Rafaela Carvalho - Agência USP/diariodasaude.com.br
Homens desprezados
Os serviços das Unidades Básicas de Saúde destinam pouca atenção a homens adultos e não possuem atendimento voltado especificamente a eles.
Além disso, as questões relacionadas à sexualidade masculina não são trabalhadas nessas unidades de atendimento, faltando discussão sobre o tema, assim como exames e programas de prevenção.
As conclusões são de uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP.
"De um lado, os próprios homens resistem a procurar os serviços de saúde; de outro, a expectativa dos profissionais de saúde de que o homem não vá procurar os serviços de atenção primária faz com que médicos, enfermeiros e outros atendentes se mostrem pouco preparados para recebê-lo e inseri-lo no cotidiano nos atendimentos", conta Thiago Félix Pinheiro, psicólogo e autor do estudo.
Segundo o pesquisador, a resistência dos homens está relacionada a valores culturais relacionados à virilidade, que já são parte de um modelo de masculinidade.
Ereção e próstata
A pesquisa, feita na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, consistiu na realização de 57 entrevistas com homens entre 16 e 68 anos que frequentavam serviços de atendimento primário e na observação e análise desses locais de atendimento, desde sala de espera e consultas dos pacientes até os momentos de intervalo dos profissionais.