambientais

10 de dezembro de 2010
Portal Amazônia com informações do Página 20
RIO BRANCO - A Confederação das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Cancún, México, se encerra hoje (10). O evento reuniu delegados de mais de 190 países e representantes de ONGs internacionais para debater questões ambientais e ações integradas de combate ao aquecimento global, entre os participantes, estavam a Senadora Marina Silva do Acre.

Os secretários de Estado Meio Ambiente, Eufran Amaral, e de Governo, Fábio Vaz, participam do encontro e, ao lado da senadora acreana Marina Silva e pesquisadores como Foster Brown, levaram a mensagem do Acre para o resto do mundo.

O Estado do Acre apresentou sua experiência na elaboração da Lei que cria o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais e também mostrou como está usando os padrões sócio-ambientais para implementação do programa e do sistema.

A COP-16 é o maior evento do mundo em prol das florestas e do desenvolvimento sustentável. A abertura da Conferência contou com a presença do presidente do México, Felipe Calderon Inojosa.

Em uma das reuniões do encontro, com a presença do pesquisador do Instituto Canergie, Dr. Greg Asner, foi discutida a definição de cooperação técnica para estimativa de Carbono com uma nova tecnologia que utiliza Laser Aerotransportado (LiDAR) para mensuração de estoques florestais e monitoramento de degradação floresta, estudo já em execução no Departamento de Madre de Dios, no Peru, e que será integrado com áreas prioritárias no Estado do Acre.

“Estes trabalhos serão realizados em cooperação com a Universidade Federal do Acre e a Universidade Federal de Viçosa e serão a base de informações para a construção de um sistema de monitoramento de estoque e fluxos de carbono no Acre”, explica o cientista Foster Brown que integra a comitiva acreana.

O Estado do Acre foi ainda responsável por um dos encontros durante a COP-16. Participaram da reunião representantes de diversas instituições, como Fundação Moore, BIRD, Bolsa de Valores de São Paulo, Governo de Campeche-México, Governo da República Democrática do Congo, Ministério do Meio Ambiente, entre outros.

Sobre o evento
A abertura do encontro foi realizada pelo representante da entidade anfitriã, Steve Schwartzman, que enfatizou o protagonismo do Acre na construção de políticas públicas socioambientais e a importância das lutas de Chico Mendes.

“O evento foi uma demonstração da liderança do Acre nos governos subnacionais na criação de uma economia florestal sustentável. Particularmente interessante a participação de diversos governos que ressalta a importância que a comunidade internacional está demonstrando a esta iniciativa do Estado”, afirmou Eufran.

Em seguida o Secretário de Governo Fábio Vaz falou das etapas do encontro e apresentou vídeo do Governador Binho Marques e do Senador Tião Viana para todos os participantes e agradecimentos pelo apoio às iniciativas do Acre. Eufran Amaral apresentou a evolução das Políticas de Desenvolvimento Sustentável do Acre com ênfase para a legislação do Sistema Estadual de Serviços Ambientais.

“O Acre, ao estruturar e construir de forma participativa o SISA, demonstra que é perfeitamente possível integrar melhoria de qualidade de vida, serviços ambientais e desenvolvimento econômico e se coloca na vanguarda para contribuir com outros Estados para a construção de sistemas subnacionais e está pronto para integrar o sistema nacional e de marcos regulatórios internacionais”.

Fechando o evento, a senadora acreana Marina Silva fez uma apresentação onde apontou a importância do agir para superar os desafios das mudanças climáticas. “Temos que ter visão, processos e estrutura. A visão já temos: a ideia de florestania que construímos há mais de 30 anos com início da luta de Chico Mendes. A estrutura temos agora a lei do SISA aprovado pela assembleia do Acre e os mecanismos inovadores de financiamento e valoração da floresta apresentado hoje. A comunidade mundial precisa fazer um encontro entre a ecologia e a economia e a proposta do Acre sinaliza para este caminho”. (NS)

COP-16: Suruís lançam primeiro fundo de carbono indígena

Publicado em dezembro 8, 2010 by HC
Associação Metareilá dos Povos Indígenas Suruí lança em Cancún o primeiro fundo de carbono indígena, mecanismo financeiro criado e administrado pelo Funbio para a conservação da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, e o fortalecimento cultural de seu povo. São parceiros da iniciativa a ACT Brasil, o Forest Trends, o Idesam e a Kanindé.

Apesar do pessimismo mundial frente à falta de acordos e compromissos dos países com o clima mundial, que antecedeu à 16° Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-16), em Cancún (México), algumas organizações não governamentais e entidades brasileiras vêem no evento uma excelente oportunidade de apresentar projetos de melhoria e soluções sustentáveis ao meio ambiente.

A Equipe de Conservação da Amazônia (ACT Brasil), a Forest Trends, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Susutentável do Amazonas (Idesam), o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e a Associação de Defesa Etnoambiental (Kanindé), juntos com a Associação Metareilá dos Povos Indígenas Suruí lançaram na última sexta (3) o Fundo Carbono Suruí, projeto de desenvolvimento sustentável e fortalecimento cultural aos povos da Terra Indígena Sete de Setembro (RO).

A iniciativa faz parte do Projeto Carbono Suruí, desenvolvido desde 2007 pelas organizações, que tem por objetivo financiar atividades de proteção, fiscalização, produção sustentável e melhoria da capacidade local dos indígenas, a partir da comercialização de créditos de carbono. Como resultado espera-se a conservação ambiental e o fortalecimento cultural.

A criação do Fundo, feita por sugestão dos indígenas, permite o início da comercialização dos créditos e consequente benefícios às comunidades Suruís. Os indígenas serão os responsáveis pela gestão financeira e implantação do Plano de Gestão da Terra Indígena Sete de Setembro. Os recursos obtidos pela venda dos créditos de carbono e os provenientes de outras fontes serão parte integrantes do Fundo Suruí.

“É importante ressaltar que todo recurso financeiro obtido pelo projeto com a venda dos créditos de carbono será revertido para o povo Suruí e para a implementação do projeto. As organizações parceiras somente dão suporte técnico à realização do Carbono Suruí”, explica Ângelo Santos, coordenador de Mudanças Climáticas e Energia Limpa do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), responsável pelo desenho e desenvolvimento do Fundo Suruí e que também capacitará a comunidade para a implantação desse mecanismo.

O projeto utiliza duas formas de compensação de carbono de maior relevância: o desmatamento evitado e conservação por estoques de carbono, medido pela Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+); e o seqüestro de carbono, a partir do reflorestamento. “O lançamento do Fundo na COP-16 é muito propício no atual cenário mundial, ainda mais quando grande parte das discussões abordarão a implementação do REDD+ no Brasil e no mundo”, avalia Vasco van Roosmalen, presidente da Equipe de Conservação da Amazônia (ACT Brasil).

De acordo com o coordenador da Metareilá, Almir Suruí, o pagamento por serviços ambientais, especialmente a comercialização de créditos de carbono, representa uma alternativa nova e promissora para o povo Suruí. “Essa é a peça-chave do projeto que desde o seu início primou por um procedimento voltado à necessidade da comunidade Suruí de se apropriar dos conceitos e técnicas utilizados no mercado de carbono. Uma opção a mais para trazer novos rumos à gestão etnoambiental das terras indígenas”, avalia.

Floresta Suruí em 3D
Além do lançamento do Fundo, Cancún foi palco da apresentação, junto ao Google Earth, do novo projeto Floresta Suruí em 3D, a partir da nova tecnologia 6.0. O objetivo é possibilitar ao usuário um tour tridimensional pela Terra Indígena Sete de Setembro a partir da recriação precisa de plantas e animais pertencentes à fauna e flora da região. Atualmente, o programa permite que o usuário localize na internet o território indígena e, por meio de ícones, obtenha informações a respeito dos costumes, das matas, dos rios, das estradas de terra, dos conflitos e dos desmatamentos que acontecem dentro da terra.

“Estamos nos preparando para o futuro. Cada vez mais queremos dialogar com o mundo. A tecnologia nos ajuda a fortalecer parcerias e a divulgar nossa cultura e atividades”, garante Almir Suruí.

As informações foram disponibilizadas na internet por meio do trabalho de mapeamento cultural, desenvolvido pela ACT Brasil. O presidente do órgão, Vasco van Roosmalen, destaca que o projeto do Google Earth é uma prova de que os índios estão buscando ferramentas tecnológicas para fortalecer seus valores socioculturais tradicionais. “A identificação de desmatamentos por essa tecnologia tem mostrado que a retirada de madeiras do território Suruí diminuiu consideravelmente. Dessa forma, vemos que a parceria vem sendo decisiva na proteção das florestas dos Suruí”, afirma.

Fonte: Fundo Brasileiro para a Biodiversidade
EcoDebate, 08/12/2010

Ministra Izabella Teixeira se diz otimista com negociação na COP 16

'Tenha a sensação de Nagoya', disse, lembrando reunião que deu resultado.
Ban-ki Moon espera que conferência avance para um 'amplo acordo'.
Dennis Barbosa
Do G1, em Cancún
"Tenho a mesma sensação que tinha durante o processo de Nagoya, e tivemos resultados", disse, referindo-se à negociação sobre biodiversidade ocorrida na cidade japonesa em outubro, quando surpreendentemente foi aprovado um pacote de medidas para frear a destruição da variedade de espécies, incluindo um protocolo internacional de regras sobre o uso de recursos genéticos.

"Hoje estou otimista. Acredito que possamos chegar a novos arranjos. Mas há desafios, claro, do contrário a presidência não nos teria chamado", comentou Izabella Teixeira.

A chanceler mexicana Patricia Espinosa, que preside a COP 16, pediu que Brasil e Reino Unido discutissem com os outros países envolvidos formas de superar o impasse em relação a um prolongamento do Protocolo de Kyoto. Ela pediu a outros pares de nações desenvolvidas e em desenvolvimento - como Suécia e Granada, ou Espanha e Argélia - que busquem soluções para outros gargalos da conferência.

Secretário-geral
Ban Ki-moon, ao centro, com a secretária para Mudanças Climáticas da ONU, Christiana Figueres, à sua esquerda. (Foto: Dennis Barbosa/G1)O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também se juntou aos negociadores do clima no México e acompanha as discussões. "Não há solução mágica para as mudanças climáticas", disse a jornalistas, acrescentando esperar que Cancún resulte num "amplo acordo".

Ele destacou que a proteção das florestas, a adaptação às mudanças climáticas nos países pobres, a transferência de tecnologias, o financiamento dos países em desenvolvimento e uma decisão a respeito do Protocolo de Kyoto, devem ser prioritários nas negociações.

Um dos pontos mais complicados da COP 16 é a discussão sobre a continuidade do protocolo. O Japão já disse que é contra. Aprovado em 1997, trata-se do único instrumento legalmente vinculante (de cumprimento obrigatório), em que países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases causadores de efeito estufa. Como ele expira em 2012 e não há um acordo para substituí-lo, discute-se que seja prorrogado, para que não haja um período sem acordo algum.

"O Protocolo de Kyoto é o unico legalmente vinculante para reduzir emissões que temos no momento. Espero que aqui em Cancún façam progresso, mesmo que não cheguem a um acordo final (sobre o protocolo)", disse Ban Ki-moon.

Banco de desenvolvimento alemão fez doação para projeto de combate ao desmatamento da Amazônia

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún
07/12/2010 18:11
Compartilhar: Tweet Facebook A ministra Izabella Teixeira assinou hoje (7) , em Cancún, o contrato de R$ 54 milhões para o fundo da Amazônia com o banco de desenvolvimento alemão (KFW). O fundo será destinado para projetos de combate ao desmatamento em áreas da Amazônia maiores que a Alemanha e o Reino Unido juntos.

“Eu sou uma mulher prática, vamos trabalhar mais e vamos gastar mais dinheiro”, disse a ministra a Gudun Kopp, ministra alemã de cooperação econômica, responsável pela doação.

O projeto administrado pelo BNDES é considerado uma das primeiras iniciativas do REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação de florestas). Tem no total 13 projetos aprovados e investimentos de R$ 189 milhões. O primeiro contrato assinado foi com a Noruega, que vai fazer doações totais de R$ 1,7 bilhão até 2015.

“Este é um fundo diferente, primeiro diminuímos o desmatamento e depois ganhamos o dinheiro”, disse Izabella. A ministra afirmou que outros países estão em negociações para que mais doações sejam destinadas ao fundo.

A ministra destacou que é preciso aproximar a relação entre os países da América do Sul. “Temos que trabalhar com nossos vizinhos para reduzir o desmatamento”, disse

Cancún, negociações intensas

COP 16 7 de dezembro de 2010 às 10:46h

Por Milton Nogueira
Nesta terça-feira 7 começa o ciclo em que presidentes e primeiros-ministros de vários países se reunirão para decidir sobre as minutas preparadas até hoje. As negociações não caminham para o fracasso, como dizem alguns jornais, mas seguem como meras negociações, com muito de “posar de galo (posturing)” e tomá-lá-dá-cá. Hoje aumentou o senso de urgência, advinda dos inúmeros testemunhos de países sobre seus casos de onda de calor, enchentes, furacões, derretimento, insegurança alimentar, migrações, identificados em todo o mundo. Há uma esperança desse susto geral levar os líderes mundiais a se porem de acordo sobre coisas setoriais. Como nos exemplos abaixo.

-Prorrogação do Protocolo de Kyoto, isto é, para continuar valendo o mercado de carbono, do qual o Brasil é um grande beneficiário

-Um acordo para compensação por manter florestas em pé, que já está discutido e pronto para ser levado ao plenário, para adoção

-Transferência de tecnologias climáticas, especialmente para adaptação em países mais vulneráveis; também já foi discutido em detalhes

Há, no entanto, vários itens sob controverso debate.

-A própria reformulação do PK

-A criação do imposto do carbono

-Fixação de metas para países em desenvolvimento, grandes emissores tais como China, Índia, Brasil, África do Sul e outros

-Financiamento do Fundo Climático Mundial

-Proteção da Amazônia, a noiva linda e rica do movimento ambientalista mundial. Lamentavelmente, ninguém quer namorar o cerrado

As barracas de entidades empresariais mundiais, de Ongs, de povos aborígines, de universidades continuam lindíssimas, com ideias para diminuírem emissões sem diminuir o conforto e a qualidade de vida. Várias prefeituras enviaram mostras de como elas já veem fazendo para diminuir o desperdício no automóvel, realinhamento de prioridades urbanas e participação de cidadãos. Porto Alegre e Curitiba são citados.

Cientistas, em eventos que entopem salas, berram sobre a deterioração de geleiras, solos, pescas, rios, oceanos e ar. As Ongs do carvão mineral e do petróleo, por outro lado, se escondem no fim do corredor, como o gato que acabou de engolir o canário

Conferência do Clima da ONU entra na segunda semana de negociações

Acordo em Cancún é 'factível', avalia negociador-chefe brasileiro.
Impasse sobre Protocolo de Kyoto segue no centro das atenções.

Dennis Barbosa
A Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 16) entra em sua segunda e derradeira semana em Cancún, no México, quando tem início o chamado "segmento de alto nível”, do qual participam ministros e chefes de Estado, que já começaram a chegar ao balneário mexicano.

O enviado especial para Mudanças Climáticas dos EUA, Todd Stern, por exemplo, chegou na sexta-feira e adiantou sua participação na conferência, falando a jornalistas logo após pousar em Cancún. Ele reiterou a posição americana de chegar a um “pacote balanceado”, deixando claro que não aprova que alguma linha de negociação avance sem outras. “Não há maçãs em galhos mais baixos nesse caso”, comparou.

Menina olha exposição sobre aquecimento global na Vila da Mudança Climática, espaço montado pelo governo mexicano para visitação pública em Cancún, durante a COP 16. (Foto: AFP)Proposta

Neste sábado (4), a presidência de uma das linhas de negociação, a que pretende formular um acordo climático amplo, incluindo reduções de emissões de países pobres e ricos, entre outros objetivos (a outra linha é a que negocia no âmbito do Protocolo de Kyoto), apresentou um texto com “possíveis elementos” de um acordo, um documento sem valor formal, mas que pode servir de base para o avanço das negociações.

Estande do Brasil está entre maiores da Conferência do Clima da ONUCidades respondem por 80% das emissões de carbono, aponta Bird'Punhado de países' está bloqueando a renovação de Kyoto, denuncia Alba“É útil ter uma visão da presidência de como resolver itens difíceis”, comentou o negociador-chefe brasileiro, embaixador Luiz Alberto Figueiredo. “Minha expectativa era de que teríamos uma imagem mais clara do possível formato”, comentou em seguida. Figueiredo disse acreditar que “há um esforço genuíno de todos os países em se comprometer”. “Só esperávamos que os compromissos de alguns países estivessem num estágio mais avançado”, acrescentou.

“Esperamos que até terça-feira haja suficiente material para fechar um acordo nos dias subsequentes. É o que espero, e exigirá trabalho muito duro, um período muito comprometido, mas acho que é factível”, concluiu

Protocolo de Kyoto
Continua em aberto o que será feito em relação ao Protocolo de Kyoto. O G77 + China, grupo que congrega o gigante asiático e nações em desenvolvimento, como o Brasil, insiste que o Protocolo de Kyoto, único tratado vinculante (de cumprimento obrigatório) de redução de emissões que existe atualmente, deve ter um segundo período após 2012, quando expira.

Alguns países desenvolvidos que o assinaram, no entanto, não pretendem voltar a se comprometer sob esse acordo. O Japão liderou o movimento ao anunciar expressamente que não vê sentido na renovação de Kyoto, já que ele não obriga China e Estados Unidos a reduções de suas emissões de gases estufa.

Representantes da Alba (bloco que inclui Venezuela, Nicarágua, Cuba, Bolívia, Dominica, Equador, Antigua e Barbuda e São Vicente e Granadinas) disseram à imprensa nesta sexta-feira (3), na Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP 16) que há um “punhado de países, que não são nem cinco” que estão bloqueando a aprovação de uma segunda etapa para o Protocolo de Kyoto.

Apenas o Japão assumiu abertamente que é contra a continuidade do protocolo. Especula-se que Rússia, Austrália e Canadá sejam os outros. Aprovado em 1997, o Protocolo é o único instrumento legalmente vinculante (de cumprimento obrigatório), em que países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases causadores de efeito estufa. Como ele expira em 2012 e não há um acordo para substituí-lo, discute-se que seja prorrogado, para que não haja um período sem acordo algum.

COP16 tem a missão de revitalizar luta climática

29/11/2010 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais
Depois de um ano de poucos avanços desde a Conferência do Clima de Copenhague, as delegações dos quase 200 países presentes em Cancún irão buscar objetivos modestos, porém concretos, e um novo fôlego para as negociações

Um encontro que será marcado pela disputa entre Estados Unidos e China, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa, a 16ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP16) começou nesta segunda-feira (29) e vai até 10 de dezembro e deverá ser considerada bem sucedida se conseguir retomar o ímpeto na luta climática que existia antes da Conferência de Copenhague (COP 15) em 2009.

Para isso, os negociadores dos 194 países reunidos em Cancún devem buscar uma série de objetivos modestos, como ferramentas de financiamento e um rascunho do futuro acordo global (que poderá ser uma extensão e ampliação do Protocolo de Quioto) que limite as emissões para ser aprovado na África do Sul em 2011.

Os diplomatas mexicanos trabalharam por meses para reduzir o número de tópicos a serem discutidos, numa tentativa de evitar o erro de Copenhague onde a grande variedade de assuntos acabou resultando em poucos avanços.

“Os mexicanos fizeram um excelente trabalho. Os negociadores irão chegar e já poderão arregaçar as mangas e começar a trabalhar”, afirmou Chris Huhne, secretário de energia e mudanças climáticas do Reino Unido.

Quase 25 mil participantes são esperados e o evento começará com um discurso de boas-vindas do presidente mexicano, Felipe Calderón. A ministra de Relações Exteriores do México, Patrícia Espinosa, presidirá os trabalhos da conferência à qual assistirão organizações civis e sociais, funcionários da ONU e dois mil jornalistas.

A NASA e o Met Office (serviço meteorológico britânico) já anunciaram que 2010 deverá ser o ano mais quente já registrado. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas afirma que o aumento das temperaturas resultará em eventos climáticos extremos mais intensos e frequentes.

Calderón garantiu que em Cancún serão tomadas "decisões sem precedentes" e acordos "inéditos" contra a mudança climática, apesar de descartar acordo global e vinculante.

Quioto
Já que um novo acordo com força de lei está fora dos planos até do presidente do país anfitrião, normalmente a pessoa mais otimista das negociações, um dos maiores objetivos da COP 16 será debater o futuro do Protocolo de Quioto, cujo período de compromissos termina em 2012.

Porém, mesmo as nações que defendem a extensão de Quioto são unânimes ao afirmar que isso só faz sentido com a inclusão dos Estados Unidos e com novas obrigações para as economias em desenvolvimento.

“Continuar Quioto só seria viável se os Estados Unidos ratificasse o Protocolo. Nações como China e Índia também deveriam assumir mais responsabilidades, já que hoje são grandes emissores”, explicou Artur Runge-Metzger, negociador da União Européia.

O Japão também reforça essa visão, ao afirmar em nota que seria “sem importância e até inapropriado” dar continuidade a Quioto sem os principais poluidores do mundo estarem incluídos.

Sem chefes de Estado
Muitos estão dizendo que a conferência está “esvaziada”, já que o número de chefes de Estado que irão prestigiar o evento não deve ultrapassar os 30, enquanto em Copenhague foram 120.

A maior parte dos que estarão em Cancún serão presidentes de países latino americanos ou de nações insulares, que são as mais vulneráveis às mudanças climáticas. O presidente Jacob Zuma, da África do Sul, próxima sede da COP, também marcará presença. O presidente Lula e a candidata eleita Dilma Houseff não deverão ir até o México.

Mas a impressão de que essa pequena presença de personalidades políticas pode representar um fracasso do encontro é falsa. Um dos problemas em Copenhague foi justamente a briga por holofotes e o excesso de debates políticos e não técnicos. Pode ser melhor deixar os negociadores, que dominam a pauta, trabalharem do que ter vários presidentes discursando.

A questão que fica é se esses negociadores serão capazes de alcançar as medidas que podem novamente mobilizar a sociedade no contexto das mudanças climáticas.

Com a pressão mundial, o tão esperado acordo global para o limite das emissões de gases do efeito estufa seria possível em 2011.

Acordo sobre florestas em conferência de Cancún beneficiaria Brasil

Eric Brücher Camara
Da BBC Brasil em Londres

A criação de instrumentos para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação (conhecidos pela sigla REDD) em países em desenvolvimento tem boas chances de ser um dos resultados práticos da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México. Um acordo na área pode significar o aporte de bilhões dólares ao Brasil, com suas vastas reservas florestais.

Se aprovados, instrumentos de REDD+ (o sinal acrescenta a remuneração de atividades que levem a conservação de florestas, manejo sustentável e reforço de estoques de carbono de florestas em países em desenvolvimento) poderiam canalizar este dinheiro de um fundo específico financiado por governos, bem como da iniciativa privada ou mercados de carbono e verbas para mitigação (redução de emissões).

O Brasil tem grande interesse em uma implementação relativamente rápida de REDD, tanto que deve assumir a liderança, ao lado da França, do grupo internacional Parceria REDD – criado neste ano com quase 70 países para viabilizar mecanismos REDD no mundo.

Uma vez aprovada uma estrutura internacional de REDD, o país pode sair na frente por ter mais de 20 projetos pioneiros já em prática.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido seja o projeto Juma, da Fundação Amazonas Sustentável, que já possibilita o sustento de 338 famílias na Reserva de Juma, no Amazonas.

Moeda de troca

Desde a conferência de Copenhague, em 2009, negociadores admitem que as discussões estão em uma fase adiantada, faltando pouco mais que definições de forma no texto.

No entanto, por fazer parte das complexas negociações por um acordo mais abrangente, o tema pode acabar sendo usado como moeda de troca entre os negociadores.

"Os países utilizarão a REDD como peça no jogo de xadrez que gire em volta das outras negociações, principalmente o financiamento e as metas de redução de emissões. De fato um acordo sobre REDD não trará benefícios para o planeta sem um compromisso firme para reduzir as emissões globais", afirmou à BBC Brasil Raja Jarrah, especialista em REDD da organização não-governamental Care International.

"Podem sim fechar um acordo específico sobre REDD em Cancún, mas seria parcial e deixaria muito a desejar."
Sem um mecanismo internacional que norteie as iniciativas florestais, tanto o financiamento quanto a própria estrutura dos projetos ficam indefinidas.

Apesar da grande expectativa por um acordo parcial de REDD, há também quem seja contra o mecanismo. Muitos ativistas temem que projetos REDD acabem levando à expulsão de comunidades indígenas ou nativas de florestas.

Riscos

A ONG Friends of the Earth International considera o mecanismo "perigoso" já que poderia incentivar o agronegócio e o setor madeireiro.

"O estímulo à plantações de árvores é baseado nas falsas promessas de criação de empregos, desenvolvimento sustentável, mitigação de mudanças climáticas e proteção da biodiversidade. Mas testemunhos e estudos de caso (reunidos pela ONG) mostram que plantações têm impactos muito severos sobre a população e a natureza locais", afirmou um dos coordenadores do grupo, Sebastian Valdomir.

Mesmo a Care, que apoia iniciativas REDD em tese, alerta para o risco de uma versão "aguada" do mecanismo.
Os ativistas dizem que no esforço por acomodar interesses distintos durante o encontro de Cancún, corre-se o risco de "nivelar tudo por baixo".

"Tecnicamente seria relativamente fácil encontrar uma forma de palavras que agrade a todos", afirmou Raja Jarrah, acrescentando que elementos importantes poderiam ser deixados de lado, como a obrigação de monitorar salvaguardas sociais e ambientais.

"Aí teríamos um mecanismo que facilita o fluxo de finanças e o negócio de carbono, mas que deixa as populações que dependem da floresta expostos a exploração."

A 16ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas começou na segunda-feira, 29 de novembro, e vai até o dia 10 de dezembro.

Poucos esperam que um acordo abrangente saia do encontro no México. A expectativa é de que representantes de mais de 190 países pavimentem um possível acordo para o encontro de 2011, na África do Sul.

CoP 16 - Press Conference do Brasil

Embaixador Luiz Alberto Figueiredo defende mais definições

Negociador chefe do Brasil na COP-16, Figueiredo afirmou que é preciso avançar rápido na substituição do protocolo de Kyoto
IG - Ultimo Segundo
Maria Fernanda Ziegler, enviada especial a Cancún
30/11/2010 01:03

Mudar o tamanho da letra: A+ A- Compartilhar: Para o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador chefe do Brasil na Conferência do Clima (Cop-16), embora não haja um prazo formal para as decisões sobre a substituição do protocolo de Kyoto, é preciso avançar rápido, caso contrário não haverá nenhuma implementação nem neste, nem nos próximos anos. Uma das grandes discussões da COP-16 é saber que o que será feito quando o protocolo sair de vigência, em 2012.

“Estamos aqui, depois de Copenhague, para andar para frente. Muitos vão dizer que os problemas de Copenhague, como a crise econômica, dificuldades políticas, permanecem e que o cenário não mudou. Mesmo assim, acreditados vamos sair de Cancún com um resultado positivo de adotar ações direcionadas”, disse Figueiredo.

O Protocolo de Kyoto, que estipula metas e prazos para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, vai deixar de valer a partir de 2012. Fato que torna urgente alguma decisão sobre um novo tratado global. De acordo com o embaixador, há duas correntes sobre este assunto. Alguns países defendem que o ideal seria estender as mesmas metas do Protocolo de Kyoto por mais dois anos, enquanto outros acreditam que o melhor seria cruzar os números discutidos no acordo de Copenhague e implementá-lo provisoriamente.

Mesmo com as duas opções, Figueiredo não descarta a possibilidade de o mundo passar por um período sem a vigência de um protocolo que regulamente metas de redução das emissões. “É uma possibilidade real termos um intervalo entre o fim do comprimento do primeiro protocolo de Kyoto e do segundo que ainda está porvir”, disse.

Figueiredo explicou que implementação provisória – medida que permite que a conclusão de uma negociação entre em vigor antes do período de ser ratificada por outras partes - é encarada de maneira diversa entre os países. “Alguns países têm mais dificuldade em aceitar isso do que outros. Não é uma tradição na América Latina, por exemplo, mas é muito comum em países anglo-saxões”.

Boletim de Negociações na CoP 16 em Cancun

Informações adicionais aqui

Os principais temas de negociação durante a COP-16

folha.com

A 16ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU começou nesta segunda-feira (29) em Cancún, no México, com a ambição de dar impulso e credibilidade a difíceis negociações, após a decepção de Copenhague, há um ano.
Tropas do exército e policiais mexicanos, apoiados por três navios de guerra, participam do esquema de segurança em torno ao hotel Moon Palace, um complexo em frente ao mar, onde está sendo realizada a conferência que encerra somente em 10 de dezembro.

Veja a lista dos principais temas na mesa de negociação durante a conferência em Cancún, no México, sobre mudanças climáticas:

1. Redução das emissões de gases de efeito estufa devido ao desmatamento (20% do total) – Cancún pode tornar efetivo o mecanismo Redd+, que consiste em pagar compensações financeiras aos países que reduzirem o desmatamento ou a degradação de suas florestas. A Conferência de Copenhague conseguiu praticamente um acordo, mas faltam questões complexas por definir, como o financiamento deste ambicioso dispositivo.

2. Fundo Verde – Os países industrializados se comprometeram em Copenhague a mobilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para alimentar este fundo, iniciativa do México, destinado aos países mais pobres. Mas sua gestão é objeto de debate: os países em desenvolvimento querem que dependa da ONU, enquanto outros, como Estados Unidos, pedem que goze de maior independência.

3. Fixar os compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa – Segundo o Acordo de Copenhague, os países industrializados e as nações em desenvolvimento submeteram à Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (CMNUCC) seus objetivos e ações em termos de cortes de emissões de CO2 até 2020. Estas promessas não têm caráter vinculativo e a conferência de Cancún deverá buscar uma fórmula jurídica para fixá-las legalmente. Apesar de tudo, as promessas feitas até agora são insuficientes para limitar a 2º C a alta da temperatura média do planeta.

4. Verificação dos compromissos alcançados – O controle dos esforços realizados para reduzir as emissões de CO2 é um dos temas mais espinhosos da negociação. A China, principal emissor mundial, é particularmente reticente ao controle exterior de seus planos climáticos, um aspecto no qual, entretanto, insiste outro grande emissor, Estados Unidos.

5. Protocolo de Kyoto – Os países em desenvolvimento se preocupam com a falta de atenção dedicada a um eventual segundo período de compromissos sob o Protocolo de Kyoto, cuja primeira etapa expira no final de 2012. Ante a dificuldade para concluir um novo tratado vinculativo, estes países insistem em conservar o único instrumento legal existente que impõe obrigações cifradas em matéria de emissões de gases de efeito estufa aos países industrializados (com exceção dos Estados Unidos, que nunca o ratificou).

6. Mecanismos de transferência de tecnologia – Trata-se de ajudar os países mais vulneráveis a ter acesso às tecnologias que permitem reduzir as emissões de CO2 (energias renováveis, por exemplo) e adaptar-se aos inevitáveis impactos das mudanças climáticas. Cancún poderia aprovar a criação de um comitê sobre tecnologia, que seria responsável por centralizar e divulgar esta informação. (Fonte: Folha.com)

Na abertura da COP-16, buscam driblar o pessimismo em torno de uma solução climática

Plantão Publicada em 29/11/2010 às 17h39m
Catarina Alencastro, enviada especial

CANCÚN - Começou nesta segunda feira a 16ª Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-16) em Cancún, no México. Nos discursos de abertura do evento, que acontece um ano após a fracassada tentativa de acordo em Copenhague (COP-15), o tom era de se buscar a retomada do engajamento dos paises no combate ao aquecimento global. O Nobel de Química Mário Molina, um dos primeiros a falar, apontou que adiar as ações para reverter o problema que vem causando, segundo cientistas, tragédias ambientais com mais frequência, vai resultar em um custo ainda mais alto para os paises.

- Adiar ações custara mais e representara maior prejuízo para as gerações futuras do que agir agora. As consequências serão irreversíveis - avisou, citando o derretimento das geleiras e a desertificação da Amazônia.

Outro cientista a falar, o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), braço cientifico da ONU, Rajendra Pachauri, citou as evidências demonstradas pelo ultimo relatório do grupo, que aponta a atividade humana como causadora do aumento de emissões de gases-estufa e a consequente mudança no clima do planeta. Ele afirmou que se a temperatura da Terra subir mais do que entre 1.,5 o C e 2,5 o C, entre 20% e 30% das espécies de plantas e animais que existem hoje poderão entrar em grande risco de extinção. Se chegarmos a esta temperatura, disse, os oceanos podem subir ate 1,4 metro, impactando significativamente ilhas e cidades costeiras. Desde o período pré-industrial ate agora, a temperatura global já subiu 0,8o C.

O anfitrião do evento, presidente mexicano Felipe Calderon, fez um apelo para que os negociadores de 194 paises que estão reunidos em Cancun cheguem a um acordo para mudar os rumos da crise climática. Ele disse que a humanidade toda esta os assistindo e as futuras gerações irão cobrar, caso eles falhem em alcançar um resultado. Sua fala foi feita para tentar atenuar o pessimismo que ronda a reunião. Poucos esperam que os paises desenvolvidos fechem um consenso sobre metas de redução de CO2 a partir de 2013, quando o Protocolo de Kyoto, que fixa esta obrigação, expira.

- Será uma tragédia que nossa incapacidade nos leve a falhar. Neste terreno não pode haver rivalidades porque o desafio e comum. Só há uma espécie humana e um planeta Terra - ponderou.

A presidente da Convenção, Christiana Figueres, chegou a pedir para que os deuses maias ajudem os negociadores a encontrar uma solução. A COP-16 acontece ate o dia 10 de dezembro.

Brasil apresenta propostas para a Conferência do Clima

Governo brasileiro está pessimista: não crê em um possível consenso sobre as metas de redução da emissão de gases poluentes. E presença do presidente Lula em Cancún ainda é incerta
Por Renato Gianuca para EcoAgência de Notícias Ambientais
A Conferência das Nações Unidas sobre o Clima começa já nesta segunda-feira, dia 29, em Cancún, México. É a COP-16, para a qual o Brasil preparou diversas sugestões e planos para tentar evitar um fracasso similar à da reunião de Copenhague, ano passado.

”Não espero que os grandes líderes do mundo compareçam. E isto porque, como não há acordo, possivelmente ninguém queira se expor”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no último dia 26 de outubro. O presidente Lula está pessimista: não crê em um possível consenso sobre as metas de redução da emissão de gases poluentes. Também ainda está incerta a possibilidade de Lula ir a Cancún.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também não acredita muito nas negociações lá no México. Mas crê em um acordo em 2012, quando acontecerá no Brasil a reunião Rio+20. É que naquele ano completam-se 20 anos da realização da histórica Rio-92, a conferência da ONU que despertou a atenção mundial para os problemas do meio ambiente.

Falando à Agência Brasil, o presidente Lula garantiu: o Brasil estaria avançado nas negociações. “Embora não se possa alcançar o acordo em Cancún, ficará para a História a construção da política climática que o Brasil está desafiando o mundo a fazer”, disse.

Ao final de seu governo de oito anos, Lula aplaude o decreto que regulamenta o Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas. Serão investidos 226 milhões de reais ao longo de 2011 – já no governo da presidenta eleita Dilma Rousseff – em ações de conservação ambiental e de combate à poluição. Ainda em 2011, o novo Fundo poderá receber mais recursos, como doações internacionais – o que vai depender das negociações durante a COP-16 no México, que irá de 29 de novembro até o dia 10 de dezembro próximo.

Fundo brasileiro usará recursos da exploração de petróleo
O Fundo Nacional do Clima apoiará, entre outras, atividades de combate à desertificação e ações de adaptação às mudanças climáticas. Um dos itens financiáveis pelo BNDES é a Ciência do Clima, a análise de impactos e a vulnerabilidade, diz o decreto firmado no final de outubro último.

Será o primeiro fundo do mundo a utilizar recursos oriundos da exploração do petróleo.
“É o primeiro fundo climático financiado por atividades altamente poluentes. É o começo da transição para uma economia de baixo carbono”, acredita a atual ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, falando à Agência Brasil.

Já a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Branca Bastos Americano, afirma: o Brasil em Cancún vai procurar acordos graduais para a formação de uma economia mundial de baixa emissão de gás carbono. Após a frustração de Copenhague, no final de 2009, o Brasil não irá mais pressionar os outros países para que assumam compromissos para reduzir as suas emissões de CO2.

“O Japão e os grandes países da Europa não vão aceitar aprofundar compromissos, sem que os Estados Unidos se comprometam mais. E sem que os países emergentes – e especial a República Popular da China – tenham um maior envolvimento”, diz Branca.

Mas, na recém-concluída reunião de cúpula do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, em Seul, Coréia do Sul, dia 12 de novembro passado, os países se comprometeram a lutar pelo sucesso da COP-16 em Cancún, destinada a limitar o aquecimento global, para além dos compromissos do Protocolo de Kyoto (ao qual, até hoje, os Estados Unidos não aderiram até hoje).

México confia na redução das emissões de carbono
“Não economizaremos esforços para chegar a um resultado equilibrado e coroado de sucesso em Cancún”, diz o comunicado final da reunião do G-20 em Seul.

”Os chefes de Estado e de Governo do G-20 reafirmam seu compromisso resoluto de combater as mudanças climáticas”, acrescenta o documento, dizendo ainda que os líderes do grupo também pretendem proteger o meio ambiente mundial dos oceanos.

O atual presidente do México Felipe Calderón está otimista: o principal avanço da COP-16 de Cancún será a redução das emissões de carbono.. Mas admite que há resistências de alguns países a acordos mais concretos, como, por exemplo, um limite máximo para o aumento das temperaturas globais.

”Avançamos em transferência de tecnologia e em financiamentos de longo prazo. E provavelmente o avanço mais importante será na redução das emissões causadas pelo desmatamento”, disse Calderón.

Neste ponto em particular, conforme dados do Governo Federal, o Brasil poderá antecipar em quatro anos as metas de redução de desmatamento na Amazônia, bem como as metas de emissão dos gases de efeito estufa (em até 38,9%) - previstas inicialmente para o ano de 2020.

Então é isso: os defensores do meio ambiente em toda a parte passam a olhar com atenção para Cancún. A COP-16 será mais uma oportunidade para encarar o aquecimento global e as mudanças climáticas. Mas a crise econômica mundial, a guerra cambial, a contínua tensão na Península Coreana são os temas do momento na política internacional. Tudo isto deverá empanar a cobertura da grande mídia à cúpula de Cancún. Resta esperar que os meios alternativos saibam preencher este vácuo informativo.

Ambientalistas não crêem em avanços na Conferência do Clima

Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual
Publicado em 07/11/2010, 14:45
Rio de Janeiro – A onda de otimismo ambiental que tomou conta dos negociadores internacionais após o acordo firmado ao final da 10ª Conferência da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (COP-10), encerrada no fim de outubro em Nagoya (Japão), não deve ser suficiente para impedir mais um fracasso na próxima conferência da ONU sobre o clima. Esta opinião é compartilhada por importantes militantes socioambientalistas que acompanham as discussões climáticas no Brasil e no exterior.

A 16ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP-16) acontecerá de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancun (México) e tem como árdua tarefa reverter o fracasso da conferência anterior, realizada em Copenhague (Dinamarca). Segundo Gaines Campbell, que é conselheiro da ONG brasileira Vitae Civilis e um dos coordenadores da rede Climate Action Network, a conferência terá pela frente dois patamares de decisão: “A mais importante decisão diz respeito ao nível de ambição das promessas, quer sejam obrigatórias ou voluntárias, de redução das emissões dos gases de efeito estufa. Outra decisão diz respeito à questão do financiamento para o combate ao aquecimento global”.

Emissões brasileiras de gases estufa aumentaram cerca de 60% entre 1990 e 2005

Luana Lourenço e Yara Aquino
Repórteres da Agência Brasil
Brasília - As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram cerca de 60% entre 1990 e 2005, passando de 1,4 gigatoneladas para 2,192 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente (medida que considera todos os gases de efeito estufa). O número foi apresentado hoje (26) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, durante a reunião anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

O novo inventário nacional de emissões será apresentado à Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas antes da próxima Conferência das Partes (COP), em novembro, em Cancún, no México. O balanço faz parte da Segunda Comunicação Nacional à Convenção – um relatório do que o Brasil tem feito para mitigar as causas e atenuar os impactos do aquecimento global.

Não há condições para novo acordo climático em Cancún, diz diplomata

Chanceler Patricia Espinosa descartou pacto para reduzir gases-estufa.COP 16 só deve elaborar 'agenda básica' para 'prosseguir negociações'.
Da AFP
Chanceler mexicana já descartou resultados práticos na COP 16, quase um ano depois do fracasso da COP 15, em Copenhague

A chanceler mexicana, Patricia Espinosa, disse nesta segunda-feira (18) que "não estão dadas as condições" para se adotar um novo acordo de redução de emissões de gases-estufa na próxima Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 16), prevista para começar em 29 de novembro em Cancún, leste do México.

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