Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Consumidor doméstico que gerar e fornecer energia poderá ter abatimento em conta de luz

Desde ontem (17), o consumidor que também gerar energia e fornecer seu excedente às concessionárias poderá ter o valor da conta de luz reduzido. A possibilidade está prevista em resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) segundo a qual residências ou empresas microgeradoras – com capacidade de até 100 quilowatts (kW) – ou minigeradoras – até 1 megawatt (MW) – terão direito a compensação na conta proporcional ao valor da energia repassada.
Para falar desse assunto, o programa Revista Brasil, da Rádio Nacional entrevistou hoje o coordenador da campanha Clima e Energia, do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo. Segundo ele, a Resolução 482/2012 é “um grande estímulo” e o “primeiro passo” para o avanço da energia solar no Brasil.
“Em todos países onde a energia solar deslanchou, como Alemanha, Espanha e Japão, tudo começou com algum tipo de incentivo. No Brasil, há uma adaptação disso [que já foi feito por lá]. Todo mundo poderá gerar energia limpa em casa e economizar na conta de luz”, disse Baitelo. Ele explica que a concessionária terá, no máximo, de 80 a 100 dias – após manifestação de interesse, pelo consumidor, em gerar energia – para viabilizar o negócio.
“O Brasil tem um enorme potencial para ter esse tipo e geração. Temos uma série de vantagens que os outros países não têm. Alemanha e Espanha tiveram de colocar tarifas promocionais para estimular as pessoas a instalarem equipamentos. Aqui no Brasil, a gente tem sol o ano inteiro. Se observarmos a variação de radiação solar entre inverno e verão, ela é mais viável e, mesmo custando mais caro, vale a pena”, disse o coordenador do Greenpeace.

“Durante o dia, as pessoas saem de casa e, com o sol brilhando, estariam gerando energia [ainda que sem utilizá-la]. À noite, quando o sol se põe, não havendo baterias [para armazenamento da energia] neste sistema [com painéis solares], se poderia puxar de volta a energia que foi disponibilizada à concessionária. Seria uma troca de favores constante [entre consumidor e concessionárias]”, acrescentou.

As concessionárias pediram, em meio às negociações com a Aneel, um pequeno requisito técnico para integrar os minigeradores ao sistema. “Você declara interesse, ela [a concessionária] se certifica de que o sistema atende aos critérios de segurança, até para evitar possibilidades de acidentes quando um técnico dela fizer visitas de manutenção. As concessionárias vão ajudar, inclusive, a adquirir equipamentos paralelos também, como medidor de energia adicional, para detectar fluxo de energia da casa até a concessionária”.

Baitelo informou que o custo desse tipo de equipamento está caindo vertiginosamente, mas admite que permanece caro para os padrões brasileiros. “No Brasil ainda é um pouco caro, com os custos variando, inclusive, em função da região ou estado e dos valores das tarifas”, ponderou. Mais informações sobre o assunto poderão ser obtidas no site da Aneel.

Fontes de energia têm perspectivas diferentes no Brasil

Matriz eólica é grande aposta. Nuclear, hidrelétrica, solar e de biomassa estão nos planos
Por: João Peres, Rede Brasil Atual
Publicado em 13/06/2011, 18:45
Última atualização às 20:56
São Paulo – A projeção de um crescimento econômico médio de 4,5% ao ano até 2020 leva o Brasil a um inevitável investimento na produção de energia elétrica. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estima que a capacidade instalada passe de 110 mil para 170 mil megawatts até o fim da década. Para isso, a aposta envolve diversificação da matriz energética, com aposta na eólica, sem descartar pequenas hidrelétricas, energia solar, nuclear e de biomassa.

O consumo per capita voltará em 2017 ao nível mais alto da história, registrado em 2001, ano em que houve racionamento no fornecimento. De lá para cá, uso mais racional, ampliação da capacidade e aumento da eficiência energética melhoraram a situação, mas há um longo caminho a percorrer.

O Plano Decenal de Energia da EPE, divulgado neste mês, indica que as hidrelétricas continuarão como prioridade. Dos R$ 100 bilhões destinados a investimentos a serem contratados, 55% são destinados a esta fonte, que hoje representa 76% da matriz energética. Embora passe a representar 67% do total até 2020, a produção vai crescer de 82,9 mil para 115,1 mil megawatts, fundamentalmente ancorada em usinas instaladas na Amazônia.

A seguir, as perspectivas para as principais fontes de energia nos próximos anos:

Eólica
A energia eólica desponta como grande aposta na matriz energética brasileira. Em 2010, comandou o leilão de fontes renováveis e chegou a um preço muito mais baixo que o imaginado. Com isso, a EPE estima que essa fonte responda por 7% da capacidade instalada até 2020, contra 1% atualmente.

Pesquisadores da Coppe, núcleo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, indicam que os bons sinais não significam que o Brasil deva ficar preso a esta fonte. Em relatório emitido em maio, eles comentam o trabalho que desenvolveram junto ao IPPC, painel da ONU sobre mudanças climáticas, e asseguram que o país está fadado a ser um “seguidor de tecnologia” da energia eólica.

Pequenas centrais hidrelétricas
As PCHs, como são conhecidas, têm processo mais rápido de construção que as grandes centrais hidrelétricas, que têm uma avaliação ambiental mais rigorosa. O que é bom para a produção de energia, no entanto, pode ser um obstáculo em termos de impacto. “Temos problemas muito sérios com PCHs porque falta rigor na aprovação, se fiscaliza menos e se exige menos condições. Cada município tem uma regra diferente, o que traz problemas”, critica Gesmar Rosa dos Santos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Solar
A energia solar ainda engatinha no Brasil. Se a eólica conseguiu se desenvolver com a chegada de fabricantes estrangeiros e o gradativo processo de produção local de alguns componentes, a solar ainda não tem exploração comercial e a primeira planta solar começou a ser instalada no Ceará, em parceria entre estado e iniciativa privada. Espera-se para este ano uma definição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a comercialização do excedente de pequenos geradores, como prédios, por exemplo.

Ruberval Baldini, presidente da Associação Brasileira de Energias Renováveis e Meio Ambiente (Abeama), considera que este é um grande equívoco e, pior, não está sendo corrigido, mesmo com o enorme potencial do Brasil, abastecido por sol durante a maior parte do ano. “Onde esta energia está em avanço há alguns anos tem metade da nossa insolação. Isso justificaria um esforço do governo.”

Nuclear
Os riscos na usina nuclear de Fukushima, abalada pelo terremoto que assolou o Japão neste ano, fizeram o governo recuar na intenção de instalar novas usinas. Ao menos temporariamente, já que o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, não descarta voltar a apostar nesta tecnologia. “Temos que considerar que o Brasil tem um grande potencial, domina o enriquecimento (de urânio) e tem a sexta reserva de urânio do mundo. Portanto, não devemos considerar que vamos abrir mão dessa tecnologia.”

As usinas de Angra 1 e Angra 2 asseguram atualmente 2.007 megawatts, aumentando para 3.412 em 2016, com a inauguração de Angra 3. O longo prazo para construção dessas usinas, somado ao risco, deve dificultar os planos de ampliação.

Biomassa
A biomassa vai mais que dobrar a participação na capacidade instalada brasileira, passando de 4.496 megawatts atualmente para 9.163 megawatts em 2020. A EPE estima que a maior parte virá da energia gerada por cana-de-açúcar, mas admite que há problemas neste campo. A maior parte dos usineiros prefere reaproveitar parte da energia gerada pelo bagaço na própria produção de açúcar e etanol, sem comercializá-la com o Sistema Integrado Nacional.

Santos, do Ipea, não acredita que vá se cumprir a projeção de que a biomassa a partir da cana represente 3,4% da potência instalada até 2020. O grande problema é que a produção de energia está diretamente atrelada às oscilações do mercado de etanol e de açúcar, que levam o produtor a aumentar ou diminuir sua área plantada. Em outras palavras, fica difícil fazer projeções. “É um setor que se move por um conjunto de fatores, incluindo incentivos governamentais, isenção tributária, garantia de mistura do etanol anidro na gasolina.”

Potencial dos oceanos
O painel da ONU para mudanças climáticas concluiu que o Brasil tem um potencial enorme de exploração do potencial energético a partir das ondas do mar. A tecnologia, que vem sendo estudada na Europa, poderia ser aplicada a praticamente todo o litoral nacional, com reduzidos impactos ambientais. Para os pesquisadores da Coppe, o Brasil, principal detentor da tecnologia de exploração do petróleo a altíssimas profundidades, não teria qualquer dificuldade em explorar esta técnica. “Esse é um campo em que o Brasil pode fazer a diferença. Justamente porque a tecnologia ainda não está madura, há uma janela de oportunidades para quem quer investir e sair na frente”, apontou o professor Segen Stefen em comunicado da UFRJ.

Usinas solares no Marrocos deverão fornecer 15% da energia da Europa



No meio de um deserto de terra pedregosa surge, como um oásis, um imenso complexo de metal e vidro, escaldado pelo Sol: a usina termossolar de Ain Beni Mathar. Um concentrado de tecnologias nesta região do nordeste do Marrocos, que por muito tempo permaneceu à parte do desenvolvimento do país.


Alinhadas sobre 88 hectares, 62 fileiras de 300 metros de concentradores solares focalizam a luz sobre tubos de óleo calorífero, levado a quase 400 graus Celsius. O calor é transferido para um circuito de água, para aumentar o rendimento de uma turbina a vapor acionada pela combustão de gás natural. O Sol contribui com 20 megawatts (MW) para a potência de 472 MW dessa unidade híbrida, uma das primeiras do tipo no mundo. Reportagem de Pierre Le Hir – Enviado especial do Le Monde a Ain Beni Mathar, Oujda (Marrocos).

Construída e operada pela empresa espanhola Abengoa, a instalação foi inaugurada em maio de 2010. “Ela fornece hoje 13% do consumo elétrico do país”, diz um engenheiro. “E permitiu a criação de 60 empregos diretos e de 200 empregos indiretos, 90% dos quais são ocupados por marroquinos”. A usina de Ain Beni Mathar é a ilustração das novas metas energéticas estabelecidas pelo Marrocos, preocupado em explorar melhor seus recursos renováveis. A começar pelo Sol e pelo vento, do qual ele dispõe em abundância.

Ao mesmo tempo, o país quer servir de “cabeça de ponte” para o projeto europeu Desertec, que visa fornecer ao Velho Continente 15% de sua eletricidade a partir de usinas solares e eólicas espalhadas pelo Saara. Tendo, como corolário, o projeto Medgrid (ex-Transgreen), que deve realizar a interconexão elétrica entre as duas margens do Mediterrâneo. “Nosso potencial é considerável”, explica a ministra das Minas, Energias, Água e Meio Ambiente, Amina Benkhadra. “Podemos ao mesmo tempo atender nossa demanda energética e permitir à Europa que atinja sua meta de 20% de energia renovável . Todos saem ganhando”.

O reino acaba de ser escolhido pelo consórcio Desertec para a construção de uma primeira usina solar de 500 MW, cuja maior parte da produção será exportada para a Alemanha.

Quase 50 mil empregos
Longe de serem somente uma moda, essas tecnologias verdes, no centro do Congresso da Energia que ocorreu no dia 31 de maio em Oujda, sob a presidência do rei Mohammed 6º, respondem a uma necessidade econômica e política. O reino, quase totalmente desprovido de jazidas fósseis, importa 97% de sua energia.

Para o gás natural, ele recebe royalties em espécie sobre a passagem do gasoduto Magreb-Europa, mas ele compra da Arábia Saudita e do Iraque seu petróleo, cuja conta pesa nas contas públicas. A questão é “garantir nosso abastecimento”, afirma Benkhadra. Mais ainda pelo fato de que a demanda será três vezes maior daqui a vinte anos.

Então um ambicioso programa solar foi lançado. Até o final da década serão construídas, em cinco pontos, enormes usinas termossolares (com um componente fotovoltaico), com uma potência total de 2.000 MW. A primeira, com capacidade de 500 MW, deve entrar em funcionamento em 2015 em Ouarzazate.

Quatro consórcios administrados por empresas espanholas, italianas, sauditas e egípcias, foram selecionados para a primeira fase. As empresas francesas, afirma a ministra, não atenderam às exigências da licitação, que incluía capacidades de armazenamento de energia.

Um parque eólico, também de 2.0000 MW, será espalhado por todo o território. Em 2020, a energia solar, a eólica, mas também a hidráulica deverão representar , cada uma com um terço, 42% da potência elétrica instalada, cobrindo 25% da demanda em eletricidade do país.

Essa grande obra tem um custo: mais de 6 bilhões de euros para a energia solar, quase 2,5 bilhões para a eólica. O arranjo financeiro requer muitos investimentos estrangeiros, uma vez que as empresas aceitas custearão a construção das instalações, cujos kilowatts-hora serão revendidos para a Agência Nacional de Eletricidade marroquina, com tarifas garantidas por 25 anos.

“Esses projetos devem exercer um papel estrutural para as regiões, contribuindo para seu desenvolvimento industrial e técnico”, ressalta Mustapha Bakkoury, presidente da Agência Marroquina de Energia Solar. São esperados quase 50 mil novos empregos qualificados, na área de energia.

O Marrocos também tem feito contatos bilaterais com a França, a Espanha, a Itália e Portugal, pela União para o Mediterrâneo e seu Plano Solar. No início de maio, o ministro francês da Indústria, Eric Besson, anunciou que uma experiência-piloto de exportação de eletricidade do Marrocos para a França – por meio da linha submarina de 1.400 MW que liga o Marrocos e a Espanha – , será conduzida no outono de 2011.

Uma forma de testar, no plano não somente técnico, mas também jurídico e diplomático, o futuro mercado transmediterrâneo dos elétrons verdes.

Tradução: Lana Lim
Reportagem [Le Maroc, "tête de pont" du chantier vert] do Le Monde, no UOL Notícias.

Microcontrolador otimiza aquecedor solar em dias de chuva

Por Raquel do Carmo Santos
O sistema de aquecimento solar ainda enfrenta sérios desafios no país. Um deles, no entanto, acaba de ser vencido pelo engenheiro eletricista João Luiz Florio, da Unicamp. Ele desenvolveu um dispositivo eletrônico de monitoração e controle que pode ser usado em todos os modelos residenciais de aquecedores de água por energia solar.

Baseado em um microcontrolador, o sistema funciona automaticamente e permite ao usuário obter água na temperatura e no tempo desejados, independentemente dos dias ensolarados.
O dispositivo eletrônico de monitoração e controle pode ser usado em todos os modelos residenciais de aquecedores de água por energia solar.

Além disso, também é possível obter um rendimento de até 30% a mais de água quente por meio de um processo chamado circulação forçada. Mas uma das principais vantagens está na economia de energia elétrica, pois evita o desperdício nos períodos de baixa insolação.

Usinas de energia solar ganham espaço nos Estados Unidos

Duas usinas serão construídas no deserto da Califórnia e outros cinco projetos devem ser autorizados ainda neste ano

The New York Times
12/10/2010 09:41

Mudar o tamanho da letra: A+ A- As propostas para as primeiras grandes usinas de energia solar construídas em território norte-americano receberam aprovação final do secretário do Interior Ken Salazar, o que reflete a determinação do governo Obama para promover as energias renováveis em face da inércia do Congresso.

Duas usinas serão construídas no deserto da Califórnia em um programa que se enquadra no próprio esforço agressivo do Estado para impulsionar o desenvolvimento de energia eólica, solar e geotérmica.

Casa solar, uma possibilidade sustentável

O exemplar acima, construído em Taguatinga (DF), foi um projeto desenvolvido em parceira do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Distrito Federal (Senai-DF) com o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), que servirá como um centro de demonstração de tecnologias para a obtenção de energias renováveis.


A casa, construída em alvenaria com estrutura externa revestida por 12 placas fotovoltaicas – responsáveis pela captação e conversão da energia solar em corrente elétrica – tem 65 m² e conta com 16 baterias internas, que conseguem armazenar 3 mil watts para serem utilizados em dias chuvosos ou nublados, com capacidade para durar até 48 h.

Energia solar e eólica podem encerrar era do petróleo, diz Nobel

Redação do Site Inovação Tecnológica - 21/09/2010

Fim da era do petróleo
A continuidade da pesquisa e desenvolvimento no campo das energias alternativas poderá resultar em uma nova era na história humana, em que duas fontes de energia renovável - a energia solar e a energia eólica - vão se tornar as principais fontes de energia na Terra.

A opinião contundente não é de nenhum ambientalista de plantão, mas do Prêmio Nobel de Química de 1998, Walter Kohn.

Empresas buscam formas de medir danos ambientais

CIRCE BONATELLI - Agência Estado
Estadão.com
27 de agosto de 2010 17h 10

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) vai buscar instrumentos para medir o impacto das atividades econômicas sobre a fauna e a flora na próxima Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP-10), que será realizada em outubro, em Nagoya (Japão). Segundo a presidente executiva do grupo, Marina Grossi, que engloba 52 empresas cujo faturamento corresponde a 40% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o objetivo não é apenas apoiar o lançamento de metas para a preservação ambiental, mas também as maneiras de atingi-las. "A mensuração dos impactos vai nos dizer quais são os principais problemas ambientais que devem ser trabalhados. É importante sistematizar as informações para que as empresas possam assumir compromissos", explicou, no intervalo do Fórum Biodiversidade e Economia, realizado na quinta-feira em São Paulo.


De acordo com o último relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado em maio, os desmatamentos e a degradação florestal geram um custo anual entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões. Segundo Marina, esses prejuízos afetam tanto as empresas quanto os governos, e a sua mensuração é essencial para entender as tendências da "economia verde", baseada em produtos e serviço sustentáveis. "Em 2050, as empresas não vão continuar trabalhando do mesmo jeito," disse.

Conozca los detalles de la primera planta de energía solar en Latinoamérica /// America Economia

La española Solarpack busca aprovechar el potencial del desierto de Atacama en Chile, donde levantará el proyecto Calama Solar I, que demandará una inversión de US$40 millones.
Matías Rodo Yuricevic

La planta tendrá una capacidad instalada de 10 megavatios.

Que en Chile se haya presentado el primer Estudio de Impacto Ambiental en Latinoamérica para desarrollar una planta generadora solar, no es una casualidad. En el mundo existen tres zonas ideales para este tipo de proyectos: el desierto de Atacama, el de Mojave y el Sahara. Y en el páramo chileno es donde existe la mayor radiación solar del mundo, y el que está más cerca de un gran punto importante de consumo: las mineras locales.

Y la española Solarpack quiere sacarle provecho a esta demanda. La firma, fundada en 2005, está presente en Chile desde mediados de 2008. Desde esa época ha venido trabajando en desarrollar el proyecto Calama Solar 1. “Esta planta tendrá una capacidad instalada de 10 MW y demandará una inversión de US$40 millones”, dice Jon Segovia, socio director de la filial chilena.

La iniciativa se sustenta en el expertise de Solarpack: en el país ibérico es una de las 10 compañías más importantes del sector, con más de cinco proyectos, los que han demandado unos US$200 millones. Para muchos esta tecnología puede ser considerada como reciente sin embargo, ya tiene sus años, en los cuales se ha logrado instalar unos 7.000 MW en todo el mundo.

Esto gracias a que en el negocio existen dos puntos críticos: el precio de los módulos y el precio de la financiación. En ambos casos, los costos se han reducido en los últimos dos años a la mitad, favoreciendo la proliferación de este tipo de proyectos. “Hasta la fecha, todos son subsidiados. Pero estamos muy cerca de que aquello ya no sea necesario”, dice Segovia. Y el primero podría ser el que pretenden levantar en el mercado local, el que estaría operando a fines de 2010.

Una quimera realista, que cuenta con un potencial importante. Según Segovia si en el desierto nortino se llenara con paneles solares un espacio equivalente a 12 km2, se podría generar la energía que actualmente consume el país: 12.000 MW. Pero, claro, el ejecutivo se toma las cosas con calma. La compañía española está estudiando desarrollar al menos otros cinco proyectos entre la I y IV Región, cuyas dimensiones serían similares a la de Calama Solar 1.

La base de esta nueva realidad son las ventajas de la energía solar. De todas las ERNC, ésta es lejos la que mayor aceptación posee por parte de la población. Y, además de ser una energía renovable y limpia, se genera en base a un precio fijo que en promedio perdura cerca de 25 años. “Es una energía muy predecible, gracias al desarrollo tecnológico que ha experimentado la meteorología”, dice el ejecutivo.

Éstos son factores que han llevado a que las naciones desarrolladas apuesten con fuerza por este tipo de energías. De hecho, en España, las ERNC han llegado a suministrar un 50% de la energía requerida en un día por el país. Otro ejemplo es el de Estados Unidos, donde su presidente, Barack Obama, propuso crear 5.000 puestos verdes de trabajos. Algo en lo que cree la filial liderada por Segovia. No por nada también está mirando más allá de las fronteras chilenas. Actualmente están participando en una licitación para desarrollar una planta solar en Perú. “El proyecto tendría una capacidad de 80 MW y, de adjudicárnoslo, lo levantaríamos en el sur del vecino país”, dice

Cem por cento limpeza /// FIEC

Por GEVAN OLIVEIRA
Empresário cearense desenvolve o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energia eólica e solar
Não tem mais volta. As tecnologias limpas – aquelas que não queimam combustível fóssil – serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representando importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um ‘cabeça chata’ pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.

O professor Pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.

Feito em fibra de carbono e alumínio especial – mesmo material usado em aeronaves comerciais –, a peça tem três metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato de avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve à sua aerodinâmica, que facilita a captura de raios solares e de vento. "Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando-se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo", esclarece.
Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando-os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1.000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.


Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um "avião" – na verdade um gerador – é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais). A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.

À prova de apagão
Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: "As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar".


O inventor explica que a ideia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo – o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. "Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial", diz.

Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na ideia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.

O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando-se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. "Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%", garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. "Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental", finaliza Fernandes Ximenes.


Vento e sol
Com a inauguração, em agosto do ano passado, do parque eólico Praias de Parajuru, em Beberibe, o Ceará passou a ser o estado brasileiro com maior capacidade instalada em geração de energia elétrica por meio dos ventos, com mais de 150 megawatts (MW). Instalada em uma área de 325 hectares, localizada a pouco mais de cem quilômetros de Fortaleza, a nova usina passou a funcionar com 19 aerogeradores, capazes de gerar 28,8 MW. O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a empresa Impsa, fabricante de aerogeradores. Além dessa, a parceria prevê a construção de dois outros parques eólicos – Praia do Morgado, com uma capacidade também de 28,8 MW, e Volta do Rio, com 28 aerogeradores produzindo, em conjunto, 42 MW de eletricidade. Os dois parques serão instalados no município de Acaraú, a 240 quilômetros de Fortaleza.

Se no litoral cearense não falta vento, no interior o que tem muito são raios solares. O calor, que racha a terra e enche de apreensão o agricultor em tempos de estiagem, traz como consolo a possibilidade de criação de emprego e renda a partir da geração de energia elétrica. Na região dos Inhamuns, por exemplo, onde há a maior radiação solar de todo o país, o potencial é que sejam produzidos, durante o dia, até 16 megajoules (MJ – unidade de medida da energia obtida pelo calor) por metro quadrado.

Essa característica levou investidores a escolher a região, especificamente o município de Tauá, para abrigar a primeira usina solar brasileira. O projeto está pronto e a previsão é que as obras comecem no final deste mês. O empreendimento contará com aporte do Fundo de Investimento em Energia Solar (FIES), iniciativa que dá benefícios fiscais para viabilizar a produção e comercialização desse tipo de energia, cujo custo ainda é elevado em relação a outras fontes, como hidrelétricas, térmicas e eólicas.

A usina de Tauá será construída pela MPX – empresa do grupo EBX, de Eike Batista – e inicialmente foi anunciada com uma capacidade de produção de 50 MW, o que demandaria investimentos superiores a US$ 400 milhões. Dessa forma, seria a segunda maior do mundo, perdendo apenas para um projeto em Portugal. No entanto, os novos planos da empresa apontam para uma produção inicial de apenas 1 MW, para em seguida ser ampliada, até alcançar os 5 MW já autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os equipamentos foram fornecidos pela empresa chinesa Yingli.

Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Antônio Balhmann, essa ampliação dependerá da capacidade de financiamento do FIES. Aprovado em 2009 e pioneiro no Brasil, o fundo pagaria ao investidor a diferença entre a tarifa de referência normal e a da solar, ainda mais cara. "A energia solar hoje é inviável financeiramente, e só se torna possível agora por meio desse instrumento", esclarece. Ao todo, estima-se que o Ceará tem potencial de geração fotovoltaica de até 60.000 MW.

Também aproveitando o potencial do estado para a energia solar, uma empresa espanhola realiza estudos para definir a instalação de duas térmicas movidas a esse tipo de energia. Caso se confirme o interesse espanhol, as terras cearenses abrigariam as primeiras termossolares do Brasil. A dimensão e a capacidade de geração do investimento ainda não estão definidas, mas se acredita que as unidades poderão começar com capacidade entre 2 MW a 5 MW.


Bola da vez

De fato, em todas as partes do mundo, há esforços cada vez maiores e mais rápidos para transformar as energias limpas na bola da vez. E, nesse sentido, números positivos não faltam para alimentar tal expectativa. Organismos internacionais apontam que o mundo precisará de 37 milhões de profissionais para atuar no setor de energia renovável até 2030, e boa parte deles deverá estar presente no Brasil. Isso se o país souber aproveitar seu gigantesco potencial, especialmente para gerar energias eólica e solar. Segundo o Estudo Prospectivo para Energia Fotovoltaica, desenvolvido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o dever de casa no país passa, em termos de energia solar, por exemplo, pela modernização de laboratórios, integração de centros de referência e investimento em desenvolvimento de tecnologia para obter energia fotovoltaica a baixo custo. Também precisará estabelecer um programa de distribuição de energia com sistemas que conectem casas, empresas, indústria e prédios públicos.

"Um dos objetivos do estudo, em fase de conclusão, é identificar as oportunidades e desafios para a participação brasileira no mercado doméstico e internacional de energia solar fotovoltaica", diz o assessor técnico do CGEE, Elyas Ferreira de Medeiros. Por intermédio desse trabalho, será possível construir e recomendar ações estratégicas aos órgãos de governo, universidades e empresas, sempre articuladas com a sociedade, para inserir o país nesse segmento. Ele explica que as vantagens da energia solar são muitas e os números astronômicos. Elyas cita um exemplo: em um ano, a Terra recebe pelos raios solares o equivalente a 10.000 vezes o consumo mundial de energia no mesmo período.

O CGEE destaca, em seu trabalho, a necessidade de que sejam instituídas políticas de desenvolvimento tecnológico, com investimentos em pesquisa sobre o silício e sistemas fotovoltaicos. Há a necessidade de fomentar o desenvolvimento de uma indústria nacional de equipamentos de sistemas produtivos com alta integração, além de incentivar a implantação de um programa de desenvolvimento industrial e a necessidade de formação de profissionais para instalar, operar e manter os sistemas fotovoltaicos.

RENOVÁVEIS TERÃO ATÉ 80% DOS EMPRÉSTIMOS DO BID /// Agencia Ambiente Energia

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) planeja, para os próximos três anos, que até 80% dos futuros empréstimos para a área de energia sejam destinados a projetos de fontes renováveis de energia – biomassa, geotérmica, solar, eólica e hidrelétrica, contra os atuais 30%.

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Segundo o BID, melhorias no processo de regulação e a queda dos custos dos equipamentos impulsionaram a demanda de investimentos em projetos de energias renováveis na América Latina e no Caribe, em particular para empreendimentos de geração eólica.

O BID, em 2009, destinou US$ 1,2 bilhão em financiamentos para projetos do setor privado, sendo que um terço se voltou a financiar projetos de energia renovável e eficiência energética na região. “Vários países da região desejam diversificar suas fontes de energia e estão mudando o seu marco regulatório para atrair mais investimentos em energia limpa”, comentou Hans Schulz, gerente geral do Departamento de Financiamento Estruturado e Corporativo do BID.

A expectativa é que a demanda de energia na América Latina aumente 50% até 2030, exigindo investimentos da ordem de US$ 1,5 trilhão. Projeção da Agência Internacional de Energia mostra que somente na próxima década a região precisará de um incremento de 26% na sua capacidade instalada de geração de energia. Segundo ele, sem financiamento de longo prazo, os projetos de energias renováveis não podem virar realidade. “Por isso, o apoio multilateral tem sido essencial para que muitos projetos de energia verde se tornem realidade”, comenta, descatando os prazos dos financiamentos do BID que chegam a até 15 anos, contra os cinco anos dos bancos comerciais.



Energia eólica - Nos últimos anos, a demanda por financiamento por projetos de geração eólica ganhou mais espaço na carteira do BID, uma vez que os novos materiais e desenhos de turbinas reduziram o custo por MW. Com isso, a eólica passou a ser uma alternativa atraente para governos e empresas da América Latina. Em dezembro do ano passado, por exemplo, a entidade aprovou financiamento de US$ 102 milhões para dois projetos de energia eólica, num total de 318 MW, para o estado de Oaxaca, no México.[1]

O BID também financia projetos de energia limpa e eficiência energética por meio de empréstimos e doações a governos de seus 26 países membros mutuários. No ano passado, o banco mais que duplicou os financiamentos para melhorar o meio ambiente, enfrentar a mudança climática e incentivar as energias renováveis. Foram aprovados 33 novos empréstimos para projetos verdes nos setores privado e público, num total de mais de US$ 3,5 bilhões. Do total de projetos, 15 deles, num total de US$ 2,1 bilhões, foram destinados a mudança climática e as energias renováveis.

ENERGIA PARA O FUTURO/// CREA-BA

Auto-suficiência em petróleo comemorada pelo governo federal não significa a solução para os problemas energéticos do País


por Sivaldo Pereira

O Brasil é considerado um dos países com maior potencial energético do mundo, tanto devido aos recursos minerais disponíveis quanto à sua localização geográfica. Mas este potencial necessita de investimentos e desenvolvimento tecnológico para se tornar efetivo. Preocupado, o Sistema Confea/Crea incluiu o tema energia nas propostas do projeto Pensar Brasil. O intuito é debater perspectivas e as possíveis contribuições da área tecnológica para o setor.

Atualmente, segundo dados preliminares do Balanço Energético Nacional (BEN) de 2006, 77,1% da estrutura de oferta interna de energia elétrica do País provém de fonte hidráulica. Na avaliação do ex-coordenador da Câmara de Engenharia Elétrica do Crea-BA, engenheiro eletricista Roberto da Costa e Silva, o modelo baseado em hidroelétricas não é sustentável a longo prazo. “Para evitar problemas futuros, deveríamos investir no desenvolvimento de energias solar, eólica e nuclear. Temos bastante sol, vento e área suficiente para se implantarem usinas solares e eólicas, e somos produtores de material radioativo. Assim, reunimos as condições de sermos independentes”, analisa.

Dados do Ministério de Minas e Energia demonstram ainda que aproximadamente 44% da matriz energética brasileira provém de fontes renováveis. Segundo o professor e coordenador do Laboratório de Energia e Gás da Escola Politécnica (Ufba), engenheiro mecânico Ednildo Andrade Torres, a produção de petróleo – a principal fonte não renovável de energia – ainda se manterá com abundância nos próximos anos, mas, dentro de três ou quatro décadas, as reservas entrarão em declínio. Para o professor, que tem doutorado em energia térmica, o Brasil precisa planejar agora o desenvolvimento de uma matriz energética com uma visão de longo prazo, que seja diversificada, dando ênfase em fontes renováveis de energia, como a biomassa, energia eólica e solar, sem perder de vista também que seria inevitável o uso de energia nuclear no futuro. “Precisamos buscar soluções definitivas como a biomassa e fontes complementares de energia como a solar e a eólica. A longo prazo, certamente precisaremos utilizar energia nuclear. Não o que temos aí, mas algo que ainda será desenvolvido sem a geração de resíduos radioativos” aponta. Torres explica ainda que o grande problema da energia nuclear hoje são os riscos de acidentes e o problema da contaminação.

Se o Brasil reúne as condições prévias necessárias para se tornar uma potência energética no mundo, tal tendência está técnica e economicamente alinhada com as características climáticas e geológicas da Bahia. Boa parte do estado é propícia para implantação de centros produtores de uma matriz energética mais diversificada. Sítios eólicos e solares da região litorânea até o semi-árido, a maioria ainda inexplorada; produção em larga escala de biomassa a partir de plantas oleaginosas como o dendê, no Baixo-sul, ou a soja, no oeste do estado; extração de urânio na região de Caetité, que está entre as três maiores reservas do País, além do potencial hidráulico que já vem sendo explorado nas últimas décadas. “A Bahia é um grande celeiro para geração de energia, não apenas hoje, mas também para o futuro”, constata Torres. Apesar desta potencialidade, o estado também sofre dos mesmos problemas nacionais: falta mais investimento em pesquisa e tecnologia, além de um planejamento estratégico e sustentável para transformar esta potencialidade em riqueza, e a riqueza em benefícios para a população.













Vantagens e desvantagens das fontes de energia

  • Eólica e solar - São fontes limpas, com reduzido impacto ambiental. Dependem, porém, da existência de luz ou vento. Sua implantação é cara e requer grandes áreas para instalação.
  • Nuclear - Tem alto poder de concentração energética. O Brasil possui a sexta maior reserva de urânio do planeta. Desse total, 33% estão localizados na Bahia (Lagoa Real e Caetité). Requer alta tecnologia para o enriquecimento de urânio. Hoje, provoca sérios danos à saúde e ao meio ambiente em caso de acidentes. Os resíduos gerados representam um problema ambiental.
  • Biomassa - Renovável, pode ser extraída de diversas fontes vegetais, ampliando o leque de regiões potencialmente produtoras. No Brasil, há grandes possibilidades de produção em larga escala até mesmo para exportação futura. O problema é que requer grandes áreas de plantio e de investimentos privados na construção de um parque industrial e no desenvolvimento de pesquisas.
  • Hidráulica - Potencial para gerar energia elétrica em larga escala de modo renovável , utilizando-se da força das águas. Sustenta boa parte da produção da energia elétrica consumida hoje nos lares brasileiros. Requer altos investimentos na construção de hidrelétricas. Apesar de ser renovável, há limites para a instalação de usinas ao longo das bacias brasileiras.
  • Gás natural - Não é renovável. Alternativa ao petróleo em muitos países. As reservas mundiais estão em alta e poderão ser o “combustível de transição” com o declínio das reservas de petróleo no mundo.
Para dados complementares, visite o Relatório:
Análise Energética e Dados Agregados
Destaques de Energia por Fonte em 2007

Destaques de Energia e Socioeconomia em 2007
Análise Energética Brasileira – 1970 a 2007
Dados Agregados

link:
www.ipen.br/conteudo/upload/200903220937060.Relatorio_Final_BEN_2008.pdf

Informação & Conhecimento