Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)

Fundo de reflorestamento deve ter rendimento real de 8% a 10% ao ano

Rafael Rosas
Valor
05/05/2010 14:31

RIO - Vale, Funcef, Petros de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acreditam que o investimento no novo fundo de reflorestamento de R$ 605 milhões administrado pela Global Equity pode render entre 8% e 10% ao ano de ganho real.

Os investimentos iniciais serão feitos na Vale Florestar S.A., sociedade de propósito específico que será constituída. O projeto, de mesmo nome da empresa, existe desde 2007 e já investiu cerca de R$ 230 milhões e realizou o plantio de mais de 24,5 milhões de árvores em 41 fazendas arrendadas, com área de 70 mil hectares.

" Para um fundo de pensão, é fundamental que o projeto dê retorno. A gente cuida do dinheiro e o dinheiro tem que voltar para pagar as aposentadorias " , ressaltou Wagner Pinheiro, presidente da Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras.

Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, também afirmou que o negócio é rentável, com uma " chance muito pequena " de dar errado.

" Não podemos fazer investimento a fundo perdido. Temos que bater as metas atuariais " , destacou Lacerda.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, chamou a atenção para o déficit de madeiras legalizadas existente no Brasil, de cerca de 2 milhões de metros cúbicos por ano. Segundo ele, a tendência é de que o preço da madeira que será vendida pague os investimentos feitos.

Agnelli revelou que os recursos do fundo serão aplicados no Brasil e que investidores de países como Bahrein, China e Japão já teriam mostrado interesse em conhecer o projeto.

O BNDES vai adquirir cotas no valor de R$ 121 milhões, por meio da BNDESPar, braço de investimentos do banco de fomento. O total equivale a 20% do valor das cotas emitidas pelo fundo. Segundo os executivos envolvidos no projeto, a negociação continua, mas a tendência é que a Vale fique com 40% e os outros sócios com 20% cada.
(Rafael Rosas
Valor)

A inovação aberta como fonte de geração de valor para as organizações /// FDC

Autor: Anderson Rossi, Professor e pesquisador do Núcleo de Inovação

A literatura e as práticas organizacionais contemporâneas ainda estão majoritariamente fundamentadas na geração de inovações exclusivamente dentro dos seus limites. São os clássicos modelos de inovação fechada, onde a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) busca encontrar soluções através dos próprios esforços, sem uma interação com outros agentes externos – colaboradores voluntários, comunidades e redes de inovação. No universo de mudança desenhado pelo cenário pós-crise mundial e com base em ciclos de vida dos produtos e serviços cada vez mais encurtados, as empresas bem sucedidas do futuro deverão repensar esta estratégia.

De maneira geral, as estratégias empresariais tradicionais são inspiradas em propriedade e controle como pontos fundamentais ao sucesso, levando as empresas a construírem posições defensáveis contra a concorrência, ao invés da promoção de interações com agentes externos, com o intuito de buscar (ou ofertar) conhecimentos e tecnologias, além de associar competências e esforços para a geração de inovações que, possivelmente, não poderiam ser criadas, exclusivamente, sob as fronteiras daorganização.

Para gerar mais valor e ganhar competitividade, algumas empresas vêm adotando um novo modelo de gestão como alternativa às tradicionais práticas de inovação. É o modelo de inovação aberta, cunhado pelo Prof. Henry Chesbrough, da Universidade da Califórnia, que mescla práticas dos modelos tradicionais com
uma grande interação da organização com agentes externos.

O autor argumenta que na economia doconhecimento muitas empresas não possuem orçamento nem competênciasnecessárias para dar respostas rápidas ao mercado, comprometendo o tempo dedesenvolvimento de tecnologias e produtos, tornando assim os limites das organizações mais permeáveis e flexíveis.

Atualmente o conhecimento está disperso no mundo e as organizações visionárias deverão abrir suas portas para as idéias vindas de fora, sobretudo das universidades, de instituições de pesquisas, além de redes de empresas e cocriação com clientes.

Esse novo paradigma de inovação é mais amplo do que simplesmente um novo modelo de negócios. Através dele é possível encurtar prazos de desenvolvimento de produtos e serviços, diluir riscos e custos. A cocriação distribuída, ou inovação aberta, não quer dizer apenas terceirização das competências externas necessárias para o desenvolvimento inovativo, mas a ampliação dos limites da atuação da organização.

As palavras de ordem no processo de inovação aberta são a criação e a captura de valor para a empresa, fatores essenciais na inovação e que possibilitam ganhos de competitividade.

É importante destacar que não faz muito tempo em que a inovação aberta vem sendo utilizada de maneira efetiva pelas organizações – menos de cinco anos, e que o processo ainda necessita de muita pesquisa para ser efetivamente validado.

Entretanto, o que a experiência nos mostra é que as empresas estão adotando práticas de caráter misto, ou seja, mesclando as tradicionais práticas da inovação fechada com as estratégias de atuação aberta para encontrar o melhor caminho para inovar.

Podemos afirmar, todavia, que estamos vivenciando um novo paradigma de gestão de inovação, como preconizado pelo autor Larry Huston, da Wharton School, aonde a grande mudança virá não somente do modelo de negócios adotado pelas empresas, mas pela passagem das práticas tradicionais de pesquisa e
desenvolvimento (P&D) para o novo modelo de C&D, ou seja, de conectar e desenvolver.

Neste sentido, as empresas devem, portanto, buscar conhecimentos dispersos e ampliar a interlocução com stakeholders, possibilitando a associação de esforços e competências para a promoção da inovação, principalmente nas de âmbito radical.

Vale anuncia fundo de reflorestamento para 450.000 hectares /// AFP-UOL

A mineradora brasileira Vale anunciou nesta quarta-feira a criação de um fundo misto de reflorestamento, para exploração comercial e recuperação ambiental, no valor de 605 milhões de reais destinado a plantar 450.000 hectares de árvores no Brasil até 2022.
O fundo pretende proteger e recuperar 300.000 hectares de florestas nativas com madeiras nobres e destinar 150.000 hectares ao plantio comercial de eucalipto.

Os investidores são a própria Vale, que terá 40% do fundo, associada aos fundos de pensão Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com uma fatia de 20% cada.

O objetivo é financiar o projeto de reflorestamento Vale Florestar, criado em 2007 pela mineradora e que já recuperou 70.000 hectares. "Conseguimos parceiros para acelerar um plano que temos tocado há algum tempo", afirmou Agnelli em coletiva de imprensa na sede da empresa, no Rio de Janeiro. "Pretendemos criar alternativas econômicas para a população das regiões de florestas que não seja simplesmente queimar a madeira (existente) para fazer carvão", disse Agnelli.

O executivo garantiu o potencial de rentabilidade do fundo, já que no Brasil existe um déficit anual de 2 milhões de metros cúbicos de madeira. "A madeira será vendida a indústrias de celulose, confecção de móveis e outros", disse.

O Brasil conta com 3,2% das florestas comerciais do mundo, contra 32,7% da China e 10% de Estados Unidos e Índia, destacou Onito Barbosa, diretor da Global Equity, gestora do fundo.

O presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, explicou que existem outros fundos de pensão estrangeiros, como o Calpers, dos funcionários públicos da Califórnia (EUA), que já investem em reflorestamento no sul do Brasil.

A criação do fundo ainda requer autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O presidente da Vale afirmou ter planos de replicar esse projeto em outros países em que a mineradora atua, como Moçambique e Indonésia, nações que registram altos índices de desmatamento.

Depois de chegar a níves de desflorestamento de 30.000 km2 anuais no início da década, em 2009 o Brasil conseguiu baixar para 7.000 km2 a área da Amazônia devastada.

O desmatamento contribui para tornar o país o quarto emissor mundial de gases de efeito estufa.

A destruição das florestas, que libera toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, é a causa de cerca de 20% das emissões mundiais de gases que provocam o efeito estufa.

As Oportunidades de Negócio no Mercado de Carbono no Brasil

por Laercio Bruno Filho


Hoje existem basicamente dois tipos de Mercado de Carbono: o Mercado Regulado e o Mercado Voluntário de Carbono.


O Mercado Regulado se traduz pela existência da obrigatoriedade do atingimento às metas de redução dos GEE, pelos países do Anexo I, no caso do Protocolo de Quioto ou, do recém estruturado RGGI  no nordeste dos EUA.
O cumprimento das metas de redução pode se dar inclusive através da aquisição dos créditos de carbono gerados nos países em desenvolvimento.
O MDL, mecanismo de desenvolvimento limpo é um dos instrumentos desta operação e viabiliza a comercialização dos créditos de carbono junto aos principais mercados, o europeu e o japonês.

No Mercado Voluntário, os compradores adquirem os créditos de carbono de acordo com sua conveniência e necessidade, seja ela responsabilidade socioambiental, posicionamento competitivo ou investimento financeiro, já prevendo as oportunidades de um futuro “mercado regulador”. Não há regime de metas de redução neste mercado.
Os mecanismos de mercado são mais ágeis permitindo a negociação de créditos de carbono entre empresas e entre empresas e cidadãos.
Um destes mecanismos é o OTC- over the count, um esquema de mercado de balcão que viabiliza a  comercialização dos créditos .


O mercado de carbono no Brasil
O país ocupa a terceira posição mundial como desenvolvedor de projetos de MDL, atrás da China e Índia.
O item Carbono ocupa o 17* lugar na balança de exportações brasileiras correspondendo a uma receita anual de US$ 476,5 milhões. E tende a aumentar.

Este mercado torna-se a cada ano, em seu contexto geral, mais atrativo para os investidores nacionais e estrangeiros por diversos motivos. Um deles é a capacidade do país em gerar projetos desta natureza.
Apesar de a matriz energética ser majoritariamente renovável,portanto de baixa emissão de GEE, existem alguns  projetos que são emblemáticos em nível mundial  devido ao volume de créditos gerados e complexidade.

O surgimento da modalidade conhecida por REDD – redução das emissões por desmatamento e degradação da terra, descortinou uma grande oportunidade de desenvolvimento de novos negócios com foco na preservação da biodiversidade com possibilidades de uma robusta geração de créditos de carbono.

Neste cenário são passiveis de desenvolvimento as seguintes modalidade de projetos:

I- Projetos de carbono no âmbito do VCM;

II- Projetos de REDD,também no âmbito do VCM ;e

III- Projetos de MDL no âmbito do Protocolo de Quioto.
(A Bolsa de Chicago não será contemplada nesta abordagem).

I- Projetos do VCM: por se tratarem de processos menos burocráticos, oferecem algumas vantagens concretas: são mais rápidos,em até 6/8 meses um projeto pode ser registrado e comercializado e custam menos, quando comparados a um projeto de MDL.
Tecnicamente seguem as diretrizes metodológicas da UNFCCC para o Protocolo de Quioto.

Para agregar credibilidade hoje são encontrados nada menos que 17 diferentes padrões para certificação de projetos no VCM.

O VCS- Voluntary Carbon Standard é o mais utilizado. Gera um ativo financeiro conhecido por VCU- Verified Certification Units. Outro padrão bastante conhecido é o Gold Standard que gera o VER, Verified Emission Reduced. Ambos significam toneladas de carbono reduzidas e reconhecidos como "créditos de carbono".

Mercado
A demanda pelos créditos tende a aumentar principalmente porque os EUA já vem discutindo há algum sobre a aprovação da legislação federal que controlará as emissões de carbono.
Caso isto aconteça, e tudo parece indicar que sim, adotarão uma política nacional de controle e redução dos GEE que levará o mercado voluntário a crescer exponencialmente.

No Brasil o valor do crédito tem girado ao redor de 4-5 U$ por unidade. Em países europeus varia entre 6 e 15 dólares por unidade. Alguns estudos apontam para raríssimas exceções que poderiam chegar até 40 U$ por unidade.
Em nível global este mercado tem apresentado forte crescimento. Em 2007 negociou cerca de U$ 263 milhões, em 2008 saltou para U$ 396 milhões em 2009 , ao redor dos U$ 700 milhões e em 2010 a tendência de expansão se mantém.

Sinais complementares vem reforçar a tendência de crescimento deste mercado: (i) aumento da conscientização por segmentos da sociedade ocidental a qual passa a desejar produtos com “pegada ambiental mais leve” e portanto levando as empresas à ações de redução e compensação de emissões e ; (ii) metas de redução assumidas pelo Brasil no final do ano passado e recentes manifestações do governo sinalizando que brevemente haverá uma lei estabelecendo metas de redução de emissões para alguns segmentos da economia.
Cenário que está levando algumas empresas a repensarem seus posicionamentos quanto ao carbono.

Não há uma estimativa clara sobre o tamanho deste mercado no Brasil, mas é perceptível o potencial de expansão e a existência de oportunidades para desenvolvimento de novos projetos.


II- Projetos de REDD e Florestais.
O conceito básico do REDD é manter a floresta em pé evitando o desmatamento e a queimada e ao mesmo tempo remunerar o proprietário da floresta por esta atividade.

No entanto, cada vez mais os aspectos sociais, complementarmente aos ambientais, tem ocupado maior espaço nos projetos de REDD. Conhecidos por "REDD plus", estes projetos incorporam em suas ações as boas práticas socioambientais e tem despertado interesse por parte dos investidores.


Dinamica do REDD
A floresta intacta mantém o carbono estocado em sua estrutura física; raízes, caule, copa. Este carbono estocado é passível de ser contabilizado e valorado, estabelecendo-se assim as unidades negociáveis de créditos de carbono.
Em linhas gerais, desta forma REDD ajuda a evitar a emissão dos GEE. O desmatamento, em todo o mundo, hoje é responsável por 17,4% do total das emissões de GEE ,maior que o setor de transporte.
REDD foi amplamente discutido na CoP 15 , em Copenhagen, e talvez tenha sido a questão que melhor resultado obteve em termos pragmáticos.
Alguns países concordaram em aportar recursos financeiros.A Noruega prevê o aporte de 1 bilhão de dólares e os EUA também 1 bilhão de dólares, mas escalonados ao longo de 3 anos.

REDD representa adicionalmente oportunidades de desenvolvimento de novos negócios periféricos quando se considera todo o entorno dos projetos: cadeia de logística de produtos e serviços, instituições e comunidades.

O Estado do Mato Grosso está investindo fortemente no arcabouço jurídico-legal e simultaneamente produzindo incentivos para o estabelecimento de projetos de REDD.
No Brasil já são 17 projetos em fases distintas de desenvolvimento.Destes projetos, quinze estão na região amazônica e dois no Vale do Ribeira, na região sudeste. Por estados, a divisão é seis no Mato Grosso, cinco no Pará, quatro no estado do Amazonas e dois no Paraná.

A reserva do Juma, no estado do Amazonas é o projeto pioneiro e emblemático.
Juntos, a rede de hotéis Marriot, Coca-cola e FAS – Fundação Amazonas Sustentável desenvolvem a iniciativa responsável por manter a floresta em pé, ocupando-se inclusive dos aspectos socioambientais da área (590 mil ha) e seus habitantes.

Sobre REDD ainda há muito que se discutir, sobretudo as políticas nacionais e sub-nacionais para gestão e controle.
O interesse por esta modalidade é crescente. Há um grande numero de proprietários de terras procurando saber como desenvolver projetos ao mesmo tempo em que investidores procuram por modelos factíveis: rentáveis e seguros.


III- Projetos de MDL: No ano de 2012 expira o Protocolo de Quioto nos moldes em que se encontra hoje. Por conseqüência o MDL, enquanto mecanismo de mercado, também se vê pressionado e requerido à uma reavaliação quase que estrutural de suas premissas.

O assunto foi amplamente debatido durante a CoP 15, em Copenhagen e não houve definição,situação que trouxe insegurança.

Mercado
Contudo, o mercado global de carbono opera hoje acima dos 130 bilhões de dólares/ano e sinaliza que triplicará seu tamanho até o ano de 2014. As novas atividades de projetos como o CCS – Captura e Estocagem de Carbono no subsolo, e algumas nações adotando perfil de economias de baixa emissão deverão contribuir para este crescimento.
No mercado global do MDL, o CER primário e o CER secundário representam juntos 22 bilhões de dólares/ano.

Num esforço de trazer segurança e visão de continuidade alguns projetos de MDL foram comercializados com entrega para o pós-2012 em operações fomentadas pelo Banco Mundial e fundos investidores.

Perda de Atratividade
Hoje os projetos de MDL perdem atratividade e espaço. Veja as causas:

(i) Futuro Incerto: a indefinição sobre o que acontecerá após o ano de 2012, em relação á um acordo climático global que substitua ou complemente o Protocolo de Quioto, tornou-se um fator preponderante para o futuro do MDL.

(ii) Janela de Tempo: com a aproximação do ano de 2012, tudo se torna mais complexo no  projeto de MDL.O tempo necessário para validar, registrar e emitir os RCEs de um projeto na ONU costuma levar de 18 a 24 meses, podendo até ser superior.

(iii) Custo x Risco: o custo de transação do projeto de MDL pode chegar aos 150/200 mil dólares o que representa um obstáculo para empresas de pequeno e médio porte.
Estruturar o projeto com recursos próprios e ao mesmo tempo correr os riscos inerentes, tem gerado desistencia.

(iv) Complexidade do processo: as etapas de desenvolvimento e aprovação do projeto de MDL são complexas e passam por avaliações extremamente criteriosas e lentas. Existem casos onde os projetos tem de retornar á etapa inicial do processo para revisão integral.
Além disso, questões relativas à interpretação de critérios, como Adicionalidade, por exemplo, tem colocado à margem inúmeros potenciais projetos.

MDL Programático.
Recentemente o Banco Mundial lançou uma carta-convite para que esta modalidade fosse avaliada com o intuito de que se entendesse quais as razões que “emperram” esta modalidade no Brasil. Neste momento existe um projeto em andamento no estado de Minas Gerais com 40 usinas de cana, um banco alemão e uma consultoria de mercado.

(v) os chamados “low hanging fruits ” já foram quase todos realizados; captação de metano em aterros sanitários e em projetos de suinocultura; co-geração de energia com bagaço de cana; substituição de matriz energética, redução do oxido nitroso em processos industriais.As grandes empresas praticamente já desenvolveram seus projetos de MDL ou aguardam momentos de melhor definição para fazê-lo.

Existe a possibilidade de exito da modalidade CCS (carbon capture and storage), mas ainda há muito para se aguardar. Esta atividade de projeto deve tomar corpo por volta de 2011.

Os projetos florestais continuam a representar um cenário pouco atrativo apesar do grande potencial nacional.A menos que as regras de Quioto mudem, este potencial será aproveitado pelo mercado voluntário.

Neste contexto o MDL encontra-se cada vez mais limitado enquanto oportunidade de redução de GEE e de geração de receitas.

Mercados: quebra do paradigma ambiental /// Sociedade Sustentavel-Terra

Marco Antonio Fujihara

04/05/2010
O estudo conduzido pelo Ministério da Fazenda que visa criar um mercado brasileiro de títulos de redução de emissões de gases de efeito estufa é bem-vindo. Está em linha com os objetivos dos agentes da iniciativa privada. O mercado seguramente é o sistema que oferece a melhor relação custo/benefício para as iniciativas que buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

No estudo, os técnicos consideram que o governo poderá optar pela imposição de tetos de emissão para os diversos setores econômicos com base na Política Nacional sobre Mudanças Climáticas. Com a restrição, as companhias que emitirem menos do que o limite ou capturarem carbono poderão vender títulos de redução de emissão. As que ultrapassarem a meta terão de comprar títulos. Pelo modelo, os papéis também podem ser adquiridos por investidores comuns.

Mas como promover a participação das empresas, se Política Nacional sobre Mudanças Climáticas (Lei n.º 12.187/2009) estabelece a adoção de metas voluntárias de emissões? O governo precisa pensar em algo que leve as companhias a adotar as metas. Talvez um incentivo econômico. Dessa forma, o empresário pode entender que ir a mercado é interessante.

A iniciativa vai ajudar o País a tirar do papel um conjunto de “promessas” consubstanciadas na Política Nacional sobre Mudanças do Clima (Lei n.º 12.187/2009), anunciada às vésperas da Conferência do Clima (COP-15), realizada, em dezembro, na cidade de Copenhague, na Dinamarca.

Entre os compromissos assumidos pela presidente Lula em nome do País está o de cortar as emissões de carbono entre 36,1% e 38,9% até 2020. Até o momento, o governo não havia emitido sinais mais evidentes de como atingir o objetivo. Na verdade, o processo de regulamentação da Lei n.º 12.187 está atrasado – deveria estar concluído em março – e, com isso, a sociedade brasileira continua sem saber o que terá de fazer e qual o custo para que o País cumpra os seus compromissos internacionais.

Argumenta-se que a resolução de questões referentes ao uso da terra – a maior parte das emissões do Brasil está relacionada a queimadas, desmatamento e uso do solo – seria suficiente para o Brasil cumprir a sua promessa. O fato é que é preciso ser mais ambicioso. E isso exige tecnologia, e inovação tem um custo. Sem novos modelos de produção e de organização social não será possível atingir um patamar de desenvolvimento sustentável que nos permita, por exemplo, competir em condições vantajosas no mercado internacional.

Vários estudos apontam para as oportunidades e desafios colocados pelo aquecimento global. O Relatório Stern, que carrega o nome do seu coordenador Nicholas Stern, economista britânico do Banco Mundial, indica que, com um investimento de apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) Mundial, é possível evitar perda de 20% do mesmo PIB num prazo de 50 anos. O trabalho, concluído em 2006, foi o primeiro a ser conduzido por um economista, a pedido do governo britânico.

Outro estudo – Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades –, mais recente, coordenado pelo professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Jacques Marcovithc, teve o objetivo de analisar e quantificar o impacto das alterações do clima no desenvolvimento do País, com base em modelos de computadores que forneceram projeções sobre o comportamento futuro do clima no território nacional.

Nos dois cenários estimados para o Brasil até 2050, os cientistas prevêem que o PIB brasileiro vai variar de R$ 15,3 trilhões (reais de 2008) a R$ 16 trilhões. Com o impacto da mudança do clima, estes PIBs reduzem-se em 0,5% e 2,3%, respectivamente, segundo o estudo. Antecipados a valor presente com uma taxa de desconto de 1% ao ano, as perdas ficariam entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões, o que equivaleria a jogar fora pelo menos um ano inteiro de crescimento nos próximos 40 anos.

O mercado regulado de carbono, integrado ao Protoclo de Quioto, em 1997, não mostra vitalidade. A forte burocracia criada para a aprovação de projetos pela Organização das Nações Unidas e os custos envolvidos na operação inibem um incremento no uso do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Essas questões aliadas a outras, como a enfrentada pelo setor sucroalcooleiro, que não pode se beneficiar do mecanismo para obtenção de recursos, impede o desenvolvimento do mercado regulado de carbono.

O fato é que, antes da Revolução Industrial, no século 18, os níveis de carbono na atmosfera estavam, em média, em 280 ppm (partes por milhão). Atualmente, essa concentração atingiu 379 ppm, o que significa um aumento de 35,36%. De acordo com os cientistas, a humanidade terá de trabalhar para que o aumento médio da temperatura não ultrapasse os 2 graus Celsius – o IPCC aponta para uma elevação média da temperatura global da ordem de 3 graus Celsius até 2100. Esse objetivo não será alcançado sem que o segmento econômico seja sensibilizado para a mudança. A história demonstra que o mercado pode exercer papel fundamental para assegurar um mundo melhor para as futuras gerações.

Marco Antonio Fujihara, diretor da Key Associados, é um dos organizadores do livro Sustentabilidade e Mudanças Climáticas – Guia para o Amanhã.

Antonio Gaspar é jornalista e editor do site Sociedade Sustentável

Empresas terão de pagar por poluição acima das metas /// Estadão

O novo mercado de carbono, que o governo vai criar, também permite ganhar dinheiro com 'títulos de redução de emissões'
04 de maio de 2010
0h 00

 Marta Salomon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Empresas que lançarem na atmosfera quantidade de carbono acima de um limite a ser fixado pelo governo terão de comprar "títulos" no mercado brasileiro de redução de emissões, prevê estudo do Ministério da Fazenda. Esse novo mercado funcionará com certificados de redução de emissões de gases do aquecimento global, e os papéis também poderão ser comprados por investidores comuns.

O estudo, ao qual o Estado teve acesso, dá início à regulamentação das metas do clima. No final do ano passado, o governo anunciou corte entre 36,1% e 38,9% das emissões de carbono previstas para 2020, mas as metas ainda não saíram do papel.

O modelo em discussão no Ministério da Fazenda parte da ideia de que haverá "tetos" de emissão de carbono para os diferentes setores da economia. Estão sujeitos a esse tipo de limite os setores de geração de energia, transportes, a indústria em geral e o agronegócio.

Por ora, as metas brasileiras de redução das emissões de gases de efeito estufa são genéricas. O maior nível de detalhe fica restrito à redução do desmatamento, de 80% na Amazônia e 40% no Cerrado.

A partir do estabelecimento de tetos de emissão, as empresas que emitirem menos do que o limite ou atuarem na captura de carbono poderão vender "títulos de redução de emissões". Os papéis atestariam uma determinada economia de emissão de gases de efeito estufa, medida em toneladas de CO2 equivalente. Já as empresas que ultrapassarem o teto de emissões terão de recorrer à compra de créditos no mercado.

O modelo prevê a criação de uma agência de controle das emissões, no molde das agências reguladoras. Ela ficaria responsável por estabelecer os tetos mais detalhados de emissão e fiscalizar seu cumprimento.

Térmicas. O primeiro alvo da regulamentação são as usinas térmicas que usam carvão e óleo diesel, fontes mais poluentes de geração de energia.

Há pouco mais de um ano, o setor resiste à exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para compensar parte das emissões por meio de reflorestamento e investimentos em energias renováveis.

Recentemente, parecer da Advocacia-Geral da União questionou a competência do Ibama. A saída para o impasse poderá se dar por meio do novo mercado de crédito de carbono. "O mercado é a forma mais eficiente e mais barata de fazer o sequestro de carbono, a aposta é no mercado interno", disse Nelson Machado, secretário executivo do Ministério da Fazenda.

"Não temos números, mas esse mercado promete", avalia a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ela prevê que os principais planos setoriais de cortes de emissões serão objeto de consulta pública nos próximos meses e deverão estar concluídos antes da próxima cúpula do clima da ONU no México, marcada para dezembro.

Antes da criação da agência e do estabelecimento de tetos de emissão, Machado espera estimular o mercado voluntário de carbono. A primeira tentativa de leiloar créditos de carbono no mercado voluntário, no mês passado, na BEM&Fellowship, foi um fracasso. "Não houve compradores porque o mercado no Brasil não está organizado", avalia Machado.

Decreto.
O governo Lula anunciou metas "voluntárias" de corte de emissões de gases-estufa em novembro, pouco antes da conferência do clima em Copenhague. Para que as metas sejam postas em prática, um decreto presidencial terá de definir tetos de emissões por setores econômicos. A lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima, sancionada em dezembro, prevê "estímulo" ao mercado brasileiro de redução de emissões.


PARA ENTENDER
Mercado de carbono surgiu após a Rio-92
O mercado de créditos de carbono foi resultado de uma grande negociação entre países iniciada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. As discussões culminaram no Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 no Japão e entrou em vigor em 2005. Ele estabeleceu que as nações industrializadas deveriam reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 5,2% em relação aos níveis de 1990, durante o período entre 2008 e 2012.

Para isso, o acordo definiu a criação de ferramentas para redução da poluição, entre eles o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Por esse mecanismo, os países industrializados que não conseguissem reduzir suas emissões poderiam comprar créditos referentes a projetos de redução da poluição em países emergentes, como Brasil, Índia e China.

Esses créditos se transformaram em papéis negociados no mercado financeiro internacional e nas chamadas "bolsas de carbono".

Comitê fará revisão do IPCC /// Agencia Fapesp

4/5/2010
Agência FAPESP – O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas terá seus procedimentos e processos revisados por um comitê independente de especialistas. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (3/5), na Holanda, pelo InterAcademy Council (IAC), organização que reúne academias de ciências de diversos países, entre os quais o Brasil.

O economista Harold T. Shapiro, ex-reitor das universidades Princeton e de Michigan, nos Estados Unidos, conduzirá o comitê de 12 especialistas. O Brasil estará representado por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

A revisão do IPCC foi solicitada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no mês passado a partir de erros identificados em relatórios do painel divulgados em 2007. O comitê revisará os procedimentos empregados pelo IPCC na preparação de seus relatórios. Entre os assuntos que serão analisados estão o controle e a qualidade dos dados utilizados, a forma como os relatórios lidaram com diferentes pontos de vista científicos e a correção de erros identificados após a divulgação dos documentos.

O comitê também revisará os processos gerais do IPCC, entre os quais as funções gerenciais e estratégias de comunicação. O objetivo do IAC é que o comitê tenha um relatório pronto, com observações e recomendações, até 30 de agosto.

“Vamos abordar esse processo de revisão com a mente aberta. Estamos confiantes de que temos os especialistas necessários, nesse comitê, para entregar à ONU um processo sólido que ofereça aos tomadores de decisão a melhor avaliação possível sobre as mudanças climáticas”, disse Shapiro.

“O que o IAC espera do comitê é uma contribuição especial para que os trabalhos do IPCC tenham a base científica mais sólida possível, o que é fundamental para que as conclusões e projeções tenham cada vez maior legitimidade junto a governos e ao público em geral", disse Brito Cruz.

Entre os integrantes do comitê de revisão estão Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial, Mario Molina, ganhador do Nobel de Química em 1995, e Peter Williams, vice-presidente da Royal Society.

Roseanne Diab, diretora da Academia de Ciências da África do Sul, será a vice-presidente do comitê, que teve seus integrantes indicados pelas academias de ciência que fazem parte da IAC.

Mais informações: www.interacademycouncil.net/ipccreview

Ex-reitor da Universidade Princeton vai liderar revisão de painel climático /// G1 Ciencia e Saúde

Relatório de 2007, diretriz no combate ao aquecimento global, tinha erros.
Economista Harold Shapiro vai chefiar comitê de 12 especialistas.

Da Reuters

Abordamos essa revisãocom a mente aberta"Harold ShapiroUm ex-reitor da Universidade Princeton, nos EUA, vai comandar uma revisão do painel de cientistas climáticos da ONU, depois de erros em um relatório de 2007 usado como diretriz no combate ao aquecimento global, anunciaram academias de ciências nesta segunda-feira (3).

O economista Harold Shapiro, de 74 anos, vai chefiar o comitê de 12 integrantes que até 30 de agosto deve apresentar um relatório sobre o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas.

Em janeiro, o IPCC reconheceu que seu último relatório de 2007 tinha exagerado o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia, dizendo que poderiam todas desaparecer até 2035O IPCC dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore.

"Abordamos essa revisão com a mente aberta", disse Shapiro em comunicado do comitê nomeado pelo Conselho InterAcadêmico (IAC), sediado em Amsterdã, que agrupa academias nacionais de ciências.

Canadense de nascimento, Shapiro é ex-reitor das Universidades Princeton e de Michigan. Outros membros do comitê incluem Mario Molina, ganhador do Prêmio Nobel de Química, e Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial.

Em janeiro, o IPCC reconheceu que seu último relatório de 2007 tinha exagerado o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia, dizendo que poderiam todas desaparecer até 2035. Em fevereiro o painel disse que também tinha exagerado a parcela da Holanda que fica abaixo do nível do mar.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou a revisão em março, depois de a polêmica em torno dos erros do IPCC ter erodido a confiança no colegiado. Pessoas que põem em dúvida a ideia de que sejam as atividades humanas que estão aquecendo o planeta dizem que os relatórios foram enviesados de maneira a excluir pontos de vista alternativos.

Ban reafirmou as conclusões chaves do IPCC de que o painel tem pelo menos 90% de certeza de que as atividades humanas são a principal causa de mudanças climáticas ocorridas nas últimas décadas e que vão levar a mais ondas de calor, enchentes, secas e à alta dos níveis do mar.

O comitê de revisão fará sua primeira reunião em Amsterdã em 14 e 15 de maio. Roseanne Diab, executiva da Acadêmcia de Ciência da África do Sul, será sua vice-presidente. Outros membros virão de países como China, Índia, Brasil, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda e Malásia.

As questões a serem revistas incluem "garantias e controle de qualidade de informações; o tipo de literatura que pode ser citado em relatórios do IPCC; revisão especializada e governamental de materiais do IPCC; a inclusão de uma gama completa de visões científicas, e a correção de erros", disse o comitê.

O comitê também vai rever "outros processos, incluindo funções de direção e estratégias de comunicação".

Em 2010 Mercado de carbono deve crescer 33% ///Carbono Brasil - Point Carbon

Contrariando previsões de outras consultorias, relatório da Point Carbon estima que mercado feche este ano valendo US$ 170 bilhões, valorizado pela alta de preços na Europa, pelo crescimento do RGGI e pela perspectiva da criação de um cap and trade nos EUA. Poucas semanas atrás, a Bloomberg New Energy Finance (NEF) divulgou um estudo no qual afirmava que o mercado de carbono em 2010 iria viver um período de retração. Logo após isso, foi a vez dos analistas do Bank of America/Merrill Lynch dizerem que por causa das incertezas da regulamentação futura e da queda dos preços do gás natural o mercado estaria sobre uma “nuvem grande e escura”. Mas aparentemente existe uma luz no fim do túnel. A Point Carbon publicou nesta sexta-feira (29) o relatório "Outlook for 2010 and Beyond", em que afirma que o mercado deve crescer 33% em relação a 2009 e fechar o ano valendo US$ 170 bilhões. Em 2009 o mercado fechou em US$ 136 bilhões, contra US$ 133 bilhões em 2008 e US$ 58 bilhões em 2007. O maior crescimento virá, segundo a Point Carbon, da Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa (RGGI) que reúne 10 estados norte-americanos. O relatório prevê que 985 Mt CO2e, avaliados em US$ 2,2 bilhões, sejam negociados pelo RGGI, um crescimento de 29% com relação a 2009. Com isso, a Iniciativa seria responsável por 12% do mercado global neste ano. O volume negociado no Esquema de Comércio de Emissões da União Européia (EU ETS) deve permanecer no mesmo patamar de 2009, com algo em torno de 5.4 Gt de CO2e negociadas. O EU ETS irá se manter como o maior mercado global, com 64% das transações, e deve fechar o ano valendo US$ 134 bilhões, uma alta de mais de 30% com relação ao valor de 2009, US$ 100 bilhões. Os preços também devem subir, a estimativa é de € 18 por tonelada, contra os atuais €12,96. O mercado de Certificados de Emissões Reduzidas (RCEs) do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) irá aumentar apesar das incertezas políticas. A Point Carbon afirma que serão negociados 1.8 Gt em 2010, 11% a mais do que em 2009, ao valor de US$ 31 bilhões. Entretanto a falta de políticas pós-Kyoto vão levar a uma queda nas negociações de RCEs primárias. Elas alcançarão apenas 240 Mt CO2e em 2010, no valor de US$ 3 bilhões. Já as secundárias irão se beneficiar e alcançarão o volume de 1,5Gt, atingindo US$ 267 bilhões. Incertezas Porém, a consultoria disse que ainda existem muitas dúvidas, a maioria relacionada com o futuro do cap and trade nos EUA e com os rumos das negociações climáticas depois da frustrante conferência do Clima em Copenhague. Por causa disso, o volume negociado em 2010 deve ser apenas 5% acima de 2009, em um total de 8,4 bilhões de CO2e. Se o cap and trade nos EUA for aprovado, esse mercado deve ultrapassar com facilidade o volume negociado no EU ETS e será a grande força mundial no setor. Entretanto, a Point Carbon estima que a possibilidade de aprovação dessa legislação no Congresso ainda em 2010 seja de apenas 20%. “O quadro geral é que sistemas de cap and trade como o EU ETS e o RGGI terão volumes estáveis ou em crescimento. Ao contrário, os mercados ligados a projetos de MDL sofrerão devido às incertezas pós-2012. Mas a grande incógnita segue sendo a criação do mercado norte-americano até o fim do ano”, resumiu Endre Tvinnereim, um dos autores do relatório. Fonte: Carbono Brasil

ANA defende planejamento de usinas por bacia /// Ambiente Energia

Da Agência Ambiente Energia - Fazer com que a construçao de hidrelétricas na Bacia Amazônica seja feita de forma integrada e não isolada, para garantir um visão regional com ganhos para o desenvolvimento, meio ambiente e economia. Quem defende esta solução é o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, que participou na quarta-feira, dia 28 de abril, da audiência pública sobre “Ações compensatórias pelas usinas do Rio Madeira e a utilização dos recursos hídricos na Amazônia”, promovida pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados.

“Fazer leilões por bacias hidrográficas, dentro do mesmo bioma, reflete não apenas no meio ambiente, mas na economia e pode acelerar os licenciamentos”, disse. Segundo ele, conduzir o processo preparatório para a construção das usinas de forma integrada pode evitara a fragmentação do bioma e dar uma abordagem sistêmica ao projeto. Andreu também defendeu que as compensações sejam destinadas diretamente para as áreas de proteção e indígenas localizadas ao redor das hidrelétricas.

Na audiência, o superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, Ney Maranhão, apresentou as características hídricas das bacias Amazônicas e do Tocantins-Araguaia e lembrou que a ANA realiza estudo sobre a margem direita do rio Amazonas. Ele destacou o potencial da região e falou sobre os problemas que precisam ser enfrentados e sobre a necessidade de fortalecer institucionalmente os órgãos regionais e ter um modelo de desenvolvimento sistêmico para a região.

“Cerca de 40% dos cinco milhões de habitantes da região são populações ribeirinhas que não possuem sistema de saneamento encanado. É um paradoxo que ao lado de rios na Amazônia essas pessoas não tenham água em casa”, disse Maranhão

São Paulo inicia estudos para projetar matriz para 2035 /// Ambiente Energia

Por Júlio Santos, da Agência Ambiente Energia - Até meados de 2011, o governo de São Paulo planeja concluir a Matriz Energética para o Estado – 2035. O objetivo do projeto é saber qual é o consumo de energia por fonte energética e setor econômico, já levando em conta a Política de Mudanças Climáticas aprovada pelo governo local. Um consórcio formado por quatro empresas – LCA, Consultores; Andrade & Canellas, Consultoria e Engenharia; I.X. Consultoria e Representações; e Repensa Consultoria – é o responsável pela elaboração dos estudos.

O trabalho envolverá ações como levantamento de dados, projeções, planos e políticas públicas existentes no âmbito nacional; levantamento de informações energéticas, tecnológicas, econômicas e de eficiência; consolidação dos dados e das séries históricas (1980-2005); consolidação das principais tendências mundiais na elaboração dos planos estatais/governamentais na área energética; e desenvolvimento e implantação do sistema.

“O objetivo é elaborar a matriz estrutural de São Paulo. Com o projeto, será possível traçar um planejamento para a expansão energética do estado, vinculada ao desenvolvimento da Política de Mudanças Climáticas”, comenta Jean Cesare Negri, coordenador de Energia da Secretaria de Estado de Saneamento e Energia do governo do Estado de São Paulo. “A tendência é manter ou até ampliar a renovabilidade da matriz”, acrescenta.

Apesar do atraso no início do trabalho do consórcio, São Paulo não pára e coloca em marcha uma série de iniciativas para fazer um retrato fiel de sua matriz energética. E a fotografia já vem sendo feita para levantar os potenciais eólico, de microgeração, de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e dos aterros sanitários, além da bioenergia para oferta dos produtos provenientes da cana-de-açúcar.

Depois de um ano de trabalho, em abril foi concluída a instalação de sete torres de medição eólica, localizadas em sete regiões do estado, como Campinas, Buritizal e Echaporã. Segundo Negri, o projeto vai colher dados ao longo de um período de um ano para apontar o potencial eólico de São Paulo. “Com isso, o estado vai ganhar seu atlas eólico”, diz. Junto com o mapeamento da velocidade e características do vento, as torres também serão usadas para mapear o potencial solar do estado.

O potencial para microgeração de energia também faz parte do escopo. Negri conta que o governo está fechando convênio com a CAF (Corporação Andina de Fomento) para fazer a identificação do potencial energético das microbacias do estado. O projeto vai utilizar imagens de satélites em 3 D, que serão produzidas com a tecnologia da U.S. Geological Survey. A tecnologia garantirá a precisão dos estudos. “Com isso, será possível levantar o potencial das microbacias, usando uma escala menor”, observa Negri.

O estado também está evoluindo no levantamento do potencial remanescente para geração via pequenas centrais hidrelétricas. Após uma catalogação dos projetos já inventariados pelas empresas do estado, conta Negri, já foi possível identificar a existência de 1.750 MW. Desse total, 1,2 mil encontram-se com registro ou em fase de implantação em São Paulo.

Projeto cria política para educação e consumo sustentável /// Ambiente Energia

Da Agência Ambiente Energia - O país poderá ganhar, em breve, uma Política de Educação para o Consumo Sustentável, se o PLC 270/09, de autoria da deputada Rebecca Garcia (PP-AM) for aprovado pelo Senado Federal. Segundo informações da Agência Senado, um dos objetivos da Política de Educação para o Consumo Sustentável é incentivar mudanças de atitude dos consumidores na escolha de produtos que sejam produzidos com base em processos ecologicamente sustentáveis. A matéria será votada em caráter terminativo.
O projeto, já aprovada pela Câmara dos Deputados, determina a promoção de campanhas para a população em geral, por meio dos meios de comunicação de massa. Também estipula a capacitação de docentes para serem multiplicadores nos programas de educação ambiental dos ensinos fundamental e médio. Na sexta-feira, 30 de abril, o relator, senador Gilberto Goellner (DEM-MT), apresentou parecer favorável à matéria por entender que obedece a Constituição quando ela atribui ao poder público a incumbência de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.

O projeto tem ainda outros objetivos: estimular a redução do consumo de água, energia e de outros recursos naturais, renováveis e não renováveis, no âmbito residencial e das atividades de produção, de comércio e de serviços; promover a redução do acúmulo de resíduos sólidos, pelo retorno pós-consumo de embalagens, pilhas, baterias, pneus, lâmpadas e outros produtos considerados perigosos ou de difícil decomposição; e estimular a reutilização e a reciclagem dos produtos e embalagens

Informação & Conhecimento