Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Marcas do Brasil deixam de ser 'exóticas' /// estadao.com.br

10 de junho de 2010
Marili Ribeiro - O Estado de S.Paulo

Estudo inédito sobre o comportamento das marcas brasileiras fora do território nacional será apresentado hoje pela empresa de consultoria Interbrand. O potencial do cenário para marcas globais do Brasil entrou no escopo de pesquisas da consultoria há dois anos, com a intensificação de pedidos de empresas preocupadas em exportar suas marcas.

A Interbrand analisa o comportamento dos setores promissores e os desafios para a internacionalização das marcas com potencial para integrar o ranking das mais valiosas do mundo. O maior achado do trabalho foi a mudança de percepção do Brasil, que deixa para trás o antigo padrão de país "exótico" para um Brasil de vanguarda, capaz de oferecer marcas inovadoras e com atitude global.

Na relação levantada pela Interbrand, além de marcas conhecidas, aparece a do Banco Itaú, visto como dono de características únicas que a favorecem lá fora. Caso do nome curto, fácil de pronunciar e memorizar, assim como a identidade visual, com o uso do laranja, única entre os bancos brasileiros e rara nos demais países do mundo. Outra surpresa é a presença do açúcar orgânico Native, do grupo Balbo. A empresa é a maior produtora de açúcar orgânico do mundo e destina 85% de sua produção à exportação para 41 países.

Itens de moda, como os biquínis, seguem em pauta, mas há também os sapatos de plástico da marca Melissa que, cheios de bossa e design, são vendidos em 50 países e em mais de mil pontos comerciais. A marca também é vendida em lojas como a charmosa Colette, em Paris.

A condição de 8.º maior produtor têxtil do mundo gera um bom horizonte para marcas do setor. Assim, os biquínis Rosa Chá e a confecção de roupas Osklen têm futuro promissor pelas considerações do estudo. "São marcas que apresentam atributos globais, já geram receita significativa com a exportação, apresentam desempenho de venda ou estão construindo uma reputação em busca de ser tornar objeto de desejo", diz o estudo.

Há lojas da Osklen em Milão, Nova York, Portugal, Tóquio e Genebra. O site WGSN aponta a marca entre as dez mais influentes do mundo da moda.

Livro: A natureza como limite da economia – a contribuição de Nicolas Georgescu-Roegen, de Andrei Cechin /// Agencia FAPESP

22/4/2010
Por Alex Sander Alcântara
Agência FAPESP – Seria a natureza a única limitante do processo econômico? Existem barreiras biofísicas que impediriam o crescimento exponencial de produção de bens de consumo de tal forma que o mundo caminhasse para uma “estabilização das atividades econômicas”?

Essas e outras questões envolvendo economia e ecologia estão presentes no livro A natureza como limite da economia – a contribuição de Nicolas Georgescu-Roegen, de Andrei Cechin, lançado na segunda-feira (19/4) na livraria da Edusp, a editora da Universidade de São Paulo (USP). Antes do lançamento, o autor e convidados debateram os principais pontos abordados na obra, na sede do Instituto de Estudos Avançados (IEA).

O livro é resultado da pesquisa de mestrado de Cechin, com Bolsa da FAPESP, defendido em 2008 no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (Procam) da USP, com orientação de José Eli da Veiga, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

O título faz referência ao pensamento de Nicolas Georgescu-Roegen (1906-1994), matemático e economista romeno considerado o precursor do conceito de desenvolvimento sustentável. Segundo Georgescu-Roegen, a natureza é a única limitante do processo econômico.

De acordo com Veiga, um dos debatedores do encontro no IEA, o livro aborda interrelações entre economia e natureza e resgata o pensamento do economista romeno na moderna discussão sobre clima, sustentabilidade e governança corporativa.

“Quando, nos anos 1980, ele disse que a economia, no futuro, seria mais um capítulo da ecologia, foi ‘expurgado’ totalmente e caiu no esquecimento. O livro do Andrei traz uma contribuição inédita porque permite que muitos estudantes tenham acesso às suas ideias no Brasil”, disse à Agência FAPESP .

Na oportunidade, o professor também lançou o livro Economia socioambiental, uma coletânea de 14 artigos organizada por ele que enfoca mudanças de paradigmas entre a economia convencional e a economia ecológica ou ambiental. Segundo Veiga, para fazer a introdução à coletânea – que escreveu junto com Cechin – teve como suporte o livro do orientando.

Georgescu ficou conhecido – e pagou um alto preço por suas ideias nos anos de 1970 – por aplicar à economia o conceito de entropia, emprestado da termodinâmica, ao mostrar que as concepções tradicionais da economia pecavam pelo extremo mecanicismo.

“Os manuais de economia sempre começam com o diagrama do fluxo circular, que mostra como o dinheiro, mercadorias e insumos circulam entre famílias e empresas. Para Georgescu, isso é um sintoma claro do mecanicismo que predomina na economia”, disse Cechin.

Segundo ele, o economista romeno tentou mudar a visão sistêmica do fluxo circular unitário e isolado, segundo a qual capital e trabalho são considerados a estrutura do processo que transforma fluxo de energia em produtos e resíduos.

“Ele muda para uma visão metabólica do processo, mostrando que o sistema econômico não era um moto-perpétuo, que alimenta a si mesmo de forma circular, sem perdas. Ao contrário, é um sistema que transforma recursos naturais em rejeitos que não podem mais ser utilizados. Ao desenvolver uma nova representação do processo, Georgescu destacou que ele não é circular e isolado, mas linear e aberto”, disse Cechin.

Novos ritmos
De acordo com Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e debatedor no encontro no IEA, o trabalho do economista romeno é fundamental, porque conecta duas ciências aparentemente separadas: economia e ecologia.

“Outro ponto atual é a discussão sobre os limites ao desenvolvimento, sejam eles da natureza ou material. Esse recado parece que vem sendo entendido ou pelo menos valorizado pela humanidade”, disse.

Brito Cruz destacou alguns pontos que acha importantes para o debate do crescimento sustentável, como a questão da velocidade do processo, o custo social, o aumento da população e a criação de novas ideias.

“Como entender as partes desse sistema e como elas se combinam e de que maneira as ideias da humanidade vão empurrar para a frente esse ‘fim’ a partir da lei fundamental da natureza? As premissas de Georgescu são também uma oportunidade de conhecer novas ideias, já que sabemos que criamos uma solução para um problema e, em consequência, geramos outros desafios”, destacou.

O livro A natureza como limite da economia está dividido em cinco partes. No capítulo introdutório, Cechin apresenta o paradigma que une todas as escolas do pensamento econômico e o ponto de ruptura com as ideias de Georgescu.

A segunda é dedicada à vida e obra do economista romeno, do seleto grupo de economistas da Universidade Harvard, nos anos de 1930, ao banimento dos círculos acadêmicos nos idos de 1970, quando passou a estudar as bases biofísicas da economia, conhecimento que ele chamou de bioeconomia.

Nos capítulos seguintes, o autor avalia as idéias de Georgescu no contexto do debate sobre a escassez de recursos naturais e o crescimento econômico e a influência de seus postulados para formar a base do pensamento econômico.

Os capítulos apontam ao final para a discussão de que o futuro energético da humanidade está no centro da problemática do chamado desenvolvimento sustentável. “Georgescu mostrou que, para que o termo desenvolvimento sustentável não representasse uma mera inovação retórica, é necessário atentar para o duplo aspecto da relação entre processo econômico e natureza, ou seja, o esgotamento dos recursos naturais e a saída inevitável de resíduos”, disse Cechin.

Uma das principais teses de Georgescu – e a mais polêmica – gira em torno da ideia de decrescimento da economia. “A tese sinalizava que um dia a humanidade terá que pensar em estabilizar as atividades econômicas, pois não haverá como evitar a dissipação dos materiais utilizados nos processos industriais. Em algum momento, segundo ele, haverá a necessidade de diminuir o ritmo da economia”, disse.

Durante os debates outras questões foram levantadas, como o papel das inovações entre países ricos e emergentes. Como defender, por exemplo, o não crescimento em países que ainda precisam crescer.

Para Cechin, não seria correto dizer que o economista romeno se opõe ao desenvolvimento, mas que ele defende que a sociedade precisará se desenvolver decrescendo, sob novos paradigmas. “Os questionamentos sobre as teses de Georgescu só mostram o quanto o momento é propício para aceitação de suas ideias”, disse.

•Título: A natureza como limite da economia: a contribuição de Nicolas Georgescu-Roegen
Autor: Andrei Cechin
Edição: Edusp/Senac
Páginas: 264
Preço: R$ 45
Mais informações:
•www.edusp.com.br/detlivro.asp?ID=412356
•www.editorasenacsp.com.br

Cenários Ambientais 2020 /// Secretaria Estadual de Meio Ambiente

 
Introdução
O Projeto Ambiental Estratégico “Cenários Ambientais 2020” tem por objetivo a elaboração de propostas de políticas públicas de médio e longo prazos a partir de cenários ambientais prospectivos. Representa um instrumento de planejamento que busca inserir a dimensão ambiental nas ações do Estado e da iniciativa privada, de forma a direcionar a trajetória ambiental de São Paulo pela melhor rota possível.


A gestão ambiental no Brasil, via de regra, ocorreu por meio do gerenciamento de crises, ou seja, na medida em que os problemas eram reconhecidos, procurava-se uma solução para os mesmos. Foi somente a partir do início da década 1970, depois de 500 anos de um modelo econômico predatório ao meio ambiente, que, timidamente, a questão ambiental começou a ser incorporada pela gestão pública.


O desafio atual consiste em introduzir a dimensão ambiental como eixo do planejamento nacional e estadual. Planejamento signifi ca traçar um objetivo comum e estabelecer formas de alcançá-lo. Estipula-se o ponto onde se quer chegar e quais as difi culdades para se alcançar tal meta. Não se eliminam as incertezas do futuro, mas certamente reduzem-se os riscos inerentes à tomada de decisão.


Elaborar cenários constitui peça chave desse processo.O exercício de prospectar o futuro é fundamental para antecipar as soluções ou até mesmo evitar os futuros problemas. O fenômeno das mudanças climáticas
é um bom exemplo disso. Segundo o Relatório Stern1, que utilizou os cenários elaborados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC2, da sigla em inglês), com um investimento atual de1% do PIB mundial em medidas de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa, pode-se evitar perdas de 20% do mesmo PIB em 50 anos devido aos impactos negativos das mudanças climáticas.


Para os Cenários Ambientais 2020 optou-se por uma metodologia que envolvesse grande quantidade de pessoas e instituições,justificada por dois motivos principais.
O primeiro é de que o futuro, em grande parte, resulta das decisões tomadas hoje. Dessa forma, a opinião dos diferentes atores sociais,balizada pelo conhecimento técnico-científico da equipe da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA), pode ser considerada um bom indício sobre o futuro. O segundo motivo diz respeito à determinação das metas que se pretende alcançar ao longo do horizonte temporal prospectado. Não é possível determinar tecnicamente o melhor futuro possível, por meio de cálculos ou de planilhas. É necessário que a própria sociedade defina seu caminho. Assim, mais de 5.000 pessoas foram consultadas ao longo do Projeto.


Nos três primeiros capítulos são apresentadas as narrações dos Cenários de Referência, Ideal e Alvo,na visão de um observador hipotético posicionado no ano de 2020.
O primeiro cenário é aquele que ocorrerá caso sejam mantidas as percepções atuais da evolução do presente.
Matematicamente, é considerado o mais provável de ocorrer.O Cenário Ideal tem a função de estabelecer uma direção para o futuro a ser “perseguido” pelo Estado, bem como pela sociedade.
Compete ao Cenário Alvo determinar o quanto será possível se aproximar do Cenário Ideal, considerando as limitações institucionais, econômicas e sociais existentes. Portanto, o Cenário Ideal representa a direção, enquanto o Alvo corresponde à intensidade do melhor futuro possível para o Estado.


No capítulo IV são relacionadas as propostas de políticas públicas que compõem o Cenário Alvo, bem como uma descrição sucinta das mesmas. No capítulo V encontra-se descrito o balanço ambiental, ou seja, a avaliação dos ganhos de qualidade obtidos no caso da concretização do Cenário Alvo em detrimento do Cenário de Referência.
Finalmente, no capítulo VI é relatado o histórico do projeto e a metodologia adotada.


1 O Relatório Stern é um estudo encomendado pelo Governo Britânico e dirigido pelo economista Sir Nicholas Stern sobre os impactos das mudanças climáticas na economia mundial até 2050.


2 O IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change, da sigla em inglês) foi estabelecido em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização Metereológica Mundial para fornecer uma visão científi ca do estado das mudanças climáticas e seus impactos ambientais e sócio-econômicos potenciais.

Os cenários de 2020
São Paulo será uma Macrometrópole com mais de 32 milhões de habitantes.



PROPOSTAS DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA 2020 - CENÁRIO ALVO


MACROTEMA
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO E INFRAESTRUTURA
Diretriz
Promover o desenvolvimento sustentável, de forma a garantir o crescimento econômico com respeito aos limites ambientais e a melhoria dos níveis de desenvolvimento humano.

Temas:
• EDUCAÇÃO
Objetivo: Promover um nível de educação básica comparável aos países da OCDE.

• ECONOMIA
Objetivo: Promover a qualidade do crescimento econômico em termos socioambientais por meio de uma estratégia de estímulo à economia verde.

• ENERGIA
Objetivo: Gerir de maneira efi ciente a matriz energética paulista, tanto em relação à oferta quanto à demanda, e incluir critérios ambientais na mesma.

• PESQUISA E DESENVOLVIMENTO (P&D)
Objetivo :Estimular o esforço em P&D com foco em tecnologias limpas.

• PARTICIPAÇÃO CIDADÃ
Objetivo: Promover o acesso e participação dos interessados nos processos decisórios do Estado e incentivar a responsabilidade socioambiental dos cidadãos.

• MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Objetivo: Definir as estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas para o Estado de São Paulo.

• TRANSPORTE LOGÍSTICO
Objetivo: Incentivar a diversificação da matriz de transporte logístico, incorporando critérios socioambientais aos planos e metas do setor. Foco na eficiência energética e na redução da intensidade de emissões de gases de efeito estufa.

MACROTEMA
PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Diretriz
Desenvolver instrumentos de governança regional, de forma a estimular as gestões municipais a atuarem de forma harmônica, com foco na diminuição dos desequilíbrios e na adequação do desenvolvimento socioeconômico às características ecológicas do território.

Temas:
• PLANEJAMENTO REGIONAL
Objetivo: Propor e implementar instrumentos de planejamento regional de médio e longo prazos, visando o desenvolvimento sustentável de forma articulada com os municípios e com ampla participação social no processo.

• AGRICULTURA
Objetivo: Promover a sustentabilidade das atividades agroindustriais, internalizando os custos e serviços socioambientais, atentando para a segurança alimentar e para a diversidade de culturas agrícolas.

• BIODIVERSIDADE
Objetivo: Promover a conservação da biodiversidade incorporando, de forma transversal, os critérios ecológicos nas decisões do Estado e da iniciativa privada.

• RECURSOS HÍDRICOS
Objetivo: Promover uma gestão eficiente dos usos múltiplos da água, atentando para a sua disponibilidade e qualidade.

• RESERVAS MINERAIS
Objetivo: Promover o acesso às reservas minerais, compatibilizando a atividade minerária com as políticas e diretrizes ambientais.


MACROTEMA
PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO URBANO
Diretriz
Promover o desenvolvimento sustentável, de forma a garantir o crescimento econômico com respeito aos limites ambientais e a melhoria dos níveis de desenvolvimento humano.

Temas:
• REGIÕES METROPOLITANAS
Objetivo: Promover o desenvolvimento socioeconômico das Regiões Metropolitanas de forma homogênea e compatível com a proteção e recuperação ambiental.

• HABITAÇÃO E CONSTRUÇÃO CIVIL
Objetivo: Promover a redução das necessidades habitacionais e incorporar critérios socioambientais à construção civil.

• SANEAMENTO
Objetivo: Obter padrões adequados de saneamento ambiental observando seu alcance e eficiência.

• TRANSPORTE
Objetivo: Incentivar o uso de transporte coletivo e internalizar os impactos socioambientais do transporte motorizado.




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