Incaper realiza VI Simpósio Capixaba sobre Seringueira: O Brasil importa atualmente 70% da borracha consumida no país
Créditos: IncaperCom o intuito de discutir o panorama atual de mercado para a borracha e incentivar a atividade como alternativa de reflorestamento e renda nas propriedades rurais, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado a Secretaria da Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca do Espírito Santo (Seag), realiza juntamente com a prefeitura de São Gabriel da Palha, o VI Simpósio Capixaba sobre Seringueira. A abertura oficial ocorreu ontem (2306/10), e as atividades prosseguem até hoje (24/06/10), das 7h30 às 17 horas, no Centro de Eventos de São Gabriel da Palha.
O público estimado para o evento é de cerca de 600 pessoas, em sua maioria composto de produtores rurais que praticam a atividade ou tem interesse em ingressar no setor. O objetivo é demonstrar que o plantio de seringueira pode representar um bom negócio para os produtores rurais capixabas, além de consolidar o Programa de Expansão da Heveicultura Capixaba (Probores), lançado pelo Governo do Estado durante a quinta edição do mesmo Simpósio, no ano passado.
Dentre as metas do Programa está a implantação de 75 mil novos hectares de seringueira no Estado, preferencialmente em consórcio com outras culturas. De acordo com o coordenador do programa de Silvicultura do Incaper, Pedro Galveas, a espécie arbórea pode ser plantada juntamente com o café, cacau, cupuaçu ou palmáceas, formando-se assim um sistema agroflorestal, que traz benefícios ao solo e ainda proporciona mais de uma fonte de renda no mesmo espaço territorial.
Além disso, a seringueira é uma boa alternativa para atender à legislação ambiental com uma atividade rentável, na medida em que essa cultura pode ser explorada em Áreas de Preservação Permanente (APP), como margens de rios, topos de morros e áreas com declividade superior a 45°; incluindo-se também nos conceitos da Reserva Legal, que consiste na obrigatoriedade do reflorestamento de 20% da propriedade rural.
MERCADO
Um ponto importante que será abordado durante o Seminário são as tendências de mercado para a borracha. Segundo Pedro Galveas, o Brasil importa atualmente 70% da borracha consumida no país do Sudeste Asiático, o que representa um gasto diário de R$ 3,6 milhões.
O Espírito Santo apresenta 13 mil hectares de área plantada com a Seringueira. Isso representa uma produção de aproximadamente 7,5 mil toneladas de borracha, que correspondem a 6% da produção nacional, estimada em 107 mil toneladas. Entretanto, somente a indústria pneumática consome o dobro da produção nacional.
Ainda de acordo com Galveas, a borracha apresenta atualmente um excelente preço no mercado, sendo vendida em média por R$ 3,00 o quilo, o que representa um valor mais alto até mesmo que o petróleo. Estima-se que quatro hectares plantados com a seringueira geram renda suficiente para manter uma família.
"Os dados demonstram que a heveicultura tem muito espaço para crescer no Espírito Santo e em todo o Brasil, pois há uma grande demanda interna pela borracha. Portanto, o Governo do Estado está incentivando a expansão da atividade, pois além de apresentar um ótimo retorno econômico, contribui para o meio ambiente. A seringueira, além de proteger e regenerar o solo, é uma das plantas que mais retira o gás carbônico da atmosfera", afirma Galveas.
O PROBORES
O Probores tem como meta diminuir a importação da borracha e pulverizar o plantio de seringueiras pelo Estado, pois incentiva os pequenos produtores a investir na cultura, que é vista como "amiga do meio ambiente".
O objetivo geral do Probores é promover a implantação de 75 mil novos hectares de seringueira no Espírito Santo e, com isso, contribuir para o abastecimento interno do País e propiciar a proteção do meio ambiente, bem como a sustentabilidade do homem.
O programa visa a incentivar principalmente os pequenos produtores que desenvolvem a agricultura familiar e estejam organizados em associações, cooperativas e assentamentos.
No ano de 2009, foram distribuídas aos agricultores capixabas 300 mil mudas subsidiadas de seringueira, e para 2010 estão previstas mais 300 mil. Os produtores que se interessarem em participar devem procurar o escritório do Incaper de seu município e se inscrever no Programa.
PROGRAMAÇÃO
A palestra de abertura ficou por conta do representante da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (Abiarb), Ademar Queiroz do Vale, que irá demonstrar aos agricultores os produtos finais que são produzidos a partir da borracha.
"É possível produzir mais de 50 mil artefatos diferentes a partir da borracha, sendo que 70% do material é destinado à confecção de pneus. È importante que o produtor conheça a importância da matéra-prima que ele produz", afirma Galveas.
Hoje (24/06/10), especialistas do Incaper, da Seag, da Embrapa e da Revista Lateks, de São Paulo, irão discutir diversos aspectos ligados à implantação, produção e comercialização da seringueira.
FONTE
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural
Assessoria de Comunicação do Incaper
Paula Varejão - Jornalista
Telefone: (27) 3137-9868
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Seringueiros renovam contrato de venda com empresa francesa /// Agencia de Noticias do Acre
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Unknown
em
5/12/2010 09:32:00 AM
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Escrito por Tatiana Campos
12-Mai-2010
FDL é vendida para indústria de calçados européia. Seringueiros de Assis Brasil vão entregar 10 toneladas de borracha
Representantes da empresa apresentaram avanços na parceria com os seringueriros para compra do látex (Fotos: Angela Peres/Secom)
A Folha de Defumação Líquida (FDL), produzida por seringueiros acreanos continuará a virar solas de sapatos europeus. O francês Francois Morillion renovou, pelo terceiro ano consecutivo, o contrato de compra e venda da borracha acreana. Até o final de 2010 serão entregues dez toneladas de FDL para a empresa francesa de calçados Veja.
No contrato celebrado em 2009, o seringueiro que mais produzisse FDL seria contemplado com um bônus de R$ 1 por quilo produzido. Raimundo Nonato Lopes, o Tamba, de apenas 23 anos, representa a nova geração de seringueiros e foi, pelo segundo ano, o campeão de produtividade no Seringal Icuriã. Foram 519 quilos de FDL entregues no contrato. Tamba relembra que não queria participar do novo processo de produção de látex no início, quando os primeiros seringueiros começaram a produzir FDL em Assis Brasil.
Mas, se viu obrigado a tocar a produção com a morte de um dos irmãos, que havia ganhado uma Unidade de Produção do Governo do Estado. "Hoje eu vejo o quanto este método é melhor que o outro, por não precisar da fumaça e ser melhor de lidar. E a renda é melhor também. Sobra mais dinheiro pra gente comprar o que precisa, roupa, sapato, remédio. A luz [Luz para Todos] chegou lá em casa. Já temos televisão e agora, com o dinheiro que ganhamos com a entrega da borracha, vamos comprar uma geladeira", disse o seringueiro. A borracha produzida na Reserva Chico Mendes, em Assis Brasil, é vendida para a empresa francesa Veja, onde vira solas de tênis produzidos com algodão orgânico. Os seringueiros recebem um valor justo pela produção e são incentivados a produzir cada vez mais. Não há impactos ambientais. A floresta continua em pé e valorizada. Os governos estaduais e municipais incentivam a cadeia produtiva. A vida de quem mora nos seringais está melhorando.
A borracha sai da floresta beneficiada, transformada em FDL. O novo método de extração do látex foi desenvolvido pela Universidade de Brasília (UNB) pela equipe do professor Floriano Pastore, que estuda o processo há quinze anos. O projeto Tecbor foi trazido para Assis Brasil através de uma parceria da UNB com o Governo do Estado, Ufac, WWF, e Prefeitura de Assis Brasil.
A borracha é uma das cadeias produtivas prioritárias definidas pelo Governo do Estado. Com recursos do Programa de Apoio às Populações Tradicionais e Pequenos Produtores, o Pró-Florestania, 248 famílias em Assis Brasil, Feijó, Tarauacá, Sena Madureira, Marechal Thaumaturgo, Bujari e Senador Guiormard serão beneficiadas com o kit necessário para a produção da FDL. Mais de 305 das 248 unidades de produção já foram construídas e equipadas.
Borracha em FDL produzida em Assis Brasil vira sapato na indústria francesa Veja
(Foto: Sérgio Vale/Secom)
O que está por trás deste contrato?
Com a produção de borracha, óleos, e outros produtos de base florestal, populações que vivem na floresta passam a ter renda e condições de se manter sem a necessidade de derrubar as árvores para vender a madeira, uma opção que esgota os recursos naturais. Ou seja, com a floresta em pé e bem manejada é possível, além de preservá-la, ter uma fonte de renda inesgotável.
Em busca de novos mercados
Dande Tavares, do escritório da WWF Brasil, diz que ideia é tornar contrato referência para novos negócios (Foto: Angela Peres/Secom) A WWF Brasil é parceira do Projeto Tecbor desde o início. "Nós atuamos em todo o mundo, então a nossa missão é procurar mercados para a borracha, pesquisando novos produtos e aplicações em mercadorias que façam a diferença do ponto de vista ambiental e social. Só nos interessa empresas que tenham ideologia e preocupação com as questões ambientais", explica Alberto Tavares, o Dande, do escritório regional da WWF Brasil no Acre.
O objetivo da WWF, segundo Dande, é tornar o contrato da Veja com a Amopreab uma referência para outros negócios. "Queremos dialogar com outras empresas que tenham também esta preocupação ambiental, que queriam praticar um comércio justo, numa negociação que seja interessante para a empresa e para os fornecedores, numa relação de equilíbrio. Para conservar a floresta, é preciso ter produção florestal".
Contrato justo
No contrato anterior, a Veja pagava até R$ 7 por quilo de FDL, já com os bônus por produtividade. No contrato atual, os bônus foram incorporados ao preço pago por quilo e os bônus foram extintos. Os seringueiros se comprometeram a entregar para a empresa de calçados francesa 10 toneladas de borracha beneficiada. Com o subsídio pagos pelo Governo do Estado (R$ 0,70) e agora, com o subsídio pago pela prefeitura de Assis Brasil (R$ 0,70) os seringueiros da Resex que fornecem para a Veja vão receber R$ 8,40 por quilo de Folha de Defumação Líquida.
Seringueiros se comprometeram a entregar para a empresa de calçados francesa 10 toneladas de borracha beneficiada (Foto: Angela Peres/Secom)
"No ano anterior foram contratadas cinco toneladas e os seringueiros produziram e entregaram seis mil quilos. Este ano o contrato é de dez toneladas. Isso demonstra duas coisas: a Veja aprova a qualidade da borracha produzida aqui e os seringueiros acreditam que este é um bom caminho, estão vendo os frutos dessa produção", disse o secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Nilton Cosson.
A prefeitura de Assis Brasil é a primeira no Acre e a segunda no Brasil a pagar subsídio para a borracha. "Nosso município tem boa parte do território como reserva extrativistas. Precisamos incentivar os seringueiros e achamos que esta é uma boa forma de contribuir", disse Eliane Gadelha.
Para o presidente da Amopreab, Antônio Araújo, o Tota, o FDL é um dos melhores produtos da floresta. "Ele é mais caro que um quilo de carne de boi, e para produzir essa carne é preciso derrubar a floresta para abrir pastos. Na reserva nós podemos extrair essa borracha de forma ambientalmente correta, sem impacto ambiental, preservando a mata e oferecendo renda para o seringueiro".
Segundo a agente de compras da Veja, Bia Saldanha, a valorização da origem da matéria-prima é um passo importante na execução de um contrato justo. "É fundamental no mercado em que a gente atua a valorização da origem da borracha, que é de primeira qualidade. O personagem principal neste cenário é o seringueiro. Os consumidores escolhem o produto porque acham bonito e porque sabem, entendem e conhecem a origem dele".
Borracha sai beneficiada da floresta
Processo de fabricação do FDL garante um látex mais limpo, flexível e resistente (Foto: Angela Peres/Secom) A FDL agregou valor à borracha por não conter impurezas e sair da floresta pronta para ser processada nas indústrias. Os estudos da UnB demonstraram que a borracha resultante do uso dessa técnica é mais flexível e mais resistente que a sintética ou a obtida com a defumação tradicional.
No processo de fabricação da FDL, o látex é colhido de forma tradicional. Cada litro de leite é coagulado com dois litros de água e uma medida de ácido Pirolenhoso (APL), proveniente da queima da madeira. Na produção de carvão, o APL é encontrado fartamente e costuma ser descartado pelas indústrias na forma líquida. Esse ácido substitui o processo de defumação tradicional. O látex coagulado descansa em bandejas de plástico por 24 horas, quando atinge o ponto ideal para ser passado pela calandra, um instrumento que ajuda a deixar as folhas de látex na espessura desejada. Depois desta etapa, o passo seguinte é a secagem e a armazenagem das folhas.
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Atualizado em ( 12-Mai-2010 )
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