Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Pioneering REDD+ Project Looks to Pave Sustainable Development Pathway in Peru’s Amazon

By Andrew Burger· Comments (0) · Tuesday,October16th,2012

REDD+ projects helps assure sustainable development in the construction of the TransOceanic Highway in the Amazon

The tentacles of world trade, globalization and human development are stretching deeper into the heart of the Amazon River Basin as construction of the Southern Interoceanic Highway progresses.
While some view the historic Southern transcontinental road and bridge-building project as a beacon of hope and development akin to the building of the Panama Canal or President Eisenhower’s System of Interstate and Defense Highways, others see it as a dagger through the heart of the Amazon Basin, home to the world’s greatest concentration of indigenous peoples and its richest source of biodiversity, as well as the Andean watershed, which provides critical water resources for all forms of life and activity on both sides of the continental divide.

Through the Amazon Rainforest to the Pacific

Construction of the Southern Interoceanic Highway is proceeding across all five segments and both sides of the Brazil-Peruvian border, which is to connect Peru’s Pacific Ocean ports in San Juan de Marcona with Brazil’s Amazon Basin ports and cities in the City of Rio Branco Special Export Zone and beyond to Puerto Velho, which sits beside the Madeira River, a major tributary of the Amazon.
Little in the way of open, public or outside expert consultation or democratic process was undertaken in developing and launching the South America transcontinental road and bridge-building project, which was driven forward by the respective national governments. Then President Lula da Silva of Brazil and Alejandro Toledo of Peru signed the historic Southern Interoceanic Highway agreement in 2004, and contracts to build it were awarded back in 2006. In all, some 2,600 kilometers (1,625 miles) of new roads and 22 bridges will be built, mostly in Peru as Brazil’s portion of the Interoceanic Highway already existed.
A consortium of local, regional and international environmental, climate change and sustainable development groups have joined together to try to assure that besides goods, products and people, the Southern Interoceanic Highway doesn’t bring massive deforestation, biodiversity and ecosystems destruction from spreading well beyond the length and breadth of the transcontinental highway itself.

REDD+ to the Rescue?

Working together within the context of the UN’s as yet evolving REDD+ (Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation) Program in southeastern Peru, the groups have established the Madre de Dios Amazon REDD Project. The project area spans some 100,000 hectares (~247,000 acres) of Peruvian Amazon rainforest less than 30 kilometers (18.75 miles) from the Southern Transoceanic Highway in one of the world’s biodiversity hotspots—the Ecological Corridor Vilacamba-Amboro.
Aiming to prevent illegal logging, conserve biodiversity and ecosystems services, project partners are providing surveillance services and working with local communities on sustainable development projects to enhance living conditions and quality of life that don’t compromise the integrity of the rainforest ecosystem–services Peru’s government isn’t providing.
Central to project partners’ sustainable development efforts is the emerging concept and rubric of Payments for Ecosystem Services (PES), which aim to monetize the value of the essential life support services–materials, food, medicines, clean water and air, biodiversity habitat, etc.–that natural ecosystems provide. The pioneering REDD+ project’s methods and processes have been independently verified and qualified by voluntary sustainable forestry, biodiversity conservation and carbon offset organizations.
Included in the project group are Dublin-based NGO Greenoxx, Amazon region sustainable forest management groups Maderacre and BAM (Bosques Amazonicos), Ecodes and WWF

Double Voluntary Carbon Credit Standard Validation

On Sept. 20, the Madre de Dios Amazon REDD Project achieved validation according to VCS (Verified Carbon Standard), becoming the first REDD project in the Peruvian Amazon to have earned validations from two international voluntary carbon offset standard-setting organizations—the CCBA (Climate, Community & Biodiversity Alliance) CCB Gold as well as VCS– for its tropical forest conservation and carbon storage management.
The VCS standard guarantees the Madre de Dios REDD Project’s carbon accounting, while the CCB standard validates it as a project of “exceptional social and environmental characteristics.” In addition, the project has been registered with Markit Environmental Registry Platform to ensure the transparency of carbon credits the project has and is earning, with Scientific Certification Systems (SCS) certifying each of the project’s aspects.
Greenoxx in May 2010 sold the first 40,000 tons of CCB Gold CO2 credits at $7 per ton, the proceeds of which will be invested back into the project. As a Chicago Climate Exchange (CCX) carbon offset aggregator, GreenOxx NGO is responsible “for the elaboration and registration” of Madre de Dios REDD Project carbon credits sold on CCX, as well as “submitting them for approval before the CCX Forestry Committee.”
“The conclusion of this analysis is that obtaining revenue for the environmental services that the rainforest offers is the only way to preserve these areas. This approach has great potential to generate sources of additional income for local population with low income, contributing therefore to improve their way of life,” according to the Madre de Dios REDD Project’s Project Design Document.
Main image credit: Greenoxx

Global Warming is Real (http://s.tt/1qdSQ)

TERRAMÉRICA - Água evapora no Peru

Por Milagros Salazar*

O notável crescimento das exportações agrícolas do Peru pode levar ao desaparecimento de um recurso essencial para a vida. A água vai embora do país, e sem custo, em cada embarque.

Lima, Peru, 7 de fevereiro (Terramérica).- Enquanto a água doce se extingue na superpovoada costa peruana, as plantações que mais exigem esse recurso crescem sem parar para o lucrativo comércio exterior. Especialistas alertam para este dano e pedem maior responsabilidade do governo e de todos os envolvidos. O valor das exportações agrícolas peruanas, de mãos dadas com os altos preços internacionais, chegou a mais de US$ 3 bilhões entre janeiro e novembro do ano passado, 30,2% mais do que no mesmo período de 2009.

Um exemplo deste pujante setor é a produção de aspargo, que gera 120 mil empregos no campo, segundo dados oficiais. Por outro lado, exige grande quantidade de água. Para um hectare de aspargo, são necessários 22 mil metros cúbicos de água, sete vezes mais do que a necessária para o deslocado cultivo de uva quebranta, tradicional no departamento de Ica, afirmou David Bayer, do não governamental Instituto de Promoção para a Gestão da Água (Iproga).

David disse ao Terramérica que estas estimativas ainda estão “muito abaixo do número real, porque não inclui a água usada no empacotamento do produto com destino à exportação ou para preparar e aplicar os agroquímicos e os produtos para crescimento dos cultivos”. Ele destacou que devem ser acrescentados outros dois mil metros cúbicos por hectare de aspargo. Há uma pegada hídrica que precisa ser considerada, afirmam os especialistas.

Ica e La Libertad, no noroeste do Peru, são as regiões costeiras com maiores extensões de cultivos de aspargo, apesar de serem as mais desérticas do país. Na zona costeira do Pacífico, que concentra 70% da população peruana, a média é de dois mil metros cúbicos de disponibilidade de água por pessoa ao ano, enquanto na área amazônica, com apenas 26%, é de 291 mil metros cúbicos por pessoa anualmente.

“A pegada hídrica é um argumento que exige a responsabilidade de todos, das empresas, do Estado e dos peruanos em geral, que precisam trabalhar na sustentabilidade de um recurso tão escasso para o planeta”, disse ao Terramérica o pesquisador Laureano del Castillo, do Centro Peruano de Estudos Sociais. Este especialista em questões hídricas e políticas rurais considera importante “evidenciar o uso da água nos diversos processos produtivos da industrial, porque não é possível continuar cultivando produtos que exigem enormes quantidades de água em regiões desérticas”.

Entretanto, Roxana Orrego, especialista em bioenergia e mudança climática do Ministério da Agricultura, disse ao Terramérica que, embora a pegada hídrica tenha a ver com a soberania alimentar do país, este assunto “não está sendo considerado” em sua área. “É um critério da Organização das Nações Unidas, mas não é algo efetivo nos países”, ressaltou. O aquífero de Ica é um dos reservatórios mais importantes de águas subterrâneas da costa peruana, mas está secando e, se continuar nesse passo, em 2013 poderá desaparecer, alertou David.

Os moradores de Ica dispõem de menos de dois mil metros cúbicos de água por pessoa, o que é considerado uma situação de estresse hídrico. Segundo um informe do Instituto Geológico de Mineração e Metalurgia elaborado entre 2006 e 2007, a carência de água em Ica chegou a “níveis críticos”. A superexploração do recurso uniu-se às mudanças no clima devido ao derretimento das geleiras de Huancavelica, região vizinha a Ica, e que abastecem de água seus principais rios.

As chuvas chegaram com atraso desta vez. Em lugar de começar em outubro, caíram apenas em janeiro, informou o Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Peru. Também o acumulado de chuva em janeiro no Rio Ica foi 77% abaixo do normal. “É preciso reforçar o enfoque ambiental na agroindústria”, disse Alberto Limo, funcionário do Ministério do Meio Ambiente, que participou, junto com outros especialistas, de uma conferência sobre o assunto organizada pela Pontifícia Universidade Católica do Peru.

Os especialistas apontaram como outro desafio os projetos de produção de biocombustíveis, que também são promovidos à custa da cana-de-açúcar, outro cultivo que exige água em abundância. No entanto, são impulsionados como alternativa à mudança climática. Quais saídas existem? David propõe que as seis maiores empresas de exportações agrícolas de Ica deixem “de plantar a metade de suas terras para economizar cerca de 75 milhões de metros cúbicos de água por ano”.

O total de águas superficiais usado pelos 14.006 irrigadores em Ica é de 633 milhões de metros cúbicos por ano. O que se extrai do subsolo, majoritariamente por parte das agroexportadoras, chega a 563 milhões de metros cúbicos, enquanto a superexploração do aquífero é de 311 milhões de metros cúbicos, disse David. Contudo, José Chlimper, presidente da Agrokasa, a mais importante produtora de aspargo de Ica, considerou “relativa” esta escassez hídrica. Em um artigo publicado no jornal local, Correo, disse que há uma campanha de desinformação “promovida por interesses ocultos”.

“Tanto a Junta de Irrigação de Rio Seco como a de Ica e Villacurí estão trabalhando em programas de exploração responsável e na formulação de um plano estratégico público-privado para reforçar a sustentabilidade do aquífero”, disse José, insistindo que a chave está no uso eficiente da água. As empresas da região preferem a irrigação por gotejamento. David afirmou que “estas empresas nunca pagaram pelas águas subterrâneas que bombeiam de seus poços”.

“A nova lei de Recursos Hídricos, de março de 2009, agora exige o pagamento de uma tarifa. Por outro lado, os pequenos produtores que irrigam com água superficial sempre pagaram”, explicou. Alberto, por sua vez, informou que o governo de Alan García trabalha em um projeto de caudais ecológicos para determinar a capacidade de uso das bacias hidrográficas. Por outro lado, Laureano disse ao Terramérica que essa análise deve ser feita nos conselhos de bacia, do qual devem participar por lei os diversos atores envolvidos, que, no entanto, ainda não foram criados.

* O autor é correspondente da IPS.

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