“Pesquisa internacional sobre tendências de consumo demonstra que o consumidor global compraria produtos de marcas aliadas a causas.”
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou o fim do uso de sacolas plásticas pelo comércio no município. Outras cidades, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Jundiaí, já fizeram o mesmo. Trata-se de medida que se espalha pelas cidades brasileiras e demonstra fato já observado na pesquisa Sustentabilidade Aqui e Agora, realizada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Walmart no ano passado. Naquele levantamento, 69% dos entrevistados afirmaram que carregariam suas compras em sacos ou sacolas de outro material, se as plásticas deixassem de existir. Fariam isso em favor da preservação do meio ambiente.
A tendência de adotar novas atitudes em prol de uma causa também foi detectada por um estudo da Edelman, uma das maiores agências de relações públicas do mundo. No final do ano passado, ela divulgou uma pesquisa mundial sobre tendências de consumo chamada Good Purposes (Bons Propósitos), em que fica demonstrado que o consumidor global compraria produtos de marcas aliadas a causas.
O estudo entrevistou 7.259 pessoas, em 13 países, e apresenta alguns resultados interessantes. Os países pesquisados foram Alemanha, Brasil, Canadá, China, Emirados Árabes, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Itália, Japão, México e Reino Unido.
Alguns dos resultados:
• 86% dos entrevistados em todos os países acreditam que as empresas devem dedicar igual peso e relevância aos interesses da sociedade e a seus próprios interesses de negócio;
• 8 em cada 10 consumidores no Brasil e no México comprariam produtos de empresas que apóiam boas causas, em comparação com pouco mais de metade (54%) dos consumidores das maiores economias ocidentais;
• Quase dois terços dos respondentes globais (64%) acreditam que já não é possível que as empresas se limitem a fazer doações. É necessário que elas integrem boas causas no dia a dia do seu negócio;
• 62% dos entrevistados nos 13 países estão dispostos a trocar de marca em razão da boa causa que esta apóie.
• Na análise comparativa desde 2007, ano em que essa pesquisa foi feita pela primeira vez, inverteu-se o nível de confiança dos consumidores em relação a atitudes concretas das companhias sobre causas de interesse coletivo. Enquanto a crença em que as marcas realizam algo neste sentido saltou de 46% para 64% entre 2007 e 2010, a visão de que a maioria nada pratica caiu de 51% para 32% no mesmo período.
No recorte sobre os resultados brasileiros, chama a atenção o ganho de autoconfiança do consumidor em relação à sua capacidade de ser agente de transformação. Subiu de 1%, em 2009, para 11%, em 2010, a crença na capacidade de influenciar a empresa e a sociedade por meio da defesa de uma causa. Mas, ainda assim, a porcentagem é baixa. De qualquer modo, para os especialistas da Edelman, o Brasil “puxa” a tendência mundial na qual o consumidor é, hoje, um consumidor-cidadão, para quem, antes de adquirir o produto, é preciso refletir sobre o que a marca entrega à sociedade.
Nesse sentido:
• 80% recomendariam a compra de uma marca vinculada a alguma causa relevante;
• 81% declaram confiar mais em marcas que são ética e socialmente responsáveis; e
• 84% acreditam que consumidor e marca, juntos, podem fazer mais por uma causa do que se atuassem de modo separado.
No que tange ao meio ambiente, 79% dos brasileiros acreditam que ajudam a preservá-lo. A média global é de 71%. China e México têm porcentagens mais altas que as brasileiras.
É interessante cruzar esses dados sobre o Brasil com os da pesquisa Responsabilidade Social das Empresas: Percepção do Consumidor Brasileiro, resultado de uma parceria entre o Instituto Ethos, o Instituto Akatu e o Ibope. Entre as práticas de RSE das empresas, 80% dos consumidores valorizam as práticas relativas às relações do trabalho, principalmente aquelas que promovam a diversidade e a equidade de gênero e raça, bem como a igualdade de oportunidades e de salários.
Isso faz sentido. Dados do IBGE relativos ao Censo 2010 mostram que pouco mais de 50% da população são constituídos por mulheres; e também pouco mais de 50% dos brasileiros e das brasileiras se consideram negros.
No entanto, a pesquisa Ethos-Akatu revela que a promoção da diversidade e a equidade de gênero e raça e a igualdade de oportunidades e de salários são prioritárias para apenas 44% das empresas ouvidas no levantamento.
A edição de 2010 da pesquisa Ethos-Ibope Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil mostra que o funcionário “médio” dessas corporações ainda é homem e branco. Negros, mulheres e pessoas com deficiência têm pouca participação nos quadros funcionais, notadamente naqueles de mais alta hierarquia.
Se a porcentagem dos consumidores que se vêem como agentes de transformação subir para mais de 11% e tomar a atitude de punir as empresas que não promovam equidade de gênero e raça em seus quadros, teremos uma revolução no mercado de trabalho, não?
* Paulo Itacarambi é vice-presidente executivo do Instituto Ethos
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Tem como ser sustentável sem deixar de consumir?
INFOMONEY 03/01/2011 17h40
O tempo todo e em todo lugar recebemos estímulos para consumir os mais variados produtos e serviços. No outdoor, há uma propaganda de roupas com atores famosos. Na revista, encontramos páginas inteiras com fotos de comida. Em jornais, promoções de eletrodomésticos. Na TV, aparelhos de ginástica importados. Sem mencionar os filmes e as novelas que divulgam os produtos dos seus patrocinadores.
"As pessoas não percebem um limite para o qual você acaba simplesmente gastando seu dinheiro, seu tempo, seu estresse, sua energia para ganhar dinheiro e comprar coisas que não vão melhorar sua vida e que torna insustentável tanto o lado individual quanto o planeta e a sociedade em que a gente vive", afirma o coordenador-geral do seminário Diálogo Nacional – Rumo à Rio+20, Aron Belinky.
"A maior parte de nós tende a comprar coisas por impulso ou, simplesmente, por conta daquela ideia de que quanto mais você tem, melhor você vive", reitera o também colaborador do Instituto Vitae Civilis em projetos como as atividades da Green Economy Coalition no Brasil.
O problema dessa falta de limite e da necessidade de possuir muito em busca de uma vida melhor são as consequências negativas para o meio ambiente e a sociedade. Por isso, é extremamente importante cada pessoa ter consciência dos impactos que a sua compra vai causar e, assim, optar pelo caminho mais sustentável.
Conheça os quatro pontos essenciais para ser consciente
"Há dez anos, quando o Akatu começou, eu lembro de uma das primeiras entrevistas que dei. O jornalista me perguntou se era possível existir consumo consciente, porque pela própria natureza do consumo ele seria inconsciente", lembra o presidente do Instituto, Helio Mattar. "O que coloquei veio se confirmar: ele será inconscitente enquanto as pessoas não tiverem percepção do impacto que o consumo tem sobre a sociedade e o meio ambiente".
O tempo todo e em todo lugar recebemos estímulos para consumir os mais variados produtos e serviços. No outdoor, há uma propaganda de roupas com atores famosos. Na revista, encontramos páginas inteiras com fotos de comida. Em jornais, promoções de eletrodomésticos. Na TV, aparelhos de ginástica importados. Sem mencionar os filmes e as novelas que divulgam os produtos dos seus patrocinadores.
"As pessoas não percebem um limite para o qual você acaba simplesmente gastando seu dinheiro, seu tempo, seu estresse, sua energia para ganhar dinheiro e comprar coisas que não vão melhorar sua vida e que torna insustentável tanto o lado individual quanto o planeta e a sociedade em que a gente vive", afirma o coordenador-geral do seminário Diálogo Nacional – Rumo à Rio+20, Aron Belinky.
"A maior parte de nós tende a comprar coisas por impulso ou, simplesmente, por conta daquela ideia de que quanto mais você tem, melhor você vive", reitera o também colaborador do Instituto Vitae Civilis em projetos como as atividades da Green Economy Coalition no Brasil.
O problema dessa falta de limite e da necessidade de possuir muito em busca de uma vida melhor são as consequências negativas para o meio ambiente e a sociedade. Por isso, é extremamente importante cada pessoa ter consciência dos impactos que a sua compra vai causar e, assim, optar pelo caminho mais sustentável.
Conheça os quatro pontos essenciais para ser consciente
"Há dez anos, quando o Akatu começou, eu lembro de uma das primeiras entrevistas que dei. O jornalista me perguntou se era possível existir consumo consciente, porque pela própria natureza do consumo ele seria inconsciente", lembra o presidente do Instituto, Helio Mattar. "O que coloquei veio se confirmar: ele será inconscitente enquanto as pessoas não tiverem percepção do impacto que o consumo tem sobre a sociedade e o meio ambiente".
Consumidores querem mais informações sobre produtos sustentáveis
Constatação foi apresentada por Will Ander, um dos maiores especialistas em varejo do mundo, durante o primeiro dia do evento Multi Retail
São Paulo - Os consumidores mundiais querem mais oferta de produtos ecológicos e sustentáveis e mais informações dos varejistas sobre suas iniciativas e itens disponíveis no mercado.
Essas foram algumas das constatações de Will Ander, um dos maiores especialistas em varejo do mundo e sócio sênior da consultoria internacional McMillan, durante o primeiro dia do Multi Retail.
O evento começou na manhã desta terça-feira (19), no Hotel Transamérica, em São Paulo, e é considerado o maior acontecimento varejista multiformato do Brasil. "60% dos consumidores norte-americanos incluem produtos ecológicos em suas compras no varejo. O movimento verde não é uma tendência, mas uma maneira de viver. Não há caminho de volta nesse processo. Todas as empresas varejistas devem estar envolvidas com a sustentabilidade", disse Ander.
Segundo o executivo, cada vez mais os consumidores exigem informações e comprometimento da indústria varejista em relação ao tema. Neste sentido, o especialista citou o Wal-Mart como a principal rede do setor envolvida com a questão. "O Wal-Mart está tomando a liderança na condução da sustentabilidade nos Estados Unidos pois têm inúmeras iniciativas focadas no tema. Além disso, muitas feiras e produtores orgânicos estão crescendo nos EUA. Os varejistas devem incorporar a sustentabilidade como parte de sua missão", acrescentou Ander
EXAME Juliana Welling,
São Paulo - Os consumidores mundiais querem mais oferta de produtos ecológicos e sustentáveis e mais informações dos varejistas sobre suas iniciativas e itens disponíveis no mercado.
Essas foram algumas das constatações de Will Ander, um dos maiores especialistas em varejo do mundo e sócio sênior da consultoria internacional McMillan, durante o primeiro dia do Multi Retail.
O evento começou na manhã desta terça-feira (19), no Hotel Transamérica, em São Paulo, e é considerado o maior acontecimento varejista multiformato do Brasil. "60% dos consumidores norte-americanos incluem produtos ecológicos em suas compras no varejo. O movimento verde não é uma tendência, mas uma maneira de viver. Não há caminho de volta nesse processo. Todas as empresas varejistas devem estar envolvidas com a sustentabilidade", disse Ander.
Segundo o executivo, cada vez mais os consumidores exigem informações e comprometimento da indústria varejista em relação ao tema. Neste sentido, o especialista citou o Wal-Mart como a principal rede do setor envolvida com a questão. "O Wal-Mart está tomando a liderança na condução da sustentabilidade nos Estados Unidos pois têm inúmeras iniciativas focadas no tema. Além disso, muitas feiras e produtores orgânicos estão crescendo nos EUA. Os varejistas devem incorporar a sustentabilidade como parte de sua missão", acrescentou Ander
Governo lança plano ousado para promover produção e consumo sustentáveis
Ambiente Brasil / MMA
Nos próximos três anos, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai trabalhar em conjunto com diversos atores para promover mudanças em nossos padrões de produção e consumo. Os atuais padrões logo não serão compatíveis com os limites físicos do planeta e o Brasil precisa estar preparado. Para isso, o MMA pretende mexer até nas prateleiras dos supermercados.Um conjunto de ações articuladas que prometem uma revolução nas relações de consumo no Brasil entra em consulta pública no site do MMA de 21 de setembro até 11 de novembro de 2010. Em estrita consonância com novos marcos legais, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos e as resoluções do Conama, o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) quer colocar na mesma mesa atores importantes do governo, do setor produtivo e da sociedade civil para mostrar que responsabilidade socioambiental dá lucro e ajuda a mover o país em direção ao desenvolvimento sustentável.
“Vamos convocar a sociedade! A ideia é sair da zona do conforto e agir imediatamente”, avisa a secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, responsável também pela campanha Saco é um Saco, que já retirou dos supermercados 800 milhões de sacolas plásticas potencialmente nocivas ao meio ambiente. Como foi formulado, o Plano é um “guarda-chuva” de programas governamentais e ações do setor privado e da sociedade civil previstas e em curso, uma agenda positiva para mostrar os esforços que o governo e a sociedade estão fazendo. A ideia central do Plano é a articulação entre essas iniciativas, de maneira a fomentar a mudança para padrões mais sustentáveis de produção e consumo.
Consumo consciente ainda não é hábito para os brasileiros /// Gazeta do Povo - RPC
Pesquisa mostra que apenas 4% dos consumidores têm comportamento considerado sustentável
Publicado em 16/05/2010
Fale conoscoRSSImprimirEnviar por emailReceba notícias pelo celularReceba boletinsAumentar letraDiminuir letraDe gasolina amiga da natureza a cosméticos que ajudam na preservação da Amazônia. De banco sustentável a fabricante de cigarros com responsabilidade social. Praticamente onipresente há cerca de uma década em embalagens, propagandas e produtos, o discurso das empresas comprometidas com a sustentabilidade socioambiental só não conquistou um espaço fundamental: a cabeça dos consumidores.
A pesquisa “O Observador – Barômetro Brasil 2010”, desenvolvida pela Cetelem, braço financeiro do grupo BNP Paribas no Brasil, mostra que apenas 4% dos consumidores brasileiros incorporaram as práticas do chamado consumo consciente.
Saiba mais
Veja o perfil dos consumidores brasileirosO Teste de Consumo Consciente (TCC), metodologia criada pelo Instituto Akatu – instituição focada na mudança de comportamento do consumidor – considera o cumprimento de 13 comportamentos simples, como apagar as luzes ao sair de um local ou fechar a torneira ao escovar os dentes; quanto mais desses hábitos são seguidos, maior o nível de comprometimento do consumidor.
A boa notícia é que a grande maioria dos brasileiros – 65% dos entrevistados – é “iniciante”, e adota entre 3 e 7 desses comportamentos sustentáveis. Por outro lado, 11% são “indiferentes” sobre o impacto de seu comportamento de consumo em relação ao meio ambiente, com a prática de, no máximo, dois hábitos sustentáveis.
Elas e eles
O estudo aponta que o nível de escolaridade está diretamente relacionado ao grau de comprometimento do consumidor; quanto mais instruídos, maior o nível de consciência. Já as mulheres são mais comprometidas do que os homens. Nos outros grupos de consumo, no entanto, não há diferença significante entre os gêneros.
Também nota-se uma variação pelo critério de divisão socioeconômica. A população das classes D e E é maioria nos grupos de “indiferentes” e “iniciantes”, enquanto as classes A e B são as mais comprometidas e conscientes. A classe C, por sua vez, aparece com resultados muito próximos às classes A e B.
Pela divisão geográfica, as regiões Nordeste e o Sul apresentam com maior índice de consumidores indiferentes, enquanto o Sudeste concentra o maior índice de comprometidos.
O chefe de cozinha Anderson Batista Silva pertence à minoria de brasileiros que refletem sobre as consequências de seus hábitos de consumo. Sempre que desocupa qualquer ambiente, ele se certifica de que desligou, além das luzes, o ar condicionado, o ventilador e a televisão. “Não faço apenas pela economia de dinheiro, mas também porque gastando menos usamos melhor essa energia em outros setores da sociedade”, explica.
Na cozinha, seu ambiente de trabalho, ele garante que sempre que monta cardápios ou faz anotações para compras, usa o verso das folhas já utilizadas para economizar papel. Além disso, fecha a torneira enquanto ensaboa a louça para economizar água e lê os rótulos para identificar se o produto agride o meio ambiente, optando por comprar aqueles que geram menor impacto. “O essencial é que cada um faça sua parte”, estimula.
Já a estudante de Direito Maria Fernanda Dozza Messagi pertence à categoria de “iniciantes”. Ela separa o lixo para reciclagem, faz questão de pedir nota fiscal em todas as suas compras, mas, por outro lado, “escorrega” quando o assunto é o planejamento dos gastos e os cuidados com o consumo de energia. Além disso, Maria Fernanda revela que não lê os rótulos e não prioriza a compra de produtos ditos sustentáveis. Mesmo assim, ela acredita que está fazendo a sua parte. “Se todas as pessoas tomassem algum tipo de atitude, por menor que seja, os problemas seriam muito menores”, argumenta.
A estudante de psicologia Rafaela Miranda Dutra, no entanto, é daquele tipo de consumidor que não se importa em deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes ou em deixar a televisão ligada mesmo se não estiver assistindo. A justificativa da “consumidora inconsciente” está na “falta de tempo” e na “preguiça”. “Eu não faço porque se só eu fizer não vai adiantar nada”, justifica Fernanda, que afirma ainda que não se importa com o futuro do meio ambiente.
Valores
Ao avaliar os hábitos de consumo dos brasileiros, o Instituto Akatu detectou três sistemas de valores diretamente relacionados à prática do chamado consumo consciente. Em primeiro lugar aparece o “ambientalismo”, pautado na crença de que a a questão ambiental é urgente e de que é preciso priorizar o reequilíbrio entre o homem e a natureza.
Em segundo está a chamada “simplicidade voluntária”, que valoriza um estilo de vida mais simples, pautado no bem estar e que não depende tanto do consumo de bens e produtos. E, por último, aparece o “pós-materialismo”, que se caracteriza pela valorização de conceitos intangíveis, como a a realização pessoal, a inclusão e o reconhecimento social em detrimento das necessidades materiais.
Publicado em 16/05/2010
Alexandre Costa Nascimento - Colaborou Fernanda Maranhão
Fale conoscoRSSImprimirEnviar por emailReceba notícias pelo celularReceba boletinsAumentar letraDiminuir letraDe gasolina amiga da natureza a cosméticos que ajudam na preservação da Amazônia. De banco sustentável a fabricante de cigarros com responsabilidade social. Praticamente onipresente há cerca de uma década em embalagens, propagandas e produtos, o discurso das empresas comprometidas com a sustentabilidade socioambiental só não conquistou um espaço fundamental: a cabeça dos consumidores.
A pesquisa “O Observador – Barômetro Brasil 2010”, desenvolvida pela Cetelem, braço financeiro do grupo BNP Paribas no Brasil, mostra que apenas 4% dos consumidores brasileiros incorporaram as práticas do chamado consumo consciente.
Saiba mais
Veja o perfil dos consumidores brasileirosO Teste de Consumo Consciente (TCC), metodologia criada pelo Instituto Akatu – instituição focada na mudança de comportamento do consumidor – considera o cumprimento de 13 comportamentos simples, como apagar as luzes ao sair de um local ou fechar a torneira ao escovar os dentes; quanto mais desses hábitos são seguidos, maior o nível de comprometimento do consumidor.
A boa notícia é que a grande maioria dos brasileiros – 65% dos entrevistados – é “iniciante”, e adota entre 3 e 7 desses comportamentos sustentáveis. Por outro lado, 11% são “indiferentes” sobre o impacto de seu comportamento de consumo em relação ao meio ambiente, com a prática de, no máximo, dois hábitos sustentáveis.
Elas e eles
O estudo aponta que o nível de escolaridade está diretamente relacionado ao grau de comprometimento do consumidor; quanto mais instruídos, maior o nível de consciência. Já as mulheres são mais comprometidas do que os homens. Nos outros grupos de consumo, no entanto, não há diferença significante entre os gêneros.
Também nota-se uma variação pelo critério de divisão socioeconômica. A população das classes D e E é maioria nos grupos de “indiferentes” e “iniciantes”, enquanto as classes A e B são as mais comprometidas e conscientes. A classe C, por sua vez, aparece com resultados muito próximos às classes A e B.
Pela divisão geográfica, as regiões Nordeste e o Sul apresentam com maior índice de consumidores indiferentes, enquanto o Sudeste concentra o maior índice de comprometidos.
O chefe de cozinha Anderson Batista Silva pertence à minoria de brasileiros que refletem sobre as consequências de seus hábitos de consumo. Sempre que desocupa qualquer ambiente, ele se certifica de que desligou, além das luzes, o ar condicionado, o ventilador e a televisão. “Não faço apenas pela economia de dinheiro, mas também porque gastando menos usamos melhor essa energia em outros setores da sociedade”, explica.
Na cozinha, seu ambiente de trabalho, ele garante que sempre que monta cardápios ou faz anotações para compras, usa o verso das folhas já utilizadas para economizar papel. Além disso, fecha a torneira enquanto ensaboa a louça para economizar água e lê os rótulos para identificar se o produto agride o meio ambiente, optando por comprar aqueles que geram menor impacto. “O essencial é que cada um faça sua parte”, estimula.
Já a estudante de Direito Maria Fernanda Dozza Messagi pertence à categoria de “iniciantes”. Ela separa o lixo para reciclagem, faz questão de pedir nota fiscal em todas as suas compras, mas, por outro lado, “escorrega” quando o assunto é o planejamento dos gastos e os cuidados com o consumo de energia. Além disso, Maria Fernanda revela que não lê os rótulos e não prioriza a compra de produtos ditos sustentáveis. Mesmo assim, ela acredita que está fazendo a sua parte. “Se todas as pessoas tomassem algum tipo de atitude, por menor que seja, os problemas seriam muito menores”, argumenta.
A estudante de psicologia Rafaela Miranda Dutra, no entanto, é daquele tipo de consumidor que não se importa em deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes ou em deixar a televisão ligada mesmo se não estiver assistindo. A justificativa da “consumidora inconsciente” está na “falta de tempo” e na “preguiça”. “Eu não faço porque se só eu fizer não vai adiantar nada”, justifica Fernanda, que afirma ainda que não se importa com o futuro do meio ambiente.
Valores
Ao avaliar os hábitos de consumo dos brasileiros, o Instituto Akatu detectou três sistemas de valores diretamente relacionados à prática do chamado consumo consciente. Em primeiro lugar aparece o “ambientalismo”, pautado na crença de que a a questão ambiental é urgente e de que é preciso priorizar o reequilíbrio entre o homem e a natureza.
Em segundo está a chamada “simplicidade voluntária”, que valoriza um estilo de vida mais simples, pautado no bem estar e que não depende tanto do consumo de bens e produtos. E, por último, aparece o “pós-materialismo”, que se caracteriza pela valorização de conceitos intangíveis, como a a realização pessoal, a inclusão e o reconhecimento social em detrimento das necessidades materiais.
Projeto cria política para educação e consumo sustentável /// Ambiente Energia
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Postado por
Unknown
em
5/03/2010 03:00:00 AM
Marcadores:
consumo sustentavel,
energia
Da Agência Ambiente Energia - O país poderá ganhar, em breve, uma Política de Educação para o Consumo Sustentável, se o PLC 270/09, de autoria da deputada Rebecca Garcia (PP-AM) for aprovado pelo Senado Federal. Segundo informações da Agência Senado, um dos objetivos da Política de Educação para o Consumo Sustentável é incentivar mudanças de atitude dos consumidores na escolha de produtos que sejam produzidos com base em processos ecologicamente sustentáveis. A matéria será votada em caráter terminativo.
O projeto, já aprovada pela Câmara dos Deputados, determina a promoção de campanhas para a população em geral, por meio dos meios de comunicação de massa. Também estipula a capacitação de docentes para serem multiplicadores nos programas de educação ambiental dos ensinos fundamental e médio. Na sexta-feira, 30 de abril, o relator, senador Gilberto Goellner (DEM-MT), apresentou parecer favorável à matéria por entender que obedece a Constituição quando ela atribui ao poder público a incumbência de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.
O projeto tem ainda outros objetivos: estimular a redução do consumo de água, energia e de outros recursos naturais, renováveis e não renováveis, no âmbito residencial e das atividades de produção, de comércio e de serviços; promover a redução do acúmulo de resíduos sólidos, pelo retorno pós-consumo de embalagens, pilhas, baterias, pneus, lâmpadas e outros produtos considerados perigosos ou de difícil decomposição; e estimular a reutilização e a reciclagem dos produtos e embalagens
O projeto, já aprovada pela Câmara dos Deputados, determina a promoção de campanhas para a população em geral, por meio dos meios de comunicação de massa. Também estipula a capacitação de docentes para serem multiplicadores nos programas de educação ambiental dos ensinos fundamental e médio. Na sexta-feira, 30 de abril, o relator, senador Gilberto Goellner (DEM-MT), apresentou parecer favorável à matéria por entender que obedece a Constituição quando ela atribui ao poder público a incumbência de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.
O projeto tem ainda outros objetivos: estimular a redução do consumo de água, energia e de outros recursos naturais, renováveis e não renováveis, no âmbito residencial e das atividades de produção, de comércio e de serviços; promover a redução do acúmulo de resíduos sólidos, pelo retorno pós-consumo de embalagens, pilhas, baterias, pneus, lâmpadas e outros produtos considerados perigosos ou de difícil decomposição; e estimular a reutilização e a reciclagem dos produtos e embalagens
Como as políticas públicas podem atuar no aumento do consumo de produtos sustentáveis? /// Portal Unomarketing
Fernando Quintino Cesnik, Quintino e Salinas Advogados
A recente pesquisa e estudo divulgados pelo Portal Unomarketing e Idéia Sustentável sobre o comportamento do consumidor indica que os hábitos de compra decorrem principalmente do poder aquisitivo da população, ou seja, o consumidor em primeiro lugar avalia os produtos pelo preço - quanto melhor o custo/benefício para aquisição do produto, melhor a compra.
No contexto econômico brasileiro, o comportamento que privilegiar a compra de produtos sustentáveis e mais caros que os insustentáveis, provavelmente, ficará restrito ao grupo social com maior poder aquisitivo, ou seja, os produtos sustentáveis só deverão atingir a maior parte da população no momento em que o preço for similar aos concorrentes “insustentáveis”.
Nesse cenário, o Governo Federal tem um papel importantíssimo como indutor de boas políticas públicas que possam interferir positivamente nos hábitos de consumo do brasileiro, especialmente por controlar os mecanismos que promovem a desoneração dos impostos que incidem sobre produtos sustentáveis.
Em tempos de crise como vimos em 2009, o Governo Federal teve papel fundamental ao instituir isenções fiscais a produtos essenciais na geração de empregos e manutenção do nível de produção industrial, exemplos disso foram as recentes isenções de IPI conferidas a eletrodomésticos da linha branca e a industria automobilística.
A isenção de tributos provocou a imediata manutenção dos níveis de consumo de eletrodomésticos e carros, preservando a capacidade de compra da população, os níveis de produção, os empregos e gerando alta rentabilidade da indústria nesses segmentos. No mercado automobilístico, o efeito foi tamanho que a venda de carros bateu recorde de vendas e ultrapassou a marca de 320 mil novos carros vendidos em março/2010.
O Governo Brasileiro atuou com ênfase na preservação desses mercados como política de mitigar os efeitos danosos do desaquecimento econômico e poderá ter uma atuação semelhante na isenção de impostos sobre produtos sustentáveis para que os preços desses produtos sejam acessíveis a maior parte da população.
Ao atuar positivamente na redução dos encargos e tributos sobre as linhas de produção que tem como meta gerar produtos sustentáveis, que gerem menor impacto sobre o meio ambiente, que se preocupem com a saúde do consumidor, o Estado terá de imediato redução de arrecadação, mas certamente vai economizar futuros investimentos que serão necessários para mitigar os danos e prejuízos incalculáveis que serão gerados pelo crescimento, produção e consumo insustentáveis
A recente pesquisa e estudo divulgados pelo Portal Unomarketing e Idéia Sustentável sobre o comportamento do consumidor indica que os hábitos de compra decorrem principalmente do poder aquisitivo da população, ou seja, o consumidor em primeiro lugar avalia os produtos pelo preço - quanto melhor o custo/benefício para aquisição do produto, melhor a compra.
No contexto econômico brasileiro, o comportamento que privilegiar a compra de produtos sustentáveis e mais caros que os insustentáveis, provavelmente, ficará restrito ao grupo social com maior poder aquisitivo, ou seja, os produtos sustentáveis só deverão atingir a maior parte da população no momento em que o preço for similar aos concorrentes “insustentáveis”.
Nesse cenário, o Governo Federal tem um papel importantíssimo como indutor de boas políticas públicas que possam interferir positivamente nos hábitos de consumo do brasileiro, especialmente por controlar os mecanismos que promovem a desoneração dos impostos que incidem sobre produtos sustentáveis.
Em tempos de crise como vimos em 2009, o Governo Federal teve papel fundamental ao instituir isenções fiscais a produtos essenciais na geração de empregos e manutenção do nível de produção industrial, exemplos disso foram as recentes isenções de IPI conferidas a eletrodomésticos da linha branca e a industria automobilística.
A isenção de tributos provocou a imediata manutenção dos níveis de consumo de eletrodomésticos e carros, preservando a capacidade de compra da população, os níveis de produção, os empregos e gerando alta rentabilidade da indústria nesses segmentos. No mercado automobilístico, o efeito foi tamanho que a venda de carros bateu recorde de vendas e ultrapassou a marca de 320 mil novos carros vendidos em março/2010.
O Governo Brasileiro atuou com ênfase na preservação desses mercados como política de mitigar os efeitos danosos do desaquecimento econômico e poderá ter uma atuação semelhante na isenção de impostos sobre produtos sustentáveis para que os preços desses produtos sejam acessíveis a maior parte da população.
Ao atuar positivamente na redução dos encargos e tributos sobre as linhas de produção que tem como meta gerar produtos sustentáveis, que gerem menor impacto sobre o meio ambiente, que se preocupem com a saúde do consumidor, o Estado terá de imediato redução de arrecadação, mas certamente vai economizar futuros investimentos que serão necessários para mitigar os danos e prejuízos incalculáveis que serão gerados pelo crescimento, produção e consumo insustentáveis
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