Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Matriz Energética do Estado de São Paulo - ANO 2035

 
O estudo Matriz Energética do Estado de São Paulo - 2035, realizado pela Secretaria de Energia do Estado aponta que 85 milhões de toneladas de CO2 serão jogadas na atmosfera por atividades desenvolvidas no Estado em 2020 e até 2035, as emissões devem mais que dobrar.
 
Em 2005 eram cerca de 55 milhões de toneladas – 30 milhões de toneladas a menos, já em 2035 serão mais de 120 milhões de toneladas de CO2, o que representa um aumento de cerca de 120% na comparação com as emissões de 2005.

Os números foram apresentados na primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo, que aconteceu no final de março, e já levam em consideração políticas públicas de redução das emissões de CO2 anunciadas pelo governo, como o Plano Integrado de Transportes Urbanos 2005 a 2025, assim como os ganhos de produtividade da indústria e da agricultura e a redução do uso de combustíveis fósseis.


 
 

CO2 pôs fim à Era do Gelo, dizem cientistas em resposta aos céticos do clima

Publicado em abril 5, 2012 por
O dióxido de carbono (CO2), gás de efeito estufa apontado como o maior responsável pelo aquecimento global, foi o principal fator que pôs fim à última Era do Gelo, afirmam cientistas nesta quarta-feira em um estudo [Global warming preceded by increasing carbon dioxide concentrations during the last deglaciation] que acaba com um argumento lapidar usado pelos céticos do clima. Matéria da AFP.
 
Entre 10.000 e 20.000 anos atrás, a Terra começou a emergir de 250 mil anos de uma profunda glaciação, quando a cobertura de gelo terrestre começou a recuar e temperaturas mais quentes ajudaram o Homem a se espalhar e conquistar a Terra.
O que provocou o fim desta era, conhecida como Pleistosceno, sempre foi discutido.
Até agora, as principais evidências eram testemunhos de gelo coletados na Antártica, cujas bolhas de ar são como uma pequena cápsula do tempo do nosso passado climático.

Vestígios de CO2 – o principal gás causador de efeito estufa, que mantém o calor do sol preso próximo à superfície terrestre – indicam que as concentrações de carbono na atmosfera subiram depois que as temperaturas se elevaram e não antes disto.
O período de tempo em que isto ocorreu tem sido usado pelos céticos do clima como uma prova de que as emissões de carbono produzidas pelo homem ou não são responsáveis pelo aquecimento global ou pelo menos não fazem tão mal quanto defende a principal corrente da comunidade científica.
Segundo estes dissidentes, mudanças naturais na órbita da Terra, que aproximaram o nosso planeta do Sol, seriam a causa do aquecimento global.

Mas segundo um novo estudo, uma imagem muito mais precisa do fenômeno demonstra que a mudança orbital apenas deu início às coisas. Segundo a pesquisa, o responsável pelo aquecimento climático de fato é o CO2.
“As mudanças orbitais foram o gatilho, mas elas não vão muito longe”, explicou o cientista Jeremy Shakun, da Universidade de Harvard.
“Nosso estudo demonstra que o CO2 foi um fator muito mais decisivo e realmente impeliu o aquecimento global na última deglaciação”, acrescentou.

O estudo, publicado na revista científica britânica Nature, foi feito com base em 80 testemunhos de gelo e amostras sedimentares coletadas na Groenlândia, em fundos de lagos e leitos marinhos em cada continente.
“Reunir todos estes registros em uma reconstrução das temperaturas globais mostra uma bela correlação com o aumento da concentração de CO2 e o final da Era Glacial”, afirmou Shakun.
O aumento das concentrações de dióxido de carbono “atualmente precede a variação da temperatura global, o que seria de se esperar se o CO2 está causando o aquecimento”.

Os cientistas teorizam que a variação orbital intensificou a incidência da luz solar que aqueceu o hemisfério norte, fazendo com que parte de sua cobertura de gelo derretesse, liberando gigatoneladas de água doce gelada no Oceano Atlântico.
A torrente teve um efeito retardatário sobre a chamada “esteira transportadora” de correntes, na qual a água quente viaja para o norte na superfície do Atlântico antes de se resfriar, descer às profundezas, e voltar ao sul.

Quando esta esteira reduziu sua velocidade, a água quente começou a subir no Atlântico sul, onde rapidamente começou a aquecer a Antártica e o Oceano Austral.
Segundo a hipótese destes cientistas, esquentar o sul, por sua vez, alterou o vento e derreteu o gelo marinho, liberando parte da grande quantidade de CO2 que tinha sido absorvida pelo oceano e armazenado em suas profundezas.
Hoje, o dióxido de carbono – emitido pela queima de carvão, petróleo e gás – está novamente na berlinda.

Durante encontro celebrado na semana passada em Londres, 20 ganhadores do prestigioso Blue Planet Prize, um dos mais respeitados prêmios concedidos por iniciativas sustentáveis, afirmaram que as emissões atuais de gases causadores de efeito estufa, como o CO2, são tão elevadas que há apenas uma chance “50 a 50″ de limitarmos a elevação da temperatura no planeta a 2ºC, meta estabelecida pela ONU.
Haveria “riscos sérios” de uma elevação de 5ºC, temperatura vista pela última vez no planeta 30 milhões de anos atrás, afirmaram.

“O CO2 teve grande responsabilidade em tirar o mundo da última Era do Gelo e levou cerca de 10.000 anos para fazê-lo”, afirmou Shakun.
“Agora, os níveis de CO2 estão aumentando de novo (…) e há sinais claros de que o planeta está começando a responder”, acrescentou.
Global warming preceded by increasing carbon dioxide concentrations during the last deglaciation
Nature 484, 49–54 (05 April 2012) doi:10.1038/nature10915

Matéria da AFP, no Yahoo Notícias.
EcoDebate, 05/04/2012

Brasil negocia COP-17: países ainda estão divididos

VERMELHO
O Brasil foi designado, hoje (7), pela África do Sul, como intermediário nas negociações para um acordo entre os países na 17º Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de Durban, na África do Sul. O embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador-chefe do país, vai precisar muito mais do que o otimismo que vem declarando para renovar o Protocolo de Quioto. Países desenvolvidos já declararam que não vão assinar um novo período do acordo internacional.

O embaixador Luiz Alberto Figueiredo, que divulgou a informação sobre a designação do país como negociador, passou a quarta-feira (7) negociando com os grupos. "Estamos completando ou, pelo menos, preparando assuntos para conseguir conclusões para amanhã (quinta-feira), mas ainda há várias coisas específicas que é preciso concluir", explicou o embaixador, que conversou com os grupos em um hotel próximo ao Centro Internacional de Conferências de Durban, onde acontece a cúpula.

Figueiredo diz estar confiante sobre um acordo para estabelecer o segundo período do Protocolo de Quioto, cujo primeiro prazo vence em 2012, por isso, é o principal assunto tratado na conferência. "Devo dizer que estou otimista com os resultados desta cúpula, e acredito que estamos perto de um bom resultado no que diz respeito ao assunto principal desta conferência: o segundo período do Protocolo de Quioto e os passos necessários para conseguir um acordo global após 2020", comentou o embaixador brasileiro.

Em entrevista, juntamente com representantes da China e Índia, o embaixador afirmou que os quatro países emergentes estavam fazendo a sua parte e que esperavam que os outros fizessem o mesmo.

“Estou feliz em compartilhar com vocês o fato de que ontem (6) nossos últimos números de desmatamento foram anunciados pelo nosso instituto de pesquisa espacial e (o desmatamento) foi 11% menor. (…) Esses números são públicos, estão disponíveis na internet. A transparência é absoluta. Estamos felizes que estamos fazendo o que prometemos em Copenhague e reafirmamos em Cancún. Estamos fazendo nossa parte”, disse Figueiredo.

Figueiredo diz estar otimista com as conversas sobre o Fundo Verde do Clima, para financiar ações contra as mudanças climáticas em países em desenvolvimento, com verbas que aumentarão até alcançar os US$ 100 bilhões anuais, a partir de 2020. Mas cobrou recursos dos países desenvolvidos.

“A delegação brasileira, junto com os países do Basic e do G77+China, quer deixar Durban com um Fundo Verde Climático totalmente funcional, e que não seja uma casca vazia. Tem de estar claro o financiamento para o fundo e haver clareza do cronograma para o futuro, no espírito do compromisso dos países desenvolvidos em Copenhague e em Cancún”, afirmou.

Até agora, a maioria dos países apresentou compromissos de redução de emissões até 2020, voluntariamente, refletidos nas discussões da Cúpula de Cancún de 2010 (COP-16), à margem dos objetivos legalmente vinculativos que realizaram os países desenvolvidos, incluídos no Protocolo de Quioto. No entanto, a soma desses cortes está longe de alcançar a meta para tentar evitar o aquecimento global superior a 2ºC neste século.

Jogo duro
Os países estão divididos com relação à um segundo período para Quioto, que determina redução de emissões de poluentes na atmosfera. Eles divergem sobre os recursos que devem ser exigidos a cada país para enfrentar o flagelo do aquecimento global.

Os negociadores têm até sexta-feira (9), quando termina a cúpula, para resolver suas divergências tanto sobre a renovação do protocolo quanto à criação do Fundo Verde Climático.

"Para o Canadá, Quioto pertence ao passado", afirmou hoje o ministro canadense do Meio Ambiente, Peter Kent, ao discursar na conferência. Kent deixou claro que seu país não pretende assumir um segundo período de compromissos deste tratado internacional.

Japão e Rússia são reticentes quanto a renovar o protocolo, argumentando que o pacto não obriga os dois maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta: China e Estados Unidos.

A União Europeia está disposta desde que países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, também se comprometam a ingressar em um tratado legal que os obrigue a reduzir suas emissões.

Brasil, China e México disseram que aceitam aderir a um acordo vinculante no futuro, a partir de 2020, mas os Estados Unidos questionam estas indicações. Os países em desenvolvimento colocam como condição que Quioto seja aprovado e também que a conferência ative o Fundo Verde Climático, que encontra dificuldades para encontrar financiadores por causa da crise que afeta Europa e Estados Unidos.

"O que estamos falando aqui se reduz a quantos milhares de pessoas morrem (em eventos climáticos extremos como as recentes tempestades na América Central), a quanto o povo vulnerável sofre mais. Não penso que isto esteja sendo levado em conta nesta conferência", resumiu o chefe da delegação da Guatemala, Luis Alberto Ferraté.

"Neste momento precisamos de avanços, não de obstáculos", lamentou o assessor de políticas da Organização Oxfam, David Waskow, que denunciou "a ação dos Estados Unidos colocando obstáculos no caminho de qualquer discussão sobre fontes de financiamento".

Quioto
O Protocolo foi assinado em 1997 e está em vigor desde 2005 e vai expirar em 2012 se não for renovado. Ele estabeleceu compromissos legalmente vinculativos de redução de emissões de gases do efeito estufa para 37 países desenvolvidos, com a exceção dos Estados Unidos, que se negou a assinar o acordo.

Os negociadores da COP-17 tentam acordar uma segunda fase transitória para Quioto – legalmente vinculativo. O protocolo continua sendo o único instrumento legal que obriga a reduzir emissões.

Prêmio Fóssil do dia
Os Estados Unidos receberam ontem o prêmio Fóssil do Dia, por não negociarem na COP-17 um acordo global com força de lei. Eles querem prolongar as discussões para a próxima década. “Mais nove anos de conversas? Isso é completamente irresponsável, já que só faz com que outros grandes emissores sentem e não façam nada”, disse a Climate Action Network (CAN), que entrega o prêmio em nome de diversas ONGs.

com agências

'Bombardeio' de carbono em cafezal simula mudanças climáticas

Experiência inédita no mundo visa estudar efeito do CO2 sobre o café.
Maior concentração do gás pode afetar produção de grãos no Brasil.

Eduardo Carvalho
Do Globo Natureza, em São Paulo
 Saber os efeitos da mudança do clima em uma das principais culturas agrícolas do Brasil, a do café, é o principal foco de um estudo organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

No experimento conhecido como Face (sigla para "Free Air Carbon Dioxide Enrichment"), que simula um aumento do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, 135 especialistas vão analisar o efeito desta maior concentração sobre os grãos, se há aumento da densidade de pragas, ou mesmo mutações nas doenças, além de constatar se o excesso do gás de efeito estufa prejudicará o sabor da bebida.

A necessidade de descobrir tais detalhes é importante para os produtores brasileiros, já que o país é o maior produtor e exportador mundial do grão, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em 2010, o Brasil produziu 48,1 milhões de sacas e a previsão para 2011 é de 43,5 milhões de sacas, redução de 9,5% na comparação com o ano anterior, mas que ainda mantém a liderança no cultivo do grão.

Equipamento denominado anel liberará dióxido de carbono em plantação de café. Foco da pesquisa é saber impacto da mudança do clima na produção do grão (Foto: Divulgação/Embrapa)Impacto do clima

Os pesquisadores mantêm uma plantação com 35 mil pés de café em Jaguariúna, no interior de São Paulo, onde foram instalados 12 equipamentos, denominados anéis, que vão liberar o gás carbônico nas plantas de acordo com a direção dos ventos. Os grãos testados serão o ubatã e o catuaí-vermelho, este último um dos mais plantados no país.

“Queremos saber o que vai acontecer com a cultura do café em diferentes aspectos. Nós vamos monitorar as alterações dessas plantas que receberam o gás ao longo do tempo. É a primeira vez no mundo que será testada a resistência do café às alterações climáticas”, disse Raquel Ghini, pesquisadora e coordenadora do projeto Climapest, que envolve o Face e outros estudos da Embrapa sobre o efeito das mudanças climáticas na agricultura.

Por um período mínimo de dois anos, será observado se o solo da plantação foi afetado, se pragas como bicho-mineiro do café (uma larva que se alimenta da folha e causa buracos nela) e a ferrugem foram afetadas ou sofreram mutações genéticas que dificultariam seu combate, além de saber se o período de crescimento se alterou.

“Para chegarmos ao resultado, vamos simular ainda a modificação no sistema de chuva devido ao aumento da temperatura nos próximos anos, conforme previsto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Por isso, a irrigação dos pés de café também passará por alterações”, explica Raquel. O estudo tem investimentos de R$ 2 milhões, parte proveniente do governo federal.

REDD deve beneficiar populações pobres dependentes das florestas, diz pesquisador

Publicado em julho 25, 2011 por HC
Essan Yassim Mohammed diz que governos devem ir além da definição mais restrita de direitos de carbono, que beneficia apenas quem tem titulação definitiva das terras

Na próxima sexta-feira, 29, um grupo de trabalho vai apresentar à ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, um artigo que resume os primeiros passos para a concepção de uma política nacional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD).

A REDD funciona por meio da remuneração de emissões evitadas de carbono. Dono da maior floresta tropical do planeta, cuja queima responde por 1,5% dos GEEs emitidos no mundo todo ano, o Brasil tem um imenso potencial para gerar receita com REDD, mas, dependendo da regulamentação adotada, pode também perpetuar injustiças ancestrais, sobretudo na Amazônia, onde as populações mais pobres dificilmente têm escrituras definitivas das terras que habitam.

Essan Yassim Mohammed, pesquisador do International Institute for Environment and Development (IIED), afirma que a REDD só pode dar certo no Brasil se for possível assegurar que essas populações se beneficiem do mecanismo. Em artigo recém-publicado com o advogado Christoph Schwarte (“A justiça do carbono: como alavancar benefícios do REDD + para os pobres”), ele defende que os “direitos sobre o carbono” (do inglês “carbon rights”) não tomem como base a titulação definitiva da terra, como vem sendo estudado, mas levem em consideração os direitos civis, sociais, econômios e culturais das populações que dependem da floresta para sua sobrevivência. Entrevista de Karina Ninni, em O Estado de S. Paulo.

Em entrevista exclusiva, ele falou ao Estado:
Estado – Vocês mencionam no artigo que transformar o carbono em uma nova forma de propriedade ou uma nova commmodity comercializável não é o suficiente para fazer o mecanismo funcionar para comunidades indígenas e tradicionais. No contexto brasileiro, que tipo de iniciativa, em termos de política pública, poderia ser implementada para fazer com que o mecanismo funcione para as comunidades mais pobres? Como podemos assegurar que a versão brasileira dos “direitos sobre o carbono” não fique limitada à ideia de posse de um pedaço de floresta?



Mohammed – Como mencionamos, a floresta que sequestra carbono provê um link contínuo para um conjunto mais amplo de direitos, incluindo uso e posse da terra, emprego, alojamento e direito de ir e vir. Por isso, uma compreensão mais ampla dos “carbon rights” também leva em consideração direitos civis, culturais, políticos, sociais e econômicos de todos aqueles que dependem da floresta. Em resumo, isso significa que os governos devem ir além da definição mais restrita de direitos de carbono, pela qual os benefícios são limitados àqueles que possuem legalmente as terras cobertas por matas, mas também assegurar que as comunidades dependentes das florestas (que não necessariamente têm títulos das terras que habitam) se beneficiem. Além disso, os governos deveriam reconhecer figuras como o direito de uso da terra, por exemplo, tradicional forma que muitas comunidades da floresta têm para regulamentar o uso de seus recursos.



Estado – O modelo que vem sendo discutido no Brasil inclui duas categorias de crédito: UREDDs (unidades genéricas) e CREDDs (unidades certificadas). Esta última só seria concedida mediante comprovação e registro da posse de terras que não sejam motivo de disputa. Mas a maioria das pessoas que vivem em comunidades no interior da Amazônia não têm títulos definitivos das terras que habitam, embora possam, ás vezes, comprovar posse. Você crê que uma definição mais ampla de “direitos sobre o carbono” poderia ajudar essas pessoas a garantir seu dierito à terra?



Mohammed – Absolutamente sim! O argumento todo que defendemos é que os créditos de carbono – ou os benefícios a eles associados – não deveriam se basear na titulação da terra. Para que o REDD funcione no Brasil – e em outros lugares do mundo – é urgente que se adote uma definição menos estreita de “carbon rights”, permitindo que comunidades rurais se beneficiem do esquema. Outra questão que se pode colocar é “por que é importante fazer o REDD funcionar para os pobres onde estes se beneficiam mais proporcionalmente?” A resposta é simples. Há duas razões: a primeira é que temos a obrigação moral de de assegurar que os pobres se beneficiem ou, ao menos, não sejam negativamente afetados; a segunda é que o esqueme precisa manter legitimidade internacional (investidores) e local (comunidades). Se a intervenção (REDD) é percebida como ilegítima, ela pode ser facilmente boicotada pelos investidores e as comunidades locais, o que teria como consequência uma vida curta para o mecanismo.



Estado – Há uma grande discussão sobre a aplicabilidade do mecanismo em áreas protegidas (unidades de conservação). No Brasil, temos diversas que poderiam ser candidatas a receber benefícios de REDD. Na maioria, essas áreas são cercadas por populações que têm um importante papel: frear os vetores do desmatamento. São as chamadas áreas tampão. Como podemos fazer com que essas comunidades se beneficiem do mecanismo?



Mohammed – Há alguns estudos dando conta de que as áreas protegidas contêm no mínimo 15% do carbono terrestre. Entretanto, não está claro ainda se o mecanismo de REDD é aplicável a áreas protegidas. Discute-se muito se as áreas protegidas atenderiam aos requisitos de adicionalidade, pois se a floresta já é protegida sob o regime estatal, por que alguém iria pagar para reduzir emissões provenientes desse local (que, teoricamente, não emite)? Mas há muitos que argumentam a favor da inclusão de áreas protegidas no esquema de REDD porque elas estocam uma quantidade significativa de carbono que, de outra forma, já teria sido emitido. Talvez cada país deva reconhecer os benefícios de estoque de carbono que as áreas protegidas prestam e assegurar que não haja impacto negativo sobre as pessoas que dependem dos bens e serviços ambientais. A REDD poderia compensar potencialmente as comuidades locais (dentro e nos arredores das áreas protegidas) e satisfazer o princípio do “do-no-harm” (não causar danos).



Estado – Vocês afirmam que será necessário estabelecer uma autoridade para regulamentar o comércio de créditos provenientes de projetos de REDD, algo como um banco central. E defendem que esse organismo deve ter poderes de intervir no mercado. Esta é uma opinião popular entre os acadêmicos que se debruçam sobre o tema? Você acredita que será uma ideia popular entre governos, ONGs, e proprietários de terras?



Mohammed – Na maioria dos mecanismos de salvaguarda utilizados em programas que instituem políticas e medidas de REDD em nível nacional (em oposição a iniciativas regionais), há uma exigência de avaliar os impactos sociais, antes e depois da implementação . A exigência existe tanto para informar sobre o desenvolvimento e a implementação da estratégia de REDD + utilizada quanto para cumprir com as políticas da agência multilateral responsável. Contudo, embora exista essa exigência, não há orientações metodológicas nacionalmente apropriadas sobre como realizar essas avaliações. Isso é do interesse de todos nós que estamos envolvidos em desenhar e implementar o esquema de REDD e eu acredito piamente que é algo que está sendo buscado por muitos países como parte do processo de preparação da REDD.



Estado – Uma das sugestões que vocês fazem no artigo é que o esquema de comercialização dos créditos provenientes de projetos de REDD poderia se utilizar de um sistema de pagamento descendente para cada unidade adicional de terra, na tentativa de diminuir o benefício à medida em que o tamanho da propriedade aumenta. Isso não afastaria os grandes proprietários? Qual a vantagem de proteger mais para ganhar menos?



Mohammed – Bem, há uma relação que pode não ser verdade para todas as partes do mundo, mas que é aplicável a muitos países em desenvolvimento: o fato da produtividade ser inversamente proporcional ao tamanho da terra. Isso significa que, quanto maior a propriedade, menos produtiva ela é. Por outro lado, grandes proprietários de terras poderiam se beneficiar da economia de escala que pode reduzir significativamente os custos de transação envolvidos em sua participação no esquema de REDD. Neste caso, os pequenos proprietários podem ter de arcar com custos de transação relativamente altos e, como resultado, podem não achar o esquema atraente. Assim, seria muito provável que grandes proprietários de terras fossem incentivados a participar do esquema, enquanto pequenos ficariam de fora. Neste caso, uma discriminação positiva sistemática em favor dos pequenos proprietários é necessária. O pagamento descendente pra cada unidade adicional de terra é um dos “approaches” que podem ser usados para tornar o esquema “pró-pobres”. As vantagens de tal estratégia são: a distribuição dos custos de transação entre grandes e pequenos produtores e o incentivo aos pequenos produtores para que tomem parte no esquema e se beneficiem dele. Isso não quer dizer que os grandes proporetários não vão participar do esquema. Mas sim que seus benefícios marginais (irrealisticamente altos) serão reduzidos para um nível em que eles ainda possam perceber sua participação no esquema como modestamente rentável. Portanto, a taxa de pagamento em declínio deve ser cuidadosamente estimada.

EcoDebate, 25/07/2011
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Emissões de CO2 da China subiram 10,4% em 2010

Publicado em junho 9, 2011 por HC As emissões de dióxido de carbono da China subiram 10,4 por cento em 2010 em comparação com o ano anterior, enquanto as emissões globais tiveram o aumento mais acelerado em mais de quatro décadas, indicaram dados divulgados pela petrolífera britânica BP nesta quarta-feira.

“Todas as formas de energia tiveram crescimento forte (no ano passado), e o crescimento nos combustíveis fósseis sugere que as emissões globais de CO2 do consumo de energia tenham tido o crescimento mais acelerado desde 1969″, disse a BP em sua a Revisão Estatística da Energia Mundial, divulgada anualmente pela companhia. Reportagem de Nina Chestney, da Reuters.

O aumento rápido acontece no momento em que discussões da ONU parecem ter pouca probabilidade de levar a um acordo sobre um pacto legalmente compulsório para frear emissões e combater as mudanças climáticas antes do término da vigência do Protocolo de Kyoto, em 2012.

As emissões globais de dióxido de carbono são vistas como um dos principais responsáveis pela elevação das temperaturas mundiais.

As emissões aumentaram 5,8 por cento no ano passado, para 33,16 bilhões de toneladas, na medida em que os países saíram da recessão econômica, disse a BP. As emissões da China foram de 8,33 bilhões de toneladas.

A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou no mês passado que as emissões globais de CO2 subiram 5,9 por cento em 2010, para 30,6 bilhões de toneladas, movidas principalmente pelas economias emergentes dependentes do carvão.

Dados da BP mostraram que a China foi responsável por um quarto das emissões mundiais. Os EUA foram o segundo maior emissor, com aumento de 4,1 por cento de suas emissões, para 6,14 bilhões de toneladas.

As emissões chinesas vêm crescendo muito nos últimos dez anos, na medida em que o país construiu muitas novas usinas de carvão para mover seu crescimento econômico.

O país tornou-se o maior consumidor mundial de energia, ultrapassando os EUA e crescendo 11,2 por cento, enquanto o crescimento global foi de 5,6 por cento.

CARVÃO E RENOVÁVEIS
O consumo global de carvão aumentou 7,6 por cento no ano passado, o aumento mais rápido desde 2003, na medida em que as indústrias começaram a recuperar-se da recessão econômica global.

Hoje o carvão responde por 29,6 por cento do consumo energético global. Dez anos atrás, esse número era de 25,6 por cento, segundo a BP.

O consumo de carvão da China aumentou 10,1 por cento no passado. O país consumiu 48,2 por cento do carvão mundial, contra 47 por cento em 2009.

Enquanto isso, a produção global de carvão subiu 6,3 por cento — 9 por cento na China, que foi responsável por dois terços do crescimento global.

Em termos de energia mais limpa, a produção de energia hidrelétrica e de energia nuclear teve seu aumento mais forte desde 2004.

A produção hidrelétrica subiu 5,3 por cento, com a China sendo responsável por mais de 60 por cento do aumento global da produção, graças a sua nova capacidade que entrou em produção e ao clima úmido.

Mundialmente, a produção de energia nuclear cresceu 2 por cento em 2010, e países da OCDE foram responsáveis por três quartos desse crescimento.

A produção nuclear francesa subiu 4,4 por cento, o maior aumento no mundo.

Outras fontes de energia renovável também cresceram. A produção mundial de biocombustíveis subiu 13,8 por cento, para 24 mil barris por dia.

A maior parte desse crescimento foi dos EUA e do Brasil — respectivamente 17 por cento e 11,5 por cento.

A produção de energia eólica teve um aumento robusto de 22,7 por cento.

“O aumento na energia eólica foi movido pela China e os EUA, que, juntos, responderam por quase 70 por cento do crescimento global”, disse o relatório.

“Essas formas de energia renovável foram responsáveis por 1,8 por cento do consumo energético global, contra 0,6 por cento em 2000.”

Reportagem da Reuters, no Estadao.com.br
EcoDebate, 09/06/2011

Comunicado do Ipea nº 80 mostra oportunidades do país com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

Publicado em março 1, 2011 por HC

“A maior utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo poderia ser um elemento importante para viabilizar projetos ou políticas públicas que contribuam ao desenvolvimento brasileiro sustentável”, afirmou a técnica de Planejamento e Pesquisa Maria Bernadete Gomes no lançamento do Comunicado do Ipea n° 80: Utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. A apresentação ocorreu nesta quarta-feira, 23, no auditório do Ipea no Rio de Janeiro, e também contou com a presença do técnico Albino Alvarez.

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é originário das disposições do Protocolo de Quioto, no âmbito das discussões das mudanças climáticas. O Comunicado nº 80 trata dos panoramas brasileiro e mundial do MDL, do mercado de carbono – com seus volumes e valores –, das políticas públicas e medidas de desenvolvimento sustentável, do setor de saneamento básico do Brasil e do tratamento dos resíduos sólidos e projetos de geração de energia a partir de aterros.

Bernadete lembrou que a entrada em vigor do Protocolo de Quioto, em 2005, lançou as bases para um mercado global de carbono, constituído por diferentes mercados regionais ou nacionais, assim como por mecanismos de projetos redutores de emissões do MDL ou Implementação Conjunta (IC). Alguns desses mercados foram criados com o objetivo de atender a compromissos de redução de emissões negociados no Protocolo de Quioto, em que se insere o MDL, enquanto outros são de natureza voluntária.

A participação brasileira no mercado de carbono tem se limitado, segundo a técnica, ao segmento de oferta de projetos via MDL, ocupando o terceiro lugar em número de projetos (13%), sendo que China e Índia responderam por 31% e 21% do total em 2008. O texto revela que o MDL vem sofrendo modificações importantes que podem ampliar a utilização pelos países beneficiários e se constituir em instrumento importante para o crescimento sustentável brasileiro.


O setor de saneamento básico, em particular o de tratamento de lixo, apresenta elevada potencialidade para a utilização de um MDL setorial. A elaboração desse mecanismo deve incorporar as principais lições derivadas da experiência acumulada dos créditos de carbono setoriais em outros países: o tamanho das fontes de emissão; a formulação de políticas setoriais de forma integrada com políticas ambientais; e o fortalecimento das instituições já existentes no MDL, em particular a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima.

Série

O Comunicado faz parte de um conjunto amplo de estudos sobre o que tem sido chamado, dentro da instituição, de Eixos do Desenvolvimento Brasileiro: Inserção internacional soberana; Macroeconomia para o desenvolvimento; Fortalecimento do Estado, das instituições e da Democracia; Infraestrutura econômica, social e urbana; Estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; Proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e Sustentabilidade ambiental.

A série Sustentabilidade Ambiental no Brasil: Biodiversidade, economia e bem-estar humano faz uma análise de diversos setores relacionados ao meio ambiente no Brasil. E busca servir como uma sistematização e reflexão sobre os desafios e oportunidades do tema meio ambiente, de forma a fornecer ao Brasil o conhecimento crítico necessário à tomada de posição frente aos desafios da sustentabilidade ambiental.

Leia a íntegra do Comunicado do Ipea nº 80: Utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

Veja as lâminas da apresentação sobre o Comunicado do Ipea nº 80: Utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
Fonte: Ipea
EcoDebate, 01/03/2011

Eleições podem provocar aumento das Emissões de GEE

por Laércio Bruno Filho
Caros leitores;


Em ano de eleição os políticos vem á publico, mais do que nunca, para apresentar suas fantásticas propostas e maravilhosas performances.

O tema socioambiental recentemente adicionado à pauta da discussão pela Senadora Marina Silva trouxe à corrida presidencial um perfil mais esverdeado. E alguns candidatos se tornarão mais e mais verdes ao longo deste processo.

Mas qual foi o candidato que mencionou até agora que vai compensar suas emissões? Qual deles disse que usará menos avião ou carro em prol de conter suas emissões de CO2, contribuindo assim para o controle do Aquecimento Global?

Ao encontrarem a resposta percebam a importância dada ao tema.

Ouvi recentemente de um competente técnico do MMA que dizia ” ...todos falam muito dos impactos gerados pelo desmatamento na Amazônia, no Cerrado, Aquecimento Global..., enfim grandes questões. Mas e as pequenas questões? Aquelas que podem ser feitas pelas parcelas da população? Estariam relegadas ao segundo plano, como se fossem menos importantes?”.

E é verdade.
Vamos acompanhar para ver qual dos candidatos mencionará sobre a redução ou gestão de suas emissões de GEE geradas durante a campanha.
Será que farão inventarios e plantarão arvores? Ou adotarão ações de mitigação ao longo do processo?

Vamos ver até onde os candidatos trabalharão sobre o tema da Sustentabilidade para amealhar votos.
E o que isso trará de beneficio concreto!

Carbon trading shares suffer after Copenhagen: HSBC /// Point Carbon

HSBC’s global climate index has removed two climate finance firms due to their poor performance.


Climate Exchange and Trading Emissions, both London-listed firms, have been cut from the HSBC’s Global Climate Change Benchmark Index, according to a recent research report from the bank.

“A global agreement with specific hard targets would have allowed the carbon market to thrive,” Vijay Sumon, and index specialist at HSBC Global Research, said in a statement from the bank today.

“With (no agreement) the general downward trend of carbon trading seen last year has accelerated,” Sumon said, referring to the modest outcome of the UN climate summit in Copenhagen in December.

Between 1 September and 18 December 2009, the HSBC Global Carbon theme fell 16 per cent and post-Copenhagen, its decline has fallen more than 28 per cent, the bank said.

As a result, all of the stocks related to carbon trading fail the minimum market capitalisation threshold of $400 million for entry into the HSBC Climate Change Index, it said.

“This means the Carbon Trading theme will not now be represented as an investable theme within the HSBC Climate Change Benchmark Index as of 22 March,” according to the research report.

The index now reflects 17 out of the 18 investment themes, such as low carbon energy production, energy efficiency and management, and water, waste and pollution control.

By Jeff Coelho – jc@pointcarbon.com
London

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