Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Estudo da esalq propõe metodologia para projeto florestal de crédito de carbono

 
Caio Rodrigo Albuquerque/ Assessoria de Comunicação da Esalq
11/06/2012
 
As crescentes preocupações com a mitigação das mudanças do clima levaram à criação de mecanismos de mercado que recompensassem financeiramente ações adicionais de remoção de gases do efeito estufa da atmosfera através de projetos voltados ao mercado de carbono.

Diante do exposto, o engenheiro florestal Thales Augusto Pupo West desenvolveu uma metodologia para projetos florestais de carbono envolvendo a conversão da exploração madeireira convencional (ilegal) para o manejo florestal que utilize técnicas de Exploração de Impacto Reduzido (EIR).

O estudo foi proposto no Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. Embora, no âmbito do Protocolo de Kyoto, apenas atividades florestais de florestamento e reflorestamento sejam consideradas elegíveis, a maturação do mercado voluntário de carbono levou regimes de mercado como o Verified Carbon Standard (VCS) a aceitarem, entre outras, atividades de projeto envolvendo a melhoria do manejo florestal, conta o autor do trabalho, que teve orientação de Edson José Vidal da Silva, docente do Departamento de Ciências Florestais (LCF) e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Estão incluídas entre essas atividades a conversão da exploração madeireira convencional (EC) para o manejo florestal com exploração de impacto reduzido (MF-EIR), atividade esta que, segundo West, muito provavelmente estará inclusa no escopo de um futuro programa florestal de mitigação das mudanças do clima, o REDD+ (redução de emissões do desmatamento e degradação florestal mais os benefícios do sequestro de carbono a partir de melhorias do manejo florestal).

Na prática, a pesquisa utilizou uma série histórica de 16 anos de dados de uma área florestal explorada através da EC e do MF-EIR em Paragominas (PA), onde o diâmetro e a altura do peito (DAP), o crescimento, a mortalidade e o recrutamento foram monitorados, além de identificados o nome vulgar e o nome científico de todos os amostrados. A área estudada, de 210 hectares, foi submetida a três formas de tratamentos: MF-EIR em 105 ha, exploração convencional em 75 ha e área de controle, não explorada, em 30 ha. As explorações aconteceram em 1993, sendo realizados inventários florestais pré-exploração, em 1993, e pós-exploração, nos anos de 1994, 1995, 1996, 1998, 2000, 2003, 2006 e 2009.

A partir disso o engenheiro florestal estimou os impactos dos tratamentos na dinâmica do carbono ao longo do tempo, sob a perspectiva de um projeto florestal de crédito de carbono envolvendo a conversão da EC para o MF-EIR. O objetivo foi desenvolver essa metodologia para que agentes madeireiros pudessem utilizar o incentivo financeiro do mercado de carbono como um pagamento por serviço ambiental, para adotar práticas sustentáveis de manejo florestal. Essa opção de projeto é elegível no mercado voluntário de carbono, porém necessita de uma metodologia aprovada para acontecer e até o momento não existe nenhuma que funcione dessa forma, explica.

Tendo como pilares regras e guias de boas práticas envolvendo atividades de uso do solo e mudanças do uso do solo, além de outras metodologias e ferramentas aprovadas para projetos florestais de carbono, a dinâmica dos estoques de carbono foi monitorada e, com base nessa dinâmica, foi estimado qual seria o retorno financeiro de um projeto de carbono.

A comparação entre os tratamentos MF-EIR e EC em relação às taxas de regeneração dos estoques de carbono apontou diferenças estatísticas significativas. O tratamento MF-EIR apresentou um incremento médio observado de 12,30 mg C ha-1 ano-1 e estimado de 13,01 mg C ha-1 ano-1, enquanto que o tratamento EC apresentou um incremento médio observado de 5,42 mg C ha-1 ano-1 e estimado de 5,43 mg C ha-1 ano-1, destaca o pesquisador.

Em termos econômicos, o estudo considerou cenários distintos envolvendo a área do projeto e avaliou resultados para 500, 1.000, 5.000, e 10.000 hectares, além do preço do crédito de carbono fixado em US$ 5,00, US$ 7,50, e US$ 10,00 por unidade. Observamos a partir daí uma matriz de resultados onde apenas projetos com área superior a 1.000 ha seriam possivelmente viáveis economicamente à atividade de projeto de carbono em questão. Concomitante, o valor mínimo estimado do crédito de carbono para que não haja prejuízo financeiro aos madeireiros por uma possível postergação do início do segundo ciclo de corte na área do projeto, tempo necessário para que os estoques de carbono da biomassa arbórea viva atinjam seu valor inicial pré-exploração, foi de US$ 5,33 por unidade. Esse valor está dentro da faixa de preços praticados pelo mercado de carbono apontada pela literatura.

Além dessas vantagens, West lembra que a metodologia sugere uma nova forma de abordagem dada ao credito de carbono, que é baseado atualmente no volume estocado, sem considerar se está alocado no reservatório de carbono da matéria morta ou no da biomassa viva. Um dos resultados sugere que o carbono estocado na biomassa viva é mais importante para a sustentabilidade do manejo florestal e deve ser dada maior importância a ele nesse contexto de PSA baseado no carbono florestal. Agora, o passo seguinte é submeter a metodologia para aprovação no VCS. No entanto, esse é um processo longo, finaliza.

Mais informações: (19) 3447.8613/ 3429.4109/ 3429.4485, site www.esalq.usp.br/acom, email acom@esalq.usp.br

Fonte: USP

Esalq/USP dá início em março a novos cursos de MBA a distância, com apoio do Canal Rural

Alunos poderão assistir às aulas dos MBAs em Agronegócio e em Agroenergia em mais de 100 polos de ensino credenciados por todo o país.A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) e uma das principais faculdades de engenharia agronômica e economia agrícola do país, inicia em março as aulas de sua segunda turma de MBA em Agronegócios no modelo de ensino a distância. Além disso, a faculdade realizará em 2012 o primeiro MBA em Agroenergia, que terá como foco a agroindústria sucroalcooleira, com fundamentos de gestão empresarial.

O curso de MBA em Agronegócio, destinado a profissionais com nível superior completo que atuam ou desejam atuar nas diversas cadeias do agronegócio, foi lançado no segundo semestre de 2011 e já conta com alunos em mais de 100 polos de ensino credenciados em todo o Brasil. O Canal Rural é apoiador na viabilização e divulgação da iniciativa.

Os alunos inscritos nos cursos poderão assistir às aulas via satélite, sem a necessidade de se deslocar até Piracicaba, no interior de São Paulo, onde fica o campus da Esalq. As aulas serão transmitidas ao vivo para as salas de aula especialmente estruturadas com TV, carteiras e equipe local de monitores para assistência aos alunos, que poderão também interagir com os professores pela Internet. A apresentação do trabalho de conclusão de curso (TCC) também será feita à banca avaliadora via Internet.

Com a tradição de mais de 25 anos no mercado, os cursos integram o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da instituição. A USP, que outorga os certificados da pós-graduação, acompanha a realização dos cursos e garante os padrões de excelência que fundamentam o propósito e as características diferenciadoras da Universidade de São Paulo. O corpo docente é formado por professores doutores da Esalq e outras unidades da USP, bem como profissionais de renomada experiência no setor privado.

O programa do curso de MBA em Agronegócios tem duração de dois anos e inclui temas como Análise de Risco em Projetos, Comércio Internacional, Derivativos Agropecuários, Estatística e Análise de Informações, Financiamento Agrícola, Logística e Transporte, Gestão Empresarial, Marketing no Agronegócio, além de detalhar a dinâmica do mercado das principais commodities produzidas no Brasil.

O MBA em Agroenergia será direcionado a profissionais de nível superior completo atuantes no setor ou que nele pretendam ingressar. O programa do curso, que também tem duração de dois anos, inclui temas como Manejo Químico do Solo e Adubação da Cana, Marketing no Agronegócio, Processamento de Biodiesel, Formação de Preços de Açúcar e Álcool, Matemática Financeira e Análise de Investimento, Instalação e Tratos Culturais da Cana e Comercialização de energia elétrica.
. Os interessados podem efetuar a inscrição ou obter mais informações pelo site www.pecege.esalq.usp.br].

Esalq - Fundada em 1901 e localizada no campus da USP em Piracicaba, a Esalq é reconhecida mundialmente pela formação de líderes do agronegócio e tem, atualmente, mais de quatro mil alunos distribuídos em seis cursos de graduação, Pós e MBA. Dentro da Esalq está o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), que atua organizando cursos de MBA, especialização, aperfeiçoamento e atualização aos profissionais do agronegócio desde 1986. Os cursos de especialização são certificados pela ESALQ/USP e ministrados por professores doutores, associados e titulares desta faculdade e de outras unidades da USP, além de profissionais de renomada experiência no setor privado.

Valores da conservação

12/1/2011
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – A atribuição de valor aos serviços ecológicos é um fator importante para incentivar a preservação da natureza e da biodiversidade. Mas não é suficiente: as dimensões econômicas por si só não garantem a conservação se não forem agregadas a fatores não-econômicos que envolvem valores históricos, culturais e até mesmo estéticos.

A conclusão é de uma análise sobre a valoração econômica e os instrumentos para a conservação e uso sustentável da biodiversidade coordenada por Luciano Verdade, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

Verdade, que é membro da coordenação do Programa Biota-FAPESP, apresentou os resultados do estudo durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, realizada em dezembro pelo Programa Biota-FAPESP, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

O professor coordena o Projeto Temático Mudanças socioambientais no Estado de São Paulo e perspectivas para a conservação, financiado pela FAPESP.

A reflexão sobre valoração econômica e conservação da biodiversidade foi feita a partir de uma análise das mudanças socioambientais ocorridas na região de Angatuba (SP), município situado a cerca de 210 quilômetros a oeste da capital paulista.

“A análise das mudanças ao longo do tempo mostrou que a configuração que encontramos hoje na região estudada tem uma base mais histórica que propriamente geográfica biológica. As transformações econômicas no decorrer do processo histórico foram o motor das mudanças nos processos ecológicos e agrícolas. Ao mesmo tempo, o estudo indica que a atividade econômica – às vezes vista como uma panaceia para combater a perda da biodiversidade – pode ser também a causa dessa perda”, disse Verdade.

A localidade de Angatuba foi elevada à categoria de município no ano de 1885. Entre 1889 e 1929, a população rural era predominante na área onde foi realizado o estudo. Havia pelo menos 30 famílias instaladas na zona rural.

“Era uma região com concentração de poder político, de onde saíram senadores e governadores naquela época. Na área de educação, havia ali um esforço maior que em outras cidades do mesmo porte. Em função desse desenvolvimento, houve um grande desmatamento, com a introdução de culturas de café, feijão, milho e frutas. Havia uma pressão de caça significativa e intensa extração de madeira. Naquele período, a população escrava foi substituída por imigrantes”, disse Verdade.

Com a crise financeira de 1929, a cultura de café foi subitamente abandonada, acarretando a recuperação da vegetação nativa. A depressão econômica causou um êxodo rural – os descendentes de escravos não permaneceram na região –, perda do poder político e retração dos esforços educacionais.

“Entre 1930 e 1975, houve um considerável processo de revegetação nativa – área de transição entre Cerrado e floresta semidecídua – e uma diminuição sensível da pressão de caça”, disse.

Entre 1975 e 2005, a população rural da área estudada passou por outra retração: restaram apenas cerca de dez famílias. “Mas o desmatamento da vegetação nativa voltou a aumentar, com o avanço dos pastos e da pecuária. Algumas árvores permaneceram no meio dos pastos, modificando a composição da paisagem. A pressão de caça voltou a ser significativa”, disse o pesquisador.

Em 2005, com a chegada da silvicultura, a população diminuiu ainda mais. Restaram duas ou três famílias. A legislação ambiental garantiu a implementação de áreas de preservação permanente (APP) e da reserva legal (RL).

“Graças a isso, está ocorrendo um novo processo de revegetação nativa e a pressão de caça voltou a diminuir. O esforço educacional do começo do século 20 também retornou, na forma de um esforço científico, com o nosso Projeto Temático e outras ações de pesquisa. Hoje, encontramos uma paisagem ainda mais modificada pelo advento da silvicultura, com eucaliptos no meio dos campos, por exemplo”, afirmou.

O caso de Angatuba, segundo Verdade, ilustra os processos que ocorreram de maneira geral em todo o Estado de São Paulo. “As mudanças ocorridas no estado se devem a transformações econômicas ao longo do processo histórico – e não tanto a transformações biológicas. As atividades econômicas vêm movendo os processos ecológicos e agrícolas”, disse.

Perspectivas econômicas
A biologia da conservação passou por diferentes momentos desde sua origem na década de 1970, a partir da obra do biólogo norte-americano Michael Soulé, que hoje atua na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, Estados Unidos. No início, a preocupação estava voltada principalmente para as populações pequenas, submetidas ao risco de extinção.

“A partir disso, houve o desenvolvimento de outras disciplinas ligadas á conservação biológica, incluindo a Ecologia da Paisagem e a medicina da Conservação. Em um dado momento, passou-se também a pensar nas dimensões econômicas ligadas aos processos de conservação de biodiversidade. Nesse sentido, Robert Costanza, da Portland State University, dos Estados Unidos, destaca que o “investimento na conservação sempre implica em custos”, disse Verdade.

Outra corrente, liderada pelo australiano Graeme Caughley (1937-1994), prega que são os processos demográficos de declínio populacional, envolvendo taxas de natalidade e de mortalidade, que empurram as populações para as extinções. A extinção, portanto, não seria apenas um problema de populações pequenas.

“Nessa perspectiva, há poucas alternativas em termos de conservação. Em um primeiro momento, podemos tentar aumentar o número de indivíduos de uma espécie que sofreu declínio populacional indevido. Nesse sentido, pode-se considerar a conservação como uma prática de manejo de espécies ameaçadas”, explicou.

Outras práticas possíveis são o controle de populações que tenham crescido indevidamente, ou o manejo para se alcançar o máximo rendimento sustentável de populações com valor econômico para caça, pesca ou coleta.

“Mas a motivação econômica para o manejo ocorre especialmente em duas categorias de populações: as ‘pragas’ e as espécies com valor econômico. As espécies consideradas ‘pragas’, são algumas dezenas. As de valor econômico – assim como as espécies ameaçadas – são contadas às centenas. A maior parte das espécies – alguns milhões delas – não se encaixam, no entanto, em nenhuma dessas categorias”, disse o professor da Esalq.
Quando se trata de controle na perspectiva da dimensão econômica, o objetivo é promover a extinção da espécie em questão. “Mas raramente temos sucesso com isso. Estudos mostram, por exemplo, que fêmeas de coiotes de populações sob alta pressão de caça ovulam mais que fêmeas de populações não caçadas. Exceto em relação a alguns grandes mamíferos, predominam exemplos de fracasso no manejo visando ao controle. Nunca vamos extinguir as baratas, por exemplo”, afirmou.

Quanto à exploração econômica das espécies, Verdade conta que os fatores culturais têm um papel que nem sempre é levado em conta. “No Brasil, por exemplo, somos muito conservadores em relação à pesca e muito liberais em relação à pesca. Na caça não se pode nada, com algumas exceções. E na pesca, pode-se tudo, com algumas exceções”, disse.

A visão da sociedade em relação à caça/pesca esportiva, segundo o cientista, é muito mais negativa que em relação à caça/pesca comercial. Mas a caça esportiva traria consigo um componente cultural, não econômico: o caçador quer perpetuar o animal para poder caçar sempre.

“O aspecto cultural assegura que o objetivo da atividade em si seja não econômico, o que permite sua perpetuação. A lógica econômica da caça comercial, por outro lado, tem como objetivo a exaustão de uma espécie e, em seguida, a busca de outra espécie até sua exaustão e assim sucessivamente. No entanto, ela é mais tolerada que a caça esportiva”, disse o membro da coordenação do Biota-FAPESP.

Desenvolvimento de mão dupla
A agricultura tem um impacto muito maior do que a caça na alteração do ambiente. A atividade agrícola traz benefícios inegáveis, de acordo com ele, permitindo o acúmulo de alimento. Mas traz também problemas ambientais.

“Justamente por ter permitido o adensamento populacional urbano, a atividade agrícola tem um custo ambiental altíssimo, gerando poluição e doenças. A agricultura gera riqueza e podemos dizer que ela viabilizou a civilização. Até mesmo as guerras só passaram a existir graças a ela, porque os exércitos só podiam se locomover se tivessem comida acumulada. Antes da agricultura só havia guerrilha”, disse Verdade.

Fenômeno ligado à economia, o desenvolvimento, de modo geral, traz consigo dois custos ambientais significativos: o aumento do consumo de energia e a destruição do habitat de certas espécies. Essa destruição do habitat teria extinguindo mais espécies que a própria caça.

“O processo de desenvolvimento leva a uma situação peculiar: quando a vontade individual se sobrepõe à vontade coletiva, normalmente se opta pelo benefício individual, o que leva ao colapso do sistema. Se não houver certa regulamentação, não se pode pensar na manutenção da funcionalidade do sistema. Para a coletividade brasileira, por exemplo, seria mais interessante manter um Código Florestal mais conservador. Mas, para setores individuais, o benefício vem com a relativização do código”, afirmou.

Nesse contexto a solução pode estar na valoração da economia dos serviços de ecossistemas – como a água e os polinizadores, por exemplo. “Mas esse processo de valoração tem limitações e requer avanços tecnológicos. As regulações exigem fiscalização. E os preços de mercado são flutuantes, o que dificulta a tarefa”, disse Verdade.

Para o cientista, o estudo do caso de Angatuba, colocado em perspectiva histórica da biologia da conservação, sugere que a atribuição de valor econômico não basta para preservar os recursos naturais. Segundo ele, há valores econômicos envolvidos – valores históricos, culturais e estéticos – que não podem ser negligenciados.

“O mercado varia, os preços caem e as crises acontecem. Há possibilidade de agregar valores à conservação da biodiversidade, de forma que o processo evolutivo seja mantido da melhor maneira possível. Nesse aspecto, as dimensões econômicas podem ser interessantes. Mas, se não agregarem valores não-econômicos, serão incapazes de garantir por si só a conservação da biodiversidade”, disse.

Método alternativo desenvolvido na Esalq restaura cobertura florestal em áreas degradadas

Publicado em janeiro 5, 2011 por HC
Alternative method restore forest cover in degraded areas
Técnica utiliza semeadura direta de espécies nativas como opção ao plantio de mudas, com menores custos

Pesquisa realizada pelo biólogo Ingo Isernhagen na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, aplicou semeadura direta de espécies árboreas nativas em Áreas de Preservação Permanente (APP). O método obteve eficiente cobertura florestal de áreas degradadas e com custo menor na comparação com a utilização do plantio de mudas.

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a pesquisa foi desenvolvida em duas áreas experimentais localizadas em duas APPs na Usina São João (USJ), em Araras (interior de São Paulo). Entre os anos de 2006 e 2007, pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF), coordenado pelo professor Ricardo Rodrigues, realizaram o Programa de Adequação Ambiental da USJ. “Naquela época foram realizados os primeiros contatos com os administradores, especialmente do Programa Margem Verde, que já executava plantios de árvores na usina, sobre o interesse em utilizar áreas com passivo ambiental para implantação de experimentos de restauração florestal pelo LERF”, relata Ingo.

Além de ceder as áreas, a equipe do Programa Margem Verde forneceu mão-de-obra e alguns insumos, sendo imprescindível para a implantação e acompanhamento do projeto. O estudo partiu da observação da necessidade de criar métodos alternativos ou complementares para o plantio de mudas de espécies arbóreas nativas para restauração florestal de áreas degradadas, eficientes do ponto de vista técnico e econômico. “O trabalho teve como objetivo geral avaliar a eficiência técnica e econômica da semeadura direta de espécies arbóreas nativas para a colonização inicial de áreas agrícolas abandonadas com baixa capacidade de auto-regeneração e para o enriquecimento de áreas florestais restauradas com baixa riqueza de espécies”, conta o biólogo.

A pesquisa testou diferentes densidades de sementes de espécies arbóreas nativas necessárias para a ocupação inicial das áreas degradadas. Uma vez instalados os experimentos, avaliaram-se também o tempo para ocupação dessas áreas e os investimentos financeiros necessários, além de parâmetros de desenvolvimento da comunidade florestal. Para a primeira ocupação da área degradada foram utilizadas espécies arbóreas nativas de rápido crescimento e que fornecessem boa cobertura de copa (semeadura de preenchimento, com espécies denominadas “espécies de preenchimento”). Algumas das espécies utilizadas para preenchimento foram timboril (Enterolobium contortisiliquum), mutambo (Guazuma ulmifolia), lobeira (Solanum lycocarpum), pau-cigarra (Senna multijuga), monjoleiro (Acacia poliphylla), paineira (Ceiba speciosa), sangra-d’água (Croton urucurana), capixingui (Croton floribundus), canafístula (Peltophorum dubium), entre outras.

Sustentabilidade
Uma vez ocupadas as áreas, foi feita a semeadura de enriquecimento, com espécies diferentes das primeiras, promovendo a auto sustentabilidade da floresta. Nessa etapa, foram plantadas espécies como jatobá (Hymenaea courbaril), cedro (Cedrela fissilis), cabreúva (Myroxylon peruiferum), jequitibá (Cariniana estrellensis), pau-marfim (Balfourodendron riedelianum) e a copaíba (Copaifera langsdorfii), entre outras trinta espécies. Os resultados mostraram que houve excelente cobertura da área degradada em cerca de dois anos e meio, período semelhante ao que normalmente acontece com o plantio de mudas. As densidades testadas permitiram também a formação de uma comunidade florestal mais densa do que a formada por plantios de mudas em espaçamento 3 metros (m) x 2m (mais comum). Enquanto nesse método a densidade é de 1.666 indivíduos/hectare, na semeadura direta alcançaram-se densidades estimadas entre 1.215 e 13.000 indivíduos/hectare.

“O custo para aquisição de sementes para obter uma muda no campo a partir de semeadura direta da maioria das espécies utilizadas pode ser duas a três vezes menor que o preço de uma muda em viveiro”, revela o pesquisador. “Ressalte-se que o método pode e deve ser adotado de forma complementar ou associado ao plantio de mudas, e não necessariamente substituir o mesmo. Não foi possível avaliar, durante o tempo de execução da tese, se a semeadura direta de enriquecimento é viável técnica e economicamente, mas os resultados preliminares também indicam que o método é promissor, podendo ser adotado inclusive para outras formas biológicas, como arbustos e lianas.”

Ingo salientou também que é importante desenvolver o manejo de sementes de espécies nativas, desde a colheita no momento apropriado até o armazenamento. “A qualidade do lote de sementes pode ter implicações diretas, junto a outros fatores de campo, no sucesso do método”, enfatiza. “É necessário atentar ainda para problemas relacionados à infestação por plantas daninhas especialmente nos primeiros meses após a semeadura, ao revolvimento do solo por animais, à predação por formigas e à profundidade em que é colocada a semente, entre outros fatores que devem ainda ser melhor estudados”.

A pesquisa faz parte da tese de doutorado “ Uso de semeadura direta de espécies arbóreas nativas para restauração florestal de áreas agrícolas, sudeste do Brasil”, apresentada no Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais da Esalq. O trabalho teve orientação do professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas (LCB) da Esalq.

** Mais informações: ingoise@gmail.com, com Igor Isernhagen
Reportagem da Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 05/01/2011

Bioenergia: vagas em curso da Esalq

Da Agência Ambiente Energia - A Esalq/Usp está com inscrições abertas para a “Prática profissionalizante bioenergia e bioprodutos de base florestal”, que acontecerá de 21 de fevereiro de 2011 a 15 de janeiro de 2012. O prazo de inscrição vai de 13 de dezembro de 2010 a 31 de janeiro de 2011. São oferecidas cinco vagas. O curso tem como público alvo profissional de nível superior, com formação nas áreas de Engenharia Florestal, Engenharia Agronômica, Engenharia Química, Química, Ciências Biológicas, Gestão Ambiental e áreas correlatas.

A iniciativa é do Grupo de Bioenergia e Bioprodutos de Base Florestal do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq. A seleção envolverá análise do currículo, da justificativa – eliminatórias – e entrevista pessoal.

As inscrições podem ser feitas no Laboratórios Integrados de Química, Celulose e Energia – Grupo de Bioenergia e Bioprodutos de Base Florestal do Departamento de Ciências Florestais (LCF) (ESALQ – Av. Pádua Dias, nº. 11, Piracicaba/SP). Os documentos que deverão ser apresentados no ato da inscrição são: currículo; histórico escolar; cópia do diploma de graduação ou comprovantes; cópias do RG e do CPF; justificativa substanciada do interesse pela participação na prática profissionalizante.

Esalq e Embrapa discutem sobre o Programa Nacional de Produção de Biodiesel (11/11/2010)

O Grupo de Estudos Luiz de Queiroz – GELQ, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – Esalq/USP (Piracicaba, SP) promove nos dias 17 e 18 de novembro, com o apoio da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), o Simpósio sobre o Programa Nacional de Produção de Biodiesel – pesquisas, impactos e perspectivas, em Piracicaba, SP.
No primeiro dia, o programa abordará temas já consagrados como: manejo da cultura da soja; o biodiesel no cenário brasileiro; aspectos econômicos do setor da soja; panorama de fontes de bioenergia; biobased economies and biofiels; uso de resíduos da produção de biodiesel e; rotas alternativas para a transesterificação.

O programa do segundo dia tratará de temas atuais como: aquecimento global e biocombustíveis; mudança do uso da terra; avaliação de impactos e gestão ambiental na produção de oleaginosas para biodiesel; soja sob a ótica da ecologia industrial; diferenças e similaridades do setor de biodiesel alemão e brasileiro; inovações na produção de biodiesel no Brasil; biodiesel e a indústria automobilística; e a plataforma nacional de agroenergia.

A Embrapa Meio Ambiente participa no dia 18 – quinta-feira, moderando duas mesas-redondas. Uma pela manhã: “Produção e Meio Ambiente” com a pesquisadora Adriana Moreno Pires e outra à tarde – “Panorama geral” – com a pesquisadora Nilza Patrícia Ramos. O pesquisador Geraldo Stachetti Rodrigues discute pela manhã a “Avaliação de impactos e gestão ambiental na produção de oleaginosas para biodiesel”.

À tarde, o pesquisador da Embrapa Soja (Londrina, PR) César Castro fala sobre “Inovações na produção de biodiesel no Brasil”, e logo em seguida Frederico Durães da Embrapa Agroenergia (Brasília, DF) discorre sobre “A plataforma nacional de agroenergia”.

Além dos professores da Esalq, participam também do evento professores da Universidade de Wageningen (Holanda) e da Unip, além de profissionais da Abiove, da Dedini, da AGCO América do Sul, e da Coplacana.

O simpósio tem coordenação do professor Thiago Libório Romanelli da Esalq/USP e do pesquisador Geraldo Stachetti Rodrigues da Embrapa Meio Ambiente.

Para mais informações contacte a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz – Fealq pelo site www.fealq.org.br (em Acesso – Eventos); e-mail: cdt@fealq.org.br e pelos telefones (19) 3417-6604 begin_of_the_skype_highlighting (19) 3417-6604 end_of_the_skype_highlighting ou 3417-6601. Ou o GELQ: http://www.gelqesalq.com.br/
gelq2011@esalq.usp.br

Serviço:
Local: Esalq/USP, Av.Pádua Dias, 11, Piracicaba, SP
Número de vagas: 150

Eliana Lima, MTb. 22.047
Embrapa Meio Ambiente
(19) 3311.2748
elima@cnpma.embrapa.br

Esalq prevê que produção do País crescerá 70% em 10 anos

Daniel Popov
SÃO PAULO - A produção agrícola mundial vai crescer aproximadamente 40% nos próximos 10 anos, com destaque para Brasil, que deve responder por 70% deste total. A previsão é de Roque Dechen, diretor da Escola Superior de Economia Aplicada (Esalq), para quem o setor aposta em sustentabilidade e tecnologia para manter a qualidade da matéria-prima e os altos índices de crescimento vistos nos últimos anos.

Em linha com essa previsão, a Nestlé, que prevê crescer em média 5% ao ano na produção de lácteos no mundo, deve disponibilizar mais de US$ 50 milhões em microcrédito para que seus produtores invistam em sustentabilidade.

Para Roberto Dechen, que também é vice-reitor da USP (Universidade de São Paulo), a palavra de ordem no setor agrícola brasileiro é sustentabilidade. Ele falou ontem sobre o assunto durante o 2º Fórum de Criação de Valor Compartilhado realizado pela Nestlé.

"Todos temos que nos preocupar com a sustentabilidade da produção agrícola, que gera tanto a qualidade de matéria-prima, quanto segurança alimentar. Hoje isso é cobrado tanto do profissional de agronomia, quanto do estudante, exatamente para que tudo que faça seja focado na sustentabilidade. Todas as ações do plantio, a colheita e a transformação do produto têm de estar pautadas na sustentabilidade", comentou Roberto Dechen.

Dechen disse que para obter bons resultados nas produções é obrigatório aliar a sustentabilidade, que se baseia no desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades, aos avanços tecnológicos. "Estamos preocupados com o crescimento esperado no País nos próximos anos, é preciso investir muito em novas tecnologias". argumentou.

Além disso, o vice-reitor também defende a mudança na grade de ensino das atuais faculdades de agronomia, para maior preparo em relação a demanda produtiva do setor até 2020. "O estudante que ingressar em 2011 em alguma faculdade de agronomia, se formará em meio aos crescimentos do setor, e precisa preparo para enfrentar esse novo cenário", finalizou.

A aposta brasileira parece também refletir as expectativas mundiais, contou o diretor da Divisão Agrícola da Nestlé S.A., Hans Jöhr. Para ele, o tema sustentabilidade é uma tendência mundial, já que ela está atrelada a preservação do meio ambiente, melhoria na qualidade de produtos, e aumento de produção. "Isso está encravado em nosso DNA. Temos programas muito ambiciosos para os próximos anos", mencionou.

Próximos anos
Jöhr comentou ontem que a Nestlé projeta um aumento de 5% ao ano na produção de itens lácteos no mundo, que representa um incremento de aproximadamente 100 mil vacas a produção por ano.

Segundo ele, a empresa mundial realiza um total de compras superior a US$ 23 bilhões em matérias-primas, como o café, o cacau e o leite, junto aos pouco mais de 540 mil produtores parceiros da Nestlé. Deste total dois terços são oriundos de países emergentes. "Nesses países temos a nossa fonte de matérias-primas de qualidade, além de nos ajudar na interação com países onde não temos uma estrutura claramente formada", contou.

A companhia suíça afirmou que disponibiliza mais de US$ 50 milhões em microcréditos para auxiliar esses produtores, além de estudos agronômicos para otimizar e melhorar a qualidade dos produtos, e profissionais para prestar assistência técnica nas lavouras. "O desenvolvimento rural é uma preocupação da empresa desde a sua criação. A Nestlé também possuí pesquisas coletadas de dados e técnicas para obter um item de alta qualidade, para fornecer aos produtores de leite da região. E até concessão de microcrédito temos como incentivo para o uso de novas tecnologias".

No Brasil, a Nestlé lidera o ranking de captação de leite fresco, trabalhando com cerca de seis mil produtores diretos 40 mil indiretos. "Desde que está no País - há 79 anos -, a empresa atua com projetos de desenvolvimento rural, com foco principalmente na cadeia do leite", lembrou Jöhr.

Mudança climática deve piorar desigualdade de renda no país

Por Nilbberth Silva - nilbberth.silva@usp.br

Publicado em 12/agosto/2010
Editoria : Meio ambiente

Nordeste e centro-oeste perdem com mudança na agricultura. Sudeste ganhaAté 2020, as transformações que a agricultura do Brasil deve sofre com as mudanças climáticas vão contribuir para diminuir o produto interno bruto (PIB) em 0,29% e piorar a desigualdade de renda. É o que mostra uma simulação feita pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pelo economista Gustavo de Moraes.

Manejar para mitigar >>> Agencia Fapesp

21/7/2010
Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Evitar o desmatamento continua sendo a melhor estratégia para minimizar a emissão de gases de efeito estufa (GEE) em regiões como o Estado de Mato Grosso, onde a fronteira agrícola avança sobre o Cerrado. Mas o manejo agrícola e o uso adequado do solo também podem contribuir consideravelmente para um futuro com menos emissões.

As conclusões são de um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e norte-americanos que, utilizando um modelo biogeoquímico, fizeram uma estimativa dos impactos das emissões de GEE até 2050 em diferentes cenários de desmatamento e de usos do solo na fronteira agrícola de Mato Grosso.

O estudo, realizado por cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), e da Universidade de Brown (Estados Unidos), será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O autor principal do estudo, Carlos Clemente Cerri, pesquisador do Cena-USP, é coordenador do Projeto Temático “Impacto ambiental da expansão da agricultura no sudoeste da Amazônia”, apoiado pela FAPESP. Seu filho Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, da Esalq-USP – o outro brasileiro envolvido no estudo –, concluiu em março o projeto “Modelagem da dinâmica da matéria orgânica do solo na zona de expansão agrícola do sudoeste da Amazônia: base para pesquisas em mudanças climáticas globais”, apoiado pela FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

De acordo com Pellegrino Cerri, o estudo surgiu de uma cooperação entre o grupo brasileiro e o norte-americano e é fruto direto do doutorado de Gillian Galford, primeira autora do artigo e aluna do Departamento de Geologia da Universidade de Brown.

O professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq explica que o desmatamento da vegetação nativa causa uma grande emissão de GEE. Mas, após o desflorestamento, também há emissões, que podem ser maiores ou menores dependendo do uso que for dado ao solo.

“Essas áreas originalmente cobertas por vegetação nativa podem ser convertidas em pastagens, ou diretamente em áreas agrícolas. Ou podem servir primeiro à pecuária e depois à agricultura. A ideia do trabalho era estimar as emissões de GEE considerando cenários com diferentes tipos de conversão do uso do solo”, disse à Agência FAPESP.

Três GEE foram considerados no trabalho: dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso. Todas as unidades foram expressas em unidades de CO2 equivalente. Com uma abordagem integrada, os cientistas estimaram a dinâmica dos GEE de ecossistemas naturais e de ecossistemas agrícolas após o desmatamento em cenários futuros já utilizados na literatura. As estimativas foram feitas com um modelo biogeoquímico conhecido como Modelo de Ecossistemas Terrestres (TEM, na sigla em inglês).

“Estimamos que as emissões em Mato Grosso possam variar de 2,8 a 15,9 petagramas de CO2-equivalente até 2050. O desmatamento é a maior fonte de GEE nesse período, mas os usos posteriores da terra correspondem a uma parcela substancial – de 24% a 49% – das emissões futuras estimadas no estado. Assim, tanto o desmatamento como o futuro manejo do uso da terra terão papéis importantes para a cadeia de emissão de GEE. Os dois aspectos devem ser considerados na hora de traçar estratégias e políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas”, disse.

Segundo Pellegrino Cerri, para validar os dados que seriam obtidos com o modelo TEM, os pesquisadores partiram de cenários atuais em direção ao passado: foram feitas simulações em retrospectiva de cenários já conhecidos de emissões de GEE. Esse procedimento foi aliado a um extenso trabalho de campo.

“Com isso, pudemos comparar os resultados estimados pelo modelo com as nossas observações de campo. A validação dos dados foi feita com uma avaliação baseada em 12 testes estatísticos. Constatando o bom funcionamento do modelo, pudemos utilizá-lo para estimar as emissões de GEE no futuro”, explicou.

Após a conversão do uso do solo, se a área for utilizada para agricultura, as emissões de GEE podem variar muito de acordo com a forma como as práticas agrícolas forem conduzidas. Uma das diferenças mais marcantes pode ser notada entre as produções que utilizam o preparo convencional do solo e as que usam a técnica de plantio direto.

“A técnica de plantio direto muda completamente a concepção da prática agrícola com base em um tripé: a não-mobilização do solo em área total, a manutenção da palha na superfície do solo e a rotação de culturas. Com essas mudanças, as emissões de GEE são substancialmente menores”, disse.

Um dos problemas do preparo convencional do solo, segundo Pellegrino Cerri, é o uso excessivo de aração e gradagem: procedimentos que revolvem o solo com máquinas, invertendo suas camadas superficiais. Essas técnicas, importadas há muito tempo de países de clima temperado, não precisam ser utilizadas em excesso em regiões tropicais.

“Quando o solo é intensamente revolvido, ele é oxigenado e a matéria orgânica fresca fica exposta. Isso acelera a decomposição desse material pelos microrganismos do solo e provoca muitas emissões de GEE. No plantio direto, isso não ocorre. Em vez de usar o arado e a grade em toda a área plantada, o procedimento consiste em fazer um pequeno sulco apenas no local onde a semente é depositada. Como o solo não é revolvido as emissões se reduzem”, disse.

Remoção e rotação

O segundo aspecto da técnica agrícola convencional é a remoção da palha e outros restos vegetais que não são aproveitados na colheita. Esses restos, no entanto, têm grandes porcentagens de carbono em sua composição que, em vez de poluir a atmosfera, podem enriquecer o solo e beneficiar a produção.

“Quando deixamos a palha no campo, ela vai sendo lentamente utilizada pelos microrganismos, transmitindo carbono, nitrogênio, fósforo e outros nutrientes para o solo. É preciso lembrar que todo o carbono presente nessa palha – equivalente a cerca de 50% de sua composição – foi um dia dióxido de carbono que estava na atmosfera e foi sequestrado pela planta durante a fotossíntese”, disse o professor da Esalq.

A rotação de culturas é o terceiro aspecto que, ausente no preparo convencional do solo, poderia contribuir para reduzir emissões de GEE. Além da questão fitossanitária envolvida – as monoculturas são mais suscetíveis a doenças e, portanto, geram maior necessidade de uso de agrotóxicos – a rotação de culturas proporciona o acúmulo de diferentes tipos de palha sobre o solo.

“Quando as culturas são alternadas periodicamente, os restos orgânicos que ficam no solo também variam. Cada microrganismo diferente tem preferência por determinado tipo de material orgânico. Se os restos orgânicos forem sempre provenientes das mesmas plantas, eles vão atender um grupo específico de microrganismos. Se houver uma rotação de culturas, a superposição de palhas de vários tipos também aumentará a biodiversidade local”, explicou.

O artigo Estimating greenhouse gas emissions from land-cover and land-use change: Future scenarios of deforestation and agricultural management (doi: 10.1073/pnas.1000780107), de Carlos Clemente Cerri e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org.

Desenvolvimento econômico sustentável dos setores de base florestal e de geração de energia é discutido por experts em São Paulo >>> Portal Fator

Nova ordem econômica, contribuição social e inovação tecnológica dos setores foram temas abordados .
Em um dia cujo foco foi o futuro dos setores de base florestal e de geração de energia e o que eles têm feito para o desenvolvimento sustentável do país, a sustentabilidade e seus três pilares, o financiamento para os setores e a tecnologia necessária foram foco de diálogo entre especialistas de empresas como HSBC Seguros e Silviconsult com organizações como Caixa BR Woods, e BNDES.

O HSBC Seguros, por meio de seu presidente, Fernando Moreira, alertou para o fato dos critérios ambientais estarem sendo cada vez mais decisivos na concessão de crédito pelos principais bancos do país e do mundo. Para ele, “a questão que o mercado financeiro se faz é em relação ao papel da indústria da madeira para a sustentabilidade e se nós seremos a causa ou não do nosso desenvolvimento ou da nossa extinção”.Ele continua: “não é uma questão de tecnologia como faremos mais com menos, e sim uma questão de como é que será sustentado uma população que chegará a 9 bilhões de habitantes no planeta, até 2050, com este padrão de consumo. Portanto, a questão a ser adotada é como será o novo padrão de consumo que as pessoas irão adotar e até onde uma sociedade que faz consumo inconsciente irá sobreviver.”

A Caixa BR Woods e o BNDES apresentaram suas linhas de crédito para estimular o crescimento dos setores.

Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas, Fernando Henrique da Fonseca, “o financiamento ainda continua sendo um dos pontos fracos do nosso setor”. Para ele, uma outra questão nevrálgica é o desconhecimento sobre o que os setores de base florestal e gerador de energia fazem, pois “fala-se muito sobre os males das nossas atividades, mas quase sempre sem se saber do que está falando. Por exemplo, dizer, no Brasil, que imprimir é cortar árvore é um grande absurdo, pois 100% do papel que usamos aqui é proveniente de florestas plantadas ou de processos de reciclagem. “É uma bobagem que a internet ajuda a difundir”.

Alexandre Nunes Villar gerente do Departamento de Indústria de Papel e Celulose do BNDES, analisou as Tendências de Crescimento para os segmentos de Florestas, Papel e Celulose no Brasil. Segundo ele a posição competitiva brasileira no setor de floresta é bastante positiva basicamente em função do relevo e da disponibilidade da água e de luz que o nosso clima oferece. Associado a isso também tem a questão dos investimentos realizados pelas empresas visando obter a maior produtividade florestal possível. O resultado desses dois fatores se destaca pela produtividade florestal do Brasil, sendo bastante superior a dos nossos concorrentes mais próximos. Já na questão sobre celulose, Villar destaca que a sua produção também é bastante positiva basicamente em função da produtividade florestal e da grande disponibilidade de áreas para plantio.

A contribuição social do setor florestal brasileiro e a relação entre a sociedade e o desenvolvimento empresarial foi tema do diálogo entre Carlos Augusto Lira Aguiar - presidente da Fibria e Paulo Sergio Scoleze Ferrer - engenheiro empresário diretor da YPAB Dampers International e professor de pós-graduação e MBA do IMT. Para Lira, “o setor usa pouca terra, mas com um alto índice de produtividade e importante geração de PIB”. Ele exemplifica que “nos últimos anos, a Fibria passou da produção de seis toneladas de celulose por hectare para 11 e queremos chegar a 14, ou seja, mais celulose por hectare.” Lira ainda apresentou dados que co A questão dos reflorestamentos também esteve presente durante essas apresentações. Com o tema Fundo de Investimento para Reflorestamentos, Eduardo Barreto, diretor da BRWoods, apresentou o FIP Caixa BRWoods Florestal, um instrumento novo e muito importante nesse mercado, que necessita de recursos em volumes bastante elevados. “O que está sendo divulgado até agora é modesto em relação as necessidades competitivas em nível mundial”.

Barreto, em sua apresentação, transmitiu qual é a viabilidade do FIP (Fundo de investimento em Participações) em concretizar sua missão de “oferecer aos investidores retornos de longo prazo estáveis, diversificados e altamente atrativos. Queremos fornecer aos parceiros corporativos do Fundo, de acesso ao capital para expansão do seu negócio principal e executar investimentos responsáveis via projetos sustentáveis com a adequabilidade florestal”.

Um dos principais objetivos das parcerias corporativas, segundo Barreto, é de que se possibilite aos industriais o destaque das áreas florestais e que essas sejam cuidados por aqueles que têm a possibilidade e o interesse dos retornos adequando ao seu desenvolvimento. “Para isso, essas parcerias corporativas pretendem ser desenvolvidas com arcabouço jurídico e uma série de contratos que estão cobrindo a própria área de compras, de fornecimento de madeira e de manejo florestal. Esse processo foi desenvolvido, está aprovado, em execução e a gente espera que ele garante a matéria-prima da indústria e que liberem dos sócios, o capital na indústria para focarem no seu negócio principal.

Na discussão final desse painel, Jefferson Bueno Mendes, diretor da Silviconsult forneceu informações sobre o rearranjo da produção e dos mercados de produtos de base florestal e da geração de energia da madeira em nível mundial. Sua apresentação foi fundamentada em três conceitos básicos: Mercados, Mudanças e Estratégia, com o objetivo de resgatar o sentido do termo “estratégia” como forma de ler o que está acontecendo agora para saber o que virá pela frente, possibilitando que se trace os novos e mais adequados cursos de ação.

“Para entendermos o que está acontecendo agora é importante analisar a Evolução do Negócio Brasileiro que durou entre as décadas de 1960 e 1980; passando pela Consolidação do Negócio Florestal, durante as décadas de 1990 e 2000 e segue até hoje, com a Operação de Classe Mundial, entre as décadas de 2000 até hoje. Com base nesse contexto a pergunta que temos hoje é que futuro vai decorrer dessa Operação de Classe Mundial”.

Já Paulo Sergio Ferrer, diretor da YPAB Dampers International, afirmou que “uma sociedade só evolui, quando os indivíduos adotam uma postura semelhante e no caso do desenvolvimento sustentável acontece o mesmo. A concorrência e o egoísmo podem ajudar individualmente, mas não toda a sociedade”.

Sob o tema “Inovação, desenvolvimento de produto e processos na indústria de Base Florestal e Geração de energia” foram abordadas as questões do biocombustível a partir de grãos, cana-de açúcar, o etanol de segunda geração, o etanol termoquímico, e o biohidrogênio, entre outros. A Petrobras Biocombustíveis, representada por João Norberto Noschang Neto, apresentou seus projetos para os próximos anos e investimentos em P&D, que incluem as biorefinarias, que, segundo Norberto, “são um conceito cada vez mais presente no dia a dia da Petrobras Biocombustíveis.

Mantendo o foco nas biorefinarias, Francides Gomes da Silva Jr., professro da ESALQ, chamou a atenção para a importância das biorefinarias para o setor de base florestal: “ampliar as possibilidades de produtos”. Explicando o quadro de matérias primas para a biorefinaria, ele d Realidade brasileira – o principal produto ainda é a celulose de mercado. É difícil dizer que as fábricas vao mudar para biorefinarias.

Segundo Gomes da Silva Jr., “na realidade brasileira, o principal produto ainda é a celulose de mercado. É difícil dizer que as fábricas vao mudar para biorefinarias”. “A nossa biorefinaria poderia começar no campo, onde poderíamos ter sistemas florestais que dariam óleo e biodiesel, ao plantarmos mamonas e grãos no meio das florestas”, continua ele.

No momento do fechamento deste release apenas havia se iniciado o painel sobre o Código Florestal Brasileiro, com a presença de Mário Mantovani, diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica e o deputado Aldo Rebelo.

Mais empregos com o etanol /// Agencia Fapesp

26/3/2010

Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – O aumento da produção do etanol em 15% para atender a demanda pelo combustível deverá gerar cerca de 170 mil postos de trabalho em toda a cadeia produtiva. A outra boa notícia é que a qualificação desses postos de trabalho também tem aumentado.

A análise, a partir de estudo coordenado por Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), foi apresentada na Convenção Latino-Americana do Projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada esta semana na sede da FAPESP.

A cana-de-açúcar é a cultura que mais emprega no Brasil, sendo responsável atualmente por 629 mil postos de trabalho, o que equivale a mais de um quinto da mão de obra empregada na agricultura do país, segundo Márcia, que é ligada ao Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.

Mesmo com a mecanização da lavoura, o número de postos de trabalho aumentou no período de 1981 a 2008, especialmente por conta da expansão do setor a fim de abastecer o mercado de combustíveis, apontou o estudo. Atualmente, cerca de metade da produção agrícola é mecanizada enquanto o restante permanece com técnicas manuais.

“A mecanização tende a aumentar graças à agenda de proibição da queima da cana para a colheita, prevista em lei”, disse a pesquisadora, referindo-se à Lei n° 11.241 do Estado de São Paulo, que determina a redução gradual da queima até a sua extinção total no ano de 2031.

O aumento da mecanização levará a perdas de postos de trabalho, segundo cálculos da pesquisa. Eles apontam o desaparecimento de oito vagas, em média, para cada máquina adquirida. “A mecanização pode significar o corte de 50 mil a 100 mil postos de trabalho”, disse Márcia.

Mesmo assim, o aumento da produção de etanol deve suplantar essas perdas, gerando 170 mil postos de trabalho nos próximos anos, o que equivaleria a um aumento de R$ 236 milhões na economia.

O estudo também comparou os impactos sociais com os da indústria do petróleo, que empregava 73 mil trabalhadores no ano de 2007. “É um número seis vezes menor do que os empregados da cana-de-açúcar, que eram 465 mil naquele ano”, disse.

Além de mais numerosos, os empregos gerados pela cana são mais bem distribuídos pelo país em comparação aos do petróleo. Enquanto a produção petrolífera se concentra em uma parte da faixa litorânea, a indústria da cana está espalhada por vários Estados brasileiros, o que ajuda a estender os benefícios econômicos e sociais a mais lugares.

A desigualdade entre as regiões, no entanto, perdura dentro do próprio setor sucroalcooleiro. Enquanto no Estado de São Paulo o trabalhador recebe em média US$ 456 por mês (o equivalente a R$ 820), no Nordeste a média salarial fica em torno de US$ 349 (R$ 630). Em todo caso, o setor paga, em média, 51% a mais do que o salário mínimo nacional.

A diferença no tempo de escolaridade também é latente no setor e considerada baixa em todo o país. Os empregados com maior tempo de estudo atuam em São Paulo e possuem em média 5,4 anos de estudo. No Nordeste, a média cai para 3,1 anos.

“O setor também concentra um grande número de empregados analfabetos, totalizando 24% de toda a mão de obra, uma multidão de 120 mil trabalhadores”, ressaltou Márcia.

Treinamento e ensino
Mas a pesquisa também levantou que a qualificação do trabalhador e a qualidade do emprego do setor têm aumentado. A cana-de-açúcar possui 81% de seus trabalhadores formalmente contratados, uma exceção no setor agrícola nacional, que tem apenas 40% de sua mão de obra com carteira de trabalho assinada.

“Isso significa que eles estão protegidos pela legislação e gozam de direitos como férias remuneradas, seguro social e fundo de garantia”, apontou a professora da Esalq.

O trabalho infantil no setor também foi praticamente erradicado desde 1981, segundo o estudo. Naquele ano, 15,3% dos trabalhadores da cultura de cana-de-açúcar tinham entre 10 e 15 anos de idade. Em 2008, os menores de idade eram 0,09%. “Isso se deve a políticas governamentais de incentivo, a uma fiscalização mais acirrada e a uma pressão do próprio mercado”, disse Márcia.

A necessidade de aumento na qualificação, no entanto, permanece. A pesquisadora citou o esforço da União Nacional da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que recentemente promoveu o treinamento de 7 mil trabalhadores a fim de que se qualificassem para operar máquinas agrícolas.

Segundo Márcia, a baixa escolaridade ainda presente pode significar um gargalo importante na expansão do setor e, para contorná-lo, serão necessárias tanto estratégias da iniciativa privada como políticas públicas específicas.

Informação & Conhecimento