Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Cobrança pelo uso da água começa a se difundir pelo Brasil

Patoral da Terra
Sex, 10 de Setembro de 2010 13:56
Confira artigo de Roberto Malvezzi sobre a mercantilização das águas, prática que começa a tomar corpo em nosso país. Essa é a lógica dos interesses do capital, transformar bens naturais em mercadorias, vendáveis e rentáveis.
Roberto Malvezzi (Gogó)
Como estava previsto na lei nacional de Recursos Hídricos 9433/97, a cobrança pelo uso da água começa a se difundir pelo Brasil. Ela se torna possível quando é criado um comitê de bacia e esse comitê cria sua agência de águas, isto é, um corpo técnico que se torna responsável pela implementação da cobrança. Entretanto, a cobrança é uma decisão do comitê.

O São Francisco começa nesse mês a cobrar pela água, o que tem deixado muita gente preocupada. De fato, a cobrança pela água é muito mais complexa do que se pode imaginar à primeira vista. Os chamados usuários – qualquer ente físico ou jurídico que utilize águas de um determinado corpo d’água, como irrigantes, indústria, serviços de saneamento, etc. – terão que pagar por ela, desde que esteja acima do chamado “uso insignificante”, que no São Francisco foi determinado em 4 litros por segundo. Acima disso, qualquer usuário terá que receber uma outorga e terá que pagar por cada metro cúbico utilizado.
Mas, não paga apenas pelo que capta, pagará também pelo que devolve ao corpo d’água em forma de efluentes. Quanto mais limpa for a água captada, mais caro se paga. Quanto mais suja for a água devolvida, mais caro se paga. Quando o uso é “consuntivo”, isto é, a água retirada não volta mais àquele corpo d’água, como é o caso da Transposição, ainda mais caro se deve pagar.

III - Análise crítica de alguns projetos >>> IHU - Unisisnos

Transposição do rio São Francisco


A transposição do Rio São Francisco está entre as mais importantes obras do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC. O argumento do governo é de que obra garantirá a segurança hídrica na região semi-árida a 12 milhões de pessoas. O movimento social, contrapondo-se aos dados do governo afirma que apenas 4% das águas retiradas da vazão do rio serão usadas para atender o consumo da população difusa, 26% irão para o abastecimento urbano e industrial e os 70% restantes para irrigação. Os dados a partir de estudo do WWF afirmam que “é simplista e utópico imaginar que grandes obras de engenharia podem resolver os problemas de escassez de água, sem impactos ambientais e sociais bastante significativos”.

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