Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Embalagens de biscoito são recicláveis na teoria, mas processo não está disseminado. Destino alternativo é possível


Apesar de serem feitas com plástico, embalagens de BOPP são de difícil reciclagem. Alternativa é upcycle feito por empresas

Você já se perguntou o que fazer com a embalagem do biscoito, do salgadinho, da sopa instantânea, da barra de chocolate, do pó de café, entre outros? Seguindo uma ideia lógica, é possível já ter destinado alguns desses pacotes na parte do plástico da coleta seletiva, afinal, tratam-se de objetos feitos de plástico, indiscutivelmente. Porém, o que parece pode não ser tão simples.
Esse plástico metalizado é conhecido como BOPP (bi-axially oriented polypropylene, que significa película de polipropileno biorientada) e tem grandes vantagens para a indústria alimentícia, pois evita contato do produto com gases, oxigênio, variações de temperatura e umidade. Também é mais fácil realizar a impressão em uma embalagem feita com BOPP e ela desliza mais facilmente pelas máquinas da fábrica.

Mas é aí que as vantagens param. Apesar de estudos indianos garantirem a reciclabilidade do material, na prática, ele não ocorre. O principal motivo é o desconhecimento de fabricantes, recicladores, cooperativas e do próprio consumidor. Apesar de ser uma plástico como qualquer outro, o BOPP necessita de mais cuidados, como limpeza. Sem contar que, como a sua reciclagem ainda não é popular, poucas empresas utilizam o material para fabricar outros produtos (veja mais aqui). No entanto, ao menos uma fábrica já foi criada no Reino Unido apenas para a reciclagem de BOPP. No Brasil, poucas recicladoras fazem esse serviço.

A eCycle contatou cooperativas da cidade de São Paulo e a resposta foi parecida. Eventualmente coletavam BOPP, mas com a falta de interesse de compradores, não era viável. A prefeitura do município afirmou que o material não é reciclável e que as cooperativas ligadas à instituição não aceitam tal material.

O que fazer?
E melhor alternativa é usar a criatividade para reaproveitar esses materiais para outros fins, sem que haja o processo de reciclagem. A essa processo se dá o nome de upcycle e quem está à frente disso aqui no Brasil e em outros países do mundo é a Terracycle, que organiza brigadas de consumidores que recebem para recolher e enviar material à empresa. Lá, são feitas bolas, bolsas, caixas de som e outros objetos usando emabalagens BOPP.

Veja também:
-BOPP: plástico que embala doces e salgadinhos tem reciclagem?
-Falta de compradores faz coleta de BOPP fraca em cooperativas e recicladoras
-Upcycle é opção criativa para dar solução a embalagens feitas com BOPP

Metra lança programa de Coleta Seletiva nos terminais do corredor ABD


Serão instalas lixeiras de lixo reciclável e não-reciclável nos terminais e nas paradas e ônibus
A partir do dia 26 de agosto, a Metra - empresa que opera o Corredor Metropolitano de
Ônibus ABD – dará início a um programa de coleta seletiva em seus nove terminais e nas 110
paradas de ônibus. Os resíduos serão separados em duas categorias: “Lixo Reciclável” e “Não -
Reciclável”. A iniciativa deve incentivar as cooperativas da região que trabalham com
reciclagem.

O programa será iniciado nos terminais Santo André Oeste, São Bernardo e Jabaquara. Até
dezembro deste ano, a empresa prevê finalizar a instalação dos coletores nos demais terminais
e paradas de ônibus.

O lançamento da coleta seletiva marcará a participação da empresa no “Dia de Fazer a
Diferença”, evento que reúne colaboradores da empresa, do Grupo ABC, familiares e
voluntários das comunidades em ações de sustentabilidade e responsabilidade social. Nos
últimos quatro anos, a Metra promoveu o plantio de mudas de árvores nos corredores de
ônibus, no projeto “Corredor Verde”, cujo objetivo é deixar o trajeto mais arborizado,
enriquecendo a paisagem urbana, e reduzir o impacto causado pela emissão de gás carbônico
(CO²) na atmosfera. Já foram plantadas mais de cinco mil árvores desde o lançamento do
programa.

São Paulo recicla apenas 1,2% dos resíduos produzidos


Os índices de reciclagem em São Paulo ainda são muito baixos. O bairro da Vila Mariana é o que mais recicla em toda a cidade, mesmo assim os números não chegam a 5% de todo o lixo que é produzido. Enquanto isso, diversos bairros da periferia paulista permanecem sem acesso à coleta seletiva.

Conforme informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a média de reciclagem na cidade é de apenas 1,2%, considerada muito baixa. Os outros três bairros com os melhores índices de reciclagem são: Santo Amaro, com 4%, Pinheiros, que recicla 3,5% e Lapa, com 2,4%.
Segundo os moradores locais o bom desempenho da Vila Mariana não se deve ao incentivo governamental. Pelo contrário, os próprios moradores têm ido atrás de informações sobre a rotina do caminhão da coleta seletiva, pois não foram distribuídos informativos com os direcionamentos para promover de fato a ação pela cidade.
Vila Mariana é o bairro que mais recicla. Imagem | Mayra Rosa - CicloVivoVila Mariana é o bairro que mais recicla. Imagem | Mayra Rosa - CicloVivoJá nos bairros afastados do centro, como Parelheiros, M’Boi Mirim, Perus, São Miguel, entre outros, a coleta seletiva existe apenas por consequência do trabalho dos catadores informais. Mas, as ações governamentais não cheguem até os extremos da capital.
Outro problema é a falta de garantia de que os resíduos recicláveis coletados realmente terão a destinação correta. Isto acontece porque, mesmo com a baixa demanda, a estrutura física da cidade não suporta todo o material. Em São Paulo existem 21 centrais de triagem, enquanto o ideal seria ter, pelo menos, 70, conforme informado por Roberto Laureano Rocha, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.
Segundo o diretor de Coleta Seletiva da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana, Valdecir Papazissis, existe a previsão de que sejam criadas mais 11 centrais de triagem. Porém, ainda não existe prazo definido para isso.
* Com informações do CicloVivo

Desmontar carros e reciclar tudo

WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 11/03/11

O governo de São Paulo pretende, em dois anos, implantar as primeiras "desmontadoras de veículos" - informou este jornal (21/2) -, na tentativa de enfrentar o problema da "mobilidade zero" na capital, diagnosticado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Guilherme Afif Domingos. E começará pelos carros e motos reprovados na inspeção veicular e que tenham dívidas fiscais - cerca de 30% a 35% da frota total. Só nos pátios estão mais de 100 mil veículos apreendidos por irregularidades e dívidas.

Os números já não chegam a espantar. Na capital, são 7 milhões de veículos registrados. No País, 35,3 milhões, aos quais em cinco anos se deverão acrescentar 25 milhões. Em 2010 foram 3,5 milhões de carros novos vendidos (inclusive com isenção de impostos), compondo o quarto maior mercado mundial. Só a Polícia Militar aplicou, em 2010, quase 750 mil multas de trânsito na capital (ao todo foram mais de 6 milhões de infrações). Espera-se que este ano sejam 20% mais (Estado, 21/2) e que a receita com elas chegue a R$ 638,9 milhões. No ano passado, de mais de R$ 500 milhões de receita com multas, R$ 170 milhões foram concedidos em subsídios a empresas de ônibus, para "renovação da frota e compensações tarifárias".

Num panorama como este, com 45% das pessoas na capital se deslocando em automóveis (Estado, 10/9/2010), só se poderia mesmo chegar à saturação - e, afinal, à proposta de "desmontar veículos". Mas ela terá de ir além dos pátios repletos de veículos irregulares. E um bom exemplo pode ser encontrado pelas autoridades na Suécia, onde o ônus do "desmonte" e da reciclagem cabe aos proprietários dos veículos, e não ao Estado (e à sociedade toda). Nesse país, ao comprar um carro novo, o proprietário já paga por um certificado de reciclagem, que passará de mão em mão se o veículo for vendido. O proprietário que entender haver chegado a hora da reciclagem, leva o carro a uma empresa autorizada e recebe o valor desse certificado. A empresa começa por retirar todos os fluidos e óleos para reciclagens especiais; depois, tudo o que ainda pode ser utilizado (pneus, vidros, peças etc.) é vendido a terceiros, com garantia de prazo; em seguida, a carcaça é amassada e enviada a outra empresa, que a pica e destina os resíduos a fornos de siderúrgicas, base para asfalto de rodovias e outras aplicações. O país já faz isso com mais de 90% dos veículos que chegam ao fim da vida útil, e espera chegar em breve a 100%.

É um bom exemplo, que deveria ser levado, aqui, também a outras áreas de resíduos. Porque, apesar de acertos da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), os avanços serão difíceis se não se implantar o princípio de que o ônus da solução deve caber a quem gera os resíduos - domiciliares, comerciais, industriais, da construção etc. E isso não está na lei. Ela dá prazo para que Estados e municípios façam seus planos diretores para a área e definam programas de coleta seletiva. Mas como se fará isso, se quase 60% dos municípios brasileiros (3.369, segundo o IBGE) nem sequer têm aterros e depositam resíduos em lixões, alegando falta de recursos? No Estado do Rio são 72 dos 92 municípios. Em São Paulo, 156 dos 645 municípios - e isso em dois dos Estados com mais recursos.

Há algum tempo calculou-se que implantar um aterro para 2 mil toneladas diárias custa R$ 350 milhões. Como o Brasil produz mais de 200 mil toneladas diárias de resíduos domiciliares e comerciais, isso significaria, a grosso modo, que precisamos de áreas equivalentes a mais de 100 desses aterros. Que custariam mais de R$ 35 bilhões. Como o PAC deste ano prevê um total de R$ 1,5 bilhão para a área de resíduos (se não houver contingenciamento), seriam mais de 20 anos só para implantar aterros. Sem falar nos investimentos necessários para a reciclagem em todos os municípios (prevista na PNRS para dentro de quatro anos). E para a implantação de logística reversa nos vários setores (pilhas e baterias; lixo eletroeletrônico; pneus; agrotóxicos; lâmpadas fluorescentes; vidros etc.).

É preciso repetir e insistir: só haverá solução se o gerador de resíduos pagar pela coleta e destinação - como se faz nos países que mais avançaram nessa área, principalmente na Europa. São Paulo chegou a criar uma taxa para os resíduos domiciliares e comerciais na administração Marta Suplicy, mas recuou (e a ex-prefeita chegou a dizer aos jornais que a criação da taxa foi seu "maior erro político").

Da mesma forma, a acertada decisão de dar preferência na política nacional a cooperativas de catadores (eles já seriam 1 milhão hoje) corre riscos, se não se avançar para a implantação de sistemas financiados em que elas disponham de equipamentos para a coleta (caminhões com espaços separados para lixo seco e lixo orgânico) e recebam das prefeituras por tonelagem coletada os mesmos valores hoje atribuídos a empresas que fazem esse trabalho.

É preciso, também, financiar para as cooperativas usinas onde o lixo orgânico seja compostado e transformado em fertilizante (utilizável em jardins, contenção de encostas etc.). O lixo seco, depois de separado na usina, pode ser transformado em telhas (a partir de massa de papel e papelão decompostos, revestida de betume); o PVC, em mangueiras pretas; o vidro pode ser moído e vendido a recicladoras, assim como o alumínio de latas.

Onde se fez isso, gerou-se muito trabalho e renda para uma corporação a quem o País já deve muito, pois, trabalhando de sol a sol, sem nenhuma proteção, ela encaminha a empresas quase tudo o que se recicla de papel, papelão, vidro, pet, alumínio e outros materiais. Em alguns lugares onde isso foi feito, o lixo encaminhado, no final, a aterros, foi reduzido a 20% do total - o que é enorme economia de recursos e de dinheiro para o poder público (e para a sociedade, que paga os impostos).

Se não for assim, corre-se o risco de o novo plano não avançar.

II Bienal Brasileira de Design expõe exemplos de redução da pegada ecológica

II Bienal Brasileira de Design - Curitiba

Uma canoa que por décadas serviu à atividade de pesca dos índios pataxós; restos de madeira que ficariam no relento até se desintegrar; e uma floresta plantada especialmente para a produção de móveis, sem exigir desmatamento. Esses são algumas das propostas dos designers brasileiros para diminuir a pegada ecológica, evitando o desperdício e a degradação ambiental, a partir do reaproveitamento de matéria-prima descartada.

O designer gaúcho, radicado em São Paulo, Hugo França, encontrou em Trancoso (BA) a solução para canoas que já não serviam mais para a atividade de pesca dos pataxós continuassem úteis, mesmo que para outros públicos. "Uma canoa dessas, feitas a partir da madeira de pequi, é citada entre as peças mais resistentes, pois esta madeira dura até 1.200 anos e demora até 200 anos para que a árvore fique adulta", conta o designer que teve uma de suas peças leiloadas na Sotheby's em Londres. A originalidade da transformação encanta, mas Hugo França lembra que a contar pelo tempo de vida da madeira, as peças que hoje são charmosas chaise-longues, poltronas, cadeiras e mesas, já existiam, pelo menos no que se refere à matéria-prima, antes mesmo do Brasil ser descoberto.

Madeira certificada - Do Amazonas vêm peças originais como o cabide mancebo, a mesa muirapiranga, o biombo encontro das águas e até jóias e peças de decoração. Elas foram produzidas pelo Núcleo de Design e Meio Ambiente (DETEC/CDER), da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (FUCAPI), a partir de madeiras certificadas de floresta natural, segundo o curador da Bienal, Fábio Magalhães.

Consumo sustentável pressionará setor de embalagens

07 de outubro de 2010 15h 53
 CIRCE BONATELLI - Agencia Estado
SÃO PAULO - A Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas) alertou hoje, durante encontro empresarial em São Paulo, para o aumento das exigências ambientais que vão recair sobre o setor de embalagens e demais setores produtivos nos próximos anos. Os principais pontos de pressão vão partir do próprio consumidor, que tende a dar preferência por produtos mais sustentáveis, e por novas regulamentações de órgãos públicos direcionadas para empresas que causarem grandes danos ambientais.

"A sociedade percebe os danos da ação dos mercados e pressiona por medidas mitigadoras, como foi o caso da discussão sobre mudanças climáticas", afirmou Renault de Freitas, diretor executivo da Abralatas. Por conta disso, produtos que agregam inovações sustentáveis tendem a ganhar espaço nas casas de consumidores e também nas prateleiras das redes varejistas. Nos Estados Unidos, por exemplo, as decisões de compra do Walmart já passaram a preterir produtos sem o mínimo de 10% de teor reciclado na composição. Freitas também lembrou que a atividade empresarial deverá se adaptar cada vez mais a normas reguladoras do governo, como a recente Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada neste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Política Nacional de Resíduos Sólidos deve aumentar reciclagem no país

Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – O Brasil produz 57 milhões de toneladas de lixo por ano e, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), só 2,4% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados. Esse percentual é pequeno quando comparado com o de outros países. Contudo, empresas do setor de reciclagem enxergam uma chance de aumentá-lo significativamente.

A expectativa deve-se, principalmente, à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada no mês passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A lei cria regras para o tratamento do lixo e, para especialistas em reciclagem, abre uma grande oportunidade para o setor. A avaliação foi feita pelos participantes do Congresso Internacional de Negócios da Indústria da Reciclagem, aberto hoje (28) em São Paulo. O evento faz parte da feira Expo Sucata e reuniu empresários e representantes da sociedade ligados à gestão do lixo.

“Alguns países da Europa reciclam 45% dos seus resíduos. Podemos chegar lá”, afirmou Stefan David, consultor de reciclagem da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidros (Abividro) durante a palestra que abriu o evento.

Segundo ele, a PNRS estabelece que todos os agentes envolvidos na fabricação, distribuição, venda e consumo de produtos sejam responsáveis pelos seus resíduos. Estabelece também o fechamento de todos os chamados lixões – locais em que o lixo é depositado sem tratamento ou separação – até o ano de 2014. Isso, de acordo com David, vai obrigar a sociedade e O Poder Público a buscar alternativas para o lixo produzido nas cidades. O aumento da reciclagem é, com certeza, uma delas.

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Em muitas cidades brasileiras, as Estações de Reciclagem instaladas em super e hipermercados representaram um passo fundamental para a disseminação da separação doméstica de resíduos pós-consumo. Iniciado com plástico, papel, vidro e metal, seu alcance expandiu-se para outros itens como óleo de cozinha. Elo de ligação entre consumidores conscientes e cooperativas de catadores, esses programas estão alinhados com as premissas da Política Nacional de Resíduos Sólidos e vêm se consolidando como referência para a gestão compartilhada da logística reversa enquanto a sociedade espera a definitiva publicação da lei que deverá normatizar o funcionamento do sistema em todo o território nacional. A gestão compartilhada pressupõe o esforço conjunto da indústria, do varejo, das cooperativas, da população e do poder público. É essencial, portanto, que as prefeituras ajam com maior efetividade para que se produza um verdadeiro salto quantitativo e qualitativo na gestão dos resíduos sólidos urbanos.



No Grupo Pão de Açúcar

Os clientes do Grupo contam com mais de 200 pontos em todo o país para levar seus recicláveis – 110 Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever (criadas em 2001), 100 Estações de Reciclagem Extra H2OH! (de 2007) e 11 Estações de Reciclagem CompreBem (também de 2007). Estes números mostram um crescimento sólido da iniciativa que beneficia 59 cooperativas de catadores selecionadas para retirar os materiais arrecadados nas lojas que, em 2009, superaram a marca de 7.700 toneladas.

“Como o Pão de Açúcar foi pioneiro nessa ação, os obstáculos iniciais se deram em razão do próprio pioneirismo: o consumidor ainda não conhecia a proposta, toda a logística precisou ser alinhada, o tipo de atendimento na Estação teve de ser estruturado... Mas essas dificuldades foram ótimos aprendizados para a melhoria do processo e a garantia de sua evolução”, avalia Paulo Pompilio, diretor de Responsabilidade Socioambiental. “O programa agregou muito à imagem das empresas do Grupo, além de conscientizar o cliente da importância do descarte correto dos resíduos, o que é uma necessidade da sociedade moderna, ele contribui também para a inclusão social e a geração de renda nas cooperativas.” A sensibilização das equipes das lojas sobre os impactos positivos das Estações para o Grupo, os clientes e a comunidade tem sido um fator decisivo para sua expansão.


No WalMart
As Estações de Reciclagem tiveram início no WalMart em 2005. Três anos depois, a empresa firmou uma parceria com a Coca-Cola que impulsionou seu crescimento – hoje, são 308 unidades nas mais diversas localidades que recolheram, em 2009, 6,6 toneladas de recicláveis. Os materiais são coletados por 96 cooperativas de catadores que possuem cerca de 2.800 cooperados.

“Esse programa representa um serviço adicional para os clientes, estimula sua conscientização, reduz impactos ambientais e promove a inclusão social. O caráter social desse trabalho constitui uma frente fundamental para o WalMart”, conta Paulo Mindlin, diretor de Responsabilidade Social. “Nossas metas incluem contribuir para a profissionalização das cooperativas, o que permitirá um grande salto em sua inclusão econômica e em seu alcance ambiental e social.” Em função da grande capilaridade geográfica, a seleção das cooperativas responde a especificidades locais e abrange soluções diferenciadas como uma parceria com a CAEC, em Salvador, que tem cooperados e prensas dentro das lojas da rede e se encarrega da gestão completa de seus resíduos.

O WalMart também abre suas portas para iniciativas específicas de fornecedores alinhadas com os objetivos de suas Estações de Reciclagem. Exemplos nesse sentido vêm de diferentes cantos do Brasil e incluem ações de empresas como Nestlé, Diageo, Tetra Pak e Whirlpool.

No Carrefour
Criado em dezembro de 2008, o projeto de Estações de Reciclagem é considerado pelo Carrefour uma importante ferramenta para conscientizar a sociedade a respeito da relação entre consumo e meio ambiente. A ação registra uma significativa participação dos clientes - atualmente, há 38 Estações instaladas em lojas do Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais que recebem os materiais e os encaminham para reciclagem.

Resultado de uma parceria com a Abeaço (Associação Brasileira de Embalagem de Aço), a CSN e a Gerdau, além da Tetra Pak, Johnson & Johnson, Kimberly-Clark e Coca-Cola, as Estações seguem em expansão e devem chegar a 100% das lojas da rede ainda em 2010. Para atender a esse aumento da demanda, o Carrefour vem buscando parcerias, em todas as regiões do país, com empresas recicladoras capacitadas para recolher grandes quantidades de recicláveis e fornecer acompanhamento e mapeamento adequado do volume coletado e destinação dos resíduos até o momento do reinício do ciclo de vida dos materiais. “A promoção do consumo consciente é um dos pilares da política de sustentabilidade do Carrefour que norteia diversos projetos desenvolvidos para sensibilizar os clientes quanto à necessidade de novos hábitos de consumo”, explica Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade da empresa.



Na Casas Bahia
Nas entregas que faz na casa do consumidor, a Casas Bahia oferece a possibilidade de levar de volta os materiais usados nas embalagens como isopor, plástico e papelão. A ação começou em 2008 com o lançamento do programa Amigos do Planeta, quando

a empresa construiu uma Central de Triagem em seu Centro de Distribuição de Jundiaí (SP) para receber os recicláveis provenientes da coleta seletiva implantada em algumas de suas unidades. Desde então, tanto o programa interno de coleta seletiva quanto a logística reversa de embalagens não para de evoluir.

A retirada das embalagens é hoje oferecida a consumidores de todo o Estado de São Paulo e representa uma parcela significativa das mais de 18 mil toneladas de recicláveis já encaminhadas para a Central de Triagem que emprega 40 colaboradores.

“Foram vários os desafios logísticos que enfrentamos, desde espaço físico para armazenamento do isopor até a programação de entrega e retirada das embalagens. Mas os resultados nos estimulam a seguir em frente: vamos abrir uma mini Estação de Triagem no Centro de Distribuição de São Bernardo do Campo (SP) e de Ribeirão Preto (SP) e iniciaremos a logística reversa no Rio de Janeiro”, comenta Sônia Mitaini, da área de Comunicação. Os recursos obtidos com a venda dos materiais são direcionados a projetos sociais voltados à educação e inclusão digital em comunidades carentes.

Reciclagem no Brasil /// ABRE - Associação Brasileira de Embalagem

Reciclagem no Brasil


O perfil qualitativo dos resíduos sólidos urbanos no Brasil, de uma maneira geral, é denominado de " Lixo pobre", por conter uma baixa parcela de materiais reaproveitáveis.

A Constituição Federal estabelece que o Poder Público Municipal é o órgão responsável pela coleta de lixo, além da limpeza das ruas e praças da cidade. Formas inadequadas de acondicionamento de lixo podem gerar grandes prejuízos ao meio ambiente. Os lixões, por exemplo, são formas inadequadas de acondicionamento, pois são responsáveis pela proliferação de doenças, solo contaminado e mau cheiro.

O Brasil, mesmo quando comparado a alguns países desenvolvidos, apresenta elevados índices de reciclagem. O país desenvolveu métodos próprios para incrementar essa atividade e o maior engajamento da população pode contribuir ainda mais, para o aumento do índice de embalagens reaproveitadas.

Análise da Reciclagem no Brasil por material:

Vidro
47% das embalagens de vidro são recicladas no Brasil somando 470 mil ton/ano. Desse total, 40% são oriundos da indústria de envaze, 40% do mercado difuso, 10% do "canal frio" (bares, restaurantes, etc) e 10% do refugo da indústria. Na Alemanha, o índice de reciclagem gira em torno de 87%, correspondendo a 2,6 milhões de toneladas, na Suíça (95%), e a média de reciclagem na Europa é de 62%.

Em 2003, 45% do total de vidro que circula no mercado nacional foram reciclados, somando mais de 580 mil toneladas. Este índice praticamente dobrou em uma década, visto que em 1993 o índice de reciclagem era de 25% do total produzido deste material.

Em 2007, 47% do total de vidro que circula no mercado nacional foram reciclados, enquanto que os Estados Unidos reciclaram 40%.

Com um quilo de vidro se faz outro quilo de vidro, com perda zero e sem poluição para o meio ambiente. Além da vantagem do reaproveitamento de 100% do caco, a reciclagem permite poupar matérias primas naturais, como areia, barrilha, calcário, etc. Esse material reciclado pode ser aplicado em segmentos como pavimentação de estradas, fibra de vidro, bijuterias e muitos outros.

Limitações: A reciclagem desse material não é maior devido ao seu peso, o que encarece o custo do transporte da sucata. Além disso, o material não pode estar misturado com pedaços de cristais, espelhos, lâmpadas ou até mesmo vidro plano usado para automóveis, pois a química do material é diferente o que impede a reciclagem.

Limitações: A reciclagem desse material não é maior devido ao seu peso, o que encarece o custo do transporte da sucata. Além disso, o material não pode estar misturado com pedaços de cristais, espelhos, lâmpadas ou até mesmo vidro plano usado para automóveis, pois a química do material é diferente o que impede a reciclagem.

Papel e Papelão

43,7% de todo o papel que circulou no país em 2008 retornou à produção de papel, existindo ainda uma grande quantidade de aparas de papel que são utilizadas em outros produtos como a fabricação de telhas e cujo volume não é computado nas estatísticas. Se do total de papel que circulou no país, retiramos os que não são passíveis de reciclagem, temos uma taxa de recuperação de 50,8%.

As caixas feitas em papel ondulado são facilmente recicláveis, consumidas principalmente pelas indústrias de embalagens, responsáveis pela utilização de 64,5% das aparas recicladas no Brasil. Em 2008, 79,6% do volume total de papel ondulado consumido no Brasil foi reciclado. No mercado americano, as caixas onduladas têm 21% de sua composição proveniente de papel reciclado.

Em 2008 as porcentagens no Brasil foram de:

79,6% - papelão ondulado

43,7% - papel de escritório

Limitações: A contaminação com cera, óleo, plástico e outros materiais prejudicam a reciclagem destes. Porém, como as caixas de papelão ondulado não cabem em cestas de lixo, são coletadas separadamente diminuindo o risco de contaminação do material.

Embalagens Compostas (Longa Vida)

26,6% foi a taxa de reciclagem de Embalagens Longa Vida no Brasil em 2008 totalizando cerca de 52 mil toneladas. Na Europa, em 2007 a reciclagem deste material ficou em 30%. Cada tonelada de embalagem cartonada reciclada gera, aproximadamente, 680 quilos de papel kraft. No Brasil, é previsto um aumento constante da reciclagem dessas embalagens devido à expansão das iniciativas de coleta seletiva com organização de municípios, cooperativas e comunidade e ao desenvolvimento de novos processos tecnológicos. A taxa de reciclagem mundial é de 16% de Embalagens Longa Vida pós-consumo. Em 2003 a taxa de reciclagem das embalagens longa vida no Brasil foi de 20% totalizando cerca de 30 mil toneladas. A partir da reciclagem dessas embalagens é possível obter fibras para confecção de caixas de papelão e plástico/alumínio que podem ser utilizados para fabricação de peças plásticas como vassouras, canetas e até placas e telhas.

Limitações: Uma vez as embalagens longa vida separadas na coleta seletiva e encaminhadas para as indústrias recicladoras adequadas, não há limitações para a sua reciclagem e reaproveitamento de todas as suas camadas. Entretanto, alguns cuidados podem auxiliar na melhor separação e armazenamento na coleta seletiva. É importante que as embalagens estejam livres de resíduos orgânicos como restos de comidas, pois isso evita odores desagradáveis ao material armazenado. Outra forma de contribuir, é manter as embalagens compactas (sem ar), pois diminui o volume de material que deve ser encaminhado para coleta seletiva.

Metal
Aço
46,5% das latas de aço consumidas no Brasil em 2008 foram recicladas. Este índice vem aumentando graças à ampliação de programas de coleta seletiva municipais e programas de reciclagem pós-consumo para estimular a coleta destas embalagens. Esta iniciativa permitiu à embalagem de bebida carbonatada atingir o índice de 88% de reciclagem, número auditado por empresa independente.

Em 2007, 49% da produção nacional foi reciclada.

Se considerarmos os índices de reciclagem de carros velhos, eletrodomésticos, resíduos de construção civil, ou seja, todos os segmentos do aço e somarmos aos índices das embalagens deste material, o Brasil recicla cerca de 72% de todo o aço produzido anualmente.

Limitações: As latas devem estar livres das impurezas contidas no lixo, principalmente terra e outros materiais metálicos. O estanho em concentração elevada pode dificultar a reciclagem fazendo-se necessária a retirada deste por processos metalúrgicos que encarecem o processo.

Alumínio

Em 2008, o Brasil reciclou aproximadamente 91,5% da produção nacional de latas.

O material é recolhido e armazenado por uma rede de aproximadamente 130 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado brasileiro de sucata de latas de alumínio, entre 2000 e 2007, teve um crescimento significativo, devido ao aumento da participação de condomínios e clubes nos programas de coleta seletiva. Os números brasileiros superam países industrializados como Japão e EUA. Em 2008, os Estados Unidos recuperaram 54,2% de suas latinhas. O alumínio é reciclável sem perder as suas características, por isso latas e outros tipos de sucata (perfis, panelas, peças fundidas, etc), podem ser reutilizadas como outros produtos semi-manufaturados de alumínio, com características técnicas necessárias para atender às diversas aplicações.

A reciclagem do alumínio em 2008 alcançou os seguintes índices:

Brasil – 91,5%

Argentina – 90,8%

Japão – 87,3%

Estados Unidos – 54,2%

Limitações: A contaminação com matéria orgânica, a mistura com outros materiais, areia ou até mesmo excesso de umidade interferem na reciclagem do alumínio, dificultando sua recuperação para usos mais nobres.


Plásticos

21,24% dos plásticos rígidos e filme são reciclados em média no Brasil em 2008, o que equivale a cerca de 556 mil toneladas por ano. Não há dados específicos para o plástico filme. A taxa de reciclagem de plástico na Europa é de 18,3%, sendo que em alguns países a prática é impositiva e regulada por legislações complexas e custosas para a população local, diferentemente do Brasil, onde a reciclagem acontece de forma espontânea. É possível economizar até 50% de energia com plástico reciclado.

Limitações: A contaminação do material com a matéria orgânica, areia ou óleo e a mistura de polímeros que não são quimicamente compatíveis prejudicam o processo de reciclagem. Sendo assim, os vários tipos de polímeros precisam ser identificados e separados, através dos símbolos padronizados que identificam cada material.


PET – Poli (Tereftalato de Etileno)

O índice de reciclagem brasileiro do PET é de 54,8 %, o maior do mundo entre os países onde não há coleta seletiva. Em 2008, o volume reciclado foi de 253 mil toneladas de embalagens de PET . A capacidade instalada é de 462 mil toneladas. Entre os estados brasileiros, São Paulo detém a maior participação na reciclagem, seguido de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O PET reciclado é utilizado principalmente para a produção de fibras de poliéster (40%), extrusão de chapas ( 16% ) e filmes para termoformagem (15%). Vários outros setores, entretanto, utilizam as embalagens de PET recicladas como matéria-prima: resinas para tintas, vernizes, adesivos e resina poliéster , tubos e vários outros.

No Brasil, 54,3% das embalagens pós-consumo foram efetivamente recicladas em 2008, totalizando 253 mil toneladas , num crescimento de 8,7% sobre o ano anterior . As garrafas são recuperadas principalmente através de catadores, além de fábricas e da coleta seletiva operada por municípios. Os programas oficiais de coleta seletiva, que existem em mais de 200 cidades do País, recuperam por volta de 1000 toneladas por ano. Além de garrafas descartáveis, existem no mercado nacional 70 milhões de garrafas de refrigerantes retornáveis, produzidas com este material. No Brasil a taxa de reciclagem de resinas de PET apresenta crescimento anual acima de 20% desde 1997, com picos de 35% (entre 2002/2003).

Em 2008 o Japão reciclou 69,2%, Europa 46%, Argentina 34%, Estados Unidos 27% e México 12,6%.

Cinquenta e oito indústrias processam o PET pós-consumo, produzindo bens como embalagens para não-alimentícios, fibra de poliéster para indústria têxtil, mantas para obras de geotecnia, vassouras e escovas, cordas, produtos de uso doméstico, tubos para esgotamento predial, telhas, filmes, chapas, etc.

Limitações: O consumidor ainda não está totalmente informado sobre a possibilidade de reciclagem e o conseqüente valor econômico da garrafa PET pós-consumo. Com isso, as embalagens acabam descartadas no lixo comum. Por outro lado, a falta de sistemas eficientes de coleta seletiva impedem a recuperação das garrafas, que acabam perdidas em aterros sanitários e lixões.

Legislação pode acabar com TI Verde de fachada /// Computerworld

Política Nacional de Resíduos Sólidos levará empresas a tratarem sustentabilidade seriamente e não somente como elemento de marketing.

Por Daniela Braun, para a Computerworld

05 de maio de 2010

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, pode transformar a política de sustentabilidade das empresas de tecnologia do País. O projeto de lei, que tramita no Senado Federal, obriga o gerador do resíduo a dar a destinação final adequada, com critérios ambientalmete corretos.

A nova legislação nacional também deve limpar o mercado brasileiro do ‘marketing verde de fachada’, mais conhecido como ‘greenwash’, alerta o diretor de operações da HP para o Mercosul, Kami Saidi , que é responsável pela sustentabilidade ambiental da companhia. “Há empresas que vendem a ideia de sustentabilidade, mas não aplicam os processos corretos”, critica.

Na visão de Saidi, com as novas regras do governo, a separação entre o marketing e a prática sustentável deve ficar mais visível ao consumidor. “O fato de você plantar uma árvore para cada produto vendido não é sustentável. Você pode estar fazendo bem à natureza, mas tem de contar ao cliente o que está fazendo com o seu produto”.

O Greenpeace está na cola das empresas que não cumprem metas de redução de componentes tóxicos em seus equipamentos. Além de divulgar seu ‘ranking verde’ atualizado, a organização não-governamental chega a cobrar pessoalmente que as empresas sigam suas metas.

Com uma regulamentação, observam os especialistas, o grande ativista do mercado brasileiro será o consumidor. Além de questionar o destino ambiental da próxima máquina que adquirir para sua casa ou empresa, também será responsável pelo descarte adequado de seus eletrônicos. Redondo, da Itautec, acrescenta que grande parte dos clientes já tem colocado características ambientais entre as exigências para a aquisição de novos produtos, entrando em conformidade com características ambientais internacionais. “E não custa mais caro”, garante o executivo. O ciclo sustentável ideal, segundo ele, não deve afetar o bolso do cliente.

Campanhas de incentivo junto ao consumidor são fundamentais para que o ciclo de reciclagem ganhe força no Brasil, afirma o diretor de diretor de pós-venda da Nokia do Brasil, Luiz Xavier. “Hoje, apenas 3% dos aparelhos são destinados pelo consumidor para reciclagem. A empresa vai fazer o papel dela, mas o usuário também precisa ter um pouco de conscientização sobre a escolha e o descarte destes produtos”, completa Ricardo, da Umicore. “Um pequeno gesto faz com que a gente faça a coisa certa”, finaliza.

Para o sociólogo e cientista político Sergio Abranches, a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos deve ocorrer a curto prazo e alinhar o Brasil a regulamentações ambientais já existentes há anos em países da Europa e nos Estados Unidos.

Autor do blog Ecopolítica e comentarias da rádio CBN, Abranches lança em agosto um livro com o título provisório de “Depois de Copenhague” (Editora Civilização Brasileira /Record), analisando a situação ambiental do mundo a partir do debate da Conferência de Copenhague, realizado em dezembro de 2009.

Em entrevista à Computerworld, Abranches destaca que as novas regras também vão acabar com a ‘fachada verde’ adotada por muitas empresas apenas como estratégia de marketing. Segundo ele, a adoção de políticas sustentáveis sérias tende a trazer economia, não representar custos, além de atrair o consumidor brasileiro sempre em busca de um diferencial.

Com uma legislação apropriada, o descarte correto de eletroeletrônicos deve transcender estratégias de marketing?

Chegamos ao limite da possibilidade de qualquer empresa fazer ‘greenwash’ porque o consumidor também está mais exigente. Além disso, é impossível termos uma disparidade de regras ambientais em diferentes países – a maior parte das empresas de eletroeletrônicos é transnacional e o consumidor lá fora também cobra uma postura desta empresas.

Há ainda uma parcela considerável de consumidores corporativos que também é pressionada por exigências de mercado e compliance com mecanismos globais. isso não fi ca mais da porta para dentro. É preciso fazer cálculos de sustentabilidade e prestar contas ao mercado. Por este motivo, acabou a fase do marketing e passamos para a obrigação. Toda a gestão de uma empresa deve ser sustentável.

O fabricante que reajustar os preços de seus produtos por conta da adequação ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos está sendo sustentável?O

Há uma especificidade no mercado brasileiro que envolve a cultura da transferência de preço diante de qualquer custo extra que a empresa tenha de absorver. Temos uma tolerância peculiar a preços mais altos neste sentido.Nos setores mais competitivos, a empresa que praticar este reajuste pode perder mercado – assim como ocorre no exterior. Acho que o consumidor não tem de ‘pagar um prêmio’ porque a empresa é sustentável. este não é um ‘serviço’ que você tem de comprar.

Por outro lado, quando a empresa faz um trabalho realmente sério de redução de pegadas – emissões de carbono, lixo eletrônico e uso de componentes tóxicos em produtos – vai observar ganhos em economia de energia e reaproveitamento de materiais, por exemplo. e mesmo que a empresa passe a usar um material não tóxico, que seja mais caro, o consumo deve ser menor. na maioria dos casos, a ‘iniciativa verde’ significa redução de custos, quando se trata da visão integral do ciclo de vida do produto.

Qual é a sua opinião sobre políticas de incentivo fiscal para empresas que possuem programas de reciclagem, como créditos em IPI (Imposto sobre produtos industrializados), por exemplo?

A questão é que toda a estrutura de incentivos fiscais no Brasil está errada. Temos incentivos para o uso de combustível fóssil, quando o correto é que eles sejam direcionados a empresas que investem em energia renovável. no Brasil, o incentivo faz sentido em questões fundamentais como esta, mas acabamos gerando uma política do ’desconto’.

O consumidor brasileiro já é mais consciente em relação a produtos ‘verdes’? Ele vai forçar as empresas a adotarem boas práticas de sustentabilidade?

o Brasil tem um comportamento de consumo variável. Assim como nos Estados Unidos, há um processo vertiginoso de renovação de status – um consumidor da classe D no supermercado mira sempre o produto da classe A. É uma sociedade que também está disposta a comprar qualidade, mas tem um orçamento limitado.

Pesquisas indicam que o consumidor com maior renda é mais consciente quanto à escolha de produtos sustentáveis, mas você encontra consumidores das classes c e D que também gostariam de comprar estes produtos. se o item for mais caro, somente a faixa de alta renda vai optar por ele. se o preço for o mesmo, os consumidores vão optar pelo ‘verde’ que também é sinônimo de status, sofisticação e distinção na sociedade.

Agora que foi aprovado na Câmara dos Deputados, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pode ser regulamentado ainda este ano?

Acho que a legislação vai ser aprovada em curto prazo porque não há muito o que contestar. ela passou agora – após 19 anos em tramitação – porque a maior parte dos setores que oferecia resistência já faz reciclagem. os bancos, por exemplo, tinham problemas com o descarte de ATMs e hoje o destarte já é auditado pelas empresas. no setor corporativo, a questão dos resíduos sólidos já está incorporada. só que entramos em fase eleitoral este ano, o que torna o processo lento. Acredito que logo no início da nova legislatura teremos a regulamentação.

Cresce interesse por hotéis verdes /// Estadão

Estabelecimentos investem na adoção de práticas ecologicamente corretas para preservar o ambiente e o clima.

Afra Balazina
O luxo e o conforto oferecidos pelos hotéis estão frequentemente relacionados a extravagâncias e desperdícios. Mas a cada dia é mais comum que empreendimentos e hóspedes tentem aliar o bem-estar e o aconchego com o respeito ao ambiente. O movimento é observado no Brasil e no mundo.

Entre as ações adotadas estão o tratamento de esgoto, a separação do lixo, a redução do consumo de água e o aproveitamento de fontes alternativas de energia, como a solar.

Mas um dos pontos que ainda faltam avançar no País é a certificação no momento de construir os prédios - nenhum hotel tem. Segundo a ONG Green Building Council Brasil (GBC), hoje existem só 14 empreendimentos certificados com o Leed - Leadership in Energy and Environmental Design, selo verde para a construção civil. Em processo de certificação são 150 obras, entre as quais alguns hotéis. Um deles será instalado na zona sul de São Paulo e outros, na Região Nordeste.

INTEGRAÇÃO
Além de ações de sustentabilidade, alguns hotéis vêm adotando medidas de integração com a comunidade onde eles estão instalados. Esse é o casos do Paraíso Eco Lodge, em Ribeirão Grande, no Vale do Ribeira. O empreendimento patrocinou um grupo de artesãos da região e promoveu o renascimento de grupos de dança de fandango.

Praticamente todos os funcionários são de Ribeirão Grande, de preferência do bairro mais próximo do hotel. "Não destruir e respeitar a natureza é o mínimo, mas não podemos deixar de lado o elemento humano", diz o coordenador do Paraíso, Manoel Pereira Lizo Filho.

O hotel também faz tratamento de esgoto produzido nos chalés que foram construídos com sobras da indústria de laminação de madeira. O estabelecimento tem lareiras apenas decorativas. Para não perder o charme, mas evitar a queima de lenha e a emissão de gás carbônico, o hotel usa velas.

E não há piscinas. "Alguns hóspedes pedem, mas para quê gastar com água e manutenção se na área há lagos que permitem a natação e um contato mais próximo com a natureza?", questiona Lizo Filho.

Em Visconde de Mauá (RJ), o Hotel Bühler criou o projeto Lixo Mínimo. Os resíduos orgânicos vão para uma miniusina e são transformados em adubo, usado posteriormente no jardim e na horta orgânica. De acordo com Norma Bühler, os hóspedes são convidados "de forma simpática" a fazer a separação do lixo reciclável - depois, o material é doado. O hotel também planta eucaliptos para abastecer a sauna e as lareiras.

Na Costa Rica, país procurado por suas belezas naturais, o Paradisus Playa Conchal faz mensalmente uma revisão na frota de carros e motos para verificar as emissões de poluentes e, se necessário, fazer a regulação dos veículos.

Mauricio Ramírez, gerente de qualidade ambiental do hotel, conta que foram recicladas mais de 325 toneladas de resíduos desde 2004. Os hóspedes são convidados a contribuir com US$ 1 por estada para beneficiar uma área de conservação estadual - em cerca de dez anos, arrecadou-se aproximadamente R$ 400 mil. O empreendimento conquistou a certificação ambiental ISO 14001.

CUSTO-BENEFÍCIO
As construções que obedecem às normas de certificação Leed têm um aumento de 5% a 10% no custo de implantação. No entanto, os gastos na operação são reduzidos em 40%. As novas tecnologias ajudam a garantir economia de energia e de água: é possível usar lâmpadas mais eficientes - como as fluorescentes e as de LED - e sensores para iluminação e para torneiras, além de privadas com dois botões de fluxo de água (um mais curto e outro mais longo).

O engenheiro civil Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil, incentiva o uso de energias alternativas, como a solar e a eólica, e o respeito à biodiversidade. A iluminação do empreendimento à noite, por exemplo, "deve ser somente o mínimo necessário para garantir a segurança e não atrapalhar os pássaros noturnos".

Paulo Gustavo Moura Gomes, coordenador de marketing do Pestana na América do Sul, diz que a rede possui um comitê de ecossuficiência que atua em questões relacionadas a obras e reformas. "Percebeu-se que o letreiro não precisava ficar aceso a madrugada toda. E que nem todos os elevadores precisavam funcionar durante a noite."

A rede, com nove hotéis no Brasil, promoveu o plantio de 5 mil mudas de árvores por meio de um projeto da Fundação SOS Mata Atlântica. Nos quartos, são apresentados guias de educação ambiental para os hóspedes e, em abril, realizará um evento para conscientizar também funcionários. Gomes não é contrário à certificação, mas diz que esses mecanismos não são estritamente necessários. "Se o hotel tem regras próprias e projeto claro, isso fica evidente para o cliente. Não é preciso outra propaganda."

Informação & Conhecimento