Nesta quinta, 22 de abril, terminou a Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra (CMPCC), um evento organizado pelo governo boliviano em resposta ao fracasso da cúpula de Copenhague do ano passado
O resultado foi um documento denominado “Acordo dos Povos”, que apoia o Protocolo de Kyoto e convoca os países desenvolvidos a restaurar a saúde da Terra e reduzir as emissões de carbono em cerca de 50% até 2020. Também defende a criação de um fundo de adaptação para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar a mudança climática, que seria financiado com a realocação de 6% de seus orçamentos anuais.
Segundo La Razón, a Cúpula concluiu que o aquecimento global está relacionado aos "paradigmas e padrões de conhecimento hegemônico", já que não se trata apenas de uma luta contra as formas de produção, mas também de certas imposições sócio-culturais (por exemplo, não respeitar os conhecimentos ancestrais e impor padrões de consumo).
Diante disso, os países em desenvolvimento deveriam não só assumir sua responsabilidade, mas também mudar seus padrões de consumo por hábitos mais benéficos à “Mãe Terra”.
As discussões também destacaram importância de respeitar técnicas de agricultura campesinas e indígenas, as raízes e conhecimentos ancestrais, além da necessidade de se estabelecer um tribunal climático para punir aqueles que não cumprirem os acordos, informa a BBC Mundo.
As conclusões da cúpula refletem – talvez de forma mais pronunciada – as mesmas preocupações expressadas pela maioria dos países em desenvolvimento durante Copenhague e que não foram refletidas no acordo final da reunião de dezembro.
Resta a pergunta: a cúpula de Cochabamba pode ter algum resultado ou influência concreta sobre o rumo das negociações? Apesar de ter um peso mais simbólico que político, os organizadores anunciaram que levarão suas conclusões para a COP16 de Cancun e convocaram os diferentes movimentos sociais para participar e fazer com que sua vozes sejam ouvidas.
Se os demais países em desenvolvimento se alinhassem aos pedidos mais exigentes de Cochabamba, isso também poderia significar um endurecimento das negociações durante as reuniões prévidas para a COP16. A Bolívia conseguirá firmar sua liderança entre os países emergentes? Potências como Estados Unidos e China voltarão a costurar um próprio acordo próprio? Ainda resta um longo caminho até a COP16.
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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As conclusões e os objetivos ambiciosos da Cúpula de Cochabamba /// Planet Green - Discovery Channel
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Unknown
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4/28/2010 06:26:00 PM
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Em Cochabamba, a conferência dos pobres sobre o clima /// Instituto Ethos
Começou nesta terça-feira (20/4), em Cochabamba, na Bolívia, a Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática, convocada pelo presidente Evo Morales. O governo boliviano está estimando cerca de 15 mil pessoas no encontro, grande parte delas vindas de outras cidades do país e muitas do exterior. Desde domingo estão sendo feitos os credenciamentos, mas na segunda-feira as filas dobravam quarteirões durante todo o dia.
Na tarde de segunda, houve um painel no principal hotel da cidade, o Hotel Regina, que fez uma espécie de balanço da gestão do presidente Evo Morales, sob o pomposo tema “Construindo um Viver Bem: Resultados de Quatro Anos de Gestão do Presidente Evo Morales Ayma”. Falaram o vice-ministro de Planejamento Estratégico, Raul Prada, o ministro de Economia e Finanças, Luis Arce Catacora, o presidente-executivo da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), o advogado de defesa legal do Estado, Marvin Molina Casanova, e o diretor de regime consular do Ministério de Relações Exteriores, Alfonso Hinojosa.
A abertura oficial aconteceu nesta terça, pela manhã, no estádio do município vizinho de Tiquipaya, com a presença do presidente boliviano e representantes de governos convidados. À tarde, haverá oito painéis, que abordarão os principais temas do encontro: os novos descobrimentos científicos sobre as mudanças climáticas, suas causas estruturais, as negociações internacionais, as migrações, os modelos alternativos para o combate ao fenômeno, o tribunal internacional de justiça, a produção de alimentos e a proposta feita por Evo Morales de um referendo mundial sobre as mudanças climáticas.
Mas nem tudo são flores para Evo Morales. Movimentos indígenas bolivianos estão se mobilizando, na conferência, a fim de protestar contra as iniciativas do governo para a construção de duas hidrelétricas na parte boliviana do Rio Madeira. Segundo lideranças dos povos tradicionais da região, os projetos vêm sendo desenvolvidos de forma apressada, sem as avaliações de impacto ambiental suficiente e sem as devidas consultas aos habitantes locais.
Na verdade, Cochabamba representa um alter ego de Copenhague, contrastando com a cidade européia em diversos aspectos. Enquanto a capital dinamarquesa ostentou sua riqueza e organização, abrigando a elite governante dos países mais poderosos e as ONGs mais ricas e influentes do mundo, em Cochabamba o que se vê é a força de movimentos que nascem no meio das populações mais pobres do planeta. Na verdade, caberia bem, para o evento, o título de “Conferência Mundial dos Pobres sobre Mudanças Climáticas”.
O ambiente no local onde se realizarão a maioria dos painéis da conferência, uma das principais universidades privadas de Cochabamba, a Univalle, está repleto de representantes das mais diversas organizações de todo o mundo relacionadas a temas como meio ambiente, indígenas, trabalhadores rurais e agricultura orgânica, entre outros. Uma diversidade rara, pela qual circulam os mais diferentes tipos de pessoas, distribuindo materiais de seus movimentos ou falando em público por meio de alto-falantes.
O governo boliviano vem realizando todos os esforços possíveis para resolver os óbvios problemas gerados pela reunião de tanta gente em uma cidade pobre como Cochabamba, sem infraestrutura suficiente para atender a todos. A presença do Exército é marcante. Os militares têm participado intensamente do apoio ao encontro, colocando à disposição dos participantes alojamentos e transportes e realizando uma segurança ostensiva, com muitos soldados circulando tanto nas ruas próximas ao evento como dentro da universidade.
As atividades paralelas são muitas. É impossível ir a todas. São filmes, documentários, apresentações culturais, lançamentos de livros, distribuição de jornais, DVDs, sem falar nas iniciativas individuais de pessoas que saem distribuindo panfletos, poemas engajados etc. Os povos indígenas bolivianos têm lugar de destaque, inclusive com barracas espalhadas por todo o campus, vendendo produtos artesanais.
Estarão na conferência, durante a semana, participando dos debates, nomes como Frei Beto, Leonardo Boff, Vandana Shiva e Alberto Acosta, entre outros. A programação completa pode ser acessada no site da conferência, no endereço http://cmpcc.files.wordpress.com/2010/04/programa-cmpcc-final.pdf.
Por Celso Dobes Bacarji, de Cochabamba / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)
Na tarde de segunda, houve um painel no principal hotel da cidade, o Hotel Regina, que fez uma espécie de balanço da gestão do presidente Evo Morales, sob o pomposo tema “Construindo um Viver Bem: Resultados de Quatro Anos de Gestão do Presidente Evo Morales Ayma”. Falaram o vice-ministro de Planejamento Estratégico, Raul Prada, o ministro de Economia e Finanças, Luis Arce Catacora, o presidente-executivo da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), o advogado de defesa legal do Estado, Marvin Molina Casanova, e o diretor de regime consular do Ministério de Relações Exteriores, Alfonso Hinojosa.
A abertura oficial aconteceu nesta terça, pela manhã, no estádio do município vizinho de Tiquipaya, com a presença do presidente boliviano e representantes de governos convidados. À tarde, haverá oito painéis, que abordarão os principais temas do encontro: os novos descobrimentos científicos sobre as mudanças climáticas, suas causas estruturais, as negociações internacionais, as migrações, os modelos alternativos para o combate ao fenômeno, o tribunal internacional de justiça, a produção de alimentos e a proposta feita por Evo Morales de um referendo mundial sobre as mudanças climáticas.
Mas nem tudo são flores para Evo Morales. Movimentos indígenas bolivianos estão se mobilizando, na conferência, a fim de protestar contra as iniciativas do governo para a construção de duas hidrelétricas na parte boliviana do Rio Madeira. Segundo lideranças dos povos tradicionais da região, os projetos vêm sendo desenvolvidos de forma apressada, sem as avaliações de impacto ambiental suficiente e sem as devidas consultas aos habitantes locais.
Na verdade, Cochabamba representa um alter ego de Copenhague, contrastando com a cidade européia em diversos aspectos. Enquanto a capital dinamarquesa ostentou sua riqueza e organização, abrigando a elite governante dos países mais poderosos e as ONGs mais ricas e influentes do mundo, em Cochabamba o que se vê é a força de movimentos que nascem no meio das populações mais pobres do planeta. Na verdade, caberia bem, para o evento, o título de “Conferência Mundial dos Pobres sobre Mudanças Climáticas”.
O ambiente no local onde se realizarão a maioria dos painéis da conferência, uma das principais universidades privadas de Cochabamba, a Univalle, está repleto de representantes das mais diversas organizações de todo o mundo relacionadas a temas como meio ambiente, indígenas, trabalhadores rurais e agricultura orgânica, entre outros. Uma diversidade rara, pela qual circulam os mais diferentes tipos de pessoas, distribuindo materiais de seus movimentos ou falando em público por meio de alto-falantes.
O governo boliviano vem realizando todos os esforços possíveis para resolver os óbvios problemas gerados pela reunião de tanta gente em uma cidade pobre como Cochabamba, sem infraestrutura suficiente para atender a todos. A presença do Exército é marcante. Os militares têm participado intensamente do apoio ao encontro, colocando à disposição dos participantes alojamentos e transportes e realizando uma segurança ostensiva, com muitos soldados circulando tanto nas ruas próximas ao evento como dentro da universidade.
As atividades paralelas são muitas. É impossível ir a todas. São filmes, documentários, apresentações culturais, lançamentos de livros, distribuição de jornais, DVDs, sem falar nas iniciativas individuais de pessoas que saem distribuindo panfletos, poemas engajados etc. Os povos indígenas bolivianos têm lugar de destaque, inclusive com barracas espalhadas por todo o campus, vendendo produtos artesanais.
Estarão na conferência, durante a semana, participando dos debates, nomes como Frei Beto, Leonardo Boff, Vandana Shiva e Alberto Acosta, entre outros. A programação completa pode ser acessada no site da conferência, no endereço http://cmpcc.files.wordpress.com/2010/04/programa-cmpcc-final.pdf.
Por Celso Dobes Bacarji, de Cochabamba / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)
Chegou a hora dos povos, afirma defensor equatoriano /// Prensa Latina
martes, 20 de abril de 2010
20 de abril de 2010, 15:58Cochabamba, Bolívia, 20 abr (Prensa Latina) O Defensor do Povo do Equador, Fernando Gutiérrez, afirmou hoje que a Conferência Mundial sobre Mudança Climática em Cochabamba, é o espaço que reclamavam aqueles que até agora não tinham voz.
Em declarações exclusivas à Prensa Latina, Gutiérrez elogiou a iniciativa do presidente Evo Morales de convocar esta reunião, depois do fracasso da Cúpula das Nações Unidas em Copenhague (Dinamarca) em dezembro do ano passado.
A proposta de Morales é um enorme acerto para que definitivamente as nações industrializadas e as transnacionais cujos interesses representam se deem conta da urgência de salvar o planeta, assinalou.
Devemos esperar que as grandes potências continuarão inventando truques como fizeram em Copenhague, para aprofundar nas utilidades dessas sociedades de consumo, alertou.
Gutiérrez condenou manobras nesse sentido como a que realiza agora os Estados Unidos contra Quito ao pretenderem novas sanções econômicas.
Não basta a Washington o bloqueio econômico contra Cuba há mais de cinco décadas, agora arremete contra nosso país, que com a liderança do presidente Rafael Correa, protagoniza também um processo de mudança, afirmou.
Para o Defensor do Povo do Equador, a reunião de Cochabamba marcará outro passo no fim do capitalismo e seu sistema consumista.
Para trás ficarão cerca de cinco séculos de produção de enormes riquezas que estão distribuídas em poucas mãos, isso é o capitalismo, um sistema cujas bases é o egoísmo e a destruição dos recursos naturais indispensáveis como os hidrocarbonetos, explicou.
O ativista equatoriano estimou de vital que as conclusões da Conferência dos Povos de Cochabamba sejam entregues aos estadistas que se reunirão no final deste ano no balneário mexicano de Cancún, em outra Cúpula sobre mudança climática.
O Equador está representado na reunião na capital valluna por uma delegação de 500 pessoas em nome de movimentos sociais e organizações indígenas.
No dia 22 de março deste ano realizou-se um encontro preparatório desta reunião na Universidade Andina de Quito, evento que contou com a intervenção de diversas organizações, cujos delegados discutiram, analisaram e formularam várias propostas que possibilitem tomar ações concretas para frear o aquecimento global.
A delegação equatoriana recebeu o missão de sustentar o projeto de Declaração Universal de Direitos da Mãe Terra e a organização de um referendo mundial sobre a mudança climática.
Também respaldarão a criação de um Tribunal Internacional de Justiça Climática, para julgar governos e empresas que destruam a vida no planeta.
lma/ga/es
20 de abril de 2010, 15:58Cochabamba, Bolívia, 20 abr (Prensa Latina) O Defensor do Povo do Equador, Fernando Gutiérrez, afirmou hoje que a Conferência Mundial sobre Mudança Climática em Cochabamba, é o espaço que reclamavam aqueles que até agora não tinham voz.
Em declarações exclusivas à Prensa Latina, Gutiérrez elogiou a iniciativa do presidente Evo Morales de convocar esta reunião, depois do fracasso da Cúpula das Nações Unidas em Copenhague (Dinamarca) em dezembro do ano passado.
A proposta de Morales é um enorme acerto para que definitivamente as nações industrializadas e as transnacionais cujos interesses representam se deem conta da urgência de salvar o planeta, assinalou.
Devemos esperar que as grandes potências continuarão inventando truques como fizeram em Copenhague, para aprofundar nas utilidades dessas sociedades de consumo, alertou.
Gutiérrez condenou manobras nesse sentido como a que realiza agora os Estados Unidos contra Quito ao pretenderem novas sanções econômicas.
Não basta a Washington o bloqueio econômico contra Cuba há mais de cinco décadas, agora arremete contra nosso país, que com a liderança do presidente Rafael Correa, protagoniza também um processo de mudança, afirmou.
Para o Defensor do Povo do Equador, a reunião de Cochabamba marcará outro passo no fim do capitalismo e seu sistema consumista.
Para trás ficarão cerca de cinco séculos de produção de enormes riquezas que estão distribuídas em poucas mãos, isso é o capitalismo, um sistema cujas bases é o egoísmo e a destruição dos recursos naturais indispensáveis como os hidrocarbonetos, explicou.
O ativista equatoriano estimou de vital que as conclusões da Conferência dos Povos de Cochabamba sejam entregues aos estadistas que se reunirão no final deste ano no balneário mexicano de Cancún, em outra Cúpula sobre mudança climática.
O Equador está representado na reunião na capital valluna por uma delegação de 500 pessoas em nome de movimentos sociais e organizações indígenas.
No dia 22 de março deste ano realizou-se um encontro preparatório desta reunião na Universidade Andina de Quito, evento que contou com a intervenção de diversas organizações, cujos delegados discutiram, analisaram e formularam várias propostas que possibilitem tomar ações concretas para frear o aquecimento global.
A delegação equatoriana recebeu o missão de sustentar o projeto de Declaração Universal de Direitos da Mãe Terra e a organização de um referendo mundial sobre a mudança climática.
Também respaldarão a criação de um Tribunal Internacional de Justiça Climática, para julgar governos e empresas que destruam a vida no planeta.
lma/ga/es
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