| Jeffrey
D. Sachs é professor de economia e diretor do Instituto Terra, da Columbia
University. É também assessor especial do secretário-geral das Nações Unidas no
tema das Metas de Desenvolvimento do Milênio. Artigo publicado no Valor
Econômico de hoje (28). Quando a BP e suas parceiras petrolíferas causaram o vazamento no poço Deepwater Horizon, no Golfo do México, em 2010, o governo dos EUA exigiu que a BP arcasse com os custos da limpeza, indenizasse as partes que tivessem sofrido danos e pagasse multas criminais pelas violações que causaram o desastre. A BP já reservou mais de US$ 20 bilhões para o saneamento ambiental e pagamento de multas. Com base em um acordo firmado na semana passada, a BP agora pagará a maior pena criminal na história dos Estados Unidos: US$ 4,5 bilhões (1). Os mesmos padrões de limpeza ambiental precisam ser impostos a empresas multinacionais que operam nos países mais pobres, onde seu poder tem sido normalmente tão grande em relação ao de governos, que muitas delas atuam impunemente, causando estragos no ambiente e assumindo pouca ou nenhuma responsabilidade. Os poluidores têm de pagar, seja em países ricos ou pobres. As grandes companhias precisam aceitar a responsabilidade por suas ações. A Nigéria foi a mais importante prova da impunidade ambiental empresarial. Durante décadas, importantes companhias petrolíferas como a Shell, a ExxonMobil e a Chevron vêm produzindo petróleo no delta do Níger, um ambiente ecologicamente frágil de florestas em pântanos de água doce, manguezais, florestas tropicais em várzeas e ilhas barreiras costeiras. Esse habitat rico suporta uma biodiversidade notável - ou suportava, antes que as companhias de petróleo lá chegassem - e mais de 30 milhões de habitantes locais que dependem dos ecossistemas locais que asseguram sua saúde e meios de subsistência. A limpeza do delta do Níger constitui uma oportunidade ideal para que a Nigéria, a indústria petrolífera e a comunidade internacional mostrem de forma convincente que raiou uma nova era. O desenvolvimento sustentável não deve ser um mero slogan Vinte anos atrás, a União Internacional para Conservação da Natureza e Recursos Naturais classificou o delta do Níger como uma região de grande biodiversidade de flora e fauna marinha e costeira e por essa razão classificou-a como de prioridade muito alta para a conservação. No entanto, a União também observou que a biodiversidade da região está sob grande ameaça, com pouca ou nenhuma proteção. As companhias multinacionais que operam no delta derramaram petróleo e queimaram gás natural durante décadas sem dar importância ao ambiente natural e às comunidades empobrecidas e envenenadas por suas atividades. Segundo uma estimativa (2), os vazamentos acumulados ao longo dos últimos 50 anos somam cerca de 10 milhões de barris - o dobro da dimensão do vazamento pelo qual a BP foi responsável. Os dados são incertos: houve vários milhares de vazamentos durante esse período - muitas vezes mal documentados, com suas dimensões ocultas ou simplesmente não mensuradas, seja pelas empresas ou pelo governo. De fato, exatamente no momento em que a BP era alvo de novas penalidades criminais, a ExxonMobil anunciou mais um vazamento em um oleoduto no delta do Níger. A destruição ambiental do delta faz parte de uma saga maior: companhias corruptas que operam em conluio com funcionários governamentais corruptos. As empresas rotineiramente subornam funcionários para obter concessões petrolíferas, mentir sobre volumes produzidos, sonegar impostos e esquivar-se à responsabilidade pelos danos que causam ao ambiente. Autoridades nigerianas tornaram-se fabulosamente ricas devido a décadas de pagamentos por parte de companhias internacionais que saquearam as riquezas naturais do delta. A Shell, maior operadora estrangeira no delta do Níger, foi criticada diversas vezes por suas práticas escandalosas e por evitar ser responsabilizada. Enquanto isso, a população local continuou pobre e vitimada por doenças causadas por ar insalubre, água potável envenenada e por poluição da cadeia alimentar. Essa terra sem lei gerou guerras entre gangues e persistente acesso ilegal aos oleododutos para roubar petróleo, produzindo mais enormes vazamentos de petróleo e freqüentes explosões que matam dezenas de pessoas, inclusive inocentes. Na era colonial, o objetivo oficial do poder imperial era extrair riqueza dos territórios administrados. No período pós-colonial, os métodos são mais disfarçados. Quando as empresas petrolíferas comportam-se mal na Nigéria ou em outros países, são protegidas pelo poder de seus países de origem. Não mexa com essas empresas, dizem os EUA e a Europa. De fato, um dos maiores subornos (supostamente, US$ 180 milhões) recentemente pagos na Nigéria saíram da Halliburton, uma empresa fortemente imbricada com o poder político americano. No ano passado, o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP, sigla em inglês) publicou um relatório sobre Ogoniland (3), um importante berço étnico no delta do Níger, epicentro do conflito entre as comunidades locais e as companhias petrolíferas internacionais. O relatório foi tão contundente quanto claro. Apesar de muitas promessas de que uma limpeza seria empreendida, Ogoniland permanece em agonia ambiental, empobrecida e adoentada pela indústria petrolífera. A UNEP também apresentou recomendações claras e detalhadas, entre elas medidas emergenciais para assegurar água potável; atividades de limpeza focadas nos manguezais e solos; estudos de saúde pública para identificar e neutralizar as consequências da poluição e um novo referencial regulamentador. Governos em todo o mundo chegaram recentemente a um consenso em torno da adoção de um novo referencial para o desenvolvimento sustentável, declarando sua intenção de adotar Metas para um Desenvolvimento Sustentável (MDS) na Cúpula Rio+20 (4), realizada em junho. As MDSs proporcionam ao mundo uma oportunidade crucial para definir normas claras e convincentes para o comportamento governamental e empresarial. A limpeza do delta do Níger constituiria o exemplo mais vigoroso possível de uma nova era de responsabilidade. Shell, Chevron, ExxonMobil e outras grandes companhias petrolíferas deveriam manifestar-se e ajudar a financiar a limpeza necessária, inaugurando uma nova era de responsabilidade. A responsabilidade do próprio governo nigeriano está em jogo. É animador que vários senadores nigerianos tenham recentemente assumido a vanguarda dos esforços para fortalecer o império da lei sobre o setor petrolífero. A limpeza do delta do Níger constitui uma oportunidade ideal para que a Nigéria, a indústria petrolífera e a comunidade internacional mostrem de forma convincente que raiou uma nova era. A partir de agora, o desenvolvimento sustentável não deve ser mais um mero slogan, mas sim uma abordagem operacional à governança e ao bem-estar mundial em um planeta estressado e superpovoado. Referências: (1) www.bit.ly/Tqyg4u (2) www.bit.ly/UqvNrR (3) www.bit.ly/onKz3G (4) www.bit.ly/TjJy84 * A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal. | |
Carta da Terra
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Os poluidores têm de pagar, artigo de Jeffrey D. Sachs
Want the good news first? >>> NYTimes
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Postado por
Unknown
em
8/11/2010 04:23:00 AM
Marcadores:
BP,
Gulf of Mexico,
louisiana,
Oil Spill
by THOMAS L. FRIEDMAN for The New York Times.
“From a biological perspective, we know what
happens when oil hits the beach. We can see those impacts; we can mitigate those impacts; we can quantify those impacts,” said Keith Ouchley, the biologist who leads the Nature Conservancy in Louisiana. “What we don’t know are the biological impacts that occur as that oil is dispersed through the deep water columns under the ocean’s surface. We don’t know what it is doing or affecting today or in the future. There is very little experience with this scale of spill at these depths in such a biologically productive system as this.”
"Want the good news first?"
This article was written by THOMAS L. FRIEDMAN for The New York Times.
Read the full article here
“From a biological perspective, we know what
happens when oil hits the beach. We can see those impacts; we can mitigate those impacts; we can quantify those impacts,” said Keith Ouchley, the biologist who leads the Nature Conservancy in Louisiana. “What we don’t know are the biological impacts that occur as that oil is dispersed through the deep water columns under the ocean’s surface. We don’t know what it is doing or affecting today or in the future. There is very little experience with this scale of spill at these depths in such a biologically productive system as this.”
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Maré negra já custou 3,5 bilhões à BP >>> Economico PT
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Postado por
Unknown
em
7/12/2010 03:55:00 AM
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BP,
vazamento de petroleo
Económico com Lusa
12/07/10 11:05
.A “maré negra” provocada pela explosão de uma das plataformas petrolíferas no Golfo do México já custou à empresa britânica BP 3,5 mil milhões de dólares.
Em comunicado, a BP adianta que já conseguiu recuperar 479 100 barris desde a explosão na plataforma "Deepwater Horizon", no final de Abril, e que a instalação de um novo funil para conter a fuga está a "decorrer como esperado".
Nas operações de combate à poluição estão envolvidas cerca de 46 000 pessoas, mais de 6400 navios e dezenas de aviões que tentam conter o derramamento do petróleo, acrescentou a petrolífera.
A empresa divulgou ainda que já recebeu mais de 105 mil pedidos de indemnização e que já pagou mais de 52 000 compensações, num valor aproximado de 165 milhões de dólares.
A BP lembra que concordou criar um fundo de 20 mil milhões de dólares para cobrir os custos da "maré negra".
No mesmo comunicado, o grupo petrolífero afirma que prevê recuperar entre 60 a 80 mil barris por dia, até ao final de Julho, enquanto aguarda a conclusão de dois poços de alívio, que servem para parar a fuga.
A empresa espera que os trabalhos estejam concluídos durante a primeira quinzena de Agosto.
A "maré negra" foi provocada pela explosão da plataforma de extracção petrolífera «Deepwater Horizon», operada pela BP ao largo da costa do Luisiana (no sul dos Estados Unidos), no Golfo do México, onde extraía petróleo a mais de 1500 metros de profundidade
12/07/10 11:05
.A “maré negra” provocada pela explosão de uma das plataformas petrolíferas no Golfo do México já custou à empresa britânica BP 3,5 mil milhões de dólares.
Em comunicado, a BP adianta que já conseguiu recuperar 479 100 barris desde a explosão na plataforma "Deepwater Horizon", no final de Abril, e que a instalação de um novo funil para conter a fuga está a "decorrer como esperado".
Nas operações de combate à poluição estão envolvidas cerca de 46 000 pessoas, mais de 6400 navios e dezenas de aviões que tentam conter o derramamento do petróleo, acrescentou a petrolífera.
A empresa divulgou ainda que já recebeu mais de 105 mil pedidos de indemnização e que já pagou mais de 52 000 compensações, num valor aproximado de 165 milhões de dólares.
A BP lembra que concordou criar um fundo de 20 mil milhões de dólares para cobrir os custos da "maré negra".
No mesmo comunicado, o grupo petrolífero afirma que prevê recuperar entre 60 a 80 mil barris por dia, até ao final de Julho, enquanto aguarda a conclusão de dois poços de alívio, que servem para parar a fuga.
A empresa espera que os trabalhos estejam concluídos durante a primeira quinzena de Agosto.
A "maré negra" foi provocada pela explosão da plataforma de extracção petrolífera «Deepwater Horizon», operada pela BP ao largo da costa do Luisiana (no sul dos Estados Unidos), no Golfo do México, onde extraía petróleo a mais de 1500 metros de profundidade
Veja a extensão do vazamento da BP
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Postado por
Unknown
em
7/02/2010 03:08:00 AM
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BP,
vazamento de óleo
Acesse este site ele permite que a extensão da "mancha" de vazamento seja transportada para sua região.
Note que a abrangencia fisica do vazamanto é impressionanate e além disso o prejuízo aos ecossistemas (ambiental,social e economicos) são incalculáveis.
Até agora foram mais de 570 milhões de litros já vazados para o oceano, segundo a BP.
link: http://www.ifitwasmyhome.com/
Na ilustração abaixo eu "trouxe" para a região de São Paulo.
Note que a abrangencia fisica do vazamanto é impressionanate e além disso o prejuízo aos ecossistemas (ambiental,social e economicos) são incalculáveis.
Até agora foram mais de 570 milhões de litros já vazados para o oceano, segundo a BP.
link: http://www.ifitwasmyhome.com/
Na ilustração abaixo eu "trouxe" para a região de São Paulo.
Deepwater Horizon: 11 mortes, milhões de litros de óleo lançados no mar, despesas diarias de U$ 100 milhões para limpeza da sujeira e provavelmente o algoz da BP.
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Postado por
Unknown
em
6/29/2010 03:52:00 AM
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BP,
Oil Spill
Poluir o meio-ambiente destrói valor?
Desde o inicio da crise no golfo do México o valor da ação da BP despencou 24%. Perdeu 62 bilhões de dólares até o momento. E o acidente não apresenta uma solução imediata.
BP já gastou 1 bilhão de dólares e vazamento de óleo continua. Seus numeros dizem ter folego para absorver até 20 bilhões de prejuízo e ainda distribuir 10 bilhões de dividendos. Numeros que ainda tiram o sono dos acionistas, pois ainda sem final previsto o desastre poderá trazer ações indenizatórias de individuos e empresas afetadas, cujos valores são inestimados.
Abaixo segue o artigo original publicado no The Economist;
Hole below the water
Failure to stem the flow of oil into the Gulf of Mexico spells trouble for BP
Jun 3rd 2010
From The Economist print edition
THE relief well with which BP is planning to put a definitive end to the oil spill polluting ever more of the Gulf of Mexico is drilling down into the sea floor at a rate of about 60 metres (200 feet) a day. The company’s share price is dropping considerably faster. On June 1st it plummeted by 13%. It had already declined by 24% over the six weeks since the loss of the exploration rig Deepwater Horizon and the start of the spill. All told the company has lost £42 billion ($62 billion) in value since the crisis started.
The latest drop was prompted by the news on May 29th that BP’s attempt to plug the leak with a “top kill” had failed. The company now plans to cut through the pipe from which oil is leaking and cap it with a fitting that will funnel oil to ships on the surface; it may also use equipment installed for the top kill to drain off oil. These steps may slow the flow of oil into the sea, perhaps substantially, but they will not stop it altogether, and carry a slight risk of increasing it. The funnel would also have to be removed if a hurricane were to strike.
A complete stop will have to wait for one of the two relief wells to get down to 5,500 metres, intersect with the leaking well and plug it. August is spoken of as the earliest date for this sort of success, hurricanes permitting. If numerous attempts have to be made, as they sometimes are, it is conceivable that the leak could continue for the rest of the year.
Barack Obama, under increasing criticism for his handling of the disaster, has promised to “bring those responsible to justice”. On June 1st his attorney-general, Eric Holder, visited Louisiana and announced that he was exploring both civil and criminal charges against BP and the other firms involved in the drilling. Criminal action could leave BP facing massive fines on top of the costs of the effort to stop the leak, the clean-up operations and claims for damages by companies and individuals that have been affected. So far BP has spent some $1 billion; that said, it made $6.1 billion in the first quarter of 2010. It is profitable enough to absorb $20 billion in spill-related losses while paying a $10 billion dividend, as it did last year. That would reassure anxious investors, but worry rating agencies (on June 3rd Fitch trimmed BP's ratings) and outrage politicians who want the dividend scrapped.
Robert Reich, a former secretary of labour, has suggested that BP’s American operations should be put under temporary receivership to allow the government to take control of plugging the leak. This seems unlikely. But the idea that the company as a whole might be taken over has become significantly more likely as its share price has plummeted. BP’s market capitalisation is now less than that of its rival, Royal Dutch Shell (see chart), which has discussed a merger before and may now be contemplating one again. The scale of the stock’s fall makes it possible that the foreseeable losses, huge as they are, have not only been priced in, but even overpriced.
Reputational loss, and the possibility of losing further access to the gulf, where BP is a large player, are harder to calculate while the spill and its attendant inquiries continue. When the waters finally clear, though, there could be some interesting sharks swimming in them.
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