Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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O que mudou na sustentabilidade das empresas

Companhias precisam se redescobrir enquanto atores sociais. Não basta mais parecer sustentável em belas páginas, é preciso ser no âmago de sua missão

por Dal Marcondes — publicado 05/06/2013 11:16, última modificação 05/06/2013 11:18
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Agência Brasil
reciclagem ag brasil
Galpão da Cooperativa de Reciclagem, Trabalho e Produção na Cidade Estrutural (DF). Empresas precisam adotar ações que incorporem também temas sociais
Empresas e organizações que as representam constroem políticas de sustentabilidade na maioria das vezes pautadas por metas ambientais. Poucas vezes avançam em desafios sociais e quando o fazem, na maior parte das vezes, são ações com foco em filantropia. Grande parte das pautas ambientais colocadas para as empresas no último quarto do século XX já foi plenamente absorvida e incorporada pelas grandes empresas nacionais e globais. Não se joga mais poluentes em rios, as chaminés têm filtros e a gestão de resíduos está no topo das listas de prioridades. Mas e as verdadeiras pautas sociais? Como estão sendo tratadas?

O mundo mudou e as necessidades sociais também. Fazer projetos com comunidades e oferecer benefícios periféricos para grupos de colaboradores, pequenas coisas que vão além da lei e de acordos coletivos, devem ser estimulados, mas não fazem mais sentido enquanto “marketing social ou de causas”. As empresas precisam se redescobrir enquanto atores sociais e compreende que seu papel vai além da simples “remuneração dos acionistas” e bom relacionamento com seus “stakeholders”. Fazer relatórios de sustentabilidade já é uma linha de corte estabelecida pelo próprio mercado, uma vez que a BM&FBOVESPA, uma das principais bolsas de valores do mundo, já lançou uma campanha para que as empresas listadas publiquem seus relatórios ou expliquem por que não o fazem.
Nessa nova era de crises econômicas e sociais as empresas devem mudar as perguntas que lançam para dentro de suas estruturas. Não basta mais parecer sustentável em belas páginas e filmes para TV, é preciso ser sustentável no âmago de sua missão. E a pergunta que deve ser feita é o que as empresas estão, de fato, fazendo para ajudar a manter a humanidade em evolução? Qual é sua contribuição para o futuro. Como ela se reconstrói a partir de novas forças que estão surgindo na sociedade? Mas, principalmente, como elas estão incorporando os milhões de jovens que chegam à idade do trabalho todos os anos?

Empresas existem para gerar riquezas e oferecer trabalho. Nos últimos 20 anos as “modernas” técnicas de gestão foram eliminando postos de trabalho e estabelecendo linhas de corte de produtividade cada vez mais ferozes. Isso é parte do grande problema de desemprego global para jovens. Cada CEO deveria se perguntar como incorporar jovens em suas empresas, como oferecer trabalho em todas as faixas de jovens e não apenas àqueles que possuem MBA e são capazes de conversar em duas ou mais línguas. São esses os jovens que estão nas ruas e buscam alternativas de sobrevivência através de “comportamentos antissociais”.

Quando a sociedade se dispõe a debater questões como a maioridade penal é preciso discutir, também, o que essa mesma sociedade está fazendo para ampliar a oferta de trabalho para jovens de baixa renda, jovens mal preparados pelas escolas públicas e que vêm de famílias incapazes de oferecer os padrões de consumo estimulados pela publicidade.

Portas tradicionais de acesso ao trabalho foram fechadas, como os antigos “office boys”, que construíam relações nas empresas em que trabalhavam e nas empresas clientes – “networkings” que os ajudavam a escalar cargos nas empresas e construir uma carreira. Agora se utiliza o trabalho de “motoboys”, que correm de portaria em portaria, sem conhecer ninguém além de porteiro, e que são execrados no trânsito como “destruidores de espelhinhos”. Machucam-se ou morrem pelas ruas das cidades em nome de uma suposta eficiência para as empresas, mas em trabalhos que não oferecem nada, sequer uma renda decente.

As novas questões da sustentabilidade das empresas estão mais ligadas ao que as empresas podem fazer para melhorar a sociedade onde estão inseridas, não apenas sob o ponto de vista ambiental, mas também em relação à sua responsabilidade em oferecer caminhos para o desenvolvimento das pessoas.

*Análise originalmente publicada na Envolverde

GRI G4 é apresentada em Amsterdã // report

A nova versão das diretrizes para elaboração de relatórios da GRI nasce com a promessa de tornar o processo mais fácil para as empresas e, ao mesmo tempo, mais útil para a integração da sustentabilidade aos negócios.

A G4, lançada em Amsterdã nesta manhã (22/5), traz a materialidade para o centro do processo. As empresas poderão reportar apenas aqueles impactos considerados fundamentais para a estratégia do negócio e para seus stakeholders, mesmo que isso signifique publicar, por exemplo, apenas meia dúzia de indicadores. Por outro lado, ganha importância a realização de um processo de definição da materialidade, ou seja, de identificação das questões e dos indicadores que realmente sejam críticos para o bom desempenho da companhia.

Assim, acabam-se os níveis de aplicação, que atazanaram a vida de muita gente. As empresas declararão se o relatório está in accordance com as diretrizes GRI. Haverá dois tipos de in accordance: core, para as empresas que utilizaram a materialidade para definir o conteúdo do relatório; e comprehensive, para as que publicarão todos os indicadores – no caso, 91.

acesse aqui o site     report:sustentabilidade

A Inovação para a Sustentabilidade II

 

Os desafios da implementação
Por Dra. Aileen Ionescu-Somers e Professor Francisco Szekely
O que impede que as empresas inovem em produtos e serviços sustentáveis, e como poderiam melhorá-los?
 
Os dois principais motivos dessa inércia são os mercados financeiros, que ainda focam demais no curto prazo, e muitos dos novos modelos de parcerias, são falhos. As organizações deveriam desenvolver uma inovação recíproca que busque soluções, e deveriam compartilhar o valor que criam com seus clientes. Porém, a complexidade social, as mentalidades fechadas e a falta de uma liderança empenhada dificulta a implementação dessas mudanças – este último ponto sendo fundamental. Os líderes precisam ter certas características especiais para conduzirem mudanças, como: visão externa à frente das tendências globais, capacidade de dominar a complexidade e conseguir envolver seu pessoal em torno da sustentabilidade.
 
Outros fatores incluem o papel periférico desempenhado pelas empresas em negociações multilaterais sobre o desenvolvimento sustentável, a falta de dinheiro e investimento para quadros que promovem a inovação para a sustentabilidade, além da complexidade do sistema como um todo.
 
Compartilhando melhores práticas
A complexidade do sistema – principalmente no que diz respeito ao tamanho e à burocracia – cria enormes dificuldades para as empresas poderem compartilhar melhores práticas.
Porém, compartilhar melhores práticas não deveria ser uma atividade puramente interna – muitas empresas estão começando a trabalhar com outras dentro e fora de seus ramos de negócios para compartilharem melhores práticas em questões como a forma de medir o impacto ambiental, conduzir auditorias de sustentabilidade e usar certificações para comunicar seu compromisso com a sustentabilidade. Algumas empresas também estão compartilhando melhores práticas com determinadas ONGs e outras organizações. É uma maneira eficaz de conseguir apoio governamental e, eventualmente, mudar quadros e impulsionadores econômicos.
 
Naturalmente, esse compartilhamento externo tem seus desafios. Com os concorrentes, por exemplo, há limites para o que pode ser compartilhado, já que a sustentabilidade está começando a fazer parte da vantagem competitiva empresarial. No entanto, é interessante ficar atento uma vez que pode se tornar um fator que retarde a renovação sistêmica se as grandes empresas e líderes relutem a se abrirem demais. Enquanto isso, ainda é possível compartilhar a pesquisa básica em um nível pré-competitivo, ou trabalhar com não-concorrentes para adaptar ideias e obter novas soluções.
 
Operações e a cadeia de suprimentos
A terceirização fez com que as empresas derrubassem os preços ao efetuarem compras, pois pequenas reduções percentuais no custo levam a grandes aumentos na margem de lucro. Isto significa que as compras são um fator importante de negócios.
 
No entanto, acontecimentos recentes como a polêmica da substituição de carne bovina por carne de cavalo na Europa têm pressionado os relacionamentos com fornecedores e prejudicado a imagem das empresas. A enorme pressão para obter melhores margens por parte de compradores tem levado a muitos exemplos de comportamentos insustentáveis ​​e antiéticos dos fornecedores.
As empresas precisam transformar sua abordagem focada em custo para uma focada em valores, garantindo que seus fornecedores contribuam para o sucesso sustentado. Isso exige mudanças dramáticas na governança e no modo como os gerentes de compras são recompensados.
 
As empresas também deveriam adotar uma medida mais integrada para o fornecimento sustentável, tanto interna quanto externa. Internamente, isso pode significar estabelecer uma ligação melhor entre o departamento de compras e o de vendas e marketing, para aproveitar ao máximo as melhorias da sustentabilidade; encontrar uma linguagem em comum entre os gestores; enfatizar a necessidade da presença de líderes internos e corporativos para a promoção da mudança; introduzir novos paradigmas, tal como a organização em rede aberta da Toyota; e avançar rapidamente pelos estágios da mudança para que a empresa aprenda a andar antes de correr.
 
Externamente, o provável foco principal é inovar em redes, iniciar novos diálogos e introduzir novos paradigmas. É possível também instituir uma “tesouraria do conhecimento” – uma estrutura única, a qual toda a cadeia de abastecimento se reporta.
 
O papel da tecnologia
Grandes empresas como a Tata, líder mundial em consultoria de TI, e Ricoh, líder mundial em fabricação de impressoras e multifuncionais, estão adotando uma visão de longo prazo de 30 a 40 anos, em vez da tradicional perspectiva de dez anos. Isso incentiva um pensamento que foge do óbvio.
 
Essas empresas descobriram que gerentes devem ser encorajados a se mover confortavelmente dentro de um ambiente de “tentativas” – ou seja, onde o fracasso é visto como uma boa experiência de aprendizagem e uma oportunidade para testar o terreno para a inovação.
A Ricoh, por exemplo, está pensando em ir além de seu principal negócio, o da impressão. Sua meta atual é garantir que todas as inovações tratem da redução de impacto, ainda que contribua para os resultados; implementar inovações radicais como produtos e serviços que não sejam do ramo da impressão, assim como criar mais inovações incrementais como a impressão sustentável e incorporar a ideia da reutilização como um processo, e não como uma hipótese.
 
Mercados emergentes
Descarte todos os preconceitos de que a inovação é algo que acontece em países ocidentais antes de ser implementado em mercados emergentes. Muitas das inovações de hoje são provenientes desses mercados emergentes, e não inseridas neles. No ambiente de negócios extremamente dinâmico da China há três fatores em jogo que vão levar a uma evolução interessante da inovação estratégica para a sustentabilidade ao longo do tempo.
 
Primeiro, o ambiente competitivo é diferente dos outros, sendo o mais competitivo do mundo no momento. A concorrência leva à inovação, mas não necessariamente à inovação sustentável. No entanto, os chineses estão cada vez mais preocupados com questões ambientais e sociais – pois estão perto dos piores efeitos do comportamento corporativo insustentável.
 
Isso nos leva ao próximo fator: a China enfrenta uma escassez de talentos que possuem competências adequadas para liderar as empresas nesse ambiente competitivo. No entanto, as empresas relatam que seus melhores talentos estão baseando suas escolhas em critérios de sustentabilidade. Sem dúvida, isso também incentivará a inovação estratégica para a sustentabilidade.
 
Por último, embora haja uma grande dose de incerteza regulatória na China, seu novo plano de cinco anos impulsionará o consumo interno, e também incentivará o desenvolvimento de um setor econômico sustentável, inclusive do ponto de vista ambiental. E isso, nas empresas, surtirá efeito sobre os fatores-chave para a inovação sustentável.
 
CLIQUE AQUI para ler a primeira parte do artigo: Contexto empresarial e fatores-chave.
Dra. Aileen Ionescu-Somers é diretora do Centro Global de Liderança Sustentável do IMD (CSL).
Francisco Szekely é professor de Liderança e Sustentabilidade da Sandoz Family Foundation e Diretor do Centro Global para Liderança Sustentável do IMD (CSL).
O Centro Global de Liderança Sustentável do IMD foca principalmente na inovação estratégica para a sustentabilidade através do desenvolvimento do pensamento de liderança relevante, pesquisa e atividades de aprendizagem. Em especial, seu inovador programa “One Planet Leaders “– um esforço colaborativo com a WWF, voltado para o desafio do amanhã de viver dentro dos limites de um só planeta.

Estudo do MIT prova que Sustentabilidade gera Lucro

Boas novas na área de Sustentabilidade foram reveladas com a publicação da terceira edição do Estudo Executivo Global de Sustentabilidade e Inovação, conduzido pelo MIT Sloan Management Review, com o apoio do The Boston Consulting Group. O estudo foi feito com base em pesquisas com gerentes e executivos de companhias, alcançando 4.000 respondentes em 113 países. Entre as boas notícias está a evidência da relação direta entre investimento responsável em sustentabilidade e lucratividade: 33% das empresas participantes da pesquisa já comprovam que este investimento se paga e contribui para a lucratividade. De acordo com a amostra, 70% das empresas já incluiu o tema sustentabilidade em suas agendas permanentes. Em tempos de vacas magras, onde seria esperada uma baixa nestes investimentos, a realidade mostra justamente o contrário: apesar de não figurar entre os itens mais prioritários da agenda (em geral, ficou na oitava posição do ranking geral de prioridades), o tema ganha cada vez mais compromisso e recursos. Esta tendência se verifica em todas as indústrias, embora tenha mais força naquelas mais intensivas no uso de recursos - energia e utilidades, bens de consumo, commodities, químicas e automotivas. Neste tipo de indústria há muita incerteza sobre o futuro das regulamentações ambientais, e algumas empresas estrategicamente já se antecipam na construção de reputação e relacionamento junto a ONGs e governos. Entre as lanternas do ranking, estão as indústrias de tecnologia e serviços, que ainda não percebem sustentabilidade como requisito para competitividade, embora comparativamente a edições anteriores, esta situação é cada vez menos comum. Entre os principais direcionadores externos para o investimento em sustentabilidade figuram a pressão dos clientes por produtos e serviços mais sustentáveis, e os investidores institucionais: •Clientes pessoa-física ainda não estão abertos para pagar mais caro pela sustentabilidade embarcada, mas clientes corporativos já o fazem pela redução de custos futuros; •Investidores institucionais - como universidades e fundos de pensão - têm demandado cada vez mais informações de desempenho em sustentabilidade, aumentando o valor e necessidade de métricas acuradas. Entre os principais benefícios do investimento em sustentabilidade figura claramente a ligação com inovação: •25% dos respondentes indicaram a melhoria da capacidade de inovação em produtos e serviços; •22%, a melhoria dos modelos de negócio e processos de inovação. Esta terceira edição foca sua análise nas características do grupo de empresas que já está lucrando com a sustentabilidade, a quem chamou de "Harvesters" - ou numa tradução livre, os "Semeadores" - representando 31% dos respondentes. Algumas características dos Semeadores: •Têm um business case para sustentabilidade (probabilidade 3x maior) •50% mais provável de terem compromisso do CEO para o tema •Têm um processo de reporting próprio para sustentabilidade (2x) •Têm um executivo designado (CSO, ou Chief Sustainability Officer) e um Comitê próprio (2,5x) •Têm indicadores de desempenho pessoais e operacionaois ligados a sustentabilidade (2x) •Têm maior colaboração com stakeholders dentro e fora da empresa - incluindo clientes e fornecedores Os Semeadores evidenciam o sucesso potencial do investimento em sustentabilidade para os concorrentes. E mudam o ambiente competitivo em que operam. Outro aspecto importante é que a mudança por eles empreendida é mais estrutural (novas estratégias e modelos operacionais) do que apenas incremental (como ações individuais para redução de carbono, consumo de energia ou compliance regulatório). Evidenciou-se também que os que adotaram práticas sustentáveis principalmente como resposta a riscos regulatórios, e não necessariamente transformando seus processos de negócio, não capturaram benefícios para a lucratividade decorrentes destas ações. Quanto mais se adia a inclusão da sustentabilidade na agenda de gestão, maior o risco de fazê-lo por uma questão de compliance regulatório. Portanto, está provado que é possível e real a capacidade de realizar lucros a partir do investimento responsável e comprometido em sustentabilidade. E isso vai bastante além de melhorar a comunicação, estreitar o relacionamento, e gerenciar riscos e reputação. O relatório está disponível mediante solicitação, em formato digital e gratuito no website da MIT Sloan Management Review (em inglês). Vale a pena conferir, além do texto integral também os gráficos interativos com o perfil das respostas e análises por tema. PUBLICADO NO BLOGG THINKING biz

Sustentabilidade: adjetivo ou substantivo?

 Leonardo Boff (*)
É de bom tom hoje falar de sustentabilidade. Ela serve de etiqueta de garantia de que a empresa, ao produzir, está respeitando o meio ambiente. Atrás desta palavra se escondem algumas verdades mas também muitos engodos. De modo geral, ela é usada como adjetivo e não como substantivo.

Explico-me: como adjetivo é agregada a qualquer coisa sem mudar a natureza da coisa. Exemplo: posso diminuir a poluição química de uma fábrica, colocando filtros melhores em suas chaminés que vomitam gases. Mas a maneira com que a empresa se relaciona com a natureza donde tira os materiais para a produção, não muda; ela continua devastando; a preocupação não é com o meio ambiente mas com o lucro e com a competição que tem que ser garantida. Portanto, a sustentabilidade é apenas de acomodação e não de mudança; é adjetiva, não substantiva.

Sustentabilidade, como substantivo, exige uma mudança de relação para com a natureza, a vida e a Terra. A primeira mudança começa com outra visão da realidade. A Terra está viva e nós somos sua porção consciente e inteligente. Não estamos fora e acima dela como quem domina, mas dentro como quem cuida, aproveitando de seus bens mas respeitando seus limites. Há interação entre ser humano e natureza. Se poluo o ar, acabo adoecendo e reforço o efeito estufa donde se deriva o aquecimento global. Se recupero a mata ciliar do rio, preservo as águas, aumento seu volume e melhoro minha qualidade de vida, dos pássaros e dos insetos que polinizam as árvores frutíferas e as flores do jardim.

Sustentabilidade, como substantivo, acontece quando nos fazemos responsáveis pela preservação da vitalidade e da integridade dos ecossistemas. Devido à abusiva exploração de seus bens e serviços, tocamos nos limites da Terra. Ela não consegue, na ordem de 30%, recompor o que lhe foi tirado e roubado. A Terra está ficando, cada vez mais pobre: de florestas, de águas, de solos férteis, de ar limpo e de biodiversidade. E o que é mais grave: mais empobrecida de gente com solidariedade, com compaixão, com respeito, com cuidado e com amor para com os diferentes. Quando isso vai parar?

A sustentabilidade, como substantivo, é alcançada no dia em que mudarmos nossa maneira de habitar a Terra, nossa Grande Mãe, de produzir, de distribuir, de consumir e de tratar os dejetos. Nosso sistema de vida está morrendo, sem capacidade de resolver os problemas que criou. Pior, ele nos está matando e ameaçando todo o sistema de vida.

Temos que reinventar um novo modo de estar no mundo com os outros, com a natureza, com a Terra e com a Última Realidade. Aprender a ser mais com menos e a satisfazer nossas necessidades com sentido de solidariedade para com os milhões que passam fome e com o futuro de nossos filhos e netos. Ou mudamos, ou vamos ao encontro de previsíveis tragédias ecológicas e humanitárias.

Quando aqueles que controlam as finanças e os destinos dos povos se reúnem, nunca é para discutir o futuro da vida humana e a preservação da Terra. Eles se encontram para tratar de dinheiros, de como salvar o sistema financeiro e especulativo, de como garantir as taxas de juros e os lucros dos bancos. Se falam de aquecimento global e de mudanças climáticas é quase sempre nesta ótica: quanto posso perder com estes fenômenos? Ou então, como posso ganhar comprando ou vendendo bônus de carbono (compro de outros países licença para continuar a poluir)? A sustentabilidade de que falam não é nem adjetiva, nem substantiva. É pura retórica. Esquecem que a Terra pode viver sem nós, como viveu por bilhões de anos. Nós não podemos viver sem ela.

Não nos iludamos: as empresas, em sua grande maioria, só assumem a responsabilidade socioambiental na medida em que os ganhos não sejam prejudicados e a competição não seja ameaçada. Portanto, nada de mudanças de rumo, de relação diferente para com a natureza, nada de valores éticos e espirituais. Como disse muito bem o ecólogo social uruguaio E. Gudynas: “a tarefa não é pensar em desenvolvimento alternativo, mas em alternativas de desenvolvimento”.

Chegamos a um ponto em que não temos outra saída senão fazer uma revolução paradigmática, senão seremos vítimas da lógica férrea do Capital que nos poderá levar a um fenomenal impasse civilizatório.

(*) Leonardo Boff é teólogo e escritor.
(Carta Maior)

A economia verde e as organizações

DCI Opinião
Ricardo Guggisbergé gestor da MES Eventos

Conceitos como negócios sustentáveis e economia verde nunca estiveram tão na moda. Hoje, mais do que nunca, executivos de empresas dos mais variados portes estão cientes da necessidade de desenvolver sistemas de produção que levem em conta o impacto de suas ações no meio ambiente. O planeta sai ganhando com essa tomada de consciência. A população sai ganhando com esse despertar. Mas e as empresas? Levam o que, com isso? - A pergunta pode soar indecente para alguns. Fora de lugar para outros. Inadequada para a maioria. Afinal, é um absurdo colocar a manutenção das condições naturais que garantem nossa existência no mesmo prato da balança que dinheiro, resultados financeiros e congêneres.

Ok, no melhor dos mundos a preservação da biosfera seria, realmente, razão suficiente para empreender transformações de qualquer tipo. Mas, infelizmente, vivemos no mundo real. E no mundo real, a necessidade de lucro ainda dá as cartas no universo corporativo.

Não queremos, com isso, afirmar que outro mundo não seja possível, ou desencorajar mudanças. Muito pelo contrário. Inúmeras pesquisas mostram que é viável atuar de forma ambientalmente responsável sem deixar de ser competitivo.

Mais do que isso: levantamentos apontam que alinhar as companhias a critérios sustentáveis de produção agrega valores às marcas, garantindo inserção em nichos de mercado relativamente novos, pouco explorados e com imenso potencial de expansão.

Claro que ninguém está falando, definitivamente, em sacrificar o faturamento dos negócios em nome de uma causa nobre. Longe disso. Assumir, verdadeiramente, uma postura mais "verde" na realidade é estar de acordo com um discurso que ganha força na atualidade e uma ideologia que conquista mais adeptos a cada dia.

E qualquer um com o mínimo de conhecimento sobre mercado sabe que estar alinhado com os anseios do cliente, ainda que latentes, é uma das principais regras para se dar bem nesse jogo. Trocadilhos à parte, há muitas notas verdes mundo afora, ansiosas para serem gastas com organizações atentas a tais demandas.

Prova disso são os números revelados por uma pesquisa do Instituto Akatu sobre a percepção dos consumidores brasileiros com relação à responsabilidade social nas empresas. Segundo o levantamento, que ouviu moradores de 12 regiões metropolitanas do País, nos últimos quatro anos o número de pessoas que adotaram hábitos consistentes de consumo consciente aumentou em 5%. Embora em termos percentuais o número possa parecer pequeno, na prática são cerca de 500 mil brasileiros que passaram a valorizar empresas com práticas sustentáveis.

Outro ponto da pesquisa que merece destaque é a percepção de que consumidores que desenvolvem um grau mais elevado de consciência em seu consumo tendem a preservar esse comportamento. Ou seja, ao contrário do que muitos dizem, o consumo consciente não é uma moda passageira. Essa postura mais atenta por parte da população veio para ficar e tende a se expandir.

Esse fenômeno não é privilégio do Brasil. Um outro levantamento realizado pela consultoria Kantar Worldpanel nas 16 maiores cidades da América Latina mostrou que 76% dos consumidores estariam dispostos a pagar mais caro por produtos ambientalmente responsáveis.

O desenvolvimento de novas tecnologias com o objetivo de tornar os processos mais sustentáveis, as chamadas greenovations, são exemplo claro e atual de que ganhos financeiros e ambientais não precisam ficar eternamente em lados opostos do balcão.

É cada vez mais comum encontrar companhias que se dedicam a elaborar novas formas de trabalhar a fim de melhorar seu desempenho sustentável e, de quebra, aumentar os lucros. Maneiras inovadoras de obtenção de energia alternativa, reutilização de resíduos, redução do desperdício de combustíveis, melhoria dos processos agrícolas e de produção de alimentos, utilização de materiais mais eficientes na construção civil e criação de sistemas de conservação de energia melhores são só algumas das ações desenvolvidas hoje por corporações ao redor do mundo com o objetivo de reduzir indicadores como a pegada carbônica, por exemplo.

Mais do que trabalhar de forma ambientalmente responsável, a existência de projetos como esses prova que é possível alinhar-se ideologicamente a uma sociedade que reconhece a necessidade de "esverdear" a economia, sem colocar em risco a saúde financeira das instituições.

O aparecimento dessa terceira via representa uma mudança importante nos paradigmas que norteiam os negócios na atualidade. Trabalhar de forma sustentável tem deixado de ser uma exigência de ambientalistas e se mostrado um bom negócio.

Estamos todos ligados. As diretrizes que norteiam o modo de produzir são um reflexo da sociedade sobre a qual elas se apoiam. A sociedade é um reflexo das pessoas que a compõem. As pessoas estão mudando. Diante disso, quanto antes as corporações reconhecerem esse novo cenário que se configura, maior margem de manobra terão para assumir um papel privilegiado na disputa por fatias mais generosas do mercado. O bonde da história já está passando. Não perca a oportunidade de participar desse futuro.

Empresas na “corrida ao crescimento verde”

09.01.2011

Helena Geraldes
Oitocentas empresas mundiais estão a redefinir a sua estratégia até 2020, apostando na sustentabilidade, no que é visto como um factor de diferenciação para os consumidores, segundo um estudo das Nações Unidas.

Os últimos tempos não têm sido fáceis para as grandes empresas, desde instituições bancárias a companhias petrolíferas, passando por fabricantes de automóveis. Primeiro a crise económica e depois episódios como a maré negra no golfo do México têm arrasado a confiança de consumidores nas grandes marcas.

“A confiança é o recurso mais escasso para as empresas”, sublinhou Bruno Berthon, director dos Serviços de Sustentabilidade da Accenture, na 10.ª conferência anual BCSD Portugal, que decorreu em Setembro de 2010 no Centro de Congressos do Estoril.

Na última década, várias empresas têm identificado uma nova oportunidade de negócio que lhes permite poupar recursos, dar cartas na inovação tecnológica e recuperar a confiança dos consumidores: a sustentabilidade. Querem ganhar esta “corrida” num horizonte que vai dos cinco aos 20 anos. “Acabaram-se os imperativos morais para ser amigo do Ambiente. Hoje, a sustentabilidade passou a ser um factor de diferenciação para os consumidores”, acrescentou Berthon.

Nunca como agora foi tão grande a crença das multinacionais nos benefícios da sustentabilidade, asseguram os autores do estudo "A nova era da sustentabilidade", da plataforma das Nações Unidas Global Compact – que reúne empresas comprometidas com dez princípios nas áreas de direitos humanos, trabalho, ambiente e anticorrupção – e a Accenture, divulgado no final de Junho. Dos 800 presidentes dos conselhos de administração (CEO) inquiridos no estudo, de 25 sectores de actividade em mais de cem países, 93 por cento afirmou que a sustentabilidade será fundamental para o futuro sucesso das suas empresas. Há três anos, essa percentagem era de apenas 51 por cento. Alfredo Sáenz, CEO do Santander, chama ao momento “a tempestade perfeita para a indústria”. Na verdade, 80 por cento dos CEO considera que a crise aumentou a importância da sustentabilidade no topo da agenda das empresas. Apenas 12 por cento reconheceu que reduziu o investimento em produtos mais “verdes”.

No mapa mundial, as regiões onde as empresas citam a sustentabilidade como muito importante para o seu sucesso futuro são a América Latina (78 por cento) e África (60 por cento). Na Europa, a percentagem é de 48 por cento.

Tendência já está lançada

Bruno Berthon viajou por dezenas de países e entrevistou, cara a cara, dezenas de CEO para lhes perguntar o que pensam da sustentabilidade. “Nas entrevistas todos começaram por dizer que a sustentabilidade é muito importante”, contou o especialista francês. É claro que nem todas as empresas estão a fazer aquilo que dizem querer fazer. Mas Bruno Berthon disse, em entrevista ao PÚBLICO, que está optimista. “Ainda estamos na turbulenta fase da ‘adolescência’, estamos só no começo. Mas a verdade é que as empresas decidiram não esperar pelas orientações dos governos sobre como fazer as coisas. A falta de vontade política tem sido uma decepção. As empresas estão a reagir de forma pragmática e pró-activa, definindo os seus próprios padrões”, contou. “Hoje, os CEO estão a ligar a sustentabilidade ao valor da sua empresa, inovam, têm programas energéticos, dão formação aos seus funcionários e começam a avaliar a realidade do seu compromisso.”

Ainda que “todas as empresas tenham a possibilidade de ser, mais ou menos, sustentáveis”, Berthon referiu, como exemplo, o caso da Siemens. “Em 2009, o portfólio de produtos e serviços ‘verdes’ desta empresa gerou receitas de 23 mil milhões de euros, ou seja, cerca de um terço das receitas anuais totais”. Segundo o estudo da ONU, em 2009, a Siemens ajudou os seus clientes a reduzir cerca de 210 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o equivalente ao total das emissões de Berlim, Londres, Munique, Nova Iorque e Tóquio.

Nesse mesmo ano, a Royal Phillips Electronics atingiu 31 por cento de receitas de produtos “verdes”, representando 7,2 mil milhões de euros. Em 2015 espera que essa percentagem suba para os 50 por cento.

Mas este movimento sustentável só é possível, lembrou Berthon, porque os consumidores mudaram. “Aquilo que era um subsegmento, o dos consumidores ecologistas obsessivos, acabou. Hoje, qualquer consumidor procura marcas com impactos positivos no Ambiente, na saúde e na sociedade”.

A mudança de mentalidades dos CEO explica-se ainda pelos efeitos de “políticas globais fortes, pelo discurso de pessoas tidas como líderes, como Al Gore ou Barack Obama, pelos preços da energia, por uma consciência global crescente”, comentou. “Vamos falar com os CEO e os governos para saber onde estão as lacunas e o que estão a fazer para as colmatar. Ainda há muito que está por fazer. É preciso inventar um novo futuro”, disse.

Segundo pesquisa, 70% das empresas investirão mais em sustentabilidade

Cancún (México), 7 dez (EFE).- Um total de 70% das empresas com faturamento superior a US$ 1 bilhão garante que aumentará seus investimentos em sustentabilidade e mudança climática entre 2010 e 2012, segundo uma pesquisa com 300 executivos, realizada pela Ernst & Young.

Em declarações à Agência Efe, o responsável em mudança climática da empresa de consultoria, o ex-ministro espanhol Juan Costa, explicou que a maioria das companhias que estão participando de encontros paralelos à cúpula de Cancún sobre mudança climática estão dispostas a mudar sua maneira de fazer negócios.

Em sua opinião, as expectativas colocadas na reunião mexicana são muito elevadas, e defendeu a necessidade de que o G20, que representam 80% da economia mundial e 65% da população, seja o grupo por cuidar das linhas básicas dos acordos sobre mudança climática.

De acordo com a pesquisa, de 70% das empresas que preveem aumentar seus investimentos em sustentabilidade, metade afirma que dedicará entre 0,5% e 5% de sua renda nesta área, ou seja, entre US$ 5 e US$ 50 milhões ao ano por companhia.

Na maioria dos casos, os investimentos serão destinados à melhora da eficiência energética, seguido do desenvolvimento de novos produtos. EFE

Para empresários, sustentabilidade é sinônimo de oportunidades

Representantes da Natura e do Boticário afirmam que setor privado deve "abraçar a bandeira verde" para sobreviver na nova economia



São Paulo - Estimular o crescimento com sustentabilidade não é apenas um desafio para os governos mundiais, mas uma pauta inadiável nas agendas das principais companias. Poucas, entretanto, são as que incorporam o pensamento verde nos seus modelos de negócio. "Há muita incoerência entre o que é dito e o que é feito”, afirma Malu Nunes, gerente de Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade do Grupo Boticário.

Sustentabilidade aumenta valor de mercado em até 4%, diz estudo

Plantão Publicada em 25/10/2010 às 20h39m

Reuters/Brasil Online
SÃO PAULO (Reuters) - Projetos socioambientais aumentam em até 4% o valor de mercado das empresas, segundo um levantamento da consultoria espanhola Management & Excellence divulgado nesta segunda-feira.

A conclusão foi feita com base nos resultados de uma metodologia que cruza números de capitalização de mercado de empresas listadas no Dow Jones Sustainability Index World (DJSI) e no MSCI.

O DJSI, da Bolsa de Nova York, abrange 317 empresas de vários setores e regiões do planeta, selecionadas de acordo com o desempenho em 100 assuntos ligados a sustentabilidade. Já o MSCI, que tem na carteira algumas das maiores empresas abertas do mundo, não considera questões sobre o assunto.

As empresas também foram submetidas a uma avaliação de desempenho em 500 critérios em sustentabilidade, responsabilidade socioambiental, transparência e governança corporativa, escolhidos pela consultoria.

"O estudo apontou uma performance superior das empresas mais bem sucedidas nesses itens", disse à Reuters Bill Cox, presidente da M&E.

A consultoria ainda mediu os resultados práticos de projetos de sustentabilidade e detectou que o fluxo de caixa livre das empresas avaliadas ficou acima da média de suas concorrentes e que sua eficiência interna era superior.

Em totais, os investimentos feitos por essas empresas em treinamentos online para funcionários, por exemplo, renderam até 1.800% em um ano.

Um exemplo do resultado da aplicação desse método no Brasil, segundo a M&E, foi o Bradesco, que investiu R$ 380,6 milhões em projetos do setor no ano passado.

Segundo Angelica Blanco, diretora da M&E, o valor de mercado do banco foi incrementado em R$ 3,91 bilhões (3,8% do valor de mercado, com base nos números de 2009), devido aos resultados de projetos ligados a sustentabilidade.

"É um método estável de determinar o retorno exato de investimentos em sustentabilidade no fluxo de caixa livre da empresa", disse Angelica.

Licitação verde: sustentabilidade ambiental na aquisição de bens e serviços pela administração pública

Elaborado em 10/2010.
Katiane da Silva Olivei 
A Lei n° 8.666/93 – Lei de Licitações e Contratos, originalmente, não se preocupou em prevê critérios ambientais para orientar a compra de bens ou contratação de serviços pela Administração Pública. Pautava-se, basicamente, em garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a seleção da proposta mais vantajosa (menor preço) para a Administração. Posteriormente, foi incluído como objetivo da licitação, pela Medida Provisória n° 495/2010, a promoção do desenvolvimento social.

Em 19 de janeiro de 2010 foi publicada a Instrução Normativa SLTI/MP n° 01, que dispõe sobre critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de serviços ou obras pela Administração Pública Federal.

Veja o que dispõe os arts. 1° a 3° da IN SLTI/MP n° 01/2010, in verbis:

Art. 1º Nos termos do art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, as especificações para a aquisição de bens, contratação de serviços e obras por parte dos órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverão conter critérios de sustentabilidade ambiental, considerando os processos de extração ou fabricação, utilização e descarte dos produtos e matérias-primas.

Art. 2º Para o cumprimento do disposto nesta Instrução Normativa, o instrumento convocatório deverá formular as exigências de natureza ambiental de forma a não frustrar a competitividade.

Art. 3º Nas licitações que utilizem como critério de julgamento o tipo melhor técnica ou técnica e preço, deverão ser estabelecidos no edital critérios objetivos de sustentabilidade ambiental para a avaliação e classificação das propostas.

Adotou-se, portanto, a tendência contemporânea de preocupação com os interesses difusos, e em especial com o meio ambiente.

A noção de sustentabilidade ambiental é baseada na necessidade de se garantir a disponibilidade dos recursos da Terra hoje, assim como para as gerações futuras.

As licitações verdes [01] correspondem a uma forma de inserção de critérios ambientais e sociais nas compras e contratações realizadas pela Administração Pública, priorizando a compra de produtos que atendem critérios de sustentabilidade, como facilidade para reciclagem, vida útil mais longa, geração de menos resíduos em sua utilização, e menor consumo de matéria-prima e energia. Para isso, é considerado todo o ciclo de fabricação do produto, da extração da matéria-prima até o descarte. [02]

Novo consumidor quer produtos sustentáveis

"...Roberto Müller: O que representa sustentabilidade na cabeça do consumidor?


Marcos Gouvêa de Souza: Esse foi o ponto de partida das nossas preocupações. O tema sustentabilidade vem sendo de fato muito explorado. É presença constante na mídia e nos interessou muito discutir que impacto isso tem e terá no comportamento do consumidor: nos seus hábitos, nas suas atitudes, nas suas preferências. Nós temos um evento anual, que é o fórum de varejo da América Latina, que é considerado, do ponto de vista estratégico, o evento mais relevante que se faz na América Latina no setor de varejo. E este ano ele ocorreu nos dias 19 e 20 de outubro no hotel Transamérica, em São Paulo. Para tema central deste ano foi eleita a sustentabilidade. Para que não ficássemos no plano das opiniões, nós desenvolvemos uma pesquisa que envolveu 17 países -como Índia, Japão, EUA, Inglaterra, França, Espanha, México, Portugal, Chile e Turquia, entre outros- para entender como o consumidor vê o tema da sustentabilidade e como essa sua percepção e seu entendimento geram mudanças no seu comportamento e como isso é diferente do que ele fazia anteriormente. Nós estamos na fase de análise da pesquisa e é muito interessante perceber, em primeiro lugar, como sustentabilidade quer dizer tudo e quer dizer nada ao mesmo tempo. Porque é um tema que ainda é hermético para o consumidor. O outro aspecto que nós identificamos é que existe uma curva de aprendizagem e uma curva de maturidade daquilo a que chamamos de metaconsumidor. O metaconsumidor seria aquele consumidor que, além do benefício econômico, tem uma preocupação adicional com a origem desse produto, e nós percebemos que o primeiro momento dessa curva de aprendizagem é o estágio da sensibilidade. "Eu estou ouvindo falar nesse tema, e repito coisas mesmo que eu não entenda nenhuma profundidade sobre o significado real de tudo isso", é o que pensa o consumidor nessa fase, que é um estágio que estamos vivendo de forma ampla no mercado hoje. O estágio final -nós identificamos cinco estágios- é o estágio da advocacia em relação ao tema, que é quando ele se torna um defensor e o seu comportamento é fortemente influenciado pelo que ele percebe e pelo que ele comprova em relação a isso. E o outro aprendizado que temos nesse processo, usando os dados de uma pesquisa que foi feita nos EUA: o consumidor norte-americano aceita pagar uma média ponderada de até 6% a mais em um produto quando ele percebe benefícios ligados a consumo consciente, sustentabilidade. Esse estudo, estamos fazendo pela primeira vez no Brasil, e vamos ter esta medida a partir de agora, além de repetir este estudo a cada dois anos. A predisposição de pagar um pouco mais ainda é pequena, mas a atitude de rejeição é muito mais forte.

Márcio Rodrigues: A pesquisa foi feita em diversos países, alguns desenvolvidos, outros, emergentes. Há uma diferença muito grande de percepção de sustentabilidade dentro destes dois polos?

Marcos Gouvêa de Souza: a hipótese que nós temos trabalhado é de que essa consciência e atitudes ligadas a sustentabilidade são fortemente impactadas por variáveis e, de uma forma ou de outra, acabam definindo o nível socioeconômico do País. O nível de educação, a maturidade do consumidor, a competitividade do mercado, a renda per capita. Então, esses elementos acabam determinando, mais do que o nível econômico do país, o socioeconômico, e acabam criando as diferenças.

Milton Paes: No Brasil, apesar de toda a desigualdade há outras questões que contam. Na bolsa de valores, esse novo mercado é um paradigma sobre a empresa ser sustentável. É verdade a afirmação de que as empresas mais preocupadas com a questão da sustentabilidade passam a ter cada vez mais valor de mercado?

Marcos Gouvêa de Souza: Sem dúvida nenhuma passam a ter maior valor de mercado, o mercado já está reconhecendo. A dimensão com que isso merecia ser considerado eu não saberia dizer ainda, mas é inegável que o volume de informações que se disponibilizam, o processo de informação que tem acontecido e o fato de que alguns fundos internacionais, por exemplo, têm hoje de avaliar práticas ligadas a sustentabilidade antes de definir em quais empresas investirão, faz com que se comece a desenhar uma nova realidade de mercado. São justamente esses os aspectos que nós estamos querendo trazer para discussão, para que se veja de forma mais abrangente o impacto da sustentabilidade nos negócios, não só a partir do que nos parece vital, que é o comportamento do consumidor, mas, de fato, e até de maneira mais abrangente, quais movimentos econômicos e de negócios isso precipita. "... ( continua)

Acesse aqui a entrevista na integra.

Jornada discute estratégias de governança corporativa nas empresas de saúde

Dom, 03 de Outubro de 2010 15:15 Larissa Verdier
NOTÍCIAS - Saúde


Sustentabilidade está na moda e é essencial. Não só no sentido ambiental do termo, mas também no que diz respeito à gestão empresarial.

A opinião foi consenso entre Pedro Meloni, Principal Adivisor do IFC, setor privado do Banco Mundial, Márcio Coriolano, Presidente da Bradesco Saúde, Otto Philipp Braun, Presidente da B. Braun Brasil, Andrés Cima, Diretor de Negócios Corporativos da Johnson & Johnson, e Francisco Balestrin, Vice-presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados. Todos participaram do painel sobre governança corporativa da 10ª Jornada Pronep, dia 27 de setembro, moderado Alfredo Cardoso, Diretor da Agência Nacional de Saúde.

Nike e GreenXchange: inovação aberta pela sustentabilidade

Com: Atitude
08.26.2010

Nos últimos anos, a Nike passou a utilizar em seus tênis um composto de borracha com 96% menos toxinas em comparação à borracha tradicional. Além disso, depois de dez anos de trabalho, em 2006, substituiu um gás nocivo que preenchia as zonas de amortecimento dos pares por um sistema a ar. Em relação à destinação de materiais, a empresa detém importante conhecimento para minimizar impactos.

Imagine o que ocorreria se ela mostrasse o que sabe para mais companhias – mesmo que concorrentes – e o que ocorreria depois da troca de ideias resultante desta conexão. As fabricantes não precisariam partir do zero para inovar em produção sustentável, poupando tempo e dinheiro. Além disso, estimulariam a descoberta de novas soluções.

Isto já ocorre e tem nome: GreenXchange (GX). A Nike lidera desde o início do ano um grupo de dez empresas interessadas em compartilhar patentes em torno de novas tecnologias que reforcem padrões sustentáveis de produção. De acordo com o diretor executivo da fabricante, Mark Parker, o projeto reflete a crença de que o melhor caminho para a inovação sustentável passa pela inovação aberta, uma vez que os problemas vinculados ao tema são fundamentais não apenas para a sobrevivência de uma empresa, mas de todas.

Integram o GX companhias do porte de Yahoo, Best Buy, Mountain Equipment Co-op, entre outras. Elas disponibilizam a propriedade intelectual numa plataforma tecnológica desenvolvida pela organização Creative Commons. Já estão disponíveis na internet, por exemplo, cinco pesquisas da Nike com borracha, que podem ser aproveitadas até na fabricação de pneus. No entanto, apenas as integrantes têm acesso. Elas podem escolher entre divulgar seu conhecimento para uso acadêmico ou aplicação comercial mediante o pagamento de uma taxa.

Segundo a Nike, o GX foi incubado com a ajuda de Don Tapscott, co-autor do livro Wikinomics. Na opinião dele, faz sentido para as empresas compartilhar propriedade intelectual do ponto de vista comercial. Ao aplicar inovação aberta à sustentabilidade, o grupo contribui para o controle de custos e competitividade dos integrantes.

Esta não é a primeira proposta colaborativa na busca de modelos mais eficientes. Joel Makower, autor de A Economia Verde, lembra em artigo ao site GreenBiz.com que, em 2008 a IBM, Nokia, Pitney-Bowes e Sony criaram o Eco-Patent Commons, que reuniu patentes em novas tecnologias e processos.

Makower acredita que, se funcionar, o GX pode estimular e acelerar a inovação verde. Algumas empresas se dedicam à propriedade intelectual e ajudam a alavancar a criatividade e o sucesso de outras. O projeto pode oferecer também um novo modelo capaz de reconhecer em determinado setor algo que pode ser aplicado, de forma diferente, em outra indústria. Para Makower, cada aplicação gera valor para todos os participantes.

O professor de responsabilidade social e ambiental da ESPM, Mauricio Turra, destaca que o principal ganho da marca é a melhoria da percepção diante dos consumidores, uma vez que coloca em prática – e de forma inovadora – um modo de enxergar o contemporâneo. Ao liderar o grupo, a Nike se diferencia das adversárias: além de possuir tecnologias específicas, ela atrai o consumidor pela valorização da própria marca por meio da associação consistente junto à causa.

No passado, a notícia sobre o uso de mão-de-obra escrava na fabricação de calçados causou má impressão. Porém, o professor Turra ressalta que a empresa percebeu seu potencial e adotou postura diferente e passou a envolver de forma intensa desde a equipe de desenvolvimento de produtos até os executivos. Isto demonstra, para ele, convicção em reduzir impactos negativos, uma vez que se cria uma nova cultura no âmbito interno, posteriormente desdobrada em ações como o GX.

Mauricio Turra não vê problemas no fato de as companhias divulgarem segredos de seus negócios porque os benefícios também são divididos entre elas. A obtenção do ganho em escala com vistas ao uso racional de recursos envolve também a concorrência.

Ao incentivar o intercâmbio de tecnologias entre indústrias e organizações da própria cadeia, a Nike demonstra que a apropriação da sustentabilidade como causa aponta para duas tendências: primeiramente, trata-se de um tema indissociável das práticas de negócio; e, por fim, é uma questão que transcende as paredes de uma determinada companhia e mostra-se como problemática transversal, percorrendo todos os setores produtivos.

Accor lança relatório de sustentabilidade na Am. Latina >>> Panrotas

A Accor lançou o primeiro relatório das atividades sustentáveis na América Latina, as quais foram iniciadas em 2002. A publicação, que teve o editorial assinado pelo CEO da rede na região, Roland de Bonadona, detalha em 61 páginas as principais iniciativas do Earth Guest, programa cujo objetivo é organizar a abordagem de responsabilidade social corporativa da empresa, dividida em oito áreas: quatro relacionadas às pessoas (desenvolvimento local, proteção à infância, luta contra epidemias e alimentação balanceada), sob o nome de Ego, e quatro relacionadas ao meio ambiente (energia, água, lixo e biodiversidade) - chamada de Eco.
“A elaboração de nosso relatório permite vermos com clareza em que momento estamos com relação às nossas atividades de sustentabilidade, o quanto já fizemos e também quais serão nossas diretrizes no futuro", explicou a gerente de Comunicação Corporativa e Desenvolvimento Sustentável para a América Latina da rede, Antonietta Varlese.

INCENTIVO

Para inserir os clientes na política de preservação ambiental, a Accor lançou o Plant for the Planet, iniciativa pela qual a rede planta uma árvore a cada cinco toalhas reutilizadas pelos hóspedes.

O plantio é feito nas margens do rio São Franciso, em Minas Gerais. “Além da escolha da localização, o Plant for the Planet, por meio da ONG Nordesta, também forma a população local para um uso sustentável da madeira e incentiva a apicultura como forma de complemento da renda das populações ribeirinhas", detalhou Antonietta.

Desde janeiro de 2009, já foram plantadas 33 mil árvores. "Nosso desafio está em contar com o apoio dos hóspedes na reutilização das toalhas e também das camareiras, que fazem a contagem das toalhas, além dos proprietários das terras nas quais fazemos o plantio", concluiu ela.

Grupo Petrópolis e Reflorestamento >>> Monitor Mercantil

O Grupo Petrópolis - dono das marcas Crystal, Lokal, Itaipava, TNT, Black Princess e Petra - atinge o número de 271.950 mudas de árvores nativas plantadas.


O plantio faz parte de uma série de ações voluntárias em prol do meio ambiente, pertencentes ao Projeto AMA - Área de Mobilização Ambiental. A AMA está presente nas quatro unidades fabris, localizadas em Petrópolis e Teresópolis no estado do Rio; em Boituva (SP); e em Rondonópolis (MT). Ao final do projeto, estima-se que as 1,1 milhão de arvores plantadas somadas as matas preservadas irão retirar cerca de 85 mil toneladas de CO2 da atmosfera e reter 36 bilhões de litros de água por ano. O projeto de reflorestamento está orçado em R$10 milhões.


Nas áreas de reflorestamento das cidades de Teresópolis e Petrópolis, foram criadas trilhas ecológicas educativas, aproveitando-se as paisagens privilegiadas de Mata Atlântica, uma verdadeira aula ambiental interativa.


A inauguração das trilhas aconteceu em março de 2010, contando com a participação de 110 pessoas, entre estudantes e professores da rede pública de ensino.


- A preservação do meio ambiente é uma questão de responsabilidade, especialmente, de vida para as gerações futuras - afirma Agostinho Gomes da Silva, diretor do Grupo Petrópolis.

Grupo Petrópolis vai plantar um milhão de mudas

Reflorestamento permitirá a retirada de mais de 85 mil toneladas de CO2 da atmosfera

O Grupo Petrópolis – terceiro maior do setor no país, dono das marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal, Black Princess e TNT – vai plantar, nos próximos três anos, cerca de 1,1 milhão de mudas de árvores nativas nas cidades de Petrópolis (RJ), Teresópolis (RJ), Boituva (SP) e Rondonópolis (MT), onde possui fábricas.O plantio faz parte de uma série de ações em prol do meio ambiente, que deram origem ao projeto AMA – Área de Mobilização Ambiental.

Ao final do projeto estima-se que as novas árvores retirarão da atmosfera cerca de 85 mil toneladas de CO2 e terá a retenção de 36 bilhões de litros de água por ano, entre áreas reflorestadas e florestas existentes. As cidades de Teresópolis e Petrópolis, primeiras contempladas com o plantio, já receberam 120 mil e 24 mil mudas, respectivamente. Ainda, nestes dois municípios, estão previstos a construção de centros de educação ambiental e a criação de trilhas ecológicas utilizando-se traçados históricos já existentes.

O projeto, que está orçado em R$10 milhões, faz parte do plano de sustentabilidade da empresa que assume compromissos com a sociedade, as comunidades em que atua e seus colaboradores. “A preservação do meio ambiente é uma questão de responsabilidade e, especialmente, de vida para as gerações futuras”, afirma Agostinho Gomes da Silva, diretor do Grupo Petrópolis.

Sobre o Grupo Petrópolis
Fundado em 1994, o Grupo Petrópolis - que produz as marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal, Black Princess e TNT – é o terceiro maior fabricante de cervejas do país. Nesses anos, a empresa tem ampliado sua participação no mercado, por meio de investimentos na qualidade de seus produtos e em equipamentos com tecnologia de ponta, mão-de-obra especializada, além da implementação de uma eficiente rede de distribuição.

Sol Meliá indexa bonus de executivos à sustentabilidade ambiental >>> Turisver-Portugal

Os executivos da Sol Meliá, incluindo directores de hotéis, verão parte dos seus bónus variáveis indexados à “performance” de sustentabilidade ambiental.

A medida está anunciada no relatório anual de sustentabilidade do grupo, e prevê que este ano os bónus variáveis dos executivos da Sol Meliá sejam indexados em 5 % à sustentabilidade no caso da sede e escritórios (com 5 % adicionais no caso de medidas com maior impacto estratégico), e em 10 % nos hotéis e resorts, com metade indexada ao cumprimento do Manual de Desenvolvimento Sustentável da cadeia hoteleira, e metade à poupança de água e energia. Segundo informação da Sol Meliá, a medida irá ser aplicada em mais de 90 % dos seus hotéis e resorts.

Recorde-se que no ano passado a Sol Meliá foi certificada pelo Instituto de Turismo Responsável (Unesco) como “cadeia hoteleira da biosfera”, pelo seu compromisso com a preservação ambiental, no que foi a primeira. A Sol Meliá é também membro da FTSE4Good Ibex, bolsa espanhola de investimento responsável.
N.A.

Feicorte 2010, a feira da pecuária de corte sustentável //// Portal Fator Brasil

De 15 a 19 de junho [terça a sábado] , a pecuária brasileira e do Exterior estarão voltadas para a Feicorte 2010 – 16ª Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, que será realizada no Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista. Maior evento indoor do setor, referência no País e no mundo, escolheu a sustentabilidade como tema central.

Décio Ribeiro dos Santos, diretor do Agrocentro, estima a presença de mais de 25 mil visitantes nacionais e estrangeiros. O destaque desta edição é o Brahman que terá seu estande montado no Pavilhão de Sustentabilidade Brahman World. No local, serão realizados os julgamentos da raça em uma pista exclusiva, de 806 metros quadrados. Nesse espaço, grandes empresas do agronegócio mostrarão novidades e iniciativas direcionadas à sustentabilidade.

A feira vai reunir em 50.000 metros quadrados cerca de 4.000 animais de 20 raças de corte, de criatórios de todo o Brasil, dentre estas, as raças Brahman, Nelore (padrão e mocho), Santa Gertrudis, Sindi, Tabapuã, Canchim, Limousin, Simental, Simbrasil, Angus, Bonsmara, Caracu, Senepol, Wagyu, Guzerá, Brangus, Hereford e Braford.

Além de julgamentos, estão agendados 12 leilões com oferta de genética de ponta. Destes, um é de cavalos da raça Árabe e os demais, de gado de corte das raças Angus, Brahman, Simental, Simbrasil, Guzerá, Hereford, Braford, Nelore, Guzerá e Senepol. “O mercado está aquecido, o que sinaliza a perspectiva de bons negócios”, prevê Décio Ribeiro dos Santos, diretor do Agrocentro.

A feira contará com a participação de 240 empresas expositoras dos segmentos de genética, saúde, nutrição e reprodução animal, insumos, mídia, dentre outros, além de instituições de pesquisas e universidades.

Eventos paralelos - A programação técnica da Feicorte 2010 terá cerca de 120 eventos paralelos, abordando assuntos atuais e estratégicos de grande interesse do público presente à feira. Dentre os destaques deste ano estão o Congresso Feicorte NFT 2010, o Congresso de Pecuária Sustentável e o Fórum Canal Rural ABMR&A.

Panorama nacional e mundial da carne, aspectos relacionados à reprodução, genética, sanidade, manejo, mercado, gestão econômica, financeira, administrativa e ambiental são os enfoques do Congresso Feicorte NFT 2010. O evento é organizado pela NFT Alliance e conta com palestrantes de vários elos da cadeia produtiva da carne.

O 1º Congresso de Pecuária Sustentável, promovido pela Associação dos Profissionais de Pecuária Sustentável – APPS, terá a presença de palestrantes do Cena/USP, Scot Consultoria, Agrobrasconsult, Embrapa e Bigma Consultoria. Serão abordados temas como a influência da pecuária brasileira sobre o total de emissões de gases do efeito estufa e outros assuntos relacionados à sustentabilidade.

Discutir sobre o marketing na cadeia do agronegócio, com a participação de grandes players do mercado, é a proposta do Fórum Canal Rural ABMR&A. O evento será realizado dia 17 de junho, com palestras técnicas, pela manhã, antecedendo ao fórum, que será na parte da tarde.

“Especialistas de universidades, entidades de pesquisa e empresas vão abordar vários aspectos da sustentabilidade pecuária, como o uso de tecnologia de ponta, redução do impacto da pecuária de corte sobre o ambiente, atendimento às premissas de bem-estar animal e social, gestão e rentabilidade econômica”, antecipa Santos.

“Para isso, precisamos atender os requisitos de segurança alimentar, produzindo a baixo custo, dentro dos critérios de sustentabilidade”, observa e acrescenta que a Feicorte 2010 será bastante oportuna para promover um amplo debate sobre esse tema. Também estão previstos mais três eventos importantes: o Workshop WWF - World Wildlife Fund, o Workshop Pecuária Brasileira e Sustentabilidade para Jornalistas e o Workshop Pesquisas do Instituto de Zootecnia em Gado de Corte.

A agenda tem ainda três palestras com os seguintes temas: Aftosa - Futuro do Programa de Erradicação (Conselho Nacional de Pecuária de Corte – CNPC); Confinamento sem Volumosos - A Dieta do Milho Inteiro (Agrocria); e Aspectos Relevantes da Química da Cachaça (Cachaça Mulata).

Completam a grade eventos os cursos: Gestão Visível: Foco no Resultado (Scot Consultoria); Curso de Morfologia e Julgamento – Canchim, Santa Gertrudis, Simbrasil e Simental (Progênie Genética); Curso de Morfologia e Julgamento das Raças Zebuínas – Corte (coordenação: Agrocentro, Associação Brasileira de Criadores de Zebu - ABCZ e Progênie Genética).

Números de 2010*
Área: 50.000 m²
Visitantes: Mais de 25.000
Animais: Mais de 4.000
Raças: 20
Criadores: 450 Expositores: 240
Leilões: 14
Eventos paralelos: 120.
* Estimativa.

Números de 2009: Área: 40.000 m²
Visitantes: 23.000
Animais: 3.500
Raças: 18
Criadores: 250
Expositores: 200
Leilões: 13
Eventos paralelos: 115.
.[ 16ª Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), de 15 a 19 de junho ( terça a sábado), das 9h às 20h, no Centro de Exposições Imigrantes – km 1,5 da Rodovia dos Imigrantes. Entrada gratuita. Programação: [ www.feicorte.com.br].

Unilever já está lucrando com sustentabilidade /// Exame

CEO da empresa, Paul Polman, diz que preocupação ambiental deve nortear modelo de negócio
Vanessa Barbosa, de EXAME.com


Sebastian Derungs
CEO da Unilever, Paul Poman: "Sustentabilidade deve nortear todo plano de negócio".

São Paulo - Consciência verde, baixo impacto ambiental, sustentabilidade...Termos de uma agenda ecológica que tem se mostrado lucrativa não só para o meio ambiente, mas para bolso do consumidor e também para o caixa das empresas. Durante o Fórum Modelo de Desenvolvimento Sustentável, organizado por EXAME em parceria com a Unilever, nesta quinta-feira (10), o CEO da empresa anglo-holandesa, Paul Polman, disse que objetivo da companhia é crescer 50% até 2020 na mesma medida em que reduz seu impacto ambiental.

Nos últimos cinco anos, as fábricas da Unilever aumentaram a produção em 20% e, mesmo assim, conseguiram mitigar seus impactos sobre o meio ambiente. Atualmente mais de 55% da energia consumida pela empresa provém de fontes renováveis. A despeito do aumento da produção, foi possível uma economia no consumo energética de 24%. "A pressão para as empresas reduzirem seus impactos ambientais se intensifica a cada dia", afirmou Polman. "Em breve, a sustentabilidade será essencial para a sobrevivência de todo e qualquer modelo de negócio".



Em que pese as emissões de gases efeito estufa, só as fábricas da empresa no Brasil conseguiram reduzir as emissões de CO2 em 59% desde 2004, enquanto o consumo de água caiu 25%. Além disso, cerca de 98% dos resíduos gerados são encaminhados para a reciclagem. Segundo o CEO, toda a gestão ambiental da empresa para o Brasil está pautada na estratégia UB2012 (Unilever Brasil 2012). "Queremos crescer nosso negócio até 2012 mantendo o impacto ambiental similar ou inferior aos valores de 2007, expresso em geração de gases de efeito estufa", afirmou.



Uma das ferramentas estratégicas da empresa para crescer 20 % nos últimos 5 anos, sem prejuízos ao ambiente e ainda gerando economias na cadeia produtiva foi adoção de designs ecológicos para os produtos. A mudança do formato da embalagem do sabão em pó OMO, por exemplo, que de vertical passou a ser horizontal, consome 10% menos recurso de energia e água; no processo de produção isso representa uma economia de 33% no consumo de energia e água.



Outro produto foi capaz de refletir diretamente nos gastos do consumidor: uma nova fórmula do amaciante Confort, mais concentrada, reduziu de 74 litros para 24 litros o volume de água necessário para enxágue de roupas. "É ingênuo pensar que, para evitar a degradação ambiental, devemos produzir e consumir menos", disse Polman. "A forma como gerenciamos essas duas pontas da cadeia – da produção ao consumo – é que deve mudar e se tornar sustentável".

Tamanho desempenho ambiental tem gerado bons frutos financeiros para a empresa. Em 2009, a Unilever, liderou pelo 11º ano consecutivo o Índice DowJones de Sustentabilidade no setor de Alimentos e Bebidas, devido ao programa que mantém de de estimulo à agricultura sustentável. No ano passado, seu faturamento global foi de € 39,8 blhõesi, e no Brasil o faturamento se consolidou em R$ 11 bi. Um bom exemplo do como abraçar a causa verde e ainda ganhar dinheiro com isso.

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