Washington (Platts)--8Jun2010/554 pm EDT/2154 GMT
The ten states comprising the Regional Greenhouse Gas Initiative stand to lose nearly $3 billion in revenue if the recently announced US Senate climate change bill becomes law, according to a study released Tuesday by environment research and advocacy group Environment Northeast.
The Senate bill, sponsored by Senators John Kerry and Joseph Lieberman, would eliminate any regional or state cap-and-trade programs when a national plan takes effect in 2013. At present, the only mandatory greenhouse gas cap-and-trade plan in the US is RGGI, a venture binding ten Northeast and Mid-Atlantic states.
RGGI emission allowances are mostly sold by state governments in quarterly auctions. Seven auctions have been held thus far, raising over $582 million since September 2008. The Kerry-Lieberman bill, however, would permanently end these auctions.
Environment Northeast estimates that RGGI member states would be forced to surrender more than a billion allowances between 2013 and 2018, the year in which the RGGI program is scheduled to end. These allowances would be worth at least $2.97 billion, Environment Northeast calculates, using the weighted
average of the seven prior auction clearing prices, or $2.75/short ton.The upper limit these allowances might be worth is $8.65 billion, the study stated. That would happen if allowances reach $10/st, which is the
maximum price that RGGI allowances are likely to trade during this time period, according to Peter Shattuck, a carbon markets policy analyst at Environment Northeast.
--Geoffrey Craig, geoffrey_craig@platts.com
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
Marcas do Brasil deixam de ser 'exóticas' /// estadao.com.br
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6/10/2010 06:21:00 AM
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economia
10 de junho de 2010
Estudo inédito sobre o comportamento das marcas brasileiras fora do território nacional será apresentado hoje pela empresa de consultoria Interbrand. O potencial do cenário para marcas globais do Brasil entrou no escopo de pesquisas da consultoria há dois anos, com a intensificação de pedidos de empresas preocupadas em exportar suas marcas.
A Interbrand analisa o comportamento dos setores promissores e os desafios para a internacionalização das marcas com potencial para integrar o ranking das mais valiosas do mundo. O maior achado do trabalho foi a mudança de percepção do Brasil, que deixa para trás o antigo padrão de país "exótico" para um Brasil de vanguarda, capaz de oferecer marcas inovadoras e com atitude global.
Na relação levantada pela Interbrand, além de marcas conhecidas, aparece a do Banco Itaú, visto como dono de características únicas que a favorecem lá fora. Caso do nome curto, fácil de pronunciar e memorizar, assim como a identidade visual, com o uso do laranja, única entre os bancos brasileiros e rara nos demais países do mundo. Outra surpresa é a presença do açúcar orgânico Native, do grupo Balbo. A empresa é a maior produtora de açúcar orgânico do mundo e destina 85% de sua produção à exportação para 41 países.
Itens de moda, como os biquínis, seguem em pauta, mas há também os sapatos de plástico da marca Melissa que, cheios de bossa e design, são vendidos em 50 países e em mais de mil pontos comerciais. A marca também é vendida em lojas como a charmosa Colette, em Paris.
A condição de 8.º maior produtor têxtil do mundo gera um bom horizonte para marcas do setor. Assim, os biquínis Rosa Chá e a confecção de roupas Osklen têm futuro promissor pelas considerações do estudo. "São marcas que apresentam atributos globais, já geram receita significativa com a exportação, apresentam desempenho de venda ou estão construindo uma reputação em busca de ser tornar objeto de desejo", diz o estudo.
Há lojas da Osklen em Milão, Nova York, Portugal, Tóquio e Genebra. O site WGSN aponta a marca entre as dez mais influentes do mundo da moda.
Marili Ribeiro - O Estado de S.Paulo
Estudo inédito sobre o comportamento das marcas brasileiras fora do território nacional será apresentado hoje pela empresa de consultoria Interbrand. O potencial do cenário para marcas globais do Brasil entrou no escopo de pesquisas da consultoria há dois anos, com a intensificação de pedidos de empresas preocupadas em exportar suas marcas.
A Interbrand analisa o comportamento dos setores promissores e os desafios para a internacionalização das marcas com potencial para integrar o ranking das mais valiosas do mundo. O maior achado do trabalho foi a mudança de percepção do Brasil, que deixa para trás o antigo padrão de país "exótico" para um Brasil de vanguarda, capaz de oferecer marcas inovadoras e com atitude global.
Na relação levantada pela Interbrand, além de marcas conhecidas, aparece a do Banco Itaú, visto como dono de características únicas que a favorecem lá fora. Caso do nome curto, fácil de pronunciar e memorizar, assim como a identidade visual, com o uso do laranja, única entre os bancos brasileiros e rara nos demais países do mundo. Outra surpresa é a presença do açúcar orgânico Native, do grupo Balbo. A empresa é a maior produtora de açúcar orgânico do mundo e destina 85% de sua produção à exportação para 41 países.
Itens de moda, como os biquínis, seguem em pauta, mas há também os sapatos de plástico da marca Melissa que, cheios de bossa e design, são vendidos em 50 países e em mais de mil pontos comerciais. A marca também é vendida em lojas como a charmosa Colette, em Paris.
A condição de 8.º maior produtor têxtil do mundo gera um bom horizonte para marcas do setor. Assim, os biquínis Rosa Chá e a confecção de roupas Osklen têm futuro promissor pelas considerações do estudo. "São marcas que apresentam atributos globais, já geram receita significativa com a exportação, apresentam desempenho de venda ou estão construindo uma reputação em busca de ser tornar objeto de desejo", diz o estudo.
Há lojas da Osklen em Milão, Nova York, Portugal, Tóquio e Genebra. O site WGSN aponta a marca entre as dez mais influentes do mundo da moda.
Ações combatem desmatamento e mantêm Pantanal conservado /// MS Noticias
Desde 2008, o governo do Estado, por meio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), vem desenvolvendo ações para combater o desmatamento e manter o Pantanal com o título de bioma mais conservado do Brasil.
Um estudo publicado recentemente, realizado entre 2002 e 2008 pela WWF, SOS Pantanal, Ecoa e Embrapa Pantanal, aponta que a planície do Pantanal possui 86,6% da sua cobertura vegetal natural conservada e o planalto, que é a região do cerrado, possui 41,8% da sua cobertura vegetal atual.
“Estes dados demonstram que o Pantanal é o bioma mais conservado entre os biomas brasileiros”, afirma o gerente de Desenvolvimento do Imasul, Roberto Ricardo Gonçalves.
“Mato Grosso do Sul vem demonstrando que as ações do governo do Estado para combater o desmatamento estão no caminho certo. Estudos comprovam que as medidas se revestem de coerência, de forma moderna e inovadora”. Uma destas medidas são os 20% de reserva legal que a propriedade rural deve ter, em conformidade com o Código Florestal.
“O Código Florestal permite o desmatamento legal para uso do solo. Porém, para desmatar, o Imasul exige que a propriedade tenha os 20% da reserva legal aprovados e averbados em conformidade com o Sisrel (Sistema de Reserva Legal de Mato Grosso do Sul). Em Mato Grosso do Sul, nos últimos três anos e meio foram aprovados e averbados 762 mil hectares de reserva legal. “Acho pouco provável que outro Estado brasileiro tenha obtido um resultado desta expressão, com o grau de confiança e precisão georreferenciada daqui”, destaca Roberto.
Em 2008, o Instituto de Meio Ambiente, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia (Semac), realizou uma reformulação no Sisrel. “A reserva legal valoriza a manutenção da mata em pé. Existe um dispositivo na legislação que criou o Título de Cota de Reserva Legal. Quem tem mais área de vegetação nativa além da Reserva Legal pode obter um título de cota e arrendar este excedente para os proprietários que não têm reserva legal em sua propriedade, compensando a falta de reserva legal e se tornando uma fonte de renda para os proprietários que possuem esses remanescentes de vegetação nativa”. Cada hectare do título de cota é comercializado no mercado. Este título é obtido no Imasul.
Ainda em relação à reserva legal, a lei 3.628 prevê o plantio de espécies exóticas para a recuperação das reservas, como eucalipto, erva-mate, seringueira, entre outras. Além de reduzir o desmatamento, as espécies exóticas que recompõem áreas degradadas de reserva letal podem ser transformadas em madeira e comercializadas.
Também para diminuir a supressão de carvão vegetal da mata nativa, o governo do Estado sobrepôs a TMF encarecendo o carvão vegetal. “Com a criação da Taxa de Movimentação Florestal (TMF), está sendo cobrado cerca de 20% a mais do valor do carvão vegetal oriundo de mata nativa. Esta taxa visa as siderurgias optarem pelo carvão vegetal de florestas plantadas. Além disso, se as grandes siderúrgicas investirem em florestas plantadas no Estado, poderão reduzir em até 80% o valor da TMF do carvão vegetal das florestas nativas. As maiores consumidoras do carvão do Estado são as grandes siderúrgicas de Minas Gerais”, afirmou o diretor do Imasul.
Outra ação que visa minimizar o desmatamento para a produção de carvão é a elaboração de Planos de Suprimento Sustentável (PPS), que prevê um planejamento de plantio de florestas pelas siderúrgicas para ter auto suficiência em dez anos. “A partir de 2016, as siderúrgicas hoje existentes em Mato Grosso do Sul vão estar com suas demandas de carvão atendidas por meio de florestas plantadas aqui no Estado”.
Preocupado com a pressão sobre as florestas nativas para produção de carvão, em 2008, o governo do Estado desobrigou o licenciamento ambiental para o plantio de florestas.
“As florestas plantadas estão crescendo no Estado e amenizando o desmatamento de floresta nativa para produção de carvão. Em 2007, eram 170 mil hectares de floresta plantada. Hoje, em 2010, já são 310 mil hectares. Esperamos que, em 2017, este número chegue a 1 milhão de hectares de florestas, abastecendo toda a demanda de carvão das siderúrgicas atualmente instaladas.” Estas florestas são plantadas em áreas degradadas.
Crédito de Reposição Florestal
Mais um mecanismo para coibir o desmatamento é o Crédito de Reposição Florestal. As siderúrgicas que consomem carvão de origem nativa são obrigadas a repor ou comprar este tipo de crédito. “O crédito de reposição florestal, em síntese, é obtido pelo plantio de florestas e pode ser vendido para os grandes consumidores de carvão nativo”. Em Mato Grosso do Sul é permitida a expedição de créditos equivalentes a até 250m3 por ha com espécies exóticas (eucalitpto, pinus) e até 400m3 com espécies nativas. Cada crédito equivale hoje ao preço de R$ 4,00 por hectare. Neste cenário, se um produtor plantar mil ha de floresta de espécie nativa poderá ter uma receita extra de até R$ 1,6 milhão.
“É mais uma fonte de recursos para o proprietário que quer recuperar sua reserva legal e para quem quer investir em florestas plantadas, atendendo a necessidade também de quem precisa do carvão”.
“Todas essas ações vêm contribuindo significativamente para quem estiver plantando, conferindo valor para a floresta em pé. Estamos incentivando o proprietário a investir e a obter retorno com o reflorestamento. Estamos confiantes de que nos próximos cinco anos o desmatamento será revertido e o mercado consumidor de carvão será abastecido predominantemente com florestas plantadas. Uma floresta leva sete anos para crescer. Iniciamos todo este processo em 2008 e 2009”.
“O Estado está atuante frente ao desmatamento de forma definitiva, coerente e com resultados, com mecanismos modernos e inovadores. O Pantanal é e continuará sendo o bioma mais conservado do País”, finaliza Roberto Gonçalves.
Um estudo publicado recentemente, realizado entre 2002 e 2008 pela WWF, SOS Pantanal, Ecoa e Embrapa Pantanal, aponta que a planície do Pantanal possui 86,6% da sua cobertura vegetal natural conservada e o planalto, que é a região do cerrado, possui 41,8% da sua cobertura vegetal atual.
“Estes dados demonstram que o Pantanal é o bioma mais conservado entre os biomas brasileiros”, afirma o gerente de Desenvolvimento do Imasul, Roberto Ricardo Gonçalves.
“Mato Grosso do Sul vem demonstrando que as ações do governo do Estado para combater o desmatamento estão no caminho certo. Estudos comprovam que as medidas se revestem de coerência, de forma moderna e inovadora”. Uma destas medidas são os 20% de reserva legal que a propriedade rural deve ter, em conformidade com o Código Florestal.
“O Código Florestal permite o desmatamento legal para uso do solo. Porém, para desmatar, o Imasul exige que a propriedade tenha os 20% da reserva legal aprovados e averbados em conformidade com o Sisrel (Sistema de Reserva Legal de Mato Grosso do Sul). Em Mato Grosso do Sul, nos últimos três anos e meio foram aprovados e averbados 762 mil hectares de reserva legal. “Acho pouco provável que outro Estado brasileiro tenha obtido um resultado desta expressão, com o grau de confiança e precisão georreferenciada daqui”, destaca Roberto.
Em 2008, o Instituto de Meio Ambiente, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia (Semac), realizou uma reformulação no Sisrel. “A reserva legal valoriza a manutenção da mata em pé. Existe um dispositivo na legislação que criou o Título de Cota de Reserva Legal. Quem tem mais área de vegetação nativa além da Reserva Legal pode obter um título de cota e arrendar este excedente para os proprietários que não têm reserva legal em sua propriedade, compensando a falta de reserva legal e se tornando uma fonte de renda para os proprietários que possuem esses remanescentes de vegetação nativa”. Cada hectare do título de cota é comercializado no mercado. Este título é obtido no Imasul.
Ainda em relação à reserva legal, a lei 3.628 prevê o plantio de espécies exóticas para a recuperação das reservas, como eucalipto, erva-mate, seringueira, entre outras. Além de reduzir o desmatamento, as espécies exóticas que recompõem áreas degradadas de reserva letal podem ser transformadas em madeira e comercializadas.
Também para diminuir a supressão de carvão vegetal da mata nativa, o governo do Estado sobrepôs a TMF encarecendo o carvão vegetal. “Com a criação da Taxa de Movimentação Florestal (TMF), está sendo cobrado cerca de 20% a mais do valor do carvão vegetal oriundo de mata nativa. Esta taxa visa as siderurgias optarem pelo carvão vegetal de florestas plantadas. Além disso, se as grandes siderúrgicas investirem em florestas plantadas no Estado, poderão reduzir em até 80% o valor da TMF do carvão vegetal das florestas nativas. As maiores consumidoras do carvão do Estado são as grandes siderúrgicas de Minas Gerais”, afirmou o diretor do Imasul.
Outra ação que visa minimizar o desmatamento para a produção de carvão é a elaboração de Planos de Suprimento Sustentável (PPS), que prevê um planejamento de plantio de florestas pelas siderúrgicas para ter auto suficiência em dez anos. “A partir de 2016, as siderúrgicas hoje existentes em Mato Grosso do Sul vão estar com suas demandas de carvão atendidas por meio de florestas plantadas aqui no Estado”.
Preocupado com a pressão sobre as florestas nativas para produção de carvão, em 2008, o governo do Estado desobrigou o licenciamento ambiental para o plantio de florestas.
“As florestas plantadas estão crescendo no Estado e amenizando o desmatamento de floresta nativa para produção de carvão. Em 2007, eram 170 mil hectares de floresta plantada. Hoje, em 2010, já são 310 mil hectares. Esperamos que, em 2017, este número chegue a 1 milhão de hectares de florestas, abastecendo toda a demanda de carvão das siderúrgicas atualmente instaladas.” Estas florestas são plantadas em áreas degradadas.
Crédito de Reposição Florestal
Mais um mecanismo para coibir o desmatamento é o Crédito de Reposição Florestal. As siderúrgicas que consomem carvão de origem nativa são obrigadas a repor ou comprar este tipo de crédito. “O crédito de reposição florestal, em síntese, é obtido pelo plantio de florestas e pode ser vendido para os grandes consumidores de carvão nativo”. Em Mato Grosso do Sul é permitida a expedição de créditos equivalentes a até 250m3 por ha com espécies exóticas (eucalitpto, pinus) e até 400m3 com espécies nativas. Cada crédito equivale hoje ao preço de R$ 4,00 por hectare. Neste cenário, se um produtor plantar mil ha de floresta de espécie nativa poderá ter uma receita extra de até R$ 1,6 milhão.
“É mais uma fonte de recursos para o proprietário que quer recuperar sua reserva legal e para quem quer investir em florestas plantadas, atendendo a necessidade também de quem precisa do carvão”.
“Todas essas ações vêm contribuindo significativamente para quem estiver plantando, conferindo valor para a floresta em pé. Estamos incentivando o proprietário a investir e a obter retorno com o reflorestamento. Estamos confiantes de que nos próximos cinco anos o desmatamento será revertido e o mercado consumidor de carvão será abastecido predominantemente com florestas plantadas. Uma floresta leva sete anos para crescer. Iniciamos todo este processo em 2008 e 2009”.
“O Estado está atuante frente ao desmatamento de forma definitiva, coerente e com resultados, com mecanismos modernos e inovadores. O Pantanal é e continuará sendo o bioma mais conservado do País”, finaliza Roberto Gonçalves.
Relatório indica normas em mitigação e adaptação às mudanças climáticas no Brasil relacionadas à energia /// Ecodebate
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Com relação à produção legislativa no que se refere à conservação, uso racional de energia e eficiência energética, verificou-se a existência de inúmeros programas de governo e a criação de diversas estruturas institucionais, como comissões, comitês, grupos executivos e coordenadores. No entanto, tais normas carecem de efetividade na aplicação, muito em função da falta de um tratamento sistêmico e organizado do tema.
O trabalho “Diagnóstico da legislação: identificação das normas com incidência em mitigação e adaptação às mudanças climáticas – Energia“, de autoria de Paula Lavratti, Coordenadora Técnica do Projeto Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos, e Vanêsca Buzelato Prestes, Coordenadora-Geral, apresenta dados do Brasil sobre o tema. Após apresentar a relação entre energia e as mudanças climáticas, relaciona as normas com incidência em mitigação e/ou adaptação.
O primeiro dado destacado pelo estudo é que o uso de combustíveis fósseis constitui a maior causa do aumento da concentração de CO2 na atmosfera terrestre, com 56,6% das emissões desse gás de efeito estufa – GEEs, o que o converte na principal causa do aquecimento global e das mudanças observadas no clima da Terra. Além disso, com a queima de tais combustíveis, são liberados outros dois gases com potencial de aquecimento global superior ao CO2: o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O).
Para agravar a situação, não somente o consumo, mas também a extração, processamento, transporte e distribuição de combustíveis fósseis ocasionam a emissão de gases de efeito estufa, revela a pesquisa. E como sua utilização permeia grande parte das nossas atividades, “tamanha dependência faz com que o combate às mudanças climáticas seja tão desafiador e implique mudanças profundas no nosso modo de vida”.
No Brasil, país objeto da pesquisa, o setor de energia ocupa a segunda posição, logo após o desmatamento/ mudança no uso da terra, revelam as autoras, resultado de uma matriz elétrica baseada majoritariamente na utilização de energias renováveis, em especial hidrelétricas.
Com relação à produção legislativa no que se refere à conservação, uso racional de energia e eficiência energética, verificou-se a existência de inúmeros programas de governo e a criação de diversas estruturas institucionais, como comissões, comitês, grupos executivos e coordenadores. No entanto, tais normas, afirmam as autoras, carecem de efetividade na aplicação, muito em função da falta de um tratamento sistêmico e organizado do tema. Além disso, lamentam que a Lei de Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia não faça nenhuma referência à obrigatoriedade de etiquetagem como medida de informação ao consumidor final acerca do cumprimento dos níveis de eficiência energética que venham a ser estabelecidos.
O Diagnóstico ressalta a importância das chamadas fontes renováveis alternativas ou não convencionais, a exemplo da eólica, pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e solar: “a diversificação da matriz energética, especialmente mediante a introdução de fontes limpas, assegura a produção de energia e contribui para a segurança energética do país, consistindo, portanto, em uma medida de adaptação às mudanças climáticas”. Acerca do tema, esclarece o estudo que o marco normativo brasileiro em matéria de renováveis é dado pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica – PROINFA, concebido com base em fontes eólica, pequenas centrais hidrelétricas e biomassa.
Já o Plano Nacional sobre Mudança do Clima faz extensa referência ao efeito mitigador da utilização dos biocombustíveis, “inclusive com estimativas de redução de emissões relacionadas à demanda e à oferta de biocombustíveis líquidos para o período 2008/2017″, informa o relatório. No entanto, as autoras destacam que o tema não é isento a críticas, fundadas, basicamente, na ameaça à segurança alimentar, em função da possível substituição de áreas dedicadas ao cultivo de alimentos por biomassa energética; e na possibilidade de desmatamento de novas áreas para a expansão do cultivo da cana-de-açúcar e outros cultivos energéticos.
A primeira tentativa de ser regular de forma expressa a mitigações das emissões de gases de efeito estufa em âmbito federal – Instrução Normativa – IN IBAMA n.º 7, de 13.04.2010, que exige programa de mitigação das emissões de CO2 no licenciamento ambiental de termelétricas – foi objeto de questionamento judicial, sob o argumento de que tal normatização somente poderia ser feita por lei. Não obstante, ressalta o estudo que “uma vez que já são conhecidos os efeitos dos gases de efeito estufa em relação às mudanças climáticas, ou seja, o impacto negativo existe e é sabido, torna-se perfeitamente plausível – como expressão da aplicação dos princípios de prevenção e precaução e de acordo com a própria natureza do licenciamento ambiental – a imposição de medidas corretivas ou mitigadoras, visando à eliminação ou redução desses efeitos”. A Política sobre Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo já determina, de forma expressa, a necessidade de incorporação da finalidade climática no licenciamento ambiental.
Uma outra constatação importante do relatório é sobre as importância dos dispositivos que estabelecem que aquisição de materiais e equipamentos ou a contratação de obras e serviços adotem especificações que atendam aos requisitos inerentes à eficiência energética, já que os governos federal, estaduais e municipais são grandes consumidores, havendo estimativas de que as compras governamentais movimentem recursos na ordem de 10% do PIB brasileiro.
O relatório na íntegra pode ser acessado no endereço:
http://www.planetaverde.org/mudancasclimaticas/index.php?ling=por&cont=pesquisa&codpais=1
* Colaboração de Adriana Vargas, Coordenadora de Comunicação do Projeto Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos, para o EcoDebate, 09/06/2010
Developing Countries Lead Recovery, But High-Income Country Debt Clouds /// UN World Bank
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Unknown
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6/09/2010 06:04:00 PM
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aquecimento global China,
Asia,
GDP,
India,
Latin America
Available in: Français, Español, русский, Português
Press Release No:2010/466/GEP
Contacts:
In Washington: Merrell Tuck +1 (202) 473-9516, mtuckprimdahl@worldbank.org
Rebecca Ong +1 (202) 458-0434, rong@worldbank.org
TV/Broadcast: Cynthia Case, +1 (202) 473-6287, ccase@worldbank.org
Washington, DC, June 9, 2010—The global economic recovery continues to advance, but Europe’s debt crisis has created new hurdles on the road to sustainable medium term growth, cautions the World Bank’s latest Global Economic Prospects 2010, released today online.
The World Bank projects global GDP to expand between 2.9 and 3.3 percent in 2010 and 2011, strengthening to between 3.2 and 3.5 percent in 2012, reversing the 2.1 percent decline in 2009. Developing economies are expected to grow between 5.7 and 6.2 percent each year from 2010-2012. High-income countries, however, are projected to grow by between 2.1 and 2.3 percent in 2010—not enough to undo the 3.3 percent contraction in 2009—followed by between 1.9 and 2.4 percent growth in 2011.
“The better performance of developing countries in today’s world of multipolar growth is reassuring,” said Justin Yifu Lin, the World Bank’s Chief Economist and Senior Vice President, Development Economics. “But, for the rebound to endure, high-income countries need to seize opportunities offered by stronger growth in developing countries.”
The recovery faces several important headwinds over the medium term, including reduced international capital flows, high unemployment, and spare capacity exceeding 10 percent in many countries. According to the report, while the impact of the European debt crisis has so far been contained, prolonged rising sovereign debt could make credit more expensive and curtail investment and growth in developing countries.
On the upside, world merchandise trade has rebounded sharply and is expected to increase by about 21 percent this year, before growth rates taper down to around 8 percent in 2011-2012. Almost half of the rise in global demand in 2010-2012 will come from developing countries.
The World Bank’s projections assume that efforts by the IMF and European institutions will stave off a default or major European sovereign debt restructuring. But even so, developing countries and regions with close trade and financial connections to highly-indebted high-income countries may feel serious ripple effects.
“Demand stimulus in high-income countries is increasingly part of the problem instead of the solution,” said Hans Timmer, director of the Prospects Group at the World Bank. “A more rapid reining in of spending could reduce borrowing costs and boost growth in both high-income and developing countries in the longer run.”
Regardless of how the debt situation in high-income Europe evolves, a second round financial crisis cannot be ruled out in certain countries of developing Europe and Central Asia, where rising non-performing loans, due to slow recovery and significant levels of short-term debt, may threaten banking-sector solvency.
“Developing countries are not immune to the effects of a high-income sovereign debt crisis,” said Andrew Burns, manager of global macroeconomics at the World Bank. “But we expect many economies to continue to do well if they focus on growth strategies, make it easier to do business, or make spending more efficient. Their goal will be to ensure that investors continue to distinguish between their risks and those of these high-income countries.”
Many developing countries will continue to face serious financing gaps. Private capital flows to developing countries are forecast to recover only modestly from $454 billion (2.7 percent of the developing world’s GDP) in 2009 to $771 billion (3.2 percent of GDP) by 2012, still far below the $1.2 trillion (8.5 percent of GDP) in 2007. Overall, the financing gap of developing countries is projected to be $210 billion in 2010, declining to $180 billion in 2011—down from an estimated $352 billion in 2009.
Over the next 20 years, the fight against poverty could be hampered if countries are forced to cut productive and human capital investments because of lower development aid and reduced tax revenues, the report says. If bilateral aid flows decline, as they have in the past, this could affect long-term growth rates in developing countries—potentially increasing the number of extremely poor in 2020 by as much as 26 million.
Note to journalists:
The World Bank will now update its short-term growth forecasts twice a year via Global Economic Prospects.
For the full report and data on global outlook, inflation, financial flows and commodity markets, visit:
www.worldbank.org/globaloutlook
Journalists can access the report under embargo through the World Bank Online Media Briefing Center at: http://media.worldbank.org/secure. Accredited journalists who do not have a password may request one by completing the registration form at: http://media.worldbank.org/
Fact Sheet: Global Economic Prospects 2010 (June) Regional Outlook:
The East Asia and Pacific region is expected to grow by 8.7 percent in 2010 and 7.8 percent in 2011. The region has benefitted from close links with China, which led the recovery. However, the earlier strong momentum in regional exports and production is waning and output gaps are closing rapidly, and supply constraints are becoming an increasingly binding constraint on growth. Coupled with strong capital inflows and rising liquidity, this may put pressure on both goods and asset inflation. Reflecting these factors, regional and Chinese growth are forecast to slow to an average 7.8 and 8.4 percent respectively over the next two years.
The recovery in Europe and Central Asia is projected at 4.1 percent in 2010, 3.0 percentage points slower than the region’s pre-crisis five-year average. The rebound reflects strong growth in the region’s two largest economies (Russia and Turkey), which account for three-fourths of regional GDP. Growth in most other regional economies is expected to be relatively weak or remains negative, continuing to be constrained by the pronounced adjustments that some countries have had to undergo as a consequence of large pre-crisis current account deficits. Heightened uncertainty tied to the sovereign-debt crisis in some of high-income European countries (Greece, Ireland, Italy, Portugal, and Spain) has created additional headwinds for the region.
The recovery in Latin America and the Caribbean region—dominated by middle-income countries and commodity exporters—has benefitted from a limited revival in commodity prices, strong export demand, and a rebound in the inventory cycle. After contracting by an estimated 2.3 percent in 2009, output in the region is forecast to expand by around 4.3 percent each year over 2010-2012, just somewhat slower than during the boom period. Strong trade and financial ties to Europe make the region especially sensitive to developments in highly-indebted European economies.
The outlook for the Middle East and North Africa region will continue to be driven by oil prices and economic activity in the European Union (the region’s main trade partner). The oil price collapse at the onset of the financial crisis together with OPEC production restraints significantly reduced oil revenues, cutting into intra-regional foreign direct investment flows, remittances, and tourism receipts. However, export volumes and values are forecast to rebound, rising by 2.0 and 13.5 percent respectively in 2010. Moreover, the regional recovery is projected to strengthen, with growth firming from 4.0 percent in 2010 to 4.3 and 4.5 percent in 2011 and 2012, respectively.
GDP in South Asia has benefitted from stimulus measures (notably in India, and to a lesser extent in Bangladesh and Sri Lanka), relatively robust remittance inflows, which continued to expand (in contrast to declines elsewhere), and the recovery in global demand. The region also benefitted from relatively resilient capital inflows, which rose in level terms and as a share of GDP—from 3.6 percent in 2008 to 3.9 percent in 2009—and was supported by long-standing capital account restrictions. A combination of slower global growth, tighter financial conditions, and a consolidation of fiscal policy in some countries in the region is expected to cause growth to average 7.7 percent over 2010-2012, compared with the pre-crisis rate of 9.2 percent in 2007 (calendar year basis).
The outlook for the Sub-Saharan Africa region—dominated by low-income and commodity-exporting countries—is expected to continue to strengthen slowly, driven by historically high commodity prices and stronger external demand. Overall the region is forecast to grow by 4.5, 5.1, and 5.4 percent respectively over 2010–2012, up from an estimated 1.6 percent in 2009. The recent depreciation of the Euro should help the competitiveness of countries whose currencies are tied to the Euro
Press Release No:2010/466/GEP
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In Washington: Merrell Tuck +1 (202) 473-9516, mtuckprimdahl@worldbank.org
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Washington, DC, June 9, 2010—The global economic recovery continues to advance, but Europe’s debt crisis has created new hurdles on the road to sustainable medium term growth, cautions the World Bank’s latest Global Economic Prospects 2010, released today online.
The World Bank projects global GDP to expand between 2.9 and 3.3 percent in 2010 and 2011, strengthening to between 3.2 and 3.5 percent in 2012, reversing the 2.1 percent decline in 2009. Developing economies are expected to grow between 5.7 and 6.2 percent each year from 2010-2012. High-income countries, however, are projected to grow by between 2.1 and 2.3 percent in 2010—not enough to undo the 3.3 percent contraction in 2009—followed by between 1.9 and 2.4 percent growth in 2011.
“The better performance of developing countries in today’s world of multipolar growth is reassuring,” said Justin Yifu Lin, the World Bank’s Chief Economist and Senior Vice President, Development Economics. “But, for the rebound to endure, high-income countries need to seize opportunities offered by stronger growth in developing countries.”
The recovery faces several important headwinds over the medium term, including reduced international capital flows, high unemployment, and spare capacity exceeding 10 percent in many countries. According to the report, while the impact of the European debt crisis has so far been contained, prolonged rising sovereign debt could make credit more expensive and curtail investment and growth in developing countries.
On the upside, world merchandise trade has rebounded sharply and is expected to increase by about 21 percent this year, before growth rates taper down to around 8 percent in 2011-2012. Almost half of the rise in global demand in 2010-2012 will come from developing countries.
The World Bank’s projections assume that efforts by the IMF and European institutions will stave off a default or major European sovereign debt restructuring. But even so, developing countries and regions with close trade and financial connections to highly-indebted high-income countries may feel serious ripple effects.
“Demand stimulus in high-income countries is increasingly part of the problem instead of the solution,” said Hans Timmer, director of the Prospects Group at the World Bank. “A more rapid reining in of spending could reduce borrowing costs and boost growth in both high-income and developing countries in the longer run.”
Regardless of how the debt situation in high-income Europe evolves, a second round financial crisis cannot be ruled out in certain countries of developing Europe and Central Asia, where rising non-performing loans, due to slow recovery and significant levels of short-term debt, may threaten banking-sector solvency.
“Developing countries are not immune to the effects of a high-income sovereign debt crisis,” said Andrew Burns, manager of global macroeconomics at the World Bank. “But we expect many economies to continue to do well if they focus on growth strategies, make it easier to do business, or make spending more efficient. Their goal will be to ensure that investors continue to distinguish between their risks and those of these high-income countries.”
Many developing countries will continue to face serious financing gaps. Private capital flows to developing countries are forecast to recover only modestly from $454 billion (2.7 percent of the developing world’s GDP) in 2009 to $771 billion (3.2 percent of GDP) by 2012, still far below the $1.2 trillion (8.5 percent of GDP) in 2007. Overall, the financing gap of developing countries is projected to be $210 billion in 2010, declining to $180 billion in 2011—down from an estimated $352 billion in 2009.
Over the next 20 years, the fight against poverty could be hampered if countries are forced to cut productive and human capital investments because of lower development aid and reduced tax revenues, the report says. If bilateral aid flows decline, as they have in the past, this could affect long-term growth rates in developing countries—potentially increasing the number of extremely poor in 2020 by as much as 26 million.
Note to journalists:
The World Bank will now update its short-term growth forecasts twice a year via Global Economic Prospects.
For the full report and data on global outlook, inflation, financial flows and commodity markets, visit:
www.worldbank.org/globaloutlook
Journalists can access the report under embargo through the World Bank Online Media Briefing Center at: http://media.worldbank.org/secure. Accredited journalists who do not have a password may request one by completing the registration form at: http://media.worldbank.org/
Fact Sheet: Global Economic Prospects 2010 (June) Regional Outlook:
The East Asia and Pacific region is expected to grow by 8.7 percent in 2010 and 7.8 percent in 2011. The region has benefitted from close links with China, which led the recovery. However, the earlier strong momentum in regional exports and production is waning and output gaps are closing rapidly, and supply constraints are becoming an increasingly binding constraint on growth. Coupled with strong capital inflows and rising liquidity, this may put pressure on both goods and asset inflation. Reflecting these factors, regional and Chinese growth are forecast to slow to an average 7.8 and 8.4 percent respectively over the next two years.
The recovery in Europe and Central Asia is projected at 4.1 percent in 2010, 3.0 percentage points slower than the region’s pre-crisis five-year average. The rebound reflects strong growth in the region’s two largest economies (Russia and Turkey), which account for three-fourths of regional GDP. Growth in most other regional economies is expected to be relatively weak or remains negative, continuing to be constrained by the pronounced adjustments that some countries have had to undergo as a consequence of large pre-crisis current account deficits. Heightened uncertainty tied to the sovereign-debt crisis in some of high-income European countries (Greece, Ireland, Italy, Portugal, and Spain) has created additional headwinds for the region.
The recovery in Latin America and the Caribbean region—dominated by middle-income countries and commodity exporters—has benefitted from a limited revival in commodity prices, strong export demand, and a rebound in the inventory cycle. After contracting by an estimated 2.3 percent in 2009, output in the region is forecast to expand by around 4.3 percent each year over 2010-2012, just somewhat slower than during the boom period. Strong trade and financial ties to Europe make the region especially sensitive to developments in highly-indebted European economies.
The outlook for the Middle East and North Africa region will continue to be driven by oil prices and economic activity in the European Union (the region’s main trade partner). The oil price collapse at the onset of the financial crisis together with OPEC production restraints significantly reduced oil revenues, cutting into intra-regional foreign direct investment flows, remittances, and tourism receipts. However, export volumes and values are forecast to rebound, rising by 2.0 and 13.5 percent respectively in 2010. Moreover, the regional recovery is projected to strengthen, with growth firming from 4.0 percent in 2010 to 4.3 and 4.5 percent in 2011 and 2012, respectively.
GDP in South Asia has benefitted from stimulus measures (notably in India, and to a lesser extent in Bangladesh and Sri Lanka), relatively robust remittance inflows, which continued to expand (in contrast to declines elsewhere), and the recovery in global demand. The region also benefitted from relatively resilient capital inflows, which rose in level terms and as a share of GDP—from 3.6 percent in 2008 to 3.9 percent in 2009—and was supported by long-standing capital account restrictions. A combination of slower global growth, tighter financial conditions, and a consolidation of fiscal policy in some countries in the region is expected to cause growth to average 7.7 percent over 2010-2012, compared with the pre-crisis rate of 9.2 percent in 2007 (calendar year basis).
The outlook for the Sub-Saharan Africa region—dominated by low-income and commodity-exporting countries—is expected to continue to strengthen slowly, driven by historically high commodity prices and stronger external demand. Overall the region is forecast to grow by 4.5, 5.1, and 5.4 percent respectively over 2010–2012, up from an estimated 1.6 percent in 2009. The recent depreciation of the Euro should help the competitiveness of countries whose currencies are tied to the Euro
Código Florestal: ‘Não dá mais para tratar a natureza como um modelo de negócio’. Entrevista especial com Carlos Alberto Scaramuzza /// IHU Unisinos
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6/08/2010 03:33:00 AM
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codifo florestal,
dióxido de carbono;florestas tropicais;amazonia;emissões globais;desmatamento,
emissões de gee,
ruralistas,
terras inprodutivas no brasil
A bancada ruralista na Câmara dos Deputados aposta que a discussão e votação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que modifica o Código Florestal, deva acontecer ainda este mês. Se for aprovado, o novo código também alterará a lei dos crimes ambientais. Para o superintendente da Ong WWF, Carlos Alberto Scaramuzza, o Código Florestal atual, que foi feito em 1965, suscita complementações e até a plena implementação de alguns pontos, mas não necessita de remodelação.
Em entrevista à IHU On-Line, por telefone, ele afirmou que o que está em jogo com a possível mudança no código é a “grande contribuição que o Brasil pode dar para o combate às mudanças climáticas”. Atualmente, segundo Scaramuzza, o Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa mundial. “Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor”, destacou.
O biólogo Carlos Alberto Scaramuzza é superintendente de Conservação de Programas Temáticos da WWF Brasil. Ele se doutorou em Ecologia pela Universidade de São Paulo.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O debate sobre mudanças no Código Florestal é hoje um dos temas mais polêmicos no Congresso. Por que a manutenção do atual Código Florestal incomoda tanto os ruralistas?
Carlos Alberto – Penso que temos que diferenciar, para compreender essa questão, o agronegócio: a parte política desse segmento precisa de um palanque político para conseguir apoio para renovação dos seus mandatos. É isso que faz com que eles tenham uma visão extremamente míope do processo, olhando apenas para a próxima eleição, sem ter uma noção sistêmica para resolver o problema. Eles estão interessados apenas em conseguir palanque de uma forma muito estreita.
As lideranças rurais propriamente ditas, não ligadas diretamente à política, estão preocupadas mais com a lei de crimes ambientais. Isso porque eles estão passíveis de serem penalizados de acordo com o Código Florestal. Há lideranças que deixam se envolver por essa ideia de desmantelar o Código Florestal e outras que estão focadas em pontos específicos que precisam ser melhor esclarecidos ou que precisam ser implementados para serem avaliados.
Há também lideranças mais progressistas que veem na implementação do Código Florestal uma vantagem por diferenciar produtos brasileiros de outros, uma vez que os nossos terão informações de origem, certificação, assegurando ao comprador final que o produto foi feito com o menor impacto ambiental, as melhores práticas agrícolas possíveis.
IHU On-Line – Que pontos do Código Florestal precisam ser implementados?
Carlos Alberto – São pontos do Código Florestal que precisam de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) ou de outros setores do Ministério. É preciso fazer ajustes na lei, eventualmente, mas isso não significa que ela necessite de uma mudança do código propriamente dito, e sim de complementos, como, por exemplo, a resolução que limita as Áreas de Preservação Permanente (APPs) de topo de morro. Esse tópico precisa ser melhor esclarecido, porque ele deixa margens para interpretações diferentes. Porém, para fazer isso, não é preciso mudar o código, apenas a resolução.
Para a classe política com visão mais estreita, interessa a mobilização e a reeleição a partir dessa bandeira de luta contra o Código Florestal. Eles deveriam atacar os problemas sistêmicos da agricultura brasileira, como a questão de crédito, do transporte, do armazenamento etc. O que dificulta a agricultura brasileira não é o Código Florestal, não é 20% de APPs ou de reserva legal. Um estudo que fizemos recentemente mostra que as APPs têm pouquíssimo impacto na área de produção dos grandes produtos, como uva, maçã e café.
"Para a classe política com visão mais estreita, interessa a mobilização e a reeleição a partir dessa bandeira de luta contra o Código Florestal"
Os verdadeiros problemas são difíceis de serem resolvidos porque envolvem infraestrutura, estradas, ferrovias, portos. Então, é mais fácil escolher esse tipo de tema para dar ibope junto ao eleitor do que resolver os pontos acerca da modernização agrícola do país. A nossa política agrícola é ainda da década de 1970.
Não temos um financiamento, hoje, orientado para uma propriedade moderna, dividida com diferentes culturas. Não há políticas agrícolas adequadas para a questão da integração. Um estudo lançado recentemente mostra que existe terra para atender essa demanda crescente de agricultura sem a necessidade de desmatar. Para isso, precisamos de uma reforma política que instaure um tipo de representação mais voltado para os interesses da nação como um todo.
IHU On-Line – De quando é este código que ainda vigora? Quais eram os interesses em relação ao meio ambiente na época?
Carlos Alberto – É de 1965. Pouca gente se dá conta de que ele foi criado pelo Ministério da Agricultura que estava preocupado com a agricultura que era desorganizada, com impactos nos principais insumos. Essa política pública foi criada para ordenar o uso do solo, da água e das florestas dentro das propriedades rurais. A visão, quando o código foi criado, era totalmente agronômica.
IHU On-Line – O que está em jogo com essa possível mudança?
Carlos Alberto – Uma das coisas é o grande papel que o Brasil pode ter nas reduções das emissões. Hoje, o Brasil, por conta do desmatamento, é o quarto maior emissor mundial. Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor mundial. Está em jogo, portanto, a grande contribuição que o Brasil pode dar para o combate às mudanças climáticas. Nosso papel em Copenhague foi claramente de liderança nessa questão. Esse protagonismo também é fundamental quando se fala em Código Florestal.
"Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor mundial"
Também está em jogo o papel que o Brasil pode ter na agricultura moderna, onde o consumidor quer saber de onde o produto vem e como foi produzido. Essa exigência já acontece no Brasil, onde a conscientização não é tão grande. Outra questão importante são as possibilidades de desenvolvimento e de conquista de mercados pela agricultura brasileira.
IHU On-Line – A WWF-Brasil publicou um estudo que analisa quatro municípios de alta produção agrícola: Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul (maior produtor de uva do Brasil), Três Pontas, em Minas Gerais (segundo principal produtor de café do estado), Vila Valério (número um no ranking de plantadores de café do Espírito Santo) e Fraiburgo (líder no cultivo de maçã em Santa Catarina). A que conclusões chegou o estudo tendo como referência o Código Florestal?
Carlos Alberto – O estudo mostrou que, nestes municípios, a produção não é impactada pelo código florestal. As Áreas de Preservação Permanente (APPs) de beira de rio ou são florestas ou são usadas como pastagens. Mostramos o contrário do que falavam, ou seja, os estudo apresenta que a implantação de APPs não inviabiliza a agricultura. Ninguém planta em uma pendente de 45º e nem na beira do rio.
Existem pestes que precisam ser corrigidas, obviamente, mas precisamos abandonar essas ideias de inviabilização da agricultura e tentarmos resolver o problema implementando o código. As APPs devem ser recuperadas, pois são fundamentais para a conservação dos recursos hídricos, tanto para a propriedade como para o abastecimento urbano. Inclusive o que não está no código florestal, mas seria fundamental, é a lei de pagamento por serviços ambientais. Florestas na beira do rio contribuem para geração de água para abastecimento urbano, isso deve ser remunerado.
Devemos encarar o problema de maneira positiva. Parte do recurso de abastecimento de água urbana tem que ir para os agricultores que estão conservando a floresta em torno de nascentes. Esse estudo trabalhou para deixar de lado os mitos e tentou se debruçar sobre os problemas de implementação, a importância de encontrar formas para viabilizar a recuperação das florestas ao longo das APPs, além de trabalhar com formas previstas no código de compensação, que permitem que os requisitos da reserva legal possam ser atendidos fora da propriedade.
IHU On-Line – Quais são as principais forças políticas no Congresso contra a mudança do Código?
Carlos Alberto – Tem a Frente Parlamentar Ambientalista, que congrega uma série de deputados de diferentes partidos e tem uma visão de que o meio ambiente não é um obstáculo, e sim um tremendo recurso e vantagem para o desenvolvimento econômico e para a produção agrícola.
Há alguns deputados que são “vigilantes do futuro” e estão preocupados com o futuro da nação. Eles têm consciência de que produção, antigamente, era uma questão de capital financeiro, humano e material. E hoje, se não tivermos o quarto capital, que é o natural, todos os negócios estão falidos, ou por questões de produtividade ou por deixarem os recursos existentes para a produção. Isso se aplica à agricultura e à qualquer outra questão. Não dá mais para tratar a natureza como um modelo de negócio. Há algumas lideranças que já se deram conta disso e estão preocupadas com que a economia brasileira tenha uma participação efetiva no desenvolvimento da economia verde que está surgindo, e que incorpora o capital natural como uma essência da viabilidade e dos avanços.
IHU On-Line – E a favor?
Carlos Alberto – São esses deputados ruralistas, não diria todos, mas a grande maioria tem uma visão muito primária e míope desse processo. Boa parte está preocupada com a próxima eleição, em chegar a sua base eleitoral mostrando que eles enfrentam os ambientalistas. São políticos que procuram um bode expiatório e uma plataforma eleitoral fácil em vez de realmente enfrentar os obstáculos da agricultura brasileira.
IHU On-Line – E qual sua avaliação da posição do governo em relação a esse debate?
Carlos Alberto – Ao longo do tempo, o governo suspendeu um pouco da heterogeneidade de visões. Dentro da agricultura, isso é bem claro na medida em que o governo tem o Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. Um ministério para os grandes agricultores e outro para a grande agricultura. Esses dois grupos têm visões bastante pertinentes sobre o novo código e forma de fazê-lo.
Há também uma terceira polaridade que seria o Ministério do Meio Ambiente. Esta heterogeneidade estava presente no próprio ministério. Tardiamente, esses três grupos procuraram desenvolver uma proposta em comum. E tão tardio foi que isso nem acabou vindo a público, parou na Casa Civil, que não está interessada e colocou o assunto na gaveta.
"Há um pouco de esquizofrenia do governo brasileiro na área ambiental e agrícola"
Podemos dizer que é lamentável que tenha se demorado tanto para colocar essas três visões juntas e produzir uma proposta em comum. Porém, devemos valorizar o fato disso acabar acontecendo. Estamos na expectativa de que um dia essa proposta possa vir a público, possa ser analisada e debatida pela sociedade. É importante ouvir outras partes interessadas neste processo para avaliar esse primeiro esforço feito pelo governo. Há um pouco de esquizofrenia do governo brasileiro na área ambiental e agrícola. Cada ministério anda para um lado, falta uma unidade e um planejamento a longo prazo e que coloque essas forças em uma mesma direção.
Para ler mais:
•Mudanças no Código Florestal: ‘Isto é suicídio ecológico’. Entrevista especial com Rubens Nodari
Em entrevista à IHU On-Line, por telefone, ele afirmou que o que está em jogo com a possível mudança no código é a “grande contribuição que o Brasil pode dar para o combate às mudanças climáticas”. Atualmente, segundo Scaramuzza, o Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa mundial. “Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor”, destacou.
O biólogo Carlos Alberto Scaramuzza é superintendente de Conservação de Programas Temáticos da WWF Brasil. Ele se doutorou em Ecologia pela Universidade de São Paulo.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O debate sobre mudanças no Código Florestal é hoje um dos temas mais polêmicos no Congresso. Por que a manutenção do atual Código Florestal incomoda tanto os ruralistas?
Carlos Alberto – Penso que temos que diferenciar, para compreender essa questão, o agronegócio: a parte política desse segmento precisa de um palanque político para conseguir apoio para renovação dos seus mandatos. É isso que faz com que eles tenham uma visão extremamente míope do processo, olhando apenas para a próxima eleição, sem ter uma noção sistêmica para resolver o problema. Eles estão interessados apenas em conseguir palanque de uma forma muito estreita.
As lideranças rurais propriamente ditas, não ligadas diretamente à política, estão preocupadas mais com a lei de crimes ambientais. Isso porque eles estão passíveis de serem penalizados de acordo com o Código Florestal. Há lideranças que deixam se envolver por essa ideia de desmantelar o Código Florestal e outras que estão focadas em pontos específicos que precisam ser melhor esclarecidos ou que precisam ser implementados para serem avaliados.
Há também lideranças mais progressistas que veem na implementação do Código Florestal uma vantagem por diferenciar produtos brasileiros de outros, uma vez que os nossos terão informações de origem, certificação, assegurando ao comprador final que o produto foi feito com o menor impacto ambiental, as melhores práticas agrícolas possíveis.
IHU On-Line – Que pontos do Código Florestal precisam ser implementados?
Carlos Alberto – São pontos do Código Florestal que precisam de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) ou de outros setores do Ministério. É preciso fazer ajustes na lei, eventualmente, mas isso não significa que ela necessite de uma mudança do código propriamente dito, e sim de complementos, como, por exemplo, a resolução que limita as Áreas de Preservação Permanente (APPs) de topo de morro. Esse tópico precisa ser melhor esclarecido, porque ele deixa margens para interpretações diferentes. Porém, para fazer isso, não é preciso mudar o código, apenas a resolução.
Para a classe política com visão mais estreita, interessa a mobilização e a reeleição a partir dessa bandeira de luta contra o Código Florestal. Eles deveriam atacar os problemas sistêmicos da agricultura brasileira, como a questão de crédito, do transporte, do armazenamento etc. O que dificulta a agricultura brasileira não é o Código Florestal, não é 20% de APPs ou de reserva legal. Um estudo que fizemos recentemente mostra que as APPs têm pouquíssimo impacto na área de produção dos grandes produtos, como uva, maçã e café.
"Para a classe política com visão mais estreita, interessa a mobilização e a reeleição a partir dessa bandeira de luta contra o Código Florestal"
Os verdadeiros problemas são difíceis de serem resolvidos porque envolvem infraestrutura, estradas, ferrovias, portos. Então, é mais fácil escolher esse tipo de tema para dar ibope junto ao eleitor do que resolver os pontos acerca da modernização agrícola do país. A nossa política agrícola é ainda da década de 1970.
Não temos um financiamento, hoje, orientado para uma propriedade moderna, dividida com diferentes culturas. Não há políticas agrícolas adequadas para a questão da integração. Um estudo lançado recentemente mostra que existe terra para atender essa demanda crescente de agricultura sem a necessidade de desmatar. Para isso, precisamos de uma reforma política que instaure um tipo de representação mais voltado para os interesses da nação como um todo.
IHU On-Line – De quando é este código que ainda vigora? Quais eram os interesses em relação ao meio ambiente na época?
Carlos Alberto – É de 1965. Pouca gente se dá conta de que ele foi criado pelo Ministério da Agricultura que estava preocupado com a agricultura que era desorganizada, com impactos nos principais insumos. Essa política pública foi criada para ordenar o uso do solo, da água e das florestas dentro das propriedades rurais. A visão, quando o código foi criado, era totalmente agronômica.
IHU On-Line – O que está em jogo com essa possível mudança?
Carlos Alberto – Uma das coisas é o grande papel que o Brasil pode ter nas reduções das emissões. Hoje, o Brasil, por conta do desmatamento, é o quarto maior emissor mundial. Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor mundial. Está em jogo, portanto, a grande contribuição que o Brasil pode dar para o combate às mudanças climáticas. Nosso papel em Copenhague foi claramente de liderança nessa questão. Esse protagonismo também é fundamental quando se fala em Código Florestal.
"Se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor mundial"
Também está em jogo o papel que o Brasil pode ter na agricultura moderna, onde o consumidor quer saber de onde o produto vem e como foi produzido. Essa exigência já acontece no Brasil, onde a conscientização não é tão grande. Outra questão importante são as possibilidades de desenvolvimento e de conquista de mercados pela agricultura brasileira.
IHU On-Line – A WWF-Brasil publicou um estudo que analisa quatro municípios de alta produção agrícola: Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul (maior produtor de uva do Brasil), Três Pontas, em Minas Gerais (segundo principal produtor de café do estado), Vila Valério (número um no ranking de plantadores de café do Espírito Santo) e Fraiburgo (líder no cultivo de maçã em Santa Catarina). A que conclusões chegou o estudo tendo como referência o Código Florestal?
Carlos Alberto – O estudo mostrou que, nestes municípios, a produção não é impactada pelo código florestal. As Áreas de Preservação Permanente (APPs) de beira de rio ou são florestas ou são usadas como pastagens. Mostramos o contrário do que falavam, ou seja, os estudo apresenta que a implantação de APPs não inviabiliza a agricultura. Ninguém planta em uma pendente de 45º e nem na beira do rio.
Existem pestes que precisam ser corrigidas, obviamente, mas precisamos abandonar essas ideias de inviabilização da agricultura e tentarmos resolver o problema implementando o código. As APPs devem ser recuperadas, pois são fundamentais para a conservação dos recursos hídricos, tanto para a propriedade como para o abastecimento urbano. Inclusive o que não está no código florestal, mas seria fundamental, é a lei de pagamento por serviços ambientais. Florestas na beira do rio contribuem para geração de água para abastecimento urbano, isso deve ser remunerado.
Devemos encarar o problema de maneira positiva. Parte do recurso de abastecimento de água urbana tem que ir para os agricultores que estão conservando a floresta em torno de nascentes. Esse estudo trabalhou para deixar de lado os mitos e tentou se debruçar sobre os problemas de implementação, a importância de encontrar formas para viabilizar a recuperação das florestas ao longo das APPs, além de trabalhar com formas previstas no código de compensação, que permitem que os requisitos da reserva legal possam ser atendidos fora da propriedade.
IHU On-Line – Quais são as principais forças políticas no Congresso contra a mudança do Código?
Carlos Alberto – Tem a Frente Parlamentar Ambientalista, que congrega uma série de deputados de diferentes partidos e tem uma visão de que o meio ambiente não é um obstáculo, e sim um tremendo recurso e vantagem para o desenvolvimento econômico e para a produção agrícola.
Há alguns deputados que são “vigilantes do futuro” e estão preocupados com o futuro da nação. Eles têm consciência de que produção, antigamente, era uma questão de capital financeiro, humano e material. E hoje, se não tivermos o quarto capital, que é o natural, todos os negócios estão falidos, ou por questões de produtividade ou por deixarem os recursos existentes para a produção. Isso se aplica à agricultura e à qualquer outra questão. Não dá mais para tratar a natureza como um modelo de negócio. Há algumas lideranças que já se deram conta disso e estão preocupadas com que a economia brasileira tenha uma participação efetiva no desenvolvimento da economia verde que está surgindo, e que incorpora o capital natural como uma essência da viabilidade e dos avanços.
IHU On-Line – E a favor?
Carlos Alberto – São esses deputados ruralistas, não diria todos, mas a grande maioria tem uma visão muito primária e míope desse processo. Boa parte está preocupada com a próxima eleição, em chegar a sua base eleitoral mostrando que eles enfrentam os ambientalistas. São políticos que procuram um bode expiatório e uma plataforma eleitoral fácil em vez de realmente enfrentar os obstáculos da agricultura brasileira.
IHU On-Line – E qual sua avaliação da posição do governo em relação a esse debate?
Carlos Alberto – Ao longo do tempo, o governo suspendeu um pouco da heterogeneidade de visões. Dentro da agricultura, isso é bem claro na medida em que o governo tem o Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. Um ministério para os grandes agricultores e outro para a grande agricultura. Esses dois grupos têm visões bastante pertinentes sobre o novo código e forma de fazê-lo.
Há também uma terceira polaridade que seria o Ministério do Meio Ambiente. Esta heterogeneidade estava presente no próprio ministério. Tardiamente, esses três grupos procuraram desenvolver uma proposta em comum. E tão tardio foi que isso nem acabou vindo a público, parou na Casa Civil, que não está interessada e colocou o assunto na gaveta.
"Há um pouco de esquizofrenia do governo brasileiro na área ambiental e agrícola"
Podemos dizer que é lamentável que tenha se demorado tanto para colocar essas três visões juntas e produzir uma proposta em comum. Porém, devemos valorizar o fato disso acabar acontecendo. Estamos na expectativa de que um dia essa proposta possa vir a público, possa ser analisada e debatida pela sociedade. É importante ouvir outras partes interessadas neste processo para avaliar esse primeiro esforço feito pelo governo. Há um pouco de esquizofrenia do governo brasileiro na área ambiental e agrícola. Cada ministério anda para um lado, falta uma unidade e um planejamento a longo prazo e que coloque essas forças em uma mesma direção.
Para ler mais:
•Mudanças no Código Florestal: ‘Isto é suicídio ecológico’. Entrevista especial com Rubens Nodari
Gazprom to buy first Chinese post-2012 CERs /// Point Carbon
07 Jun 2010 11:23 CET Last updated: 08 Jun 2010 09:35 CET
Gazprom will buy 1.5 million CERs per year from two post-2012 CDM projects approved by China.
The National Development and Reform Commission (NDRC) has confirmed on its website that it has approved two programmatic clean development mechanism (CDM) projects for the period after the Kyoto protocol expires.
This is the first time applications have been made for post-2012 approvals in China and Russian gas company Gazprom is believed to have paid at least €8 per certified emission reduction (CER), as this is the official minimum price accepted by the Chinese government.
The price and conditions are in line with government policy for pre-2012 credits, which sets a floor price for CERs to protect Chinese enterprises.
Uncertainty
Investors have so far shied away from buying post-2012 credits in China due to uncertainty over what will happen to the CDM in the country after 2012.
The lack of an international climate treaty to replace or prolong the Kyoto protocol means there is doubt over whether the scheme will continue to exist.
Meanwhile, developed countries are calling on China to take on some form of carbon emission obligation in a future treaty, casting doubt over its eligibility to host CDM projects.
Rich nations are also trying to reform the CDM, seeking to limit it to the poorest countries.
In addition, the lack of firm targets post-2012 has made most market participants pessimistic in terms of CER demand over the next decade.
“With regard to the Chinese post-2012 market, this is something developers have been waiting for for quite some time and we are delighted to have been the first to receive an approval from the NDRC for post-2012,” said Dan Berry, deputy director global carbon at Gazprom Marketing and Trading.
“What will happen in terms of treatment of certain sectors in a future mechanism is still of course unclear, but we are positive about the continuation of the world’s largest CDM market, and a positive consideration of PoAs such as these that are providing households with a renewable energy source for cooking,” he said.
Programmatic biogas
The credits will be sourced from programmes of activities (PoAs), meaning they will be implemented at a number of facilities instead of only at one location, which is normal for the CDM.
The two programmatic activities, the first-ever of their kind to be okayed by China, will install biogas digesters to supply gas to over 800,000 households in two rural areas in the Henan province, cutting emissions by almost 1.5 million tonnes of CO2 equivalent annually.
“This is very encouraging for both project owners and buyers,” said Kou Weiwei with Accord Global Environmental Technology, a sister company of the project developer OCCDM.
She said a number of companies in the market are interested in applying for post-2012 approvals, but have so far been uncertain whether the government would give any project the thumbs-up.
“There has been a lot of wait-and-see, but no they can go ahead,” she said.
All of the more than 2,500 projects that have been approved by China so far must also reapply if they want to keep the projects running beyond 31 December 2012.
Both projects will start during the current Kyoto commitment period and will run for 10 years.
By Stian Reklev – sr@pointcarbon.com and Kathy Chen – kach@pointcarbon.com
Beijing
Gazprom will buy 1.5 million CERs per year from two post-2012 CDM projects approved by China.
The National Development and Reform Commission (NDRC) has confirmed on its website that it has approved two programmatic clean development mechanism (CDM) projects for the period after the Kyoto protocol expires.
This is the first time applications have been made for post-2012 approvals in China and Russian gas company Gazprom is believed to have paid at least €8 per certified emission reduction (CER), as this is the official minimum price accepted by the Chinese government.
The price and conditions are in line with government policy for pre-2012 credits, which sets a floor price for CERs to protect Chinese enterprises.
Uncertainty
Investors have so far shied away from buying post-2012 credits in China due to uncertainty over what will happen to the CDM in the country after 2012.
The lack of an international climate treaty to replace or prolong the Kyoto protocol means there is doubt over whether the scheme will continue to exist.
Meanwhile, developed countries are calling on China to take on some form of carbon emission obligation in a future treaty, casting doubt over its eligibility to host CDM projects.
Rich nations are also trying to reform the CDM, seeking to limit it to the poorest countries.
In addition, the lack of firm targets post-2012 has made most market participants pessimistic in terms of CER demand over the next decade.
“With regard to the Chinese post-2012 market, this is something developers have been waiting for for quite some time and we are delighted to have been the first to receive an approval from the NDRC for post-2012,” said Dan Berry, deputy director global carbon at Gazprom Marketing and Trading.
“What will happen in terms of treatment of certain sectors in a future mechanism is still of course unclear, but we are positive about the continuation of the world’s largest CDM market, and a positive consideration of PoAs such as these that are providing households with a renewable energy source for cooking,” he said.
Programmatic biogas
The credits will be sourced from programmes of activities (PoAs), meaning they will be implemented at a number of facilities instead of only at one location, which is normal for the CDM.
The two programmatic activities, the first-ever of their kind to be okayed by China, will install biogas digesters to supply gas to over 800,000 households in two rural areas in the Henan province, cutting emissions by almost 1.5 million tonnes of CO2 equivalent annually.
“This is very encouraging for both project owners and buyers,” said Kou Weiwei with Accord Global Environmental Technology, a sister company of the project developer OCCDM.
She said a number of companies in the market are interested in applying for post-2012 approvals, but have so far been uncertain whether the government would give any project the thumbs-up.
“There has been a lot of wait-and-see, but no they can go ahead,” she said.
All of the more than 2,500 projects that have been approved by China so far must also reapply if they want to keep the projects running beyond 31 December 2012.
Both projects will start during the current Kyoto commitment period and will run for 10 years.
By Stian Reklev – sr@pointcarbon.com and Kathy Chen – kach@pointcarbon.com
Beijing
SMA lança caderno Biodiversidade /// Agencia Fapesp
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Postado por
Unknown
em
6/08/2010 02:35:00 AM
Marcadores:
biodiversidade,
fapesp
8/6/2010
Agência FAPESP – A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo lançou o caderno de educação ambiental Biodiversidade, o quarto de uma série que engloba os títulos anteriores Águas subterrâneas, Ecocidadão e Unidades de conservação da natureza.
A publicação, com muitas fotos, ilustrações e gráficos, é redigida de maneira didática por pesquisadores do Instituto de Botânica e visa a atingir especialmente professores e estudantes de ensino fundamental e médio.
A publicação é dividida nos tópicos “O que é biodiversidade”, “Biomas do Estado de São Paulo”, “Como conhecer a biodiversidade”, “Efeitos de impactos ambientais na biodiversidade” e “Gestão da biodiversidade”.
O lançamento marcou também as comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade declarado pela Organização das Nações Unidas para 2010.
O caderno sobre biodiversidade e os demais volumes da série são gratuitos e estão disponíveis para download no site da Secretaria do Meio Ambiente.
Mais informações: www.ambiente.sp.gov.br/cadernos.php
Agência FAPESP – A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo lançou o caderno de educação ambiental Biodiversidade, o quarto de uma série que engloba os títulos anteriores Águas subterrâneas, Ecocidadão e Unidades de conservação da natureza.
A publicação, com muitas fotos, ilustrações e gráficos, é redigida de maneira didática por pesquisadores do Instituto de Botânica e visa a atingir especialmente professores e estudantes de ensino fundamental e médio.
A publicação é dividida nos tópicos “O que é biodiversidade”, “Biomas do Estado de São Paulo”, “Como conhecer a biodiversidade”, “Efeitos de impactos ambientais na biodiversidade” e “Gestão da biodiversidade”.
O lançamento marcou também as comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade declarado pela Organização das Nações Unidas para 2010.
O caderno sobre biodiversidade e os demais volumes da série são gratuitos e estão disponíveis para download no site da Secretaria do Meio Ambiente.
Mais informações: www.ambiente.sp.gov.br/cadernos.php
Caixa lança linha de equipamentos que melhoram eficiência energética /// Valor Online
Publicada em 07/06/2010 às 19h51m
Valor Online
SÃO PAULO - A Caixa Econômica Federal lançou hoje uma linha de crédito exclusiva para aquisição de equipamentos que melhoraram a eficiência energética.
A linha concede até 100% de financiamento, com juros máximos de 1,92% ao mês, mais TR. Os prazos de pagamento são de 2 a 54 meses, com 6 meses de carência para os clientes que trocarem suas máquinas antigas por produtos que utilizem energias renováveis.
"Esperamos um incremento nas contratações do produto por conta da modalidade ecoeficiência, que possui taxas menores e melhores condições de financiamento de máquinas. Com isso, a Caixa contribui para a sustentabilidade do planeta", declarou o superintendente nacional de Médias e Grandes Empresas, Dário Castro de Araujo.
O anúncio da linha de crédito ocorre no mesmo dia em que a Caixa divulgou, em Brasília, o Relatório de Sustentabilidade de 2009, durante ato em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente.
O evento, realizado no Teatro da Caixa Cultural, no anexo do edifício-sede do banco, foi aberto pela presidenta da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho, e contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Mônica Vieira Teixeira.
(Fernando Taquari
Valor)
Valor Online
SÃO PAULO - A Caixa Econômica Federal lançou hoje uma linha de crédito exclusiva para aquisição de equipamentos que melhoraram a eficiência energética.
A linha concede até 100% de financiamento, com juros máximos de 1,92% ao mês, mais TR. Os prazos de pagamento são de 2 a 54 meses, com 6 meses de carência para os clientes que trocarem suas máquinas antigas por produtos que utilizem energias renováveis.
"Esperamos um incremento nas contratações do produto por conta da modalidade ecoeficiência, que possui taxas menores e melhores condições de financiamento de máquinas. Com isso, a Caixa contribui para a sustentabilidade do planeta", declarou o superintendente nacional de Médias e Grandes Empresas, Dário Castro de Araujo.
O anúncio da linha de crédito ocorre no mesmo dia em que a Caixa divulgou, em Brasília, o Relatório de Sustentabilidade de 2009, durante ato em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente.
O evento, realizado no Teatro da Caixa Cultural, no anexo do edifício-sede do banco, foi aberto pela presidenta da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho, e contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Mônica Vieira Teixeira.
(Fernando Taquari
Valor)
“A teologia do livre mercado dos Chicago Boys” /// Envolverde - Carta Capital
por Michael Hudson*
Recentemente vários acadêmicos receberam uma petição assinada por 111 membros da Universidade de Chicago explicando que, “sem qualquer comunicado, a sua própria comunidade, (a universidade) contratou uma firma de Boston, a Ann Beha Architects, para reformar o prédio do Seminário Teológico de Chicago, transformando-o no espaço para o Milton Friedman Institute for Research in Economics (MFIRE – Instituto Milton Friedman de Pesquisa em Economia), e levantou uma agressiva campanha de arrecadação de fundos para o controverso instituto”.
Seria difícil encontrar uma metáfora mais adequada do que aquilo que o comunicado à imprensa caracteriza como “conversão do prédio do seminário num templo do neoliberalismo econômico”. Até o acrônimo MFIRE parece simbolicamente apropriado. O “M” pode bem servir para Money, na equação do professor Friedman: MV = PT (Money x Velocity = Price x Transactions). E o setor Fire compreenderia finanças, seguros e investimentos imobiliários – o setor do “almoço grátis”, cuja acumulação os monetaristas de Chicago celebram.
Economistas clássicos caracterizaram a renda e o acúmulo de lucros no setor Fire como “renda não recebida”, liderada pelos ganhos de capital, que John Stuart Mill descreveu como o que os senhores da terra fazem “quando estão dormindo”. Milton Friedman, por outro lado, insistiu que “não existe almoço grátis” – como se a economia não dissesse afinal respeito ao almoço grátis e a como obtê-lo. E a principal maneira de ganhá-lo é desmantelando o papel do governo e vendendo o patrimônio público a crédito.
Como disse ironicamente Charles Baudelaire, o demônio vence no ponto em que convence o mundo de que ele não existe. Parafraseando isso, podemos dizer que a vitória econômica dos rendimentos do almoço grátis obtém-se no ponto em que os reguladores governamentais e os economistas acreditam que seu retorno não existe – e, portanto, não precisam ser taxados, regulados ou subjugados.
Com “livre mercado”, os Chicago Boys querem dizer conceder livre trânsito ao setor financeiro – na direção oposta à idéia dos economistas clássicos de libertar os mercados do rentismo e dos juros. Enquanto a religião tradicional buscou estabelecer preceitos de regulação, o Instituto Friedman vai promover a desregulação. Substituir fisicamente a escola de teologia por um “templo do neoliberalismo econômico” é irônico se considerarmos que, em princípio, aquilo que todas as grandes religiões têm em comum em um ponto ou o outro é a oposição à cobrança de juros. O judaísmo chamou a isso de “começar do zero” (Levítico, 25) e o cristianismo baniu completamente o juro, citando as leis do Êxodo e do Deuteronômio.
Os Chicago Boys então inverteram a teologia tradicional, embora a economia tenha começado a ser ensinada como disciplina acadêmica em cursos de filosofia moral, nos séculos XVIII e XIX. As mais importantes universidades do mundo foram fundadas para formar estudantes para o clero. O curso de filosofia moral envolvia política econômica e lidava vastamente com as noções de reforma econômica e taxação da acumulação de capital financeiro em nome do interesse público como uma prerrogativa legal. A disciplina era jogada no rol da “economia” em boa medida para excluir dela as análises políticas e as distinções entre investimento produtivo e improdutivo, bens de capital e reais, valor e preço.
Os economistas clássicos viam o rentismo e os juros como remanescentes da conquista da Europa feudal da terra. E viam a privatização do dinheiro e das finanças como uma dívida institucionalmente baseada e monopolizada. Os economistas clássicos procuraram taxar essa “renda não recebida” para regular os monopólios naturais ou torná-la de domínio público.
Desnecessário dizer que essa história do pensamento econômico não será ensinada no Centro Friedman. A primeira coisa que os Chicago Boys fizeram no Chile, quando lhes foi dado o poder depois do golpe militar de 1973, foi fechar todos os departamentos de economia do país – e, de fato, todos os departamentos de ciências sociais fora da Universidade Católica, na qual eles mandavam. Eles entenderam que “livre mercado” para o capital exigia controle total do currículo educacional e da mídia cultural como um todo.
O que os livres mercados entendem é que sem uma autoridade inquisitorial você não pode ter um livre mercado “estável” – quer dizer, um livre mercado para os predadores financistas que presumivelmente são os maiores financiadores do Centro Friedman da Universidade de Chicago. Os monetaristas da Escola de Chicago detiveram poder de censura sobre os maiores jornais de referência em economia, e publicar neles tornou-se pré-condição para o progresso na carreira de economistas acadêmicos. O resultado tem sido limitar o escopo dos economistas para a celebração da escolha racional do “livre mercado” e da mente estreita da ideologia do “direito e da economia” oposta às idéias da justiça moral e da regulação econômica que formaram a base de tantas religiões do Ocidente.
Eu experimentei esse espírito inquisitorial quando trabalhava no Laboratório da Escola da Universidade de Chicago. Lembro do grande cartaz dependurado acima do quadro-negro da sala Mr. Edgett, de ciências sociais, em 1953: “Dê a todos eles o que os Rosenberg receberam”. Depois que o Ato da Liberdade de Informação tornou os arquivos do FBI públicos, meus colegas de classe tiveram acesso aos relatórios sobre eles e suas orientações políticas, escritos por professores da Universidade de Chicago e seus associados no Shimer College.
Quem teria antecipado que a economia iria terminar sendo mais de direita e autoritária, mais explicitamente oposta à idéia mesma de direitos humanos e justiça distributiva do que a teologia? Ou esta última disciplina teria sido então invertida? Os economistas clássicos eram reformistas, afinal de contas, lutando pelo mercado livre contra a “renda não recebida” – o “almoço grátis” da renda da terra das aristocracias herdeiras da Europa e contra o monopólio rentista administrado pelas corporações de comércio real criadas por governos europeus a fim de pagar suas dívidas de guerra. Mas os monetaristas de Chicago buscam desregular os monopólios e as leis de usura, favorecendo o rentismo em vez da economia “real” do trabalho e do capital. Seu foco é na defesa do lucro da propriedade e das finanças e no compromisso com os dispositivos de garantia – empréstimos bancários, ações e títulos, para os quais exigem corte de taxação. E, para fomentar o mercado de alavancamento de ações, os Chicago Boys defenderam a privatização do patrimônio público, começando no Chile, depois de 1973.
Assim, o que se inverteu não foi apenas a idéia clássica de mercados livres, mas o coração econômico dos primórdios da religião. Hoje, os Chicago Boys consideram que quem mais precisa de salvação são a alta finança, o investimento imobiliário e os monopólios, na sua luta para reverter os sete séculos passados de reforma econômica clássica, desde que o papa debateu como definir um “preço justo” (custos socialmente necessários da produção) com que os bancos deveriam arcar, no século XIII.
Essa medida parece tratar largamente do levantamento de fundos. Mas essa não é a verdade da maior parte das religiões em nossos dias? A Universidade de Chicago foi financiada por John D. Rockefeller, dando a deixa para Upton Sinclair chamá-lo de “o Standard Oil da Universidade” no The Goose Step, a Study of American Education. Quando eu trabalhei lá, nos anos 50, Lawrence Kimpton tinha substituído Robert Hutchins como chanceler e, em 1961, tornou-se gerente geral de planejamento (e subsequentemente, diretor) da Standard Oil de Indiana. Seu ato mais famoso (fora a supervisão do projeto da bomba atômica Manhattan) foi suprimir a The Chicago Review, que publicava excertos do Almoço Nu, de William Burroughs. Significativamente, a razão que ele deu era que a publicação poderia desencorajar a doação de fundos para a universidade.
Mr. Rockefeller, ao menos, pôs devidamente sua suspeita sobre “aqueles que necessitam”. Num espírito contrastante, a esposa de Herman Kahn me disse que certa vez, numa festa, Milton Friedman respondeu à sua sugestão de melhorias no bem-estar público e na assistência em saúde do seguinte modo: “Por que você quer subsidiar a produção de órfãos e pessoas doentes?”. Esse não é exatamente o espírito religioso clássico.
O problema com o Instituto Friedman é que sua doutrina econômica obteve notoriedade no período Pinochet, na onda dos Chicago Boys no Chile. Privatizar empresas públicas, “libertar” mercados de leis abusivas e induzir a desregulação são a antítese de quase todas as religiões, cujas diretrizes propostas, afinal, eram socializar seus membros e criar um estado moral.
O monetarismo friedmanista tem caracterizado a ideologia pós-moderna, que, como a religião, tem suas próprias vacas sagradas e ídolos – e uma Inquisição. Em vez de suspeitar dos descrentes, como no Islã, temos a transferência da cobrança de impostos da religião do capital financeiro para o trabalho que está do lado de fora do templo. Como disse o comunicado de imprensa: “Grande protesto... Focou-se no ataque ao forte viés ideológico do instituto, orientado para o fundamentalismo de mercado, na tradição de Friedman. Dessa maneira ou de outras, sua natureza vai ao encontro da tradição da universidade de livre investigação e livre debate”.
Bem, eu não estou muito certo quanto a como essa tradição recente de livre debate ocorreu. Mas o comunicado conclui com uma nota, dizendo: “Para mais informações, contatar Robert Kendrick, professor de música (rkendric@uchicago.edu, 773-702-8500), ou Bruce Lincoln e Caroline E. Haskell, professores de história das religiões (blincoln@uchicago.edu, 773-702-5083)”.
* Michael Hudson foi economista de Wall Street e atualmente é um pesquisador destacado na Universidade do Missouri – Kansas City (UMKC) e presidente do Institute for the Study of Long-Term Economic Trends (Islet). É autor de obras como Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire e Trade, Development and Foreign Debt: A History of Theories of Polarization versus Convergence in the World Economy.
Fonte: Envolverde/Carta Maior
Oferta de produtos cresce, e brasileiro já pode ser cliente bancário 'sustentável' /// estadao.com.br
Fundos de investimento, empréstimos, seguros e até planos de previdência são algumas das opções disponíveis nas prateleiras das instituições financeiras
- Já é possível ser um cliente bancário sustentável no Brasil. Fundos de ações, CDBs, seguros, financiamentos e até planos de previdência com viés social ou ecológico já estão disponíveis para pessoas físicas nas gôndolas das instituições financeiras.
Escolher entre um financiamento de automóvel comum ou um que, pelo mesmo preço, plante árvores para compensar a emissão de carbono do carro adquirido só depende do conhecimento do cliente - ou da boa vontade do gerente em apresentar a alternativa.
Fundo de ações que, em vez de ter uma carteira aleatória, aplique somente em empresas consideradas sustentáveis pelo mercado é outra opção para o clientel.
A demanda espontânea pelos produtos que englobam o conceito das 'finanças sustentáveis' ainda é pequena, sobretudo pelo desconhecimento do público, já que custos e taxas são iguais ou até menores que os tradicionais, segundo observam especialistas.
Todos os bancos de varejo têm, ao menos, dois tipos de produtos dentro do quesito sustentabilidade. Os fundos de investimentos são a maioria, impulsionados pelo surgimento, em 2005, do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o mercado conta hoje com 29 fundos de ações com viés sustentável. Mesmo com o crescimento das finanças sustentáveis para outras linhas de produtos, a Anbima, por enquanto, só compila dados dos fundos.
Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da Bovespa, lembra que, antes da criação do ISE, existiam apenas dois fundos de ações sustentáveis. "O investidor vai perceber a vantagem de investir em empresas sustentáveis e, dessa forma, nascerão cada vez mais produtos nessa linha."
Luiz Maia, diretor da Anbima, afirma que "já há a percepção de que empresas com visão socioambiental têm menos risco no longo prazo, o que pode gerar rendimentos melhores ao investidor".
Bradesco, Itaú Unibanco, HSBC, Santander Real, Banco do Brasil e Caixa oferecem fundos que, ou são lastreados no ISE, ou têm uma carteira própria embasada em empresas consideradas sustentáveis pelo mercado.
O Itaú Unibanco tem ainda um fundo DI que reverte 50% da taxa de administração a entidades sem fins lucrativos e um outro fundo de investimentos lastreado no índice de carbono da Bolsa de Nova York. "Não há muita demanda espontânea para esses produtos, mas estamos falando de assuntos simpáticos que, ao serem apresentados, têm boa aceitação do público", diz Paulo Corchaki, diretor de gestão de recursos do banco.
O Bradesco é um pouco mais ousado e, além dos fundos de investimentos semelhantes aos que os concorrentes disponibilizam, oferece quase 20 linhas de crédito com o cunho socioambiental. "Nós percebemos que as pessoas que têm esses princípios nos procuram para ter um crédito social ou ambientalmente correto", afirma José Ramos Rocha Neto, diretor de crédito do Bradesco.
Árvores
A linha de financiamento de maior sucesso, conta, é a de automóveis, fruto de parceria com a SOS Mata Atlântica, que planta árvores para compensar a emissão de carbono. "Também temos CDC para a compra de material didático, linhas que financiam telefones para deficientes auditivos e CDC aquecedor solar" exemplifica. "Todos têm condições especiais."
Produtos parecidos são oferecidos pelo Santander Real. "Pensamos sempre em novos produtos. A sociedade vai cobrar cada vez mais esse tipo de ação", diz Linda Murasawa, superintendente de Desenvolvimento Sustentável do grupo.
Para Graziella Comini, professora da Universidade de São Paulo (USP), o conceito 'finanças sustentáveis', com o tempo, estará cada vez mais presente. (Ver mais na página ao lado) "Acredito que, em algum momento, teremos apenas produtos financeiros sustentáveis", afirma.
Correntista tem várias opções para escolher
SEGUROS ÀS PESSOAS DE BAIXA RENDA: Bradesco, por exemplo, tem um seguro de vida com custo mensal a partir de R$ 5,98, para pessoas entre 16 a 80 anos.
CDB SUSTENTÁVEL: para o cliente, na prática, é uma aplicação tradicional oferecida pelo Santander Real. No entanto, três quartos dos recursos captados apoiam, por meio de crédito, entidades filantrópicas de saúde e educação.
PREVIDÊNCIA:planos que mesclam renda fixa com ações de companhias consideradas sustentáveis.
CRÉDITO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: Itaú Unibanco, Santander Real e Bradesco têm linhas específicas para reformas em residências de pessoas com deficiência. As taxas de juros, segundo as instituições, são mais vantajosas do que as de linhas tradicionais.
CARTÃO DE CRÉDITO: quanto mais o cliente gasta, mais árvores serão plantadas pelos bancos para compensar a emissão de carbono.
Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo
- Já é possível ser um cliente bancário sustentável no Brasil. Fundos de ações, CDBs, seguros, financiamentos e até planos de previdência com viés social ou ecológico já estão disponíveis para pessoas físicas nas gôndolas das instituições financeiras.
Escolher entre um financiamento de automóvel comum ou um que, pelo mesmo preço, plante árvores para compensar a emissão de carbono do carro adquirido só depende do conhecimento do cliente - ou da boa vontade do gerente em apresentar a alternativa.
Fundo de ações que, em vez de ter uma carteira aleatória, aplique somente em empresas consideradas sustentáveis pelo mercado é outra opção para o clientel.
A demanda espontânea pelos produtos que englobam o conceito das 'finanças sustentáveis' ainda é pequena, sobretudo pelo desconhecimento do público, já que custos e taxas são iguais ou até menores que os tradicionais, segundo observam especialistas.
Todos os bancos de varejo têm, ao menos, dois tipos de produtos dentro do quesito sustentabilidade. Os fundos de investimentos são a maioria, impulsionados pelo surgimento, em 2005, do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o mercado conta hoje com 29 fundos de ações com viés sustentável. Mesmo com o crescimento das finanças sustentáveis para outras linhas de produtos, a Anbima, por enquanto, só compila dados dos fundos.
Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da Bovespa, lembra que, antes da criação do ISE, existiam apenas dois fundos de ações sustentáveis. "O investidor vai perceber a vantagem de investir em empresas sustentáveis e, dessa forma, nascerão cada vez mais produtos nessa linha."
Luiz Maia, diretor da Anbima, afirma que "já há a percepção de que empresas com visão socioambiental têm menos risco no longo prazo, o que pode gerar rendimentos melhores ao investidor".
Bradesco, Itaú Unibanco, HSBC, Santander Real, Banco do Brasil e Caixa oferecem fundos que, ou são lastreados no ISE, ou têm uma carteira própria embasada em empresas consideradas sustentáveis pelo mercado.
O Itaú Unibanco tem ainda um fundo DI que reverte 50% da taxa de administração a entidades sem fins lucrativos e um outro fundo de investimentos lastreado no índice de carbono da Bolsa de Nova York. "Não há muita demanda espontânea para esses produtos, mas estamos falando de assuntos simpáticos que, ao serem apresentados, têm boa aceitação do público", diz Paulo Corchaki, diretor de gestão de recursos do banco.
O Bradesco é um pouco mais ousado e, além dos fundos de investimentos semelhantes aos que os concorrentes disponibilizam, oferece quase 20 linhas de crédito com o cunho socioambiental. "Nós percebemos que as pessoas que têm esses princípios nos procuram para ter um crédito social ou ambientalmente correto", afirma José Ramos Rocha Neto, diretor de crédito do Bradesco.
Árvores
A linha de financiamento de maior sucesso, conta, é a de automóveis, fruto de parceria com a SOS Mata Atlântica, que planta árvores para compensar a emissão de carbono. "Também temos CDC para a compra de material didático, linhas que financiam telefones para deficientes auditivos e CDC aquecedor solar" exemplifica. "Todos têm condições especiais."
Produtos parecidos são oferecidos pelo Santander Real. "Pensamos sempre em novos produtos. A sociedade vai cobrar cada vez mais esse tipo de ação", diz Linda Murasawa, superintendente de Desenvolvimento Sustentável do grupo.
Para Graziella Comini, professora da Universidade de São Paulo (USP), o conceito 'finanças sustentáveis', com o tempo, estará cada vez mais presente. (Ver mais na página ao lado) "Acredito que, em algum momento, teremos apenas produtos financeiros sustentáveis", afirma.
Correntista tem várias opções para escolher
SEGUROS ÀS PESSOAS DE BAIXA RENDA: Bradesco, por exemplo, tem um seguro de vida com custo mensal a partir de R$ 5,98, para pessoas entre 16 a 80 anos.
CDB SUSTENTÁVEL: para o cliente, na prática, é uma aplicação tradicional oferecida pelo Santander Real. No entanto, três quartos dos recursos captados apoiam, por meio de crédito, entidades filantrópicas de saúde e educação.
PREVIDÊNCIA:planos que mesclam renda fixa com ações de companhias consideradas sustentáveis.
CRÉDITO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: Itaú Unibanco, Santander Real e Bradesco têm linhas específicas para reformas em residências de pessoas com deficiência. As taxas de juros, segundo as instituições, são mais vantajosas do que as de linhas tradicionais.
CARTÃO DE CRÉDITO: quanto mais o cliente gasta, mais árvores serão plantadas pelos bancos para compensar a emissão de carbono.
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