5/12/2011
Uma semana depois de iniciado encontro da ONU sobre mudança climática, Fundo Verde e metas claras para reduzir emissões de CO² parecem distantes
Por Kristin Palitza, Envolverde/IPS
Ao terminar a primeira semana de negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) há sérias dúvidas sobre a adoção do Fundo Verde para o Clima, e parece cada vez mais improvável um tratado vinculante para reduzir emissões contaminantes para suceder o Protocolo de Kyoto.
Vários países sul-americanos, Estados Unidos, Arábia Saudita, Egito, Nigéria e Venezuela manifestaram suas reservas sobre o Fundo Verde e expressaram a necessidade de revisar algumas de suas cláusulas. A União Europeia (UE), que continua apoiando o rascunho que daria nascimento ao Fundo, pediu urgência aos países para que não atrapalhem seu avanço, mas até agora não teve êxito.
“Deveria ser possível acordar o instrumento tal como consta do projeto. É um bom acordo. E em seu formato atual atrairá financiamento significativo”, disse o negociador da UE Tomasz Chruszczow. “Seria contraproducente embarcar-se em mais debates técnicos”, acrescentou.
Organizações não governamentais e ativistas concordam que reabrir o texto em negociação prejudicará seriamente as possibilidades de deixar pronto o Fundo Verde antes do encerramento da 17ª Conferência das Partes (COP 17) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontece até dia 9, nesta cidade.
“Isto significaria que não há nenhum instrumento para canalizar dinheiro. Entendemos que algumas partes têm preocupações, mas este texto representa um acordo político finamente equilibrado, e finalizá-lo consumiu meses,” lamentou Tasneem Essop, chefe de estratégias climáticas internacionais no Fundo Mundial para a Natureza.
Proposto inicialmente em 2009 em Copenhague, o Fundo Verde para o Clima foi aprovado na COP 16, realizada há um ano em Cancún, com o objetivo de ajudar as nações pobres na mitigação e adaptação à mudança climática. Então, o Norte industrializado se comprometeu a aportar US$ 30 bilhões em 2012 e US$ 100 bilhões anuais até 2020.
Agora, espera-se que os delegados de mais de 190 países reunidos em Durban deem por concluído o processo de implantação do Fundo Verde. Em uma tentativa de conseguir consenso, a presidente da COP 17, Maite Nkoana-Mashabane, disse que dialogará com representantes de vários países em “debates transparentes e informais”. Contudo, não existe um processo ou calendário definitivo para essas conversações. Partidários do Fundo mantêm as esperanças enquanto esperam pelo informe de Nkoana-Mashabane.
Alguns especialistas sugerem que em lugar de reiniciar as negociações deveria haver um texto adicional ao rascunho do documento que resolva algumas das preocupações mais prementes, enquanto outros assuntos podem ser abordados pela direção do Fundo, uma vez eleita. Um financiamento imediato para a adaptação e mitigação não só ajudará os países e enfrentar a mudança climática como terá forte efeito econômico.
O Banco Mundial e o Serviço Geológico dos Estados Unidos estimam que as perdas econômicas mundiais por catástrofes naturais na década de 1990 poderiam ter sido menores em US$ 280 bilhões se tivesse havido investimento de apenas US$ 40 bilhões em prevenção de desastres.
No entanto, dois anos depois de se comprometerem a mobilizar recursos financeiros para adaptação e mitigação da mudança climática, os países industrializados ainda têm que determinar de onde virão os fundos públicos prometidos. Por outro lado, focaram em como mobilizar o setor privado.
Se o Fundo tiver os cofres vazios, não terá razão de ser, alertou Ilana Solomon, conselheira de políticas no capítulo norte-americano da ActionAid. “Sabemos que estes tempos são duros para a ajuda financeira e que os orçamentos são ajustados”, disse, referindo-se à crise da zona do euro, “mas a verdade é que os países ricos podem dar esse dinheiro”, acrescentou.
As dificuldades para garantir o financiamento do Fundo Verde são alarmantes, porque, embora os países acabem fornecendo a totalidade do orçamento, isso não bastaria. A Comissão Europeia e o Banco Mundial estimam que é necessário pelo menos o dobro dessa quantia para a adaptação e mitigação nos países em desenvolvimento. Outros especialistas dizem que o mundo necessitará de US$ 5,7 trilhões até 2035 para abordar os efeitos da mudança climática.
“O custo da falta de ação é muito maior do que o da ação”, disse a conselheira de políticas sobre mudança climática da filial australiana da Oxfam Internacional, Kelly Dent. Até agora, os países não acordaram um só mecanismo para atrair fundos públicos. Em meio aos acalorados debates sobre o Fundo Verde, esgotam-se as possibilidades de os países chegarem a um acordo sobre um segundo período de compromissos do Protocolo de Kyoto, que expirará no ano que vem.
Além do bloco socialista da UE, nenhuma outra nação industrializada apoia um prolongamento. Estados Unidos, Rússia e Japão expressaram seu desinteresse, enquanto o Canadá provocou protestos públicos esta semana quando se soube que pretende abandonar o Protocolo de Kyoto, provavelmente para evitar multas por não cumprir seus objetivos de redução de emissões. “Não podemos deixar que a medida adotada pelo Canadá nos distraia do progresso muito real que se pode conseguir com a UE e outros, como caminho crucial para um regime legalmente vinculante” para a redução de emissões, advertiu Dent.
Inclusive a União Europeia mudou levemente seus passos. Agora, quer que os principais emissores mundiais de gases-estufa acordem até 2015 um pacto para ser implantado no máximo em 2020, e em troca oferece ampliar seus objetivos de redução de emissões sob o Protocolo de Kyoto. A UE diz que espera que saiam do ponto morto em que estão as conversações e se encontre um denominador comum com a China e outras economias emergentes.
Especialistas em mudança climática acreditam que não se pode esperar até 2020 para fixar objetivos firmes de redução de emissões. “Precisamos de ambição para ampliar os objetivos de redução de emissões a partir de 2012”, destacou Dent. Os países em desenvolvimento – especialmente na África, onde a mudança climática será mais intensamente sentida – apostam que a UE possa convencer outras nações industrializadas a se comprometerem com um segundo período do Protocolo de Kyoto.
“Para nós há muito em jogo”, afirmou Raymond Lumbuenamo, coordenador regional para a África central do Fundo Mundial para a Natureza. “Já experimentamos os impactos reais da mudança climática. Somos as vítimas de uma mudança que não causamos. A África não quer ser o cemitério deste tratado”, acrescentou
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Impasse sobre futuro de Quioto ameaça MDL
Data: 05/12/2011 10:06
Por: Redação TN / Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) permite que empresas de países ricos signatários do Protocolo de Quioto comprem créditos de carbono gerados por projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa em nações em desenvolvimento para cumprirem suas próprias metas de emissões. Em 2010, essa ferramenta movimentou cerca de US$ 1,5 bilhão com mais de 3,2 mil projetos registrados, sendo que a China sedia a maior parte das iniciativas, seguida pela Índia e Brasil. Agora, diante da possibilidade real do Protocolo de Quioto expirar em 2012, os emergentes afirmam que o mecanismo perderá sua razão de ser.
“Não haverá MDL em 2013 se não chegarmos a um consenso sobre Quioto”, alertou Su Wei, chefe da delegação chinesa na Conferência das Partes de Durban (COP17).
“Não entendo como alguém pode pensar que os instrumentos do Protocolo continuarão a existir sem que o próprio acordo exista”, reforçou André Correa do Lago, chefe da delegação brasileira.
Muitos analistas acreditam que é possível manter o MDL mesmo sem Quioto, pois a proposta da União Europeia, de estabelecer uma série de ações até 2015 para só então se discutir um novo acordo climático, daria condições para isso. Porém, se as grandes nações emergentes, que sediam a imensa maioria dos projetos, desistirem de participar da ferramenta, ela realmente corre o risco de desaparecer.
Recentemente, a Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) publicou um relatório que mostra os benefícios que o MDL tem trazido aos países que o sediam seus projetos. Entre eles estão: a transferência de tecnologias ambiental e climaticamente amigáveis e de baixo carbono, a melhoria dos meios de subsistência e das atividades das comunidades, a criação de empregos e o aumento da atividade econômica.
A delegação brasileira, que participou de uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (1), não apenas alertou para o fim do MDL como também criticou duramente os países que estão abandonando o Protocolo de Quioto, como Japão, Rússia e Canadá.
“Está claro que essas nações abandonam suas obrigações para poderem estar livres para aumentar suas emissões. Isto é uma notícia muito ruim para o planeta”, declarou Correa do Lago, que ainda defendeu o formato de Quioto, que obriga apenas as nações ricas a terem metas. "Por mais que países como o Brasil, Índia e China tenham feito grandes progressos no combate à pobreza, seguimos sendo países em desenvolvimento. Não tem nenhum sentido que tenhamos as mesmas obrigações que os países já desenvolvidos."
O brasileiro também afirmou que se Quioto não for estendido, todo o processo de negociações sob a ONU ficará ameaçado. “Se não alcançarmos o segundo período de compromisso de Quioto vamos ter uma situação literalmente dramática para as negociações multilaterais."
Florestas
A questão da conservação ambiental e do REDD+ foram destaque na COP16 em Cancún, então os debates sobre o assunto em Durban estão sendo bastante esperados. A Bolívia apresentou nesta quinta uma proposta contrária ao uso de ferramentas de mercado para atividades de preservação e sugeriu a criação de fundos globais e de políticas públicas.
De acordo com Rene Orellana, negociador chefe boliviano, seu país está muito preocupado com o crescimento do interesse do setor privado nas florestas, uma vez que o lucro acaba ficando acima das preocupações ambientais e sociais.
“Os recursos para conservação deveriam passar diretamente para as mãos dos povos indígenas e das comunidades locais. Além disso, o ideal é a distribuição ser realizada por fundos nacionais e não ficar a cargo de corporações estrangeiras”, declarou Orellana.
“Muitas empresas estão lucrando com as mudanças climáticas e as propostas aprovadas são sempre oriundas dos países mais ricos, que foram na verdade os grandes responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa”, reforçou Fiu Elisara, da Coalisão Global de Florestas.
Quem também já aproveitou o espaço da COP17 para falar sobre as florestas foi o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que realizou na quarta-feira (30/11) um evento paralelo para apresentar as iniciativas subnacionais de programas de REDD+ no Brasil.
*Com informações de agências internacionais.
Por: Redação TN / Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) permite que empresas de países ricos signatários do Protocolo de Quioto comprem créditos de carbono gerados por projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa em nações em desenvolvimento para cumprirem suas próprias metas de emissões. Em 2010, essa ferramenta movimentou cerca de US$ 1,5 bilhão com mais de 3,2 mil projetos registrados, sendo que a China sedia a maior parte das iniciativas, seguida pela Índia e Brasil. Agora, diante da possibilidade real do Protocolo de Quioto expirar em 2012, os emergentes afirmam que o mecanismo perderá sua razão de ser.
“Não haverá MDL em 2013 se não chegarmos a um consenso sobre Quioto”, alertou Su Wei, chefe da delegação chinesa na Conferência das Partes de Durban (COP17).
“Não entendo como alguém pode pensar que os instrumentos do Protocolo continuarão a existir sem que o próprio acordo exista”, reforçou André Correa do Lago, chefe da delegação brasileira.
Muitos analistas acreditam que é possível manter o MDL mesmo sem Quioto, pois a proposta da União Europeia, de estabelecer uma série de ações até 2015 para só então se discutir um novo acordo climático, daria condições para isso. Porém, se as grandes nações emergentes, que sediam a imensa maioria dos projetos, desistirem de participar da ferramenta, ela realmente corre o risco de desaparecer.
Recentemente, a Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) publicou um relatório que mostra os benefícios que o MDL tem trazido aos países que o sediam seus projetos. Entre eles estão: a transferência de tecnologias ambiental e climaticamente amigáveis e de baixo carbono, a melhoria dos meios de subsistência e das atividades das comunidades, a criação de empregos e o aumento da atividade econômica.
A delegação brasileira, que participou de uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (1), não apenas alertou para o fim do MDL como também criticou duramente os países que estão abandonando o Protocolo de Quioto, como Japão, Rússia e Canadá.
“Está claro que essas nações abandonam suas obrigações para poderem estar livres para aumentar suas emissões. Isto é uma notícia muito ruim para o planeta”, declarou Correa do Lago, que ainda defendeu o formato de Quioto, que obriga apenas as nações ricas a terem metas. "Por mais que países como o Brasil, Índia e China tenham feito grandes progressos no combate à pobreza, seguimos sendo países em desenvolvimento. Não tem nenhum sentido que tenhamos as mesmas obrigações que os países já desenvolvidos."
O brasileiro também afirmou que se Quioto não for estendido, todo o processo de negociações sob a ONU ficará ameaçado. “Se não alcançarmos o segundo período de compromisso de Quioto vamos ter uma situação literalmente dramática para as negociações multilaterais."
Florestas
A questão da conservação ambiental e do REDD+ foram destaque na COP16 em Cancún, então os debates sobre o assunto em Durban estão sendo bastante esperados. A Bolívia apresentou nesta quinta uma proposta contrária ao uso de ferramentas de mercado para atividades de preservação e sugeriu a criação de fundos globais e de políticas públicas.
De acordo com Rene Orellana, negociador chefe boliviano, seu país está muito preocupado com o crescimento do interesse do setor privado nas florestas, uma vez que o lucro acaba ficando acima das preocupações ambientais e sociais.
“Os recursos para conservação deveriam passar diretamente para as mãos dos povos indígenas e das comunidades locais. Além disso, o ideal é a distribuição ser realizada por fundos nacionais e não ficar a cargo de corporações estrangeiras”, declarou Orellana.
“Muitas empresas estão lucrando com as mudanças climáticas e as propostas aprovadas são sempre oriundas dos países mais ricos, que foram na verdade os grandes responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa”, reforçou Fiu Elisara, da Coalisão Global de Florestas.
Quem também já aproveitou o espaço da COP17 para falar sobre as florestas foi o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que realizou na quarta-feira (30/11) um evento paralelo para apresentar as iniciativas subnacionais de programas de REDD+ no Brasil.
*Com informações de agências internacionais.
Cúpula de Durban começa como última chance de salvar Protocolo de Kyoto
TERRA
28 de novembro de 2011 • 10h23 Comentários
Notícia
Reduzir Normal Aumentar Imprimir Após o fracasso das duas últimas COPs (conferência da ONU para mudanças climáticas) em Cancún e Copenhagen, a 17ª Conferência das Partes da ONU, que começa nesta segunda-feira em Durban, na África do Sul, vem atraindo atenção por ser vista como a última chance de se salvar o Protocolo de Kyoto.
O acordo, que obriga os países desenvolvidos a reduzir suas emissões de gases poluentes, expira em 2012, e até agora não há nenhum outro tratado para substituí-lo.
Kyoto muitas vezes é tido como insuficiente, porque a situação atual exige metas mais ambiciosas e também pelo fato de que grandes potências poluidoras, como os Estados Unidos, não serem signatárias.
No entanto, especialistas acreditam que sem renovar os termos do acordo, fecha-se a principal porta para garantir que a temperatura do mundo não suba 2º C, como era o objetivo do tratado.
E arcar com tamanho retrocesso seria um risco, especialmente em um cenário em que mesmo a crise global não reduziu as emissões de gases que provocam o efeito estufa.
Segundo um estudo divulgado na semana passada pelo Departamento de Energia dos EUA, a liberação de dióxido de carbono bateu recorde - 564 milhões de toneladas ou 6% a mais que em 2009.
Deturpação
"Se deixar morrer Kyoto, vai-se deixar morrer o único acordo top down (quando se tem uma meta a cumprir). E há praticamente um consenso de que nunca mais vai se conseguir outro acordo desse tipo", disse o embaixador André Aranha Corrêa do Lago, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty e negociador do Brasil na COP-17. Para Lago, a anulação de Kyoto implica em negociações paralelas, que não colocam metas, apenas compromissos voluntários - "uma deturpação monumental dos princípios da convenção". Ele afirma que esta é justamente a estratégia de governo como EUA, Japão e Rússia: minar Kyoto e obter um novo acordo, que inclua até países como o Brasil. "Todos dizem querer um resultado equilibrado em Durban. O que o Brasil considera equilibrado seria a aprovação do segundo período de compromisso que deve se estender até 2020, mesmo com um número menor de países."
Brics
No entanto, apesar das intenções do governo brasileiro, essa aprovação pode esbarrar em entraves relacionados aos Brics. As negociações paralelas citadas por Lago ocorrem porque os países desenvolvidos não aceitam que os emergentes continuem sem metas para suas emissões. Isso é o que prevê Kyoto, já que quando o acordo foi fechado essas nações não tinham o peso de hoje. Se de um lado dos Brics o Brasil aceita acatar metas de reduções, no outro lado do bloco China e Índia têm ressalvas, por serem economias dependentes de matrizes fósseis, como o carvão. Já o Brasil se baseia em energias consideradas mais limpas, como a hidrelétrica. "Essa é a hora de o Brasil mostrar qual tipo de emergente quer ser", afirma o representante do Greenpeace do Brasil em Durban, Pedro Henrique Torres. "O país que quer investir em uma economia verde ou no desenvolvimento sujo, apostando no carvão e no pré-sal (ou seja, em combustíveis não-renováveis)?, questionou ele" Para Torres, o Brasil está diante de uma bifurcação, que tem ainda, em lados opostos, o desejo de exibir taxas de desmatamento em queda e um Código Florestal que, para ele, incentiva a derrubada de áreas verdes. O ambientalista acredita que o Brasil tem poder de negociação no chamado G77, que engloba países em desenvolvimento, mas fica em desvantagem no bloco Basic, que envolve justamente Índia e China.
Desafios
O risco de enterrar Kyoto não é a única expectativa negativa de Durban. A conferência vai estar esvaziada pela ausência de chefes de Estado importantes, especialmente o dos Estados Unidos e os da União Europeia, envolvidos em problemas com a crise econômica. Assim, outros pontos fundamentais das negociações podem emperrar. "Uma COP que começa para salvar Kyoto já começa errada, porque há outros mecanismos que deveriam ser debatidos", disse Torres, citando questões como o Redd (mecanismos para reduzir as emissões decorrentes da degradação florestal). Outro importante mecanismo é o Fundo Verde para o Clima. Criado na COP16, ele pretende reunir USS$ 100 milhões até 2020 para ajudar os países em desenvolvimento a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Em vídeo divulgado na sexta-feira, o chanceler Antonio Patriota ressaltou a importância do fundo, dizendo que é preciso garantir que promessas de financiamento sejam cumpridas. Mas, para Torres essa é outra das tarefas árduas que o Brasil enfrentará na cidade sul-africana. "Se o valor já era considerado insuficiente, num momento de crise a situação piora porque os países desenvolvidos não estão doando o prometido. E o fundo tem praticamente uma morte anunciada
28 de novembro de 2011 • 10h23 Comentários
Notícia
Reduzir Normal Aumentar Imprimir Após o fracasso das duas últimas COPs (conferência da ONU para mudanças climáticas) em Cancún e Copenhagen, a 17ª Conferência das Partes da ONU, que começa nesta segunda-feira em Durban, na África do Sul, vem atraindo atenção por ser vista como a última chance de se salvar o Protocolo de Kyoto.
O acordo, que obriga os países desenvolvidos a reduzir suas emissões de gases poluentes, expira em 2012, e até agora não há nenhum outro tratado para substituí-lo.
Kyoto muitas vezes é tido como insuficiente, porque a situação atual exige metas mais ambiciosas e também pelo fato de que grandes potências poluidoras, como os Estados Unidos, não serem signatárias.
No entanto, especialistas acreditam que sem renovar os termos do acordo, fecha-se a principal porta para garantir que a temperatura do mundo não suba 2º C, como era o objetivo do tratado.
E arcar com tamanho retrocesso seria um risco, especialmente em um cenário em que mesmo a crise global não reduziu as emissões de gases que provocam o efeito estufa.
Segundo um estudo divulgado na semana passada pelo Departamento de Energia dos EUA, a liberação de dióxido de carbono bateu recorde - 564 milhões de toneladas ou 6% a mais que em 2009.
Deturpação
"Se deixar morrer Kyoto, vai-se deixar morrer o único acordo top down (quando se tem uma meta a cumprir). E há praticamente um consenso de que nunca mais vai se conseguir outro acordo desse tipo", disse o embaixador André Aranha Corrêa do Lago, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty e negociador do Brasil na COP-17. Para Lago, a anulação de Kyoto implica em negociações paralelas, que não colocam metas, apenas compromissos voluntários - "uma deturpação monumental dos princípios da convenção". Ele afirma que esta é justamente a estratégia de governo como EUA, Japão e Rússia: minar Kyoto e obter um novo acordo, que inclua até países como o Brasil. "Todos dizem querer um resultado equilibrado em Durban. O que o Brasil considera equilibrado seria a aprovação do segundo período de compromisso que deve se estender até 2020, mesmo com um número menor de países."
Brics
No entanto, apesar das intenções do governo brasileiro, essa aprovação pode esbarrar em entraves relacionados aos Brics. As negociações paralelas citadas por Lago ocorrem porque os países desenvolvidos não aceitam que os emergentes continuem sem metas para suas emissões. Isso é o que prevê Kyoto, já que quando o acordo foi fechado essas nações não tinham o peso de hoje. Se de um lado dos Brics o Brasil aceita acatar metas de reduções, no outro lado do bloco China e Índia têm ressalvas, por serem economias dependentes de matrizes fósseis, como o carvão. Já o Brasil se baseia em energias consideradas mais limpas, como a hidrelétrica. "Essa é a hora de o Brasil mostrar qual tipo de emergente quer ser", afirma o representante do Greenpeace do Brasil em Durban, Pedro Henrique Torres. "O país que quer investir em uma economia verde ou no desenvolvimento sujo, apostando no carvão e no pré-sal (ou seja, em combustíveis não-renováveis)?, questionou ele" Para Torres, o Brasil está diante de uma bifurcação, que tem ainda, em lados opostos, o desejo de exibir taxas de desmatamento em queda e um Código Florestal que, para ele, incentiva a derrubada de áreas verdes. O ambientalista acredita que o Brasil tem poder de negociação no chamado G77, que engloba países em desenvolvimento, mas fica em desvantagem no bloco Basic, que envolve justamente Índia e China.
Desafios
O risco de enterrar Kyoto não é a única expectativa negativa de Durban. A conferência vai estar esvaziada pela ausência de chefes de Estado importantes, especialmente o dos Estados Unidos e os da União Europeia, envolvidos em problemas com a crise econômica. Assim, outros pontos fundamentais das negociações podem emperrar. "Uma COP que começa para salvar Kyoto já começa errada, porque há outros mecanismos que deveriam ser debatidos", disse Torres, citando questões como o Redd (mecanismos para reduzir as emissões decorrentes da degradação florestal). Outro importante mecanismo é o Fundo Verde para o Clima. Criado na COP16, ele pretende reunir USS$ 100 milhões até 2020 para ajudar os países em desenvolvimento a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Em vídeo divulgado na sexta-feira, o chanceler Antonio Patriota ressaltou a importância do fundo, dizendo que é preciso garantir que promessas de financiamento sejam cumpridas. Mas, para Torres essa é outra das tarefas árduas que o Brasil enfrentará na cidade sul-africana. "Se o valor já era considerado insuficiente, num momento de crise a situação piora porque os países desenvolvidos não estão doando o prometido. E o fundo tem praticamente uma morte anunciada
Os principais temas de negociação durante a COP-16
folha.com
A 16ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU começou nesta segunda-feira (29) em Cancún, no México, com a ambição de dar impulso e credibilidade a difíceis negociações, após a decepção de Copenhague, há um ano.
Tropas do exército e policiais mexicanos, apoiados por três navios de guerra, participam do esquema de segurança em torno ao hotel Moon Palace, um complexo em frente ao mar, onde está sendo realizada a conferência que encerra somente em 10 de dezembro.
Veja a lista dos principais temas na mesa de negociação durante a conferência em Cancún, no México, sobre mudanças climáticas:
1. Redução das emissões de gases de efeito estufa devido ao desmatamento (20% do total) – Cancún pode tornar efetivo o mecanismo Redd+, que consiste em pagar compensações financeiras aos países que reduzirem o desmatamento ou a degradação de suas florestas. A Conferência de Copenhague conseguiu praticamente um acordo, mas faltam questões complexas por definir, como o financiamento deste ambicioso dispositivo.
2. Fundo Verde – Os países industrializados se comprometeram em Copenhague a mobilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para alimentar este fundo, iniciativa do México, destinado aos países mais pobres. Mas sua gestão é objeto de debate: os países em desenvolvimento querem que dependa da ONU, enquanto outros, como Estados Unidos, pedem que goze de maior independência.
3. Fixar os compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa – Segundo o Acordo de Copenhague, os países industrializados e as nações em desenvolvimento submeteram à Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (CMNUCC) seus objetivos e ações em termos de cortes de emissões de CO2 até 2020. Estas promessas não têm caráter vinculativo e a conferência de Cancún deverá buscar uma fórmula jurídica para fixá-las legalmente. Apesar de tudo, as promessas feitas até agora são insuficientes para limitar a 2º C a alta da temperatura média do planeta.
4. Verificação dos compromissos alcançados – O controle dos esforços realizados para reduzir as emissões de CO2 é um dos temas mais espinhosos da negociação. A China, principal emissor mundial, é particularmente reticente ao controle exterior de seus planos climáticos, um aspecto no qual, entretanto, insiste outro grande emissor, Estados Unidos.
5. Protocolo de Kyoto – Os países em desenvolvimento se preocupam com a falta de atenção dedicada a um eventual segundo período de compromissos sob o Protocolo de Kyoto, cuja primeira etapa expira no final de 2012. Ante a dificuldade para concluir um novo tratado vinculativo, estes países insistem em conservar o único instrumento legal existente que impõe obrigações cifradas em matéria de emissões de gases de efeito estufa aos países industrializados (com exceção dos Estados Unidos, que nunca o ratificou).
6. Mecanismos de transferência de tecnologia – Trata-se de ajudar os países mais vulneráveis a ter acesso às tecnologias que permitem reduzir as emissões de CO2 (energias renováveis, por exemplo) e adaptar-se aos inevitáveis impactos das mudanças climáticas. Cancún poderia aprovar a criação de um comitê sobre tecnologia, que seria responsável por centralizar e divulgar esta informação. (Fonte: Folha.com)
A 16ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU começou nesta segunda-feira (29) em Cancún, no México, com a ambição de dar impulso e credibilidade a difíceis negociações, após a decepção de Copenhague, há um ano.
Tropas do exército e policiais mexicanos, apoiados por três navios de guerra, participam do esquema de segurança em torno ao hotel Moon Palace, um complexo em frente ao mar, onde está sendo realizada a conferência que encerra somente em 10 de dezembro.
Veja a lista dos principais temas na mesa de negociação durante a conferência em Cancún, no México, sobre mudanças climáticas:
1. Redução das emissões de gases de efeito estufa devido ao desmatamento (20% do total) – Cancún pode tornar efetivo o mecanismo Redd+, que consiste em pagar compensações financeiras aos países que reduzirem o desmatamento ou a degradação de suas florestas. A Conferência de Copenhague conseguiu praticamente um acordo, mas faltam questões complexas por definir, como o financiamento deste ambicioso dispositivo.
2. Fundo Verde – Os países industrializados se comprometeram em Copenhague a mobilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para alimentar este fundo, iniciativa do México, destinado aos países mais pobres. Mas sua gestão é objeto de debate: os países em desenvolvimento querem que dependa da ONU, enquanto outros, como Estados Unidos, pedem que goze de maior independência.
3. Fixar os compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa – Segundo o Acordo de Copenhague, os países industrializados e as nações em desenvolvimento submeteram à Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (CMNUCC) seus objetivos e ações em termos de cortes de emissões de CO2 até 2020. Estas promessas não têm caráter vinculativo e a conferência de Cancún deverá buscar uma fórmula jurídica para fixá-las legalmente. Apesar de tudo, as promessas feitas até agora são insuficientes para limitar a 2º C a alta da temperatura média do planeta.
4. Verificação dos compromissos alcançados – O controle dos esforços realizados para reduzir as emissões de CO2 é um dos temas mais espinhosos da negociação. A China, principal emissor mundial, é particularmente reticente ao controle exterior de seus planos climáticos, um aspecto no qual, entretanto, insiste outro grande emissor, Estados Unidos.
5. Protocolo de Kyoto – Os países em desenvolvimento se preocupam com a falta de atenção dedicada a um eventual segundo período de compromissos sob o Protocolo de Kyoto, cuja primeira etapa expira no final de 2012. Ante a dificuldade para concluir um novo tratado vinculativo, estes países insistem em conservar o único instrumento legal existente que impõe obrigações cifradas em matéria de emissões de gases de efeito estufa aos países industrializados (com exceção dos Estados Unidos, que nunca o ratificou).
6. Mecanismos de transferência de tecnologia – Trata-se de ajudar os países mais vulneráveis a ter acesso às tecnologias que permitem reduzir as emissões de CO2 (energias renováveis, por exemplo) e adaptar-se aos inevitáveis impactos das mudanças climáticas. Cancún poderia aprovar a criação de um comitê sobre tecnologia, que seria responsável por centralizar e divulgar esta informação. (Fonte: Folha.com)
Clima descontrolado >>> IPS/Envolverde
por Julio Godoy*
O clima planetário mostra perturbações graves enquanto as discussões políticas para adotar um acordo contra o aquecimento global navegam à deriva, alertam especialistas.Bonn, Alemanha, 9 de agosto (Terramérica).- Calor incomum, inundações, secas e furacões cada vez mais frequentes e intensos. Já ouvimos estas notícias? Quando se estreitam as opções para negociar um pacto mundial contra a mudança climática, a Organização das Nações Unidas (ONU) insiste em assinalar a emergência de “condições extremas”. Um olhar sobre o clima global dá sinais dessas “condições extremas”.
Ford investe na produção limpa e avança na sustentabilidade /// Portal Fator Brasil
Montadora comemora a Semana do Meio Ambiente com avanços na direção de uma produção mais limpa e eficiente.
A Ford foi a primeira montadora a ter todas as suas fábricas no mundo certificadas pela norma de gestão ambiental ISO 14001 e continua a ser um exemplo de sustentabilidade. É também uma das fundadoras e a única empresa do segmento automobilístico no Brasil a fazer parte do GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol), grupo criado a partir do Protocolo de Kyoto para medir a quantidade de gás carbônico emitido pelas indústrias e traçar metas para a sua redução.
Os resultados práticos dessa política estão presentes em indicadores que mostram os avanços da marca na direção de uma produção mais limpa e eficiente. A Ford conseguiu reduzir em 1% a emissão relativa de CO2 – quantidade emitida por cada veículo produzido – em 2009 e já compensa 37% do total de emissões desse gás. Nos últimos quatro anos, obteve também reduções importantes no consumo de energia elétrica (10%), água (22,5%) e gás natural por veículo produzido (43%), além de diminuir em 34% a geração de resíduos em todo o processo.
A produção de veículos com maior conteúdo reciclável também é uma preocupação da Ford. Hoje, 100% dos carpetes dos veículos produzidos no Brasil utilizam PET reciclado na sua produção. Em média, cada veículo utiliza de 5 kg a 7 kg desse material, aplicado também em porta-pacotes, forração de teto, caixa de roda e manta acústica. Para produzir 3 kg de PET reciclado são necessárias, em média, 60 garrafas PET.
“O desenvolvimento sustentável é um dos pilares da visão de negócios da Ford. Ele está presente na criação de veículos mais eficientes e limpos, no aprimoramento da gestão ambiental em toda a cadeia produtiva e nas ações sociais e educativas promovidas pela empresa na comunidade”, diz Edmir Mesz, engenheiro ambiental da Ford Brasil.
Uma das iniciativas recentes nessa área foi a instalação de um regenerador de gases da pintura na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. O equipamento, com cerca de 200 toneladas, elimina até 99% das partículas em suspensão geradas no processo de secagem nas estufas e libera na atmosfera somente vapor d'água e menos de 1% de CO2. A fábrica adotou ainda uma nova geração de robôs de pintura (tecnologia Ecobell 2M), que reduz o consumo de tinta e a emissão de compostos orgânicos voláteis em 15%.
Plantio de árvores - A fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, atingiu a marca de 120 mil mudas plantadas na área de florestamento em torno do complexo. As mudas – de espécies nativas como embaúba, ipê roxo, jacarandá, pau-brasil, jatobá, e palmeira-cica – são produzidas no viveiro do Centro de Educação Ambiental da unidade, que também desenvolve programas para a comunidade.
Projetos similares foram desenvolvidos no Campo de Provas de Tatuí (SP), com o plantio de 1.076 mudas nativas em uma área de reflorestamento, e na fábrica de Taubaté, SP, onde foram plantadas outras 200 mudas.
A Troller, incorporada ao grupo Ford em 2007, também promoveu uma iniciativa pioneira, com a adesão da Copa Troller à campanha Carbono Neutro. Todas as emissões dos veículos participantes da competição no ano passado foram neutralizadas com o plantio de 284 árvores nativas da Mata Atlântica na região de Guarapuava, PR. O gerenciamento foi feito pela empresa MaxAmbiental, desenvolvedora da campanha no Brasil.
Envolvimento da comunidade - O Terminal Portuário Miguel de Oliveira, privativo da Ford, localizado na Baía de Aratu, na Bahia, completou seu sistema de gestão ambiental e contratou uma cooperativa de Camaçari para a coleta do material reciclável gerado no local. Escolas das comunidades de Caboto e Madeira, vizinhas ao terminal, foram incorporadas ao programa de reciclagem e educação ambiental, complementado por palestras sobre alimentação, agroecologia e artesanato. O Porto da Ford mantém um programa de monitoramento da biota aquática, com coleta de amostras para acompanhar a qualidade da água e o comportamento da fauna local.
A Ford também promove, há 15 anos, o Prêmio Ford Motor Company de Conservação Ambiental, um dos reconhecimentos de maior prestígio dessa área no Brasil. Com cinco categorias, ele já premiou 60 personalidades e instituições pela criação de iniciativas bem-sucedidas de preservação do meio ambiente no país e reuniu um inventário de 1,7 mil projetos inscritos.
Campanha interna - Para reforçar a conscientização dos empregados quanto ao papel que cada um tem na conservação dos recursos ambientais, a Ford também está comemorando o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) com uma série de atividades nas fábricas. O programa inclui oficinas de brinquedos, cestaria, tapeçaria e papel reciclado e exposição de móveis feitos com pneus, vassouras de garrafa pet e materiais reciclados, além de materiais de limpeza produzidos a partir de óleo de cozinha usado, em parceria com cooperativas, ONGs e empresas públicas.
A Ford foi a primeira montadora a ter todas as suas fábricas no mundo certificadas pela norma de gestão ambiental ISO 14001 e continua a ser um exemplo de sustentabilidade. É também uma das fundadoras e a única empresa do segmento automobilístico no Brasil a fazer parte do GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol), grupo criado a partir do Protocolo de Kyoto para medir a quantidade de gás carbônico emitido pelas indústrias e traçar metas para a sua redução.
Os resultados práticos dessa política estão presentes em indicadores que mostram os avanços da marca na direção de uma produção mais limpa e eficiente. A Ford conseguiu reduzir em 1% a emissão relativa de CO2 – quantidade emitida por cada veículo produzido – em 2009 e já compensa 37% do total de emissões desse gás. Nos últimos quatro anos, obteve também reduções importantes no consumo de energia elétrica (10%), água (22,5%) e gás natural por veículo produzido (43%), além de diminuir em 34% a geração de resíduos em todo o processo.
A produção de veículos com maior conteúdo reciclável também é uma preocupação da Ford. Hoje, 100% dos carpetes dos veículos produzidos no Brasil utilizam PET reciclado na sua produção. Em média, cada veículo utiliza de 5 kg a 7 kg desse material, aplicado também em porta-pacotes, forração de teto, caixa de roda e manta acústica. Para produzir 3 kg de PET reciclado são necessárias, em média, 60 garrafas PET.
“O desenvolvimento sustentável é um dos pilares da visão de negócios da Ford. Ele está presente na criação de veículos mais eficientes e limpos, no aprimoramento da gestão ambiental em toda a cadeia produtiva e nas ações sociais e educativas promovidas pela empresa na comunidade”, diz Edmir Mesz, engenheiro ambiental da Ford Brasil.
Uma das iniciativas recentes nessa área foi a instalação de um regenerador de gases da pintura na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. O equipamento, com cerca de 200 toneladas, elimina até 99% das partículas em suspensão geradas no processo de secagem nas estufas e libera na atmosfera somente vapor d'água e menos de 1% de CO2. A fábrica adotou ainda uma nova geração de robôs de pintura (tecnologia Ecobell 2M), que reduz o consumo de tinta e a emissão de compostos orgânicos voláteis em 15%.
Plantio de árvores - A fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, atingiu a marca de 120 mil mudas plantadas na área de florestamento em torno do complexo. As mudas – de espécies nativas como embaúba, ipê roxo, jacarandá, pau-brasil, jatobá, e palmeira-cica – são produzidas no viveiro do Centro de Educação Ambiental da unidade, que também desenvolve programas para a comunidade.
Projetos similares foram desenvolvidos no Campo de Provas de Tatuí (SP), com o plantio de 1.076 mudas nativas em uma área de reflorestamento, e na fábrica de Taubaté, SP, onde foram plantadas outras 200 mudas.
A Troller, incorporada ao grupo Ford em 2007, também promoveu uma iniciativa pioneira, com a adesão da Copa Troller à campanha Carbono Neutro. Todas as emissões dos veículos participantes da competição no ano passado foram neutralizadas com o plantio de 284 árvores nativas da Mata Atlântica na região de Guarapuava, PR. O gerenciamento foi feito pela empresa MaxAmbiental, desenvolvedora da campanha no Brasil.
Envolvimento da comunidade - O Terminal Portuário Miguel de Oliveira, privativo da Ford, localizado na Baía de Aratu, na Bahia, completou seu sistema de gestão ambiental e contratou uma cooperativa de Camaçari para a coleta do material reciclável gerado no local. Escolas das comunidades de Caboto e Madeira, vizinhas ao terminal, foram incorporadas ao programa de reciclagem e educação ambiental, complementado por palestras sobre alimentação, agroecologia e artesanato. O Porto da Ford mantém um programa de monitoramento da biota aquática, com coleta de amostras para acompanhar a qualidade da água e o comportamento da fauna local.
A Ford também promove, há 15 anos, o Prêmio Ford Motor Company de Conservação Ambiental, um dos reconhecimentos de maior prestígio dessa área no Brasil. Com cinco categorias, ele já premiou 60 personalidades e instituições pela criação de iniciativas bem-sucedidas de preservação do meio ambiente no país e reuniu um inventário de 1,7 mil projetos inscritos.
Campanha interna - Para reforçar a conscientização dos empregados quanto ao papel que cada um tem na conservação dos recursos ambientais, a Ford também está comemorando o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) com uma série de atividades nas fábricas. O programa inclui oficinas de brinquedos, cestaria, tapeçaria e papel reciclado e exposição de móveis feitos com pneus, vassouras de garrafa pet e materiais reciclados, além de materiais de limpeza produzidos a partir de óleo de cozinha usado, em parceria com cooperativas, ONGs e empresas públicas.
ONU retoma negociações sobre o clima, mas sem vislumbrar acordo /// Deutsche Welle - Ecodebate
Aquecimento global mais uma vez em discussãoNegociações para o período pós-Kyoto recomeçam em Bonn, mas as expectativas de um acordo amplo são pequenas após o fracasso da Conferência de Copenhague. Reunião é preparatória para o encontro de Cancún, em dezembro.
Começou nesta segunda-feira (31/05) e vai até o dia 11 de junho uma nova rodada de negociações das Nações Unidas sobre o combate às mudanças climáticas, na cidade de Bonn, na Alemanha. O evento, que conta com a presença de 185 países, é preparatório para o encontro de dezembro, em Cancún, no México. Mas a expectativa por um acordo amplo não é alta, depois do fracasso do encontro de Copenhague, seis meses atrás.
O principal objetivo das negociações conduzidas pela Convenção do Clima das Nações Unidas (UNFCCC) é chegar a um novo texto, para substituir o Protocolo de Kyoto, que vale só até 2012.
O holandês Yvo de Boer, chefe da UNFCCC, admitiu que é improvável que qualquer acordo seja assinado até o fim de 2011. De Boer encaminhou sua renúncia depois do fracasso da Conferência do Clima de Copenhague, que terminou em frustração geral, apenas com promessas vagas de corte nas emissões de gás carbônico.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Yvo de Boer diz não acreditar num acordo ainda este anoNa Dinamarca, líderes de 194 países deveriam ter acertado um acordo com força de lei para o período pós-2012. No entanto, tudo que eles conseguiram foi um compromisso de redução dos gases que causam o efeito estufa e uma promessa de ajuda aos países em desenvolvimento no combate às mudanças climáticas.
Negociação dura
No primeiro dia, o encontro de Bonn já deu um exemplo de quão difícil será agradar a todos os envolvidos. Venezuela, Cuba e Bolívia disseram que não poderiam iniciar negociações com base no novo texto por ele dar muita ênfase ao documento de Copenhague, por eles rejeitado.
Já os Estados Unidos alegaram que o novo texto não teria sido feito para servir de base para as negociações. A África do Sul reclamou que ele exige demais dos países em desenvolvimento.
Numa entrevista coletiva em Bonn, De Boer não se mostrou nada otimista em relação às possibilidades de se chegar a um consenso até o fim do ano.
"É extremamente improvável que tenhamos um acordo com força de lei em Cancún", disse a principal autoridade da ONU para mudanças climáticas. "Eu acho que principalmente os países em desenvolvimento vão querer ver o que um acordo exigiria deles antes de fazê-lo ter força de lei."
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Christiana Figueres será a nova chefe da UNFCCCNo mês passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeou a costa-riquenha Christiana Figueres para substituir De Boer a partir de 1º de julho de 2010. Analistas avaliam que ela enfatizará o desenvolvimento de tecnologias verdes em detrimento de metas obrigatórias de cortes na emissão de gases.
O encontro de Bonn tem como objetivo destravar os impasses existentes. O chamado Acordo de Copenhague estabelece uma meta voluntária de limitar o aquecimento em 2 graus Celsius. Ele foi acertado por cerca de vinte líderes mundiais, nas horas finais do encontro.
Para mostrar que o acordo tem credibilidade – e trazer de volta a confiança no projeto como um todo – os países em desenvolvimento estão agora cobrando dos industrializados que cumpram suas promessas de apoio financeiro.
Crise econômica é um empecilho
No Acordo de Copenhague, a União Europeia, os Estados Unidos, o Japão e outros países ricos ofereceram cerca de 30 bilhões de euros de ajuda para o período de 2010 a 2012, valor que subiria para 100 bilhões de dólares anuais até 2020.
Com a crise financeira na zona do euro, a União Europeia está revendo sua meta inicial de cortar unilateralmente em 30% sua emissão de gás carbônico até 2020 – em relação ao índice de 1990. A meta seria uma forma de estimular atitudes semelhantes nos países em desenvolvimento.
Connie Hedegaard, comissária da UE para mudanças climáticas, disse na semana passada que "claramente não há condições" de se atingir esta meta. Anteriormente, a UE tinha proposto mudar sua meta de 20% para 30% se outros países a acompanhassem como parte do novo acordo climático. Um estudo apresentado pela comissária estima que isso custaria 81 bilhões de euros.
"É claro que agora não é uma hora fácil para se discutir dinheiro que sai dos cofres públicos", disse Hedegaard.
França e Alemanha – as duas maiores economias da UE – pediram a outros membros da União Europeia que tratem este assunto com muito cuidado.
Tudo tem sua hora
Grupos ambientalistas, como o WWF, vêm tentando movimentar as conversações emperradas.
"Copenhague fracassou em produzir o acordo de que o mundo precisa, mas alcançou importantes progressos em alguns aspectos", disse Regine Guenther, responsável por política climática do WWF. As negociações de Bonn deveriam focar estes pontos, disse Guenther, e concluí-los na próxima conferência do clima no México.
De acordo com o WWF, os delegados em Bonn poderiam resolver questões como finanças, desmatamento e transferência de tecnologia até Cancún e deixar para acertar um tratado global em 2011 na África do Sul.
"O progresso nestas áreas mostraria que a comunidade internacional continua trabalhando com seriedade em prol do novo acordo. O primeiro compromisso do Protocolo de Kyoto vence em 2012. Na África do Sul, no máximo, tem de ser definida a sequência do acordo", acrescentou Guenther.
TM/rtr/afp/dpa
Revisão: Alexandre Schossler
Começou nesta segunda-feira (31/05) e vai até o dia 11 de junho uma nova rodada de negociações das Nações Unidas sobre o combate às mudanças climáticas, na cidade de Bonn, na Alemanha. O evento, que conta com a presença de 185 países, é preparatório para o encontro de dezembro, em Cancún, no México. Mas a expectativa por um acordo amplo não é alta, depois do fracasso do encontro de Copenhague, seis meses atrás.
O principal objetivo das negociações conduzidas pela Convenção do Clima das Nações Unidas (UNFCCC) é chegar a um novo texto, para substituir o Protocolo de Kyoto, que vale só até 2012.
O holandês Yvo de Boer, chefe da UNFCCC, admitiu que é improvável que qualquer acordo seja assinado até o fim de 2011. De Boer encaminhou sua renúncia depois do fracasso da Conferência do Clima de Copenhague, que terminou em frustração geral, apenas com promessas vagas de corte nas emissões de gás carbônico.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Yvo de Boer diz não acreditar num acordo ainda este anoNa Dinamarca, líderes de 194 países deveriam ter acertado um acordo com força de lei para o período pós-2012. No entanto, tudo que eles conseguiram foi um compromisso de redução dos gases que causam o efeito estufa e uma promessa de ajuda aos países em desenvolvimento no combate às mudanças climáticas.
Negociação dura
No primeiro dia, o encontro de Bonn já deu um exemplo de quão difícil será agradar a todos os envolvidos. Venezuela, Cuba e Bolívia disseram que não poderiam iniciar negociações com base no novo texto por ele dar muita ênfase ao documento de Copenhague, por eles rejeitado.
Já os Estados Unidos alegaram que o novo texto não teria sido feito para servir de base para as negociações. A África do Sul reclamou que ele exige demais dos países em desenvolvimento.
Numa entrevista coletiva em Bonn, De Boer não se mostrou nada otimista em relação às possibilidades de se chegar a um consenso até o fim do ano.
"É extremamente improvável que tenhamos um acordo com força de lei em Cancún", disse a principal autoridade da ONU para mudanças climáticas. "Eu acho que principalmente os países em desenvolvimento vão querer ver o que um acordo exigiria deles antes de fazê-lo ter força de lei."
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Christiana Figueres será a nova chefe da UNFCCCNo mês passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeou a costa-riquenha Christiana Figueres para substituir De Boer a partir de 1º de julho de 2010. Analistas avaliam que ela enfatizará o desenvolvimento de tecnologias verdes em detrimento de metas obrigatórias de cortes na emissão de gases.
O encontro de Bonn tem como objetivo destravar os impasses existentes. O chamado Acordo de Copenhague estabelece uma meta voluntária de limitar o aquecimento em 2 graus Celsius. Ele foi acertado por cerca de vinte líderes mundiais, nas horas finais do encontro.
Para mostrar que o acordo tem credibilidade – e trazer de volta a confiança no projeto como um todo – os países em desenvolvimento estão agora cobrando dos industrializados que cumpram suas promessas de apoio financeiro.
Crise econômica é um empecilho
No Acordo de Copenhague, a União Europeia, os Estados Unidos, o Japão e outros países ricos ofereceram cerca de 30 bilhões de euros de ajuda para o período de 2010 a 2012, valor que subiria para 100 bilhões de dólares anuais até 2020.
Com a crise financeira na zona do euro, a União Europeia está revendo sua meta inicial de cortar unilateralmente em 30% sua emissão de gás carbônico até 2020 – em relação ao índice de 1990. A meta seria uma forma de estimular atitudes semelhantes nos países em desenvolvimento.
Connie Hedegaard, comissária da UE para mudanças climáticas, disse na semana passada que "claramente não há condições" de se atingir esta meta. Anteriormente, a UE tinha proposto mudar sua meta de 20% para 30% se outros países a acompanhassem como parte do novo acordo climático. Um estudo apresentado pela comissária estima que isso custaria 81 bilhões de euros.
"É claro que agora não é uma hora fácil para se discutir dinheiro que sai dos cofres públicos", disse Hedegaard.
França e Alemanha – as duas maiores economias da UE – pediram a outros membros da União Europeia que tratem este assunto com muito cuidado.
Tudo tem sua hora
Grupos ambientalistas, como o WWF, vêm tentando movimentar as conversações emperradas.
"Copenhague fracassou em produzir o acordo de que o mundo precisa, mas alcançou importantes progressos em alguns aspectos", disse Regine Guenther, responsável por política climática do WWF. As negociações de Bonn deveriam focar estes pontos, disse Guenther, e concluí-los na próxima conferência do clima no México.
De acordo com o WWF, os delegados em Bonn poderiam resolver questões como finanças, desmatamento e transferência de tecnologia até Cancún e deixar para acertar um tratado global em 2011 na África do Sul.
"O progresso nestas áreas mostraria que a comunidade internacional continua trabalhando com seriedade em prol do novo acordo. O primeiro compromisso do Protocolo de Kyoto vence em 2012. Na África do Sul, no máximo, tem de ser definida a sequência do acordo", acrescentou Guenther.
TM/rtr/afp/dpa
Revisão: Alexandre Schossler
ONU nomeia diplomata da Costa Rica como nova chefe climática /// Reuters
Figueres, de 53 anos, substituirá o holandês Yvo de Boer como chefe do secretariado da ONU a partir de 1o de julho
Reuters
Por Patrick Worsnip
NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A Organização das Nações Unidas nomeou nesta segunda-feira a diplomata costarriquenha Christiana Figueres, veterana em negociações climáticas, para dirigir o Secretariado de Mudança Climática da entidade, e promover avanços nas conversas internacionais para conter as emissões de gases-estufa do mundo.
Figueres, de 53 anos, substituirá o holandês Yvo de Boer como chefe do secretariado da ONU a partir de 1o de julho.
Ela derrotou o ex-ministro sul-africano de Meio Ambiente Marthinus Van Schalkwyk, para uma posição que significa fazer avançar um acordo que suceda o Protocolo de Kyoto após o decepcionante encontro em Copenhague, em dezembro.
"A senhora Figueres é uma líder internacional em estratégias sobre as mudanças climáticas e traz a essa posição uma paixão pela questão, profundo conhecimento e experiência valiosa com o setor público, setor não-privado e setor privado", disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.
Sua principal tarefa será coordenar as discussões que levem à adoção de um novo tratado climático global, possivelmente no encontro ministerial programado para o final de novembro em Cancún, no México.
Uma fonte ligada à questão disse: "Ela é uma negociadora querida e competente. Se eles queriam um tecnocrata, ela é provavelmente a melhor possível".
Figueres participa desde 1995 da equipe de negociações climáticas do seu país, e já ocupou vários cargos importantes no processo climático da ONU. O pai dela, José Figueres, foi três vezes presidente da Costa Rica.
"Ela é respeitada e tem uma compreensão íntima dos problemas", disse uma fonte.
De Boer deixa o Secretariado Climático em 1o. de julho, após quase quatro anos no cargo. Seus antecessores foram de Canadá, Holanda e Malta, e já havia a expectativa de que desta vez o indicado seria de um país em desenvolvimento.
Van Schalkwyk, atualmente ministro do Turismo da África do Sul, era tido como favorito em parte porque vem de um grande país emergente, um grupo do qual participam também nações como Brasil, China e Índia.
Mas uma fonte disse que pequenos países insulares em desenvolvimento - que estão entre os mais ameaçados pela mudança climática - fizeram uma forte campanha por Figueres, porque preferiam alguém de uma nação menor.
"Ela teve o apoio de muitos nos países em desenvolvimento", disse uma fonte. "Foi uma guinada surpreendente quando muitos achavam que Marthinus se encaminhava para a vitória."
(Reportagem adicional de David Fogarty em Cingapura, Alister Doyle em Oslo e Gerard Wynn em Londres)
Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados
Reuters
Por Patrick Worsnip
NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A Organização das Nações Unidas nomeou nesta segunda-feira a diplomata costarriquenha Christiana Figueres, veterana em negociações climáticas, para dirigir o Secretariado de Mudança Climática da entidade, e promover avanços nas conversas internacionais para conter as emissões de gases-estufa do mundo.
Figueres, de 53 anos, substituirá o holandês Yvo de Boer como chefe do secretariado da ONU a partir de 1o de julho.
Ela derrotou o ex-ministro sul-africano de Meio Ambiente Marthinus Van Schalkwyk, para uma posição que significa fazer avançar um acordo que suceda o Protocolo de Kyoto após o decepcionante encontro em Copenhague, em dezembro.
"A senhora Figueres é uma líder internacional em estratégias sobre as mudanças climáticas e traz a essa posição uma paixão pela questão, profundo conhecimento e experiência valiosa com o setor público, setor não-privado e setor privado", disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.
Sua principal tarefa será coordenar as discussões que levem à adoção de um novo tratado climático global, possivelmente no encontro ministerial programado para o final de novembro em Cancún, no México.
Uma fonte ligada à questão disse: "Ela é uma negociadora querida e competente. Se eles queriam um tecnocrata, ela é provavelmente a melhor possível".
Figueres participa desde 1995 da equipe de negociações climáticas do seu país, e já ocupou vários cargos importantes no processo climático da ONU. O pai dela, José Figueres, foi três vezes presidente da Costa Rica.
"Ela é respeitada e tem uma compreensão íntima dos problemas", disse uma fonte.
De Boer deixa o Secretariado Climático em 1o. de julho, após quase quatro anos no cargo. Seus antecessores foram de Canadá, Holanda e Malta, e já havia a expectativa de que desta vez o indicado seria de um país em desenvolvimento.
Van Schalkwyk, atualmente ministro do Turismo da África do Sul, era tido como favorito em parte porque vem de um grande país emergente, um grupo do qual participam também nações como Brasil, China e Índia.
Mas uma fonte disse que pequenos países insulares em desenvolvimento - que estão entre os mais ameaçados pela mudança climática - fizeram uma forte campanha por Figueres, porque preferiam alguém de uma nação menor.
"Ela teve o apoio de muitos nos países em desenvolvimento", disse uma fonte. "Foi uma guinada surpreendente quando muitos achavam que Marthinus se encaminhava para a vitória."
(Reportagem adicional de David Fogarty em Cingapura, Alister Doyle em Oslo e Gerard Wynn em Londres)
Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados
Consumo per capita de carne bovina sobe no Brasil /// MNP
Exportações menores de carne bovina em 2009, melhora na oferta interna - graças à recomposição do rebanho - e preços mais acessíveis levaram ao aumento do consumo per capita do produto no ano passado.
Pelas estimativas da AgraFNP, o consumo de carne bovina por habitante no mercado brasileiro ficou entre 33 e 34 quilos no ano passado - havia sido de 30 quilos no anterior. "Os preços da carne caíram, o que estimulou o consumo", disse José Vicente Ferraz , diretor da AgraFNP.
Ele observou que tais números podem sofrer alguma alteração após a divulgação de dados oficiais de abate de bovinos em 2009 pelo IBGE, ainda neste primeiro semestre. Para este ano, o analista estima novo aumento do consumo per capita de carne bovina no Brasil. "Não vai crescer tanto [como em 2009], mas deve crescer", afirmou. Ele acredita em incremento menor porque espera melhora nas exportações do produto este ano. Em 2009, foram 1,139 milhão de toneladas, queda de 12%.
Ferraz observou que o comportamento do câmbio também influenciará o desempenho das exportações, mas lembrou que há uma recuperação da demanda internacional após um período desaquecimento em função da crise internacional.
Ele citou Rússia e Venezuela como exemplo de mercados que devem voltar a comprar do Brasil, já que estão sendo beneficiados pela alta do petróleo, o que eleva a receita desses países. Com exportações maiores, os preços ao consumidor doméstico tendem a subir, o que deve segurar a demanda, acrescentou. (AAR)
Pelas estimativas da AgraFNP, o consumo de carne bovina por habitante no mercado brasileiro ficou entre 33 e 34 quilos no ano passado - havia sido de 30 quilos no anterior. "Os preços da carne caíram, o que estimulou o consumo", disse José Vicente Ferraz , diretor da AgraFNP.
Ele observou que tais números podem sofrer alguma alteração após a divulgação de dados oficiais de abate de bovinos em 2009 pelo IBGE, ainda neste primeiro semestre. Para este ano, o analista estima novo aumento do consumo per capita de carne bovina no Brasil. "Não vai crescer tanto [como em 2009], mas deve crescer", afirmou. Ele acredita em incremento menor porque espera melhora nas exportações do produto este ano. Em 2009, foram 1,139 milhão de toneladas, queda de 12%.
Ferraz observou que o comportamento do câmbio também influenciará o desempenho das exportações, mas lembrou que há uma recuperação da demanda internacional após um período desaquecimento em função da crise internacional.
Ele citou Rússia e Venezuela como exemplo de mercados que devem voltar a comprar do Brasil, já que estão sendo beneficiados pela alta do petróleo, o que eleva a receita desses países. Com exportações maiores, os preços ao consumidor doméstico tendem a subir, o que deve segurar a demanda, acrescentou. (AAR)
Fórum Econômico Mundial em Davos ampliará abordagem á Clima.///Point Carbon
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Unknown
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1/28/2010 03:00:00 AM
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davos; Amazonia;serviço florestal brasileiro;mudanças climáticas;sequestro de carbono,
desmatamento;consumo de carne;cop15;Protocolo de Quioto,
mercado de carbono
Edição 2010 de Davos dará maior espaço para o tema Climático
Published: 26 Jan 2010
Políticas Climáticas e energia renovável deverão liderar as discussões em Davos no encontro que começa nesta semana.
Diversos lideres políticos e grandes empresários juntam-se em Davos nesta semana para o encontro anual do Fórum Econômico Mundial.
No Fórum do ano passado o tema central girou em torno da crise econômica que assolava o mundo relegando posição secundária à questão climática.
Nesta edição do Encontro serão abordados temas como redução das emissões e os mecanismos econômicos que compõe o crescente Mercado de carbono.
Dominic Waghray, chefe do departamento responsável por Clima no Fórum de Davos afirma que cerca de 12% das discussões terão a questão do climática e energia como temas preponderantes.Ao todo serão 227 reuniões-eventos este ano. Muito mais quando comparados ao ano passado, quando apenas 6 eventos (num total de 222) trataram de assuntos relacionados ao Clima e Energia. Em 2008 foram apenas 20 eventos. Portanto, conclui-se que estes temas vem ganhando espaço e importância na agenda do Fórum.
Como a economia global apresenta sinais de recuperação, o tema oficial do encontro será :Repense, Redesenhe, Reconstrua.O que pode facilmente acoplar-se como uma continuidade do tema debatido em Copenhagen recentemente, na Conferencia das Partes 15.
Uma das discussões mais importantes a ser realizada diz respeito á como engajar os financistas no Mercado de Carbono, depois do modesto resultado obtido em Copenhagen.
União Européia
“Serão discutidos com grande ênfase como o investimento publico e privado podem alavancar a questão das energias limpas nos países em desenvolvimento”, disse Waghray..
Connie Hedegaard, comissária de Mudanças Climáticas da União Européia, defenderá uma posição de renovação e continuidade das atividades para os mercados de carbono que hoje continuam em forte atividade mesmo com as incertezas em relação ao futuro do protocolo de Quioto e da questão da legislação interna sobre carbono ainda em discussão nos EUA.
O participantes do Fórum deverão discutir novas formas em como unir os caminhos do mercado europeu de carbono , o EU ETS, com os mercados nascentes na Índia e China , mesmo apesar da do cenário de indefinição dos EUA, afirma Waughray.
Será uma oportunidade para os grandes empresários examinarem de perto e discutirem os preços de emissões de carbono, seja ele via mercado ou via imposto (taxa), complementou.
Lideres
Líderes empresariais assim como políticos terão oportunidade de examinar de perto iniciativas como Eficiência Energética, Captura e Armazenagem de Carbono (CCS) e Desmatamento Evitado, podem desempenhar um relevante papel no controle e redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa.
Aproximadamente 30 chefes de estado comparecerão ao Fórum que é o acontecimento de maior importância desde a Conferencia das Partes, dezembro ultimo em Copenhagen, onde estiveram presentes pouco mais de 110 lideres de nações.
O presidente francês N. Sarkozy fará a abertura da Cúpula. Também presentes estarão o primeiro-ministro canadense Stephen Harper, país que sediará a reunião do G-8 este ano e o presidente do México, Felipe Calderón, país que sediará o encontro Climático este ano, a CoP 16.
Lideres do Brasil e Africa do Sul também participarão representando as grandes economias em desenvolvimento, as quais vêm ganhando mais espaço em um ambiente tradicionalmente dominado pelos países ricos.
Nações Unidas
Países que impossibilitados de enviar seus lideres, enviarão ministros-chave. No caso dos EUA , estará presente ao evento o negociador chefe para a questão climática, Todd Stern.
Depois de um ano onde a acordo sobre redução de emissões de carbono foi evasivo, avanços em matéria de clima são improváveis em Davos. Oportunidades de networking, debates e oficinas devem dominar a agenda do encontro.
O presidente do México, Calderón participará de um debate com o negociador sênior Shyam Saran, responsável por questões climáticas da Índia e Yvo de Boer, na próxima sexta-feira. Temas que foram previamente acordados durante o encontro de Copenhagen serão novamente colocados em pauta.
By John McGarrity - jm@pointcarbon.comT
Tradução de Laercio Bruno Filho
London
Published: 26 Jan 2010
Políticas Climáticas e energia renovável deverão liderar as discussões em Davos no encontro que começa nesta semana.
Diversos lideres políticos e grandes empresários juntam-se em Davos nesta semana para o encontro anual do Fórum Econômico Mundial.
No Fórum do ano passado o tema central girou em torno da crise econômica que assolava o mundo relegando posição secundária à questão climática.
Nesta edição do Encontro serão abordados temas como redução das emissões e os mecanismos econômicos que compõe o crescente Mercado de carbono.
Dominic Waghray, chefe do departamento responsável por Clima no Fórum de Davos afirma que cerca de 12% das discussões terão a questão do climática e energia como temas preponderantes.Ao todo serão 227 reuniões-eventos este ano. Muito mais quando comparados ao ano passado, quando apenas 6 eventos (num total de 222) trataram de assuntos relacionados ao Clima e Energia. Em 2008 foram apenas 20 eventos. Portanto, conclui-se que estes temas vem ganhando espaço e importância na agenda do Fórum.
Como a economia global apresenta sinais de recuperação, o tema oficial do encontro será :Repense, Redesenhe, Reconstrua.O que pode facilmente acoplar-se como uma continuidade do tema debatido em Copenhagen recentemente, na Conferencia das Partes 15.
Uma das discussões mais importantes a ser realizada diz respeito á como engajar os financistas no Mercado de Carbono, depois do modesto resultado obtido em Copenhagen.
União Européia
“Serão discutidos com grande ênfase como o investimento publico e privado podem alavancar a questão das energias limpas nos países em desenvolvimento”, disse Waghray..
Connie Hedegaard, comissária de Mudanças Climáticas da União Européia, defenderá uma posição de renovação e continuidade das atividades para os mercados de carbono que hoje continuam em forte atividade mesmo com as incertezas em relação ao futuro do protocolo de Quioto e da questão da legislação interna sobre carbono ainda em discussão nos EUA.
O participantes do Fórum deverão discutir novas formas em como unir os caminhos do mercado europeu de carbono , o EU ETS, com os mercados nascentes na Índia e China , mesmo apesar da do cenário de indefinição dos EUA, afirma Waughray.
Será uma oportunidade para os grandes empresários examinarem de perto e discutirem os preços de emissões de carbono, seja ele via mercado ou via imposto (taxa), complementou.
Lideres
Líderes empresariais assim como políticos terão oportunidade de examinar de perto iniciativas como Eficiência Energética, Captura e Armazenagem de Carbono (CCS) e Desmatamento Evitado, podem desempenhar um relevante papel no controle e redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa.
Aproximadamente 30 chefes de estado comparecerão ao Fórum que é o acontecimento de maior importância desde a Conferencia das Partes, dezembro ultimo em Copenhagen, onde estiveram presentes pouco mais de 110 lideres de nações.
O presidente francês N. Sarkozy fará a abertura da Cúpula. Também presentes estarão o primeiro-ministro canadense Stephen Harper, país que sediará a reunião do G-8 este ano e o presidente do México, Felipe Calderón, país que sediará o encontro Climático este ano, a CoP 16.
Lideres do Brasil e Africa do Sul também participarão representando as grandes economias em desenvolvimento, as quais vêm ganhando mais espaço em um ambiente tradicionalmente dominado pelos países ricos.
Nações Unidas
Países que impossibilitados de enviar seus lideres, enviarão ministros-chave. No caso dos EUA , estará presente ao evento o negociador chefe para a questão climática, Todd Stern.
Depois de um ano onde a acordo sobre redução de emissões de carbono foi evasivo, avanços em matéria de clima são improváveis em Davos. Oportunidades de networking, debates e oficinas devem dominar a agenda do encontro.
O presidente do México, Calderón participará de um debate com o negociador sênior Shyam Saran, responsável por questões climáticas da Índia e Yvo de Boer, na próxima sexta-feira. Temas que foram previamente acordados durante o encontro de Copenhagen serão novamente colocados em pauta.
By John McGarrity - jm@pointcarbon.comT
Tradução de Laercio Bruno Filho
London
Global Canopy Programme (GCP's) on behalf of Amigos da Terra:Amazônia Brasileira
Nesta exposição a ONG Amigos da Terra, demosntra como a intensa demanda nacional e internacional por carne e couro está provocando o deamatamento na Amazonia Brasileira.
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