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O Partido Verde (PV) pediu, no dia 8/10, aos dois candidatos à Presidência da República (8), o compromisso de vetar as mudanças no Código Florestal. O pedido está entre as mais de 40 solicitações de “compromissos” aos candidatos, apresentados publicamente hoje pelo partido, que servirão de base para a decisão do PV em quem apoiar no segundo turno.
O partido também propôs o compromisso dos candidatos pelo “desmatamento zero” de vegetação nativa primária e secundária, em estágio avançado de regeneração, em todos os biomas brasileiros, ressalvadas as situações de premente interesse público, a implementação da meta de 10% dos biomas brasileiros incluídos em unidades de conservação e a apresentação de Plano Nacional para Agricultura Sustentável.
Marina disse que a escolha do candidato que o PV irá apoiar no segundo turno será decidida na convenção nacional do partido, no dia 17. Segundo ela, a definição não será “mecânica”, ou seja, o partido não irá, necessariamente, apoiar o candidato que mais se comprometer com as propostas apresentadas hoje. Marina ressaltou que não tem garantias de que os candidatos irão, de fato, realizar os compromissos solicitados pelo PV.
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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PV pede compromisso a veto na alteração do Código Florestal e faz mais 40 solicitações
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Unknown
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10/11/2010 06:06:00 AM
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Desmatamento Zero,
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transparencia e etica
Partidário de Marina, Leonardo Boff releva alianças do PV /// Terra
Marsílea Gombata
06 de junho de 2010 • 08h17 Militante da causa ambientalista da pré-candidata à presidência da República Marina Silva (PV), o teólogo e escritor Leonardo Boff tenta relevar as alianças dos verdes com partidos que, aparentemente, vão em sentido contrário - como PSDB e DEM - e rebate: "Partidos pouco contam no Brasil, porque não são ideológicos e com história. São agremiações ao redor de certos interesses". Em entrevista ao Terra, Boff disse por que o Brasil deveria escolher a proposta de desenvolvimento sustentável nessas eleições, ancorada na candidata que vê como "um Lula melhorado". "Marina vem das mesmas raízes, tem os mesmos sonhos de resgate dos destituídos e esquecidos de nossa história, mas com uma abertura que Lula não tem que é a questão do futuro da humanidade e da Terra ameaçados".
O teólogo acredita ainda que a desvantagem da candidata verde em relação ao tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff pode surpreender quem aposta nas pesquisas em que Marina está empacada em terceiro lugar com 12% das intenções de voto. "Quem diria que um negro nascido fora dos Estados Unidos viesse a ser presidente do país mais poderoso do mundo? Quem diria que um sobrevivente da grande tribulação brasileira chegasse a ser presidente do Brasil? (...) Lembremos da Colômbia. Mockus, candidato verde, começou com 2% e foi para o segundo turno".
Terra - Por que Marina Silva é a sua opção para essas eleições?
Leonardo Boff - Precisamos de políticos despertos para a nova situação que a humanidade e o planeta estão vivendo, situação que envolve grandes riscos mas também incríveis oportunidades. Desta vez não podemos nos atrasar nem errar, caso contrário, poderemos ir ao encontro do pior. Não basta pensarmos só no Brasil. Temos que articular Brasil com a Terra, em função do cuidado para com a vida e da proteção para com a mãe Terra. Marina está talhada para essa missão. Aqui política significa bem aquilo o que Gandhi definia: política como gesto amoroso para com o povo e cuidado para com a vida. Marina saberá cumprir com essa missão.
Terra - A agenda da senadora fica bastante em torno da agenda ambiental. Não precisaríamos de propostas mais concretas em relação a educação e saúde, por exemplo?
Boff- A agenda ambiental é de primeira ordem, porque sem ela as demais agendas não têm onde se sustentar. Só com uma natureza preservada e uma vida salvaguardada faz sentido falarmos em justiça a partir das vítimas, educação para a nova "cosmovisão" e saúde para as pessoas. Se entendermos bem o ambiental, não como meio ambiente, mas como ambiente inteiro, está lá tudo incluído. Mas a Marina deverá detalhar as questões. Precisamos de uma ecologia social que equilibre a justiça social com a justiça ecológica. Quer dizer, que as pessoas tenham uma vida minimamente digna em termos de salário, saúde, educação, segurança e cultura (justiça social), mas habitando regiões sem risco, com ar puro, água potável, alimentos com menos química, com um chão não envenenado e uma relação de respeito com cada ser. O que Marina deve garantir é o que a "Carta da Terra" propõe como propósito de toda atividade humana e das políticas públicas: um modo sustentável de viver numa Terra sustentável.
Terra - Como vê as alianças feitas pelo PV nos Estados brasileiros? Seguindo suas diretrizes, o PV não deveria tentar manter distância de partidos como DEM e PSDB? Como será isso em termos de governabilidade?
Boff - Os partidos pouco contam no Brasil, porque não são partidos ideológicos e com história. São agremiações ao redor de certos interesses mais ou menos ligados aos interesses gerais do país. Eu não daria muita importância aos partidos. Mas como são os únicos condutos que temos para elegermos alguém, fazem-se imprescindíveis. O que se pode é cobrar certa convergência em questões tidas como definidoras do projeto de Marina Silva e ser flexíveis em questões discutíveis. O importante é cuidar da densidade ética dos candidatos e de sua capacidade de crescer em responsabilidade face aos desafios que enfrentaremos coletivamente.
Terra - Como o Brasil pode aliar sustentabilidade e crescimento?
Boff - Se seguir o modelo capitalista de crescimento que supõe a dominação da natureza e a acumulação ilimitada de benefícios materiais, não é possível compatibilizá-lo com sustentabilidade. Por isso deve-se descolar sustentabilidade de desenvolvimento. Sustentabilidade não é algo adjetivo que posso colar aos processos. É algo substantivo, um novo paradigma: tudo aquilo que permite os seres vivos, as instituições e a vida humana se manter, se reproduzir e continuamente melhorar. Então importa garantir a sustentabilidade da Terra, de cada ecossistema, das distintas sociedades, das comunidades e de cada pessoa individualmente. Para alcançar tal objetivo devemos deslocar o acento da globalização para o biorregionalismo. Cada região ou ecossistema possui seus recursos, seu potencial, seus limites, sua história, sua cultura, sua população. No nível regional é muito mais fácil conseguir um modo de vida sustentável e um desenvolvimento que atenda às demandas dos que vivem em determinada região.
Terra - Pesquisas indicam desvantagem para Marina, um quadro que dificilmente será revertido. O que muda na consciência do país o simples fato de Marina concorrer?
Boff - Eu trabalho com a lógica do universo que conhece emergências, suscita o imponderável e prepara surpresas. Quem diria que um negro nascido fora dos Estados Unidos viesse a ser presidente do país mais poderoso do mundo? Quem diria que um sobrevivente da grande tribulação brasileira chegaria a ser presidente do Brasil? Devemos estar abertos a esses imponderáveis. Pode bem ser que o povo se canse das disputas entre o velho e o antigo, entre PSDB e PT, e venha tentar outra coisa. Marina é um Lula melhorado: vem das mesmas raízes, tem os mesmos sonhos de resgate dos destituídos e esquecidos de nossa história, mas com uma abertura que Lula não tem que é a questão do futuro da humanidade e da Terra ameaçados. Mesmo que essa emergência se protele para um outro momento da história - e ela virá como imperativo da própria evolução - a candidatura de Marina valeu a pena: colocou no centro a questão da ecologia em suas diferentes realizações, no ambiental, no social, no mental e no integral, incluindo uma visão ética e espiritual da política e do mundo. Como nossa alma não é pequena, tudo com Marina vale a pena, para recordar Fernando Pessoa.
Terra - O senhor poderia comentar a frase de um artigo de sua autoria: "Marina Silva dispensará os marqueteiros, e entrarão em campanha os seguidores de Paulo Freire"?
Boff - Creio que sempre haverá marqueteiros, pois pertencem ao ritual de nossas campanhas. Mas o decisivo em Marina são os meios alternativos: primeiramente as pessoas que acreditam na Terra e na humanidade, e depositam sua confiança em Marina, depois as conversas e os argumentos dos que estão convencidos conquistando familiares e amigos. Há o rádio e a TV que têm dimensões multitudinárias. A internet, os blog, o twitter e as comunidades eletrônicas poderão significar uma avalanche que ninguém mais pode conter. Lembremo-nos da Colômbia. Mockus, candidato verde, começou com 2% e foi para o segundo turno. Marina Silva representa o que deve ser. E o que deve ser tem força.
PV defende revolução econômica /// JCNET- Bauru
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5/23/2010 07:23:00 AM
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Competitividade e sustentabilidade,
concentração urbana,
desenvolvimento sustentavel,
desigualdades ambientais,
PV,
recursos ambientais e economicos,
reformas politicas e institucionais
O verde Ricardo Young busca uma das duas vagas do Estado no Senado com propostas de desenvolvimento sustentável
O pré-candidato ao Senado pelo Partido Verde (PV) Ricardo Young, que ontem esteve em Bauru, defende uma revolução econômica do Brasil, partindo da premissa do desenvolvimento sustentável. Ou seja, mudar a maneira de produzir e a forma de distribuição da população no território brasileiro.
O pré-candidato a senador ressalta que o Brasil vive uma janela de oportunidades configurada por uma demanda mundial pela economia sustentável e consciência da limitação dos recursos ambientais, ainda abundantes no Brasil. Neste quadro, Young frisa que é a oportunidade que o País tem de trilhar um outro caminho de desenvolvimento e sanar seus principais entraves, que entende serem a péssima qualidade de educação e uma pobreza quase endêmica.
Ele sugere que o PV reúne os melhores quadros políticos para essa revolução. Young tem 53 anos e presidiu o Instituto Ethos, entidade da sociedade civil que promove o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservação do recursos ambientais e culturais e promove a redução das desigualdades sociais.
Ontem, ele esteve em Bauru para o encontro do PV em que Clodoaldo Gazzetta oficializou sua pré-candidatura a uma vaga na Assembleia Legislativa. O presidente do diretório municipal do PV Raul Gonçalves de Paula praticamente definiu sua pré-candidatura a deputado federal. O encontro foi na Câmara Municipal de Bauru e contou com verdes de diversas partes do Estado.
Prestigiaram o encontro o prefeito de Bauru Rodrigo Agostinho (PMDB), o deputado estadual do PV Chico Sardelli e Edna Martins, pré-candidata a deputada federal do partido por Araraquara. O deputado federal José Paulo Tóffano não esteve presente. O pré-candidato a vice-governador de São Paulo Rogério Menezes também participou da reunião. Também marcou presença o pré-candidato a deputado federal Luciano Zica, um dos coordenadores da campanha da pré-candidata à presidência da República Marina Silva.
O encontro foi coordenado pelo presidente estadual do PV em São Paulo Maurício Brusadin e contou ainda com representantes da militância do partido. No próximo final de semana, em Campinas, os pré-candidatos verdes voltam a se encontrar para fechar as candidaturas.
Jornal da Cidade - Como empresário, o senhor defende a reforma agrária pelo viés da sustentabilidade. Que modelo o senhor projeta nessa perspectiva de revolução campo-cidade?
Ricardo Young - Temos 100% da nossa população morando em 2,7% do território brasileiro. Então temos um vasto território que está ocupado ou pelo agronegócio extensivo ou por uma pecuária absolutamente ineficiente ou por uma riqueza de biodiversidade que não está sendo explorada economicamente de forma sustentável. Uma das formas de avançar no desenvolvimento sustentável é criar o êxodo urbano. É criar condições de vida no campo para as populações que hoje estão nas periferias das cidades. Elas não estão sendo atendidas pelas cidades. Oneram os serviços públicos das cidades. A concentração urbana é uma lógica industrial e não é uma lógica do desenvolvimento sustentável. A lógica do sistema sustentável é um reequilíbrio da mancha populacional com os recursos ambientais e as tecnologias de ponta em processos de produção em rede. Cada vez mais nós temos que organizar processos industriais não pela concentração, mas pela possibilidade do uso da tecnologia para a distribuição dos processos produtivos em rede. Experiências na China extremamente bem-sucedidas têm mostrado que isso é possível.
JC - O senhor diz que PT e PSDB viraram arremedos de “PT e PSDB” porque se jogaram na disputa pelo poder. No entanto, o PV se descola de um discurso de confronto de ideia para a disputa do voto com uma chapa majoritária. Não é incoerência ou o PV com Marina Silva e o senhor quer apenas polarizar contra Dilma Rousseff-José Serra?
Ricardo Young -A proposta da Marina e do PV é a regeneração da boa política, que foi destruída pela polarização. Ela reafirma sempre a necessidade de fazer um governo de coalizão com o melhor das lideranças da sociedade civil e dos partidos políticos. O que a gente vê em relação ao PT é que a sindicalização progressiva e o aparelhamento do Estado fizeram com que muitas lideranças da sociedade civil, da intelectualidade, da universidade, dos meios culturais, começassem a se afastar do PT. E estão apoiando o PV, como é o caso de Gilberto Gil (ex-ministro da Cultura de Lula) e a Adriana Calcanhoto. O PV é um caminho para que se faça política das grandes causas da sustentabilidade com o que há de melhor na sociedade política, sociedade civil organizada e setor empresarial.
JC - É uma estratégia do PV mostrar que a candidata de Lula e o candidato do PSDB representam a “mesmice”, como as lideranças verdes discursam?
Young - Não é a Marina Silva, o Ricardo Young e o Fábio Feldmann que vão dizer se Dilma ou se Serra são a mesmice. O próprio esgotamento do ciclo político do PT e do ciclo político do PSDB vão demonstrar essa mesmice. Não temos que nos preocupar em apontar isso porque vai ficar evidente na medida em que o debate for se aprofundando.
JC - Como que o PV pretende ter governabilidade caso Marina Silva seja eleita presidente em um país continental, portanto de realidades tão diversas e muito mais divergências regionais do que convergências?
Young - Há um equívoco na democracia contemporânea de que, para se garantir governabilidade, precisa rebaixar a qualidade das propostas políticas. A governabilidade do governo Marina pressupõe partidos políticos e não só. Um dos grandes erros do governo Fernando Henrique Cardoso e depois do Lula, principalmente depois do Mensalão, foi acreditar que era possível governar apenas com maioria no Congresso. A maioria do Congresso, às vezes, exclui o interesse da população como um todo. Daí porque não tivemos a reforma política, a tributária. Se o Lula tivesse conseguido construir uma governabilidade com a sociedade de um lado - e tinha o Conselho de Desenvolvimento Social, do qual participei -, era possível conseguir esse consenso para se passar as grandes reformas. E ao mesmo tempo equilibrasse as coligações políticas, muitas das reformas estruturais teriam passado.
JC - O senhor falou em um tom crítico ao definir que o Brasil precisa erradicar a pobreza e não mitigar. Que alternativa concreta o PV apresenta aos modelos como Bolsa Família e os implementados na era FHC para as famílias em situação de risco socioeconômico?
Young - A pré-candidata Marina coloca isso muito bem. Nós tivemos a primeira roda, que foi a assistencialista e que foi o fornecimento de cestas básicas para a população. Depois tivemos uma segunda volta desta roda, que foi o Bolsa Família. O próximo estágio é manter essa política e somar a essa política oportunidades de inserção no mercado de trabalho e de qualificação técnica e redistribuição de atividades e oportunidades econômicas de acordo com as demandas e as vocações de cada uma dessas comunidades. Creio que ainda terá uma quarta roda, que é uma reorganização das economias regionais, a partir das demandas sociais, de um lado, e das vocações locais de outro, que, provavelmente, não irá acontecer nos próximos quatro anos.
JC - Como o senhor avalia as chances na disputa estadual em que o ex-deputado Fábio Feldmann briga contra seu ex-partido, o PSDB?
Young - Temos que entender que a briga do Fábio com o PSDB não é uma briga, exatamente. Mas é um cansaço. Porque o PSDB esteve no governo do Estado durante décadas e fez muito pouco. E podia ter transformado este Estado não só em um exemplo de Estado na Federação, como poderia ter implementado muitas das demandas que o Partido Verde hoje coloca, do desenvolvimento sustentável, e não fez. Inclusive demandas óbvias, como melhoria dos serviços de transporte público, o saneamento do rio Tietê e de outras bacias. E uma revolução na educação, porque São Paulo tem recursos muito grandes e nosso desempenho educacional é pífio. O Fábio cansou de continuar em um partido (PSDB) que fala, fala, fala, fala e não entrega. Então o principal mérito da pré-candidatura do Fábio é a possibilidade dele dizer para o eleitor onde o eleitor não deve votar.
Ricardo Santana
O pré-candidato ao Senado pelo Partido Verde (PV) Ricardo Young, que ontem esteve em Bauru, defende uma revolução econômica do Brasil, partindo da premissa do desenvolvimento sustentável. Ou seja, mudar a maneira de produzir e a forma de distribuição da população no território brasileiro.
O pré-candidato a senador ressalta que o Brasil vive uma janela de oportunidades configurada por uma demanda mundial pela economia sustentável e consciência da limitação dos recursos ambientais, ainda abundantes no Brasil. Neste quadro, Young frisa que é a oportunidade que o País tem de trilhar um outro caminho de desenvolvimento e sanar seus principais entraves, que entende serem a péssima qualidade de educação e uma pobreza quase endêmica.
Ele sugere que o PV reúne os melhores quadros políticos para essa revolução. Young tem 53 anos e presidiu o Instituto Ethos, entidade da sociedade civil que promove o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservação do recursos ambientais e culturais e promove a redução das desigualdades sociais.
Ontem, ele esteve em Bauru para o encontro do PV em que Clodoaldo Gazzetta oficializou sua pré-candidatura a uma vaga na Assembleia Legislativa. O presidente do diretório municipal do PV Raul Gonçalves de Paula praticamente definiu sua pré-candidatura a deputado federal. O encontro foi na Câmara Municipal de Bauru e contou com verdes de diversas partes do Estado.
Prestigiaram o encontro o prefeito de Bauru Rodrigo Agostinho (PMDB), o deputado estadual do PV Chico Sardelli e Edna Martins, pré-candidata a deputada federal do partido por Araraquara. O deputado federal José Paulo Tóffano não esteve presente. O pré-candidato a vice-governador de São Paulo Rogério Menezes também participou da reunião. Também marcou presença o pré-candidato a deputado federal Luciano Zica, um dos coordenadores da campanha da pré-candidata à presidência da República Marina Silva.
O encontro foi coordenado pelo presidente estadual do PV em São Paulo Maurício Brusadin e contou ainda com representantes da militância do partido. No próximo final de semana, em Campinas, os pré-candidatos verdes voltam a se encontrar para fechar as candidaturas.
Jornal da Cidade - Como empresário, o senhor defende a reforma agrária pelo viés da sustentabilidade. Que modelo o senhor projeta nessa perspectiva de revolução campo-cidade?
Ricardo Young - Temos 100% da nossa população morando em 2,7% do território brasileiro. Então temos um vasto território que está ocupado ou pelo agronegócio extensivo ou por uma pecuária absolutamente ineficiente ou por uma riqueza de biodiversidade que não está sendo explorada economicamente de forma sustentável. Uma das formas de avançar no desenvolvimento sustentável é criar o êxodo urbano. É criar condições de vida no campo para as populações que hoje estão nas periferias das cidades. Elas não estão sendo atendidas pelas cidades. Oneram os serviços públicos das cidades. A concentração urbana é uma lógica industrial e não é uma lógica do desenvolvimento sustentável. A lógica do sistema sustentável é um reequilíbrio da mancha populacional com os recursos ambientais e as tecnologias de ponta em processos de produção em rede. Cada vez mais nós temos que organizar processos industriais não pela concentração, mas pela possibilidade do uso da tecnologia para a distribuição dos processos produtivos em rede. Experiências na China extremamente bem-sucedidas têm mostrado que isso é possível.
JC - O senhor diz que PT e PSDB viraram arremedos de “PT e PSDB” porque se jogaram na disputa pelo poder. No entanto, o PV se descola de um discurso de confronto de ideia para a disputa do voto com uma chapa majoritária. Não é incoerência ou o PV com Marina Silva e o senhor quer apenas polarizar contra Dilma Rousseff-José Serra?
Ricardo Young -A proposta da Marina e do PV é a regeneração da boa política, que foi destruída pela polarização. Ela reafirma sempre a necessidade de fazer um governo de coalizão com o melhor das lideranças da sociedade civil e dos partidos políticos. O que a gente vê em relação ao PT é que a sindicalização progressiva e o aparelhamento do Estado fizeram com que muitas lideranças da sociedade civil, da intelectualidade, da universidade, dos meios culturais, começassem a se afastar do PT. E estão apoiando o PV, como é o caso de Gilberto Gil (ex-ministro da Cultura de Lula) e a Adriana Calcanhoto. O PV é um caminho para que se faça política das grandes causas da sustentabilidade com o que há de melhor na sociedade política, sociedade civil organizada e setor empresarial.
JC - É uma estratégia do PV mostrar que a candidata de Lula e o candidato do PSDB representam a “mesmice”, como as lideranças verdes discursam?
Young - Não é a Marina Silva, o Ricardo Young e o Fábio Feldmann que vão dizer se Dilma ou se Serra são a mesmice. O próprio esgotamento do ciclo político do PT e do ciclo político do PSDB vão demonstrar essa mesmice. Não temos que nos preocupar em apontar isso porque vai ficar evidente na medida em que o debate for se aprofundando.
JC - Como que o PV pretende ter governabilidade caso Marina Silva seja eleita presidente em um país continental, portanto de realidades tão diversas e muito mais divergências regionais do que convergências?
Young - Há um equívoco na democracia contemporânea de que, para se garantir governabilidade, precisa rebaixar a qualidade das propostas políticas. A governabilidade do governo Marina pressupõe partidos políticos e não só. Um dos grandes erros do governo Fernando Henrique Cardoso e depois do Lula, principalmente depois do Mensalão, foi acreditar que era possível governar apenas com maioria no Congresso. A maioria do Congresso, às vezes, exclui o interesse da população como um todo. Daí porque não tivemos a reforma política, a tributária. Se o Lula tivesse conseguido construir uma governabilidade com a sociedade de um lado - e tinha o Conselho de Desenvolvimento Social, do qual participei -, era possível conseguir esse consenso para se passar as grandes reformas. E ao mesmo tempo equilibrasse as coligações políticas, muitas das reformas estruturais teriam passado.
JC - O senhor falou em um tom crítico ao definir que o Brasil precisa erradicar a pobreza e não mitigar. Que alternativa concreta o PV apresenta aos modelos como Bolsa Família e os implementados na era FHC para as famílias em situação de risco socioeconômico?
Young - A pré-candidata Marina coloca isso muito bem. Nós tivemos a primeira roda, que foi a assistencialista e que foi o fornecimento de cestas básicas para a população. Depois tivemos uma segunda volta desta roda, que foi o Bolsa Família. O próximo estágio é manter essa política e somar a essa política oportunidades de inserção no mercado de trabalho e de qualificação técnica e redistribuição de atividades e oportunidades econômicas de acordo com as demandas e as vocações de cada uma dessas comunidades. Creio que ainda terá uma quarta roda, que é uma reorganização das economias regionais, a partir das demandas sociais, de um lado, e das vocações locais de outro, que, provavelmente, não irá acontecer nos próximos quatro anos.
JC - Como o senhor avalia as chances na disputa estadual em que o ex-deputado Fábio Feldmann briga contra seu ex-partido, o PSDB?
Young - Temos que entender que a briga do Fábio com o PSDB não é uma briga, exatamente. Mas é um cansaço. Porque o PSDB esteve no governo do Estado durante décadas e fez muito pouco. E podia ter transformado este Estado não só em um exemplo de Estado na Federação, como poderia ter implementado muitas das demandas que o Partido Verde hoje coloca, do desenvolvimento sustentável, e não fez. Inclusive demandas óbvias, como melhoria dos serviços de transporte público, o saneamento do rio Tietê e de outras bacias. E uma revolução na educação, porque São Paulo tem recursos muito grandes e nosso desempenho educacional é pífio. O Fábio cansou de continuar em um partido (PSDB) que fala, fala, fala, fala e não entrega. Então o principal mérito da pré-candidatura do Fábio é a possibilidade dele dizer para o eleitor onde o eleitor não deve votar.
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