Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Eduardo Giannetti e Ana Soares abrem ciclo de debates do Estadão.edu >>> estadao.com.br

Até sexta-feira, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, profissionais de destaque discutem formação acadêmica
16 de junho de 2010
Estadão.edu

Ana Soares e Giannetti falaram da importância da inquietação na formação dos jovens

O economista Eduardo Giannetti da Fonseca e a consultora de gastronomia Ana Soares abriram nesta quarta-feira o ciclo de debates do suplemento de educação Estadão.edu que ocorre até sexta na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Apesar de formações aparentemente distintas, a trajetória dos dois teve um ponto comum: ambos moraram e trabalharam na Europa depois da graduação. Foi com essa experiência que eles falaram da importância do estudo e da angústia que todo jovem passa ao decidir os caminhos da vida.

Inspirado na seção Coisas Que Eu Queria Saber aos 21, do Estadão.edu, o evento marca a 2.ª edição do Encontros Estadão & Cultura. Os debates têm início às 12h30, e a entrada é gratuita. Até sexta-feira, profissionais de destaque falam de sua vida acadêmica e do que consideram relevante na formação profissional.

Nesta quinta-feira, dividem a mesa o escritor Milton Hatoum e Denise Damiani, executiva da consultoria Accenture. Por fim, na sexta-feira, o biólogo Fernando Reinach debate com o público. O evento ocorre no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.703).

Formação

Formada em Arquitetura pela USP, Ana morou em Paris nos anos 70 e foi lá que realizou seus primeiros trabalhos com gastronomia. De volta ao Brasil, ela continuou fazendo projetos arquitetônicos, mas a cozinha passou a ocupar cada vez mais espaço em sua vida. Hoje, Ana é responsável pelo cardápio de cerca de 60 casas de sucesso em São Paulo, como Filial e Pirajá.

"É prazeroso saber que um percurso tão tortuoso como o meu tenha algo a acrescentar para quem assistiu o debate", disse Ana, ao fim do evento. "Sempre há tempo para rever nosso caminho." Para isso, ela acredita na importância da formação do jovem.

Hoje professor do Insper, Giannetti também ressaltou a importância da vivência no exterior para o desenvolvimento de uma visão crítica sobre o Brasil. "Eu só entendi o meu País quando estava na Nigéria", afirmou. Do continente africano, Giannetti foi para a Inglaterra, onde conseguiu uma bolsa de estudos na prestigiada Universidade de Cambridge para cursar o doutorado. "Lá, você lida com a nata da pesquisa científica mundial em diversas áreas."

Giannetti se formou em Economia e Ciências Sociais na USP. Durante o debate, ele contou que os anos de universidade foram dedicados ao estudo do marxismo. "Naquela época, fim dos anos 70, o apelo era irresistível", lembrou. A partir da vivência no exterior, ele concluiu sobre o universitário brasileiro: "Ele segue a lei do menor esforço: decora o livro texto e reproduz em provas. Mas precisa entender que a chance de estudar quatro anos numa faculdade é algo que vai mudar todo o seu ciclo de vida."

Nova profissão para jovens ajuda a acabar com o abuso do álcool /// UOL- Folha SP

Ouça em: http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/gilberto-dimenstein/GILBERTO-DIMENSTEIN.htm
gilberto dimenstein

26 de abril de 2010
Alconsciência
No último fim de semana aconteceu uma festa diferente: trata-se de uma balada movida a rap e a funk em que será proibida a entrada de bebida alcoólica e de drogas. Se alguém acender um "baseado", vai levar uma advertência; se insistir, a festa vai terminar para todos. As rígidas normas não foram estipuladas por adultos, mas pelos próprios jovens de Heliópolis, a maior favela de São Paulo.

É a primeira vez que jovens de comunidades populares recebem treinamento profissional em comunicação para alertar seus colegas sobre os perigos das substâncias psicoativas - o álcool, em particular. O trabalho, desenvolvido por dois anos, focou da publicidade ao jornalismo.

Estimular bandas de funk, hip-hop, samba e pagode a produzir letras que despertem o interesse dos jovens pela saúde faz parte desse projeto de marketing. As baladas são gratuitas e já atraíram os talentos locais, o que significa sucesso na certa.

Todos sabemos que o consumo abusivo de álcool e a juventude constituem uma combinação altamente explosiva. Por isso um projeto como esse, se for bem-sucedido, tende a ganhar escala nacional.

Em gestação há três meses, o projeto partiu da ideia de que os adultos não encontrariam linguagem mais apropriada para falar sobre álcool com os adolescentes. Mas os jovens teriam a limitação de não conhecer técnicas de marketing, publicidade e jornalismo. Assim se delineava a ideia de criar agentes comunitários de comunicação.

Habituada a fazer as mais diversas parcerias, com nomes que vão de Antonio Candido a Ruy Ohtake, a comunidade de Heliópolis obteve apoio da iniciativa privada (AmBev) para oferecer formação aos jovens.

Ali se desenvolve o conceito de bairro-educador.

O objetivo é conscientizar o jovem e, ao mesmo tempo, os donos de bares, estimulando-os a cumprir a lei e a não vender bebidas a menores de 18 anos. Parte da campanha será focada também nos pais.

O que se busca é prevenir o problema. Se já é difícil cuidar de jovens abastados, que têm acesso a recursos médicos e a apoio psicológico, imagine a arduidade da tarefa na periferia, carente de tudo e cheia de famílias desestruturadas.

A Universidade Federal de São Paulo desenvolve um programa que trata, ao mesmo tempo, o filho e os pais, na suposição de que a família desinformada mais atrapalha do que ajuda.

Para se dedicarem diariamente ao projeto, os agentes comunitários de comunicação recebem uma bolsa mensal e devem estar matriculados na escola.

Recebem aulas de redação e aprendem técnicas de montagem de sites, além de design gráfico para a produção de cartazes. Há também aulas sobre saúde, que os levam a entender como as substâncias psicoativas alteram o cérebro.

Também vão aprender a criar programas de rádio e televisão, além de peças de publicidade. A rádio Heliópolis transformou-se numa espécie de Redação-escola.

São apoiados por publicitários de uma agência profissional (Repense) na produção dos slogans e no planejamento de marketing.

Entendeu-se que uma das maneiras mais eficazes de falar com o jovem seria o olho no olho. Decidiu-se, portanto, promover uma balada por mês, com as bandas locais, que, depois, farão uma gravação num estúdio profissional, com direito a videoclipe. Adolescentes serão convidados a mostrar suas produções em artes plásticas, literatura (poesia e conto), vídeos, grafite e moda. Já há, no bairro, uma confecção com um ateliê-escola.

Um dos pontos da estratégia de marketing é a premiação, com produtos, dos bares que aderirem à campanha. Cada dono de bar premiado será apresentado como uma espécie de herói local em peças publicitárias e nos programas.

Ainda não se sabe se tudo isso vai funcionar. Está sendo realizada uma pesquisa qualitativa para avaliar a percepção dos jovens sobre o abuso do álcool. Daqui a dois anos, será feita uma nova medição, que vai oferecer pistas sobre o desempenho da experiência.

Independentemente do resultado, o projeto está conectando mais comunidades populares do eixo Rio-São Paulo, como Paraisópolis.

A experiência de Heliópolis pode até dar errado, mas, se isso ocorrer, não terá sido por falhas técnicas. O fato é que esse caminho costuma dar certo quando se faz da juventude uma fonte de soluções.

Basta lembrar que o instigante nome do projeto, Alconsciência, foi inventado pelos próprios jovens, depois de ouvirem seus colegas.

PS- Para conhecer a dimensão da tragédia que envolve o álcool e a juventude, coloquei uma série de artigos no meu site http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/

Povos e jovens indígenas/// PRVL

PRVL significa Programa de Redução da Violencia Letal contra Adolescentes e Jovens






link:     http://prvl.org.br/destaque/339/

Já não bastassem os desafios que os adolescentes e jovens brasileiros têm que driblar diariamente, a juventude indígena encara ainda problemas que minam suas perspectivas de vida, como altos índices de suicídio, obstáculos à promoção da identidade e da tradição de suas comunidades, dificuldade de acesso à saúde e impasses lingüísticos, econômicos e culturais. Esse é o quadro apontado pelo estudo “A situação dos povos indígenas no mundo”, lançado pela ONU em janeiro.

O relatório, disponibilizado apenas em inglês, apresenta um panorama das condições de vida e sobrevivência das tribos indígenas em diversos países, inclusive no Brasil. Escrita por peritos independentes – especialistas em temáticas indígenas ligadas a áreas como direitos humanos, educação, saúde, meio ambiente, entre outras – a publicação revela que 38% dos 750 mil índios brasileiros vivem em situação de extrema pobreza.

Link para o relatório: http://www.un.org//esa/socdev/unpfii/documents/SOWIP_web.pdf

Em relação aos números mundiais, as taxas de pobreza também são alarmantes: há 300 milhões de indígenas miseráveis dentro do total dos 370 milhões de índios que ainda vivem no mundo. Esses povos representam mais de um terço das 900 milhões de pessoas que vivem na miséria em áreas rurais do planeta.

Alguns agravantes revelados pela ONU são os altos níveis de mortalidade infantil, desnutrição, HIV/Aids, violência, políticas de assimilação e desapropriação de terras, marginalização e abusos de forças militares, injustiças que atingem índios de todas as idades, mas muito intensamente a vida de crianças, adolescentes e jovens. Os jovens parecem ser os que mais sofrem com racismo, discriminação e ausência de recursos básicos de sobrevivência.

Um dos principais pontos levantados pelo estudo é a falta de mecanismos judiciais que defendam a diversidade das trajetórias comunitárias e lingüísticas dos índios e as garantias ambientais, tal como o direito à demarcação territorial de seus espaços de moradia. A relação com a terra, que passa necessariamente por uma conexão espiritual e cultural e vai muito além de questões de mera posse econômica, não é laveda em consideração pelas políticas voltadas aos indígenas. É o que explica o articulador dos direitos dos índios no Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena (ITC), Marcos Terena, ao comentar a pesquisa da ONU. “Se os povos indígenas têm um território demarcado e garantido, isso gera tranqüilidade para a tribo e para os que vivem ao redor dela. Apesar de alguns avanços nesse campo no Brasil, o sistema jurídico ainda não faz uma análise da lei costumeira indígena, onde cada comunidade interpreta de forma particulare o que seja a idéia de direito, de propriedade. Ignorar essas singularidades gera uma agressão aos princípios dos direitos humanos, do direito à vida, já que, sem terra, não há vida para os indígenas”, sustenta Terena.

Terena também afirma que a situação do Brasil ainda é um pouco melhor do que a de demais países da América Latina, pois aqui existem leis que contemplam a questão indígena e já se conta com um avanço no processo de demarcação de terras. Mas ainda há pela frente um grande caminho, onde não faltam contradições. De acordo com o articulador do ITC, a Lei do Índio de 1973 – que considera o índio incapaz, colocando-o sob um regime tutelar, pelo qual ele não é investido de plenitude da capacidade civil – e a Constituição de 1988 – que reconhece a participação indígena na nação, e trata a cultura indígena dentro de um parâmetro de direito à diversidade – mostram-se divergentes em muitos tópicos. “Não há uma doutrina indigenista. Não há entre os profissionais do Direito uma escola de formação voltada essencialmente para a interpretação dos quadros indígenas brasileiros”, explica Terena.

Jovens indígenas: entre suicídio e formas de valorização da vida
O relatório da ONU mostra a gravidade que ronda a expectativa de vida dos povos indígenas e ressalta o fenômeno do suicídio, que atinge algumas aldeias e está relacionado à realocação das comunidades indígenas de suas terras, territórios e recursos. No Brasil, segundo o documento, os índios Kaiowa, que juntos somam cerca de 30 mil, viram nas duas últimas décadas centenas de jovens da comunidade tirarem as próprias vidas, enquanto a tribo lutava para manter os madeireiros e os fazendeiros longe de suas terras.

Retomando dados do Ministério da Saúde, o estudo da ONU também ressalta que, entre 2000 e 2005, a taxa de suicídio em duas comunidades Guaranis foi duas vezes maior do que a taxa nacional, destacando que esta forma de letalidade afeta desproporcionalmente os adolescentes e os jovens adultos Guaranis.

O suicídio é um dos entraves mais dramáticos à valorização da vida nas comunidades indígenas e, segundo Terena, costuma ser um desdobramento da falta de perspectiva que assombra especialmente os jovens. “A ansiedade psicológica e econômica se agrava quando o jovem não tem perspectiva, quando, por exemplo, a demarcação da sua terra não está garantida. Além do suicídio, surgem outros riscos, como risco das drogas, que vem crescendo nas aldeias, e do alcoolismo. Outro problema é que o HIV está chegando cada vez mais a essas comunidades, afetando o equilíbrio familiar”, denuncia Terena. O articulador do Comitê Intertribal ainda destaca a fragilidade da constituição de direitos humanos voltados para os indígenas: “Quando se fala em direitos humanos parece que os índios só aparecem quando morrem, mas eles vêm morrendo lentamente. Ainda faltam muitas iniciativas para que as ações em direitos humanos acompanhem efetivamente o direito à vida dos índios e os desafios que as aldeias enfrentam”.

Algumas alternativas ao quadro apresentado pelo relatório da ONU estão sendo traçadas no Brasil há alguns anos, conforme afirma Marcos Terena. Uma delas são os Jogos dos Povos Indígenas, que estão na sétima edição. Resultado de uma articulação entre o Comitê Intertribal e o Ministério dos Esportes, os jogos reuniram cerca de 60 etnias indígenas no ano passado. “É uma semana na qual os índios gastam suas energias, em atividades de afirmação identitária, Os jogos promovem um circuito de relacionamentos muito positivo”, comenta Terena.

O relatório da ONU apontou também problemas ligados à educação das crianças, adolescentes e jovens de sociedades indígenas. No caso do Brasil, esses índios muitas vezes têm interesse em aprender a Língua Portuguesa falada e escrita e em manter a tradição de suas línguas locais, que geralmente são orais, mas, conforme explica Marcos Terena, mais um obstáculo aparece na vida desses jovens: a ausência de políticas públicas que promovam uma educação bilíngüe.

O indígena Auakamu, da aldeia Kamayurá, do Parque Indigena do Xingu, Mato Grosso, ressalta mais esta deficiência do ensino no país. Com 19 anos, filho e neto de caciques, Auakamu mudou-se para Brasília, onde completou o ensino médio e trabalha como assistente cultural no Comitê Intertribal. O jovem agora almeja ingressar no curso da Pedagogia para contribuir na educação de sua comunidade. “Na aldeia tem muita gente querendo estudar e precisamos de pessoas que estudem na cidade, mas queiram voltar para dar aula na aldeia, porque não temos gente para ensinar. Vim para Brasília estudar e quero voltar e ensinar para as crianças de lá. Também pretendo ser cacique. Meu avô me ensinou muitas coisas e hoje também vejo como o meu pai cuida das pessoas na aldeia A ideia é juntar os dois conhecimentos”, afirma o estudante.

A Saúde dos Jovens. "Young people: not as healthy as they seem"//The Lancet/ The Global health Collection

Robert W Blum;The Lancet, Volume 374, Issue 9693, Pages 853 - 854, 12 September 2009

Ao longo dos últimos 25 anos, tem havido grandes mudanças nas causas de mortalidade e morbidade entre os jovens (idade entre 10-24 anos). A AIDS era praticamente desconhecida há 25 anos atrás, e outras doenças infecciosas, tais como infecções pulmonares, eram as principais causas de morte nesta faixa etária. O suicídio era menos comum do que é hoje, e as mortes por acidentes com veículos automotores eram muito menos freqüentes em muitos países do mundo quando comparadas à atualidade. Além disso, em 1985, as mulheres casavam se mais jovens, com menos idade do que fazem hoje,menos jovens iam para a escola, e o número de jovens que habitavam as áreas rurais também era maior, quando comparado aos dias de hoje.

Todas essas tendências têm afetado a mortalidade e morbidade nos jovens.
Outros padrões de mudança, especificamente como as mudanças demográficas, são muito importantes de se considerar quando exploramos a mortalidade de adolescentes. Hoje, quase um terço da população do mundo está com idade 10-24 anos, e em muitos países em desenvolvimento 30% ou mais da população se encaixam nessa faixa etária (em comparação com cerca de 13% na Europa, Japão, EUA e Canadá ).

Praticamente 90% dos jovens do mundo vivem em países em desenvolvimento, e durante os próximos 20 anos, essa proporção vai aumentar. Em 2025, serão 140 milhões de jovens vivendo na Europa, contra os atuais 111 milhões, enquanto que na África, a proporção de jovens aumentará de um valor de 305 milhões em 2006 para 424 milhões em 2025(um aumento maior do que toda a população de jovens na Europa).

Outros padrões globais afetam a saúde dos jovens, como a migração transnacional, a migração rural-urbana, o aumento da migração de mulheres jovens, casamentos mais tardios, e os aumentos nas taxas de educação, especialmente das meninas. Todas essas mudanças afetam os comportamentos (por exemplo, relações sexuais, antes do casamento) que predispõem para outras conseqüências, tais como infecções sexualmente transmissíveis (incluindo o HIV) e fora do casamento, gravidez e aborto, todas as quais se refletem nas estatísticas de mortalidade.

Embora a adolescência seja muitas vezes referida como a fase da vida mais saudável, o relatório de George Patton e seus colaboradores na revista The Lancet de hoje, deixa claro que os jovens correm riscos significativos de mortalidade. O relatório indica que o risco de mortalidade aumenta com a idade, que dois terços das mortes nessa faixa etária ocorrem em duas regiões especificas do mundo, e que as causas da morte do adolescente variam por região geográfica e de acordo com os recursos nacionais e pessoais.

O que distingue as causa-mortis destes jovens é que em sua maioria elas têm causas comportamentais agravadas pela política nacional do país onde vivem e/ou por falhas dos sistemas locais de saúde publica e prestação de serviços.

Nos países industrializados, os homens jovens possuem de duas a quatro vezes mais probabilidade de morrer do que as mulheres jovens, e homicídios, suicídios, e lesões provocadas por acidentes representam entre 50% e 80% da mortalidade de adolescentes. Entretanto, por causa de mortes por AIDS e da mortalidade materna, a disparidade nos padrões de mortalidade de homens jovens não é observada na África, Sul e Sudeste da Ásia, onde a maioria dos jovens do mundo vive e onde a mortalidade juvenil é mais intensa.

A OMS - Organização Mundial da Saúde, estima que mais de 250.000 mortes relacionadas a gravidez deverão acontecer no mundo inteiro. O casamento precoce na infância contribui muito para este número de mortalidade assim como a prática da mutilação genital feminina, que contribui significativamente para a morbidade.

Países onde o aborto é ilegal e clandestino, ele responde por uma mortalidade tão alta quanto 60 por cada 100.000 mulheres, em comparação com 0,6 e 1,0 por cada 100.000 mulheres, respectivamente, para o EUA e Cuba, onde o aborto é legalizado.

Em todo o mundo, mais de um quarto da mortalidade materna resulta de falhas nas políticas nacionais de aborto e, quando essas políticas são revertidas cai a mortalidade materna. Um exemplo concreto disso é a África do Sul que teve uma redução de 90% da mortalidade materna depois que adotou uma política clara tornando legalizado o ato do aborto.

Aponta o relatório que outra diferença em todo o mundo são os padrões de mortalidade atribuídos ao HIV e à sua transmissão. Na Europa e na América do Norte a transmissão ainda é principalmente entre homens que fazem sexo com homens, e dois terços dos infectados são homens. Em grande parte do sudeste da Ásia, o uso de drogas injetáveis é o modo predominante de transmissão da infecção pelo HIV.

Na África, três quartos da população de jovens está infectado pelo HIV. As mulheres jovens são duplamente expostas ao risco de contaminação por jovens do sexo masculino. Fatores que contribuem para este risco incluem a pobreza, o casamento precoce, a desigualdade de comportamento entre os gêneros sexuais, mitos e crenças sobre o HIV e os fatores biológicos (por exemplo, a imaturidade do colo do útero, e uma maior exposição ao risco de mulheres jovens quando comparadas aos rapazes).

O suicídio também conta como uma das principais causas de morte em pessoas jovens. Em todo o mundo, é apontada como a quinta causa em grande parte da Europa e América do Norte. Na China se classifica em segunda ou terceira e na Índia, é a principal causa de morte nesta idade.

Historicamente, as taxas são baixas em países da América Latina, África Subsaariana, o Mediterrâneo, e em nações muçulmanas.

Especificamente, quando Diekstra e Hawton estudaram a tendência secular de suicídio na Europa, durante grande parte do século 20, relataram um conjunto de fatores não muito diferentes de grande parte do mundo em desenvolvimento hoje, como por exemplo, aumento do desemprego, desestruturação familiar, homicídio, uso de álcool, a secularização da sociedade, a superpopulação, estresse urbano e conflitos sociais. 7

O relatório observa ainda que as lesões provocadas por acidentes são as principais causas de morte para homens jovens em todas as regiões do mundo, sendo que a maioria das mortes está associada á veículos automotores. Apesar das mortes por lesão serem apontadas como responsáveis por mais da metade dos óbitos masculinos na segunda década de vida, a mortalidade em muitos países, caiu em 30% ou mais nos últimos 20 anos.

Fatores que têm contribuído para que esta redução: estabelecimento de uma idade mínima para a compra de álcool;maior especificação nos procedimentos para obtenção de licenças de condução de veículos; adequação da segurança rodoviária (por exemplo,novos equipamento de suporte nas rodovias, postes de luz, redesenho das sinalizações); melhoria dos padrões de segurança dos veículos (por exemplo, airbags); as leis de cinto de segurança;exigência do uso de capacetes e endurecimento das leis de transito.

Em vista de nossa compreensão atual sobre mortalidade juvenil, pelo menos 75% de todas as mortes na segunda década de vida poderiam ser evitadas através da implementação de métodos preventivos e estabelecimento de estratégias de intervenção. Sabemos que o acesso a contraceptivos e serviços de planejamento familiar reduzem a gravidez não planejada. Sabemos que o aborto seguro, reduz a mortalidade materna, que a educação e a capacitação melhora os seus aspectos correlatos à saúde feminina em muitas dimensões e ajuda a criar novas alternativas para as mulheres jovens.

Sabemos que as políticas de segurança rodoviária e de condução reduzem a mortalidade nos acidentes nas estradas. Nós sabemos o suficiente sobre intervenções efetivas para poder basear o nosso trabalho em ações que realmente surtam efeito positivo.

Sabemos também que a redução de risco por si só é insuficiente, nós precisamos construir os fatores de defesa que protegerão os jovens da adversidade.

Os desafios são grandes, mas assim também o são as oportunidades.

Acesse o artigo " Young people: not as healthy as they seem" na revista THE LANCET:
http://www.thelancet.com/collections/global-health?collexcode=110






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