Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Comissão Europeia declara guerra ao carro no centro das cidades

Publicado em abril 1, 2011 por HC
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A mesma Comissão Europeia que em 2000 se propôs transformar a UE em 2010 na primeira economia do conhecimento do mundo tirou ontem da cartola um plano para acabar com os carros poluidores nas cidades até 2050. O projeto oferece como alternativa de transporte, entre outras, a bicicleta e o antigo sistema pedestre. “Trata-se de um documento visionário”, disse Siim Kallas, o comissário de Transporte, ao apresentar seu Livro Branco para daqui a 40 anos com ideias para reduzir em 60% as emissões procedentes do transporte. Depois tornou-se realista: o documento “não tem valor legislativo”, disse. Reportagem de Ricardo Martínez de Rituerto, em El País.
O que Kallas fez foi tocar a campainha com um pacote de ideias que tentam tirar partido da realidade de que cada vez haverá menos dinheiro público para fazer coisas, e por isso o financiamento deverá proceder do bolso do cidadão, a quem o plano do comissário fará pagar pelo uso das vias urbanas. O modelo é Londres, cujo pedágio urbano se mostrou eficaz contra o uso do turismo na cidade.
O comissário define quatro objetivos para meados do século: acabar com os carros a gasolina e diesel nas cidades; elevar até 40% o uso de carburante para a aviação com baixo conteúdo de carbono; reduzir pelo menos em outros 40% as emissões dos barcos; e fazer que a metade dos passageiros e mercadorias que usam as rodovias empreguem a ferrovia e as vias navegáveis.
Como complemento, Kallas sugere que os principais aeroportos de cada país estejam unidos à rede ferroviária (idealmente de alta velocidade, que deveria ser triplicada até 2030), o mesmo que os portos marítimos, para dar rápida vazão às mercadorias.
“A opinião generalizada de que é preciso mover-se menos para combater a mudança climática é simplesmente falsa”, diz o comissário. “Podemos acabar com a dependência do petróleo no transporte sem sacrificar sua eficiência nem questionar a mobilidade.”
Segundo ele, os carros que hoje conhecemos serão empurrados paulatinamente para a lata de lixo da história por carros híbridos e elétricos, veículos com motor a hidrogênio, um transporte público mais eficiente e racional, a bicicleta e, no caso extremo, pelo simples caminhar de um lugar a outro.
“Graças a essas medidas, será possível reduzir em 60% as emissões de gases do efeito estufa do transporte na metade do século”, prevê Kallas. “É um objetivo muito realista.” O transporte é o setor mais resistente ao corte de emissões de CO2, já que obtém 96% de suas necessidades energéticas do petróleo. As emissões aumentaram. O objetivo proposto por Bruxelas de reduzir as emissões em 2050 entre 80% e 95% em relação a 1990 só poderá ser alcançado com uma mudança drástica no sistema de transporte (que melhoraria a poluição e o ruído nas cidades). A redução de emissões diminui a enorme dependência do petróleo exterior.
A Comissão calcula que serão necessários 1,5 bilhão de euros em 40 anos para implementar esses planos, dinheiro que, junto com os projetos de investimento público em infra-estrutura, deverá sair da colaboração entre o setor público e as autoridades. Em um futuro não definido, Bruxelas apresentará a norma para pedágio para ônibus de turismo, semelhante à que vigora para caminhões, com o fim de tornar realidade o princípio “quem polui paga”.
Embora o plano não tenha caráter compulsório, define a tendência para a indústria. Daí a irritação com que o documento foi recebido pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA na sigla em inglês), que considerou “infeliz” a “virada de 180 graus” proposta pela Comissão. A ACEA critica o objetivo de que, até 2030, 30% do transporte de mercadorias de mais de 300 quilômetros seja realizado por trem ou barco. A patronal insiste que o transporte rodoviário é a solução mais flexível e que Bruxelas não deve escolher entre uma e outra tecnologia.
A Agência Internacional de Energia já pediu “uma revolução no transporte”, que foi aplaudida por ecologistas e alguns sindicatos. O sindicato Comissões Operárias (CCOO) apresentou ontem um estudo segundo o qual o número de empregos em mobilidade sustentável poderia quase duplicar até 2020 e alcançar 443.870 postos de trabalho.
Menos petróleo
- Em 2010 a UE importou petróleo no valor de 210 bilhões de euros. A Espanha destinou 25,5 bilhões à compra de cru e derivados. O transporte cobre 96% de suas necessidades de energia com combustível fóssil.
- A Comissão Europeia planeja reduzir a dependência e as emissões de CO2 do transporte em 60% até 2050. Para isso, propõe que em 2050 não haja veículos de combustão nas cidades; apenas híbridos, híbridos recarregáveis, elétricos e de hidrogênio.
- Uma proposta é conseguir que 40% do combustível dos aviões seja de baixas emissões (biocarburantes, procedentes de algas…).
- Em 2030, 30% do transporte rodoviário deverão passar para as ferrovias. Em 2050 as viagens por estradas de mais de 300 quilômetros deverão ser a exceção.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Reportegem de El País, no UOL Notícias.
EcoDebate, 01/04/2011

Wobben crescerá 40% em dois anos >>> Jornal Cruzeiro do Sul


Carolina Santana - Redação Cruzeiro do Sul

Instalada em Sorocaba há 15 anos, a Wobben Windepower, conseguiu a contratação de 486 megawatts (MW) no primeiro leilão de energia eólica realizado no país em dezembro do ano passado. Este valor corresponde a 27% do total de 1.800 MW contratados pelo governo e aumentou a demanda da empresa em 40%, aproximadamente. O diretor presidente da empresa, Pedro Ângelo Vial, revela que em 15 anos no país a empresa instalou 337 MW e, somando com os projetos externos, as usinas instaladas pela Wobben somam 406,7 MW de potência.

As empresas vencedoras do leilão devem estar prontas para o fornecimento de energia em 2012. “Teremos de fazer em dois anos, 40% a mais do que se fez em 15 anos. Era tudo o que a gente queria”, brincou Vial. Ele explica que grupos de investidores participam diretamente do leilão apresentando projetos submetidos à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e à Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Esses grupos, por sua vez, devem fazem parcerias com fabricantes para a construção das usinas, que é o caso da Wobben. “Serão 71 usinas (contratadas pela praça). Muitos investidores entraram no leilão com os fabricantes já escolhidos, mas ainda há 300 MW contratados que ainda não têm fabricantes definidos”, explica. Os investidores ainda estão dentro do prazo para fazer a escolha das empresas.

A Wobben é fabricante de aerogeradores, ou seja, turbinas eólicas de grande porte. Instalada em Sorocaba, atualmente conta com 800 funcionários. A empresa chegou a ter 1.200 colaboradores mas o quadro foi diminuído por conta da baixa demanda do setor. O diretor presidente, no entanto, afirma que com esta nova demanda a recontratação é necessária. Ele espera que pelo menos novos 300 postos de serviços sejam criados neste segundo semestre de 2010.

Além da produção de componentes e aerogeradores para o mercado interno e externo, a empresa projeta, instala, opera e presta serviço de assistência técnica para Usinas Eólicas. É subsidiária da Enercon GmbH e, desde 2002, conta com uma segunda unidade fabril em Pecém, no Ceará.



Projetos contratados


A participação da Wobben neste primeiro leilão aconteceu por meio de projetos apresentados pela Petrobrás (104 MW no Rio Grande do Norte), CPFL (188 MW também no Rio Grande do Norte), Eletrosul (90 MW no Rio Grande do Sul) e o grupo espanhol Elecnor que fará usinas no Rio Grande do Sul. Fora do leilão a fabricante de aerogeradores já tem contratados outros 78 MW no Rio Grande do Sul, sendo 70 para a Eletricidade de Portugal (EDP) e mais 8 para a própria Elecnor. Ainda há 15 MW contratados na Costa Rica.



Expectativa para o segundo leilão


O segundo leilão de energia eólica do Brasil está marcado para agosto. De acordo com Pedro Vial, o diretor presidente da Wobben, as expectativas são boas. Segundo ele é esperado que o governo contrate outros 1.800 megawatts (MW). Esta contratação daria fôlego às empresas do setor para o período de 2012 a 2014. “A nossa luta agora é para conseguir um número de MW de vendas semelhante para termos uma projeção de pelo menos quatro ou cinco anos a frente, aí trabalhamos com tranquilidade”, diz Vial.

A iniciativa governamental de realizar os leilões de energia eólica, para o diretor presidente da Wobben, é uma alternativa para que o setor decole e se mantenha voando no país. “Esses leilões têm que se manter anualmente. Parece existir um espaço de 10 mil MW até 2020”, diz. Este valor é alto se comparado com os patamares atuais mas, segundo Vial, é pouco quando é avaliado o potencial de produção brasileira de energia através dos ventos. “O Brasil tem um potencial de produzir, pelo menos 300 mil MW em eólica. Isto é quase três vezes tudo que o Brasil tem instalado de energia eólica, térmica a gás, a carvão e hidrelétrica que é aproximada de 104 mil MW”, pondera. A energia hidrelétrica corresponde a 75% deste total.

O primeiro leilão foi realizado em dezembro do ano passado e foram inscritos cerca de 14 mil MW em projetos, dos quais foram selecionados 12 mil MW. A seleção ficou a cargo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A contratação efetiva feita com a praça foi de 1.800 MW. Foram contratadas a construção de 71 usinas eólicas dos investidores que ofereceram as tarifas mais baixas. Segundo o edital, os contratos serão de 20 anos e o preço máximo inicial era de R$ 189 por megawatts/hora (MW/h).

O Brasil na encruzilhada: para qual direção iremos? /// Instituto Ethos - Envolverde

 A Conferência Internacional 2010 do Instituto Ethos reuniu 1.700 pessoas que se debruçaram sobre as possibilidades futuras para o Brasil e para o mundo durante três dias de diálogos intensos e profundos. Como conclusão, fica o sentimento de que se trata de um momento crucial para a história humana, no qual as decisões de agora podem firmar um caminho para um mundo justo e em equilíbrio ou repetir modelos inadequados que intensificarão as dificuldades da vida na Terra.

Durante o evento, foram ouvidos 78 palestrantes, que partilharam soluções possíveis para os desafios atuais, e se realizaram inúmeras rodas de diálogo para ampliar sua assimilação e análise. Ficou claro que há tecnologia e recursos para a transformação necessária e que o desafio maior está na mudança de visão de mundo, com a reorganização dos valores, ficando a solidariedade e o bem-estar de todos os seres vivos em primeiro lugar.

O Brasil está em posição privilegiada por suas condições naturais e seu protagonismo no campo das energias limpas, podendo dar o exemplo caso não repita erros cometidos em outros países, ao simplesmente copiar sistemas de interação social e produção de bens e serviços que geraram os problemas atuais de conflitos, pobreza e esgotamento dos recursos naturais.

Na manhã desta sexta-feira, 14 de maio, último dia da Conferência 2010, a plenária intitulada “O Caminho Adiante” abordou que direção tomar para criar o futuro desejado. Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos, iniciou o diálogo realçando que a rota proposta pela instituição é a de uma economia verde, inclusiva e responsável. “Precisamos tomar cuidado com as palavras. Um mesmo termo pode ter significados diferentes para os que o usam. Se falarmos em sustentabilidade, por exemplo, para alguns isso pode significar apenas a dimensão ambiental, sem levar em conta as desigualdades sociais que precisam ser enfrentadas”, salientou Itacarambi. Em seguida, explicou o sentido considerado para o objetivo abraçado pela organização.

Para ele, uma economia “verde” é aquela que respeita os sistemas naturais; “inclusiva”, a que tem todos os processos produtivos integrados, considerando-se também os de povos tradicionais; e “responsável”, a que é ética e comprometida com o bem-estar de todos.

O maior resultado visado é a existência de uma sociedade sustentável e justa, conforme salientou Oded Grajew, presidente do Ethos, também presente na plenária. Questionamentos sobre a viabilidade de se percorrer este caminho surgiram em diversas perguntas dos participantes. As dificuldades das empresas para promover as mudanças de forma isolada foram lembradas. Grajew esclareceu que o Ethos tem ciência da necessidade de expandir a adesão à responsabilidade socioambiental para todas as instâncias da sociedade. Por isso, vem intensificando seus trabalhos por melhores políticas públicas. Para que estas surjam, ele lembra que são necessárias mobilização e pressão da sociedade civil.

Convidado para a plenária, Ernst Ligteringen, CEO da Global Report Initiative (GRI) e membro do Conselho internacional do Ethos, observou que estamos transformando modos de pensar (mindset) e que isto demanda insistir nas mensagens. “As pessoas precisam ouvir uma mesma história seis ou sete vezes até acreditar que ela é verdadeira”, acrescentou.

Aron Cramer, CEO do Business for Social Responsability, outro conselheiro internacional presente, observou que é preciso ter em vista a melhoria das condições de vida de todos em tudo que se realiza. Se cada pessoa se pautar por esta intenção ao agir, criaremos um futuro melhor, superando as crises atuais, afirmou. Simon Zadek, da Universidade de Harvard (Estados Unidos) e também conselheiro do Ethos, acrescentou que novos modelos de negócios mais colaborativos estão se consolidando. Citou o exemplo da empresa Facebook, que consultou seus usuários para tomar decisões quanto à privacidade na Internet. “Planejar para a base é um bom caminho”.

“Nós do Ethos acreditamos que podemos construir a economia verde, inclusiva e responsável no Brasil”, enfatizou Itacarambi ao final da plenária. “Tenha o propósito e os meios aparecerão”, declarou Sérgio Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Ethos. Para quem se sente desanimado face às dificuldades e resistências a enfrentar, fica o recado de Oded Grajew. “Quando encontro um problema, isso me anima. Penso: ‘Opa! Vamos resolvê-lo!’”, declarou o líder, cutucando uma platéia na sua maioria mais jovem do que seus 65 anos de idade.

Entre as prioridades pós-conferência, o Ethos incentivará a ação local. Para tanto, lançou em conjunto com o Movimento Nossa São Paulo o Fórum Empresarial de Apoio à Cidade de São Paulo, na sequência da plenária. O Instituto lembrou os grupos de trabalho que mantém abertos aos interessados em seguir construindo o caminho para o futuro desejado e anunciou que divulgará seu plano de ação para os próximos dez anos ainda este ano, considerando também as discussões realizadas no evento.

Veja a cobertura completa da Conferência Internacional Ethos 2010 em www.ethos.org.br/ci2010/.

Por Neuza Árbocz (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

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