Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)

Calçadas e Acessibilidade

Calçada certificada traz mais acessibilidade

Entre os anos de 2009 e 2012, a Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb), junto com as Secretarias Regionais, emitiu cerca de 16 mil requerimentos (licenças) para construção de calçadas na cidade. Joinville é uma das oito cidades brasileiras escolhidas pelo Governo Federal para participar do programa “Cidade Acessível é Direitos Humanos”. Para transformar Joinville em uma cidade acessível, a Conurb tem trabalhado na construção de calçadas e na adequação de rampas de acessibilidade nas esquinas e travessias de pedestres.

No processo de construção de calçadas é necessário, em primeiro lugar, retirar a licença. Isso pode ser feito nas Secretarias Regionais ou na Conurb, com exceção da Secretaria do Centro. Portanto, moradores dos bairros Anita Garibaldi, Atiradores, América, Bucarein, e Centro deverão requerer licença na Conurb. A taxa para o requerimento da licença é de R$ 17,45, e é preciso apresentar CPF e IPTU.

O proprietário preenche um requerimento e recebe orientações para a construção. Após construir a calçada, o proprietário solicita a vistoria e ganha o certificado de conclusão caso a obra esteja de acordo com as normas técnicas exigidas pela legislação municipal (Lei Complementar 202/06). No caso de reprovação, o fiscal da Conurb preenche um formulário com as adequações que devem ser feitas. Na sequência, o contribuinte solicita a segunda vistoria pelo telefone 3431-1535.

Conforme a legislação municipal, as alíquotas de IPTU são diferenciadas. Os imóveis residenciais, construídos em ruas pavimentadas, com calçada certificada, têm alíquota de 0,5% a 0,85%. Já os imóveis residenciais sem calçada têm alíquota de 2%. Segundo o diretor Técnico Operacional da Conurb, Renato Godinho, além da diferenciação no IPTU, a calçada certificada contribui para a acessibilidade de todos. “Calçada certificada é a garantia de segurança para pedestres e acessibilidade para todos os cidadãos”, complementa.

O lixo dentro de nós // blog do Tass

http://vimeo.com/midway/midwayfilm

Um homem é o que come. Nunca um filme foi tão direto ao ponto. Aquele saquinho de lixo inocente atirado na rua ou na praia tem um destino: o nosso estômago representado no filme acima por pássaros tão inocentes quanto impotentes diante da “comida” que recebem goela abaixo pela civilização mais avançada da Terra.
“A Ilha de Midway”, como o nome sugere, fica no meio do caminho entre a Ásia e a América no Norte, no Oceano Pacífico. Trata-se, na verdade, de um atol de apenas 6.2 km², que recebe um trágico conjunto de correntes marinhas que fazem o lixo despejado pelos humanos nas praias e no mar, composto 90% por plástico, caminhar pelo oceano até a goela dos pássaros que lá habitam.
O morador mais ilustre do atol de Midway é o albatroz Laysan. Pesquisas mostram que praticamente todos os pássaros têm plástico em seus aparelhos digestivos. Dos cerca de 1,5 milhão de albatrozes que habitam a ilha, pelo menos 1/3 morre em consequência disso.

Imagem: U.S. Fish and Wildlife Service
Desde 2009, Chris Jordan- um artista de Seattle, cidade da costa oeste americana que deve ser responsável por grande parte desse lixo- se dedica ao projeto “Midway: Message from the Gyre”, série de fotografias de filhotes de albatroz “assassinados” pelos objetos de plástico ingeridos na costa da Midway Island. O trailer acima é o passo seguinte, um documentário, previsto para o final de 2013 que está sendo financiado por doações de pessoas do mundo todo via internet. Atingiu o seu objetivo anteontem, dia 18/02, mais de 100 mil dólares, no KickStarter
Na Segunda Guerra Mundial, ironicamente, o atol de Midway foi palco de uma das mais sangrentas batalhas navais da história. Seis meses após ao ataque japonês a Pearl Habor, a marinha norte-americana destruiu a japonesa na que foi considerada a mais importante da campanha no Pacífico durante a Segunda Guerra.
Por sua localização estratégica, assim como Pearl Habor, Midway também hospedava um base militar para proteger a costa norte-americana. Hoje é um sintoma do estado doentio da civilização. Que este sinal de alerta seja ouvido pelo maior número de pessoas e nos conduza para ação em direção à saúde dos albatrozes e dos nossos próprios estômagos. Espalhe!

Foto: Chris Jordan

Para tirar os primeiros venenos do seu prato

Brasileiros ingerem 14 pesticidas ultra-tóxicos, proibidos em dezenas de países. Campanha quer vetá-los e chamar atenção para viabilidade da agroecologia
Fonte: Bog da Redação
http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/07/31/para-tirar-os-primeiros-venenos-do-seu-prato/



Por Bruna Bernacchio
A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que mobiliza cerca de 70 grandes organizações, está divulgando nacionalmente um abaixo-assinado, que pode ser impresso ou assinado virtualmente, chamando atenção ao uso abusivo, no Brasil, de venenos usados nas lavouras. O alvo principal são 14 tipos de agrotóxicos, que têm em sua composição princípios ativos banidos em dezenas de países. Entre eles estão o Endosulfan (proibido em 45 países), Cihexatina (vedado na União Europeia, Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Japão, Líbia, Paquistão e Tailândia, entre outros), e Metamidofós (proibido, por exemplo, na União Europeia, China, Índia, e Indonésia), (veja lista completa e detalhada).

Nos últimos quatro anos, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e passou a ocupar a posição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Enquanto no no mundo a média do uso desses produtos cresceu 93% entre 2000 e 2010 (substituindo, em muitos casos, o veneno químico pelo controle natural de pragas), no Brasil o percentual foi muito superior (190%).
Chamam atenção as pressões da indústria de agrotóxicos para evitar qualquer tipo de controle sobre seus produtos. Há anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu processo para rever a autorização para uso das 14 substâncias já banidas em dezenas de países. Destas, apenas quatro foram de fato proibidos – Acetato, Cihexatina, Metamidofós e Tricloform; e um (Endossulfam) deixará o prato dos brasileiros apenas em julho de 2013.

A demora deve-se à pressão de empresas que comercializam os agrotóxicos e dos grandes produtores rurais. O gerente- geral de toxicologia do órgão, Luis Claudio Meirelles, declarou ao jornal Brasil de Fato: “A reavaliação já enfrentou vários debates e inúmeras ações na Justiça. Inclusive, quando a gente decide pelo banimento do produto, tentam derrubar nossa decisão”.
A campanha contra os 14 venenos trabalha com três objetivos: informar a sociedade a respeito dos efeitos degradantes dos agrotóxicos ao meio ambiente, à saúde do trabalhador rural e à população; pressionar o governo para interromper a expansão do uso desses venenos; e pautar a necessidade de mudança do atual modelo agrícola (baseado na monocultura e em grandes propriedades) para uma agroecologia camponesa sustentável.

ASSISTA AO FILME
http://youtu.be/8RVAgD44AGg

Um vasto dossiê científico embasa estas metas. Foi produzido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) e tem três partes: “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde”, publicada em abril; “Agrotóxicos, Saúde e Sustentabilidade”, lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20 / Cúpula dos Povos), em junho; e “Agrotóxicos, Conhecimento e Cidadania”, que sairá em novembro, no X Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Porto Alegre (RS).

Segundo o dossiê, esses 14 componentes, assim como qualquer outro agrotóxico no mundo, podem ocasionar problemas no sistema nervoso, imunológico e reprodutivo, além de terem alto potencial cancerígeno. Alguns dos efeitos mais comuns são: cansaço, dores, alergias, morte celular levando a variadas síndromes, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, diminuição da produção de anticorpos, alteração nos hormônios, deformação no feto, aborto, entre muitas outras doenças crônicas.

Dados da Anvisa atestam que, na última safra brasileira (segundo semestre de 2010 e primeiro de 2011), o mercado nacional de agrotóxicos movimentou 936 mil toneladas de produtos, sendo 246 mil importadas. São 7 bilhões de dólares, 80% dos quais concentrado em apenas seis grandes empresas transnacionais: Monsanto; Syngenta; Bayer; Dupont; DowAgrosciens e Basf.
São 852,8 milhões de litros de agrotóxicos para 71,1 milhões de hectares de área plantada (com alimentos e outros produtos, como os que vão se transformar em combustível) e a expansão não pára. No gráfico abaixo é possível visualizar, passou-se de 10,5 litros por hectare (l/ha) em 2002, para 12,0 l/ha em 2011. No prato do consumidor, isso significa uma média de 4,5 litros de veneno ingeridos no ano.

Estas e outras informações podem ser vistas no documentário “O Veneno está na mesa”, disponível gratuitamente no site da Campanha. O site da Articulação Nacional da Agroecologia é uma boa fonte para quem quer saber mais a respeito dessa que é a principal alternativa, em construção, ao modelo do agronegócio. Abaixo, as principais exigências específicas da Campanha:

- Exigir que o MDA e Banco Central determinem a que seja proibido a utilização dos Créditos oriundos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF para a aquisição de agrotóxicos, incentivando a aquisição/utilização de insumos orgânicos e a produção de alimentos saudáveis;
– Exigir da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – a reavaliação periódica de todos os agrotóxicos autorizados no país, além de aprofundar o processo de avaliação e fiscalização à contaminação de água para consumo público;
– Que os governos estaduais e assembleias legislativas proíbam a pulverização aérea (feita pela aviação agrícola) de agrotóxicos em seus estados;
– Que o Ministério da Saúde organize um novo padrão de registro, notificação e monitoramento no âmbito do Sistema Único de Saúde dos casos de contaminações, seja no manuseio de agrotóxico, seja na contaminação por água, meio ambiente ou alimentos, orientando a todos profissionais de saúde para esses procedimentos;
– Que haja fiscalização para que se cumpra o código do consumidor e todos os produtos alimentícios tragam no rótulo se foi usado agrotóxico na produção, dando opção ao consumidor de optar por produtos saudáveis;
– Aumentar a fiscalização das condições de trabalho dos trabalhadores expostos aos agrotóxicos, desde a fabricação na indústria química até a utilização na lavoura e o manuseio no transporte;
– Exigir que o Ministério Público Estadual e Federal, e organismos de fiscalização do meio ambiente, fiscalizem com maior rigor o uso de agrotóxicos e as contaminações decorrentes no meio ambiente, no lençol freático e nos cursos d’água.

BASF e Shell apresentam proposta de indenização aos trabalhadores contaminados por poluentes organoclorados em Paulínia (SP)

 

Publicado em fevereiro 15, 2013 por
 Ex-trabalhadores das multinacionais Shell do Brasil (atualmente Raízen) e Basf S/A aguardam em frente ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) audiência de conciliação entre o Ministério Público do Trabalho e as empresas
Brasília, 14/2/2013 – Ex-trabalhadores das multinacionais Shell do Brasil (atualmente Raízen) e Basf S/A aguardam em frente ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) audiência de conciliação entre o Ministério Público do Trabalho e as empresas. Em discussão, um acordo para encerrar uma ação que tramita no Judiciário há aproximadamente seis anos, cujo valor indenizatório ultrapassa R$ 1 bilhão.Foto de Antonio Cruz/ABr

A Raizen Combustíveis S. A. (Shell) e BASF S.A. apresentaram nesta quinta-feira (14) uma proposta de indenização aos trabalhadores contaminados por poluentes organoclorados em uma fábrica de praguicidas em Paulínia (SP). O processo é a maior causa trabalhista em tramitação hoje na Justiça do Trabalho, com uma indenização por danos morais coletivos estimada em mais de R$ 1 bilhão. Em audiência de conciliação convocada pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, as empresas se comprometeram a fornecer tratamento de saúde vitalício aos trabalhadores e seus dependentes, ao pagamento de indenizações individuais por danos morais no valor global de R$ 52 milhões aos 884 beneficiários já identificados, além de indenização por danos morais coletivos a ser fixada.

Após a apresentação da proposta e reuniões em separado do presidente do TST com as partes, ficou marcada nova audiência de conciliação para o dia 28 de fevereiro, quando trabalhadores e o Ministério Público do Trabalho poderão apresentar contrapropostas. Caso não haja acordo, o ministro Dalazen apresentará uma proposta de conciliação.

“Está no DNA da Justiça do Trabalho promover tentativas de conciliação, muito mais num processo dessa natureza, seguramente o processo trabalhista de maior vulto hoje”, afirmou o ministro ao fim da audiência. “É uma indenização que pode chegar à cifra de R$ 1 bilhão, sem se falar nas obrigações que as empresas buscam assumir de prestação de assistência médica vitalícia a cerca de mil trabalhadores e seus dependentes atingidos por uma contaminação ambiental de grandes proporções”.
O presidente do TST considera que houve avanço significativo com a audiência, pois, pela primeira vez, as empresas apresentaram uma proposta objetiva que os trabalhadores e o Ministério Público do Trabalho poderão estudar e, se for o caso, apresentar contraproposta. Segundo ele, a conciliação neste caso é muito importante, porque o processo é muito complexo e sua liquidação (cálculo das quantias devidas) pode levar anos, devido ao grande número de pessoas envolvidas. “A negociação prossegue, mas foi muito positiva e estimulante a tentativa de conciliação porque há uma perspectiva, a meu juízo, bastante palpável, de que as partes até o final do mês alcancem a conciliação”, disse Dalazen.

Proposta
Para custear o tratamento médico vitalício das vítimas, as empresas propuseram a criação de um fundo com valor inicial de R$ 50 milhões para custeio das despesas. Segundo a proposta, seria estabelecido, em comum acordo, um gestor de pagamentos responsável pelo recebimento e análise dos requerimentos, e o valor do fundo seria complementado sempre que necessário. A discussão e a decisão de casos controversos ficariam por conta de uma junta médica formada por representantes das duas partes e um médico independente, e as vítimas continuariam a dispor de atendimento hospitalar de emergência.

As empresas também apresentaram proposta de indenização por danos materiais e morais por grupo familiar habilitado, incluindo o trabalhador e seus dependentes. O valor foi calculado conforme o período trabalhado nas empresas e abrange, também, trabalhadores autônomos e terceirizados. De acordo com as empresas, o valor médio da indenização é de R$ 120 mil por grupo familiar, atingindo, no máximo, R$ 330 mil.

Quanto à indenização por danos morais coletivos, fixada pela juíza da 2ª Vara do Trabalho de Paulínia e estimada atualmente em R$ 1 bilhão, a empresa afirma que pretende pagar o valor em conformidade com a jurisprudência do TST.
(Pedro Rocha/CF)
Processo: RR 22200-28.2007.5.15.0126
Informe do TST, publicado pelo EcoDebate, 15/02/2013

Programa remunera Acre por resultados contra desmatamento

 

Maura Campanili
 
Karl-Heinz Stecher, coordenador do programa REDD Early Movers (REM) e economista para a área de mudanças climáticas do KfW
As ações pioneiras do Estado do Acre no combate ao desmatamento, através da implantação de um Sistema de Incentivos aos Serviços Ambientais (Sisa), sistema esse aprovado por lei em outubro do ano 2010, foram reconhecidas internacionalmente. O governo alemão incluiu o Acre em seu programa REDD Early Movers (REM). Segundo Karl-Heinz Stecher, coordenador do programa REM e economista para a área de mudanças climáticas do KfW, o estado brasileiro foi escolhido pelos resultados que conseguiu tanto na redução do desmatamento quanto na implantação de políticas públicas que podem ter um efeito multiplicador tanto no Brasil como internacionalmente.


Clima e Floresta - O que é o Programa REDD Early Movers (REM) e por que o KfW resolveu investir nele?
Karl-Heinz Stecher - O programa REM foi desenvolvido depois da COP 15, em Copenhague, quando percebemos que as negociações do clima não iam chegar a um resultado tão cedo. Ficou claro, na ocasião, que o mecanismo de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação florestal (REDD), que havia se transformado numa grande expectativa para viabilizar enormes reduções de emissões - se falava até de 30% do que era necessário para ficar no patamar de aquecimento não superior a 2º C - ficou refém da lentidão das negociações no âmbito da convenção do clima. O quê fazer numa situação destas? Como contribuir para enfrentar o desânimo crescente? Como evitar que os que tinham investido muita criatividade, empenho e dinheiro para preparar-se para REDD não desanimassem de vez ou fossem desautorizados por seus superiores, governadores e presidentes por falta de recursos? O REM pretende dar uma modesta contribuição para um financiamento ponte (interino) de REDD. O programa dispõe, na sua fase inicial, de aproximadamente R$ 120 milhões no nível global. São recursos do governo alemão, disponibilizados através do Ministério de Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) . Esperamos que esses recursos cresçam durante os próximos anos. Ficamos muito animados com o grande interesse no programa, tanto por potenciais early movers, quanto por outras agências de cooperação. REM é essencialmente um programa de pagamentos sobre resultados na redução de emissões. Para a Alemanha, o programa REM é importante porque tem grande potencial multiplicador e catalisador para iniciativas que pretendem evitar o desmatamento.
 
Clima e Floresta - Por que o estado do Acre foi escolhido para receber estes recursos? Qual o seu montante e como e para que será pago?
Stecher - O estado do Acre foi escolhido por ser considerado um early mover. Talvez seja o early mover mais autêntico do mundo. Ainda lembro quando recebi a noticia da morte de Chico Mendes. Estava na cidade de São Paulo e foram comoventes as informações que chegavam do Acre. Eu, que não tinha a menor noção do que era a Amazônia brasileira, fiquei profundamente impressionado com a força da notícia da morte, que mexeu com a opinião pública de então. Foi um longo caminho desde a luta dos seringueiros até a lei estadual do Sisa. Muita luta e suor de muita gente: povos da floresta, movimentos sociais, pesquisadores, partidos políticos, secretários de meio ambiente, ONGs e institutos especializados, como o IPAM e muitos outros. O que conta, porém, não é o esforço, mas o resultado. O desmatamento no Acre, que ainda foi muito forte alguns anos atrás, começou a ceder. Os últimos governos estaduais têm tido um papel decisivo. O desmatamento não cedeu porque alguém encontrou uma fórmula mágica. Foi um conjunto de políticas públicas: o planejamento econômico-ecológico; o cadastro de propriedades rurais; a capacitação para lidar com sistemas sustentáveis de produção; créditos e impostos mais focalizados para apoiar a agricultura familiar sustentável; como também incentivos ambientais específicos. O montante do projeto REM-Sisa é de aproximadamente R$ 45 milhões. Os recursos serão pagos pelos resultados do desmatamento evitado dos anos 2012 a 2015. O desmatamento será medido pelo Prodes/Inpe e as reduções de emissões validadas pelo comitê científico do Sisa. Cabe lembrar que não haverá nesta transação nenhum tipo de “offsetting” e nem a comercialização de créditos no mercado voluntário de carbono.
 
Clima e Floresta - Este é o primeiro programa do gênero no mundo? Por que é importante um apoio como esse para um governo subnacional?
Stecher - O REM não está trabalhando com projetos locais. O que interessa é, em plena conformidade com os esforços no âmbito da convenção do clima e o fortalecimento de políticas nacionais de REDD. Isto é importante para não repetir os erros do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), de perder de vista o empenho setorial e ficar sem condições de controlar a fuga de carbono. Quer dizer, o deslocamento do desmatamento de um lugar para outro. Mas aparecem outros problemas: se abre uma grande distância entre os incentivos em nível nacional e o que é necessário em nível local para controlar os impulsores do desmatamento. Nesse sentido, o enfoque subnacional é muito promissor, porque permite – ainda mais num país federativo e de dimensões imensas como o Brasil – evitar a maior parte da fuga de carbono e estar mais perto dos atores locais para atacar os indutores do desmatamento. Em termos de repartição de benefícios, não tem como ultrapassar os estados. Seria um exercício muito abstrato, porque são os estados que retêm competências diversas que impactam o combate ao desmatamento. Ao mesmo tempo, qualquer atividade em nível estadual precisa ser estreitamente vinculada à política do governo federal, no que se refere as metodologias de medição da redução de emissões, ao monitoramento e à estrutura dos incentivos, como também às metas de redução do desmatamento em geral.
 
Clima e Floresta - O IPAM participou do desenho do programa REM no Estado do Acre. Por que esta participação foi importante?
Stecher - O IPAM participou de vários momentos em debates e na execução de estudos específicos. Para o KfW, foi importante ter um parceiro que reunia várias competências numa só equipe: ser co-impulsor e promotor da agenda REDD em nível internacional, ter experiência de implementação de políticas de combate ao desmatamento em nível local e ter um conhecimento profundo dos mecanismos políticos vigentes na área florestal do Brasil. Tanto o rigor científico para montar uma contabilidade de carbono robusta como a capacidade de conceituar e operacionalizar propostas, como o stock and flow, para conseguir um sistema justo de repartição de benefícios. Essas capacidades foram essenciais para fazer frente aos múltiplos desafios que surgem no contexto de uma iniciativa inovadora como a cooperação Sisa-REM.
 
Clima e Floresta - Quais são os resultados esperados pelo KfW para o financiamento feito para o Acre e que tipo de projeto deverá ser beneficiado com os recursos?
Stecher - O REM remunera resultados na redução do desmatamento. O primeiro pagamento foi referente ao ano 2012. Futuros pagamentos serão sempre condicionados aos resultados dos anos subsequentes até 2015. Já a repartição de benefícios começará por dois programas do governo do estado direcionados às Cadeias Produtivas Sustentáveis e à Economia de Baixo Carbono. Novos programas poderão ser desenvolvidos futuramente. Além da redução de emissões, outros resultados esperados são os efeitos positivos sobre a biodiversidade. Os impactos socias dos programas serão medidos a partir de estudos específicos. No nível estrutural, o projeto visa a consolidação e ampliação do Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais de Acre (Sisa) como mecanismo inovador de financiamento de serviços ambientais.
 
Clima e Floresta - Como será realizada a avaliação e o impacto desse financiamento para o Sisa?
Stecher - Como já falei, se trata de um programa de pagamentos sobre resultados. Se não houver resultados em termos de redução de emissões, não haverá pagamentos nos próximos anos. Segundo, vamos acompanhar se a consolidação e ampliação do Sisa em termos operativos e de impacto está sendo atingida. E, finalmente, vamos monitorar os impactos sociais e ecológicos dos programas de repartição de benefícios. Isto vai acontecer a partir dos próprios órgãos do Sisa, como a Comissão Estadual de Validação e Acompanhamento do Sisa (Ceva), que é composta de membros de três conselhos diferentes (Conselho de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Conselho de Florestas e Conselho de Desenvolvimento Rural Florestal Sustentável) e garantirá a transparência e o controle social dos programas e subprogramas a serem financiados através do Sisa. Também serão feitos estudos específicos para medir o impacto.
 
Clima e Floresta - O Brasil tem como meta reduzir o desmatamento em até 80% até 2020. Como o senhor imagina o impacto desse financiamento e dos programas de REDD para o Brasil ou outros países detentores de florestas tropicais?
Stecher - O REM está desenhado como programa global para financiamento ponte de REDD. Queremos apoiar o avanço da fase um do preparar-se (readiness), para o concreto das fases dois (implementação piloto de early actions) e três (redução de emissões verificadas a partir de critérios e medidas aprovadas internacionalmente), no esquema definido no âmbito da COP de Copenhague. O Brasil é o país que tem dado mais ânimo a agenda REDD, por ter conseguido reduzir significativamente o desmatamento da Amazônia, de 27.000 km², em 2004, para 4.656 km², em 2012. A atuação dos estados da federação é complementar à atuação do governo federal. Consideramos que sistemas como o Sisa podem fazer uma verdadeira diferença. Ficamos felizes quando a experiência do Acre inspira outros estados, como recentemente foi o caso com a aprovação da lei que cria o Sistema Estadual de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) no Estado de Mato Grosso, sistema muito similar ao Sisa do Acre. É exatamente este o objetivo do REM: recompensar os esforços dos pioneiros para que outros sigam o seu exemplo, tanto nacional como internacionalmente.

‘Numeros’ do Clima: 1/5, artigo de Alexandre Costa

Números
Na semana que se encerrou ontem, tive a oportunidade de discutir a questão climática em dois eventos: a exibição do documentário “6 graus” no Projeto “Arte e Crítica”, na Universidade Estadual do Ceará e a mesa de abertura do “Seminário Ecossocialista” do PSOL-CE.
“Seminário Ecossocialista”

Em ambas as situações, ficou claro para mim que existe a necessidade de construir o entendimento, por parte das pessoas, de que o aquecimento global é um fenômeno real, já presente e em aceleração, de que o mesmo é motivado pelo acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre e de que o aumento da concentração desses gases se dá em virtude das atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis. Há, também, que se deixar a mensagem de que o corpo científico que trabalha na construção da Ciência do Clima, investigando, publicando, elaborando os relatórios do IPCC (e, no Brasil, do PBMC), etc., é uma comunidade séria e confiável e que, na eterna imperfeição e incompletude da Ciência, apresenta ao público a última palavra do conhecimento na área e de que se há erros nas projeções anteriores do IPCC, a maioria desses erros se dá ao se subestimar a velocidade das mudanças (vide degelo do Ártico e elevação do nível dos oceanos).
Mas percebi que há algo que causa impacto, ao falarmos. São determinados números, que mostram como é crítico agir com rapidez para deter a locomotiva descontrolada do aquecimento global (Nesse sentido, por experiência própria, vi como a campanha “Do the Math”, de Bill McBibben e da 350.org é interessante). E aí, resolvi colocá-los de forma sintética aqui:
0,8°C – É o aquecimento global já ocorrido desde a era pré-industrial. Ainda que aparentemente modesto, já é suficiente para provocar alterações na distribuição de eventos extremos, principalmente de ondas de calor e produzir redução significativa em diversas geleiras e no gelo marinho do Ártico.
2°C – É o aquecimento considerado como um limiar crucial, que se deve evitar a fim de que diversos ecossistemas marinhos e terrestres não entrem em colapso e para que determinados mecanismos de retroalimentação do aquecimento global não sejam disparados, fazendo com que este ganhe, irreversivelmente, vida própria.
3°C – É a melhor estimativa da chamada sensibilidade do sistema climático, isto é, o aquecimento esperado em função da duplicação da concentração atmosférica de CO2, explicada em maiores detalhes neste texto.
280 ppm – É a concentração de CO2, que permaneceu praticamente constante, por cerca de 10 mil anos, antes do período pré-industrial.
350 ppm – Concentração de CO2 atmosférico que, segundo estudos científicos, é o limite máximo para o qual se espera uma estabilização do clima em condições similares àquelas em que a civilização humana floresceu e à qual a biota terrestre se adaptou nos últimos milhares (e até centenas de milhares ou milhões) de anos. Esse limite foi ultrapassado em 1988, como mostro neste texto.
391 ppm – É o valor da concentração de CO2 atmosférico que foi ultrapassado pela média anual de 2011. Em 2012, essa média (que será divulgada no início de janeiro) deve chegar a 393-394 ppm. Ainda que essa concentração parasse de crescer, ela já nos levaria (após algumas décadas, até o sistema climático chegar próximo do novo equilíbrio) a um aquecimento duas vezes maior do que o já verificado em relação à era pré-industrial. Além da influência sobre o clima, esse valor elevado de concentração de dióxido de carbono na atmosfera tem levado à acidificação dos oceano e a uma mortandade brutal de corais, pequenos moluscos e de vários organismos que dependem da fixação de carbonato de cálcio para permanecerem vivos. Vários deles estão na base da cadeia alimentar e sua morte pode transformar os oceanos em vastos cemitérios azuis.
450 ppm – É a concentração de CO2-equivalente (isto é, considerando o efeito do metano, óxido nitroso, halocarbonetos, aerossóis, etc.) que deve ser evitada, a fim de que o aquecimento global fique limitado a dois graus. A um crescimento de mais de 2 ppm/ano, como tem sido a tendência, o risco de se chegar a esse valor em duas décadas ou menos é enorme.
10.000 anos – Tempo em que as concentrações de CO2 atmosférico se estabilizaram em torno de 280 ppm, após o final do Último Máximo Glacial
800.000 anos – Duração do registro paleoclimático da concentração gases de efeito estufa e estimativa de temperatura obtidos estudando-se o gelo da Antártica. Em todo esse período, o CO2 atmosférico oscilou de valores ligeiramente abaixo de 200 ppm (nos períodos glaciais ou “eras do gelo”) a no máximo 300 ppm (durante os chamados “interglaciais”, que aconteceram aproximadamente a cada 100 mil anos)
3.000.000 de anos – Provavelmente o que é preciso retroceder no tempo, a fim de se encontrar concentrações atmosféricas de CO2 acima de 400 ppm.
565 bilhões de toneladas – Quantidade de carbono fóssil (no petróleo, carvão e gás natural) que se pode queimar sem que se ultrapasse o limite de 450 ppm
2795 bilhões de toneladas - Quantidade de carbono nas jazidas fósseis (petróleo, carvão e gás natural) já comprovadamente conhecidas
3700 bilhões de toneladas - Estimativa da quantidade de carbono existente em todas as jazidas fósseis.
1/5 - Fração do carbono fóssil em jazidas comprovadas que pode ser queimada sem colocar sob risco extremamente severo o sistema climático terrestre.
É possível e necessário respeitar esse último número. Não sem uma intervenção séria no processo produtivo, claro, mas é factível. Há que se substituir rapidamente a matriz energética, saindo de fontes fósseis para fontes renováveis (solar, eólica, maremotriz, etc.), inclusive com geração de energia nas próprias cidades, em escala residencial. Há que se aumentar a eficiência energética. Há que se mudar radicalmente o modo de nos transportarmos, com ênfase no transporte público não-poluente e no multimodalismo. Há que se incidir seriamente sobre a questão do consumismo, reduzindo a voracidade de nossa espécie por energia, neste atual estilo de vida. Há que se estabelecer mecanismos de regulação severos que assegurem maior durabilidade dos produtos, que impeçam a obsolescência programada e que garantam a logística reversa. Se isso implica em abrir mão de supérfluos, tipo o celular da moda, o SUV ou o capitalismo, que o façamos…
Alexandre Costa, Fortaleza, Ceará, Brazil, é Ph.D. em Ciências Atmosféricas, Professor Titular da Universidade Estadual do Ceará.
Artigo indicado pelo Autor e originalmente publicado em seu blogue pessoal [O que você faria se soubesse o que eu sei?] e republicado pelo EcoDebate, 18/12/2012

Consumidor doméstico que gerar e fornecer energia poderá ter abatimento em conta de luz

Desde ontem (17), o consumidor que também gerar energia e fornecer seu excedente às concessionárias poderá ter o valor da conta de luz reduzido. A possibilidade está prevista em resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) segundo a qual residências ou empresas microgeradoras – com capacidade de até 100 quilowatts (kW) – ou minigeradoras – até 1 megawatt (MW) – terão direito a compensação na conta proporcional ao valor da energia repassada.
Para falar desse assunto, o programa Revista Brasil, da Rádio Nacional entrevistou hoje o coordenador da campanha Clima e Energia, do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo. Segundo ele, a Resolução 482/2012 é “um grande estímulo” e o “primeiro passo” para o avanço da energia solar no Brasil.
“Em todos países onde a energia solar deslanchou, como Alemanha, Espanha e Japão, tudo começou com algum tipo de incentivo. No Brasil, há uma adaptação disso [que já foi feito por lá]. Todo mundo poderá gerar energia limpa em casa e economizar na conta de luz”, disse Baitelo. Ele explica que a concessionária terá, no máximo, de 80 a 100 dias – após manifestação de interesse, pelo consumidor, em gerar energia – para viabilizar o negócio.
“O Brasil tem um enorme potencial para ter esse tipo e geração. Temos uma série de vantagens que os outros países não têm. Alemanha e Espanha tiveram de colocar tarifas promocionais para estimular as pessoas a instalarem equipamentos. Aqui no Brasil, a gente tem sol o ano inteiro. Se observarmos a variação de radiação solar entre inverno e verão, ela é mais viável e, mesmo custando mais caro, vale a pena”, disse o coordenador do Greenpeace.

“Durante o dia, as pessoas saem de casa e, com o sol brilhando, estariam gerando energia [ainda que sem utilizá-la]. À noite, quando o sol se põe, não havendo baterias [para armazenamento da energia] neste sistema [com painéis solares], se poderia puxar de volta a energia que foi disponibilizada à concessionária. Seria uma troca de favores constante [entre consumidor e concessionárias]”, acrescentou.

As concessionárias pediram, em meio às negociações com a Aneel, um pequeno requisito técnico para integrar os minigeradores ao sistema. “Você declara interesse, ela [a concessionária] se certifica de que o sistema atende aos critérios de segurança, até para evitar possibilidades de acidentes quando um técnico dela fizer visitas de manutenção. As concessionárias vão ajudar, inclusive, a adquirir equipamentos paralelos também, como medidor de energia adicional, para detectar fluxo de energia da casa até a concessionária”.

Baitelo informou que o custo desse tipo de equipamento está caindo vertiginosamente, mas admite que permanece caro para os padrões brasileiros. “No Brasil ainda é um pouco caro, com os custos variando, inclusive, em função da região ou estado e dos valores das tarifas”, ponderou. Mais informações sobre o assunto poderão ser obtidas no site da Aneel.

Governo e sociedade civil definem metas de desenvolvimento sustentável

 


18/12/2012 - 6h31
Carolina Gonçalves e Renata Giraldi
Repórteres da Agência Brasil
Brasília – Negociadores do Brasil, de vários segmentos da sociedade, que participaram da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começam a definir hoje (18), em Brasília, as prioridades do país no âmbito das metas a serem adotadas globalmente. As metas devem ser implementadas a partir de 2015, mas antes têm de ser submetidas a discussões nas Nações Unidas.

A partir de 2015, todas as economias do planeta terão que seguir compromissos e ações estabelecidos no quadro dos objetivos do desenvolvimento sustentável - acordo firmado durante a conferência., em junho, no Rio de Janeiro.
No Brasil, o debate que começou entre representantes do governo, que definiram como prioridade a erradicação da pobreza no mundo, será ampliado com a inclusão de sugestões da sociedade civil e do setor privado. Um grupo de mais de 50 pessoas se prepara para definir hoje à tarde o que deve ser proposto na agenda global.

“Vamos consultar quais são as ideias de diferentes segmentos e o que entendemos como objetivos do desenvolvimento sustentável”, disse o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, subsecretário-geral do Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores e coordenador-geral da Rio+20.
Figueiredo destacou que diferentemente do documento que estabelece os Objetivos do Milênio, no qual há metas para os países em desenvolvimento direcionadas principalmente ao combate à pobreza e à miséria, os compromissos do desenvolvimento sustentável “não se traduzem, necessariamente, em metas nacionais”.

“São objetivos para o mundo inteiro, tendo como filosofia o que o planeta e a humanidade necessitam como um todo”, ressaltou o diplomata. As metas serão globais. Se os países signatários das Nações Unidas definirem, por exemplo, que é preciso aumentar a eficiência energética global em 20%, cada país terá cotas específicas para que a soma de todos os esforços atinja a meta estipulada.
“As metas serão globais e vão valer para os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos, em diferentes níveis de exigência. Mas, em muitos casos, o esforço maior será dos países desenvolvidos”, disse Figueiredo. Seria o caso, por exemplo, de um compromisso em busca de energias mais limpas.

Como o Brasil já tem mais de 80% da matriz de energia elétrica formados por fontes alternativas, a exigência maior recairia sobre economias que ainda utilizam, majoritariamente, fontes consideradas “sujas e não sustentáveis”.

As propostas que serão apresentadas pelos representantes da sociedade civil e por empresários e consolidadas com as sugestões do governo brasileiro serão entregues a uma comissão de 30 integrantes, que começa a se reunir em janeiro para alinhavar as sugestões gerais do Brasil. O documento acordado deve ser submetido à discussão nas Nações Unidas, juntamente com as propostas de outros países.
Edição: Graça Adjuto

Chevron e MPF acertam pagamento de R$ 311 milhões por vazamentos de petróleo no Campo de Frade

 

Publicado em dezembro 17, 2012 por
 vazamentos de petróleo no Campo de Frade

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro e a empresa petrolífera Chevron chegaram a um acordo no valor de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelos vazamentos de óleo ocorridos em uma sonda de perfuração, no Campo de Frade, na Bacia de Campos, em novembro de 2011 e março de 2012. A informação foi divulgada hoje (14), durante audiência pública ocorrida na sede do MPF sobre as consequências do derramamento, com objetivo de construir a minuta do TAC.

O documento, que ainda vai ser assinado, vai garantir à petrolífera a troca de duas ações de R$ 20 bilhões, cada uma, calculadas pelo MPF à época dos vazamentos. Parte do dinheiro ajustado no TAC, cerca de R$ 90 milhões, será usada exclusivamente na recuperação do ambiente marinho e deverá ser gerida pela organização não governamental Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Os cerca de R$ 220 milhões restantes, serão aplicados em medidas de prevenção a futuros desastres ambientais, incluindo a manutenção permanente, nos locais de perfuração, de um navio especializado em retirada de óleo do mar.

A procuradora da República Gisele Porto, responsável pela área de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, considerou que a assinatura do TAC será um recado positivo a toda cadeia petrolífera, de que é melhor investir em prevenção do que arcar com prejuízos por eventuais casos de poluição. “Se chegarmos a medidas compensatórias e a medidas que melhorem a segurança operacional, será um benefício para todos. Porque a decisão vem agora e não daqui a anos, representando um marco para a atividade [petrolífera]”, disse a procuradora.

O diretor de Assuntos Corporativos da Chevron Brasil, Rafael Jaen Williamson, confirmou que a empresa aceitará arcar com o valor do TAC e reconheceu que os episódios deixaram lições para a companhia, como a necessidade de se investir mais em comunicação e segurança. “Nós estamos dispostos a aplicar esses recursos em projetos de desenvolvimento social e ambiental e medidas compensatórias e preventivas”, declarou.

Segundo ele, os cálculos da empresa para a magnitude do vazamento – tomando por base desastres ambientais internacionais maiores e os respectivos valores arbitrados em multas – seriam bem mais modestos, de R$ 30 milhões. Mesmo assim, a empresa aceita pagar dez vezes mais, para encerrar o processo e por acreditar que isso representa uma contribuição ao meio ambiente e à sociedade brasileira.
O superintendente de Segurança Operacional e Meio Ambiente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), Raphael Neves Moura, acompanhou a audiência pública, e disse que a Chevron deverá voltar a explorar petróleo no país até março de 2013.

“Neste momento existe um grupo de condicionantes para que a Chevron restabeleça um ambiente regulatório seguro e volte a operar no Brasil. A partir de agora, a agência começa a desencadear uma série de ações de fiscalização, a bordo da plataforma da Chevron e da sonda da Transocean [empresa que opera a perfuração] e na sede da empresa, onde coletará documentos e informações complementares, com vista a evidenciar se essas condicionantes foram implementadas. Eu acredito que, no primeiro trimestre do ano que vem, tenhamos um resultado desse processo. É possível que a empresa esteja apta a voltar a operar no país até março do ano que vem”, declarou o superintendente da ANP.

A Chevron foi responsável pelo vazamento estimado pela ANP em 3,7 mil barris de óleo, em novembro de 2011, no Campo de Frade. Em março novos vazamentos, em proporções bem menores, ocorreram no mesmo local. Eles foram decorrentes do excesso de pressão aplicada na perfuração dos poços, o que provocou rachaduras nas rochas do leito oceânico, por onde vazou o óleo.
Reportagem de Vladimir Platonow, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 17/12/2012

Segundo complexo eólico da Bahia será inaugurado em 2013


Depois da inauguração do Complexo Eólico Alto Sertão-I, considerado o maior da América Latina, em julho, a Renova Energia anunciou a construção do .... Foto: Divulgação

Depois da inauguração do Complexo Eólico Alto Sertão-I, considerado o maior da América Latina, em julho, a Renova Energia anunciou a construção do Alto Sertão II, que também ficará localizado no estado da Bahia. O empreendimento deve ser entregue em setembro de 2013 com investimento inicial de R$ 1,4 bilhão
Foto: Divulgação
 
Depois da inauguração em julho do Complexo Eólico Alto Sertão-I, considerado o maior da América Latina, no sudoeste da Bahia, a Renova Energia anunciou a construção do Complexo Eólico Alto Sertão II, que ficará localizado nas cidades baianas de Caetité, Guanambi, Igaporã e Pindaí. O acordo da empresa com o Governo Federal prevê a entrega das obras para setembro de 2013. O investimento inicial será de R$ 1,4 bilhão.

O primeiro Complexo, formado por 14 parques eólicos, gera 294 MW de energia por mês, o suficiente para atender 2,1 milhões de habitantes. A expectativa é que o segundo complexo consiga produzir 386 MW divididos em um conjunto de 15 parques - potencial energético para abastecer uma cidade maior que Manaus.

De acordo com a Renova Energia, o empreendimento faz parte dos planos de expansão da empresa. "O início das obras é mais um marco importante na história do setor e simboliza nosso compromisso de continuar investindo na Bahia e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região", afirma Mathias Becker, diretor-presidente da companhia, que pretende instalar outros empreendimentos no estado até 2016. A construção do Complexo empregará 1,3 mil pessoas

Os 230 aerogeradores do Alto Sertão II serão fornecidos pela GE, em um negócio de R$ 820 milhões. A empresa, que investiu US$ 2 bilhões em tecnologias de energias renováveis nos últimos anos, lançou recentemente uma turbina específica para o mercado brasileiro. "O vento é um recurso global, mas cada região do mundo tem condições e parâmetros específicos. O Brasil tem ventos tão favoráveis que era importante investir no desenvolvimento de um equipamento próprio. Projetamos então o modelo 1,85-82,5", explica Vic Abate, vice-presidente global para energia renovável da GE.

O executivo acredita no potencial eólico da América Latina como um todo. "Estamos trabalhando para expandir nossas operações exigências de conteúdo local são importantes para o crescimento do emprego no país. Temos a cadeia de fornecimento e a base de fornecedores para atender a novas exigências do BNDES e ajudar a indústria de energia eólica a continuar crescendo no Brasil", finaliza Abate.

Economídia
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