Publicado em outubro 3, 2011 por HC
A psicóloga Vera Lúcia Coelho, professora do curso de psicologia clínica da Universidade de Brasília (UnB), faz um alerta: “O Brasil precisa se preparar para o envelhecimento acelerado da população nos próximos anos.” Segundo ela, as autoridades públicas devem ficar atentas a isso: “Temos a ilusão de viver em um país de jovens. A propaganda de que a beleza jovem é a única possível e saudável está impregnada na gente.”
Segundo o Censo 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 20 milhões de idosos, o que corresponde a aproximadamente 10% da população do país. A maioria (6,5 milhões) tem entre 60 e 64 anos. Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro são as capitais com maior número de idosos. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o Brasil terá, em 2050, 22,5% da população com mais de 65 anos.
O Estatuto do Idoso prevê várias políticas públicas de valorização dos idosos. No entanto, a professora da UnB entende que elas não estão sendo cumpridas integralmente. Além disso, Vera Lúcia defende que toda sociedade esteja atenta ao envelhecimento populacional. “Ainda não estamos preparados para o envelhecimento da população.” Para a psicóloga , é preciso que haja uma mudança de postura no país em relação a esse tema.
O geriatra Einstein de Camargos, do Hospital Universitário da UnB, concorda com Vera Lúcia. A estrutura familiar e social, assinala, não contempla a inclusão dos idosos. “Quem dava apoio [aos idosos] era a família, mas essa estrutura se perdeu. Hoje, cada um está envolvido com a sua vida. Além disso, as cidades grandes não estão adaptadas para um idoso.”
O Brasil deverá chegar a 2050 com cerca de 15 milhões de idosos, dos quais 13,5 milhões com mais de 80 anos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025, o país será o sexto do mundo com o maior número de idosos. Apesar da criação de políticas voltadas para essa camada da população, como o Estatuto do Idoso, instituído em 2003, a velocidade do envelhecimento tem superado a implementação de ações para oferecer melhores condições de vida à terceira idade.
“O processo é muito rápido, e as políticas públicas não têm acompanhado isso. Viver em uma sociedade com muito mais idosos do que crianças requer um planejamento intenso”, diz o médico geriatra Luiz Roberto Ramos, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Com o envelhecimento populacional, o Brasil terá redução do número de jovens na força produtiva ativa, assinalou Ramos. “Vai aumentar o número de pessoas que terão dependência social dessa produção. Isso tem de ser planejado. O país está correndo contra o tempo.” Hoje, segundo a OMS, o Brasil tem 21 milhões de pessoas com mais de 65 anos.
O envelhecimento da população tem reflexo direto no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Somente as doenças crônicas não transmissíveis, que afetam principalmente idosos, provocam impacto anual de 1% no PIB, segundo estimativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). De acordo com a Comissão para Estudo do Envelhecimento Mundial, anualmente são gastos cerca de R$ 60 bilhões com doenças da típicas da terceira idade no Brasil.
De acordo com Ramos, os problemas decorrentes da terceira idade começam a aparecer com mais intensidade depois dos 70 anos. Até lá, em torno de 80% das pessoas não têm nenhuma atividade de vida diária comprometida pela velhice. No entanto, a partir dos 80 anos, a grande maioria passa a conviver com enfermidades.
Reportagens de Bruno Bocchini/Daniella Jinkings, da Agência Brasil, com edição de Henrique Cortez, do EcoDebate
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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UMA OUTRA REALIDADE...muito longe da sua : "Quando a água é pouca" /// O Povo online
No semiárido e em aldeias indígenas, a relação com a água se estabelece de uma forma diferente daquela adotada nas grandes cidades. No semiárido, por exemplo, a escassez de água é uma realidade antiga da população
A forma como a água é utilizada no semiárido e o ``desespero`` da população diante deste uso são pouco conhecidos por quem não vivencia seca. O acesso à água doce, tratada e de qualidade é restrito. As famílias dependem de cacimbas, poços, riachos e dos carros-pipas e todas essas águas não são tratadas. A mesma água de uso humano é dividida para uso animal: banha os animais, lava roupas, utensílios domésticos e é levada para as casas, para beber e cozinhar.
``O máximo que fazemos é botar um pano na boca do pote pra coar. Quando a água é barrenta, colocamos duas sementes de moringa para cada litro, pra água decantar, para o barro sentar. Mas, na maioria das vezes, quando não suportamos mais a sede, bebemos água de barro``, descreve Vanete Almeida, que mora numa comunidade rural chamada Jatiúca, no município de Santa Cruz da Baixa Verde no Sertão de Pernambuco.
Ela é coordenadora da Rede Latino-Americana e do Caribe das Mulheres Trabalhadoras Rurais, integra o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Na noite da última segunda-feira, ela falou sobre o cotidiano com acesso restrito à água potável no sertão, durante o evento de abertura do Movimento Cyan, em São Paulo, promovido pela Ambev. Segundo ela, as mulheres do semiárido costumam andar de três a oito quilômetros por dia para buscar água de beber nas cacimbas de água doce.
``Uma cacimba daquelas leva até duas horas para encher, quando a veia da água é boa. Se não, pode-se esperar até um dia pra ela voltar a encher. Imagine a repercussão disso na vida de uma mulher, ficar horas na beira de uma cacimba, esperando ter uma água de beber pra levar pra casa``, ressalta, acrescentando que algumas cacimbas abastecem uma comunidade de seis a dez famílias, que se organizam e se revezam num calendário. Estas mulheres precisam fazer várias viagens para buscar a água necessária.
Semiárido
Na opinião de Vanete, embora a água seja um elemento indispensável e fundamental para a sobrevivência de todos os seres do planeta, as definições e os sentidos atribuídos a ela são diversos. ``Mas é preciso pensar e agir rápido. Não é mais possível esperar de 10 a 15 anos, especialmente no semiárido para tomar providências. A gente tem que pensar que a água não pode ser um privilégio de poucos e não pode estar condicionada às desigualdades sociais``.
Ela lamenta que a sociedade e os governos pensem pouco sobre o acesso à água e aos alimentos. ``Há um mito de que moramos numa região pobre, com poucos animais, com baixa capacidade de regeneração e com poucas oportunidades econômicas. Nós temos a plena convicção de que isso realmente é um mito. O que falta é vontade política e condições sociais para uma vida mais digna nessa área``, denuncia.
Vanete argumenta que é preciso um esforço para construir políticas voltadas para a recuperação das nascentes, matas ciliares e conservação das nossas matas. ``Há mais de 400 anos que a gente vive uma questão de seca. A primeira foi no ano de 1.583``. (Lucinthya Gomes)
E-Mais
> Durante a palestra, Vanete citou que o semi-árido brasileiro é o mais populoso do mundo, com 28 milhões de pessoas distribuídas numa área de 975 mil quilômetros. ``Nossa vegetação é a caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro que passa por avançados processos de degradação``, disse.
> Nessa região, segundo Vanete, existem 596 espécies de vegetais, 148 de mamíferos, além dos pássaros, abelhas e outras formas de vida.
> ``A nossa caatinga se regenera a cada chuva. Apesar de termos menor disponibilidade de água que em outras regiões, nós temos fontes importantes, que estão sendo destruídas pela poluição, pela retirada da mata ciliar dos nossos riachos, nossos rios``, lamenta.
AMEAÇA AOS RECURSOS HíDRICOS
> A água, apesar de ser um bem precioso e indispensável à vida, é o recurso natural mais ameaçado do planeta. As intensas agressões ao meio ambiente vêm comprometendo a qualidade e quantidade deste recurso.
> Escassez: Com o aumento das cidades, há o esgotamento dos mananciais, devido ao consumo;
> Desperdício: É causado pelo desconhecimento quanto ao uso racional da água. Exemplos: deixar a torneira aberta ao escovar os dentes ...
> Poluição: Ocorre naturalmente (enxurradas, por exemplo) ou é causada pelo homem, usando recursos hídricos como receptores de esgoto não tratado das cidades ou efluentes das fábricas, levando metais e produtos tóxicos para a água, uso de agrotóxicos, derramamentos de produtos químicos em acidentes;
> Desmatamento: Quando ocorrem nas margens dos rios, riachos, lagoas e açudes, causam graves problemas de degradação, assoreamento, desvio dos cursos de água e carreamento de agrotóxicos;
> Mau uso: Através de práticas não ecologicamente corretas, se perde água, como: irrigação por canais e por aspersão, favorecendo a evaporação, lavar veículos e calçadas com água.
Economizar a água e reduzir a poluição
> Algumas sugestões para fazer um uso racional da água e garantir a preservação deste recurso para futuras gerações.
> Consumo mais eficaz: diminuir o uso de água potável na agricultura e na indústria, reduzir o consumo doméstico, não contaminar os cursos d-água;
> Minimizar a poluição das águas: dotar os municípios de saneamento básico, disciplinar as indústrias para o uso de tecnologias limpas, exigir o tratamento adequado de efluentes a serem dispostos em recursos hídricos;
> Reduzir a poluição das atividades agrícolas: diminuir o uso de pesticidas e fertilizantes, manejar os resíduos tóxicos, tratar os esgotos e escoamentos de irrigação.
Como evitar doenças...
> A água contaminada pode transmitir uma série de doenças. Devemos ter cuidado, pois certas contaminações não são percebidas pelos olhos ou pelo paladar. Sempre tome as medidas preventivas para um consumo saudável da água.
> Beba sempre água filtrada ou fervida;
> Sempre armazene o lixo em recipientes e embalagens fechadas para serem coletadas pelas empresas especializadas;
> Lave as mãos antes das refeições e ao sair do banheiro;
> Lave bem as frutas, verduras e legumes com vinagre ou água sanitária, esterilizadores.
... transmitidas pela água
> Não coma carne crua ou mal passada, cuja origem seja desconhecida;
> Elimina as águas paradas, evitando assim o aparecimento dos focos de disseminação de doenças, como a dengue;
> Instale corretamente esgotos sanitários em casas e edifícios;
> Promova a educação ambiental e sanitária, espalhando esse conhecimento para o maior número de pessoas possível.
FONTE: SEMACE
27 Mar 2010 - 20h39min
A forma como a água é utilizada no semiárido e o ``desespero`` da população diante deste uso são pouco conhecidos por quem não vivencia seca. O acesso à água doce, tratada e de qualidade é restrito. As famílias dependem de cacimbas, poços, riachos e dos carros-pipas e todas essas águas não são tratadas. A mesma água de uso humano é dividida para uso animal: banha os animais, lava roupas, utensílios domésticos e é levada para as casas, para beber e cozinhar.
``O máximo que fazemos é botar um pano na boca do pote pra coar. Quando a água é barrenta, colocamos duas sementes de moringa para cada litro, pra água decantar, para o barro sentar. Mas, na maioria das vezes, quando não suportamos mais a sede, bebemos água de barro``, descreve Vanete Almeida, que mora numa comunidade rural chamada Jatiúca, no município de Santa Cruz da Baixa Verde no Sertão de Pernambuco.
Ela é coordenadora da Rede Latino-Americana e do Caribe das Mulheres Trabalhadoras Rurais, integra o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Na noite da última segunda-feira, ela falou sobre o cotidiano com acesso restrito à água potável no sertão, durante o evento de abertura do Movimento Cyan, em São Paulo, promovido pela Ambev. Segundo ela, as mulheres do semiárido costumam andar de três a oito quilômetros por dia para buscar água de beber nas cacimbas de água doce.
``Uma cacimba daquelas leva até duas horas para encher, quando a veia da água é boa. Se não, pode-se esperar até um dia pra ela voltar a encher. Imagine a repercussão disso na vida de uma mulher, ficar horas na beira de uma cacimba, esperando ter uma água de beber pra levar pra casa``, ressalta, acrescentando que algumas cacimbas abastecem uma comunidade de seis a dez famílias, que se organizam e se revezam num calendário. Estas mulheres precisam fazer várias viagens para buscar a água necessária.
Semiárido
Na opinião de Vanete, embora a água seja um elemento indispensável e fundamental para a sobrevivência de todos os seres do planeta, as definições e os sentidos atribuídos a ela são diversos. ``Mas é preciso pensar e agir rápido. Não é mais possível esperar de 10 a 15 anos, especialmente no semiárido para tomar providências. A gente tem que pensar que a água não pode ser um privilégio de poucos e não pode estar condicionada às desigualdades sociais``.
Ela lamenta que a sociedade e os governos pensem pouco sobre o acesso à água e aos alimentos. ``Há um mito de que moramos numa região pobre, com poucos animais, com baixa capacidade de regeneração e com poucas oportunidades econômicas. Nós temos a plena convicção de que isso realmente é um mito. O que falta é vontade política e condições sociais para uma vida mais digna nessa área``, denuncia.
Vanete argumenta que é preciso um esforço para construir políticas voltadas para a recuperação das nascentes, matas ciliares e conservação das nossas matas. ``Há mais de 400 anos que a gente vive uma questão de seca. A primeira foi no ano de 1.583``. (Lucinthya Gomes)
E-Mais
> Durante a palestra, Vanete citou que o semi-árido brasileiro é o mais populoso do mundo, com 28 milhões de pessoas distribuídas numa área de 975 mil quilômetros. ``Nossa vegetação é a caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro que passa por avançados processos de degradação``, disse.
> Nessa região, segundo Vanete, existem 596 espécies de vegetais, 148 de mamíferos, além dos pássaros, abelhas e outras formas de vida.
> ``A nossa caatinga se regenera a cada chuva. Apesar de termos menor disponibilidade de água que em outras regiões, nós temos fontes importantes, que estão sendo destruídas pela poluição, pela retirada da mata ciliar dos nossos riachos, nossos rios``, lamenta.
AMEAÇA AOS RECURSOS HíDRICOS
> A água, apesar de ser um bem precioso e indispensável à vida, é o recurso natural mais ameaçado do planeta. As intensas agressões ao meio ambiente vêm comprometendo a qualidade e quantidade deste recurso.
> Escassez: Com o aumento das cidades, há o esgotamento dos mananciais, devido ao consumo;
> Desperdício: É causado pelo desconhecimento quanto ao uso racional da água. Exemplos: deixar a torneira aberta ao escovar os dentes ...
> Poluição: Ocorre naturalmente (enxurradas, por exemplo) ou é causada pelo homem, usando recursos hídricos como receptores de esgoto não tratado das cidades ou efluentes das fábricas, levando metais e produtos tóxicos para a água, uso de agrotóxicos, derramamentos de produtos químicos em acidentes;
> Desmatamento: Quando ocorrem nas margens dos rios, riachos, lagoas e açudes, causam graves problemas de degradação, assoreamento, desvio dos cursos de água e carreamento de agrotóxicos;
> Mau uso: Através de práticas não ecologicamente corretas, se perde água, como: irrigação por canais e por aspersão, favorecendo a evaporação, lavar veículos e calçadas com água.
Economizar a água e reduzir a poluição
> Algumas sugestões para fazer um uso racional da água e garantir a preservação deste recurso para futuras gerações.
> Consumo mais eficaz: diminuir o uso de água potável na agricultura e na indústria, reduzir o consumo doméstico, não contaminar os cursos d-água;
> Minimizar a poluição das águas: dotar os municípios de saneamento básico, disciplinar as indústrias para o uso de tecnologias limpas, exigir o tratamento adequado de efluentes a serem dispostos em recursos hídricos;
> Reduzir a poluição das atividades agrícolas: diminuir o uso de pesticidas e fertilizantes, manejar os resíduos tóxicos, tratar os esgotos e escoamentos de irrigação.
Como evitar doenças...
> A água contaminada pode transmitir uma série de doenças. Devemos ter cuidado, pois certas contaminações não são percebidas pelos olhos ou pelo paladar. Sempre tome as medidas preventivas para um consumo saudável da água.
> Beba sempre água filtrada ou fervida;
> Sempre armazene o lixo em recipientes e embalagens fechadas para serem coletadas pelas empresas especializadas;
> Lave as mãos antes das refeições e ao sair do banheiro;
> Lave bem as frutas, verduras e legumes com vinagre ou água sanitária, esterilizadores.
... transmitidas pela água
> Não coma carne crua ou mal passada, cuja origem seja desconhecida;
> Elimina as águas paradas, evitando assim o aparecimento dos focos de disseminação de doenças, como a dengue;
> Instale corretamente esgotos sanitários em casas e edifícios;
> Promova a educação ambiental e sanitária, espalhando esse conhecimento para o maior número de pessoas possível.
FONTE: SEMACE
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