Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Política Nacional de Resíduos Sólidos completa um ano mas logística reversa ainda não é realidade

 Agência Brasil
Sancionada há um ano, no dia 2 de agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos mudou a maneira como o governo, em suas três esferas, empresas e cidadãos devem encarar a destinação do lixo. Um dos principais pontos diz respeito à logística reversa, que traz para os vendedores e fabricantes parte da responsabilidade no descarte dos resíduos dos produtos.

Esse tema depende de acordos com as cadeias produtoras que devem definir o modelo de recolhimento, reciclagem e destinação final, para entrar efetivamente em funcionamento. Mas, até o momento, nenhum ramo industrial apresentou proposta nesse sentido.

Para a coordenadora de Ambiente Urbano do Instituto Polis, Elisabeth Grimberg, o atraso no processo de definição da logística reversa se deve à falta de empenho das indústrias. “[Não há] Nenhum movimento dos fabricantes nessa direção de assumir que estão fazendo uma discussão de com qual modelo eles vão fazer a parte deles”, disse em entrevista à Agência Brasil.

A indefinição prejudica, segundo Elisabeth, outros pontos previstos na política nacional, como os planos municipais para gestão de resíduos. Isso porque as estratégias devem levar em conta todo o manejo, incluindo a coleta e reciclagem da qual as empresas também deverão participar.

A situação se agrava, na avaliação da especialista, em razão dos prazos. Os planos municipais devem ser concluídos até 2012 e, em 2014, só poderão ir para os aterros o lixo que não tem mais como ser aproveitado ou remanufaturado.

Existem, entretanto, setores que estão mais avançados no processo de discussão, segundo o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério de Meio Ambiente, Nabil Bonduki. Ele cita, por exemplo, os fabricantes e distribuidores de lubrificantes que, de acordo com o secretário, deverão assinar um acordo setorial antes do fim deste ano.

Outros, como o de eletroeletrônicos, Bonduki define como “complexos” porque abrange vários produtores diferentes. “Envolve computadores, celulares, eletrodomésticos”, enumera. Diversidade que, na avaliação dele, deve dificultar a assinatura de um acordo. “Certamente na hora da definição de qual será a proposta não será fácil encontrar um denominador comum. Talvez terá que ser feita, em cada um desses segmentos, uma proposta específica”, antecipa.

O secretário faz questão de ressaltar, no entanto, que a indústria não está “apática” no processo de discussão. Mas ele pondera que só será possível saber até que ponto as empresas estão realmente dispostas a colaborar quando a logística reversa for colocada em prática. “Na hora que for proposta uma logística dos diferentes setores, nós vamos ver qual vai ser o grau de adesão à proposta que for lançada.”

Para o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos da Silva Filho, é normal que haja um período de adaptação à lei, sem resultados práticos. “Esse é um processo natural. Porque a lei é bastante inovadora, que altera a sistemática até então desenvolvida e exige um tempo de adaptação”, avaliou.

Mas o período de discussão chegou ao fim, na opinião de Silva. Por isso, deve-se exigir, a partir de agora, o cumprimento do estabelecido na legislação. “A partir desse momento o assunto já está mais do que maduro para ser exigido, inclusive, o seu não cumprimento pode ser penalizado.”

Elisabeth Grimberg lembra que a legislação permite diversas formas de execução da logística reversa. A proposta, inclusive, leva em consideração os catadores de material reciclável. “Existe toda essa rede de entidades que é atuante e que pode estar envolvida. Isso, em um país como o Brasil, que tem a presença histórica de trabalhadores nesse campo.”

(Agência Brasil)

Empresas se antecipam à lei de resíduos

Varejo e indústria começam a implementar sistemas de logística reversa para recolher lixo eletrônico e eletrodomésticos ao final de sua vida útil
17 de novembro de 2010
Andrea Vialli - O Estado de S. Paulo

Três meses após a sanção presidencial da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que está em fase de regulamentação, o mercado já se movimenta para colocar em andamento a chamada logística reversa, que é o recolhimento de bens, como eletrodomésticos e eletrônicos, ao final de sua vida útil. Em todo o Brasil surgem iniciativas para ajudar o consumidor a descartar esse tipo de resíduo corretamente.


ANDRE LESSA/AE
Componentes de computadores e celulares voltam à indústria; muitos são nobres, como prata e ouroUm exemplo, no interior de São Paulo, é a rede de varejo Cybelar, que desde o início do mês passou a oferecer a seus clientes a possibilidade de “comprar” o descarte futuro dos produtos eletrônicos.

Ao adquirir uma TV, geladeira ou celular, o cliente da rede é informado de que pode comprar o futuro descarte do produto que está comprando ou do equipamento que está em casa. O serviço varia de R$ 6,90, no caso do descarte de um celular, e pode chegar a R$ 130 – a retirada de uma geladeira da casa do consumidor.

“A receptividade ao serviço tem sido surpreendentemente boa”, afirma Ubirajara Pasquotto, diretor da Cybelar. O serviço começou a ser oferecido desde o início do mês e, desde então, 1 em cada 10 produtos está sendo vendido com o descarte programado. A maioria – 59,8% – das vendas foi para o descarte de celulares.

Segundo Pasquotto, o consumidor brasileiro está disposto a pagar pelo serviço, pois isso representa conveniência e uma consciência mais tranquila. “Há três anos buscávamos soluções para o descarte desse tipo de resíduo. A indústria ainda olha a logística reversa como um custo. Mas se isso não for feito, todos pagamos as consequências” diz.

Especialização.
O caminho para assegurar ao consumidor um descarte ambientalmente correto das quinquilharias eletrônicas e das geladeiras velhas passa pela parceria com outra empresa, a Descarte Certo, especializada em gestão da coleta, manejo de resíduos e reciclagem dos componentes dos eletroeletrônicos. Por meio do site da empresa, tanto consumidores quanto empresas podem comprar o descarte dos equipamentos que já não são úteis.

“Criamos diferentes modelos de negócios. Qualquer pessoa pode se cadastrar no site e agendar a coleta dos aparelhos em sua casa”, conta Lucio Di Domenico, fundador da Descarte Certo.

Além da retirada em domicílio, a empresa se responsabiliza pelas etapas seguintes – a desmontagem e reciclagem dos componentes, a cargo de empresas como a Oxil, de Paulínia (SP), especializada nesse tipo de serviço. Segundo Domenico, o processo é rigoroso e garante que nenhum resíduo vá parar no lugar errado.

Garantias. Independentemente da obrigatoriedade que será estabelecida pela Lei Nacional de Resíduos, o mercado já se mobiliza para oferecer a logística reversa porque percebeu que é uma maneira de oferecer um serviço ao consumidor. “Há 20 anos se comprava produtos sem garantia, hoje isso é impensável. Imaginei que seria impensável, no futuro próximo, vender produtos sem a garantia do descarte correto”, conta Domenico.

Ele acredita que as redes varejistas – além da Cybelar, a Descarte Certo também vende o serviço de descarte programado a clientes do Carrefour – irão liderar o processo de fazer com que o lixo eletrônico volte à cadeia produtiva como uma matéria-prima: “Outras redes já nos procuraram e em breve o serviço estará disponível em mais lojas. Esse tipo de serviço será valorizado pelo consumidor.”

Lina Pimentel, advogada especializada em direito ambiental do escritório Mattos Filho, acha mais provável que empresas se organizem em entidades para promover a gestão conjunta desses resíduos, diminuindo os custos do processo. “O que não é correto é que esse ônus seja repassado apenas ao consumidor”, diz. Em São Paulo, afirma, a regulamentação da lei estadual de resíduos está caminhando de forma mais rápida e deve impor metas reais de reciclagem às indústrias.

ONDE DESCARTAR
Descarte Certo
No site http://www.descartecerto.com.br/ é possível dar destino aos eletroeletrônicos. O serviço inclui a retirada do equipamento em casa e custa entre R$ 6,90 e R$ 130.

E-lixo Maps
O projeto, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, permite visualizar os postos de coleta de lixo eletrônico em São Paulo. No site  http://www.e-lixo/. org
 basta colocar o CEP e encontrar o local mais próximo para levar os aparelhos.

USP
Possui o Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (Cedir). É preciso agendar a entrega pelo email consulta@usp.br.

Geladeira e computador voltam para a indústria
Enquanto a regulamentação da lei de resíduos sólidos não sai, as empresas já buscam modelos para recolher geladeiras ou computadores antigos e reciclar seus componentes.

A fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, criou uma divisão em sua fábrica em Joinville (SC) para desmontar refrigeradores e aparelhos de purificação de água que emprega 25 pessoas. Embora a empresa não possua ainda um canal de recolhimento de geladeiras antigas nas casas dos consumidores, a “matéria-prima” chega via concessionárias de energia elétrica que possuem programas de troca de equipamentos antigos.

De acordo com Vanderlei Niehues, gerente-geral de sustentabilidade da Whirlpool, desde 2005 foram recuperados em torno de 3 mil toneladas de componentes, como aço, plásticos e gases de refrigeração. Ele observa que, com a regulamentação da lei de resíduos, esses volumes tendem a crescer. “Será preciso ampliar parcerias com o varejo ou criar centros de coleta para estimular o consumidor a dar um fim correto a esses equipamentos antigos”, diz.

No caso de computadores, há empresas que se especializaram em recolher os equipamentos nas empresas e reciclar os componentes. A Ceva Logistics é uma delas – fechou contratos com grandes fabricantes de computadores para retirar os equipamentos em empresas. Por mês, são recolhidos 5 mil equipamentos de informática, especialmente computadores e impressoras.

Em um galpão localizado em Jundiaí, a empresa faz a desmontagem dos aparelhos. Muitos são recondicionados e voltam ao mercado. Outros vão para a etapa final de reciclagem, que é feita nos Estados Unidos, onde os metais nobres, como ouro e prata, são separados e reaproveitados.

Montanha.
De acordo com Gustavo Paschoa, gerente de desenvolvimento de negócios da Ceva Logistics, prestar esse tipo de serviço já é um imperativo. “Só este ano serão comercializados 13,5 milhões de computadores no Brasil. Imagine a montanha de lixo eletrônico que teremos nos próximos anos”, diz.









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