Por Valéria Dias - valdias@usp.br
Pesquisas realizadas no Laboratório de Limnologia do Instituto de Biociências (IB) da USP revelam que os sedimentos das represas Guarapiranga e Billings, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), apresentam uma quantidade elevada de metais pesados como cádmio, chumbo, cobre, zinco, níquel e cromo, o que sugere uma alta toxicidade do sedimento. “Os resultados de nossos estudos devem ser encarados como um alerta para os órgãos públicos, pois eles deveriam ficar mais atentos à qualidade dos sedimentos dessas represas”, aponta o professor Marcelo Pompêo, do Departamento de Ecologia do IB, que coordenou uma série de pesquisas sobre a concentração de metais pesados nos sedimentos dessas represas.Segundo o professor, os metais pesados ficam presos ao sedimento, pois este contém grande quantidade de sulfeto e de matéria orgânica, fato que impede que esses elementos cheguem até a água. “Entretanto, em algumas situações, se houver uma mudança de pH e alterações nos níveis de oxigênio, eles poderão atingir a água por meio da ação dos ventos. Isso pode ser preocupante em virtude dos altos níveis de metais pesados que detectamos em nossas análises”, explica.