Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Esalq/USP dá início em março a novos cursos de MBA a distância, com apoio do Canal Rural

Alunos poderão assistir às aulas dos MBAs em Agronegócio e em Agroenergia em mais de 100 polos de ensino credenciados por todo o país.A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) e uma das principais faculdades de engenharia agronômica e economia agrícola do país, inicia em março as aulas de sua segunda turma de MBA em Agronegócios no modelo de ensino a distância. Além disso, a faculdade realizará em 2012 o primeiro MBA em Agroenergia, que terá como foco a agroindústria sucroalcooleira, com fundamentos de gestão empresarial.

O curso de MBA em Agronegócio, destinado a profissionais com nível superior completo que atuam ou desejam atuar nas diversas cadeias do agronegócio, foi lançado no segundo semestre de 2011 e já conta com alunos em mais de 100 polos de ensino credenciados em todo o Brasil. O Canal Rural é apoiador na viabilização e divulgação da iniciativa.

Os alunos inscritos nos cursos poderão assistir às aulas via satélite, sem a necessidade de se deslocar até Piracicaba, no interior de São Paulo, onde fica o campus da Esalq. As aulas serão transmitidas ao vivo para as salas de aula especialmente estruturadas com TV, carteiras e equipe local de monitores para assistência aos alunos, que poderão também interagir com os professores pela Internet. A apresentação do trabalho de conclusão de curso (TCC) também será feita à banca avaliadora via Internet.

Com a tradição de mais de 25 anos no mercado, os cursos integram o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da instituição. A USP, que outorga os certificados da pós-graduação, acompanha a realização dos cursos e garante os padrões de excelência que fundamentam o propósito e as características diferenciadoras da Universidade de São Paulo. O corpo docente é formado por professores doutores da Esalq e outras unidades da USP, bem como profissionais de renomada experiência no setor privado.

O programa do curso de MBA em Agronegócios tem duração de dois anos e inclui temas como Análise de Risco em Projetos, Comércio Internacional, Derivativos Agropecuários, Estatística e Análise de Informações, Financiamento Agrícola, Logística e Transporte, Gestão Empresarial, Marketing no Agronegócio, além de detalhar a dinâmica do mercado das principais commodities produzidas no Brasil.

O MBA em Agroenergia será direcionado a profissionais de nível superior completo atuantes no setor ou que nele pretendam ingressar. O programa do curso, que também tem duração de dois anos, inclui temas como Manejo Químico do Solo e Adubação da Cana, Marketing no Agronegócio, Processamento de Biodiesel, Formação de Preços de Açúcar e Álcool, Matemática Financeira e Análise de Investimento, Instalação e Tratos Culturais da Cana e Comercialização de energia elétrica.
. Os interessados podem efetuar a inscrição ou obter mais informações pelo site www.pecege.esalq.usp.br].

Esalq - Fundada em 1901 e localizada no campus da USP em Piracicaba, a Esalq é reconhecida mundialmente pela formação de líderes do agronegócio e tem, atualmente, mais de quatro mil alunos distribuídos em seis cursos de graduação, Pós e MBA. Dentro da Esalq está o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), que atua organizando cursos de MBA, especialização, aperfeiçoamento e atualização aos profissionais do agronegócio desde 1986. Os cursos de especialização são certificados pela ESALQ/USP e ministrados por professores doutores, associados e titulares desta faculdade e de outras unidades da USP, além de profissionais de renomada experiência no setor privado.

Reflorestamento deve aumentar em mais de 1000% no Tocantins

O investimento para o desenvolvimento sustentável no setor silvícola destaca o Tocantins como um dos estados que mais chamam a atenção de empresários em reflorestamento. Segundo a diretoria de Sustentabilidade no Agronegócio, da Secretaria da Agricultura, da Pecuária e do Desenvolvimento Agrário, a expectativa é crescer nos próximos anos mais de 1000% em área plantada em todo Estado, com o plantio de 600 mil hectares até 2016.

Ainda de acordo com informações da diretoria de Sustentabilidade no Agronegócio, somente na região sudeste do Estado, a projeção é de plantar 300 mil hectares, nos municípios de Conceição do Tocantins, Paranã e Natividade. Atualmente, a plantação de eucalipto está concentrada nos municípios de São Bento do Tocantins, Norte do Estado e Palmeirópolis, região Sul do Estado.

Para o secretário Executivo da Aretins – Associação de Reflorestamento do Estado do Tocantins, Bruno Cordiolli, o Tocantins possui grande potencial para crescer nesta área, por ser um estado de dimensão territorial e clima favorável para diversas espécies nativas e exóticas. “O Tocantins possui uma aptidão agrícola, mas é preciso ainda investir em espécies adaptadas geneticamente ao solo e clima tocantinense”, argumentou.

Segundo a subsecretaria de Energias Limpas, o Estado possui um área plantada de 49,5 mil hectares, sendo 44,3 mil de eucaliptos, 158 hectares de neem, 2,2 mil hectares de teca e 1,3 mil hectare de seringueira. A produção gera em torno de 62,9 mil empregos considerando os 1,27 homens por hectare.

De acordo com o subsecretário de Energias Limpas, Ailton Parente Araújo, “nos próximos anos, somente entre os municípios de Sandolândia e Araguaçu, serão plantados 1,8 milhão de pés de seringueira. Isso mostra o interesse de muitos empresários em investir no reflorestamento no Tocantins”, lembrou.

Araújo disse ainda que há expectativa de investimento em projetos de usina termoelétrica para gerar energia por meio de matéria-prima (biomassa), como por exemplo briquetes ou cavacos de madeira.

Encontro
Para impulsionar essa atividade no Tocantins, a Seagro realiza no mês de setembro, o 6º Reflorestar – Encontro de Reflorestamento do Estado do Tocantins com os silvicultores no Estado. A intenção é incentivar o plantio no Estado para organizar a cadeia produtiva e aumentar a produção de forma sustentável a silvicultura.

Dados
Ano Área plantada/hectares eucalipto

2006 16.656,00

2007 25.994,60

2008 36.590,10

2009 44.309,16

2010 49.583,60

A projeção para 2011 é de 197,4 mil hectares de plantio de eucalipto. (Informações da ascom/Seagro)

Diagnóstico do agronegócio e a variável ambiental, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Na segunda metade do século XX, o setor primário do Brasil passou por uma dramática transformação. Deixou a fase romântica, onde a vida junto a natureza era mais idealizada e passou a se tornar um tipo de exploração com características sistêmicas, alta organização e elevado nível de complexidade. Nascia o agronegócio.


No Brasil, ocorreu a passagem de uma condição de modelo agricultura voltado para a auto-suficiência da propriedade, para o complicado sistema de interdependência, que marca as relações do setor rural com a indústria e os serviços, na configuração do Sistema Agroindustrial.

Eucalipto substitui cafezais mineiros >>> Estadão

ESTADÃO: Eucalipto substitui cafezais mineiros



Enquanto a área plantada de café permanece estacionada em 1,1 milhão de hectares, a de florestas chegou a 1,4 milhão

18 de julho de 2010

Eduardo Kattah - O Estado de S.Paulo

O agrônomo Alexandre Aad, de 64 anos, diz que sente um "aperto" ao caminhar pela área remanescente de sua lavoura de café no município de Viçosa, na Zona da Mata mineira. Cafeicultor desde o início dos anos 1970, Aad chegou a ostentar o título de maior produtor da região, com cerca de 1,2 milhão de mudas, um número significativo quando se fala em cafeicultura de montanha.

De 2007 para cá, porém, o produtor iniciou um processo de substituição, trocando a cultura tradicional pelo eucalipto. Atualmente, do total de 393 hectares que possui, em apenas 30 ele ainda planta café. Mas por pouco tempo.

"Este é o último ano que eu colho. Vou ficar zerado de café", comenta o produtor, anunciando a adesão total ao eucalipto.

A opção de Aad simboliza um silencioso processo de substituição que já chama a atenção para os entraves da produção cafeeira em regiões acidentadas, como o sul mineiro e a Zona da Mata. Enquanto a cafeicultura de montanha perde competitividade por causa dos elevados custos de produção, as diversas aplicações e a economia em curva ascendente nos últimos anos levaram o plantio de florestas de eucalipto ao patamar de uma das mais promissoras alternativas do agronegócio mineiro, que avança a passos largos.

Embora a recessão global tenha freado essa expansão no ano passado, a área de florestas plantadas em Minas já atingiu uma marca histórica, superando a mais tradicional cultura mineira. O plantio de coníferas (pinus) e eucalipto, principalmente, já atinge uma área de cerca de 1,5 milhão de hectares no Estado, contra 1,1 milhão de hectares do café, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura do Estado e os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O eucalipto vem se consolidando como uma espécie de "poupança verde" para os pequenos produtores rurais e promissor investimento diante da demanda internacional por celulose e da procura crescente pelo carvão vegetal que abastece o mercado siderúrgico no âmbito doméstico. Demanda reforçada ainda pela indústria moveleira, pela utilização da lenha para produção de energia, além do aperto da fiscalização à utilização de matas nativas.

"Em Minas vem surgindo o fazendeiro florestal", observa o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Faemg), Roberto Simões.

Compartilhamento. Embora a substituição seja uma realidade em determinadas regiões, ela está associada a culturas específicas. A expansão do eucalipto no Estado está mais relacionada à diversificação do plantio e à utilização de áreas degradadas de pastagens para o plantio de florestas.

De acordo com o superintendente da Associação Mineira de Silvicultura (AMS), Antonio Tarcizo de Andrade, trata-se de um processo de compartilhamento. "Os produtores estão plantando em áreas degradadas para agregar valor à propriedade. É mais um meio de ganhar dinheiro", diz Andrade, ressaltando que o metro cúbico de uma "floresta em pé", pronta para o corte, é atualmente é avaliado entre R$ 45 e R$ 50.

Nos últimos anos, a área plantada de eucalipto vinha crescendo, em média, 200 mil hectares/ano. Em 2009 foram 130 mil hectares a mais.

Ainda assim, para atender o consumo do produto no Estado, a área plantada deveria ser 40% maior, observa Andrade. "Só tem crescido e tem de crescer mais".

Lenha. Minas tem o maior pólo siderúrgico do País e lidera a produção de ferro gusa, matéria-prima do aço. Além disso, de acordo com a AMS, 34% do fator energético do Estado estão relacionados à utilização da lenha como combustível para as caldeiras industriais. A expectativa da associação é que em 2010, o crescimento médio da área plantada de florestas, de 200 mil hectares, seja retomado.

Enquanto a área plantada de café tem permanecido estacionada em 1,1 milhão de hectares, a de florestas chegou a 1,4 milhão em 2008. O pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Sérgio Parreiras, ressalta que já existem no mercado espécies de eucalipto para as diversas regiões do Estado.

"São várias espécies cultivadas, que estão se adaptando a qualquer ambiente. Desde regiões mais altas até beira de água. Existe material genético para diversas finalidades.

Desemprego. Em sua fazenda mecanizada de 600 hectares no sul de Minas, Renato Brito iniciou há três anos a plantação de eucalipto para reduzir os custos com a produção de café. A madeira da floresta de 30 hectares servirá para alimentar a caldeira que distribuiu energia para as máquinas de secagem dos grãos. Para secar sua produção, Brito utiliza cerca de 2 mil metros de lenha por ano e em 2010 espera já se tornar autossuficiente. "Esse plantio do eucalipto é justamente para baixar o meu custo de produção", destaca.

Entre os produtores que não contam com a mecanização, os custos com a mão de obra têm sido o argumento para a substituição. Após 30 anos "insistindo" com a cafeicultura, Antonio de Pádua Nacif decidiu "ficar livre de mão de obra". "Na nossa região, de 50% a 70% do custo de produção é mão de obra", disse, observando que esse porcentual nas áreas mecanizadas varia de 10 a 15%. "Diversas pessoas estão deixando o café e adotando o eucalipto. Está havendo uma tendência de substituição". O reflexo imediato é o desemprego.

No auge da atividade de café, o agrônomo Alexandre Aad contava com cerca de 300 empregados. "Hoje ainda tenho quase 100. A partir do ano que vem terei dois", afirma. "O aperto que me dá no coração é saber que vou desempregar".

A principal justificativa dos produtores da Zona da Mata é que os custos com empregados subiram muito acima da alta do preço do café no mercado internacional. Para Aad, é mais interessante vender madeira para o pólo moveleiro de Ubá, cidade vizinha. "Com uma fazenda altamente tecnificada para os padrões da agricultura de montanha, meu custo de mão de obra representava de 59% a 61%".

Disseminação da cultura da Sustentabilidade no Campo /// Agronoticias

Mulheres se envolvem em projeto sustentável em Mato Grosso


08 de abril de 2010 - 16:11h

Autor: A Gazeta
Um grupo de mulheres do campo da região de Sorriso (80 Km de Sinop) está revolucionando o meio rural ao realizar um movimento em prol do desenvolvimento sustentável. Elas fazem parte do projeto Mulheres do Campo: a força feminina em ação pelo desenvolvimento sustentável, promovido pela Associação Amigos da Terra (CAT Sorriso). De acordo com a secretária Administrativa do CAT, Lenira Arsego, o objetivo é engajar e encorajar as mulheres profissionais do Agronegócio e as esposas dos produtores a participarem ativamente das tomadas de decisões do setor, mostrando sua responsabilidade com o desenvolvimento sustentável e com a sociedade como um todo.

Os parceiros são o Sindicato Rural de Sorriso, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso(Senar/MT), Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT). Além do patrocínio da Fundação Agrisus, que visa a inclusão da valorização feminina na conscientização de preservar os recursos hídricos e na produção de alimentos utilizando métodos conservacionistas.

O projeto, que será lançado oficialmente no final do mês de abril, surgiu a partir de um diagnóstico realizado em setembro de 2009, no 2º Encontro das Mulheres do Agronegócio, que mostrou a participação efetiva delas nos eventos relacionados a agropecuária na região. Segundo a secretária Administrativa, as mulheres hoje são tidas como provedoras e mantenedoras do lar e já ocupam lugar de destaque nas principais questões que envolvem o setor.

Lenira diz que o projeto também conta com ações específicas junto às consumidoras urbanas, com encontros para tratar de assuntos de higiene, culinária, saúde, orçamento, além de palestras e explicações sobre o que é o sistema do plantio direto e integração lavoura-pecuária, bem como a sua importância no desenvolvimento sustentável e como esses influenciam em seu dia-a-dia.

A diretora do CAT, Cynthia Cominesi, explica que toda a discussão tem função de fazer com que as consumidoras possam entender que a qualidade da sua comida e o meio ambiente sejam bem zelados nas fazendas. Afinal, as mulheres são as maiores consumidoras dos produtos agropecuários. Ela ainda diz que temas como o desmatamento, utilização de agrotóxicos, bem como as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais por conta do clima, falta de crédito, leis ambientais, entre outros, também serão abordados em visitas a campo.

Conquistas internacionais e dilemas domésticos do agronegócio /// Imaflora

Data: 30/03/2010
Fonte: IMAFLORA

A recente conquista brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), na antiga disputa sobre o algodão, e o reconhecimento da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) do etanol brasileiro revelam a força e o amadurecimento do agronegócio nacional. Parabéns aos diplomatas brasileiros, aos técnicos e executivos da Unica pela lição de como fazer valer um direito nas negociações internacionais e ocupar um espaço no acirrado e controlado mercado norte-americano. Informações técnicas, lobby e grandes investimentos articulados por uma inteligência sofisticada se reverteram em marcos da história do comércio mundial.

Ao mesmo tempo, seguimos com as incertezas e os enfrentamentos domésticos sobre produção e meio ambiente, em que todos perdem. São situações paradoxais! Já expressamos neste espaço o nosso ponto de vista sobre o tema: a legislação ambiental, incluindo o Código Florestal, precisa de ajustes, mas a questão ambiental não é a mazela ou o fator determinante que oprime ou ameaça o agronegócio nacional. Novamente, há outras questões tão ou mais relevantes, como taxa de juros, taxa de câmbio, extensão rural, tecnologia, seguro rural.
A dicotomia conservação ambiental ou produção é um falso dilema. A produção agropecuária ainda é e será por muito tempo um processo biológico, na interação solo-planta-animal-atmosfera-sol! Totalmente dependente do ambiente e dos recursos naturais. Quanto mais rico e saudável o ambiente, melhor para a produção. Isto para não entrar numa visão mais ampla, de que quanto mais diverso e conservado o meio rural, melhor para os rios, para as cidades, para o clima.

O Brasil tem tudo para ser uma potência agropecuária e ambiental. Uma dimensão não deve excluir a outra. Pelo contrário, deve ser articulada, num projeto nacional. Para tanto, precisamos da mesma sofisticação de inteligência, investimentos e lobby dos processos do algodão e do etanol. Obviamente é necessário haver uma política agrícola e ambiental que atendam aos objetivos de produção, geração de riqueza, emprego, renda e conservação no campo. Mas por que não? Por que simplificar que o meio ambiente é inimigo da produção em vez de usá-lo como indutor de inovação e protagonismo da agropecuária brasileira? Temos a possibilidade de unir as forças do agronegócio, da agricultura familiar e dos ambientalistas num projeto comum. Por que não pensar nesta utopia? É simples conciliar esses interesses? Não, mas é possível, se quisermos. E com esta conciliação, podemos conquistar muito mais.

Temos casos concretos em que diálogos e acordos estão ocorrendo, como na Moratória da Soja, na iniciativa dos supermercados com a carne, nos pactos setoriais do Conexões Sustentáveis. Temos os exemplos de sistemas de certificação, como o do FSC, em que diálogos, muita negociação e acordos entre setores produtivos, ambientais e movimentos sociais criaram um selo de garantia socioambiental que abre portas dos mercados internacionais para produtos brasileiros e de outros países do sul. Os brasileiros dos três setores foram fundamentais na criação do FSC em 1993 e ainda ocupam um lugar de liderança na formatação e condução deste sistema. Portanto, é possível!

Gostaria de concluir chamando a atenção para dois eventos que ocorrem na próxima semana. No dia 6 de abril, em Brasília, haverá um Seminário no Senado, organizado pelo Ipam, Contag, ISA, DIPV e Imaflora, com apoio da Frente Parlamentar Ambientalista; sendo transmitido ao vivo para 26 Assembléias Legislativas Estaduais. O evento buscará construir este diálogo e identificar as premissas básicas para conciliar a potência agropecuária com a socioambiental. Estaremos lá reforçando este ponto de vista.

No dia seguinte ocorre a abertura da Feira Brasil Certificado, que ocorrerá de 7 a 9 de abril, no Centro de Convenções São Luiz, em São Paulo, organizada pelo Imaflora, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Imazon, FSC Internacional e Rede de Agricultura Sustentável. Lá teremos diversos empreendimentos florestais e agrícolas e das suas cadeias, com certificação socioambiental independente.

O visitante vai poder conferir empresas madeireiras, do setor de papel e celulose, produtores de café, cacau, comunidades da Amazônia, cooperativas, indústrias de pisos, móveis, gráficas, supermercados, entre outros, que são produtivas, rentáveis e contribuem para a conservação ambiental e respeitam trabalhadores e comunidades. Um fórum de negócios de alto nível vai tratar dos mercados e das oportunidades e desafios para fazer parte deste movimento. Esperamos que todos percebam que fazem parte destas cadeias e têm a capacidade de influenciar decisivamente o que acontece no campo, por meio de suas opções de compra. Espero vocês lá!

Luis Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia pela Esalq-USP, com diversos trabalhos publicados sobre certificação e sistemas de produção agrícola, é secretário-executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Venda de frango à China é conquista comercial em 2009 /// Portal Agronegócio

Neste ano, os países asiáticos (China, Japão, Coreia, Cingapura e Hong Kong) consolidaram-se como principais destinos das exportações de produtos agrícolas

Repórter: Assessoria de Imprensa da Ocepar/Sescoop-PR
Entrevistado: Célio Porto
Secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

A abertura comercial do mercado chinês para a carne de frango brasileira é considerada pelo secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Célio Porto, o destaque no comércio exterior de produtos do agronegócio, em 2009.

Em entrevista, Porto fala sobre o aumento das quotas para as carnes brasileiras, pleito negociado com a Rússia e que teve o empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele explica os efeitos da crise financeira na balança comercial do País, como a acentuada diminuição nos preços dos produtos exportados, e relata a importância dos primeiros adidos agrícolas em oito missões diplomáticas no exterior, cujo processo seletivo foi concluído recentemente e os profissionais devem atuar a partir de abril de 2010. (Imprensa Mapa))

Qual a principal conquista do comércio agrícola internacional em 2009?

Célio Porto - A grande conquista do setor agrícola brasileiro, em 2009, foi a abertura do mercado da China para a carne de frango brasileiro. Graças à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio, foi possível essa negociação. Os chineses importam mais de US$ 1 bilhão por ano de carne de frango. Os resultados alcançados até o mês de novembro indicam que ocupamos mais de 10% do mercado chinês de frango. Isso em menos de seis meses, pois, apesar da abertura ter sido anunciada em maio, as exportações efetivas começaram apenas no segundo semestre deste ano.

Além disso, a China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com destaque para o complexo soja. Já tinha sido em 2008, mas o destaque mesmo foi em 2009. Com a queda das exportações para Estados Unidos e Países Baixos - parceiros comerciais que vêm logo em seguida - fechamos o ano tendo a China como destino de quase 14% de tudo o que o Brasil exporta em produtos agropecuários.


E os grandes fatos do cenário externo que influenciaram no setor agropecuário?

Célio Porto - A conclusão das negociações com a União Europeia, no processo de concessão de quotas adicionais para o Brasil, em função da entrada da Bulgária e Romênia no bloco. Por conta da incorporação desses dois países importadores de produtos agrícolas brasileiros, ultrapassamos a venda de 300 mil toneladas em açúcar e dobramos a Quota Hilton para carne bovina, de cinco mil para dez mil toneladas.

Recentemente, a Rússia também melhorou as quotas, para o Brasil, de carne bovina resfriada (29,5 mil toneladas), suína (500 mil toneladas) e de aves (750 mil toneladas). O país é o principal destino das exportações brasileiras de carne e, em 2009, tivemos várias missões do Ministério da Agricultura, inclusive uma chefiada pelo ministro Reinhold Stephanes. Em todas essas oportunidades, negociamos a melhoria das quotas de importação.

Outra grande notícia do ano foi o parecer definitivo dos juízes da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o montante de retaliação do Brasil aos Estados Unidos quanto aos subsídios da produção de algodão. O País, pela primeira vez, vai retaliar uma nação que não cumpriu as regras estabelecidas pela OMC. Esse é um marco histórico nas relações bilaterais. A posição do Ministério da Agricultura é de que, se a natureza da medida implicar em arrecadação de impostos, estes devem ser revertidos a favor do setor cotonicultor.

Como fica a balança comercial do agronegócio no ano em que a crise financeira internacional deixou os mercados retraídos?

Célio Porto - Começamos o ano no auge da crise financeira internacional. No entanto, tivemos um resultado até melhor do que o estimado. Esperava-se uma queda de 20% nas exportações, mas o declínio deverá ficar na faixa de 10%, na comparação do valor exportado.

Em 2008, os produtos vegetais responderam por 72% das exportações e, agora, por 77%. Os dados acumulados até novembro mostram queda de 24% no valor das exportações de produtos de origem animal e de 5% nas exportações de produtos de origem vegetal. E os destinos para os quais nós tivemos alta nas exportações foram: a Ásia, por conta da China, o Oriente Médio e a África, ou seja, mercados emergentes.

Um dos produtos que mais responderam pelo desempenho da balança comercial este ano foi o açúcar, mesmo com a queda nas exportações de álcool, as vendas externas do complexo sucroalcooleiro cresceram 25% em valor. Um fator importante é que a Índia, nosso principal concorrente no mercado mundial, deixou de vender para se tornar importador do produto.

Este ano, o Ministério da Agricultura selecionou os adidos agrícolas que atuarão em oito embaixadas brasileiras, dando apoio às negociações internacionais. Qual a importância desses profissionais para o setor?

Célio Porto - Essa era uma bandeira histórica do agronegócio brasileiro que finalmente foi concretizada. Esse especialista é fundamental, porque leva conhecimento técnico às negociações sanitárias e fitossanitárias. A diplomacia brasileira conduz bem esse papel, mas falta-lhe o suporte técnico específico da área agrícola. Como cada vez mais as negociações internacionais do agronegócio envolvem questões sobre barreiras técnicas, não comerciais, a presença de um profissional especializado nessa área torna-se primordial. Este ano, concluímos o processo seletivo para adidos agrícolas e, em janeiro, vamos começar o treinamento cujo conteúdo foi definido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo Instituto Rio Branco (IRB/MRE). No próximo mês de março, o presidente da República deverá indicar os nomes e esperamos que, em abril, os primeiros adidos agrícolas do País já possam assumir seus postos em Buenos Aires (Argentina), Bruxelas (Bélgica), Genebra (Suíça), Moscou (Rússia), Pequim (China), Pretória (África do Sul), Tóquio (Japão) e Washington (Estados Unidos).

O campo brasileiro, os Movimentos Sociais e a diversidade cultural

Em outubro de 2003, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA),iniciava, no Rio Grande do Sul, no Instituto de Capacitação e Pesquisa na Reforma Agrária (Iterra), um novo curso: era o Pedagogia da Terra, cuja finalidade era a formação deeducadores para atuarem nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Graças a um Convênio estabelecido entre a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), 50 jovens das áreas de Reforma Agrária, entre os milhares de camponeses e camponesas, acessaram mais um curso de nível superior.

Essa foi uma entre as centenas de parcerias estabelecidas com as mais de 50 instituições de ensino médio e superior, ao longo dos 10 anos, que ofereceram condições para que cerca de 400 mil jovens e adultos assentados tivessem se escolarizado e acessado níveismais elevados de escolaridade. Somente neste ano de 2008, estão em processo educativo formal 48 mil estudantes em 134 cursos.

O texto abaixo á parte do estudo: "Discutindo a cultura camponesa no
processo de ensino-aprendizagem em três escolas do sul do Brasil",autores: Luiz Paulo de Almeida,Maria Rosenilda Pingas,Paula Elizabete Pinto,Gelsa Knijnik.

O estudo faz parte de um conjunto que compõe o livro Teoria e prática da educação do campo cuja coordenação é de: Carmen Lucia Bezerra Machado,Christiane Senhorinha Soares Campos e Conceição Paludo. O livro é resultante do Convênio estabelecido entre a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

O campo brasileiro, os Movimentos Sociais e a diversidade cultural

"Na longa história deste nosso país e agora reforçado na conjuntura contemporânea,com a implementação das políticas neoliberais, dentre elas o agronegócio, o espaço geográfico denominado “campo” pelos trabalhadores organizados é visto como um lugar atrasado porque não se inclui no que é visto como “padrão da sociedade”. Além disso, é rotulado como monótono, sem vida e que apenas serve para produzir alimentos e matéria-prima para o lugar considerado civilizado: a cidade.

Quando os educadores não são camponeses, é essa cultura urbana que é considerada superior e, portanto, a que merece destaque na escola. Os livros didáticos reforçam essa idéia, mostrando o camponês como ingênuo, atrasado, “sem cultura”.
Isso faz com que nos acampamentos e assentamentos, muitas vezes os modos de vida camponesa, seus valores e suas crenças sejam desprezados, até mesmo pelos camponeses. A partir dos parâmetros hegemônicos, é possível compreender como os próprios agricultores se desacreditam, permanecendo num limite de reprodução apenas de seus meios de existência, envergonhados a ponto de negarem sua própria cultura ou abandonarem suas terras em busca de outra vida na cidade, que lhes é apresentada como melhor, mesmo que a maioria acabe indo parar nas favelas, vivendo uma vida desumana.

Por outro lado, há uma invasão cultural de mercado, de compra e venda, de lucro, de exploração não só dos bens materiais como também dos simbólicos. Essa invasão da sociedade capitalista também atinge o campo, principalmente o pequeno camponês que, por muitas vezes, tem seus direitos negados, entre esses a educação escolar, até o próprio reconhecimento de sua profissão e que acaba, muitas vezes, por abandonar o campo e entrar na lógica do capital.

Com esses inúmeros mecanismos de dominação, podemos perceber que já não há mais somente a apropriação da força de trabalho, das riquezas naturais e do poder econômico e político, mas também fica silenciada a cultura popular e no seu lugar se instala uma cultura da ambição, da violência, da destruição e principalmente, uma cultura do consumismo.
Com isso, os camponeses vêem negada sua forma de vida, seu jeito de se relacionar com as outras pessoas e com o mundo e passam a se enxergar como “jecas”, atrasados, sem saber qualquer.

Contudo, toda vez que se produz a negação cultural, a exclusão social e a desigualdade, se instaura a resistência. Assim, uma das maneiras de resistir, permanecendo no campo e se contrapondo à lógica do capital, é passar a fazer parte de um movimento social, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST que, por seu jeito de produzir ações e modos de resistência tem grande reconhecimento na sociedade.

Atualmente muitas pessoas estão fazendo um percurso inverso ao feito na chamada Revolução Verde, ao longo das décadas anteriores. Muitas pessoas que haviam abandonado o campo, que possuem suas raízes na agricultura, muitas pessoas jovens, por falta de espaço na sociedade, estão voltando a viver no campo e uma das alternativas encontradas por elas acaba sendo participar do MST.

Essa nova realidade faz com que hoje exista uma diversidade na composição social do MST, que passou a incorporar pessoas oriundas das periferias das grandes cidades, moradores de rua que, em sua condição de marginalizados, buscam no Movimento uma perspectiva de vida. No centro-oeste paranaense, em particular, o movimento hoje acolhe famílias brasiguaias (que retornam ao país após terem buscado alternativas de sobrevivência, há 30 ou 40 anos, no Paraguai).

Toda essa diversidade social e cultural faz com que aquilo que é comumente chamado de cultura camponesa precise ser re-significado. Assim, o conjunto do MST vai adquirindo formas diferentes de viver, hábitos, costumes, posturas, modo de trabalhar e produzir sua existência, de se relacionar com as pessoas, de educar os filhos. Isso forma os valores desse meio, que não são os mesmos dos camponeses de uma década atrás.

Porém, muitas coisas da cultura camponesa precisam ser resgatadas, como a mística vivida no cotidiano dos camponeses, que sempre foi pouca estudada ou percebida e que recarrega suas energias; e o mutirão, puxirão ou trabalho cooperado, outro símbolo forte da vida camponesa e que foi aos poucos sendo abafado pelo domínio do capital.

Outro aprendizado camponês que é preciso resgatar pode ser sintetizado pelo ditado: “Temos que ter a garantia da próxima planta”, que implica saber guardar as sementes para que não se estraguem, cuidando o período da “lua boa” para o plantio e a colheita.

Assim, fica resgatada uma grande marca da cultura camponesa: a resistência, pois carrega o fardo do seu desaparecimento por antecipação e, mesmo assim, insiste em germinar e dar sinal de vida.

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