Desvincular trabalho de emprego pode ser uma das tarefas mais difíceis de se executar. Foi a partir de profundas reflexões sobre o conceito de trabalho e os tipos e possibilidades de produção que nasceu o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD). No IHU ideias desta semana, o último de 2010, a doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Rita de Cássia Machado tratou do tema: “Os demitidos da vida: reflexões do mundo do trabalho a luz do MTD/RS”.
A ideia do MTD, segundo ela, era aglutinar a parcela mais empobrecida da sociedade. Assim, passaram a debater e buscar definir o que é o trabalho. Citando os autores que a ajudaram a construir seu mestrado sobre o tema tratado no evento, Rita disse que o trabalho é entendido como uma condição social e emancipação das pessoas. “Mais do que produzir objetos, todo trabalho produz sentidos”, disse.
Hoje, o MTD, que nasceu no Rio Grande do Sul, está presente em sete estados brasileiros. “A maior parte das pessoas que formam o MTD são mulheres, negras e desempregadas, mas há muitos homens que participam da organização também, constituindo o MTD como um movimento misto de trabalhadores e trabalhadoras jovens”, relata Rita.
A realidade da maior parte dos trabalhadores que fazem parte do MTD é de baixa qualificação profissional, precariedade de acesso a informação e educação. “Eles relatam que vivem o drama da violência urbana, a falta de escolas públicas e acesso ao sistema público de saúde”, conta a educadora.
O exemplo não estava muito longe da Sala Ignácio Ellacuría, onde aconteceu a palestra. Na platéia estava José Alencar Pereira, o Dico, que nos contou que vindo do interior e sem o ensino fundamental completo, enfrentou inúmeros e pesadas dificuldades na hora de encontrar emprego, mas principalmente nos momentos em que esteve desempregado. Natural de Sobradinho, Dico é hoje presidente da Associação dos Trabalhadores Urbanos de Reciclagem Orgânico e Inorgânico Aturói-Vitória, localizada no bairro Vicentina, em São Leopoldo. “Na minha cidade, eu trabalhava na colônia e quando cheguei aqui dei de cara com uma empresa grande. Comecei a trabalhar com plástico e os produtos me fizeram mal, depois disso fiquei desempregado por um ano. Depois fui trabalhar com estruturas metálicas, um trabalho muito perigoso e que pagava muito mal e depois fiquei mais um ano e pouco desempregado”.
Dico é um exemplo de grande parte das pessoas que precisam sair da zona rural e migrar para as capitais e regiões metropolitanas. Sair de um emprego porque questões de saúde é, muitas vezes, encarado negativamente por vizinhos, familiares e colegas. A concepção de trabalho como um status social, trazida por Rita, é destacada na fala de Dico. Já pensando em voltar para Sobradinho, com um filho pequeno para criar, Dico, então, conheceu, em 2002, o MTD. “O movimento me deu a oportunidade de buscar alternativas sem depender de patrão”, disse ele. Ao ser perguntado como é trabalhar sem patrão, Dico diz: “é muito complicado no início. Logo que formamos a Associação todo mundo entendia que eu deveria coordenar tudo, participar de reuniões, decidir. Hoje isso é bem diferente, todos têm autonomia, a gente divide as tarefas dentro do galpão e na rua. A maior parte das pessoas que trabalha com nós vem de emprego e eles demoram para acostumar a não ter alguém mandando”.
Rita, durante a palestra, conta também que o processo de trabalho, para quem é um “desempregado da vida”, é muito precário. “A experiência do MTD mostra que é fundamental elevar as condições de vida das pessoas transformando vidas individuais em vidas coletivas”, analisou. E propõe, como chave para a mudança, que surja uma nova organização pedagógica a partir de uma nova organização do trabalho.
Para ler mais:
•Transformando vidas individuais em vidas coletivas. Entrevista especial com Rita de Cássia Machado
•O mundo do trabalho no Brasil hoje. Mudanças e novos desafios. Edição 256 da Revista IHU On-Line
•O mundo do trabalho e a crise sistêmica do capitalismo globalizado. Edição 291 da Revista IHU On-Line
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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USP promove curso para idosos em Santos
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Unknown
em
11/05/2010 01:44:00 PM
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5/11/2010 Agência FAPESP
Memórias do açúcar: história, vivências e receitas é o título do curso que a Universidade de São Paulo (USP) promoverá na Base Avançada de Cultura e Extensão Universitária do Engenho São Jorge dos Erasmos, em Santos, no litoral paulista.
O curso é gratuito e será ministrado pela diretora do Engenho, a professora Vera Lucia Amaral Ferlini, nos dias 6, 20 e 27 de novembro, das 14h às 17h.
Voltado ao público da terceira idade, o programa abordará a história do açúcar em São Paulo, a construção do engenho dos Erasmos e a história da doçaria e das práticas culinárias ligadas ao açúcar
As inscrições podem ser feitas pelos telefones (13) 3203-4534 begin_of_the_skype_highlighting (13) 3203-4534 end_of_the_skype_highlighting ou (13) 3203-4534 begin_of_the_skype_highlighting (13) 3203-4534 end_of_the_skype_highlighting. A base fica na rua Alan Ciber Pinto, 96, Vila São Jorge, em Santos.
Mais informações: ruinasengenho@usp.br.
Base Avançada do Engenho São Jorge dos Erasmos: www.usp.br/prc/engenho
Memórias do açúcar: história, vivências e receitas é o título do curso que a Universidade de São Paulo (USP) promoverá na Base Avançada de Cultura e Extensão Universitária do Engenho São Jorge dos Erasmos, em Santos, no litoral paulista.
O curso é gratuito e será ministrado pela diretora do Engenho, a professora Vera Lucia Amaral Ferlini, nos dias 6, 20 e 27 de novembro, das 14h às 17h.
Voltado ao público da terceira idade, o programa abordará a história do açúcar em São Paulo, a construção do engenho dos Erasmos e a história da doçaria e das práticas culinárias ligadas ao açúcar
As inscrições podem ser feitas pelos telefones (13) 3203-4534 begin_of_the_skype_highlighting (13) 3203-4534 end_of_the_skype_highlighting ou (13) 3203-4534 begin_of_the_skype_highlighting (13) 3203-4534 end_of_the_skype_highlighting. A base fica na rua Alan Ciber Pinto, 96, Vila São Jorge, em Santos.
Mais informações: ruinasengenho@usp.br.
Base Avançada do Engenho São Jorge dos Erasmos: www.usp.br/prc/engenho
O Brasil na encruzilhada: para qual direção iremos? /// Instituto Ethos - Envolverde
A Conferência Internacional 2010 do Instituto Ethos reuniu 1.700 pessoas que se debruçaram sobre as possibilidades futuras para o Brasil e para o mundo durante três dias de diálogos intensos e profundos. Como conclusão, fica o sentimento de que se trata de um momento crucial para a história humana, no qual as decisões de agora podem firmar um caminho para um mundo justo e em equilíbrio ou repetir modelos inadequados que intensificarão as dificuldades da vida na Terra.
Durante o evento, foram ouvidos 78 palestrantes, que partilharam soluções possíveis para os desafios atuais, e se realizaram inúmeras rodas de diálogo para ampliar sua assimilação e análise. Ficou claro que há tecnologia e recursos para a transformação necessária e que o desafio maior está na mudança de visão de mundo, com a reorganização dos valores, ficando a solidariedade e o bem-estar de todos os seres vivos em primeiro lugar.
O Brasil está em posição privilegiada por suas condições naturais e seu protagonismo no campo das energias limpas, podendo dar o exemplo caso não repita erros cometidos em outros países, ao simplesmente copiar sistemas de interação social e produção de bens e serviços que geraram os problemas atuais de conflitos, pobreza e esgotamento dos recursos naturais.
Na manhã desta sexta-feira, 14 de maio, último dia da Conferência 2010, a plenária intitulada “O Caminho Adiante” abordou que direção tomar para criar o futuro desejado. Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos, iniciou o diálogo realçando que a rota proposta pela instituição é a de uma economia verde, inclusiva e responsável. “Precisamos tomar cuidado com as palavras. Um mesmo termo pode ter significados diferentes para os que o usam. Se falarmos em sustentabilidade, por exemplo, para alguns isso pode significar apenas a dimensão ambiental, sem levar em conta as desigualdades sociais que precisam ser enfrentadas”, salientou Itacarambi. Em seguida, explicou o sentido considerado para o objetivo abraçado pela organização.
Para ele, uma economia “verde” é aquela que respeita os sistemas naturais; “inclusiva”, a que tem todos os processos produtivos integrados, considerando-se também os de povos tradicionais; e “responsável”, a que é ética e comprometida com o bem-estar de todos.
O maior resultado visado é a existência de uma sociedade sustentável e justa, conforme salientou Oded Grajew, presidente do Ethos, também presente na plenária. Questionamentos sobre a viabilidade de se percorrer este caminho surgiram em diversas perguntas dos participantes. As dificuldades das empresas para promover as mudanças de forma isolada foram lembradas. Grajew esclareceu que o Ethos tem ciência da necessidade de expandir a adesão à responsabilidade socioambiental para todas as instâncias da sociedade. Por isso, vem intensificando seus trabalhos por melhores políticas públicas. Para que estas surjam, ele lembra que são necessárias mobilização e pressão da sociedade civil.
Convidado para a plenária, Ernst Ligteringen, CEO da Global Report Initiative (GRI) e membro do Conselho internacional do Ethos, observou que estamos transformando modos de pensar (mindset) e que isto demanda insistir nas mensagens. “As pessoas precisam ouvir uma mesma história seis ou sete vezes até acreditar que ela é verdadeira”, acrescentou.
Aron Cramer, CEO do Business for Social Responsability, outro conselheiro internacional presente, observou que é preciso ter em vista a melhoria das condições de vida de todos em tudo que se realiza. Se cada pessoa se pautar por esta intenção ao agir, criaremos um futuro melhor, superando as crises atuais, afirmou. Simon Zadek, da Universidade de Harvard (Estados Unidos) e também conselheiro do Ethos, acrescentou que novos modelos de negócios mais colaborativos estão se consolidando. Citou o exemplo da empresa Facebook, que consultou seus usuários para tomar decisões quanto à privacidade na Internet. “Planejar para a base é um bom caminho”.
“Nós do Ethos acreditamos que podemos construir a economia verde, inclusiva e responsável no Brasil”, enfatizou Itacarambi ao final da plenária. “Tenha o propósito e os meios aparecerão”, declarou Sérgio Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Ethos. Para quem se sente desanimado face às dificuldades e resistências a enfrentar, fica o recado de Oded Grajew. “Quando encontro um problema, isso me anima. Penso: ‘Opa! Vamos resolvê-lo!’”, declarou o líder, cutucando uma platéia na sua maioria mais jovem do que seus 65 anos de idade.
Entre as prioridades pós-conferência, o Ethos incentivará a ação local. Para tanto, lançou em conjunto com o Movimento Nossa São Paulo o Fórum Empresarial de Apoio à Cidade de São Paulo, na sequência da plenária. O Instituto lembrou os grupos de trabalho que mantém abertos aos interessados em seguir construindo o caminho para o futuro desejado e anunciou que divulgará seu plano de ação para os próximos dez anos ainda este ano, considerando também as discussões realizadas no evento.
Veja a cobertura completa da Conferência Internacional Ethos 2010 em www.ethos.org.br/ci2010/.
Por Neuza Árbocz (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)
Durante o evento, foram ouvidos 78 palestrantes, que partilharam soluções possíveis para os desafios atuais, e se realizaram inúmeras rodas de diálogo para ampliar sua assimilação e análise. Ficou claro que há tecnologia e recursos para a transformação necessária e que o desafio maior está na mudança de visão de mundo, com a reorganização dos valores, ficando a solidariedade e o bem-estar de todos os seres vivos em primeiro lugar.
O Brasil está em posição privilegiada por suas condições naturais e seu protagonismo no campo das energias limpas, podendo dar o exemplo caso não repita erros cometidos em outros países, ao simplesmente copiar sistemas de interação social e produção de bens e serviços que geraram os problemas atuais de conflitos, pobreza e esgotamento dos recursos naturais.
Na manhã desta sexta-feira, 14 de maio, último dia da Conferência 2010, a plenária intitulada “O Caminho Adiante” abordou que direção tomar para criar o futuro desejado. Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos, iniciou o diálogo realçando que a rota proposta pela instituição é a de uma economia verde, inclusiva e responsável. “Precisamos tomar cuidado com as palavras. Um mesmo termo pode ter significados diferentes para os que o usam. Se falarmos em sustentabilidade, por exemplo, para alguns isso pode significar apenas a dimensão ambiental, sem levar em conta as desigualdades sociais que precisam ser enfrentadas”, salientou Itacarambi. Em seguida, explicou o sentido considerado para o objetivo abraçado pela organização.
Para ele, uma economia “verde” é aquela que respeita os sistemas naturais; “inclusiva”, a que tem todos os processos produtivos integrados, considerando-se também os de povos tradicionais; e “responsável”, a que é ética e comprometida com o bem-estar de todos.
O maior resultado visado é a existência de uma sociedade sustentável e justa, conforme salientou Oded Grajew, presidente do Ethos, também presente na plenária. Questionamentos sobre a viabilidade de se percorrer este caminho surgiram em diversas perguntas dos participantes. As dificuldades das empresas para promover as mudanças de forma isolada foram lembradas. Grajew esclareceu que o Ethos tem ciência da necessidade de expandir a adesão à responsabilidade socioambiental para todas as instâncias da sociedade. Por isso, vem intensificando seus trabalhos por melhores políticas públicas. Para que estas surjam, ele lembra que são necessárias mobilização e pressão da sociedade civil.
Convidado para a plenária, Ernst Ligteringen, CEO da Global Report Initiative (GRI) e membro do Conselho internacional do Ethos, observou que estamos transformando modos de pensar (mindset) e que isto demanda insistir nas mensagens. “As pessoas precisam ouvir uma mesma história seis ou sete vezes até acreditar que ela é verdadeira”, acrescentou.
Aron Cramer, CEO do Business for Social Responsability, outro conselheiro internacional presente, observou que é preciso ter em vista a melhoria das condições de vida de todos em tudo que se realiza. Se cada pessoa se pautar por esta intenção ao agir, criaremos um futuro melhor, superando as crises atuais, afirmou. Simon Zadek, da Universidade de Harvard (Estados Unidos) e também conselheiro do Ethos, acrescentou que novos modelos de negócios mais colaborativos estão se consolidando. Citou o exemplo da empresa Facebook, que consultou seus usuários para tomar decisões quanto à privacidade na Internet. “Planejar para a base é um bom caminho”.
“Nós do Ethos acreditamos que podemos construir a economia verde, inclusiva e responsável no Brasil”, enfatizou Itacarambi ao final da plenária. “Tenha o propósito e os meios aparecerão”, declarou Sérgio Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Ethos. Para quem se sente desanimado face às dificuldades e resistências a enfrentar, fica o recado de Oded Grajew. “Quando encontro um problema, isso me anima. Penso: ‘Opa! Vamos resolvê-lo!’”, declarou o líder, cutucando uma platéia na sua maioria mais jovem do que seus 65 anos de idade.
Entre as prioridades pós-conferência, o Ethos incentivará a ação local. Para tanto, lançou em conjunto com o Movimento Nossa São Paulo o Fórum Empresarial de Apoio à Cidade de São Paulo, na sequência da plenária. O Instituto lembrou os grupos de trabalho que mantém abertos aos interessados em seguir construindo o caminho para o futuro desejado e anunciou que divulgará seu plano de ação para os próximos dez anos ainda este ano, considerando também as discussões realizadas no evento.
Veja a cobertura completa da Conferência Internacional Ethos 2010 em www.ethos.org.br/ci2010/.
Por Neuza Árbocz (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)
No Pará , a floresta em pé também faz dinheiro /// O Valor
Sabonetes em gomos, em lascas, em barra, para fatiar, e até em penca - oito quadradinhos unidos por um fio. Estes quatro formatos, fabricados a partir de cacau, murumuru, cupuaçu e maracujá deverão ser patenteados pela Natura e lançados em março.
Os novos produtos, da linha Ekos, são resultado de dois anos de pesquisa desenvolvida em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em Benevides (região metropolitana de Belém), e quatro anos de capacitação das comunidades extrativistas da Amazônia. Estas fornecem os frutos e as sementes.
A linha também é composta pelo sabonete em pasta de maracujá. O diferencial deles, segundo a Natura, é o aumento do índice de óleos vegetais na composição. Até agora, os sabonetes da Ekos - uma das principais marcas da companhia, responsável pela linha mais extensa, de 93 itens - eram produzidos com até 3% de óleo vegetal. Os lançamentos terão entre 20% e 50% do respectivo óleo do fruto na sua formulação.
A produção será realizada na unidade industrial de Benevides, que engloba duas fábricas: a de massa de sabonetes e a de extração de óleos vegetais, que acaba de ser inaugurada. Ao todo, desde 2007, quando a planta foi criada, foram investidos R$ 19 milhões nas instalações. O começo da operação da fábrica de óleos vegetais vai agregar mais seis postos de trabalho aos atuais 50, uma vez que a produção é altamente mecanizada.
O óleo entra agora na fabricação da massa do sabonete, que antes era feita apenas com óleo de dendê, fornecido pela Agropalma, diz Gilberto Xandó, diretor de unidade de negócio da Natura. Essa mudança, segundo o executivo, confere maiores propriedades de espumação, consistência, maciez e emoliência ao produto. E maior rentabilidade: enquanto um sabonete Ekos em barra tradicional é vendido por R$ 4, em média, a unidade, o de barras para fatiar será oferecido a R$ 10,50. O resultado não vai voltar só para a Natura, será repartido com a comunidade local, uma vez que o lançamento dos produtos exigiu um maior número de famílias envolvidas, diz Renata Puchala, gerente de marketing da linha Ekos.
A marca, que tem como principal característica o uso de elementos da biodiversidade brasileira na sua formulação, envolveu ao longo dos últimos dez anos 19 comunidades extrativistas no fornecimento de matérias-primas. Em todo o período, a remuneração pelo trabalho de 1,7 mil famílias atingiu R$ 8,5 milhões. Agora, estamos incorporando mais oito comunidades na produção dos novos sabonetes, o que envolve outras 263 famílias, diz Xandó. Com isso, diz ele, será revertido o dobro para as comunidades fornecedoras.
Em 2009, repassamos R$ 1,3 milhão e, este ano, com os lançamentos, vamos reverter R$ 2,6 milhões, afirma. Na opinião do executivo, o lançamento da nova linha de sabonetes reforça o portfólio da Natura com produtos premium. Ninguém precisa comprar um sabonete desses só para ajudar as comunidades: o consumidor vai comprar porque é realmente bom, e melhor ainda que esteja baseado em uma cadeia sustentável, afirma.
Outro ponto, diz Renata, é o fato desse processo permitir a floresta em pé. Explica que em algumas comunidades, como as que fornecem murumuru, esse fruto não era valorizado. Vem de uma palmeira que tem espinhos e não serve para comer. Muitas famílias preferiam derrubar as árvores de murumuru para plantar outras espécies mais rentáveis, como o açaí. Ajudamos a identificar o valor dessa matéria-prima e, consequentemente, a sua conservação, afirma a executiva. Ao todo, serão três mil árvores que continuarão de pé.
Os novos produtos, da linha Ekos, são resultado de dois anos de pesquisa desenvolvida em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em Benevides (região metropolitana de Belém), e quatro anos de capacitação das comunidades extrativistas da Amazônia. Estas fornecem os frutos e as sementes.
A linha também é composta pelo sabonete em pasta de maracujá. O diferencial deles, segundo a Natura, é o aumento do índice de óleos vegetais na composição. Até agora, os sabonetes da Ekos - uma das principais marcas da companhia, responsável pela linha mais extensa, de 93 itens - eram produzidos com até 3% de óleo vegetal. Os lançamentos terão entre 20% e 50% do respectivo óleo do fruto na sua formulação.
A produção será realizada na unidade industrial de Benevides, que engloba duas fábricas: a de massa de sabonetes e a de extração de óleos vegetais, que acaba de ser inaugurada. Ao todo, desde 2007, quando a planta foi criada, foram investidos R$ 19 milhões nas instalações. O começo da operação da fábrica de óleos vegetais vai agregar mais seis postos de trabalho aos atuais 50, uma vez que a produção é altamente mecanizada.
O óleo entra agora na fabricação da massa do sabonete, que antes era feita apenas com óleo de dendê, fornecido pela Agropalma, diz Gilberto Xandó, diretor de unidade de negócio da Natura. Essa mudança, segundo o executivo, confere maiores propriedades de espumação, consistência, maciez e emoliência ao produto. E maior rentabilidade: enquanto um sabonete Ekos em barra tradicional é vendido por R$ 4, em média, a unidade, o de barras para fatiar será oferecido a R$ 10,50. O resultado não vai voltar só para a Natura, será repartido com a comunidade local, uma vez que o lançamento dos produtos exigiu um maior número de famílias envolvidas, diz Renata Puchala, gerente de marketing da linha Ekos.
A marca, que tem como principal característica o uso de elementos da biodiversidade brasileira na sua formulação, envolveu ao longo dos últimos dez anos 19 comunidades extrativistas no fornecimento de matérias-primas. Em todo o período, a remuneração pelo trabalho de 1,7 mil famílias atingiu R$ 8,5 milhões. Agora, estamos incorporando mais oito comunidades na produção dos novos sabonetes, o que envolve outras 263 famílias, diz Xandó. Com isso, diz ele, será revertido o dobro para as comunidades fornecedoras.
Em 2009, repassamos R$ 1,3 milhão e, este ano, com os lançamentos, vamos reverter R$ 2,6 milhões, afirma. Na opinião do executivo, o lançamento da nova linha de sabonetes reforça o portfólio da Natura com produtos premium. Ninguém precisa comprar um sabonete desses só para ajudar as comunidades: o consumidor vai comprar porque é realmente bom, e melhor ainda que esteja baseado em uma cadeia sustentável, afirma.
Outro ponto, diz Renata, é o fato desse processo permitir a floresta em pé. Explica que em algumas comunidades, como as que fornecem murumuru, esse fruto não era valorizado. Vem de uma palmeira que tem espinhos e não serve para comer. Muitas famílias preferiam derrubar as árvores de murumuru para plantar outras espécies mais rentáveis, como o açaí. Ajudamos a identificar o valor dessa matéria-prima e, consequentemente, a sua conservação, afirma a executiva. Ao todo, serão três mil árvores que continuarão de pé.
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