Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Rio, um vendedor mundial de créditos de carbono

13 Mai 2012 . 11:20 h . Agência O Globo .
Além do aluguel de bicicletas, está na linha de frente do Programa de Baixo Carbono o reflorestamento de Mata Atlântica.
Rio de Janeiro - A cidade do Rio de Janeiro terá um Programa de Baixo Carbono, que será lançado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), entre os dias 13 e 22 de junho. O plano vem sendo elaborado há 18 meses pelo Banco Mundial (Bird) e pela prefeitura. Agora, técnicos do organismo estão na fase de análise dos projetos que constam do Plano Estratégico de 2013 a 2016 do município para apontar quais deles são potenciais geradores de créditos de carbono, ou seja, estimulam a redução de emissão de gases do efeito estufa. A ideia é que, após o mapeamento, a prefeitura consiga estocar créditos e se torne vendedora destes no mercado internacional. A Bolsa Verde do Rio (BVRio) está estruturando um ambiente para esta negociação.
— Há dois mercados: um é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), no âmbito da ONU, e o outro é o mercado voluntário, que tem uma movimentação mais flexível, e onde serão comercializados esses créditos — explica o coordenador do projeto pela prefeitura, Rodrigo Rosa.
Ele afirma que o plano está criando um método de medição.
— O programa é ambicioso porque prevê inserir projetos além daqueles que facilmente se identificam como produtores de créditos de carbono, como no caso do tratamento de resíduos. Então, estamos definindo uma metodologia que vai garantir a contagem de créditos, por exemplo, para o aluguel de bicicletas. A ideia é criar uma modelagem que seja adaptável a estruturas de governança de outras cidades do mundo.
Reflorestamento e bicicletas na linha de frente
Além do aluguel de bicicletas, está na linha de frente do Programa de Baixo Carbono o reflorestamento de Mata Atlântica. A meta da prefeitura é reflorestar 1.700 hectares até 2016 — faltam 600 hectares para se chegar a este objetivo. Já o aluguel de bicicletas é um projeto do governo em parceria com a iniciativa privada, e que atingiu este mês 500 mil viagens. Ele foi criado em outubro de 2011. De acordo com Rodrigo Rosa, a quantidade de créditos de carbono que seriam dispensados destas atividades ainda não foi definida.
O apoio do Banco Mundial não é de financiamento, e sim, de assistência técnica. O diretor do setor de Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial, Ede Lijaz, explica que o programa foi encaminhado ao International Organization for Standardization (ISO) para obtenção da certificação internacional.
— Estamos prestando assistência ao governo municipal para elaborar o projeto e para que ele adquira a certificação no padrão ISO, o que vai torná-lo um modelo de negócio aplicável globalmente. Uma vez que a prefeitura tenha oficialmente lançado o programa, o próximo passo é sistematicamente expandi-lo para que ele cubra cada vez mais setores urbanos ao longo do tempo — afirmou Lijaz.
Meta é reduzir emissões em 8% até o fim deste ano
A cidade do Rio também tem metas de redução de gases a cumprir. Em janeiro de 2011, a prefeitura sancionou a Lei de Mudanças Climáticas (No 5.248), que estabelece índices periódicos para a diminuição da poluição ambiental. O município terá que reduzir em 8% as emissões de CO2 até o fim deste ano em relação aos níveis de 2005. De acordo com Rodrigo Rosa, o índice foi batido após o fechamento do aterro de Gramacho.
Para o ano de 2016, a redução deverá ser de 16%, e, em 2020, de 20%. A expectativa é que seja evitado o “despejo” no meio ambiente de cerca de 2,27 milhões de toneladas de CO2 equivalente (métrica utilizada para comparar as emissões de gases de efeito estufa com base no potencial de aquecimento global).
— O Programa de Baixo Carbono vai, primeiramente, ajudar o governo municipal a atingir suas próprias metas de mitigação de uma forma credível e confiável. Em segundo lugar, ele vai promover e comercializar as certificações de redução de emissões com o objetivo de gerar mais investimentos em projetos sustentáveis — afirmou Ede Lijaz.
O programa ficará sob o escopo das secretarias municipais de Meio Ambiente e Casa Civil. Os projetos inscritos deverão ainda receber uma acreditação de uma entidade de validação de certificação internacional e por auditores do ISO.

MMA e BNDES lançam linha de crédito para projetos que reduzam emissões

Novo programa possui taxas de juros atrativas para estimular investimentos

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, lançaram nesta segunda, 13 de fevereiro, no Rio de Janeiro, as linhas de crédito do Programa Fundo Clima. O objetivo do novo Fundo é apoiar projetos relacionados a ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e redução de emissões de gases do efeito estufa.

“O Fundo Clima é um dos principais instrumentos da política brasileira de mudança do clima e até 2014 seus recursos poderão atingir até R$ 1 bilhão”, disse Izabella.
Os recursos do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima – Fundo Clima – são provenientes da parcela de até 60% da Participação Especial do Petróleo, recebida pelo Ministério do Meio Ambiente. Os recursos estão divididos em duas modalidades: reembolsável, que será operada pelo BNDES, e não reembolsável, sob gestão direta do MMA.

Em 2011, o orçamento destinado às duas modalidades foi de R$ 230 milhões. Do total, R$ 30 milhões correspondem à parcela não reembolsável, que já entrou em vigor no ano passado, e R$ 200 milhões para a modalidade reembolsável, que estará disponível a partir de agora, com o lançamento da linha de crédito. Para 2012, o orçamento da parcela reembolsável é de R$ 360 milhões.

A nova linha, com o intuito de estimular investimentos privados, municipais e estaduais com maior eficiência do ponto de vista climático, apresenta juros mais atrativos do que os aplicados atualmente pelo BNDES. As novas taxas variam de acordo com os subprogramas, começando em 2,5% ao ano.
Os prazos de financiamento, também variáveis em função da aplicação, chegam a 25 anos — prazo máximo para empreendimentos de transporte urbano sobre trilhos. A participação do BNDES poderá ser de até 90% do valor dos itens financiáveis para todos os subprogramas.

Os subprogramas são os seguintes:
Modais de transporte eficientes – Voltado a projetos que contribuam para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e de poluentes locais no transporte coletivo urbano de passageiros, bem como para a melhoria da mobilidade urbana nas regiões metropolitanas.

Máquinas e equipamentos eficientes – Financiamento de máquinas e equipamentos novos e nacionais com maiores índices de eficiência energética.

Energias renováveis – Voltado para investimentos em geração de energia a partir da energia eólica em sistemas isolados, do uso de biomassa, dos oceanos e da radiação solar, além de projetos de desenvolvimento tecnológico e da cadeia produtiva desses setores.

Resíduos com aproveitamento energético – Apoio a projetos de racionalização da limpeza urbana e disposição de resíduos com geração de energia nas cidades-sede da Copa do Mundo ou em suas regiões metropolitanas.

Carvão vegetal – Destinado a investimentos voltados à melhoria da eficiência energética na produção de carvão vegetal.

Combate à desertificação – Projetos de restauração de biomas e de atividades produtivas sustentáveis de madeiras nativas, fibras e frutos na região Nordeste.
Com o lançamento do Programa Fundo Clima, o Ministério do Meio Ambiente e o BNDES buscam incentivar investimentos relevantes para que o Brasil atinja suas metas de redução de emissões de gases do efeito estufa — estabelecidas na Política Nacional sobre Mudança do Clima —, reduza suas vulnerabilidades aos efeitos adversos da mudança do clima e se prepare para competir em uma economia de baixo teor de carbono.

Confira aqui a apresentação feita pelo diretor do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Mauro Pires, durante o evento de lançamento do Programa Fundo Clima.
Fonte: BNDES

Brasil na rota da economia de baixo carbono

A sociedade precisa de outra teoria macroeconômica, a qual não tem nada a ver com o pensamento econômico atual, aponta o economista José Eli da Veiga
Por: Patrícia Fachin

“Não existe um pensamento macroeconômico para isso que chamamos de sustentabilidade porque todas as teorias, das mais ortodoxas às mais heterodoxas, têm como base comum o aumento incessante do consumo”, disse José Eli da Veiga, à IHU On-Line. Na entrevista que segue, concedida por telefone, o economista explica que o mundo está passando por uma transição da era da energia fóssil para a economia de baixo carbono e classifica o aquecimento global como a espinha dorsal desse processo. “Se não conseguirmos reverter o aquecimento global, tudo que for conquistado em termos de biodiversidade, gestão de recursos hídricos, etc., vai para o ralo porque o aquecimento acabará com tudo”.

Em função disso, argumenta, é preciso investir prioritariamente em uma reestruturação energética. Nesse sentido, assinala, “o vetor segurança energética somado ao vetor mudança climática faz com que se perceba que a próxima longa etapa do capitalismo será centrada nas inovações das áreas das energias que poderão substituir as fósseis”.

Na opinião do economista, as atuais opções alternativas energéticas como a eólica e a solar não serão suficientes para sustentar a transição da era fóssil para a economia de baixo carbono. “É bem provável que tenhamos uma grande surpresa nas próximas décadas com algum tipo de inovação radical que irá acelerar o processo de saída da era fóssil”, aponta.

Para ele, o desafio Brasil nos próximos anos consiste em investir em “CT&I”, Ciência, Tecnologia e Inovação para não ficar dependente das soluções que surgirão em outros países. “Do meu ponto de vista, deveríamos usar todos os recursos do pré-sal para investir em Ciência e Tecnologia”.

José Eli da Veiga é professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA-USP, onde participa do Núcleo de Economia Socioambiental – NESA. Além de artigos em periódicos científicos nacionais e estrangeiros, e diversos capítulos de obras coletivas, acaba de lançar seu vigésimo livro: Sustentabilidade – A legitimação de um novo valor (Ed Senac, 2010). É colunista do jornal Valor Econômico e da revista Página 22. Sua página pessoal na internet é http://www.zeeli.pro.br/.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Pode nos explicar em que consiste a economia verde?
José Eli da Veiga – As pessoas têm opções diferentes sobre a concepção do que seria a economia verde. A principal referência internacional é o PNUMA (UNEP, na sigla em inglês), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que lançou em 2008 uma iniciativa pela economia verde (Green Economy Initiative). Um programa para auxiliar os governos nacionais a elaborar políticas de estímulo a tudo isso que temos chamado de atividades favoráveis à sustentabilidade, que vão desde a busca por energias renováveis até práticas agrícolas mais adequadas, passando por novas maneiras de construir casas e prédios. Na concepção do PNUMA, uma economia verde, além de justa e resiliente, deve e ter a capacidade de melhorar a qualidade de vida de todos dentro dos limites ecológicos deste planeta.

Logo depois, surgiu uma iniciativa internacional diferente, de coalizão, que juntou organizações de consumidores, de trabalhadores e pesquisadores sob a liderança do International Institute for Environment and Development – IIED, que tem sede em Londres, fundado pela economista Barbara Ward, em 1971. No Brasil, este debate está sendo puxado pela ONG Vitae Civilis, de São Paulo. Recentemente, a ONG e o Instituto fizeram um encontro no Brasil e passaram a usar a expressão “economia verde e inclusiva”.

Economia de baixo carbono: o desafio brasileiro

“A transição para uma economia de baixo carbono é capaz de compatibilizar seu crescimento com a preservação dos serviços ecossistêmicos básicos”, constata o economista Ricardo Abramovay
Por: Patrícia Fachin

“O país tem hoje uma situação privilegiada”, aponta Ricardo Abramovay. Segundo ele, este privilégio “exprime-se no fato de que a transição para uma economia de baixo carbono é capaz de compatibilizar seu crescimento com a preservação dos serviços ecossistêmicos básicos”. Para que o Brasil seja um exemplo internacional na relação entre economia e ecossistemas, alguns elementos básicos devem ser cumpridos. “É preciso que a inovação industrial, da mesma forma que está ocorrendo na União Europeia, no Japão, na China e nos EUA, tenha por vetor fundamental a preocupação em reduzir ao mínimo o uso de materiais e energia por unidade de produto. Isso exige rastreamento mais aprofundado não só das emissões de gases de efeito estufa, mas dos impactos da produção material sobre a biodiversidade e, de maneira geral, sobre os materiais consumidos pela indústria. Além da chamada pegada de carbono, é fundamental rastrear a pegada de água e de todos os materiais usados na produção”. De acordo com Abramovay, outro elemento importante refere-se ao padrão de consumo atual. “Os padrões de consumo atuais, tão concentrados em produtos alimentares de má qualidade, num padrão de mobilidade urbana insustentável e em formas de moradia apoiadas em imenso desperdício, devem ser discutidos e modificados”.

Na entrevista que segue, concedida por e-mail à IHU On-Line, o economista enfatiza que o “Brasil pode continuar desempenhando papel de destaque na oferta de commodities, ao mesmo tempo em que transita para uma economia de baixo carbono e baseada no conhecimento (e não na destruição) da natureza”.

No que se refere aos investimentos a partir das reservas de pré-sal, Abramovay é enfático: “O importante é que, ao menos, parte dos recursos do pré-sal seja dirigida para acelerar a transição do Brasil para uma economia de baixo carbono, de maneira que os usuários dos resultados da exploração do pré-sal respondam pelo pagamento dos direitos de emissão ligados a seu uso. É fundamental que se ampliem os investimentos em ciência e tecnologia ligadas ao conhecimento dos mais importantes biomas do país, para que o uso sustentável da biodiversidade”.

Ricardo Abramovay é mestre em Ciências Políticas, pela Universidade de São Paulo – USP, doutor em Ciências Econômicas, pela Universidade de Campinas – Unicamp, e possui ainda cinco pós-doutorados, entre eles citamos o curso concluído na Ècole dês Hautes Études em Sciences Sociales. Coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental – NESSA, ele faz parte do Programa de pesquisa Dinâmicas Territoriais Rurais do Centro Latinoamericano para el Deserrollo Rural – Rimisp, do Chile e do International Development Research Center – IDRC, do Canadá.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como a política econômica brasileira deve ser repensada a partir da
questão ambiental?
Ricardo Abramovay - O país tem hoje uma situação privilegiada que ele pode usar de forma inteligente ou desperdiçar. Este privilégio exprime-se no fato de que a transição para uma economia de baixo carbono, capaz de compatibilizar seu crescimento com a preservação dos serviços ecossistêmicos básicos, pode ser levada adiante de forma muito menos traumática que na maior parte dos países com a importância econômica do Brasil. A matriz energética brasileira é dependente de combustíveis fósseis em pouco mais de 50% (embora a presença das termelétricas esteja aumentando de forma preocupante). A média mundial é superior a 85% e a dos países mais ricos do planeta ultrapassa 90%. A redução no desmatamento da Amazônia aumenta a probabilidade de que os compromissos internacionais quanto à emissão de gases de efeito estufa sejam cumpridos.

O fundamental, então, é que estas vantagens sejam utilizadas para fazer da sociedade brasileira um exemplo internacional na relação entre economia e ecossistemas. Isso se traduz por três elementos básicos. Em primeiro lugar, é preciso que, da mesma forma que está ocorrendo na União Europeia, no Japão, na China e nos EUA, a inovação industrial tenha por vetor fundamental a preocupação em reduzir ao mínimo o uso de materiais e energia por unidade de produto. Isso exige rastreamento mais aprofundado não só das emissões de gases de efeito estufa, mas dos impactos da produção material sobre a biodiversidade e, de maneira geral, sobre os materiais consumidos pela indústria. Além da chamada pegada de carbono, é fundamental rastrear a pegada de água e de todos os materiais usados na produção.

"Competindo no Contexto da Nova Economia de Baixo Carbono"


“Num futuro muito próximo os países estabelecerão barreiras alfandegárias protecionistas relacionadas às emissões de carbono. Mecanismos de gestão e controle passarão a avaliar a intensidade de carbono emitido durante os processos produtivos. Sobretudo o quesito ambiental será o mais exigido por conta dos resultados nefastos que provoca no clima e por conseqüência os prejuízos generalizados às economias e populações. Quanto maior a quantidade de carbono emitida por tonelada produzida, mais sobretaxado será o item fabricado. É nesta conjuntura global que os produtos brasileiros vão competir.”

Há recursos para financiar atividades de baixa emissão de carbono

Segundo estudo do Centro de Sustentabilidade da FGV, só o BNDES aprovou, em 2009, R$ 480,86 milhões em produtos de baixo carbono 11 de novembro de 2010
19h 11
 Karina Ninni - estadao.com.br

Há recursos nas instituições financeiras estatais para investimento em linhas de fomento de atividades com baixa emissão de carbono. Esta é a principal conclusão do estudo Financiamentos Públicos e Mudança do Clima, lançado esta semana pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVCes). O estudo analisou as principais linhas de crédito "verdes" de instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB), Banco da Amazônia (Basa), Banco do Nerdeste e dos Fundos Constitucionais (Fundo Constitucional do Norte -FNO; Fundo Constitucional do Nordeste - FNE; e Fundo Constitucional do Centro-Oeste - FCO).

"Dinheiro há. E existe uma série de produtos com viés sustentável em cada instituição. Mas há entraves. Por exemplo: esses produtos são pouco acessados pelos supostos interessados, porque há muita burocracia envolvida em sua obtenção. Eles não atraem os clientes e, muitas vezes, os funcionários das instituições que os vendem não estão preparados para vender esses produtos", explica uma das pesquisadoras do GVCes, a engenheira Paula Peirão.

Brasil precisa de US$ 20 bilhões por ano para ser economia de baixa emissão de carbono

Data: 12/11/2010 11:21
Por: Redação TN / Daniel Mello, Agência Brasil
O Brasil precisa investir cerca de US$ 20 bilhões por ano até 2030 para se transformar em uma economia de baixo carbono, ou seja, com baixas emissões de gases de efeito estufa. É o que diz pesquisa elaborada pelo Banco Mundial chamada O Estudo de Baixo Carbono para o Brasil divulgado nesta quarta-feira (10/11), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O setor energético é o que necessita dos maiores aportes de recursos, de acordo com o documento.

A estimativa é que sejam necessários US$ 7 bilhões por ano para se conseguir reduzir em 11 milhões de toneladas anuais as emissões de gás carbônico (CO2) dessas atividades. O CO2 é o principal gás que intensifica o efeito estufa natural que mantém a Terra em temperaturas que propiciam a vida no planeta.

No entanto, a maior contribuição para diminuir o lançamento de carbono da atmosfera viria das mudanças do uso da terra, área relacionada principalmente à agricultura e ao desmatamento. Para essas reduções, terá que haver um investimento de 5,4 bilhões ao ano, o que evitaria a emissão de 356 milhões de toneladas de CO2.

De acordo com o pesquisador do Banco Mundial, Cristhopher Gouvello, a maior parte dessas reduções ocorreria por conta do desmatamento evitado, do uso do plantio direto e das florestas plantadas.

O pesquisador destacou que diminuir o lançamento de CO2 na atmosfera não traria prejuízos a economia. “Aquela ideia de que passar para a economia de baixo carbono é um freio para a economia não é verdade”, afirmou. O processo geraria, inclusive, mais empregos, de acordo com Gouvello. “As atividades de baixo carbono são um pouco mais intensivas que as tradicionais”.

A produção menos poluente é também uma necessidade competitiva, segundo o pesquisador Maurício Henriques, do Instituto Nacional de Tecnologia, que participou da pesquisa. “Se a gente não provar que os nossos produtos têm baixo conteúdo de CO2 e são eficientes, nós vamos ter barreiras”, disse referindo-se a restrições que podem vir de outros países por conta das emissões de carbono na produção.

Maurício destacou ainda que a transição para a economia de baixo carbono é uma boa oportunidade para empresários brasileiros modernizarem suas fábricas. São melhorias que, segundo Gouvello, do Banco Mundial, dependem de incentivos por parte do governo. Para ele, é necessário haver investimentos específicos e talvez até incentivos fiscais.

BNDES propõe que inovação valorize sustentabilidade ambiental

Texto publicado em 06 de Novembro de 2010 - 09h44
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, enfatizou nesta sexta-feira, 5 de novembro, a necessidade das inovações tecnológicas promovidas pela indústria brasileira valorizarem a sustentabilidade ambiental. Após participar de reunião com empresários da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo, afirmou que esse será um grande diferencial competitivo do produto brasileiro em relação à maioria dos países concorrentes.

“A inovação deveria ter um viés pró-exportação e valorizar um ingrediente brasileiro diferenciado, que é a sustentabilidade. O Brasil tem matriz energética limpa, novas formas de energia e capacidade de desenvolver produtos com certificação verde, ambiental”, avaliou Coutinho. “Precisamos tirar proveito também de inovação com sustentabilidade ambiental e ter competência em comunicar isso para o mundo”, completou..

O presidente do BNDES afirmou que dobrar o investimento privado em inovação é um enorme desafio e deve ser encarado como grande prioridade do desenvolvimento do país. “A inovação é necessária para a competitividade e aumento da presença do Brasil nos mercados globais em que temos vantagens”, enfatizou.

A duplicação do investimento privado em inovação é a principal meta da MEI, movimento de incentivo à inovação liderado pela CNI, lançado há dois anos. De acordo com a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) divulgada semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 38,6% das empresas industriais praticam inovação, seja em produtos, seja em processos.

Articulação - O aumento dessa taxa, de acordo com o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, passa pela articulação que a MEI tem feito com o próprio BNDES, ministérios de Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “A MEI tem feito essa articulação para aumentar o investimento, que hoje chega a 1% do PIB apenas se somados os investimentos públicos e privados. Esperamos que isso possa aumentar muito, principalmente entre as pequenas e médias empresas”, afirmou Andrade.

Ressaltou ter sido a partir da articulação da MEI que o governo lançou, nesta sexta-feira, na CNI, a Sala de Inovação, que reunirá os órgãos federais da área de inovação num único lugar. “A Sala de Inovação vai facilitar o andamento dos projetos, que às vezes se perdem na burocracia, indo e vindo em ministérios. É uma solução prática”, definiu Robson Braga de Andrade.

Lembrou que depois do lançamento da MEI a parceria com o governo aumentou bastante. “Nos últimomeses tivemos muitos avanços. O presidente Lula aprovou R$ 500 milhões num edital voltado para a inovação e o desenvolvimento tecnológico e fizemos um convênio com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, que está colocando R$ 25 milhões, e a CNI outros R$ 25 milhões, para a criação de 27 núcleos estaduais de inovação que vão auxiliar as pequenas e médias empresas a inovar”, relatou.

Assegurou que a interlocução continuará com o próximo governo. “Teremos no início de dezembro uma reunião para trabalhar essa agenda com o novo governo”, informou o presidente da CNI.
Fonte: Assessoria da CNI

O valor estratégico do selo “MADE IN BRAZIL”

Por Laércio Bruno Filho
Cenário Brasileiro
No final do ano passado o Brasil anunciou metas para reduzir suas emissões dos gases efeito estufa (gee) entre 36% e 39 %, tendo como base as emissões apontadas pelo inventário nacional a ser concluído 2010, até o ano limite de 2020.

Semanas atrás o governo divulgou noticia de que em breve haverá o desdobramento pragmático destas metas sendo que alguns setores da economia receberão tetos para emissão de gee.

Ou seja, já se vislumbra o controle nacional das emissões de carbono via estabelecimento de limites setoriais. Primeiros os setores da economia e depois empresas deverão receber limites de emissões a serem cumpridos.

Naturalmente todo este cenário pressupõe a operacionalização de um sofisticado e inovador mecanismo de mercado dotado de instrumentos econômicos, jurídicos e tributários que proporcione, sobretudo, parâmetros confiáveis e seguros para as operações mercantis que ocorrerão. Tanto para compradores nacionais quanto internacionais.

Será o Mercado Voluntário Brasileiro com operações comerciais de créditos de carbono “intra” e “entre” as empresas nacionais e multinacionais.

É esperado que haja uma dinâmica de negócios similar ao sistema europeu,o EU- ETS, de forma a agilizar a cumprimento das metas e motivar o aspecto econômico-financeiro de mercado.

Sistema Europeu
No sistema europeu as nações recebem cotas de emissões que são desdobradas em metas entre alguns segmentos da economia como produção de cimento, geração de energia ou o setor de transportes, entre outros

Quando estes limites pré-estabelecidos não são cumpridos há a possibilidade de complementá-las com a aquisição de créditos de carbono para a compensação do limite excedido.

Na prática as corporações que ultrapassam seus limites de emissão podem adquirir créditos de carbono gerados em outros países, como o Brasil, Índia ou China, e assim cumprirem suas metas. Outra possibilidade são empresas que em posição “superavitária” em relação às suas metas, podem ofertar seu excedente de carbono ao mercado.

Importante enfatizar que este mecanismo favorece o planeta, reduzindo sim as emissões globais dos gee e gera divisas ao países geradores dos créditos de carbono. O Brasil já exportou quase U$ 500 milhões em créditos de carbono

Economia de baixo carbono
Já hoje se fala que os países estabelecerão barreiras alfandegárias protecionistas relacionadas às emissões de carbono.

Mecanismos de gestão e controle passarão a avaliar a intensidade de carbono emitido durante os processos produtivos dos bens. Sobretudo o quesito ambiental será o mais exigido por conta dos resultados nefastos que provoca no clima e por conseqüência os prejuízos generalizados às economias.

Indicadores que controlam a quantidade de toneladas de carbono emitidas por tonelada produzida passarão a ser os “Indicadores Críticos de Performance”.

Quanto maior for a quantidade de carbono emitida por tonelada produzida mais sobretaxado será o bem produzido.

A “pegada ambiental” representará um indicador de competitividade. Pegada ambiental significa o impacto negativo imposto à biodiversidade para se produzir determinado produto ou serviço.

Quanto mais “pesada” a pegada ambiental, menor valor e menos competitividade terá o item produzido.
Mais carbono emitido, mais valor destruído.
Na economia de baixo - carbono a quantidade de emissões de gee se tornará fator crítico para o sucesso das empresas, setores e países.

Porque será mandatório
Viver em uma sociedade de baixo-carbono já está de tornando uma exigência nos países mais desenvolvidos.

Europa e Escandinávia discutem como sobretaxar suas emissões e as respectivas populações diariamente são provocadas por campanhas de conscientização fazendo alusão ao tema. E a tendência é que este comportamento estenda-se por todo o planeta.

Hoje a maioria da comunidade cientifica e parte da sociedade converge para a opinião de que catástrofes climáticas são decorrentes das ações do homem e, portanto ele é o responsável pelo aquecimento do planeta.

É corrente encontrar afirmações de que quanto maior o aquecimento global, piores serão as conseqüências climáticas. E ninguém em sã consciência deseja contribuir para isto.

Além disso, os países ricos não desejam continuar reféns dos combustíveis fósseis e seus derivados, cujos produtores encontram-se majoritamente localizado em regiões politicamente instáveis, com alto risco de cartelização e pressão constante para elevação de preço.

Os países desenvolvidos procuram ser menos carbono-intensivos penalizando o uso do combustível fóssil e promovendo energias alternativas, mais limpas.

Vantagem comparativa
No Brasil a matriz energética de origem hidrológica é limpa e renovável em sua maior parte. As emissões de gases de efeito estufa decorrentes para produção de energia são baixas quando comparadas á maioria dos outros países.

Adicione-se à questão da matriz energética o modelo do etanol brasileiro. Parte significativa da frota nacional opera com um combustível renovável, que emite pouco carbono, considerado o balanço entre produção e uso.

Além disso, existe a co-geração de energia que é gerada pela queima do bagaço e responde por 12,6 % de toda a energia gerada no país (balanço energético 2009).

A questão das florestas vem complementar. A extensa área florestal representa um gigantesco sumidouro de dióxido de carbono além de estocar bilhões de toneladas de carbono em suas arvores.

No contexto global, o Brasil está classificado como o quarto grande emissor de gases de efeito estufa, mas isto acontece por conta do desmatamento e queimadas para produção agropecuária. E há de se convir que controlar emissões por desmatamento e queimada não é tão critico quanto controlar emissões para geração de energia, como nos países europeus e asiáticos.

Na Ásia, Europa e America do Norte a geração da energia é primordialmente baseada no combustível fóssil.

Estabelecer controle sobre as emissões de carbono significa impacto direto no crescimento econômico e entre outros aspectos, no conforto do cidadão, pois boa parte da energia gerada serve para aquecer residências e prédios durante os invernos. Daí a polemica em como controlar as emissões e em que patamares as reduções seriam aceitáveis. Sob este contexto a gestão do carbono tomou proporções muito maiores e mais complexas para estes países.

Competitividade Intrínseca
É nesta conjuntura global que os produtos brasileiros competem e já partem com um grande diferencial competitivo original, intrínseco. Feitos os cálculos apresentam baixa intensidade de carbono, podendo reduzir ainda mais com as metas assumidas pelo governo.

Vale lembrar que hoje o principal direcionador de valor, no mundo todo, ainda é Preço, uma vez que a questão da Qualidade está praticamente nivelada.

Todavia isto está começando a mudar. Os aspectos socioambientais estão ganhando espaço e cada vez mais serão considerados como os “verdadeiros diferenciais” no momento da escolha e aquisição de um determinado item pelo cidadão-consumidor.

Agora é o momento de se pensar num grande inventário da biodiversidade em nível internacional.
Reconhecido e chancelado pela comunidade cientifica, classificando a competitividade dos países pela pegada ambiental gerada na produção de seu PIB e pela preservação de seus estoques de recursos naturais.

Eis o momento adequado para criação do selo “MADE IN BRAZIL”.

Furlan: Brasil precisa de nova imagem, a de "economia verde" /// TERRA

24 de abril de 2010
 Valmir Zambrano

Direto de Comandatuba

Do ponto de vista econômico, o Brasil encostou no chamado primeiro mundo. De acordo com o critério de medição, o País está entre sétimo e oitavo lugar entre os mais ricos. Mas apesar do poder de sua economia, falta ainda uma espécie de imagem corporativa ao Brasil, algo pelo qual ele possa ser identificado imediatamente no exterior, na opinão do ex-ministro do Desenvolvimento e atual co-presidente da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan. Para ele, a melhor oportunidade é "colar" o nome do Brasil à chamada "economia verde".

"O Brasil pode não perceber, mas está hoje buscando um reposicionamento da sua marca. Deixamos de ser um país pobre e dependente para ganharmos protagonismo no mundo, mas ainda precisamos de um rótulo que não seja aqueles surrados do tipo país do samba, do carnaval ou de Pelé", afirmou o ex-ministro, durante o 9º Fórum Empresarial, evento que reuniu empresários e políticos em Comandatuba, na Bahia, para discutir sustentabilidade econômica.

Furlan lembra que todos os países mais importantes possuem empresas e uma imagem ligadas às suas economias. Os alemães são reconhecidos por suas máquinas de qualidade, os italianos por seu design vanguardista e até um país como a Finlândia, com economia menor que a brasileira, é famosa pela sua liderança em telefonia celular. No caso do Brasil, Furlan acredita que o melhor caminho é vincular a imagem a sinônimo de sustentabilidade.

Para ele, não há país em melhores condições de aproveitar esse selo verde do que o Brasil. "A maior parte da energia que consumimos é limpa, vem da água, no caso da hidrelétrica, e da terra, no caso do etanol e cana. Estamos muito melhores do que países que dependem de carvão, por exemplo", afirmou o empresário.

"No campo da emissão de gases de efeito estufa, a situação também é mais fácil de consertar. Queimadas na agricultura e o corte de árvores são nossas principais pegadas de carbono. E com programas de uso consciente da terra podemos reverter o problema. Ainda temos mais da metade da floresta tropical (Amazônia) que tínhamos há mil anos. Na Europa, por exemplo, não sobrou nada", disse Furlan.

Atualmente, além de chefiar a fusão entre Sadia e Perdigão, que resultou na Brasil Foods, Furlan também atua na Fundação Amazonas Sustentável, entidade que desenvolve projetos de economia sustentável para a Amazônia

O consumidor e o indivíduo na era da transição - Sérgio Besserman /// CPFL - Café Filosófico

http://www.cpflcultura.com.br/video/consumidor-e-individuo-na-era-da-transicao-sergio-besserman

Excelente palestra de Sergio Besserman no Café Filosófico da CPFL, levado ao ar aos domingos á noite pela TV Cultura.
Não de ixe de assistir!!

Por que é necessária a transição para uma economia de baixo carbono, em que as fontes de energia terão de ser cada vez mais renováveis? Como nosso estilo de vida e nossos objetos de consumo levaram a tamanha insustentabilidade ambiental e social?


Qual o papel do indivíduo nessa era de transição? Que tipo de consciência e responsabilidade ele precisará ter? Como os limites ambientais vão refletir no nosso estilo de vida?

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