Carta da Terra

"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações." (da CARTA DA TERRA)
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Clima, Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável >>> CARE

A CARE Brasil faz em setembro o lançamento da segunda fase do projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável na região do semiárido brasileiro, uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas no país. O projeto é fruto da parceria entre a CARE Brasil e a Fundação Demócrito Rocha (FDR).

Na primeira fase, de janeiro a maio deste ano, foram publicados três suplementos especiais sobre o tema, com foco nos impactos das mudanças climáticas no Nordeste do Brasil. Os suplementos foram distribuídos pelo jornal O Povo, do Estado do Ceará, com tiragem de 35 mil exemplares. As publicações em formato tablóide, com 12 páginas, acompanharam as edições dos dias 25, 26 e 27 de maio de 2010 do jornal.

Você pode ler os suplementos nos seguintes links: A Terra, O Homem e A Luta.

                                              A Terra

 

                                             O Homem


                                             A Luta

Ainda na primeira fase, foram realizadas oficinas para líderes comunitários, gestores públicos e estudantes em mais de 20 cidades em áreas rurais dos Estados do Ceará e Piauí com o objetivo de sensibilizar a população, fazer o diagnóstico dos impactos previstos e discutir medidas de adaptação às mudanças climáticas nesses territórios.

CURSO GRATUITO
A segunda fase do projeto foi lançada em agosto, com o anúncio do curso livre de ensino à distância “Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável”. São 30 mil vagas oferecidas gratuitamente pela Universidade Aberta do Nordeste (UANE), com conteúdo em Português. Qualquer cidadão, residente em qualquer região do Brasil ou no exterior, independentemente do nível de escolaridade, nacionalidade, idade, sexo ou etnia, pode fazer sua inscrição no link: www.fdr.com.br/mudancasclimaticas.

No mesmo site, é possível acessar fascículos relacionados ao conteúdo do curso, que também estão sendo distribuídos, semanalmente, aos leitores do jornal O Povo. Serão 11 fascículos que trazem o conteúdo que será abordado nas aulas. No ambiente virtual, os alunos inscritos terão a oportunidade de interagir com os tutores para tirar dúvidas e esclarecer questões relacionadas à disciplina.

Além da distribuição dos fascículos, 10 vídeo-aulas e 10 rádio-aulas estão sendo produzidas para a TV O Povo e para a rádio O Povo/CBN, respectivamente, e o material será também distribuído a 80 mil professores de Ensino Fundamental da rede pública de ensino do Ceará, que serão convidados a fazer o curso.

SUPLEMENTOS SOBRE O SEMIÁRIDO

Ainda como parte da segunda fase do projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, três suplementos sobre as regiões semiáridas do Nordeste do Brasil estão sendo distribuídos para os leitores do jornal O Povo e para a 10 mil escolas públicas do estado do Ceará.

Para acessar as versões online, clique nos títulos a seguir:

- Os rumos do planeta – As mudanças climáticas desafiam o mundo a repensar estratégias para o desenvolvimento sustentável. Reduzir a vulnerabilidade e fortalecer a adaptação em regiões semiáridas atingidas por estas alterações do clima entram na pauta de discussão de pesquisadores e governantes.
- Há vida na Caatinga – A necessidade faz surgir no semiárido, especialmente no Ceará, projetos e articulações populares para reduzir a vulnerabilidade diante das mudanças climáticas.
- Por novas paisagens – Pesquisas e políticas públicas, aliadas à difusão das informações sobre o clima, permitem que experiências de agroecologia, educação ambiental e reflorestamento ganhem o semiárido.

O projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável é financiado pelo Governo do Estado do Ceará e pelo Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido por meio de uma parceria entre a CARE Reino Unido e a CARE Brasil.

Inpe: desertificação no Semiárido é inevitável >>> Ecodesenvolvimento

10 de agosto de 2010 • 16h05 • atualizado às 16h11
As mudanças climáticas potencializarão a vulnerabilidade do processo de desertificação do Semiárido nordestino, afirmou na segunda-feira, 9 de agosto, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara. Ele não acredita que a transposição de águas do Rio São Francisco e os açudes conseguirão amenizar o problema da desertificação, uma das consequências do aquecimento global.

"Há uma tragédia anunciada no mundo e estamos todos perplexos ante a incapacidade de mudar o clima, enquanto os países mais desenvolvidos, que são os mais poluidores da atmosfera, como é o caso dos Estados Unidos, não assumem abertamente compromissos para reduzir os efeitos, mesmo em longo prazo", criticou Câmara. Segundo o diretor do Inpe, as regiões polares e tropicais são as que mais sofrerão as consequências nos próximos anos.

ICID 2010: Brasil sedia conferência sobre clima e desenvolvimento em regiões semiáridas >>> Ecodebate

A ICID 2010 será em Fortaleza, de 16 a 20 de agosto. O objetivo é discutir os efeitos das mudanças climáticas e suas implicações em regiões semiáridas
Fortaleza, no Ceará, receberá em agosto a Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas – ICID 2010. O encontro, que envolve mais de 90 países da África, Ásia e América Latina, e cerca de dois mil participantes, tem como meta incluir de forma efetiva as questões relacionadas aos efeitos do aquecimento global em regiões áridas e semiáridas nas agendas de debates nacionais e internacionais.

Organizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) – em parceria com os ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, o Governo do Ceará e outras entidades governamentais e de pesquisa nacionais e internacionais -, a ICID 2010 vai gerar, consolidar e sintetizar dados e estudos sobre mudanças climáticas e identificar ações para promoção do desenvolvimento seguro e sustentável nas regiões semiáridas.

A expectativa é de que os atores envolvidos nessa agenda, incluindo formuladores de políticas públicas, cientistas, representantes de organismos internacionais, sociedade civil e iniciativa privada tenham a oportunidade de compartilhar experiências e o conhecimento adquirido em questões ligadas às regiões semiáridas nos últimos 20 anos, como variabilidade, vulnerabilidades, impactos socioeconômicos e ambientais, ações de adaptação e desenvolvimento sustentável. Eles deverão elaborar recomendações que auxiliem na criação e implantação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável dessas áreas.

Estimativas mostram que cerca de 35% da população mundial vivem em terras áridas e semiáridas, que correspondem a 41% da superfície do planeta. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), essas terras serão afetadas pelas alterações no clima mundial. Apesar desse cenário, os habitantes dessas áreas ainda são sub-representados em discussões como a COP-15.

No Brasil, 1.482 municípios do semiárido, que concentram a maior parte da pobreza do País, são afetados diretamente pelo problema, segundo dados do Programa Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Estudos indicam ainda que quase 20% do semiárido brasileiro será atingido de forma grave, tendo reflexos ambientais e socioeconômicos, como a deterioração do solo e comprometimento da produção de alimentos, extinção de espécies nativas e degradação dos recursos hídricos.

Organizada em quatro temáticas principais – Clima e Meio Ambiente; Clima e Desenvolvimento Sustentável; Governança e Desenvolvimento Sustentável e Processos Políticos e Instituições, a ICID pretende transformar intenções em resultados práticos de desenvolvimento, e acelerar, assim, o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), de redução da vulnerabilidade, da pobreza e da desigualdade.

A Conferência, que ocorrerá 18 anos após a realização da primeira ICID, realizada no início de 1992 como preparatória para a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) – a Rio 92, também vai explorar sinergias entre as Convenções das Nações Unidas relativas ao desenvolvimento de regiões semiáridas. O encontro funcionará, portanto, como um agente integrador de teorias, modelos e ações que possam atualizar o conhecimento sobre o tema e subsidiar a realização da Conferência das Nações Unidas vinte anos mais tarde, a Rio+20.

A primeira Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas ocorreu em 1992, também em Fortaleza. Em sua primeira edição, o encontro contou com cerca de 1,2 mil participantes de 45 países. Criada como um evento preparatório para a Rio 92, a ICID forneceu dados e informações científicas sobre as regiões semiáridas no mundo e conseguiu abrir os olhos da inteligência nordestina para os problemas dessas áreas no Brasil.

A primeira ICID teve um enorme impacto, tanto no âmbito nacional quanto no internacional. “Os trabalhos exibidos durante a primeira ICID foram levados para a Rio 92, assim como a declaração de Fortaleza, com recomendações de políticas públicas para as regiões áridas e semiáridas. Muitos participantes do evento, oriundos da África e da Ásia, também chegaram à Rio 92 como negociadores”, destaca Antônio Rocha Magalhães, coordenador executivo da Conferência. A primeira edição da ICID também serviu como fator decisivo para a criação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

Vários estudos e publicações que servirão como subsídios para o encontro de 2010 foram derivados dos debates que entraram em pauta na primeira ICID. Entre a primeira e a segunda edição da Conferência, três convenções foram aprovadas e entraram em operação: a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD); a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Protocolo de Kyoto; e a Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (UNCBD). Todas elas contribuem, em sinergia, para fortalecer o combate à desertificação e preservar a biodiversidade presente nas regiões áridas e semiáridas em todo o planeta. A expectativa é de que a ICID 2010 tenha o mesmo impacto como conferência preparatória em eventos dessa natureza, como a Rio+20.

Texto de Cadija Tissiani, do MMA, publicado pelo EcoDebate, 21/07/2010

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