Brasileiros ingerem 14 pesticidas ultra-tóxicos, proibidos em dezenas de países. Campanha quer vetá-los e chamar atenção para viabilidade da agroecologia
Fonte: Bog da Redação
http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/07/31/para-tirar-os-primeiros-venenos-do-seu-prato/
Por Bruna Bernacchio
A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que mobiliza cerca de 70 grandes organizações, está divulgando nacionalmente um abaixo-assinado, que pode ser impresso ou assinado virtualmente, chamando atenção ao uso abusivo, no Brasil, de venenos usados nas lavouras. O alvo principal são 14 tipos de agrotóxicos, que têm em sua composição princípios ativos banidos em dezenas de países. Entre eles estão o Endosulfan (proibido em 45 países), Cihexatina (vedado na União Europeia, Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Japão, Líbia, Paquistão e Tailândia, entre outros), e Metamidofós (proibido, por exemplo, na União Europeia, China, Índia, e Indonésia), (veja lista completa e detalhada).
Nos últimos quatro anos, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e passou a ocupar a posição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Enquanto no no mundo a média do uso desses produtos cresceu 93% entre 2000 e 2010 (substituindo, em muitos casos, o veneno químico pelo controle natural de pragas), no Brasil o percentual foi muito superior (190%).
Chamam atenção as pressões da indústria de agrotóxicos para evitar qualquer tipo de controle sobre seus produtos. Há anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu processo para rever a autorização para uso das 14 substâncias já banidas em dezenas de países. Destas, apenas quatro foram de fato proibidos – Acetato, Cihexatina, Metamidofós e Tricloform; e um (Endossulfam) deixará o prato dos brasileiros apenas em julho de 2013.
A demora deve-se à pressão de empresas que comercializam os agrotóxicos e dos grandes produtores rurais. O gerente- geral de toxicologia do órgão, Luis Claudio Meirelles, declarou ao jornal Brasil de Fato: “A reavaliação já enfrentou vários debates e inúmeras ações na Justiça. Inclusive, quando a gente decide pelo banimento do produto, tentam derrubar nossa decisão”.
A campanha contra os 14 venenos trabalha com três objetivos: informar a sociedade a respeito dos efeitos degradantes dos agrotóxicos ao meio ambiente, à saúde do trabalhador rural e à população; pressionar o governo para interromper a expansão do uso desses venenos; e pautar a necessidade de mudança do atual modelo agrícola (baseado na monocultura e em grandes propriedades) para uma agroecologia camponesa sustentável.
ASSISTA AO FILME
http://youtu.be/8RVAgD44AGg
Um vasto dossiê científico embasa estas metas. Foi produzido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) e tem três partes: “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde”, publicada em abril; “Agrotóxicos, Saúde e Sustentabilidade”, lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20 / Cúpula dos Povos), em junho; e “Agrotóxicos, Conhecimento e Cidadania”, que sairá em novembro, no X Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Porto Alegre (RS).
Segundo o dossiê, esses 14 componentes, assim como qualquer outro agrotóxico no mundo, podem ocasionar problemas no sistema nervoso, imunológico e reprodutivo, além de terem alto potencial cancerígeno. Alguns dos efeitos mais comuns são: cansaço, dores, alergias, morte celular levando a variadas síndromes, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, diminuição da produção de anticorpos, alteração nos hormônios, deformação no feto, aborto, entre muitas outras doenças crônicas.
Dados da Anvisa atestam que, na última safra brasileira (segundo semestre de 2010 e primeiro de 2011), o mercado nacional de agrotóxicos movimentou 936 mil toneladas de produtos, sendo 246 mil importadas. São 7 bilhões de dólares, 80% dos quais concentrado em apenas seis grandes empresas transnacionais: Monsanto; Syngenta; Bayer; Dupont; DowAgrosciens e Basf.
São 852,8 milhões de litros de agrotóxicos para 71,1 milhões de hectares de área plantada (com alimentos e outros produtos, como os que vão se transformar em combustível) e a expansão não pára. No gráfico abaixo é possível visualizar, passou-se de 10,5 litros por hectare (l/ha) em 2002, para 12,0 l/ha em 2011. No prato do consumidor, isso significa uma média de 4,5 litros de veneno ingeridos no ano.
Estas e outras informações podem ser vistas no documentário “O Veneno está na mesa”, disponível gratuitamente no site da Campanha. O site da Articulação Nacional da Agroecologia é uma boa fonte para quem quer saber mais a respeito dessa que é a principal alternativa, em construção, ao modelo do agronegócio. Abaixo, as principais exigências específicas da Campanha:
- Exigir que o MDA e Banco Central determinem a que seja proibido a utilização dos Créditos oriundos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF para a aquisição de agrotóxicos, incentivando a aquisição/utilização de insumos orgânicos e a produção de alimentos saudáveis;
– Exigir da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – a reavaliação periódica de todos os agrotóxicos autorizados no país, além de aprofundar o processo de avaliação e fiscalização à contaminação de água para consumo público;
– Que os governos estaduais e assembleias legislativas proíbam a pulverização aérea (feita pela aviação agrícola) de agrotóxicos em seus estados;
– Que o Ministério da Saúde organize um novo padrão de registro, notificação e monitoramento no âmbito do Sistema Único de Saúde dos casos de contaminações, seja no manuseio de agrotóxico, seja na contaminação por água, meio ambiente ou alimentos, orientando a todos profissionais de saúde para esses procedimentos;
– Que haja fiscalização para que se cumpra o código do consumidor e todos os produtos alimentícios tragam no rótulo se foi usado agrotóxico na produção, dando opção ao consumidor de optar por produtos saudáveis;
– Aumentar a fiscalização das condições de trabalho dos trabalhadores expostos aos agrotóxicos, desde a fabricação na indústria química até a utilização na lavoura e o manuseio no transporte;
– Exigir que o Ministério Público Estadual e Federal, e organismos de fiscalização do meio ambiente, fiscalizem com maior rigor o uso de agrotóxicos e as contaminações decorrentes no meio ambiente, no lençol freático e nos cursos d’água.
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Para tirar os primeiros venenos do seu prato
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Unknown
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2/18/2013 12:17:00 PM
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Causas Profundas do Subdesenvolvimento, artigo de Millos Augusto Stringuini
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Unknown
em
2/27/2012 03:23:00 AM
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TCU
Publicado em fevereiro 27, 2012 por HC
Esses indicadores sempre serão incompletos, pois o desenvolvimento de um país depende fundamentalmente de sua Gestão Territorial. O grau de administração territorial integrada (gestão territorial) determina o nível de desenvolvimento dos países. Paises com gestão territorial eficaz são desenvolvidos, independentemente da exuberância de suas riquezas naturais. Para entender essa realidade, basta comparar os países nórdicos com países da África ou mesmo da América Latina.
Obviamente, fatores históricos e culturais possuem um peso muito grande nessa comparação. Todavia, hoje, é perfeitamente possível verificar que a evolução positiva de nações está amplamente ligada à gestão territorial. Preservar às águas, manejar adequadamente as florestas, gerenciar os processos de uso dos solos com práticas científicas, éticas e suportadas em matrizes adequadas de financiamento às redes produtivas, certamente, mudam o perfil de uma nação.
No caso brasileiro, o problema é bem conhecido com pouca probabilidade de reversão do quadro atual em curto prazo, pois o Brasil tem por tradição administrativa o culto ao Estado forte, legalista, fiscalista e, por vias de consequência, paternalista, personalista. Essa postura centralizada e centralizadora remonta aos tempos do Império e assim se mantêm nos dias atuais. Por exemplo, falamos em democracia, mas mantemos quase intacta, uma matriz tributária centralizada como nas ditaduras e a administração pública centralizada em todos os níveis prima pela adoção de procedimentos de mandato-controle.
Quando se fala do Marco Legal Ambiental, ufanam-se os brasileiros dizendo possuírem a mais evoluída legislação ambiental do mundo. Todavia, mesmo com essa legislação, continuamos com os rios, lagos e o mar territorial poluídos e as múltiplas formas de contaminação do meio ambiente terrestre e das pessoas. Prova dessa realidade é o equacionamento dos problemas de disposição final dos resíduos sólidos que está longe de ser resolvido no país, contendo um atraso tecnológico de décadas em relação a muitos países desenvolvidos. Os passivos de disposição final de resíduos sólidos existentes no Brasil ainda levarão decênios para serem solucionados na prática.
A realidade é uma só: – mesmo com todos os elementos legais e institucionais existentes, bem como com algumas medidas econômicas de melhoria da distribuição de renda, o Brasil não consegue administrar adequadamente seus enormes passivos sociais e ambientais ou de subdesenvolvimento e degradação ambiental.
Esses fatores de subdesenvolvimento continuam cotidianamente crescendo e gerando novos efeitos negativos, na exata proporção do crescimento populacional concentrado em grandes cidades, associado à estimulação continuada do consumo. As informações sobre violência e a criminalidade social e ambiental crescente, cotidianamente divulgadas por todas as mídias, são provas dessa realidade.
Rios poluídos que não possuem projeto de despoluição, favelas que não possuem projetos de regularização territorial, ampliação da produção de resíduos sólidos com ampliação dos lixões existentes são realidades que não podem ser escondidas e esquecidas.
Associado à falta de Gestão Territorial adequada e, principalmente, do uso corrente de suas eficazes ferramentas, todas elas cientificamente comprovadas, os processos de desenvolvimento no Brasil se mantêm muito pouco presentes para mais de 100 milhões de pessoas. Melhora um pouco aqui, outro pouco lá, mas no contexto geral muito pouco muda, pois as melhorias são aleatórias e intermitentes.
A redistribuição de renda se alterou de forma insuficiente e quase nada evoluímos na solução dos passivos e déficits, na saúde pública, nas infra-estruturas e ambientais. Ao contrário, em muitos casos, pioramos em termos quantitativos e qualitativos e, assim, continuamos com um Custo Brasil elevado.
Esses problemas possuem uma causa profunda, qual seja, muitas instituições públicas estão transformadas em corporações públicas.
Os princípios éticos que devem nortear as instituições públicas são aqueles relacionados com a promoção e a proteção da cidadania e do meio ambiente. Entretanto, quando as instituições públicas se transformam em corporações públicas os princípios éticos passam a sofrer relativização em detrimento dos fatores de promoção interna corporis.
Em todos os cantos do planeta, para as corporações, o desenvolvimento dos países só interessa se trouxerem benefícios “interna corporis”.
No Brasil, o processo corporativista de muitas instituições públicas e privadas é público e notório, sendo cotidianamente apresentado nas mídias, nos incontáveis casos de corrupção. Nada muda, pois corporações não combatem corporações e essas são sempre poderosas, econômica e politicamente.
O jornal Zero Hora (10/7/11), de Porto Alegre, publicou uma entrevista do Senhor ADYLSON MOTTA, ex-presidente do TCU-TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO.
O Senhor Adylson Motta disse:
Carlos Guilherme Mota2, publicou no jornal Estado de São Paulo em 19/02/2012, um artigo intitulado a Metástase da Mediocridade, nele diz:
Por exemplo, muitos dos “sistemas de informática” no Brasil estão impregnados de erros e ilegalidades, mas não existem instituições com poderes de auditoria sobre os mesmos, sem antes serem travadas infindáveis batalhas judiciais que duram anos, fazendo os problemas perderem sentido ao final do processo.
A correção dos erros dos diversos tipos de “sistemas e instituições”, vias de regra, nefandos por incidentes contra a população mais desprotegida, nunca ocorre e seus autores nunca sofrem qualquer tipo de punição. Tudo fica como está até que alguém com poder econômico e ou político seja atingido e exija a correção.
O mesmo ocorre com os problemas ambientais. O enredamento corporativo burocrático e tão grande que a perdedora sempre é a natureza.
O volume de incompetências é tão grave no Brasil que até hoje, em 2012, ainda temos atentados aos direitos humanos. Os maiores exemplos são os reincidentes casos de trabalho escravo ou semi-escravo de brasileiros e estrangeiros no território nacional e as masmorras do Brasil.
Definitivamente, o desenvolvimento de uma nação não comporta relativizações e incompetências, pois deve ser fundado sobre uma pirâmide de competências humanas e institucionais, as quais deverão praticar de forma eficaz a gestão territorial integrada e a ética pública.
Sem mudanças profundas no quadro institucional vigente, com um profundo processo de regionalização nacional e descentralização administrativa, o caminho do subdesenvolvimento social e ambiental continuará aberto e progressivo na nação brasileira.
Prof. Millos A. Stringuini, Dr.Sc.
Biólogo – Doutor em Ciências do Meio Ambiente.
Perito – Consultor Internacional – Projetos e Financiamentos.
Porto Alegre – RS – Brasil
EcoDebate, 27/02/2012
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AS PROFUNDAS DO SUBDESENVOLVIMENTO.
- Millos Augusto Stringuini, Dr. Sc1
Esses indicadores sempre serão incompletos, pois o desenvolvimento de um país depende fundamentalmente de sua Gestão Territorial. O grau de administração territorial integrada (gestão territorial) determina o nível de desenvolvimento dos países. Paises com gestão territorial eficaz são desenvolvidos, independentemente da exuberância de suas riquezas naturais. Para entender essa realidade, basta comparar os países nórdicos com países da África ou mesmo da América Latina.
Obviamente, fatores históricos e culturais possuem um peso muito grande nessa comparação. Todavia, hoje, é perfeitamente possível verificar que a evolução positiva de nações está amplamente ligada à gestão territorial. Preservar às águas, manejar adequadamente as florestas, gerenciar os processos de uso dos solos com práticas científicas, éticas e suportadas em matrizes adequadas de financiamento às redes produtivas, certamente, mudam o perfil de uma nação.
No caso brasileiro, o problema é bem conhecido com pouca probabilidade de reversão do quadro atual em curto prazo, pois o Brasil tem por tradição administrativa o culto ao Estado forte, legalista, fiscalista e, por vias de consequência, paternalista, personalista. Essa postura centralizada e centralizadora remonta aos tempos do Império e assim se mantêm nos dias atuais. Por exemplo, falamos em democracia, mas mantemos quase intacta, uma matriz tributária centralizada como nas ditaduras e a administração pública centralizada em todos os níveis prima pela adoção de procedimentos de mandato-controle.
Quando se fala do Marco Legal Ambiental, ufanam-se os brasileiros dizendo possuírem a mais evoluída legislação ambiental do mundo. Todavia, mesmo com essa legislação, continuamos com os rios, lagos e o mar territorial poluídos e as múltiplas formas de contaminação do meio ambiente terrestre e das pessoas. Prova dessa realidade é o equacionamento dos problemas de disposição final dos resíduos sólidos que está longe de ser resolvido no país, contendo um atraso tecnológico de décadas em relação a muitos países desenvolvidos. Os passivos de disposição final de resíduos sólidos existentes no Brasil ainda levarão decênios para serem solucionados na prática.
A realidade é uma só: – mesmo com todos os elementos legais e institucionais existentes, bem como com algumas medidas econômicas de melhoria da distribuição de renda, o Brasil não consegue administrar adequadamente seus enormes passivos sociais e ambientais ou de subdesenvolvimento e degradação ambiental.
Esses fatores de subdesenvolvimento continuam cotidianamente crescendo e gerando novos efeitos negativos, na exata proporção do crescimento populacional concentrado em grandes cidades, associado à estimulação continuada do consumo. As informações sobre violência e a criminalidade social e ambiental crescente, cotidianamente divulgadas por todas as mídias, são provas dessa realidade.
Rios poluídos que não possuem projeto de despoluição, favelas que não possuem projetos de regularização territorial, ampliação da produção de resíduos sólidos com ampliação dos lixões existentes são realidades que não podem ser escondidas e esquecidas.
Associado à falta de Gestão Territorial adequada e, principalmente, do uso corrente de suas eficazes ferramentas, todas elas cientificamente comprovadas, os processos de desenvolvimento no Brasil se mantêm muito pouco presentes para mais de 100 milhões de pessoas. Melhora um pouco aqui, outro pouco lá, mas no contexto geral muito pouco muda, pois as melhorias são aleatórias e intermitentes.
A redistribuição de renda se alterou de forma insuficiente e quase nada evoluímos na solução dos passivos e déficits, na saúde pública, nas infra-estruturas e ambientais. Ao contrário, em muitos casos, pioramos em termos quantitativos e qualitativos e, assim, continuamos com um Custo Brasil elevado.
Esses problemas possuem uma causa profunda, qual seja, muitas instituições públicas estão transformadas em corporações públicas.
Os princípios éticos que devem nortear as instituições públicas são aqueles relacionados com a promoção e a proteção da cidadania e do meio ambiente. Entretanto, quando as instituições públicas se transformam em corporações públicas os princípios éticos passam a sofrer relativização em detrimento dos fatores de promoção interna corporis.
Em todos os cantos do planeta, para as corporações, o desenvolvimento dos países só interessa se trouxerem benefícios “interna corporis”.
No Brasil, o processo corporativista de muitas instituições públicas e privadas é público e notório, sendo cotidianamente apresentado nas mídias, nos incontáveis casos de corrupção. Nada muda, pois corporações não combatem corporações e essas são sempre poderosas, econômica e politicamente.
O jornal Zero Hora (10/7/11), de Porto Alegre, publicou uma entrevista do Senhor ADYLSON MOTTA, ex-presidente do TCU-TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO.
Conforme a reportagem, Adylson Motta, foi Ministro do Tribunal de Contas da União por sete anos e com cinco mandatos legislativos no currículo, tendo sido testemunha de como os interesses políticos contaminam as decisões do principal órgão de controle das contas públicas do país.
Aquilo que seria um tsunami institucional e jurídico em um país desenvolvido, no Brasil não durou mais que quinze dias de pífia indignação nacional.O Senhor Adylson Motta disse:
Em Brasília, chega a ser perigoso ser honesto.
A legislação é frouxa. E as autoridades, em vez de tornarem as leis ainda mais severas, fazem o contrário. Isso está acontecendo agora, com as licitações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Não há interesse em fiscalização. Um dos maiores problemas do país é a leniência dos governos… o próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurava desmoralizar os órgãos de controle, como o TCU. Não vejo razão para ser otimista. Qual é a melhora que tem havido no Congresso? A única certeza é de que a próxima legislatura será pior do que essa. Deveria haver uma lei, algo parecido com a ficha limpa. Mas hoje quem decide são os partidos. E, sejam governo ou oposição, não têm mais autoridade moral. O maior problema é essa relação incestuosa dos políticos com os empresários. Quem faz uma campanha patrocinada, corrompida, à base de dinheiro de empreiteiras e bancos, vai desempenhar o mandato com as mãos amarradas.
Carlos Guilherme Mota2, publicou no jornal Estado de São Paulo em 19/02/2012, um artigo intitulado a Metástase da Mediocridade, nele diz:
- …. o historiador Eric Hobsbawm gosta muito de nós, e do Brasil. Em uma de suas obras, porém, menciona São Paulo e a Cidade do México como das mais inabitáveis do planeta. Um amor ambíguo, vê-se, como quase todos os amores. Em outra obra, a conhecida A Era dos Extremos, o historiador “muy amigo” diz que o Brasil é um “monumento à irresponsabilidade social”, única referência ao País. Como discordar? A irresponsabilidade política e ideológica continua a ser uma das marcas do atual debate político-ideológico brasileiro, tanto no Estado como na cidade de São Paulo, urbe em que já floresceram algumas das mais significativas de nossas lideranças…
- O problema não ocorre apenas neste Estado e nesta capital, pois quanto ao resto do País, o aterrador artigo “As cidades e o sertão”, do professor Luiz Werneck Vianna, sobre a nomeação de Aguinaldo Ribeiro (PP) para o Ministério das Cidades, publicado na página 2 do Estado em 14 de fevereiro, dá-nos a medida do buraco em que estamos todos metidos neste infernal “modelo” político de “governo de coalizão”. Um modelo, em verdade, fruto do velho coronelismo, enxada e voto, ou atualizando a tese do saudoso Victor Nunes Leal, do mandonismo, curral e mídia eletrônica…
- Hoje cresce a irresponsabilidade dos políticos frente aos problemas da cidade de São Paulo, do Estado e do País, um dos traços mais graves denossa vida em sociedade.
Por exemplo, muitos dos “sistemas de informática” no Brasil estão impregnados de erros e ilegalidades, mas não existem instituições com poderes de auditoria sobre os mesmos, sem antes serem travadas infindáveis batalhas judiciais que duram anos, fazendo os problemas perderem sentido ao final do processo.
A correção dos erros dos diversos tipos de “sistemas e instituições”, vias de regra, nefandos por incidentes contra a população mais desprotegida, nunca ocorre e seus autores nunca sofrem qualquer tipo de punição. Tudo fica como está até que alguém com poder econômico e ou político seja atingido e exija a correção.
O mesmo ocorre com os problemas ambientais. O enredamento corporativo burocrático e tão grande que a perdedora sempre é a natureza.
O volume de incompetências é tão grave no Brasil que até hoje, em 2012, ainda temos atentados aos direitos humanos. Os maiores exemplos são os reincidentes casos de trabalho escravo ou semi-escravo de brasileiros e estrangeiros no território nacional e as masmorras do Brasil.
Definitivamente, o desenvolvimento de uma nação não comporta relativizações e incompetências, pois deve ser fundado sobre uma pirâmide de competências humanas e institucionais, as quais deverão praticar de forma eficaz a gestão territorial integrada e a ética pública.
Sem mudanças profundas no quadro institucional vigente, com um profundo processo de regionalização nacional e descentralização administrativa, o caminho do subdesenvolvimento social e ambiental continuará aberto e progressivo na nação brasileira.
Prof. Millos A. Stringuini, Dr.Sc.
Biólogo – Doutor em Ciências do Meio Ambiente.
Perito – Consultor Internacional – Projetos e Financiamentos.
Porto Alegre – RS – Brasil
1 Biólogo, Doutor em Ciências do Meio Ambiente. Prof. Chair Sud DSGE – Université de Liége – – Bélgica. Perito e Consultor Internacional.
2 Historiador, professor emérito da FFLCH –USP, Professor da Universidade Mackenzie, autor da obra Educação, Contraideologia, Cultura (ED. Globo).
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