Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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IDH: o desafio do crescimento com sustentabilidade // veja.com

Para Basileu Margarido, se os indicadores de meio ambiente fossem incluídos na classificação do IDH, o Brasil teria tudo para melhorar sua posição no ranking
Branca Nunes
“A sociedade brasileira começa a ter uma maior consciência ambiental, mas ainda não damos a devida atenção para a importância de se manter a floresta em pé"

O Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) 2011, divulgado na manhã desta quarta-feira, propõe um desafio à humanidade: elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) sem agredir o meio ambiente. A tarefa se torna ainda mais difícil para os países em desenvolvimento, como o Brasil, uma vez que, como confirma o relatório, a elevação do IDH é acompanhada por um aumento significativo das emissões de dióxido de carbono (CO2) – o gás carbônico, principal poluente do chamado efeito estufa.

“Embora os países classificados como de ‘desenvolvimento muito alto’ sejam os principais responsáveis pela emissão de gás carbônico na atmosfera, os de “desenvolvimento alto’, entre eles o Brasil, começam a ter uma importância maior com relação aos poluentes”, explica Basileu Margarido, diretor do Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade e ex-presidente do Ibama. “Apesar disso, não é correto que as exigências ambientais para esses dois grupos sejam as mesmas. Isso porque, os países em desenvolvimento têm um consumo per capita de energia 3,5% menor que os países de renda mais alta. Ou seja, a responsabilidade deles com relação a degradação ambiental ainda é bem menor”.

Para Basileu, se os indicadores de meio ambiente fossem somados aos de renda, educação e saúde na classificação do IDH, o Brasil teria tudo para melhorar a posição no ranking (o país ocupa hoje a 84ª posição entre 187 países). “Temos uma cobertura florestal invejável e uma matriz energética favorável”, afirma, citando o etanol e as hidrelétricas. “Nosso maior pecado está na área de saneamento básico”.

Segundo o relatório, a América Latina tomou, a partir de 2005, uma série de medidas para enfrentar o desmatamento e outras ameaças ambientais. O documento menciona como exemplo a taxa de desmatamento anual na floresta Amazônica brasileira, que diminuiu 70% de 2005 a 2009. “O desmatamento com certeza diminuiu, mas ele ainda é assustador”, adverte Gustavo Souto Maior, professor do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília (UnB). “A sociedade brasileira começa a ter uma maior consciência ambiental, mas ainda não damos a devida atenção para a importância de se manter a floresta em pé”.

O futuro - As simulações realizadas para o relatório do Pnud sugerem que, levando-se em consideração os efeitos adversos do aquecimento global na produção agrícola, no acesso à água potável e melhor saneamento e na poluição, em 2050, o IDH da maioria dos países será 8% inferior ao deste ano – 12% inferior no sul da Ásia e na África Subsariana. Outra previsão é que os fatores ambientais adversos provoquem um aumento no preço dos produtos alimentícios em 30% a 50% nas próximas décadas.

Utilizando métodos que a pesquisa classifica como “quase experimentais”, foram identificadas algumas relações entre desigualdade e problemas ambientais. Um exemplo é a descoberta de que níveis mais elevados de desigualdade de gênero correspondem a patamares mais baixos de sustentabilidade. Da mesma forma, o desmatamento e a poluição levam a piores índices de IDH – uma vez que metade da subnutrição mundial é atribuível a fatores ambientais.

Sobre esse aspecto, o relatório aponta três conclusões: que as privações ambientais, como o acesso inadequado à água potável e melhor saneamento são maiores em países com menor IDH; que os riscos ambientais com efeitos globais – as emissões de gás carbônico, por exemplo – aumentam ao mesmo tempo em que cresce o IDH; e que as curvas entre o IDH e a poluição urbana e da água, são em U invertido. Ou seja, à medida que o desenvolvimento aumenta, a degradação ambiental piora gradativamente. Contudo, chega um momento em que a alta do IDH tem como contrapartida a melhoria destes desses indicadores. Isso pode significar que, conforme os países enriquecem, os governos passam a ser pressionados por suas populações a oferecerem ambientes mais limpos e saudáveis.

“Os brasileiros têm um grau de sensibilidade ambiental particularmente elevado”, acredita Basileu. “O que faltam são políticas públicas efetivas. Isoladas, as atitudes individuais do cidadão são como uma gota no oceano”. De acordo com ele, é necessário que exista a soma entre o público e o privado. “Seria interessante, por exemplo, a desoneração de tributos para produtos ecologicamente corretos”, sugere. “O preço diminuiria e as pessoas consequentemente comprariam mais”. Para Basileu, isso faria com que elas naturalmente optassem por esses produtos.

"Expansão chinesa não é sustentável" >>> PNUD

Relatório afirma que padrão de crescimento das últimas décadas terá de se tornar mais 'verde' para que país mantenha ganhos sociais
pnud.org.br
Por PrimaPagina

Impulsionada por um crescimento anual de quase 10% desde a década de 80, a China foi o país que mais ganhos obteve no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), tornou-se a terceira maior economia do mundo e tirou quase meio bilhão de pessoas da pobreza. No entanto, esse processo significou aumento da poluição num nível que torna insustentável o desenvolvimento chinês no longo prazo, avalia um relatório do PNUD sobre o país.

“O crescimento econômico sustentado foi instrumento fundamental no rápido ganho de desenvolvimento humano da Chia, e terá de continuar para atender as necessidades de emprego, serviços sociais e infraestrutura social. No entanto, o modelo de crescimento econômico baseado no uso intensivo de energia e de outros recursos e uma alta dependência de combustíveis fósseis teve seu preço em termos de degradação e poluição. No longo prazo, ele é insustentável”, avalia a edição de 2009/2010 do Relatório de Desenvolvimento Humano da China, encomendado pelo PNUD e coordenado pela universidade chinesa de Renmin.

Desde 1979, com a introdução de reformas, o sistema regidamente planificado e centralizado deu lugar a uma economia de mercado dinâmica que atrai a atenção do mundo. Nas últimas três décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) da China tem crescido a uma média de 9,8% ao ano. Entre 1991 e 2004, a proporção de pobres caiu de 65,2% para 10,4% da população. “Os chineses estão agora mais ricos, mais bem educados e mais saudáveis do que nunca”, observa o estudo.

Ao mesmo tempo, a rápida expansão gerou desigualdades sociais e degradou o meio ambiente. “A emissão total de gases-estufa da China cresceu rapidamente com a industrialização e a urbanização ao longo das últimas décadas. Desde 1970 a 2007, o volume total subiu sete vezes. Em 2007, as emissões de CO2 da China ultrapassaram as dos Estados Unidos e são hoje as maiores do mundo”, aponta o texto.


Os chineses lançam 6 bilhões de toneladas de gases-estufa ao ano, contra 1 bilhão no início dos anos 70. Isso está em parte ligado ao fato de o país ser muito grande e ter uma população numerosa. As emissões per capita são menores que as dos países desenvolvidos — mas cresceram 381% no período, bem mais que as do planeta como um todo (17%), segundo dados da Agência Internacional de Energia citados no relatório. O problema pode se agravar, pois, ao longo das próximas duas décadas, 350 milhões de pessoas devem migrar das zonas rurais chinesas para áreas urbanas.

A indústria do país é setor que mais contribui para a emissão (84% do total). O setor de energia e aquecimento, em especial, impulsiona o problema — é responsável por 49,5% da poluição, seguido por manufatura e construção (31,2%). Já o transporte (6,8%) e o consumo residencial (4,2%) têm pequena participação.

O relatório salienta que há grande disparidade entre as indústrias da China. De um lado, empresas modernas —especialmente as estatais— adotam tecnologia avançada, com baixo consumo de energia por unidade de produção. Em contraste, um grande número de pequenas e médias empresas ainda usam equipamentos ultrapassados e tecnologias que desperdiçam energia e produzem níveis elevados de emissões.

Um exemplo disso é a usina termelétrica de Zhejiang, considerada a maior e mais eficiente do mundo, com quatro geradores de 1 mil megawatts e um nível de consumo de carvão de 282,6 gramas por quilowatt-hora. Ao mesmo tempo, um grande número de geradores ultrapassados opera no país abaixo de 200 mil quilowatts — para cada quilowatt-hora de eletricidade gerado, estes aparelhos lançam entre 250 e 350 gramas a mais de CO2 na atmosfera do que os mais modelos mais avançados.

A simultaneidade entre rápido avanço no IDH e degradação ambiental não significam que os dois fenômenos necessariamente andam juntos, diz o relatório. Os autores identificam dois padrões gerais nos países desenvolvidos: Um, dos países europeus e do Japão, onde as emissões per capita são relativamente pequenas, e outro de Austrália, Canadá e Estados Unidos, onde são altas.

O estudo menciona também o caso mexicano e o brasileiro. Entre 1980 e 2006, Brasil e México avançaram no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), enquanto o crescimento per capita de emissões de CO2 nos dois países foi considerado pequeno (de 3,4 toneladas para 4,2 e de 1,6 para 1,9, respectivamente). “Essas experiências confirmam que modelos de desenvolvimento humano sustentáveis são possíveis.”

O texto destaca que a China tem dados vários passos em relação a uma economia mais verde. Em dezembro de 2009, durante a Cúpula da ONU em Copenhague, o país se comprometeu a reduzir suas emissões de CO2 per capita entre 40% e 45% até 2020. Para isso, o relatório afirma que as empresas chinesas devem investir na redução das emissões, adotar tecnologias mais limpas e promover melhorias para alcançar maior eficiência.

Além disso, o governo central deve ser responsável pela criação de metas nacionais e pelo desenvolvimento de marcos regulatórios. O texto ainda sugere a introdução de um imposto sobre o carbono no país.
PNUD - EcoAgência

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