Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)

O problema de saber quantos já somos

WASHINGTON NOVAES -

Um dos temas mais discutidos na reunião da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) em Nagoya foi o do aumento da população mundial e consequente pressão por mais recursos e serviços naturais, quando vários relatórios já acusam a insustentabilidade do panorama - alguns chegam a situar em 50% o excesso de consumo, comparado com a capacidade de reposição do planeta, e em 30% a perda da biodiversidade global registrada em 40 anos. Soluções propostas não escaparam dos caminhos que até aqui têm ficado no terreno das boas intenções - reduzir o consumo global, baixar o consumo nos países industrializados (os maiores consumidores), baixar as taxas de crescimento da população.

Os números sobre população ali discutidos são, de fato, inquietantes: dos quase 7 bilhões de pessoas que já somos no mundo, chegaremos a 7,67 bilhões em 2020, a 8,3 bilhões uma década mais tarde, a 8,8 bilhões em 2040 e a 9,15 bilhões na metade do século - e tudo isso com as taxas de fertilidade (número de filhos por mulher em idade fértil) em declínio no mundo todo, já abaixo da taxa de reposição, de dois filhos (que substituem pai e mãe, sem aumentar a população). Embora essa taxa de fertilidade continue em declínio, o "estoque" de mulheres em idade fértil ainda é alto, por causa da alta natalidade nas últimas décadas do século 20 e início deste.

Mas quando se entra no terreno das propostas a discussão é complicada. Há quase 20 anos o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) vem mostrando que os países industrializados, com menos de 20% da população mundial, consomem quase 80% dos recursos, com sua produção e as importações. Se todos os países consumissem como eles, diz o Pnud, seriam desnecessários mais dois ou três planetas. Por isso, quando se discute, como em Nagoya, a necessidade de países como a China e a Índia reduzirem a pressão sobre os recursos naturais, ambos respondem que sua taxa média de consumo de recursos ou de energia por habitante (a China tem perto de 1,4 bilhão de pessoas; a Índia, cerca de 1,1 bilhão) é muitas vezes menor que a da Europa, dos Estados Unidos e do Japão. Na média, o que se mostrou na CDB no Japão é que os 33 países mais desenvolvidos têm uma "pegada de carbono" cinco vezes mais alta que a dos países mais pobres.

Nesse quadro, suscita curiosidade a notícia deste jornal (4/11) de que 6 milhões de pesquisadores (mais que a população de muitos países) começaram a visitar 400 milhões de residências para realizar em dez dias o censo demográfico na China, que tem cerca de 20% da população mundial. E um dos obstáculos será a população flutuante, perto de 200 milhões de "migrantes rurais" (mais que toda a população brasileira), que vagam pelo país, sem residência fixa, em busca de emprego. Mas não é só. Ninguém sabe quantas são as crianças "clandestinas", não registradas para não violar a lei do filho único (perde o equivalente a um ano de rendimentos e outros benefícios sociais quem tenha mais de um filho e não o registre; funcionários públicos podem perder o emprego; agora as penalidades estão sendo reduzidas, até para facilitar o censo).

Por aqui, o primeiro levantamento divulgado pelo IBGE sobre nosso censo aponta 185 milhões de pessoas. Mas ainda faltam números (o autor destas linhas, em mais de 70 anos de vida, só em um censo teve sua residência visitada - e não foi neste). De qualquer forma, há dados relevantes. A taxa de fertilidade continua em baixa, inferior à taxa de reposição. Também caiu a média de pessoas por domicílio (de 3,79 para 3,37). E a projeção é de que cheguemos a 216,4 milhões de pessoas em 2030, quando a população começará a declinar, para chegar a 215,3 milhões em 2050. Números um pouco mais altos que os da análise feita pelo Ipea em outubro, de estatísticas da Pnad e do IBGE (Agência Brasil, 14/10), que apontou 206,8 milhões para 2030 e 204,7 milhões para 2040.

Relacionada com esses números, há uma interpretação curiosa do ex-ministro Pedro Malan, que atribui a elevação da produtividade e da renda no País à redução do número de dependentes por pessoa produtiva, que em uma década caiu de oito para cinco (Correio Braziliense, 22/8).

Sempre que o tema demográfico entra em discussão, emerge a questão dos custos previdenciários, já que tende a crescer a proporção de pessoas idosas (mais de 60 anos) na população. Elas eram 9,1% em 1999 e chegaram a 11,3% em 2009. As pessoas com mais de 70 anos eram 6,4 milhões (3,9%) e passaram a 9,7 milhões (5,1%). A esperança média de vida subiu para 73,1 anos. As análises pessimistas têm enfatizado que haverá um número cada vez maior de pessoas que dependerão, em suas aposentadorias, de uma quantidade menor de contribuintes. E sugerem revisões imediatas nos critérios de rendimentos de aposentados, para não agravar o "déficit da Previdência" - esquecendo-se de vários fatores, como o de que a maior parte do déficit da Previdência se deve ao pagamento de aposentadorias no setor público, muito mais altas, e não ao custo da aposentadoria no setor privado, em que os pagamentos de valor acima do salário mínimo têm declinado (em termos reais), por serem os reajustes inferiores aos índices do salário mínimo, que reajustam as aposentadorias até o valor máximo destes. É preciso lembrar ainda que os aposentados do setor privado contribuíram durante parte de sua vida sobre o máximo de 20 salários mínimos (para terem direito a aposentadorias de até 18 salários mínimos) e, do dia para a noite, viram o teto cair para 10 salários mínimos. Além de a aposentadoria inicial ser calculada sobre a média das contribuições nos últimos 36 meses, sem correção monetária - o que levou o valor a cair brutalmente nos tempos de inflação acentuada.

O censo é muito útil, revela muitas coisas. Mas é preciso que seja interpretado corretamente por quem legisla e/ou administra. E gere consequências justas.

Mais consciente, consumidor brasileiro valoriza marcas ligadas a causas >>> Good Purpose

O brasileiro tem se tornado um consumidor consciente, atuante e atento às causas defendidas pelas marcas, sendo um dos que mais se engajam em todo o mundo. A conclusão é da pesquisa Good Purpose, conduzida mundialmente pela empresa de relações públicas Edelman e apresentada no Brasil pela consultoria Edelman Significa, idealizadora do portal Com:Atitude.


O estudo investiga o comportamento dos indivíduos acerca de causas socialmente relevantes e a maneira pela qual as empresas relacionam-se com elas. O levantamento – o único com este foco – foi realizado em 13 países e contemplou aproximadamente 7 mil pessoas.

De acordo com os resultados, é possível afirmar que o consumidor brasileiro tem alta predisposição para valorizar, recomendar e manter-se leal a marcas cuja atuação sobre propósitos seja consistente. Este panorama tem, a princípio, duas consequências: sinaliza um processo de maturação do mercado de consumo nacional, ao mesmo tempo em que abre espaço para que organizações invistam em causas com base em visão de longo prazo, legitimidade nas ações desenvolvidas e uma linguagem de comunicação que engaje sua audiência. As marcas que caminham neste sentido já angariam percepção positiva junto a seus públicos, como é o caso de Natura, Omo, Petrobras, Ypê, Coca-Cola, entre outras.

Mercado brasileiro abre-se às causas, mas pede consistência
A pesquisa Good Purpose traz, além dos resultados de 2010, um comparativo histórico feito anualmente desde 2007. A curva evolutiva dos números brasileiros demonstra uma elevação da crença na capacidade das marcas abraçarem boas causas, ao mesmo tempo em que se vê um aumento no descrédito das instituições governamentais como agentes relevantes para a garantia da qualidade de vida da população. Este panorama abre caminho para a atuação corporativa, sobretudo, diante de causas sociais e ambientais, dadas as notórias carências do país nestas duas dimensões.

Segundo o levantamento, inverteu-se o nível de confiança dos consumidores em relação a atitudes concretas das companhias sobre causas de interesse coletivo. Enquanto a crença em que as marcas realizam algo neste sentido saltou de 46% para 64% entre 2007 e 2010, a visão de que a maioria nada pratica caiu de 51% para 32% no mesmo período. Este dado reforça que – além da oportunidade para atuação em causas de diferentes naturezas, há um aumento na confiança pública em relação à participação empresarial sobre tais questões. Porém, é necessário agir com consistência, pois 57% acreditam que as marcas apoiam causas não por desejo genuíno, mas porque visam, somente, promover-se. É fundamental, por isso, que as empresas apoiem causas diretamente sinérgicas aos valores corporativos, de modo a expressarem a identidade da organização e ao mesmo tempo gerarem benefícios sociais, econômicos e ambientais junto a seus públicos.

Uma das causas principais citadas na pesquisa é a da sustentabilidade. Em 2010, 81% dos respondentes acreditam que a atuação conjunta entre empresas e governo é fundamental para a abordagem do tema. Por se tratar de um ponto crucial para o desenvolvimento do país, há grande predisposição para o apoio à criação de políticas públicas ambientais com forte participação da sociedade civil e do setor empresarial.

Embora em menor nível em relação a 2009, o brasileiro mostra-se mais propenso a comprar produtos de marcas que apoiam causas. Este movimento é proporcional ao vínculo estabelecido junto aos consumidores. Ao suportar uma causa, uma marca gera benefícios sociais concretos e, ao mesmo tempo, alavanca seu significado, gerando conexões perenes junto aos seus círculos de interesse. Dessa forma, elevada a confiança do consumidor, ele mostra-se altamente disposto a recomendar, comprar e priorizar marcas que tangibilizam suas propostas de valor em atitudes concretas relacionadas a causas. E o resultado financeiro não se prejudica com esta tendência: cada vez mais consumidores pensam que interesses sociais têm o mesmo peso dos interesses corporativos. O lucro, portanto, qualifica-se. Para Yacoff Sarkovas, CEO da Edelman Significa Brasil, as empresas são vistas positivamente pelos consumidores emergentes locais, pois são tratadas como parceiras dos indivíduos no processo de inclusão mercadológica.

O indivíduo se fortalece e demanda um novo engajamentoOutro diagnóstico relevante da pesquisa Good Purpose reflete-se no fortalecimento da autoestima do brasileiro no que tange à sua capacidade de ser um agente de transformação. Em comparação ao levantamento de 2009, sua confiança nas instituições governamentais decresceu de 62% para 52%. No sentido inverso – de 1% para 11% – deu-se o incremento da autoestima dos respondentes como potenciais defensores de causas.

O salto na crença dos consumidores em seus poderes individuais de envolvimento em causas demonstra um paradoxo que se apresenta mais forte entre corporações (forças institucionais públicas ou privadas) e pessoas. Neste cenário, o âmbito individual mostrou-se como um ponto forte no consumidor brasileiro. Nos últimos doze meses, grande parte dos respondentes engajaram-se em causas de algum modo, seja por doações ou ação voluntária. De acordo com Carol Cone, diretora de marcas e cidadania corporativa da Edelman New York, “não estamos diante da emergência de consumidores, mas de consumidores-cidadãos”. Para ela, o ato da compra assume outro significado: “não basta adquirir um produto; é preciso refletir sobre o que a marca entrega à sociedade”.

Este traço comportamental revela uma tendência mais ampla, que demonstra uma maior atenção do brasileiro sobre sua satisfação individual. Nos últimos quatro anos, o consumidor local tem direcionado seu foco de uma perspectiva coletivo-familiar para o campo pessoal. Passar o tempo com parentes e amigos, em 2007, era um rito muito mais representativo do que neste ano, quando atividades ligadas ao consumo e ao próprio corpo surgem como mais relevantes. Mesmo apresentando queda em 2010, o senso de comunidade ainda permanece forte entre os respondentes. Sobressai, contudo, o fortalecimento da relação experiencial do “eu”.

Ao passo em que o indivíduo se fortalece, mais ele deseja ser partícipe nas criações de produtos, serviços e, também, no apoio a causas relevantes. A emergência de relações colaborativas entre empresas e públicos adentra, neste panorama, a dimensão dos propósitos corporativos. Segundo a pesquisa, 84% dos brasileiros acreditam que, juntos, marcas e consumidores podem fazer mais por uma causa do que se atuassem de modo separado. Quanto melhores os vínculos entre marcas e públicos, maiores as possibilidades de atuação conjunta e, claro, de sucesso coletivo.

O envolvimento em causas mostra-se importante, também, para o negócio, seja para atrair talentos, investidores ou novos consumidores. Os respondentes mostram-se propensos a recompensar financeiramente ou participar ativamente do cotidiano das organizações que se envolvem com causas relevantes.

Causa como determinante na decisão de compra
O quinto “p” do marketing é o propósito. Uma das evidências mais claras sobre o amadurecimento do mercado consumidor nacional reflete-se no peso do propósito das marcas como fator essencial na decisão de compra. Se o vínculo é determinante para o sucesso junto aos consumidores, a atitude desempenha um papel fundamental em tais relacionamentos. Se em 2007 a qualidade era fator de análise preponderante (61% contra 38% neste ano), em 2010 a decisão distribui-se entre propósito social da marca (19%) e consequente lealdade (15%) – que deriva, obviamente, da força dos laços construídos junto aos públicos.

Programa Crer para Ver, da Natura: crenças e negócio, juntos


Neste sentido, percebe-se uma boa perspectiva de percepção pública no que diz respeito à realocação de verbas para investimentos concretos em causas socialmente relevantes. Existe um alto nível de confiança na possibilidade de atuação das marcas sobre tais questões. O cenário, portanto, mostra-se propício para o ambiente corporativo e os consumidores dispõe-se, inclusive, a pagar mais por isso.

Comunicar é preciso
Para gerar engajamento, é preciso comunicar com consistência. Na pesquisa, 82% dos respondentes acreditam que marcas devem divulgar sua atuação em causas para elevar o nível de conhecimento público sobre tais iniciativas. Porém, 79% creem que há excesso de comunicação de atitudes sem que haja real investimento nas causas apoiadas. Agir antes de falar é fundamental. E, mais do que isso, não se pode deixar de agir: 87% esperam que as marcas façam algo por uma causa.

Mais da metade dos entrevistados enxergam as marcas de produto como mais conectadas a propósitos sociais relevantes. No entanto, as marcas corporativas vivem um movimento de fortalecimento em relação a seus portfolios, gerando a necessidade de equilíbrio entre causas defendidas no âmbito corporativo e aquelas que envolvem diretamente os consumidores por meio dos produtos. A marca Omo, embora tenha ações específicas, por exemplo, dialoga com os princípios de atitude da Unilever, que recentemente fortaleceu sua marca corporativa por meio de uma nova arquitetura e consequentes ações de engajamento de suas audiências.

O Brasil diante do mundo
Se para o Brasil – que conta com uma grande parcela de “neoconsumidores” – comprar ganhou importância, o mesmo não se pode dizer em termos globais. Nos demais países, embora o senso de auxílio comunitário seja menor em comparação ao dos brasileiros, o tempo passado com família e amigos é maior. Este fator pode ser explicado por um retorno ao ambiente social privado decorrente da queda no poder aquisitivo em razão da crise – o que leva a uma introspecção do consumidor internacional em comparação ao Brasil. No que se refere ao envolvimento pessoal em causas, o brasileiro comporta-se de maneira semelhante aos índices estrangeiros.

Fora do Brasil, há uma maior crença no poder das empresas de atuar sobre causas relevantes. Embora em ambos os contextos a força individual tenha aumentado sua importância, os brasileiros conferem ao governo uma responsabilidade muito maior do que nos demais países, o que se deve tanto à maturação do mercado local como aos instrumentos voltados à qualidade de vida da população.

Entretanto, no último ano o brasileiro aumentou severamente seu grau de envolvimento em causas frente ao restante do planeta. No Brasil, 64% consideram-se mais engajados, em comparação aos 34% dos números globais. Sob a forma de doações, o brasileiro atua mais frequentemente, repassando recursos, em grande medida, mensalmente. Em outras nações, a prática é semestral ou anual, embora os montantes não tenham sido comparados na investigação. No geral, o brasileiro crê em seu poder e vontade de assumir causas, dado o otimismo que o cenário atual do país impõe ao seu modo de pensar.

O déficit apresentado pelo Brasil em termos sociais, culturais e ambientais afeta diretamente a percepção de seus habitantes sobre causas a serem apoiadas. Há muito o que fazer nestas dimensões, o que denota alta relevância para os consumidores locais frente aos números globais.

Além de considerar muito mais fortemente as causas em sua decisão de compra, o brasileiro o faz com mais frequência que o consumidor internacional. Além disso, os esforços de comunicação e engajamento das empresas nacionais mostram-se mais intensos face aos dados globais.

Existe uma grande expectativa do brasileiro sobre a relação com as marcas, principalmente no que tange à causa ambiental. Além disso, ele exige uma postura consistente – e não mais aventureira – das organizações diante dos problemas reais do país. E, neste sentido, a sociedade voluntaria-se a agir em cooperação com as empresas. Este movimento de crença e disposição é muito mais forte no Brasil do que em outros países.

Quanto aos setores econômicos, os brasileiros acreditam mais no envolvimento de empresas de comunicação, saúde, energia, tecnologia e biotecnologia, enquanto que globalmente os setores predominantes são de comunicação, saúde, alimentos e bebidas. No Brasil, empresas B2B ainda têm forte presença na construção de percepção positiva em relação a causas.

Para saber mais sobre as causas defendidas pelas empresas, o brasileiro valoriza muito mais o aspecto boca-a-boca e as informações no website das companhias, sobretudo pelos seus hábitos sociais e de acesso à internet. O contato interpessoal, no Brasil, é muito mais relevante no processo de formação de opinião acerca de determinada empresa.

Fatores macroambientais
Globalmente, os resultados da pesquisa Good Purpose demonstram grandes movimentos na relação entre marcas e públicos, os quais têm determinado fortemente o cotidiano estratégico das organizações.

1) Maturação dos mercados e consumidores
A emergência do Brasil dentre as dez maiores economias mundiais deve-se, principalmente, ao aumento do número de efetivos consumidores, bem como do poder aquisitivo da população. Além disso, a abertura econômica completa 20 anos, o que permitiu considerável evolução na relação entre empresas e indivíduos. Nesse sentido, paulatinamente as necessidades tornam-se mais qualificadas. Do mero suprimento de necessidades, as relações comerciais ascendem a patamares superiores, nos quais a qualidade dos vínculos e a conexão afetiva por meio do intercâmbio de significados são bases em crescente grau de importância para as decisões de compra e recomendação.

2) Poder do indivíduo
A evolução e o barateamento das tecnologias de informação e comunicação criam condições altamente favoráveis para a afirmação do poder individual. Primeiramente, por aumentarem a exposição às mais diferentes categorias de dados e conhecimento; em segundo lugar, pela velocidade conferida às conexões entre pessoas e instituições; e, finalmente, pela larga escala e múltiplas possibilidades para o estabelecimento de ligações. Com mais dados, conhecimento, mobilidade e contatos, eleva-se o nível de transparência na relação entre indivíduos, marcas e outros tipos de organizações – como governos e ONGs, por exemplo. Este panorama seleciona aqueles que agem de modo consistente em torno de uma plataforma de significados ao conectarem causas e atitudes.

3) Poder do significado
Marcas que unem discurso e prática são aquelas que colocam um conjunto de significados em prática. Ao fazerem isso, criam vínculos genuínos junto a seus consumidores e demais interlocutores que compõem suas redes de pontos de contato. Ao engajarem seus públicos em torno de uma causa compartilhada, perenizam as relações, reduzem o custo de venda futura, elevam sua percepção de valor e ampliam exponencialmente a comunidade formada ao redor da marca. O plano do significado torna-se estratégico, adentra a agenda da alta gestão e pauta todas as ações da organização. Ou seja, um conjunto de valores e crenças passa a influenciar fortemente a cultura empresarial, em um movimento no qual todos os processos, entregas, experiências e atitudes de uma marca demonstram claramente sua visão de mundo.

4) Poder dos vínculos
Os vínculos em rede – e não somente hierárquicos – mudam as relações entre empresas e, obviamente, entre marcas e consumidores. Torna-se comum a criação coletiva de produtos e serviços em ambientes de inovação aberta que promovem o encontro de marcas e público em um mesmo contexto propositivo. Este nível de engajamento, como defende o pensador C.K. Prahalad em seu livro “A Nova Era da Inovação”, denomina-se “cocriação”. Estes processos tomam as cadeias de valor a partir de uma perspectiva de rede, em que os agentes envolvidos no desenvolvimento de produtos e serviços relacionam-se em um patamar de trocas constantes, mais velozes e menos centralizadas na figura da corporação.

5) Legitimidade mercadológica e de significado
É possível conciliar lucro e priorização de causas. O fato novo não é a relativização do resultado financeiro, mas o aumento do seu valor ao ser qualificado por um significado. O propósito é o elemento que produz coesão entre indivíduos empoderados, dá consistência aos produtos e serviços e amplia o significado das experiências proporcionadas por uma marca junto aos seus públicos. Os consumidores, quando engajados de maneira fundamentada, tornam-se naturalmente embaixadores de suas marcas de preferência e não se furtam a recomendá-las, defendê-las e pagar mais por elas.

6) Uma nova comunicação
A defesa de causas, além de qualificar resultados financeiros, também incrementa o valor da comunicação. Seja por embalagens mais orientativas, anúncios com afetividade genuína ou eventos com significado, a divulgação de propósitos valoriza os orçamentos destinados à propagação de mensagens vinculadas às marcas. Além disso, as experiências diversificam seus formatos em narrativas transversais aos meios on e off-line, ampliando as possibilidades para a aliança entre criatividade, consistência e relevância – elevando a importância do conteúdo convertido em experiências atraentes e materializadoras de promessas.

* Por Rodolfo Araújo. Esta reportagem foi publicada originalmente no portal Com:Atitude e agora no Mundo do Marketing de acordo com parceria que os dois portais mantêm.

Nike Harnesses ‘Girl Effect’ Again >>> New York Times

By STUART ELLIOTT
FIFTEEN years ago, Nike made a splash with an advertising campaign known as “If you let me play.” The ads drew considerable attention — and praise — because they advocated the benefits for girls and young women of participating in sports.

Today, Nike’s foundation is taking to heart the concept of “girl power” that was embodied by the campaign, but now it is education, rather than sports, that is being celebrated for its transformative abilities. With an effort known as the Girl Effect, the Nike Foundation — supported by Nike and the NoVo Foundation — is trying to raise up adolescent girls in poverty-plagued, developing regions of the world.

Helping those girls to become better educated, the Girl Effect’s Web site asserts, helps them as well as “their families, their communities and their nations.”

Data on the site shows that positive changes can come in areas like health (the more schooling mothers get, the healthier their infants and children will be) and income (an additional year of secondary school will increase a girl’s wages by 15 to 25 percent).

“Why girls?” the site asks. “Because when we all invest in girls, everyone wins.”

Os Consumidores cada vez mais pensam que....

Consumidor Engajado em causas socioambientais



Engajamento do Consumidor
O perfil do novo consumidor é o de  trabalhar lado-a-lado com as Empresas e Marcas conhecidas para buscar soluções para um Mundo Melhor.
Juntos buscar soluções e enfrentar os desafios.

As perspectivas do desenvolvimento sustentável no governo Dilma

Por Oded Grajew, presidente emérito do Instituto Ethos

Em seu primeiro pronunciamento aos brasileiros, depois de proclamada presidente do Brasil, Dilma Rousseff afirmou que seu governo terá como focos centrais a erradicação da pobreza e a recuperação do poder aquisitivo da população. Como o cenário internacional apresenta forte viés protecionista nas principais economias industriais, Dilma também anunciou que o crescimento brasileiro precisará ocorrer baseado no mercado interno.

Essas afirmações trouxeram certa euforia para alguns empresários de setores importantes do país. Já falam em “círculo virtuoso” da economia e “novo ciclo de prosperidade”.

CONAR pede sustação imediata de publicidade violenta de brinquedo

09/11/2010
O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, entrou com um pedido de sustação urgente da veiculação dos comerciais da linha de armas de brinquedo NERF, produzida pela Hasbro Brasil Indústria e Comércio de Brinquedos Ltda. A denúncia, recebida pelo site do Projeto, foi encaminhada ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) no dia 21 de outubro.

A propaganda foi considerada abusiva pelo Criança e Consumo por não apenas direcionar-se ao público infantil, mas por anunciar produtos incentivando o uso da violência. A peça foi amplamente veiculada em meio à programação infantil, principalmente no canal Cartoon Network.

Como resposta, no dia 5 de novembro, o órgão divulgou um pedido de sustação imediata da veiculação da publicidade. Para o conselheiro relator José Maurício Pires Alves, o anúncio infringia os artigos 1º, 3º, 6º, 26 e 37 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

Segundo levantamento feito pelo Criança e Consumo, em que foram monitorados 5 canais infantis pagos e 2 canais abertos durante 10 horas no dia 1º de outubro, a Hasbro foi campeã na veiculação de peças publicitárias, dentre as empresas de brinquedos, com mais de 250 inserções de 60 produtos diferentes. O Nerf Rapid Fire foi um dos dez brinquedos mais anunciados.

Em agosto, o CONAR pediu sustação imediata de outro produto violento devido à denúncia do Criança e Consumo. A publicidade do brinquedo Roma Tático Móvel, da Roma Jensen Com. e Ind. Ltda. estava sendo veiculada em meio a programação exclusivamente infantil do Discovery Kids. A campanha foi considerada abusiva por conter apelo explícito ao público infantil e se utilizar de simbologia vinculada à violência.

Acompanhe o caso do NERF:
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/AcaoJuridica.aspx?v=1&id=173

Confira o levantamento de publicidades dirigidas a crianças feito pelo Criança e Consumo:
http://www.alana.org.br/_news/2010/out/extra/news-extra-dia-das-criancas-2010.html

Remédio fracionado: uma questão de responsabilidade social da indústria

Ethos e Proteste coletam assinaturas em petição on-line pela aprovação de projeto de lei que torna obrigatório o fracionamento de medicamentos.

Você já pensou em quanto dinheiro jogou fora, literalmente, por comprar remédios em quantidades maiores do que a sua necessidade? É mais ou menos 20% do que você gastou. Isto é, de cada R$ 100 reais pagos por uma pessoa na compra de remédios, R$ 20 são desperdiçados.

Se levarmos em consideração que o faturamento da indústria farmacêutica, até outubro deste ano, foi de R$ 36,7 bilhões, temos quase R$ 8 bilhões que o consumidor pagou para jogar fora, somente nesse período. Dá quase um orçamento do Bolsa Família, que em 2010 ficou em torno de R$ 11 bilhões.

Os remédios a mais não fazem estragos apenas no bolso do consumidor. Guardados em casa, podem ser consumidos de maneira errada, causando intoxicações graves e até mortes. Quando descartados, os medicamentos acabam no lixão, contaminando ainda mais o solo e a água. Quando comprados em quantidade menor do que a prescrição médica, por falta de dinheiro – realidade comum a milhões de brasileiros –, contribui ainda para que bactérias e vírus se tornem mais resistentes, com riscos para a saúde pública.

Desperdício de recursos, aumento dos riscos de intoxicação e do surgimento de superbactérias e poluição ambiental. Estes são alguns problemas que poderiam ser resolvidos se a indústria farmacêutica e seus canais de distribuição adotassem o medicamento fracionado voluntariamente, como prevê o Decreto nº. 5348, de 2005.

Remédio fracionado é aquele disponível ao consumidor na quantidade exata prescrita pelo médico. A prática já existe em alguns países, como Espanha, França, Bélgica, Portugal e Estados Unidos.

O crescimento da indústria de remédios no Brasil tem sido superior a dois dígitos há quase uma década. Em termos mundiais, só perde para a China. E, embora depois do decreto citado, 15 empresas tenham se credenciado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir os 175 medicamentos listados pelo órgão como passíveis de fracionamento, esses remédios não são encontrados nas farmácias do país. Em pesquisa realizada pela ONG ProTeste em 49 farmácias de cinco capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis e Brasília –, não foi encontrado nenhum dos 175 remédios autorizados pela Anvisa à disposição do consumidor.

Por que fabricantes e farmácias não conseguem pôr em prática uma ação que já é corriqueira em vários países, alguns deles sedes desses mesmos fabricantes?

Os empresários de farmácias alegam que os custos e a burocracia exigida pela lei para instituir o medicamento fracionado são os maiores impeditivos. A indústria, por sua vez, justifica com a falta de demanda o fato de a produção dos 175 remédios liberados pela Anvisa ser quase zero.

Estamos, então, num círculo vicioso, sem saída? Não, absolutamente não. Se fosse impossível adotar o fracionamento, a prática não seria instituída em outros países e com sucesso. Então, por que no Brasil ainda gastamos mais do que precisamos com remédios?

A razão disso é a falta de vontade política do Estado e dos agentes econômicos. E, acima de tudo, a falta de consciência da sociedade de que remédio fracionado não é uma nova "moda", e sim um direito e uma questão de saúde pública.

A presidenta Dilma Rousseff destacou em seu primeiro pronunciamento à nação que melhorar a saúde pública será uma das prioridades de seu governo. Remédio fracionado deve fazer parte do rol de melhorias. A sociedade brasileira, no entanto, pode dar o empurrãozinho que falta para o tema entrar de vez na pauta.

Há um projeto de lei tramitando na Câmara Federal, o de nº. 7029, de 2006, que obriga a venda de medicamentos fracionados. O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, depois de ter sofrido diversas alterações em relação à proposta original. Foi mantida a obrigatoriedade do fracionamento, mas, em vez de seis meses, dá prazo de 24 meses para a indústria se adaptar, e exige a presença de um farmacêutico para a venda desses medicamentos.

O Instituto Ethos é parceiro da ProTeste para coletar assinaturas em uma petição on-line em favor da aprovação do Projeto de Lei nº 7.029, de 2006. A adesão pode ser feita pela página Remédios Fracionados: Exija Seu Direito, no site da ProTeste.

Aliás, no próximo dia 10 de novembro, também no site da ProTeste, haverá um chat, das 14h00 às 15h00, para debater a campanha.

É preciso conscientizar a sociedade, a indústria, os profissionais da saúde e as farmácias de que o medicamento fracionado é bom não apenas para a saúde, mas também para a economia e para o meio ambiente.

O fracionamento de medicamentos no mundo
Em Portugal, houve redimensionamento das embalagens de certos medicamentos para patologias em que era possível definir uma duração padrão para o tratamento, como é o caso, por exemplo, dos antibióticos. Hoje a maioria dos antibióticos são vendidos em embalagens adaptadas para uma ou duas semanas de tratamento, evitando-se dessa forma os desperdícios. Lei recente que institui o fracionamento nos moldes brasileiros também teve poucos resultados práticos, após período experimental.

Na França, Bélgica, Itália e Espanha, não há fracionamento como o previsto no Brasil, segundo especialistas consultados, mas as embalagens contêm, em geral, quantidades adequadas ao tratamento prescrito, como em Portugal.

Nos Estados Unidos, Reino Unido e Holanda, a venda fracionada é condicionada à quantidade prescrita na receita, que não pode ser reaproveitada em nova compra. Em caso de prolongamento do tratamento, o paciente deve apresentar nova receita médica, com a dose exata necessária.

Por Cristina Spera (Instituto Ethos)

Proteger meio ambiente ajuda no crescimento da economia


Foi lançado esta semana o relatório "Cidadãos engajados!" (Citizens Engage), com a chamada de capa "Salve a Amazônia". A mensagem é clara: os cidadãos acreditam que as empresas precisam levar em conta a floresta brasileira e o meio ambiente em suas atividades. Trata-se da quarta edição da pesquisa "Edelman Goodpurpose Study 2010", feita em 13 países com sete mil consumidores. De acordo com o relatório, 71% dos consumidores em todo o mundo - 79% no Brasil - acreditam que projetos que protejam o meio ambiente podem ajudar no crescimento da economia.


A pesquisa mostra que "Proteger o meio ambiente" foi considerada a causa principal que preocupa os consumidores, seguido por "melhorar a qualidade dos cuidados de saúde".

De acordo com o estudo, consumidores dos mercados emergentes - Brasil, China, Índia e México - estão mais propensos a comprar e promover produtos de marcas que tenham compromissos com boas causas. Oito em cada dez consumidores no Brasil comprariam produtos de empresas consideradas responsáveis social e ambientalmente, uma porcentagem bem mais expressiva do que os consumidores da Europa (54%).

No entanto, a consciência de que empresas têm responsabilidades é alta em todo o mundo. Segundo a pesquisa, 86% dos consumidores acreditam que as empresas devem colocar o mesmo peso dos seus interesses aos interesses da sociedade.

link para o Estudo

Para empresários, sustentabilidade é sinônimo de oportunidades

Representantes da Natura e do Boticário afirmam que setor privado deve "abraçar a bandeira verde" para sobreviver na nova economia



São Paulo - Estimular o crescimento com sustentabilidade não é apenas um desafio para os governos mundiais, mas uma pauta inadiável nas agendas das principais companias. Poucas, entretanto, são as que incorporam o pensamento verde nos seus modelos de negócio. "Há muita incoerência entre o que é dito e o que é feito”, afirma Malu Nunes, gerente de Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade do Grupo Boticário.

Beyond austerity: A path to economic growth and renewal in Europe /// Mckinsey Global Institute ///

Mckinsey Global Institute
Research Topic: Productivity and Competitiveness

Europe faces multiple, simultaneous pressures on GDP growth at a time when scope to stimulate growth from public funds is limited by high debt and deficit levels. The threat to growth is unlikely to dissipate in the short or even medium term and significant imbalances in unit labour costs and current account positions between European economies intensify the strain.

In this challenging context, Europe has little choice but to pursue structural reform to bolster growth. MGI finds that Europe needs to accelerate productivity growth by around 30 per cent over historic levels, or opt to work more, just to maintain past GDP growth levels. Productivity growth would have to grow by an even greater margin if Europe is to close the 24 per cent per capita GDP gap with the United States that prevails today—equivalent to $11,250 per capita, or $4.5 trillion in overall GDP.

Europe has made progress on reform, the report notes. In the ten years prior to the global economic crisis, Europe's per capita GDP growth matched that of the United States. This was due largely to major European reforms to labour markets that helped cut unemployment and boost participation by six percentage points in 20 years. Contrary to popular perceptions of Europe's poor record on job creation, 24 million new jobs were created between 1995 and 2008, more than in the United States over the same period despite slower population growth.

MGI suggests that Europe should aspire to match instances of best practice within the region in order to meet its full growth potential. If Europe as a whole could reach European best practice on labour market participation, its overall participation rate would rise 9 per cent—and without reducing vacation or absence times or changing the number of hours worked per week. Boosting service sector productivity to European best practice could add around 20 per cent to the region's overall productivity.

The report sets out a comprehensive agenda for European structural reform on the basis of analysis of existing best practice within the region, proposing action in three areas in parallel. If all of Europe were to match best practice in all three, Europe could even close today's 24 per cent per capita income gap with the United States:

-Further reforming labour markets in four areas: boosting participation among older workers as in Nordic countries and the Netherlands; reducing structural unemployment using similar reforms to those we have seen in Denmark and the United Kingdom; reducing youth unemployment as in the Netherlands; and balancing the mix of part- and full-time work for women.

-Unlocking the full growth potential of service sectors in four ways: further opening up competition in service sectors still constrained by a high level of regulation (e.g., professional services) and monopolistic structures (e.g. network industries); boosting productivity through deregulation of product, land, and labour markets and supporting greater operational efficiency and professionalism in sectors such as retail, land transport, and construction; unlocking growth by setting the sector's direction and providing enablers such as standards, education, and infrastructure (e.g., in business services, tourism, and telecoms; ensuring scale across national borders.

-Aligning policies to growth and renewal, capturing growth and innovation opportunities in high-growth emerging markets, cleantech, and new technology sectors by re-prioritizing funds for R&D toward competitive and innovation sectors; developing clusters; improving the link between academia and business; and developing a more entrepreneurial mindset.

Empresas querem incentivos fiscais para reduzir emissões de gases de efeito estufa

Agencia Brasil

De olho nas exigências dos mercados internacionais por produtos sustentáveis e em políticas tributárias que possam beneficiar empresas que assumem compromissos ambientais, um grupo de grandes empresários assinou nesta terça-feira (9), em São Paulo um documento com sugestões ao governo para estimular a redução de emissões de gases de efeito estufa nos setores de energia, transportes e agropecuária.

A maioria das propostas sugere medidas econômicas que estimulem a adoção de práticas mitigadoras de emissões, desde a concessão de incentivos fiscais a pedidos de linhas de crédito específicas para atividades de baixo carbono.

“O Brasil tem papel de protagonista na construção de uma economia de baixa intensidade de carbono. Essa tarefa deve ser compartilhada entre esforços públicos e privados em uma agenda de implementação de instrumentos econômicos e que incentive investimentos e atividades que permitam a redução das emissões”, diz o documento, assinado por empresas como Vale, Suzano, Monsanto, Camargo Correa e Natura.

Em 2009, o governo brasileiro assumiu um compromisso internacional de redução das emissões nacionais de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020. No entanto, ainda não está definido como cada setor vai diminuir sua fatia de emissões.

No último dia 26, durante reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, o governo prometeu entregar ainda este ano planos de redução para cinco setores: energia, siderurgia, agricultura e para o combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

As sugestões apresentadas hoje pelas empresas contemplam as áreas de energia, transportes e agropecuária. De acordo com o Inventário Nacional de Emissões, energia e agropecuária são responsáveis, respectivamente, por 19% e s 15% dos gases de efeito estufa lançados pelo país na atmosfera. As emissões de transporte estão incluídas no setor de energia.

Entre as propostas da plataforma Empresas pelo Clima, estão investimentos na eficiência energética no setor industrial e a criação de linhas de crédito para financiar projetos desse tipo.

No setor de transportes, a principal demanda é a diversificação do modal de transporte do país, com ampliação da infraestrutura ferroviária e aquaviária. As empresas também defendem a “promoção da sustentabilidade na mobilidade urbana”, e sugerem investimentos em novos modelos de transporte público, como o BRT (sigla do inglês Bus Rapid Transit).

Para o setor agropecuário, as empresas defendem, por exemplo, o aumento de subsídios para a produção de matérias-primas para biocombustíveis e facilidades de crédito para que os produtores rurais adotem técnicas agrícolas que reduzem emissões de gases, como o plantio direto e a recuperação de pastagens degradadas.
(Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil)





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