Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Inovação agrícola reduzirá pobreza e ajudará a estabilizar clima

Relatório lançado pelo Worldwatch Institute delineia maneiras comprovadas, sustentáveis e abrangentes de reduzir a pobreza e a fome ao redor do mundo.

Muitos estão buscando caminhos para aumentar a eficiência do sistema alimentar mundial, já que quase 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo atualmente, enquanto 40% do estoque mundial de comida é jogado fora antes de ser consumido. O Worldwatch Institute, organização voltada para a sustentabilidade ambiental e o bem-estar social, lançou o relatório State of the World 2011: Innovations that Nourish the Planet, que ressalta sucessos recentes na inovação agrícola e delineia maneiras de reduzir a fome e a pobreza global e, ao mesmo tempo, minimizar o impacto da agricultura sobre o meio ambiente.

“As informações sobre o progresso apresentadas neste relatório serão úteis para os governos, legisladores, ONGs e doadores que buscam reduzir a fome e a pobreza, oferecendo um roteiro claro para a expansão e replicação dessas experiências bem-sucedidas em outros locais”, comentou o presidente do Worldwatch Institute, Christopher Flavin.

O relatório foi produzido pelo programa Nutrindo o Planeta, do Worldwatch, que visa analisar as inovações agrícolas mensurando sua produtividade, sustentabilidade, diversidade e a saúde dos ecossistemas. Especialistas analisaram centenas de inovações que já estão sendo implementadas, produzindo 15 maneiras comprovadas, sustentáveis e abrangentes de reduzir a pobreza e a fome ao redor do mundo.

Um exemplo disso é o movimento para a produção de alimentos locais. Em muitos países africanos, servir produtos cultivados localmente em escolas tem sido uma estratégia de sucesso, similar aos programas farm-to-cafeteria nos Estados Unidos e na Europa.

“A comunidade internacional tem negligenciado segmentos inteiros do sistema alimentar em seus esforços para reduzir a fome e a pobreza”, comentou Danielle Nierenberg, codiretora do Programa Nutrindo o Planeta. “As soluções não virão necessariamente da produção de mais comida, e sim mudando o que as crianças comem nas escolas, a forma como os alimentos são processados e vendidos e em que tipos de negócios na área alimentícia estamos investindo.”

Num momento em que os investimentos globais em inovação agrícola caíram de 16% para 4% em apenas duas décadas e se calcula que a crise econômica vá reduzi-los ainda mais, o relatório propõe “gastos inteligentes” ao informar organizações e governos sobre os esforços que provavelmente trarão mais resultados positivos.

Entre as inovações detalhadas no relatório está a “horticultura vertical”, um método de agricultura urbana cada vez mais praticado em cidades por toda a África e em outros locais do mundo. Em Kibera, a maior e mais pobre favela da África, em Nairóbi, no Quênia, mais de 1.000 mulheres agricultoras estão usando essa técnica simples e barata, que conserva água e oferece uma maneira confiável e eficiente de cultivar alimentos para uma população que deve crescer 60% até 2050.

Em Gâmbia, na África Ocidental, 6.000 mulheres organizaram a TRY Women's Oyster Harvesting, cooperativa para colheita de ostras que resultou num plano de manejo sustentável para um local anteriormente degradado pela exploração excessiva dos recursos. O governo agora está trabalhando com grupos como a TRY para incentivar e aumentar os investimentos em práticas menos destrutivas.

Na África do Sul e no Quênia, pastores estão trabalhando para preservar variedades nativas de animais cuja adaptação ao clima quente e seco da região devem se tornar valiosas, sobretudo com o aumento da aridez em razão das mudanças climáticas. Com algo entre 15 milhões e 25 milhões de pessoas dependendo da criação de animais, a África tem mais pastos permanentes do que qualquer outro continente.

Estima-se que 33% das crianças africanas estejam passando fome ou sejam malnutridas, um número que deve crescer para possivelmente 42 milhões até 2025. Em Uganda, o programa Developing Innovations in School Cultivation (Disc) está trabalhando com o cultivo de vegetais nativos, educação para a nutrição e habilidades na cozinha, visando ensinar as crianças a cultivar variedades locais para combater o déficit de comida, além de revitalizar as tradições culinárias nacionais.

Por Morgan Erickson-Davis (Mongabay), com tradução de Fernanda B. Muller (CarbonoBrasil)

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